2010-05-05

A Apple não é mais a mesma

Devo muito à Apple, como todo mundo que começou a usar Macintosh quando ele ainda era um caixote bege. O Mac já era minha ferramenta de design numa precoce época em que ainda estava tudo por fazer no mundo digital. Abriu-me portas para a criação artística de imagens fotográficas, numa era em que a fotografia ainda era totalmente analógica e os retoques enganadores em capas de revistas nem eram sonhados. Usando Macs, participei - literalmente - da implantação da Web no Brasil. Integrei-me à então vibrante cultura cyberpunk. Passei meus melhores anos da vida profissional na redação da anticonformista revista Macmania, que era decididamente pró-Mac num período em que usar produtos Apple no Brasil era um ato de fé.

No computador, fiz exatamente e nada mais do que aquilo que escolhi fazer. Em torno de Macs fiz amizades, participei de festas e movimentos culturais, obtive sustento, discuti os assuntos da vida, critiquei, ouvi críticas, briguei, me reconciliei, viajei, bati papo, ignorei, paguei impostos, fiz experimentos, provoquei, flertei, ensinei gente, desenvolvi tipografia, risquei páginas, desenhei e pintei, baixei conteúdo permitido e conteúdo proibido, escrevi, produzi, editei, traduzi, publiquei e aprendi muito. Recentemente, fui até tradutor de um livro sobre a origem da Apple. É como se fechasse um ciclo antes de mergulhar no meu atual projeto, a revista de fotografia.

Conforme passaram os anos, criei cada vez menos coisas consideradas exclusivas ou diferenciadas pelo uso de Macs, já que o resto do mundo também tornou-se digital e conectado como a minha turma. A Internet massificou-se até o atual estado, em que reduziu-se a uma espécie de televisão acrescida de caixas de comentários. O Mac e o PC nunca foram tão parecidos um com o outro. Todavia, as novidades continuaram. Quem diria que o primeiro produto capaz de tornar tanto Mac quanto PC obsoletos seria também da Apple: o iPad. Quem diria que a Apple viria a dominar com mão de ferro não apenas um mercado, mas vários ao mesmo tempo.

Conheço veteranos radicais da maçã que nunca se permitiram trabalhar em PCs com Windows e sentem-se deslocados na presença da - na opinião, deles, não minha - plataforma banal e incompetente que a parcela não-iluminada da humanidade escolheu seguir por ignorância e comportamento de rebanho. Esses caras esbravejam agora porque têm a sensação de que o Mac OS X perdeu relevância para as novas invenções da Apple que não usam mouse nem rodam Flash.

Este blog é minha mais antiga atividade regular na Internet e ainda é mantido usando produtos Apple, embora eu use PCs também - por sinal, usava PCs anos antes de tocar no meu primeiro Mac. O blog contém muitos comentários críticos sobre o que vi no mundo da maçã ao longo desta década que vai acabar. Entre 2001 e 2003, os textos eram quase diários e eu os escrevia como voluntário, a troco de nada. Não publico mais aqui artigos sérios sobre a marca; prefiro que saiam na revista Mac+. Mas permaneço com minha coleção privada de Macs antigos e a coluna Museu.

Por que contar agora tudo isso? Porque, ao longo de duas décadas, sempre tive interesse na história dramática do Fascinante Império de Jobs. (Para manter um museu de Macs em casa, né...) Mas alguma coisa muito séria está começando a ocorrer, e parece que acontece coletivamente, com muita gente: a gente não acha mais a Apple legal...

Francamente, a Apple nunca foi legal de verdade. Isso faz parte da mística que ela vende com acabamento de vidro preto e alumínio anodizado, a preço de materiais bem mais nobres que vidro e alumínio. A Apple não surgiu como uma dádiva dos céus para salvar a civilização, mas como uma empresa comercial devotada a estabelecer e explorar mercados buscando ganhar dinheiro, e de preferência guiando outras empresas em torno das tecnologias desenvolvidas por ela. E isso em si não tem nada de errado. Se eu ou você tivesse inventado o computador pessoal, teria feito mais ou menos o mesmo.

