
Logo a seguir, vários sites acusaram o logo de ser uma cópia da pintura "A Dança", de Matisse. Também chovem alusões ao escandaloso plágio do simbolo do Carnaval de Salvador de 2004 sobre o símbolo da entidade norte-americana Telluride Foundation - este sim, conscientemente assemelhado ao quadro de Matisse. Esta busca do Google pelo logo da Telluride Foundation mostra como a marca nova e as suas supostas "inspirações" já estão indissociavelmente ligadas. Você pede Telluride e vêm dezenas de Rio 2016, junto com alguns Matisses e o logo queima-filme do Carnaval de Salvador de 2004.
Em resumo, nos dois primeiros dias já há um questionamento maciço e risadaria pública em relação a mais um logo para evento nacional de nível mundial. Isso nos leva a questionar, justificadamente, a competência de nossos designers de marcas de maneira geral - já que afirmam que o processo de criação envolveu 139 empresas e seis meses de trabalho - quanto a lisura do próprio processo de seleção e criação.
O fiasco imediatamente anterior foi o logo da Copa FIFA 2014, apelidado "Chico Xavier" - produto de um processo viciado envolvendo a CBF e a agência de propaganda Africa - que rendeu polêmica mundial nos meios do design e foi devidamente brutalizado por críticos e parodiadores Web afora. Aquele foi um trabalho tão deprimente em concepção e execução que eu não me animei a escrever uma crítica, não querendo levantar a bola dos envolvidos, mesmo que negativamente.
Agora é diferente. Sendo este símbolo das Olimpíadas ainda mais importante que o da FIFA e o correspondente evento situado dos anos além no futuro, seria razoável esperar que o vexame não se repetisse.
Agora, vamos ao ataque à marca (já que ela traz a reboque um documento oficial chamado de defesa de marca).
Este não é um artigo escrito simplesmente para aumentar o coro dos críticos e gozadores. A minha crítica ao logo Rio-2016 sai da linha de discussão que está rolando nos outros sites, que é baseada na fraca acusação de plágio de Matisse ou da Telluride. Como designer ou artista visual, eu não acho problema algum citar numa marca comercial uma imagem icônica de Matisse ou outro pintor famoso (e, no caso, devidamente falecido).
O meu problema mesmo é com essas PESSOINHAS FEITAS DE FITINHAS.
As PESSOINHAS FEITAS DE FITINHAS podem ser consideradas como uma ubíqua, porém peculiar, degenerescência do design gráfico do final do século 20. Provavelmente tiveram origem esportiva; acredito que tenham começado sua gestação monstruosa a partir da brilhante simbologia das modalidades esportivas criada por Otl Aicher para a Olimpíada de Munique de 1972.

Esses pictogramas - descritos somente por formas semiabstratas monocromáticas, compostas de retas e arcos de círculo em ângulos retos e de 45 graus, e inscritas em quadrados - são conceitualmente consistentes com o então emergente padrão pictográfico internacional, o qual culminou na norma ISO 7001 de sinalização pública.

Assim como os pictogramas de sinalização viraram coisa séria, os pictogramas esportivos viraram uma instituição permanente. Todas as Olímpiadas desde 1972, tanto as de inverno quanto as de verão, utilizam reestilizações com "sabor local", porém respeitosamente similares ao design original de 1972 (aqui você pode ver amostras do conjunto original e da versão que será usada em Londres em 2012).
Para além do esporte, as PESSOINHAS FEITAS DE FITINHAS apresentam conotações de bem-estar e vida saudável e logo passaram a adornar praticamente todo e qualquer produto dietético, assim como logos de academias de ginástica. O cacoete vazou também para o contexto dos administradores de recursos humanos, saúde pública...
Clique em cada um dos links acima para ver uma busca do Google por imagens de logos em cada categoria. Fique pasmo com a quantidade de designs inócuos, anódinos, fracos, ruins, medíocres, baseados em PESSOINHAS FEITAS DE FITINHAS.
Entramos no novo milênio com uma epidemia de logos de empresas, entidades, iniciativas, projetos, tudo sempre baseado em PESSOINHAS FEITAS DE FITINHAS, seja alçando voo num salto vigoroso, dando um chute adiante, abrindo os braços exultantes, ou dando-se as mãos de forma segura e conformista.
A Gestalt das PESSOINHAS FEITAS DE FITINHAS possui unicamente dois elementos, sendo portanto traçável por qualquer nível de energúmeno ou néscio em arte e design. Eis a receita: um círculo representa a cabeça, combinado ou não a um ou mais traços em fitas, que representam os membros do corpo - ou apenas um ou dois braços mais uma alusão ao tronco. Isso é algo mais primitivo ainda do que o "homem de palitinhos" que obrigam as criancinhas a desenhar no jardim da infância. Como o atual processo de criação gráfica é digital, raramente exigindo o gestual humano para produzir formas visuais, os modernos recursos de ilustração digital proveem o designer de curvas Bézier suavizadas, que emprestam um aspecto de precisão geométrica ao mais chutado e rudimentar dos pictogramas humanos.
O resultado é um cataclisma de mediocridade criativa em logos de todo tipo nos quais o tema por acaso inclua representações genéricas de seres humanos. Mesmo que as PESSOINHAS FEITAS DE FITINHAS tenham origem na própria Olimpíada, seu uso indiscriminado e maciço as torna, no mínimo, desaconselháveis. Muito mais ainda com um acabamento tão raso.
No logo Rio-2016, as PESSOINHAS FEITAS DE FITINHAS apresentam um detalhe peculiar, a única parte de sua concepção que apresenta uma fímbria de originalidade. Cada uma das três figuras humanas, além de ser decisivamente feita de uma FITINHA com a frente e o verso visíveis (Möbius teria gostado disso?), é ligada à outra pelo tronco e pelos braços. Esse arranjo evoca este vídeo recente da banda Klaxons:
(ADVERTÊNCIA: O conteúdo visual deste vídeo pode ofender sensibilidades mais tênues.)
Cabe uma observação rápida sobre as cores. Logos oficiais que pretendem representar o Brasil vivem presos, já desde o briefing inicial, a utilizar forçosamente as cores dos símbolos nacionais. Isso deveria darr uma liberdade para o designer, já que é possível nesse contexto usar todos os matizes do espectro, tirando-se laranja, vermelho e magenta. Sobra ainda muita cor para usar. Esta nova marca, porém, utiliza um laranja pesado, praticamente um vermelho mesmo, nos sombreados das partes amarelas para conseguir contraste entre a ingrata cor oficial e os fundos brancos onde o logo será majoritariamente aplicado. Esse avermelhamento, diriam os teoristas da conspiração, fazem parte de uma sutil tendência a incorporar o vermelho petista ao pendão nacional. Creia nisso ou não, como quiser; eu pessoalmente não duvido de mais nada.
