Aqui vão duas fotos minhas de paisagens urbanas de São Paulo, a primeira de 19 de junho de 2008 e outra de 19 de maio de 2008:


Para a olho-de-peixe, usei um adaptador Opteka com aberrações tremendas sobre a lente zoom 18-55mm de uma Sony Alpha 200. Para o panorama, usei uma compacta Lumix FX100, de boas lembranças porém horrivelmente ruidosa. Opticamente, portanto, elas não se sustentam. Os assuntos também não são grande coisa. A olho-de-peixe é da obra da estação Higienópolis-Mackenzie do Metrô, tirada do décimo andar de um prédio do outro lado da rua da Consolação (obra essa que está paralisada desde então e manteve a mesma aparência inacabada, só que sem operários e sem máquinas). O panorama é da região do Rio Pequeno, com os fundos da Cidade Universitária e a favela São Remo conforme vistos da janela do apartamento onde morava então.
As imagens são provas de conceito, com assuntos de pouco interesse. O que elas trazem de interessante é a concepção técnica. Cada imagem é o resultado da fusão com máscara graduada entre duas imagens, tiradas com tripé da mesma posição, mesmo foco e mesma abertura, só que com doze horas de diferença.
As imagens foram postadas no Flickr na época. Havia duas olhos-de-peixe da obra do Metrô, uma com a luz invertida em relação à outra. Como deixei expirar a minha conta Pro no Flickr, as imagens foram "sequestradas" pelo site e sumiram de vista. Na época elas não chamaram a mínima atenção das pessoas que passavam pelo site, e por isso me desinteressei da técnica e não levei os experimentos adiante.
Agora fiquei sabendo que um renomado fotógrafo publicitário americano vem fazendo essencialmente a mesma coisa desde 2009, só que são paisagens bonitas de Nova York construídas a partir de múltiplas imagens de grande formato de 40 MP com a câmera instalada num guindaste. E está ganhando o mundo com exposições dessas fotos. Sem falar que já apareceu na PDN e no PetaPixel.
A minha frustração não é por ele ter "copiado" a ideia, porque não sou idiota de achar que um cara do calibre do Stephen Wilkes, que só faz trabalhos milionários, tenha copiado qualquer ideia do Flickr. Está claro que ele inventou a mesma coisa independentemente, como desenvolvimento natural de um insight técnico.
No segundo semestre de 2008, depois de duas seguidas aventuras profissionais desastradas, eu estava no "fundo do poço". Porém, foi ali que tive um insight sobre um possível futuro. Clicio deve se lembrar daquela noite em que o convidei para um café no Shopping Morumbi, a fim de ouvir seus conselhos e encorajamento; foi nessa conversa que pela primeira vez eu disse a alguém que trabalharia especificamente com fotografia. Ele me olhou com a expressão inalterada; ou achou a minha decisão natural, ou não acreditou de verdade...
Eu necessitava desesperadamente, por questões mais financeiras que existenciais, um "breakthrough" pessoal que na época ainda não veio. Mesmo se eu resolvesse tentar fazer um ensaio para uma exposição temática com aquele tipo de imagem inovador, faltariam-me quase todos os recursos para sua realização. Era o problema do ovo ou da galinha. O Flickr convenientemente escondeu as imagens de teste, que depois de ignoradas acabaram também esquecidas.
É fatal que aconteça algo assim na vida de qualquer artista visual, nesta época em que todos produzem cada vez mais ideias novas, mas o prestígio e o sucesso continuam escassos. Ou você inventa um conceito bacana, não o desenvolve e depois vê outra pessoa investir no mesmo conceito e colher todos os méritos; ou então, tem uma ideia original e, ao pesquisar sobre ela, descobre que já foi feita antes.
Agora estou montando gradualmente dois ensaios fotográficos para - espero! - futuramente expor, sendo que um deles novamente utiliza uma técnica avançada que combina a captura em condições específicas e a correspondente pós-produção. Este eu não estou mostrando por enquanto. Porém, desta vez espero exibir ao público o conceito bem aplicado, antes que novamente outro "gringo" melhor munido de recursos apareça e leve toda a fama pela técnica.
Algum curador lendo isto...?


Gostei !!! Isso sempre me angustia ... criar algo, ter uma idéia e não ter recursos no momento para levar avante, e um tempo depois ver que alguém fez a mesma coisa, só que com ajudinha de PPPP, ou seja, aquele velho ditado que vem desde os tempos de escola, faculdade, vestibular, etc : Papai Pagou Pateta Passou :-(
ResponderExcluirAbçs meu amigo e obrigado por me contaminar positivamente e me forçar a correr atrás das minhas idéias !
360 abraços
AYRTON
Ayrton, a síndrome do "porra, já inventaram isso!" eu venho tendo desde a adolescência, quando já era um criador visual bem ativo, só que sem formação acadêmica e acreditando que realizaria minhas criações facilmente no âmbito do design gráfico comercial. Pois, grande ilusão: se há um campo que impede ativamente de realizar ideias criativas independentes, é justamente o design gráfico comercial. Migrar de mala e cuia para a fotografia foi minha melhor decisão, mesmo que só tenha feito isso depois de muitos anos marcando bobeira. Olho as fotos que fazia com a Olympus de filme nos anos 90 e percebo quanto tempo perdi. Agora é correr atrás.
ResponderExcluirComand shift 4 no titulo do seu post, agora set desktop picture. Pronto. Não posso esquecer disso nunca mais.
ResponderExcluirOlá, Mário, venho lendo seu blog já há algum tempo. O legal é que os temas são tão variados, nunca sei o que esperar: transporte público, design, fotografia, tipografia, mundo Mac. Aliás, esta sua incursão na fotografia está totalmente certa, você tem uma cultura visual muito forte, não tem como não dar certo. A propósito, qual a fonte que você usou neste último update no blog? Achei sensacional.
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