Mas há uma diferença deste século para o século passado. Steve Jobs não tenta mais disfarçar seu lado malvado. Deve ter concluído que já sofreu pessoalmente o suficiente e não lhe resta mais muito tempo de vida para concluir o grande projeto que o colocará nos livros de história junto com Alexandre, Bismarck, Thomas Edison e Henry Ford.

Senão, analisemos: quando um funcionário de uma fábrica chinesa suicidou-se por causa da pressão sofrida por um protótipo perdido de produto da Apple, era ali a deixa para todo mundo - a companhia, a mídia sensacionalista e os próprios consumidores - parar para pensar nos perigos da cultura de exagero e espetáculo fútil criada em torno desses produtos. O outro aspecto sombrio que a Apple cultiva com carinho é o metódico boicote contra tudo o que Jobs pessoalmente não gosta, de aplicativos de iPhone supostamente controversos até o jornalista da Newsweek que escreve uma paródia de Jobs, passando por medidas de censura contra livros não-autorizados sobre a Apple. Imagine a gritaria se a Microsoft tentasse censurar livros sobre ela! No caso da Apple, a reação é um silêncio amedrontado.

Não estou falando da maneira como a Apple esmaga como uma bituca de cigarro quem tenta instalar o Mac OS X comercialmente em PCs. Eles têm o direito legal, pois Hacintoshes são fora da lei. Eu preferiria que não, você também, mas é o que está nos contratos. O que cheira meio esquisito é fazer de tudo para expulsar de seu hardware tecnologias de software com potencial de concorrer com as suas próprias.

Vejamos o que ocorre agora: um protótipo de iPhone supostamente perdido desencadeia um circo de mídia, seguido de investigação policial irregular. Jobs busca destruir, via comunicado público, uma empresa que ajudou a construir o império da maçã e ainda se considerava sua parceira, não inimiga. Comediante tem que pedir desculpas oficiais porque fez uma piada com o iPad.

A Apple sob o controle de Jobs sempre teve ares nitidamente fascistas. Sem novidade quanto a isso. O Macintosh já nasceu num berço de fanatismo messiânico. Nós sempre fizemos piada sobre a obsessão com os detalhes do design de cada produto (por vezes deixando passar falhas escancaradas, mas sempre com competência bastante para admiti-las e remediá-las na versão seguinte - isso se a falha não existe de propósito para manter o interesse nas versões futuras). Também rimos das medidas extremas para manter segredo sobre os novos projetos (harmoniosamente combinadas a suspeitíssimos vazamentos de informações no momento mais adequado antes do lançamento). Só que todos os fatos perturbadores mencionados no parágrafo anterior aconteceram no período de uns poucos dias. Ao mesmo tempo, todas as vendas da companhia batem recordes históricos, encorajando-a a prosseguir dando uma de valentona em múltiplas frentes simultâneas.

A ganância e a prepotência, aparentemente inescapáveis como modus operandi de líderes de mercados tecnológicos, não têm mais na Apple o escudo de elegância e virtude que transformou tantos consumidores em proselitistas.

A Apple virou nos anos 00 o que a Microsoft era nos anos 90. Agora o governo dos EUA começou a querer controlar a Apple dos anos 10. Coisa que não soube fazer com a Microsoft dos anos 90. A Microsoft dos anos 00 desmoronou sob o próprio peso. A Apple dos anos 10 ainda está só começando a ficar pesada.

Essa não é a empresa sobre a qual eu gostaria de escrever artigos que a coloquem numa luz automaticamente positiva, nem é a empresa cujos produtos eu queira admirar cegamente. Evidentemente, nada posso fazer individualmente para mudar o rumo descendente dos acontecimentos. Mas ainda posso dizer que não concordo.