Ah, a parte de cima do símbolo da Olimpíada é para lembrar a silhueta do Pão de Açúcar? Juro que não notei, precisou alguém vir me apontar isso. A cabecinha bem no meio e a falta de uma sugestão de horizonte destroem a possibilidade de associação imediata entre a montanha e o pictograma. Seja como for, a prática de inserir o Pão de Açúcar em toda e qualquer concorrência de marca que envolve a cidade do Rio de Janeiro é MAIS UM clichê preguiçoso que, por mera piedade à tão enxovalhada criatividade, deveria ser completamente evitado, ao menos pelas pessoas de bem.
Vamos lá, designers. Vocês conseguem fazer ou não melhor da próxima vez? Era o que pensava depois do logo da Copa. Quebrei a cara.
Update - O verdadeiro plágio poderia ser deste logo criado por um grupo de trabalho de estudantes em Singapura:

Update - 3 de janeiro
O Jornal Nacional, da TV Globo, exibiu matéria extremamente laudatória promovendo a nova "logomarca", como dizem. O símbolo foi chamado de encantador e de obra de arte.
O Jornal Nacional, da TV Globo, exibiu matéria extremamente laudatória promovendo a nova "logomarca", como dizem. O símbolo foi chamado de encantador e de obra de arte.
Update - 4 de janeiro
Meu comentário que ficou faltando sobre o lettering do logo Rio-2016 pode resumir-se a uma imagem:

Meu comentário que ficou faltando sobre o lettering do logo Rio-2016 pode resumir-se a uma imagem:



Mas sabe o que mais irrita? É ver a mídia amplamente usando o termo "logomarca".
ResponderExcluirSe eu fosse o cara da agência Tátil, eu viria a público e diria:
"Ok, vocês podem falar oq for do nosso trabalho. Mas, PELO AMOR DE DEUS, é LOGOTIPO!"
(ou seja: xinga, mas não ofende)
Tá que esperar isso seria a mesma coisa de "uma logo" (sic) minimamente mais inspirada.
esse sim se parece, queria ter visto os outros participantes, eu achei bonito, parecidos sempre vão ter, e acho que sim tem que fazer referência a algo do rio e infelizmente só o pão de açúcar ou o cristo hahah, mas ótimo o texto me fez pensar melhor
ResponderExcluirO Cristo é um ícone religioso, o que dificulta as coisas um pouco. Mas discordo que para referenciar o Rio em todas as ocasiões a única alternativa seja apelar à silhueta do Pão de Açúcar. Uma rede de supermercados faz isso, há 40 anos. Em tempo, confira os outros símbolos de Olimpíadas e veja qual deles tenta copiar a forma de alguma coisa da cidade-sede. Achar que tem que ser assim é uma enorme falta de imaginação e peculiar de gente brasileira sem instrução em artes visuais.
ResponderExcluirAlém do uso do termo frankstein "logomarca" o usos incorreto do termo "plágio" também me deprime demais. Agora será que vai alguém a público, explicar tb?
ResponderExcluirBela crítica Mario
Belo texto! O que mais doi é ouvir "LOGOMARCA" ecoando por ai, até que ponto @tatil_design é culpada por disseminar + a palavra LOGOMARCA? Será q ñ valeria a pena eles darem um toque pros jornalistas?
ResponderExcluirLogomarca quer dizer absolutamente nada > http://bit.ly/fMGoPP #LOGOMARCANAOEXISTE // RT UNI-VOS!
Acrescentando um segundo comentário.
ResponderExcluirDentro dos conceitos sustentados. De natureza exuberante, espírito olímpico, diversidade harmônica e energia contagiante, a marca visualmente falando sustenta ineditismo para o grande público. Essa preocupação visuais muitas vezes até neurótica vem de quem trabalha com produtos visuais e são menos tolerantes a elementos clichês. Quando não são clichês acontece o fenômeno London 2012, que quebra todos oos paradígmas e causa a incompreensão. Chico Homem de Melo já havia nos alertado "do milagre que não vem" quanto a grandes inovações.( http://bit.ly/cf9voi )
A grande aposta da marca Rio 2016 é em seu carater interativo 3D, tátil. É esperar pra ver o resto. Essa é apenas a pontinha do iceberg do projeto gráfico.
Mas a Olimpiada não é no Rio gente? Então vamos cariocarizar. Eu sou muito a favor da forma do Pão de Açucar, das cores do pais e da forma humana. Principalmente por que se diferencia das anteriores. É muito superior a de Londres 2012 que pra mim não diz nada com coisa nenhuma. Eu boto fé nessa marca. Ela eh muito afrente das outras. Tem espirito olimpico (união, força, equipe) e tem um forte referencial a cidade-sede. Pra mim ela junta duas caracteristicas do evento que talvez não tenham sido observados antes.
ResponderExcluirDiscordo. Primeiro, em relação aos plágios, isso sempre vai existir. E a linha entre plágio e inspiração é muito tênue. E acho que já chegamos em um ponto onde já está ficando difícil "inovar" sem aparecer um chatão que vai fuçar nos fundos da internet e achar uma coisa que pareça o que você acabou de criar.
ResponderExcluirAposto que se tivessem colocado um monte de rabisco subjetivo teriam xingado um monte.
E acho que a relação com o clipe dos Klaxons não tem nada a ver também, apenas coincidência.
E a ideia dos caras foi bem além. Gostei porque juntou um sem número de inspirações e ideias. Além de remeter ao Pão de Açúcar (dá pra ver, sim), ele também mostra a palavra Rio (é por isso que tem a cabecinha do bonequinho no meio do Pão de Açúcar - tem que forçar os olhos, mas também dá pra ler). Mostra a comemoração conjunta de um evento da celebração do esporte, etc.
Concordo com o uso do laranja-vermelho, e concordo mais ainda com a história de colocar o vermelho petista em tudo.
Mas também discordo do negócio de dizer que outras Olimpíadas não se basearam em símbolos do país para construir seus logos ou simbologia do evento.
Os que não remetem a símbolos chave, usam a linguagem do país, como Beijing e Sydney. E os que não fazem isso, usam símbolos olímpicos como Atlanta e Barcelona.
E pô, não se basear em nada e fazer a merda que Londres fez pra 2012 eu prefiro continuar com o Pão de Açúcar.
Acho um exagero pessoas acharem uma cópia da obra de Matisse, é muito diferente. Então o símbolo pode ser cópia de qualquer roda de pessoas representada por pintura, foto, símbolo ou desenho? Roda é algo comum. Pessoinhas representadas numa roda sempre vão seguir basicamente as mesmas linhas, isso devido a anatomia humana. Quanto ao logo de Singapura, é muito diferente também, só pq tem 3 pessoas em roda? Nossa, está realmente muito fácil plagiar hoje em dia então. Acho impossível uma pessoa/empresa ser burra ao ponto de criar um símbolo desses copiando outra coisa, ou um ícone das artes como Matisse. É essa visão que acho um exagero, achei o símbolo bom, poderia ser melhor sim!
