2010-08-31

Contra o AI-5 Digital, sempre



Enquanto digito isto, está rolando um webcast de um debate discutindo a necessidade de uma lei específica contra cibercrimes:



Para você entender o que está em jogo, veja quem está presente neste debate: Febraban, Redecard, Itaú Unibanco, OAB, FIESP, Polícia Federal e Câmaras Legislativas federais e estaduais.

Acaba de ser explicado no debate que os crimes em si mesmos já são previstos pela lei existente e podem ser punidos; o que eles querem é uma lei que criminalize o próprio acesso ao computador. Para isso, é condição fundamental a eliminação da anonimidade na Internet, tornando cada usuário um potencial suspeito. Isso necessariamente escancara a porta para a prática da censura das comunicações online e abusos de poder contra os usuários da rede, em múltiplos níveis. É por esse efeito colateral que desmorona a propriedade moral da proposição.

Gente de Internet mesmo, só tem o Demi Getschko, do NIC.br, que disse o seguinte: "Segurança na Internet tem a ver com tecnologia e não com controle". Mas é uma opinião solitária, fácil de obliterar no meio de tantos banqueiros, deputados e advogados.

Os demais presentes são figuras de poder e autoridade, superficialmente apavoradas com a liberdade excessiva do cidadão comum, mas valendo-se de táticas de lobby clássicas como FUD (Fear, Uncertainty and Doubt), a fim de reivindicar o poder sobre a rede - que por concepção é um bem público e aberto e não propriedade de qualquer uma dessas corporações e entidades.

A retórica dos painelistas quase me faz lembrar o programa de televisão do Datena. Essa briga vem de longe e não vai acabar agora. Em princípio, este blog é absolutamente contrário a tentativas de controle e vigilância das comunicações na Internet disfarçadas de combate ao crime.

Blogagem Coletiva de repúdio ao AI-5 Digital – 31/08

2010-08-24

Windows 95: 15 anos de grandes feitos e telas azuis

Feliz aniversário... Hoje faz 15 anos desde que a computação deixou de ser coisa só para especialistas.



Era muito chato ser um usuário de Macintosh (ou Linux, ou OS/2, ou Amiga...) em agosto de 1995, pois um assunto único monopolizava todas as rodas de discussão e BBS de informática: a chegada do novo sistema da Microsoft, codinome "Chicago". Matérias em todos os programas de TV, filas nas portas de lojas, eventos especiais ao redor do mundo, campanha publicitária de TV com trilha sonora dos Rolling Stones. Nunca mais a companhia de Bill Gates e Steve Ballmer gerou uma empolgação tão grande e genuína com a chegada de um produto seu, nem o adjetivo "revolucionário" foi usado tão frequentemente para referir-se a ele.



O Windows 95 unificou o DOS com o Windows - que até então era nada mais que um "apresentador gráfico" rodando diretamente sobre o DOS, requerido apenas por programas específicos - e veio no embalo do avassalador sucesso prévio dos dois produtos em separado. Pegou carona no aumento dramático das vendas de computadores, da adoção em massa de "kits multimídia" e da iminente explosão da Web. Essas novidades todas anunciavam tempos muito interessantes no porvir. Para muitos tecnologistas, o evento marcou também o fim da inocência no mundo da computação.
Com o Windows 95, as exigências técnicas dos PCs deram um salto enorme. O computador deveria ter gráficos coloridos com ícones, janelas e menus; áudio, para reproduzir os sons do sistema e tocar CDs; memória suficiente para poder abrir múltiplos programas ao mesmo tempo; e tudo isso junto para rodar os títulos multimídia em CD-ROM. (Quem não tivesse o drive de CD estava condenado a instalar o Windows a conta-gotas, usando uma versão distribuída em 22 disquetes). De modo geral, graças ao Windows 95 e aos componentes multimídia, o PC aproximou-se muito do seu paradigma inspirador, o Macintosh, que estava num período de estagnação tecnológica e custava caro demais para ter proveito fora de ambientes profissionais especializados, como estúdios e gráficas. Já os PCs estavam barateando dramaticamente; era a época do começo do Plano Real e um PC completo e compatível saía por menos de R$ 1500.

No final do "Jornal Nacional" de 24 de agosto de 1995, Cid Moreira apresentou uma matéria de três minutos e meio sobre a feira anual Fenasoft, em São Paulo, cujo ponto alto foi o lançamento do Windows 95 no Brasil. Cid apresentou o novo produto como "o supersistema que vai ajudar até quem não entende nada de computadores" - e de fato, a propaganda da Microsoft era totalmente voltada aos consumidores. O repórter da Globo no evento dizia, acerca do Windows: "duas vezes mais veloz" e "adeus à tradicional espera para acessar os programas: é ligar o computador e eles aparecem na tela imediatamente". Dizer "mais veloz" sem dizer "do que", sem dúvida, não passava de repetição de discurso de marketing. Mas a moderna multitarefa preemptiva, um dos melhores aspectos do sistema, não encontrava nenhum concorrente similar para o mercado consumidor. Quanto a acessar os programas imediatamente, eis aí uma promessa até hoje cumprida pela metade.