25 comentários:

  1. O consumidor está cagando para a "maldade" da Apple, da Microsoft ou do Google. O consumidor não usa moralidade, o consumidor usa produtos. E se esses produtos atendem suas necessidades da melhor forma possível, ponto para empresa.

    Só tiro meu iPhone do bolso quando a Apple fizer um iPhone ruim ou quando alguma outra empresa tiver a competência de fazer algo melhor. O mesmo vale para o CS da Adobe e para o XBOX da Microsoft.

    O problema é que as pessoas se apegam emocionalmente às empresas. E esse apego acaba consumindo qualquer traço de racionalidade. Já tem gente por aí chorando porque o Google fez X ou deixou de fazer Y. Blá, blá, blá. Isso tem nome: fanboy.

    Para essas pessoas fica dica: get a life.

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  2. Ótimo texto Mario! Realmente a Apple está chata demais! Aliás essas "BIGuinhas"entre o trio Apple, Google e Microsoft já tá dando viu! [s]

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  3. Apple, você vai amar os produtos, mas odiar a empresa!

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  4. Mario,

    para mim, a Apple Computer era uma empresa que dava mais motivos para você gostar dela do que não gostar. Já com a Apple Inc ocorre o oposto...

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  5. Sim, Targa, a mudança de razão social da Apple coincidiu com a mudança na maneira de se relacionar com parceiros, consumidores e concorrentes. Na verdade, consolidou uma ideia que deve ter tido sempre sobre a maneira ideal de conduzir essas relações, mas não a praticava devido à sua fragilidade ao sair de sua maior crise tendo somente o Mac como produto para se apoiar. Bastou, porém, a Apple expandir o seu negócio para virar a nova Microsoft. Como falei, talvez isso não seja por maldade; talvez seja obrigatório que uma empresa inovadora desse ramo comporte-se dessa forma para continuar no topo. Mas, novamente, não precisamos concordar como consumidores.

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  6. Oi Mario,
    eu sou da turma que sempre teve PC, única e exclusivamente por causa do preço; me viro muito bem com uma máquina de 1200 reais e estou bem satisfeita. No entanto, há algum tempo, como muitas pessoas virei tbm *consumidora* dos produtos da Apple. É inegável que o iPod é um produto sem concorrência, qualquer outro tocador de mp3 tem metade da qualidade e vida útil. E mais recentemente entrei para o time dos q trocaram o smartphone com windows mobile por um iPhone (ganhei um).

    A despeito da incomparável utilidade dos apps, me incomodam imensamente várias práticas da Apple 1) me obrigando a ter um cartão de crédito até para baixar aplicativos grátis; 2) bloqueando bluetooth para aparelhos q não da apple; 3) impedindo que eu carregue o meu aparelho com planilhas, textos e outros documentos que eu possa precisar; 4) me obrigando a usar o iTunes para carregar músicas, sendo que eu poderia simplesmente usar a estrutura de pastas q eu já uso e não tags.

    Os macmaníacos podem argumentar que tudo isso é "melhor", mas eu simplesmente gosto de ter o poder de DECIDIR, coisa sobre a qual Steve Jobs parece quer ter cada vez mais ingerência - vide o caso da pornografia no iphone.

    Em todo caso, continuo usando... até que alguém invente algo similar, mas que me dê mais autonomia; e eu acredito que logo surgirá, e nem todos as janelinhas deslizantes e ícones bonitinhos vão me convencer se a política da empresa continuar igual.

    Não ligo para a 'maldade' ou incoerência histórica da empresa; mas que hoje ela não está sendo muito legal comigo, consumidora, não está mesmo.

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  7. É, prepare-se bem com sua flamesuit aí, hehehe!

    Não sei se era impertinente (ou você esqueceu de) comentar, mas também houve os casos de iPhone explodindo, que a Apple, basicamente, negou tudo e dizia que era culpa dos usuários.