ResponderExcluirGabriel, Armando, IFD, obviamente vocês assistiram ao JN e ficaram de orelha quente de tanto ouvir LOGOMARCA. Já que vim escrever para chutar o pau da barraca no design, posso aproveitar para chutar o pau do marketing também. Pois essa expressão é puro marquetês, não designês. E no nível mais profundo, a questão aqui envolve gente que não entende nada de design metendo-se com design.
ResponderExcluirArmando, London-2012 foi visivelmente chutado. Transformar o numeral 2012 num mapa-múndi foi dar um passo meio comprido demais (re Kitto). Mas pelo menos não tem aquele cheiro de criação de comitê. Os pictogramas foram desenvolvidos para combinar com o símbolo anguloso, e na minha opinião não deu muito certo: ficaram "figurativos" demais. Mas London-2012 não me ofende, simplesmente porque não capto conteúdo emocional nele. Em Rio-2016 vejo uma espetacular glorificação da banalidade, usando exclusivamente elementos de design surrados e amplamente repisados e desgastados por maus designers; isso é que é inquestionável por qualquer um dos contraargumentos que possam jogar aqui para defendê-lo. De certos ângulos, o logo em 3D parece um coração. MAIS breguice.
Stella, você não tem senso de humor… É claro que Rio-2016 não copiou o terrível logo dos estudantes de Singapura, nem o genial clipe dos Klaxons. Esses outros exemplos estão aqui apenas para ilustrar, via contraste, o problema de se processar um tema banal usando um tratamento banal. Forçar os olhos para enxergar a palavra Rio no logo? Uau. Então a arte da caligrafia também está sendo ofendida, de um golpe só. Quanto ao vermelho petista, faça um favor, fique bem longe da nossa bandeira.
Crislei, concordo quanto à leviandade de chamar tudo de plágio, claramente o caso não é este aqui.
Concordo com o Armando Fontes acima. Como designer, li mais uma vez as mesmas críticas feitas por designers sobre cores, formas, supostos plágios e certa dor de cotovelo... Porém, também como designer, fico feliz porque o povão gostou da marca.
ResponderExcluirNão demorou muito para alguém falar em dor de cotovelo. É um básico truque para tentar desqualificar o autor da crítica em lugar de responder à crítica. Não detecto ninguém aqui manifestando-se por inveja. Fale por você.
ResponderExcluirO povão gostou da marca porque foi a única opção que lhe foi apresentada. A Globo deu a marca pronta e mandou gostar. A aceitação fica bem fácil assim.
Acredito que a Tátil deve está adorando todo esse estardalhaço. A visibilidade deles aumenta a cada dia, causa polêmica e sim, a marca que eles criaram é boa, pois atingiu o seu objetivo. Ela é consistente, temos q levar em considereção a visibilidade da marca não só local. Não adianta, o Rio de Janeiro tem em seu cartão postal o Pão de açucar, o Cristo, a praia de copacabana... são referencias do Rio. Não cai na mesmice quando se mostra algo de forma diferente. Acho que quem está esmagando o trabalho da tátil, devia mostrar ao píblico uma proposta de como deveria realmente ser a marca, defendendo-a...
ResponderExcluirMario, nem vi a matéria do Jornal Nacional. Mas acho que foi pior, no meu caso.
ResponderExcluirPorque eu dormi no dia 31 (não celebrei revéillon) e, logo cedo, ao entrar na internet no dia 1º, deparo-me com "logomarca" por todos os lados.
Belo jeito de começar o ano, ahn?
Agora, realmente, eu sei que o "logomarca" não partiu dos designers. Mas também não vejo muitos designers combatendo o uso do exótico termo.
Como eu disse, se eu fosse o inventor do logo, facilmente diria "Critiquem o que quiserem, mas façam uso da nomenclatura correta!".
Depois da "dor de cotovelo", o segundo truque usado para desqualificar os críticos é o "não gostou, faz melhor".
ResponderExcluirNão apenas descarto essa pseudoargumentação, como devolvo o desafio. Quem é você, Mariana? Quero conhecê-la. Mostre o seu melhor trabalho para nós.
Primeiro, obrigado por mais essa análise. Está cada vez mais difícil ler sequer uma crítica qualificada no design brasileiro.
ResponderExcluirSobre o resultado, pode não emocionar, mas coloco em um patamar decididamente acima das últimas bizarrices que andaram vencendo concursos por aqui. Espero que isso signifique um movimento contínuo por mais atenção à 'imagem gráfica' do país no exterior, mesmo inconsciente.
Na minha opinião a marca é extremamente coerente com a empresa que a desenvolveu, uma vez que a Tátil lida muito bem com aspectos volumétricos dos produtos que desenvolve, e que eu saiba, branding não é o (desculpem) 'core business' deles. Gostaria de ver as concorrentes, de verdade.
Trabalhos concorrentes, por contrato, não podem ser exibidos. A comparação pelo público poderia não ser favorável ao vencedor. Eventualmente alguns deles irão virar logos para outras coisas, sem que nós saibamos da reciclagem.
ResponderExcluirSalve Mario!
ResponderExcluirPerspectiva diferenciada quase sempre é o teu forte. O que me incomoda nesta história toda não é o "Plágio" ou a "Logomarca". É o "não poder criticar"...
As perguntas retóricas que ficam são:
- "Tinha de ter pessoinhas de mãos dadas?!"
- "Vermelho é coisa exclusivamente Petista?"
- "Pq reforçar a ligação do Design com a Arte, quando as justificativas de um bom design(er) são fundamentadas em questões técnicas e em ciências?"
;-)
abraços!
Vamos lá:
ResponderExcluir- "Tinha de ter pessoinhas de mãos dadas?!"
Meu artigo inteiro é escrito a partir da perspectiva de que NÃO tinha que ter pessoinhas. Veja os demais logos olímpicos para ter uma referência.
- "Vermelho é coisa exclusivamente Petista?"
Esta não é a primeira vez que se força a inclusão do vermelho numa linguagem visual baseada nas cores nacionais oficiais. E ocorre na transição de 8 anos de governo "vermelho" para mais 4 ou 8 anos de governo "vermelho". Teóricos da conspiração podem pegar e desenvolver a tese a partir daqui.
- "Pq reforçar a ligação do Design com a Arte, quando as justificativas de um bom design(er) são fundamentadas em questões técnicas e em ciências?"
O Design é o casamento da Arte com a Ciência. É preciso satisfazer as duas e não apenas uma.
