2009-05-22

Três anos desde o terrorismo em SP

No dia 15 de maio de 2006, a primeira coisa que fiz em casa após chegar da rua foi baixar as 65 fotos da minha câmera compacta Sony DSC-T7, selecionar as 15 melhores, acertar a exposição no Photoshop e jogar no blog. Tanta gente já estava falando e escrevendo sobre o assunto nessa noite que achei adequado simplesmente postar as imagens, sem acrescentar textos, deixando que elas mesmas "falassem".

Desde então, no aniversário do nosso dia de "Gotham City sitiada pelo Coringa", alguns cidadãos rememoram a data, trocam impressões e refletem.

Para muitos paulistanos, os acontecimentos tiveram um sabor de "11 de Setembro", mas não foram suficientes para um real mudança de mentalidade. Por todo lado vemos extremos de descaso e também de paranoia. Hoje, trombadinhas de bicicleta arrancam diariamente iPhones das mãos de pedestres distraídos na Avenida Paulista; na Favela São Remo, na madrugada de cada domingo para segunda-feira, há sempre um ruidoso baile de samba fora da lei, com aparente permissão da delegacia policial que fica bem ao lado; misteriosos fogos de artifício explodem em vários locais ao mesmo tempo numa madrugada de quinta-feira; no bairro onde cresci, Vila Galvão, em Guarulhos, todas as casas antigas, que no meu tempo de infância tinham quintais floridos, continuam a ser paulatinamente convertidas em caixotes de concreto e aço.

E o mais notável: desde os dias de terror, nunca mais uma cobertura jornalística chamou a "uma facção criminosa" pelo seu nome real.

Eis as versões reprocessadas das fotos que já tinha feito em 15 de maio de 2006, acrescidas de outras inéditas, agora com horário e legendas. Desta vez mantive o enquadramento original.



15:27 - Os rumores de atentados chegaram à redação da Futuro antes do almoço. Eu acompanhava pelo rádio. Afinal, o fim de semana já tinha sido pesado, com notícias de ataques a agentes de segurança pública. Todo mundo parou na frente da TV para conferir o telejornal ao vivo. A expressão da âncora da Record é notável. "90 mortos" era um número especulativo, mas impressionante. Só durante guerras ou ataques terroristas mata-se gente nessa escala.





15:40 - A editora decidiu fechar. O pessoal pegou as mochilas, reuniu-se à frente do prédio na R. Heitor Penteado e combinou esquemas de carona. Meu destino era o Portal do Morumbi. Fiquei me mortificando por não ter ido trabalhar de bicicleta nesse dia como em tantos outros. Estaria em casa após 50 minutos de pedal. Meu itinerário sem a bike incluía o Metrô, mas fui desaconselhado a usá-lo por causa dos boatos sobre ataques a estações com bombas. Fui dentro de uma kombi até Pinheiros, onde esperava arranjar outra condução.



16:21 - Chegando a Pinheiros, vi o centro comercial completamente deserto. Havia movimento ali perto, mas só de pessoas em fuga.






16:30 - Na esquina da Faria Lima com Rebouças eu esperava pegar o meu ônibus. Mas devido à superlotação seria inútil tentar pegar o ônibus fora do ponto inicial. Não havia táxis.








16:30 - 16:40 - Apesar da preocupação visível em muitos rostos, no ponto de ônibus não deu para fazer uma foto onde não aparecesse alguém sorrindo. Uma mulher sorria diretamente para a câmera de dentro de um coletivo apinhado. Alguns desses sorrisos seriam uma reação automática ao medo, outros de gente com cabeça mais fria achando que tudo aquilo não era nada além de um grande circo.







16:50 - Ao passar pelo Shopping Iguatemi, fechado e cercado pela polícia e por repórteres de TV, vi que tinha chegado tarde demais para tentar qualquer condução sobre rodas. Os ônibus já estavam desaparecendo e nenhum mais se dirigia à minha região. O fim antecipado dos transportes foi tão rápido e eficaz que não pareceria tê-lo sido se fosse previamente combinado.






17:30 - A travessia do Rio Pinheiros foi o último local fotografado, porque a minha câmera era incapaz de trabalhar com pouca luz e também porque não cruzei mais com gente na rua dali até minha casa. As ruas também ficaram desertas de carros. Todo mundo já estava trancado em casa às 18 horas. Uma sensação fantasmagórica me tomava naquele crepúsculo. Foram três horas e meia de caminhada.