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  8. Gabriel, esse caso tem muitos precedentes. De cabeça lembro os gabinetes plásticos rachados de iBooks, as telas LCD de iMacs com problemas congênitos, os iPods shuffle de primeira geração que morriam sozinhos e os flybacks dos antigos iMacs coloridos- defeitos em larga escala que demandariam recall. Toda empresa tem produtos que dão errado e precisam ser revisados e trocados, mas a inação da Apple nestes casos bem conhecidos é eloquente.

    Eva, seu perfil é para um Android Phone. Mexi com o HTC Magic há poucos dias e gostei muito. Eu mesmo tenho um windowsfone topo de linha (Motosurf) e xingo todo dia aquele aplicativo de SMS/MMS tosco e ultrapassado. Os programas que prestam nele são Paciência, Opera e Google Earth. Não admira que a Microsoft está preparando um Windows Mobile completamente novo. Nisso a influência da Apple é positiva: os concorrentes se mexem. Eu considerava o Windows Mobile morto há dois anos. Agora tem até celular da Microsoft. Alternativas são sempre boas, mesmo que venham ironicamente da empresa que tanto quis eliminar as alternativas aos seus produtos hegemônicos. Até o Windows agora é um sistema bom de usar. O mundo dá voltas mesmo!

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  9. Eva, você está equivocada em alguns pontos.

    1. Você não precisa de cartão de crédito para baixar aplicativos grátis... na tela de configuração do método de pagamento da sua conta do iTunes é só clicar em "nenhum" ou "none".

    3. Existem diversos apps (alguns até gratuitos) que permitem que você transfira seus documentos e planilhas para o iPhone via wi-fi sync.

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  10. Mario,

    O maior problema do sistema Android é a sua fragmentação. Os Androids que vem nos celulares são tão modificados pelas empresas que fabricam o celular (HTC, Motorolla, etc.) que às vezes perde-se parte do conceito do sistema operacional original.

    Veja bem, o Android é um bom OS. Eu só acho que o Google precisava se fechar um pouco mais e estabelecendo padrões de hardware para o uso do Android. Ele é um OS tão flexível que tem gente usando-o em fornos microondas! Essa flexibilidade pode se tornar um grande calcanhar de Aquiles. Não dá pra agradar gregos e troianos e ter um produto consistente ao mesmo tempo.

    A situação se complica quando o assunto é a atualização do OS. Enquanto no iPhone qualquer usuário pode atualizar seu iPhone OS automaticamente pelo iTunes e sem demais problemas, a atualização do Android é algo meio obscuro e que depende muito do hardware de onde ele está instalado. Alguns são compatíveis, outros não.

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  11. Bruno, eu tentei e não tinha essa opção. Acabei usando um gerador de endereço americano e consegui minha conta. Legal, vou procurar esses apps mas seria mais fácil usar o cabo e pronto né? enfim. De qq maneira, acho q as perspectivas sao boas, por conta da concorrência citada. abs!

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  12. Caro Mario, passei os olhos no seu artigo e alguns comentarios, e te digo de antemao (antes de ler com mais calma), que, diferentemente de muitos consumidores, eu me preocupo sim, e muito, com as "maldades" e incoerencia historica da empresa. Tenho visto horrores feitos por estas empresas, por meio do festival internacional do cinema ambiental, que ocorre anualmente em minha cidade. tenho duas filhas, e eu e meu marido somos biologos e ambientalistas (nao radicais, mas conscientes da necessidade de fazermos valer nossos direitos por meio de nossos atos). um exemplo: assistimos a um filme sobre as ações da coca cola (que nunca nos deixamos viciar por ela) em uma comunidade na india, onde tem uma fabrica. a coisa é gritante, as pessoas sao menos que ratos vivendo em situação degradante. nestes ultimos 10 anos, vimos mais de 100 filmes que denunciam, de forma consciente, com fatos, e nao sensacionalismo "globeano", situações destas empresas nao em seu proprio jardim, mas nos paises pobres e miseraveis, que para eles pouco interessa se crianças são tratadas como vermes, escravos, e abaixo da linha subhumana. sim, fazemos a nossa parte. minhas duas filhas, felizmente tambem muito conscientes, assim como eu e meu marido, boicotam desde que viram este filme há cerca de 3 ou 4 anos (e elas tinham cerca de 14 e 26 anos) a coca cola. boicotamos ainda diversas outras empresas, abertamente utilizando o trabalho escravo, inclusive INFANTIL (Nike, por exemplo) e sem ética social, ambiental, ou qualquer outra etica. onde o que vale é a questao puramente economica, para encher o bolso de pessoas que vivem para contar o proprio dinheiro, e apodrecem depois sob o solo identico aos que despreza, deixando para atras um rastro de morte em vida para milhoes de pessoas.