Dor de cotovelo.
ResponderExcluirEram perguntas retóricas, e nem eram endereçadas pra ninguém... mas, ok.
ResponderExcluira) ok.
b) Teóricos da conspiração acham ufos em postes desfocados, vc sabe. O vermelho, além de "comuna", também tem outros significados. Tudo bem, os chegados nas teorias podem crer que tudo é "culpa do Lula". Eu não.
c) O público/consumidor já faz naturalmente a ligação do Design com a Arte. E, por isto, tende a entender a matéria como uma Arte e o profissional como um Artista. Isto já satisfaz naturalmente um lado do casamento. O outro lado, ciência/técnica é que precisa ser mais valorado/comunicado. Se no lugar de "Artes Visuais", houvesse um "Comunicação Visual", serviria melhor para separar um pouco as coisas. E sim, "Artes Aplicadas", tb não me parece algo equilibrado o bastante.
abraço!
Como já disse, "dor de cotovelo"é um pseudoargumento, e do mais vagabundo. O seu blog informa que é um estudante e entusiasta de Design, mas só tem posts sobre designs alheios. Para variar, mostre um trabalho SEU, que aí começamos um conversa real sobre méritos reais. E antes que retruque, adianto-me para repetir também isto: "não gostou faça outro" é outro pseudoargumento. Espero sinceramente que tenha alguma OUTRA coisa a dizer para contribuir no debate.
ResponderExcluirCaparica, no fundo a palavra "arte" é queimada no mercado comercial. Um fotógrafo veterano e talentoso disse há pouco tempo que faz arte com fotografias, mas para os clientes nunca se declara "artista", porque na cabeça deles "artista" é aquele sujeito que vive sem regra, trabalha por tesão e não sabe ganhar dinheiro. Só o profissional que já se "fez" pode se dar o luxo de apresentar-se como "artista".
ResponderExcluirEm anos passados, escrevi outros artigos botando o dedo na ferida da qualidade criativa e técnica do design brasileiro. A reação foi diferente. Creio que desde então, surgiu uma nova geração de "designers digitais" com menos valores culturais, menos parâmetros estéticos, menos bagagem visual e menor embasamento técnico que a geração anterior. É deles, não minha, a tarefa de provar que não é assim e que estou sendo atrozmente pessimista. Mas a qualidade da discussão caiu tanto que até agora meu preconceito se justifica. Que venham mais comentários ofendidos, com ataques genéricos e defesas toscas...
Não acho ruim que uma marca seja polêmica. Pelo contrário. Picasso era polêmico. Niemeyer é polêmico. Apesar de não escapar de alguns clichês – e, vamos combinar, evitar clichês também é um clichê – não considerei a marca essa aberração toda. Concordo que a acusação de plágio, que eu acho bem pesada, já que plágio refere-se a uma cópia, o que não entendi nos casos citados, é fraca. Concordo com a opinião de que, como designers, e princiapalmente como brasileiros, podemos mais. Nossa cultura nos permite um potencial que somente agora começamos a nos aproveitar. Mas discordo da critica de pessoas como fitinhas ou coisa parecida. Existe um processo criativo e esse processo não é assim como assar pão. Pelo menos não em um estúdio sério. Tive a oportnidade de conhecer o trabalho da Tátil e posso dizer que, com certeza, não foram em uma loja de armarinhos.
ResponderExcluirA minha percepção da utilização da "Arte" comercialmente é diferente da tua. IMHO, o mercado não tem a coisa assim tão queimada... E até conheço alguns empresários que curtem a idéia de se apresentar ao público como "pessoas próximas das Artes". Entendo que de fato misturam muito as coisas...
ResponderExcluirE não só os "já feitos" se apresentam como "artistas gráficos/visuais"... Pro profissional de comunicação visual, não é raro ver o pagar de artista/autoral como algo comercialmente mais viável/vendável do que argumentar nas fundamentações técnicas/acadêmicas.
A qualidade de discussão, invariavelmente passa também por coisas como a capacidade de compreender os outros e de se fazer compreender, além da imprescindível base pra se argumentar.
Em tempo, não acho que seja uma questão de preconceito seu. Já é mais um pósconceito... :P
abraços!
Eu acho que certos detalhes não têm tanta importância.
ResponderExcluirConcordo que dá pra evitar certos clichês. Mas usá-los também não significa nenhum pecado tão grande. Podia ser evitado, mas grandes merdas...
A interpretação do símbolo é bem abstrata. Eu, pessoalmente vi de cara uma chupeta. É chupeta? Claro que não. Consigo "ver" a insinuação do Pão de Açúcar e até de "Rio" nele, também. Mas francamente não acho que isso tenha muita importância. Só designers ficam analisando à exaustão "logomarcas" (é outra discussão idiota... designer perde tempo com cada besteira). A grandissíssima maioria das pessoas só dá aquela sentida geral no logo e não dá mais muita atenção. Se ela evocou um certo espírito proposto, serviu. É só mais um elemento de um produto comercial.
Eu pessoalmente acho que o símbolo não precisava refletir nada muito específico do Rio. Tá escrito ali embaixo Rio, não é? Já tá bom. O Rio representa o Brasil no evento. Então podia ser simplesmente uma identidade comum nacional, seja lá o que isso for, hoje em dia.
Em relação ao lettering, está bem harmonioso com o símbolo. Achei bem legível e agradável.
De qualquer forma, acho que o logo cumpre o objetivo. Remete às cores brasileiras (essa do vermelho comunista é forçar muito a barra), tem um certo malemolejo (uma falsa ideia que estrangeiros têm que o brasileiro é cheio de bossa e samba no pé; alguém aqui samba?) Então pronto. Não vejo tanta razão para estardalhaço.
Eu concordei com a sua teoria do vermelho estar sendo colocado em tudo. Pelo amor de Deus não me associe a nada que seja petista, credo.
ResponderExcluirLiquid, o buraco na sua argumentação reside neste trecho: "A grandissíssima maioria das pessoas". Sei que não falou isso com qualquer intenção má. Porém, as maiores atrocidades do planeta têm sido justificadas e validadas com base em "A grandissíssima maioria das pessoas".
ResponderExcluirO trabalho não deve almejar ser minimamente satisfatório para uma maioria das pessoas. Deve ter a ambição de ser satisfatório ao máximo para qualquer nível de pessoa. PONTO.
Desejar menos do que o melhor é a chave da conformidade medícre que, insisto, manifesta-se gritantemente no nosso querido logo em pauta.
Quanto ao lettering, eu vejo aquilo que vem sendo criado pelos vizinhos argentinos, mexicanos e portugueses nesse campo, e me dá tristeza. Novamente temos um caso de almejar muito pouco e conseguir menos ainda.
De fato, é PONTO.