2009-05-20

Playboy criou a fama e deitou na cama

Esta semana, uma foto da revista Playboy brasileira foi novamente indicada no site Photoshop Disasters. E foi nada menos que a capa. Segundo o povo do site, os mamilos da moça teriam sido apagados. Será mesmo?



Por felicidade, a própria revista traz a maneira de tirar a teima e comprovar a manipulação: a foto da capa aparece repetida no ensaio fotográfico. Na foto interna a pessoa tem mamilos, apesar da horrivelmente antinatural curvatura do silicone e das marcas de biquíni exageradas – dois aspectos aceitos pela cultura visual brasileira, mas amplamente criticados pelos visitantes internacionais do Photoshop Disasters – que aparentemente angariam vendas impulsivas em nossas bancas.

Você quer aprender como se faz a prova do Photoshop? Continue lendo.

1. Faça um scan da capa e outro da página interna, com resolução decente e o filtro antimoiré ativado. No caso de scans de página inteira de revistas com lombada quadrada, pode ser o caso de desmanchar a lombada com um estilete e isolar a página. Você perde a revista, mas escreve um belo post de blog sobre o assunto. (Melhor ainda no meu caso, pois obtive os scans sem ter que comprar a revista.) Com as duas imagens abertas, aplique Levels e Curves até que os valores de meios-tons sejam muito próximos. Pode comparar no painel Info do Photoshop, se fizer questão de precisão. No nosso exemplo, o fato de as fotos serem em preto e branco simplificou a tarefa. Aqui estão os dois scans abertos no Photoshop:



2. As duas versões da foto foram publicadas em escalas de ampliação diferentes. Ponha a camada (layer) de um scan sobre o outro (tanto faz a ordem), com Opacity de 50% no de cima, e altere-o com Free Transform até que não fique visível nenhuma falha de registro entre as camadas sobrepostas.

3. Volte a opacidade da camada de cima para 100% e altere o Blending Mode (menuzinho ao lado de Opacity) para DIfference. O resultado será similar ao abaixo. Os pixels com valores iguais nas duas imagens ficam pretos; os com valores diferentes, tanto mais claros quanto maior for a diferença.



Quanto mais perfeito o alinhamento entre as fotos, menor o efeito de contorno claro que ainda aparece em partes da imagem. Não importa que reste um pouco desse contorno, porque as curvas de meio-tom das duas fotos nunca são absolutamente idênticas, especialmente nos tons escuros. Afinal, temos aqui duas impressões com técnicas diferentes e tintas diferentes sobre papéis diferentes. E a rotogravura da Playboy jamais vai chegar à precisão gráfica de, digamos, uma National Geographic gringa. Tudo bem.

Repare apenas no seguinte: toda área onde houver uma diferença entre as versões de uma mesma foto ficará decisivamente mais clara quando visualizada em Difference. Você está vendo os mamilos suspeitosamente claros? Não! Há uma manipulação visível em um dos elos da correntinha e outra na curva da sombra do seio esquerdo. Mas os mamilos não foram apagados da forma que o Photoshop Disasters afirmou que foram. O efeito de ocultamento foi obtido unicamente pela colocação cuidadosa da chamada de texto vermelha.

Quais são as lições que tiramos deste exemplar episódio?

  • Internauta é um bicho afobado, que corre a regurgitar links sem checar a informação. Quem levantou a pauta no Photoshop Disasters, mão à palmatória já.

  • A Playboy já errou tantas as vezes a mão encomendando retoques óbvios, grosseiros e exagerados que criou uma má fama totalmente indelével. Hoje, antes mesmo de ver as fotos, até o público mais iletrado em fotomanipulação já conta com a suspeita prévia de que a revista retoca as imagens sem critério de verossimilhança. Mesmo quando sob prova cabal em contrário de que não o fez, como agora. Mão à palmatória para os diretores de arte míopes, dos fotoxopistas sem refinamento e dos editores sem cultura que subsistem nas redações.