    sim, fui estudar nos EUA em 1983, chegando la por volta do aparecimento do segundo modelo da apple. sim, ja fui fã desta empresa, acho que eles tem coisas excelentes, mas tambem sempre fiquei indignada com as limitações impostas ao cliente, os preços, a CURTISSIMA vida util dos produtos apple, e, ultimamente, da vergonha social e ambiental reveladas. parabens pelo seu texto e blog. estarei visitando-o mais vezes com certeza.

    encontrei seu blog pelo seguinte motivo: tenho 1 impressora e 3 computadores apple os quais venho procurando alguem que queira compra-los, ainda que por um preço minimo, para me ajudar a pagar um pc basico, suficiente para meus objetivos. Nao, nao sou definitivamente consumista, e por isso me cansei da apple desde meu ultimo exemplar, adquirido em 2006. tenho um pc ha 15 anos, o qual vim atualizando, trocando peças, e hoje é um excelente computador para o que preciso. entao, gostaria que o voce me ajudasse a encontrar alguem que queira os seguintes produtos apple, todos (exceto a impressora, que nao tenho certeza)funcionando ainda:

    1- Mac SE 1/20. 110-240V. teclado original. 1988. Funcionando perfeitamente!!!

    2- Impressora StyleWriter II, 1992. Quando deixei de usar ainda funcionava, mas esta parada desde + ou - 1994.

    3- Que Fire gravadora de CD externa. modelo QPS-525. funcionando.

    4- iMacblue, ano 2000. azul transparente. funcionando. apenas a gravadora de CD nao funciona. utilizava a externa.

    5- Macbook 2006 black. funcionando.


    Por favor, nao quero jogar isto simplesmente no lixo, e moro em cidade muito pequena, onde as pessoas sequer sabem manusear um pc, o que dira um mac! aguardo um contato seu e espero que possa me ajudar. estou precisando um outro pc, pois precisei passar o meu para minha filha, que entrou na faculdade e nao mora mais comigo. estou tentando vender estes para ajudar na compra de um outro, e por $550,00 entrego tudo. aguardo seu contato. atenciosamente, susana lara

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  13. Caro Mario, desculpe, mas houve um pequeno erro no texto acima. minhas filhas tinham 14 e 16 anos (e nao 26!). moro na cidade de Goias, estado de Goias, a cerca de 120km da capital Goiania, e estou me mudando em junho para outra cidade, mais para o norte do estado, e gostaria de tentar me desfazer destes aplles antes disto. Espero que possa me indicar alguem, pois deve conhecer muita gente interessada, por meio de seu museu. att., Susana Lara

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  14. Bom, obviamente o MacBook e o SE me interessam, mas não tenho fundos no momento para adquirir os equipamentos. Espero que o anúncio atinja outros interessados. Bastante gente está lendo este artigo!