ResponderExcluirSinceramente, não vejo plágio na marca do Rio 2016... Ser parecida com outra já existente não significa necessariamente ser um plágio... Ser literalmente igual, como a marca Telluride -> Salvador 2004, isso sim é plágio escancarado.
ResponderExcluirNenhuma marca é dona de cor ou forma, no sentido mais genérico. Senão, o vermelho seria posse da Coca Cola, o verde-amarelo da Petrobrás e por aí vai. E a utilização de pessoas como simbolo, se fosse de posse de alguém, coitadas das orgs de solidariedade / fraternidade, que sempre/quase sempre fazem alusão a pessoas de mãos dadas ou algo do tipo.
Agora, se a marca em si é boa ou não? Aí é outra história... Eu vejo alguma tentativa de originalidade, de dar aspecto tridimensional a marca. Mas concordo que a forma do Pão de Açucar, da forma como está, é forçar demais a barra. De todo, o logotipo me pareceu bom, e confesso que não vejo problemas nas cores em fundo branco, como o autor deste post afirma.
Enfim, bola pra frente... concordo que poderia ser melhor, mas não é uma total catástrofe, como a marca da Copa 2014.
Bruno, você não leu com atenção. Não falei que há problema com o fundo, e sim que a solução preventiva para evitar tal problema foi alaranjar o amarelo. A cor sombreada natural para amarelo é ocre ou mostarda, mantendo o matiz original; não é laranja.
ResponderExcluirTambém não disse que o desenho é um desastre, e também disse que não pode ser considerado plágio como insistem em dizer. O que eu disse é que o símbolo faz uso de um trio de clichês visuais que considero evitáveis. A questão aqui é conceitual.
O logo olímpico deverá arrecadar para o Comitê Organizador mais de R$ 3 BILHÕES de reais com licenciamento. É muita responsabilidade para ser tratada com tanto oba-oba e achismo.
O diretor da agência, forçado a se defender da acusação de plágio, aproveitou para dizer que o logo foi criado por comitê, um processo envolvendo dezenas de pessoas. Jamais vi algo no design gráfico que nascesse por comitê sem ficar torto ou fraco. Pode ser só idealismo meu, mas talvez fosse possível um resultado mais forte e menos molenga, genérico, conformista e tímido, se existisse uma "marca autoral" no traço.
Isso não implicaria o abandono do geometrismo na execução, até pelo contrário - basta ver o trabalho geométrico de elevada personalidade de Paul Rand, Neville Brody, o nosso Alexandre Wollner e vários outros do último século. (Se você não conhece esses nomes, nem entre nesta discussão: estude-os primeiro.)
Curti muito sua crítica, pois você argumentou muito bem. Eu gostei da marca, mas consigo ver nela todos os clichês que você levantou. Uma pena que seja assim, sem aquela originalidade toda. Mas acredito que esta marca atenda à encomenda, acredito ainda que agradou muito ao povo brasileiro, e isso é muito importante. O povo brasileiro, acostumado com "design Rede Globo" não poderia esperar algo melhor. É algo que pegou o povo (e me pegou também), porque veio carregado de coisas conhecidas, com um toque de novidade, que é o fato de ser tridimensional (e achei isso muito bom, as possibilidades mostradas pela agência, vislumbram aplicações bem interessantes). Eu tenho receio de que se fosse escolhida uma marca completamente diferente do que o povo pudesse esperar ou associar a algo conhecido, talvez não seria bem aceita (como o caso de Londres 2012).
ResponderExcluirNa verdade, parte da argumentação é meio de sacanagem, mas não dá para levar a sério demais.
ResponderExcluirComo já falei antes, o perigo da criação mora exatamente nesse "Agradar muito ao povo que não espera algo muito diferente vindo da Globo". Daí justamente nasce o atroz conformismo do design, a ausência de elementos originais (tirando o fato de as pessoinhas 3D terem as pernas amputadas), que denotam o processo de "criação por comitê" que não permite que nada tenha um estilo muito particular. London-2012 é o extremo oposto: puro estilo e quase nada de substância. Nenhum dos dois me satisfaz.
A tridimensionalidade não é novidade alguma para quem estudou o modernismo.
só uma "inutilidade": o citado clipe do Klaxons, lançado no final do ano passado, é uma homenagem ao filme 'Society' (http://www.youtube.com/watch?v=kcfav-5kArM) de Brian Yuzna, lançado em 1989.
ResponderExcluirADVERTÊNCIA: O conteúdo visual deste vídeo pode ofender sensibilidades mais tênues. [2]
no meio disso tudo.... um ótimo post da @IdeaFixa http://www.ideafixa.com/cco-lavoisier-x-chacrinha-x-picasso-x-banksy/%20rio2016
ResponderExcluirLi e reli o texto e entendo parte da crítica do Mario, mas por outro lado, também fico me questionando: a marca deve agradar aos designers ou ao povão? Daria pra agradar igualmente aos dois? Alguém teve acesso ao briefing do projeto, pra saber se os objetivos foram alcançados, se a intenção era essa?
ResponderExcluirQuanto a se usar conceitos clichês, nem vejo tanto problema, desde que seja feito com cuidado. O logo usa o clichê do Pão de Açúcar? Usa. Mas achei a aplicação interessante, pensada pra ser usada tridimensionalmente (a escultura do símbolo que eles mostraram na matéria na Globo eu achei fantástica). Ou seja, não creio que seja um clichê usado de maneira impensada. Vejo opiniões que cobravam mais originalidade e fuga de clichês, mas creio que criar hoje algo totalmente exclusivo é bem complicado. Olha aí o resultado do logo da olimpíada de Londres. Ainda não achei nenhuma opinião positiva sobre ele. É super original, mas não foi bem aceito.
E sobre usar um símbolo local ou nacional como símbolo, muitos logos olímpicos se utilizaram desse método (Tokyo 64, Montreal 76, Barcelona 92, Atenas 2004, Pequim 2008 p. ex.). Pra não me alongar aqui, basta googlarem. Portanto, não vejo mal em usar o Pão de Açúcar pra representar o Rio.
Em tempo: antes de ouvir a explicação da Tátil, eu já tinha visto o Pão de Açúcar e também a palavra RIO no símbolo. Mário, não vejo dificuldade em se enxergar pelo menos o Pão de Açúcar no logo, a não ser que você tenha sido irônico. Se sim, desconsidere o que falei agora, por favor.
Mas voltando ao foco da discussão, eu acho toda e qualquer crítica válida. Debater sempre é saudável, desde que não seja de maneira agressiva. E nisso o Mário mandou bem no texto. É claro que eventos de porte mundial como Copa e Olimpíada criam uma expectativa muito grande principalmente em nós, designers. E logos como o da Copa geram na gente uma frustração enorme, principalmente pelo enorme descaso em relação à transparência do processo de criação.