Na semana seguinte ao lançamento, o jornal Folha de S. Paulo publicou uma enorme lista de títulos de software que não rodavam dentro do Windows 95; em sua maioria, eram programas exclusivos para DOS ou que davam conflito com drivers. Esses programas aguardariam atualizações ou ficariam obsoletos para sempre. O público, porém, não se abalou com o salto tecnológico e o investimento necessário, já que as vantagens eram claras. A arquitetura interna "quebrou" a compatibilidade com muita coisa anterior, mas em contrapartida oferecia o recurso "plug and play" de autoconfiguração de periféricos, além de suportar nativamente aplicativos de 32 bits. O Windows 95 introduziu os nomes de arquivos longos (de até 255 caracteres), que ajudaram a afastar da informática um de seus aspectos mais intragáveis para o usuário leigo. Destaque também recebia o simpático visual do sistema, com efeitos de relevo no mesmo estilo do NextStep. Pouca gente sabe, mas esse "skin" do Windows 95 (e, por extensão, também dos Windows 98, Me e 2000) é uma criação de Susan Kare, a mesma designer do primeiro sistema do Mac.

Grande parte da população teve no Windows 95 seu primeiro sistema de computador movido a janelas, ícones, menus e mouse. 1995 era o ano de sofrer constantes paus bizarros com o Netscape Navigator e visitar muitos websites que consistiam em páginas de links azuis com fundo cinza e uma única imagem grande no topo; navegar na verdadeira enxurrada de títulos interativos em CD-ROM, especialmente videogames modernos com "sprites" tridimensionais e efeitos sonoros estéreo; de fuçar as configurações do modem para conseguir entrar pela primeira vez na Internet. O administrador de sistemas Alexandre Torres (@tsialex) evoca aqueles doces tempos com uma terminologia geek que os novatos de hoje poderão não compreender: 'Lembro do 486DLC (aquele 486 "de pobre" com 16 bits de barramento e suporte a código 32, numa placa-mãe de 386), com enormes 16MB de RAM e "winchester" Seagate de 80MB "doublefullheight" (ocupava duas baias de 5 1/4") - como eram pesados os HDDs! Monitor EGA (16 cores simultâneas a 640x350 pixels); configurar autoexec.bat e config.sys na unha para sobrar uns parcos KB abaixo do limite da memória básica de 640KB; modem de 9600kbps "jumpeado"... Coisas que me impressionaram no Windows 95: painel de controle, todas as configurações em um lugar só; drivers já embutidos no sistema; multitarefa - ah que lindo!'



O Windows 95 veio à luz sem dois recursos que consideramos fundamentais em qualquer PC atual: Web e USB. O Internet Explorer vinha à parte, no pacote Plus!, e foi integrado à instalação do sistema com o primeiro Service Pack, de fevereiro de 1996. O USB só daria as caras no suplemento ao Service Release 2 ("Detroit"), exatamente dois anos após o "Chicago", em agosto de 1997 - mas ainda levaria dois anos para acontecer a sua adoção maciça, que foi ironicamente puxada pelo Apple iMac e não por um PC.

A Web acabou sendo o pivô do processo antitruste do governo dos EUA contra a Microsoft em 1997, mas até aí, já era tarde: o Windows já suplantara todos os concorrentes, ajudara a reforçar a liderança do outro grande produto da Microsoft - o Office - e se firmara na posição que conserva intocável até hoje, de presença em cerca de 90% de todos os computadores pessoais no mundo.

Gostando ou não do Windows 95, ninguém se furta de reconhecer sua importância no reino da computação pessoal, e o marco que representou. Por isso, neste dia 24 de agosto, o dia exato em que o sistema deixou de ser "Chicago" e passou a se chamar Windows 95 ao som de "Start Me Up", dos Rolling Stones, só há o que comemorar. Com tela azul e tudo.



Artigo publicado no site Geek.com.br, com a contribuição de Henrique Ulbrich - telas ilustrativas, título e parágrafo final do texto.
ATENÇÃO: algumas das telas que ilustram este artigo não são capturas genuínas do Windows 95.

2010-08-21

Chegou a DPBR número 03


A Digital Photographer Brasil, publicação da Editora Digerati, chegou à sua terceira edição. Após um sucesso incontestável de vendas e crítica das duas primeiras edições, a terceira traz novidades para reforçar ainda mais seu compromisso de qualidade de informação e de apresentação. A revista é dirigida a um público amplo, que abrange todos os interessados por fotografia: amadores, curiosos, entusiastas, semiprofissionais e profissionais.

Para aguçar o seu apetite, aí vão algumas amostras de páginas internas, a exemplo do que fiz antes com a primeira edição e a segunda.













Há algumas novidades. A intenção nesta edição foi que ela contivesse ainda mais material interessante e prático, mantendo a quantidade de páginas. Para isso, conseguimos colocar algumas coisas em dose dupla. Temos duas matérias aprofundadas em vez de uma, cobrindo dois assuntos de extremo interesse - fotografia de moda e macrofotografia de natureza. Também há dois artigos especiais na seção DPBR Investiga. Está lá o nosso primeiro teste comparativo direto entre câmeras (potencial causador de polêmica); a volta da belíssima seção Truques; e o segundo capítulo da seção exclusiva Como Funciona, que explica e elimina aquele ar de mistério e intimidação da parte técnica das câmeras.

Espero que goste tanto de ler a nova revista quanto gostei de produzi-la (apesar da trabalheira inevitável, mas não estou reclamando!). Daqui a sete semanas virá a próxima edição, que já está em produção, com mais novidades ainda.