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  15. @Mario,

    Na verdade, acho que atualmente falta outra empresa (Google, talvez, mas não estou certo) para entrar correndo no meio do rebanho e lançar o martelo no telão, pela segunda vez, aproveitando a "deixa" dos computadores pessoais já não possuírem mais um "motivo real" de existência, como aconteceu em 1984 (por mais que eu use um e não tenha a mínima pretensão de me desfazer dele). 2014 tá aí, seria um belo 30 anos depois.

    Acho que nem precisei dizer que, ao invés da IBM, dessa vez haveria um homem de camiseta preta e calça jeans no telão, né.

    @Susana Lara,

    Moro em Goiânia, e talvez eu tenha interesse no seu iMac G3 (também tenho minha coleção de computadores). Siga o link do meu nome.

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  16. @Mario,

    (Sim, atingiu um, e achei interessante a abordagem dela. Eu também queria o MacBook preto, mas estou na mesma situação que você, hehe.)

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  17. espero tambem. te agradeço a atenção dada, de qualquer forma. e parabens, gostei demais de seus textos. o macbook é do meu marido, que esta viajando. assim que ele chegar, vou ver com ele quanto ele pode fazer no macbook, quem sabe fica por menos. att., Susana.

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  18. Motorola Milestone/Android >>>> IPhone

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  19. Puxa... quando "PCmismo" meu caro Mario!!!!

    Compre outro Mac, um iPhone ou o novo iPad... você vai adorar e se se sentir bem melhor!!! E se ainda não os abandonou por completo, faz uma caminhada usando seu ipod ou explore novas e antigas ferramentas para se recompor, mas curta a recaída... o Mac é um vício muito bom!

    Quem conhece bem a história da Apple, sabe o quanto foi sofrido chegar até aqui, sempre inovando, oferecendo qualidade e facilidade de uso e um ambiente sem hostilidades e sendo sempre invejada e copiada - but sorry... sem nada que chegue próximo.

    Lobo - usuário Apple, desde 1983 - Mac owner, desde 1990

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  20. Lobo, você caiu numa armdilha. Vou apresentar este seu comentário aos visitantes do meu site oomo um puro e típico exemplo de macmania míope, caracterizada por 1) defesa intransigente da Apple 2) ler o que imagina e não o que foi dito no texto.

    Primeiro ponto: a Apple não precisa de ninguém que a defenda. Uma agência de propaganda e uma de relações públicas ganham muito mais dinheiro do que mereceriam pela tarefa de fazer isso. O papel dos consumidores é comprar e usar os produtos da melhor maneira possível - e exigir melhorias quando eles falham. Claro que nenhum montante de verba nem nenhum esforço de agência pode consertar uma falha de projeto no produto ou uma atitude babaca do dono da companhia. A Apple tem bons exemplos de ambas, não é infalível nem sequer menos falível que as outras companhias do seu ramo.

    Segundo ponto: Mac é ferramenta de trabalho e veículo de entretenimento. PC idem. Aliás, Mac É um tipo de PC. Não tenho vício por nenhum deles, o que me interessa é o que faço com eles. E fço igual com Mac ou com PC. O que me leva à questão da leitura seletiva que o macmaníaco dogmático faz das críticas. Em nenhum lugar deste meu artigo falei que estava desistindo de usar Mac ou outra coisa da Apple. Uso Macs e PCs. Neste instante estou acessando a Internet de um PC e estaria igualmente confortável com ele ou com um Mac. Se para um macmaníaco incomoda o fato de alguém dizer que se dá bem igualmente com os PCs e com os Macs, o problema não é deste alguém, é do macmaníaco.

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  21. Oh, depois de postar minha resposta vi que muito do seu argumento é construído com base histórica. O caminho sofrido da Apple, o pioneirismo etc. Hã? Eu traduzi um livro sobre isso e escrevo uma coluna sobre isso. Sou razoavelmente bem informado sobre esses assuntos... Só que nada do que faço tem o teor de uma recompensa pelo que a Apple fez no passado. Novamente, isso não é do escopo do consumidor dos produtos.