De uma maneira geral, gostei do logo Rio 2016. Fico com a sensação de "poderia mudar isso ou aquilo, dar uma melhorada", mas no geral, gostei da concepção e do lettering mais orgânico. Acredito que o objetivo foi alcançado.
E concordo com o Mario em relação ao design estar passando por um processo de banalização (principalmente nessa década), alavancado talvez pela popularização das ferramentas eletrônicas. Mas não vejo o logo Rio 2016 como um exemplo desse caso. Entre os amigos e contatos de internet, tenho ouvido bastante opiniões positivas sobre o logo. Ao contrário daquela tragédia do logo da Copa, que está tendo um nível de rejeição bem grande pelo menos nas opiniões que tenho lido na internet e no grupo de amigos. Foi criado até um blog com paródias avacalhando o símbolo. Acho isso um simples reflexo da qualidade duvidosa da marca.
Parabéns pelo texto, Mario. Concordo com algumas coisas e discordo de outras, mas esse é o grande lance dos debates: alimentar a discussão saudável.
PS.: Essa infinita discussão sobre "logomarca" ser errado ou não já cansou, na minha opinião. Acho que nós, designers, deveríamos nos preocupar em discutir coisas maiores, como idéias. Ficar discutindo se é errado ou não o uso do termo pra mim, soa como insegurança, a busca por uma auto-afirmação e preconceito linguístico. Um ótimo texto que fala sobre isso: http://espaco.com/design/o-design-grafico-e-o-preconceito-quando-as-palavras-alimentam-a-discriminacao/
Bom post. Deixei lá um comentário...
ResponderExcluirO conceito de plágio é o problema em si. As pessoas chutam e chutam e chutam e qualquer bobagem vira verdade se for repetida por consenso por uma quantidade suficiente de idiotas.
Plágio é, especificamente, uma cópia apresentada como sendo original, isto é, uma apropriação. A ideia surgiu na Europa no século 18; antes disso, o recomendado era "imitar os mestres" e "evitar invenção desnecessária".
As artes são o único ramo de atividade em que o plágio é tolerado e considerado uma ofensa moral; nos campos acadêmico, jornalístico e técnico, plágio é crime, algo bem mais sério. A criminalização do plágio nas artes nunca deu muito certo.
Opa, de repente, assim definida claramente, a coisa não é tão complicada assim de julgar, certo?
Bote-se ênfase na base em que o plágio é considerado "errado": copiar omitindo de propósito a fonte, assumir a invenção como sendo própria. Eis a lógica: cada obra traz renda ou mérito a quem a apresenta. Alguém apresenta uma obra minha e obtém lucro e prestígio com ela, mas esse lucro e prestígio são meus por precedência.
Concorde-se ou não, a solução pode ser copiar cuidando de o autor jamais saber - coisa já impossível com a Internet de hoje -, ou citar na boa e claramente a fonte. Dependendo da licença da obra original, o lucro continuará vindo, tanto para o primeiro autor quanto para o segundo.
Em tempo, o logo Rio-2016 não é plágio: é rematerialização de um arquétipo eterno, o grupo de pessoas em roda. O logo é ruim por outros motivos, não esse.
Fábio,
ResponderExcluirSou irônico, mas não indico quando sou, senão a ironia estaria perdida. O pessoal que se ofende com alguma opinião se ofende por bobagem. Afinal, a Internet é o grande nivelador: no primeiro momento, todo mundo soa igualmente sábio (ou idiota).
Concordo quanto à boa tridimensionalidade (algo que já foi tentado, mas sempre de forma meio frustrante - lembra o mascote da Copa FIFA Itália-90?). Concordo também quanto à evidente fidelidade do projeto ao briefing - mesmo que tenha sido um projeto grande feito a portas fechadas, prática que acho discutível e propícia a procedimentos menos éticos.
A questão é que marcas institucionais sempre são um pepino para criar. A opção da Tátil foi trilhar o caminho mais seguro possível, o que eu chamo de design por comitê, tentando não desagradar ninguém e por isso mesmo não agradando tanto assim também.
Meu ponto fundamental na crítica é o uso das pessoinhas de fitinhas como elementos gráficos representando seres humanos no logo. Pode gastar seu verbo que dali não me movo. Não gosto, não aceito e não recomendo. Ou vai logo para a abstração ou para o figurativo, e aproveita para colocar um toque de estilo no trabalho. Porque a outra coisa que me incomoda no logo é a falta de personalidade gráfica. Nessa hora, um artista nato faz falta.
Quanto a logomarca, sou contra o uso da palavra, mas por causa do uso no marketing. Quem quiser falar que fale, não vou impedir. A única coisa no design que eu gostaria mesmo de impedir é que se usasse nos projetos a fonte Arial...
Em tempo, vale assistir ao trecho recomendado do filme "Society" (http://www.youtube.com/watch?v=kcfav-5kArM) que inspirou o clipe dos Klaxons. É absolutamente maligno, pervertido e inesquecível; nunca mais vai deixar você interpretar o logo Rio-2016 de uma maneira inocente.
ResponderExcluirMário,
ResponderExcluirParabéns pelo texto e pelas ótimas argumentações.
O projeto foi bem conduzido. Isso é inegável. Portanto, a crítica já virou questão de gosto pessoal.
O resultado tem a cara do seu criador. Concordo quando disseram que o "Branding" não é o forte da Tátil. Gosto de muitos trabalhos deles, mas em outras áreas, onde eles realmente são imbatíveis.
Eu não desgosto totalmente do logotipo, mas não me apaixonei por ele. Não é o meu estilo preferido. (Olha o gosto pessoal aí).
Eu adoraria ver as soluções das outras concorrentes, com as quais tenho maior identificação. Tenho certeza que me agradariam mais.
Abraços,
Mônica
Prepare-se para meu post futuro onde demonstro com imagens, não palavras, como não se trata aqui de mera questão de gosto pessoal.
ResponderExcluir"Academia Superação" é bom demais... hahahaha
ResponderExcluir(é o PRIMEIRO resultado da busca de imagens de academias)
ah sim, sobre o logo da Olimpíada: parece o Chuck Norris ajudando os caça-fantasmas. pobre Gasparzinho.
ResponderExcluirmas podia ser pior. vc soube como o Erik Spiekermann recebeu o Goleo? http://www.dw-world.de/dw/article/0,,2049898,00.html
e, por favor, não fale "Olimpíadas"... a não ser q esteja realmente se referindo aos jogos olímpicos de mais de um ano (ex. "olimpíadas da década de 80"). a polícia da gramática agradece.
A polícia da gramática também quer que eu escreva GNU/Linux em vez de Linux. Ou Internet com i minúsculo. Eu me recuso. Podem me processar.
