…afinal, na verdade ele é o melhor brinquedo para gatos já inventado.
Também serve para irritar os outros, como no incidente abaixo:
Justamente devido a essa capacidade do laser de perturbar qualquer pessoa à distância, e levando em conta que até os modelos de bolso mais simples e fraquinhos podem ferir seriamente os olhos da vítima, ele tem sido vez mais restringido. Na Austrália é ilegal carregar na rua laser de qualquer potência acima de um inocente 1 miliwatt, e se você apontar qualquer laser para um motorista ou piloto de aeronave, vai para a cadeia. Outros países e entidades têm legislações restritivas, também, especialmente devido ao uso abusivo dos lasers contra atletas em competições esportivas. (Mais informações aqui.)
Esse problema não impede de se encontrar com alguma facilidade lasers de bolso de potência elevada, capazes de acender cigarros e fósforos, estourar bexigas, furar e cortar objetos plásticos, queimar a pele e até cegar permanentemente quem contemplar a sua luz durante apenas alguns segundos. Como assim? O olho humano concentra toda a luz numa área muito pequena da retina. Já queimou formigas com uma lupa? Pois então, queimar o olho com um laser é quase igual. A retina literalmente frita. Por isso, sempre evite olhar fixo para o ponto de luz brilhante, mesmo que apenas refletido por uma superfície polida. O aviso foi dado!
O perigo dos lasers potentes, de 100 a 400 miliwatts, é quase o mesmo de uma arma de fogo; eles vêm com trava e chave para evitar que uma tragédia aconteça pela mão de uma criança (ou, até mais provavelmente, de um adulto irresponsável ou decididamente mal-intencionado). Todavia, acredito que a maior barreira contra incidentes com lasers potentes seja o seu preço altíssimo. Existem "receitas de bolo" para converter gravadores de DVD em poderosos lasers de mão, mas elas não são práticas, devido à necessidade de obter o circuito eletrônico que controla a emissão de energia. Não é só conectar um par de pilhas e sair torrando coisas por aí. Ainda bem.
O vídeo abaixo é de um laser comercial potente. Para dar uma ideia, os pequeninos e baratos chaveiros normalmente não passam de 5 miliwatts; mesmo eles, com a luz corretamente colimada (convertida num feixe paralelo), eles já conseguem um alcance de 2 km.
Eu adquiri em Santa Efigênia um modelo de potência maior que a dos chaveiros, mas ainda não tão alta. Em forma de caneta e alimentado por um par de pilhas palito, ele tem comprimento de onda de 532 nanômetros (verde). É uma cor obtida recentemente, através da geração de luz infravermelha e sua conversão em luz visível dentro de um cristal especial que causa a duplicação da frequência das ondas. Segundo o rótulo, ele atinge 50 miliwatts. Não oferece perigo sério, mas já é forte demais para brincar com os gatos. Exibe propriedades ausentes nos lasers vermelhos comuns. A mais impressionante é a visibilidade do facho de luz:

Na foto, o alvo da luz é um prédio em construção (afinal, não é de bom tom apontar a luz para locais habitados), situado a 1850 metros de distância da janela de casa. O alcance efetivo é bem maior (em torno de 5 km) e precisaria ser conferido com binóculos. A luz tem alcance suficiente para perder-se no fundo das nuvens mais baixas (sempre com cuidado para não apontar para as aeronaves!). Se não atingir nada sólido, dá a impressão de sumir repentinamente, em algum ponto indeterminado da atmosfera. O raio é invisível para quem não está perto do emissor ou do alvo, exceto em dias de neblina e chuva, ou na presença de fumaça, quando ele fica muito mais nítido. Mesmo o ar seco e limpo contém partículas suficientes para causar uma cintilação constante na luz.
O laser ainda vem com uma ponteira de difração removível que produz um belo efeito:

Mais exemplos de difração aqui.
Dentro de casa, a diversão é ver o que acontece com a luz ao atravessar objetos transparentes. Espelhos sujos tornam o facho de luz mais visível. Vidros molhados espalham a luz em formas fantásticas, e vidros lapidados ou texturizados projetam figuras geométricas cheias de anéis, gerados pela interferência mútua entre as ondas luminosas.




As fotos acima não têm ruído. Acontece que a luz do laser tem sempre uma aparência granulada, devido à difração e mútua interferência das ondas de luz. Alguns objetos coloridos têm a propriedade de converter o laser verde em luz laranja ou amarela, sem aparência granulada. É o fenômeno da fluorescência, muito mais frequente quando a fonte de luz é azul ou violeta, e consiste na aplicação básica da luz negra, em combinação com pigmentos especiais.
Desenvolvi uma forma de light painting com laser, usando somente um chaveiro laser vermelho e uma câmera colocada em longa exposição num quarto totalmente escuro. Fiz três varreduras em ângulos distintos com o mesmo laser, recolorizei duas delas para verde e azul e montei tudo em layers transparentes no Photoshop:


Essa foto, originalmente publicada no Flickr, foi incluída na seleção do SP Photo Fest.
Depois encontrei um grupo no Flickr dedicado a lasers, contendo vários exemplos de cenas "pintadas" da mesma maneira, mas nunca com camadas de lasers combinadas. Acho que finalmente inventei algo novo.