    Estou falando aqui do que a Apple está representando AGORA. E é radicalmente diferente do que foi, paradoxalmente sem sair de sua essência, porque é da sua vocação tentar dominar o mundo construindo jardins murados em torno de implementações exclusivas de suas tecnologias. Descrição, aliás, que se aplica perfeitamente à Microsoft também. A Apple emparelhou com a Microsoft em algo mais que seu valor acionário; também a repete nas práticas.

    Aliás, é divertido provocar macmaníacos bem-pensantes comparando a Apple à Microsoft, porque estes têm uma relação com a Microsoft que é tão irracional quanto a que têm com a Apple, só que em sentido contrário. Hoje mesmo, por coincidência, passei no Shopping Pátio Paulista. Fui à revenda Apple e também à Fast Shop que ficava antes no local da primeira loja. Na loja Apple havia alguns mouses Microsoft (do modelo Curve, que aliás acho bom e recomendo). Um macmaníaco babão com metade da nossa idade indefectivelmente veio e ficou dando risadas retardadas para os amigos e apontando para o mouse por causa da marca. Tá bom...

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  22. Pô, pensei que era só eu a ver o óbvio. Pra mim tudo começou a entortar com o iTunes querendo administrar minhas músicas (num Mac), determinando em que diretório seriam guardadas, por aí. E desconstruindo a lógica natural de interface, intuitiva, que até ali caracterizava os softwares do Mac. Detonei o iTunes e, mais à frente, comprei um pc que vem me atendendo, no geral, muitíssimo bem. Depois, precisei de um ebook reader e meus filhos, em NY, me convenceram a optar pelo iPad em vez de um Sony. Acabei concordando e... voltei a ter um Apple. Leio meus livros sem problemas, apesar da má vontade da Apple com o Acrobat. Agora, tudo o que entra tem que passar pelo iTunes, espécie de gigolô de bits do iPad. Saco!

    Então ficou claro que a Apple rema contra a maré democrática, wiki, colaborativa, easygoing. Ok, tô fora, a não ser pelos meus livrinhos, e fique claro que trato o iPad como um ebook readerzinho entre outros, nada mais. Em minha casa ele não vai ser um ponto-de-venda infiltrado, não.

    Li que o Gates, enfastiado do poder ilimitado que conquistou - usurpando idéias alheias, sabemos, e vendendo por tanto tempo um instrumento grosseiro - resolveu direcionar seus investimentos para a pesquisa de energia limpa. Ótimo, beleza. Com isso é bem capaz que ele promova junto a limpeza da própria biografia e termine a carreira como benfeitor da humanidade. Agora, estou convencido de que o Jobs quer passar para a história como o cara que, tá bom, ajudou a derrubar a indústria mundial do entretenimento, mas depois a pôs novamente de pé. Ficando com a parte do leão nesse processo, claro, já que será o patrão de um poderosíssimo robô que vai tocar as vendas dessa indústria a um custo mínimo para ele. Entre o papel de salvador das majors e o de viabilizador de fontes limpas de energia, não titubeio em preferir o segundo.

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  23. Sempre achei excelente que o iTunes sabe organizar as músicas sozinho, porque isso atende à necessidade de alguém que tem mais de 150 GB de arquivos (eu) e facilita consertar as tags erradas atribuídas por gente que se importa menos com organização (uns 90% da parcela considerável da humanidade que faz file sharing). Humanos, pelo menos aqueles que não trabalham em TI, simplesmente são incapazes demais de manter grandes arquivos de qualquer tipo sem auxílio automatizado. O iTunes resolve essa parte.

    A parte da sua crítica com a qual concordo é que, quando a Apple transformou o iTunes na central de controle de conteúdos para o iPhone, iPod touch e iPad, era mais do que hora de ter mudado o nome do aplicativo. E quem sabe até ter separado completamente do aplicativos a exibição de mídia audiovisual. Mas agora já era. iTunes é uma marca, uma grife, não mais uma descrição de função.