ResponderExcluirQuanto à crítica do Spiekermann, note bem o que ele fala no final acerca da marca da Copa FIFA na Alemanha, pois é bem aplicável ao nosso caso:
"Acho que a encomenda do design deve ter sido cheia de restrições, com muitas coisas que precisariam ser evitadas e muitas coisas que eles queriam incluídas. Ficou impossível sair algo bom daí. A não ser, é claro, que houvesse um designer de personalidade forte, que basicamente teria mandado passear os caras que davam as ordens; algo que os designers neste caso não fizeram. Eles simplesmente pegaram o dinheiro e correram.
O design tem um papel funcional, mas também estabelece o clima psicológico, outra função importante... O design atual comunica que as pessoas que o desenharam e as que fizeram o briefing não confiam nas suas próprias capacidades e estão tentando agradar todo mundo ao mesmo tempo. São metódicos demais; há mensagens demais; ninguém assume responsabilidades. De fato, é um espelho perfeito da atual sociedade alemã. Parece a coalizão do governo: dois partidos que basicamente anulam um ao outro, porque ninguém toma decisões. Todo mundo quer ser simpático. Todo mundo sabe que precisamos fazer algo; mudar a sociedade, nosso comportamento e a economia. Mas ninguém quer dar o primeiro passo, porque estamos confortáveis assim. Ainda estamos embrulhados no nosso cobertorzinho de segurança. Sabemos que lá fora faz frio, mas simplesmente nos abrigamos juntos. Esse design da Copa é como uma roda coletiva: tenta agradar todo mundo, mas jamais bota um dedo para fora do cobertor de segurança. Evitando a controvérsia a todo custo... o resultado ficou incrivelmente sem graça."
Tai... depois dessa critica super fundamentada, cade uma solução apresentável então? Fiquei esperando um logo que preste!
ResponderExcluirApontar os erros é fácil, dificil é apresentar a solução né!
Para mim o logo ta ótimo!
Dionis, certamente você não leu os outros comentários acima. Esse lance de "não gostou faz outro" já foi abordado. Mas explico de outra maneira. Trata-se de uma bobagem, um argumento falso e inútil. O trabalho em pauta é de quem o assumiu, concorreu, ganhou e recebeu por ele. Não é meu nem seu. Eu não trabalho numa agência de branding, nem você. "Não gostou faz outro" não é argumento também porque, se fosse para seguir o que diz a ferro e fogo, simplesmente não haveria crítica. Aliás, não haveria nem aprovação. Nem briefing. Nem cliente. Nem fornecedor. Acompanhou o raciocínio até aqui? Excelente. Pode voltar a desenhar peças de email marketing.
ResponderExcluirConcordo com o Dionis Maikon!
ResponderExcluirmuito mi mi mi e nada de solução...
Não li mesmo os comentários...
ResponderExcluirAhhhh, vou continuar sim fazendo peças de email marketing sim, podexa, louco pra ver seu incriveis trabalhos de design, inovadores, surreais e inacreditáveis! Um abraço pra vc! Não deixarei de lutar pela canonização como o Santo do design!!!!
Criou uma conta anônima no Blogger só para dizer isso? Isso é que é confiar no próprio taco.
ResponderExcluirDionis, nem tudo esta perdido, você tem senso de humor. Pode até me mandar spam.
ResponderExcluirQue bobagem é essa de "pessoinhas feitas de fitinhas"? Se o problema é esse, então basta tirar as cabecinhas.
ResponderExcluirMais um comentário sem pé nem... cabecinha.
ResponderExcluirACho que está cheio de críticos de plantão por ai e não tem idéia do quanto é difícil o processo de criação de uma marca para copa do mundo e olimpíadas.Não digo que é não gostou faz você, mas acho que pouca gente tem idéia de quanto esse processo é complicado. Fazer uma marca que seja atual daqui a 6 anos. Buscar uma tendência que nem é tendencia ainda, passar todo o conceito de uma olimpíada e os valores de um país em apenas um símbolo gráfico. Muita gente fala de londres, mas começamos a ver agora que a aplicação da marca é pensada para aplicações em outras mídias, que estão começando a vir a público agora. É só ver os outros trabalhos da Wolffolins, sensacionais.Eu acho positivo o logo da Tatil, principalmente pelo aspecto 3d e das aplicações físicas. Não é excepcional, mas tem processo, estudo, tem gente boa por tras. Acho que é um princípio, um bom exemplo. Nosso povo está para a cultura e pro design assim como o japão está pro Futebol, então é dificil argumentar, ter a percepção do todo. Tem muito português gasto e muito termo difícil para pouca argumentação coerente de fato. abs!
ResponderExcluirIsso tudo não passa de um argumento ad-hominem disfarçado. Sinto muito. Parte da premissa falsa que eu estou falando da boca para fora sem possuir vivência no mundo do design. Engana-se. Mas não sou eu quem precisa provar alguma coisa aqui.
ResponderExcluirnem eu. rs. Mas ninguém sabe das restrições que foram impostas pelo comitê organizador. Ninguem sabe o quanto foi dirigido e restritivo o briefing. Por exemplo usar pessoas. Não sou da Tátil, mas a gente escuta por ai como foi o processo. Dentro do que foi imposto como briefing a saída foi bem honesta. Não vamos esquecer o lado de quem aprova, que também contribui pro tal triunfo da banalidade. Não foi uma quebra como mexico 68 ou munique 72, o esperado era que fosse algo correto, bem feito, mas não inovador. Se compararmos com o horror do logo da copa é visível que um é profissional e o outro não. Nao é ad-hominem não. Tem muito profissional que esbanja conhecimento teórico, mas não consegue se expressar visualmente, é normal, talvez até por isso desenvolve tanto o lado teórico, mas não acho legal toda essa crítica sem conhecimento do processo e do backstage do projeto. abs
ResponderExcluirEntão OK, você estava envolvido na concorrência. Bastava dizer isso claramente, em vez de me acusar de estar por fora. Se o briefing amarra os designers a ponto de não poderem inovar, o resultado necessariamente é uma solução de compromisso castrada, acanhada, sem emoção, exatamente como o Spiekermann acusou em relação ao símbolo medonho da Copa da Alemanha - e como eu acuso em relação às pessoinhas de fitinhas em roda para Rio-2016. Até mesmo o lettering do logo é timido e pouco desenvolvido. Meu argumento segue sólido, e conduz a uma conclusão: o comitê organizador, por questão cultural, se auto-impôs uma marca fraca.
ResponderExcluirnão estava na concorrência não, não sei onde leu isso. Juro que gostaria de ver uma opção sua. Acho q não chega aos pés do logo da copa do mundo. rsrs
ResponderExcluirabs e bom dia
Este comentário final, apelando para o "não gostou faz outro", nivelou você por baixo, junto com os trolls idiotas anteriores que tentaram apelar para esse lado.
