2011-02-17

Comofas? - Parte 2



Gente conhecida minha escreve "a muito tempo" ou "se ele fize-se", e não é gente completamente idiota ou ignorante; talvez seja por desatenção e falta de reflexão. Acontece bastante mesmo, e é chato ter que corrigir constantemente meus próprios amigos. Mas aos anônimos escrevendo comentários agressivos em websites, eu não tenho pudor de apontar um dedo corretivo.

Eu guardo auma lista de erros de português triviais e muito feios, que costumo expandir periodicamente e postar neste blog (veja aqui a edição anterior da lista). Minha intenção não é sacanear as pessoas, mas detectar padrões nos erros comuns que apontam para deficiências na educação e também, ouso observar, falhas na lógica da norma ortográfica.

Tudo bem se você preferir apenas dar risada ou gritar de horror ao ver estes erros.


afirmão que
agaichamento
almentar
assender
baixo culhão
cançeira
cáquitus
casça
cauçado
censo do ridiculo
cinsero
cirueta
cituações
com migo
compultadores
concentimento
conexção
conserteza
crustáceis
debuntantes
demição
desce geito
desolcupados
despresar
em contro
emosao
em quanto isso
emteireseira
em sim
enesquecível
entar descer
escitava
esqueção
etinográfico
excenciais
exelente
exitada
expecular
eu feicharia
faixa etária de preço
fiquei exprimido
filha da pulta
forsa
fusar
geito
gosava
horganizadores
imença
imprecionar
inceticida
invão
isperiencia
jente
lixo nas causadas
mau intensionado
me cinto
menina felis
muintos
obistaculos
o que a mulheres pessam
passificos
pedofelia
percepitivel
perildo de tempo
por iço
porssível
praser
procição
quando ele lanso o produto
quando ouver
repercurção
rezistir
roudanas
sai-mos
se foce voce
sego
sem nosão
sensura
sertesa
trabeceiro
traser
túneo

P.S. - Se você chegou aqui por uma busca do Google, dou um alerta: o que você digitou está vergonhosamente errado. Pare de escrever a palavra assim, por favor. Faça direito! Estude!

2011-02-07

Megapixel não é nada, sensor é tudo

Este artigo está aqui para servir como reflexão leve sobre o avanço técnico na fotografia digital. Pessoas vivem me perguntando sobre as badaladas câmeras "superzoom", que fisicamente parecem DSLRs (reflex digitais) mas não são, em comparação às próprias DSLRs. Por fora elas se parecem bastante, e as "superzoom" têm lentes topa-tudo, então por que insistir nas DSLRs, com sua fama de custo e complexidade?

Simples: as badaladas "ultrazoom" usam sensores minúsculos, assim como qualquer compacta de bolso, e por isso podem ter sérias dificuldades de captação de luz. Não é o caso de uma DSLR.

No começo de 2008, eu era basicamente um colaborador das revistas da Digerati e nem sonhava em trabalhar numa revista de fotografia ou fazer stills de produtos profissionalmente, como hoje. Possuía uma trivial Sony Cyber-shot DSC-W90, com a qual fazia fotos de viagens e de curiosidades do cotidiano. Já ensaiava, porém, minha "street photography". Mesmo tendo experiência prévia com uma excelente SLR de filme da Canon, o meu relativo pouco interesse na fotografia na época fez-me esquecer os benefícios de uma câmera "grande" e ficar acostumado a "tirar leite de pedra" com minha maquininha de bolso barata.

Esta foto eu fiz em 8 de janeiro de 2008 com a Sony W90, sob as luzes de sódio da Avenida Paulista, recentemente substituídas por uma iluminação muito superior. A máquina estava em modo automático e escolheu a abertura de f/5.2 para fazer esta foto horrível em ISO 3200 a 1/8 de segundo:




A imagem resultante tem sua utilidade - como lembrança vaga, borrada, manchada e granulosa daquele momento - e também para figurar num artigo em meu blog sobre como as fotos das câmeras "amadoras" podem ser ruins, se você deixar que elas façam tudo sozinhas por você.

Exatamente no mesmo lugar, mas de outro ângulo, fiz esta outra foto, na semana passada:




O que há de diferente? Além da potente nova iluminação pública – que, ao contrário das enjoativas luzes de sódio e as frias lâmpadas de mercúrio, possui um conteúdo espectral admissível por olhos humanos e por sensores de câmeras – usei uma Nikon D5000 (sensor CMOS APS-C fabricado pela Sony), com lente Nikkor 50mm f/1.8 a f/4, 1/60 de segundo. A câmera elegeu ISO 1400 - o único ajuste dela que deixo no automático para obter velocidade consistente de 1/60s nas minhas fotos descompromissadas de rua à noite. Puxei a exposição em 0,9EV no computador; ou seja, o ISO efetivo foi de aproximadamente 2600. De toda forma, você só enxerga ruído nas sombras mais escuras.

Note pelo detalhe ampliado que ainda há muito campo para melhoramento na imagem, mas o que impressiona é que, para obter uma imagem da mesma qualidade na época da W90, eu teria precisado usar uma Nikon D3, então recém-lançada pelo preço de US$ 5 mil, somente o corpo, lá no exterior. A D5000, que até já saiu de linha, usa o mesmo sensor da famosa D90 e pode ser encontrada no mercado por um preço inferior ao de várias das superzooms.

Antes da Sony W90, eu tive uma Sony T7 que fazia imagens piores, mas eu a adorava porque cabia no bolso, junto com a carteira; hoje não me incomodo mais em andar com uma bolsinha preta suspensa do pescoço, e dentro dela uma câmera maior (e possivelmente mais uma ou duas lentes). Depois da W90, passei dois anos inteiros com uma Panasonic Lumix DMC-FX100, primeiro modelo compacto do mundo de 12 megapixels. Esse número impressionava todos os leigos. A Lumix esverdeava todas as sombras, tinha uma estabilização de imagem pífia e produzia ruído forte até em ISO 80 - mas a lente Leica salvava o dia. Nem tanto assim quanto à noite, porém. As minhas compactas eram bem diferentes no modo de usar, mas em comum às três havia o péssimo desempenho sob baixa luz com ISO alto - uma questão que parecia insolúvel em câmeras compactas até que apareceram modelos com sensores um pouco maiores, como as Canons S95, G11 e G12.

Moral da história para fotógrafos casuais: megapixel não é nada, tamanho do sensor é tudo. Se você quer imagens melhores, deve inescapavelmente recorrer a câmeras com sensores maiores. Minhas velhas compactas eram excelentes quando usadas para fotografar paisagens de praia e macros de insetos. Mas bastava escapar apenas um pouco das suas limitações físicas e os resultados despencavam, a despeito de todo o marketing dos fabricantes louvando as virtudes da estabilização e da remoção de ruído.

Nunca esqueçamos que a técnica só é importante enquanto nos auxiliar a alcançarmos a nossa visão criativa original, e que a partir daí passa a ser um estorvo ou distração. Considerando-se isso, é bem-vindo todo avanço que permita-nos fotografar mais facilmente sob condições difíceis.