    O iPad é muito mais que um media reader, é a versão preliminar de uma nova plataforma de computação que suplanta PCs e Macs, e você vai ter que admitir isso por evidência empírica ao seu redor no futuro. Queira ou não.

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  24. Pois é, entendo que alguém possa gostar, mas eu definitivamente detesto software espertinho; ou espertalhão, vá lá. E, por favor, me entenda: aprecio muito comandar um batch e deixar o espertíssimo photoshop ir à luta - fielmente - horas a fio. É que gosto de arrumar as músicas em diretórios e subdiretórios segundo meus critérios. Nas pastas dos CDs guardo em geral muito mais informação lateral do que a que acompanha o produto, créditos mais detalhados, críticas, etc. Pode até ser que o iTunes permitisse isso, mas de pronto vi que ele era um cara com idéias próprias, e daí eu tô fora. E jamais pararia para ler a documentação de um mero player de áudio, não lhe daria esse cartaz, vixe!

    A intuição com que um garoto opera uma boa interface é afim ao instinto que me faz pular fora quando sinto cheiro de manipulação. Agora, você concorda com algo que eu não disse: não reclamei da forma assumida pelo esquema a partir do iTunes; a situação não iria me parecer mais adequada se as funções fossem distribuídas por canais mais específicos. Pode haver ali um problema desse tipo, envolvendo a estruturação dos serviços, mas isso já não me afeta, eu pulei do barco, fora um ou outro app que precisei baixar pra dar ao iPad (escândalo!) habilitações indispensáveis a um reader, caramba! Será pedir demais, que o sujeito leia um pdf? Não é muita arrogância, desrespeitosa com o usuário, não ter um super reader embarcado, cobrindo a formatalhada toda? Você até entende o subtexto da encrenca: para as editoras o Jobs apresenta a solução do formato próprio, descartando o ubíquo Acrobat. Ponto pras editoras. Mas deixa uma back door, readers de pdf de terceiros (quartos, quintos) na store. Acende assim uma vela discreta ao sharing (pdf significa muito mais que isso, claro). Já estaremos vivendo a sobrevida do pdf? Ai, meus arquivos! O Flash ser um estorvo é uma justificativa muito conveniente, mas não é óbvio que as ambições da Apple afetando a Adobe vão muito além disso? Podem ser ambições comerciais legítimas? Ok, mas você não se sente manipulado, nisso tudo? Ele não quer um país de blogueiros, ele evidentemente quer o estabelecimento de uma ordem em que o papel do capital dispensador de conteúdo não seja ameaçado, me parece. Continuidade. Mr. Jobs tornou-se um f king conservador, de jeans e gola roulé. Como dizia um velho policial/bandido: bandido é bandido e polícia é polícia.

    Sobre os supremos significados do advento do iPad, eu me reservo; seria ótimo se você lastreasse seu vaticínio com mais elementos. Foi pra mim um reader caro, mas é competente nisso; se ele cumprir essa função, valeu. Eu tentarei aguentar aquela prateleira polida tecno-brega da home dele, com iconezinhos em cima como pinguins de geladeira. É aquilo o futuro, é? Então perdi.

    Não quis polemizar, não carece publicar isto aqui. Parabéns pelo texto, belo serviço.

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  25. Não gosto da sua atitude, acho excessivamente rígida, por isso me tira um pouco da vontade de estender esta discussão tão interessante. Mas vamos lá, de maneira bem resumida.
    Quanto a Jobs ter virado um chefão, é engano: isso é o que ele sempre quis ser e no fundo sempre foi. A Apple já foi a rainha de mercados verticais desde sua fundação até o PC obliterar o Mac também no mercado de aplicações premium para design gráfico (e isso levou uns bons dez anos).
    Quem ainda não percebeu que os dispositivos touch são o futuro inexorável da computação é quem ainda não tocou num deles. Duvidar disso é igualzinho a duvidar do mouse em 1984.

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