ResponderExcluirMeu caro, não sou fan da Globo, nem da CBF, da África, etc., nem desse logo, apesar de tê-lo achado bastante honesto. Mas essa sua crítica com ares de erudição me levam a concluir uma coisa: você é um tremendo chato!
ResponderExcluirE muitos outros chatos buscam competir com o autor do artigo, escrevendo nos comentários. Eu diria de cara limpa que fui derrotado muito mais vezes do que a quantidade de chatices que escrevi.
ResponderExcluirMario, você começou bem em todos os seus argumentos e inclusive publiquei-o em meu facebook e mandei seu texto pra uma lista da qual faço parte. Mas, depois de ler todos os comentários até aqui, senti que você entrou na onda do argumento "ad-hominem" gratuitamente, não precisava.
ResponderExcluirDesencana de entrar em discussão com trolls que seu texto já é verdadeiro per se.
Além do quê, o melhor e mais importante mérito foram justamente as discussões saudáveis a que seu texto levou.
Abraço, Chico
P.S: esse negócio de postar pela conta do google/blogger é um saco. Nem me lembro quando foi que emprestei minha conta pra esse projeto Teares da Alegria... mas enfim!
Quanto bla bla bla atoa.
ResponderExcluirQuanto comentários inuteis
Quanta vergonha alheia aqui.
É muita banalidade e pouco conteúdo, independentemente de que lado estou.
Se formos analisar friamente são 2 ou 3 comentários que dá para levar em consideração
e ambos com opiniões diferentes, o resto não passa de ladainha e discussão inutil.
Mas sabem o que é isso? Algo típico da profissão e que cada vez mais se aflora em nosso meio... "O EGO".
Sem mais..
Quando a pessoa não tem explicação coerente para a própria opinião e chega já tentando esculhambar quem nem conhece em seu site, achando que isso é maneira válida de impor a própria opinião, não é simplesmente ego, não. É instinto animal.
ResponderExcluirO Chico denotou que passei a bater verbalmente de volta. Sabe por quê? Enchi o saco. Este blog fez 10 anos de idade e sempre abordou a delicada questão da banalização do design no Brasil. Somente agora, neste último ano em que publiquei menos material aqui, é que esse nível abissal de gente está se manifestando em massa, como o corpo principal de comentaristas. Alguma coisa apodreceu na Web, e contra a má vontade intelectual alheia não vou aguentar calado.
Pode dar a explicação preconceituosa que quiser: inclusão digital, declínio da formação especializada, falta de regulamentação da atividade, desempregados com tempo para torrar. O fato é que agora o povo digita mais depressa do que a boca fala, e o resultado é daí para baixo.
Penso até em fechar os comentários do site inteiro. Ou pelo menos no tópico design, já que até aqui os macmaníacos e os fotógrafos ainda têm mantido a civilidade.
Read more: http://marioav.blogspot.com/2011/01/rio-2016-mais-um-triunfo-da-banalidade.html#ixzz1AvJYWEL2
Oi Mário, saiu hoje(20/01/2011) no Estadão uma matéria sobre esse assunto.
ResponderExcluirSalvei um PDF em: http://www.daterraecos.com.br/images/logo_olimpiada_estadao.pdf
Ao contrário do que você, Mário, repete nas suas réplicas - de que o argumento "quero ver se faz melhor" não é válido -, creio que ele tenha seu valor, sim.
ResponderExcluirÉ necessário conhecimento para se fazer uma crítica embasada, e imagino que o que as pessoas queiram é ver esse seu mesmo conhecimento aplicado aos seus próprios trabalhos.
Já está cansativo demais essa onda de "críticos de design profissionais" (não que você seja um); essa gente sabe muito de tipografia, gestalt e branding só na hora de apontar falhas dos outros... Criticar é vital para a evolução, mas só criticar e lamentar que as coisas não sejam diferentes é complicado (novamente, não que este seja o seu caso, estou conhecendo seu blog agora).
TODO MUNDO sabe das restrições que são impostas aos milhões no projeto. Além disso, é cada vez mais difícil ousar num projeto como esse, onde se deve "beijar a mão"de organizadores, patrocinadores, agradar o público internacional, o nacional, etc. É cada vez mais difícil tratar sobre "identidade local" num mundo globalizado como o que vivemos.
Não o considero um projeto inovador, de forma alguma, ou que seja um marco no design nacional - talvez, não tão impactante, mas tem lá o seu valor histórico sim. Não creio que seja uma questão de "aceitar a mediocridade".
As regras são essas, sempre foram. O mundo era outro quando o Otl Aicher trabalhou para as Olimpíadas. Talvez se babassemos menos ovo das Apples da vida, as coisas seriam diferentes...
Não tem Apple nenhuma nesta história. É sintomático que numa discussão relacionada em outro site, outra pessoa tenha vindo com esse mesmo papo diversionário de que designer gosta demais de Mac. FOCO!
ResponderExcluirE digo onde deve ser o foco: nas referências. Na matéria-prima que o designer contém na cabeça. Pessoas fundidas de fitinhas tridimensionais estão agora na abertura da novela das 9 da Globo. Diga-me, é coincidência isso? Se for, é mais uma prova da banalização do conceito. Se não for, é uma conspiração da Globo para enfiar o logo goela abaixo do público, já que a promoção do evento é tarefa da Globo. Ou então, a Tátil teve acesso a um vazamento da abertura da novela e copiou a escultura a tempo. Escolha.
Por fim, o argumento de que é preciso agradar a todos é preguiçoso. Neste processo seletivo não foi necessário agradar a todos, e sim a meia dúzia de poderosos que nada entendem de cultura visual. Tá na cara.
Read more: http://marioav.blogspot.com/2011/01/rio-2016-mais-um-triunfo-da-banalidade.html#ixzz1CLx3cpD6
O "quero ver se faz melhor" não vale porque a tarefa de desenvolver o projeto é trabalho de quem fez, não meu ou seu. Mas não vou ficar me alongando na explicação. Quando você ganhar por hora trabalhada, vai começar a entender.
ResponderExcluirTalvez não haja tanta teoria e sim prática da conspiração. Quando a Marta Suplicy foi prefeita aqui em São Paulo, a marca da Prefeitura era descaradamente petista. Eram 5 PESSOINHAS FEITAS DE FITINHAS representando cada uma delas uma estrelas branca no fundo vermelho.
ResponderExcluirVEJA: http://www.seeklogo.com/images/P/Prefeitura_de_Sao_Paulo-logo-7B455703E0-seeklogo.com.gif
Depois o PSDB mudou para este logo:
http://www.seeklogo.com/images/P/Prefeitura_Cidade_de_S_and__227_o_Paulo-logo-10CBE03E1C-seeklogo.com.gif