    Enquanto isso, esboça-se em estúdios de melhor nível um movimento pela foto não retocada, ou retocada o mínimo possível para acertar luz e tons, sem carimbinhos nem filtrinhos. O principal expoente desse movimento no Brasil é o Clicio, e sempre apoiei a ideia, apesar de ter criado minha própria fama pré-blog pilotando o Photoshop. A lógica disso é simples: se a foto for bem capturada, não precisa retocar tanto. A bola da vez fica com os fotógrafos.
  • 2009-05-19

    Apple também perdeu o timing

    O Marco Andrei, que escreve as notas diárias da Mac+, está postando hoje um par de informações interessantes:
  • A Apple teve uma queda nas vendas menos acentuada que a média da indústria de PC, mas já sofre seu segundo trimestre seguido de queda.
  • O único mercado em alta no mundo PC é o dos netbooks. O primeiro trimestre do ano teve vendas mundiais de 4,5 milhões de netbooks, com um aumento anual de 700%, segundo a IDC. A sua fatia de mercado chegou a 8%, número que corresponde à fatia de mercado total dos Macs.

    Estamos cansados de ouvir rumores de que a Apple estaria preparando um "superiPhone", que seria a resposta costumeiramente revolucionária da Apple aos netbooks. Mais ou menos como o iPhone foi aos smartphones que de "smart" nada tinham realmente.
    Mas no ano passado eles já apresentaram o MacBook Air como uma resposta aos netbooks.
    Ops.
    Acho que aconteceu aí o mesmo que houve na época do G4 Cube: a Apple não sabia de fato o que o público gostaria de ter e chutou um produto fashion ao gosto de Jobs. O Air não encalhou, mas foi recebido com resistência notável por parte do público.
    E toda vez que a Apple não atinge uma aparente "unanimidade cool" com algum produto, defende-se insinuando que é uma marca premium que não abre mão do luxo qualidade.
    O CEO interino, Tim Cook, disse publicamente que os netbooks são ruins demais para a Apple querer fazer algo parecido.
    É isso aí, e o Windows não me deixa mentir: o consumidor de informática tem uma inexplicável e perigosa atração por produtos francamente ruins.
    Por seu lado, a Apple é um bando de iluminados incompreendidos pela maioria burra.

    Ah, vão cagar no mato.
    O problema é outro.

    Para se dar bem num mundo dominado por outra plataforma, a Apple estabelece margens altíssimas de lucro nos Macs. É assim desde o início da plataforma, há 25 anos. Isso dificulta-lhes competir no mecado low-end, mas permite que continuem lucrando enquanto outros perdem, que é o que está ocorrendo neste momento.
    Além disso, o ciclo de desenvolvimento da Apple é tipicamente mais longo que o de outras empresas. Até para fazer os updates de segurança do OS X eles demoram bem mais tempo do que a Microsoft leva para tapar a peneira do Windows.
    Embora goze da fama de inventora e inovadora, há muito tempo a Apple deixa que outros criem novas categorias de produtos para só então pular dentro com sua versão de cada conceito. Muitos colunistas do círculo de fogo dos rumores apostam nisso. O indício mais forte foi a maneira como o Cook bateu nos netbooks. Já é demasiado conhecida a estratégia da Apple de desdenhar um mercado novo no qual ela tem genuíno interesse. Steve Jobs fez isso pessoalmente em 2004, acerca de um tocador de MP3 com vídeo, e em 2005, a respeito de smartphones.

    Se a Apple, com ou sem Steve, tem a cabeça no lugar, deve estar ciente de que desta vez está deixando passar a oportunidade de chacoalhar decisivamente o mercado dos netbooks, da forma que fez com o iPod com vídeo e com o iPhone.

    Pessoalmente, o que sei é que próximo computador será um netbook, e será PC.
  • 2009-05-17

    Timing e ambição

    Em junho de 2003, quando eu trabalhava na Macmania, estava bastante ligado na arte de rua, grafite, intervenções e pixo. Andava também obcecado pelo uso de grafismos geométricos como ilustração. Lembrava dos trabalhos de Keith Haring e também dos copos de requeijão pintados à mão do Dudi Maia Rosa. Então, entre um fechamento e outro, veio a ideia de pegar uma caneta Sharpie que eu usava para rotular CDs de backup e decorar o meu computador de trabalho. Ao longo de uma semana, pintei toda a porção exterior branca de meu iMac G3 Indigo (clique na foto para ver maior):



    Também pintei um mouse, mas a tinta não resistiu ao contato manual. O iMac continuou pintado durante anos. Creio até que o Heinar chegou a usá-lo na redação da Digerati, de 2004 a 2006. Finalmente, quando o iMac foi tirado de uso, apaguei tudo com álcool.

    Eis que hoje, seis anos depois, chegou-me o link de Flickr de um importador de Lamborghini dos EUA que teve exatamente a mesma ideia, porém com enorme diferença naquilo que indico no título deste post: timing e ambição.



    Clique na foto para ver a incrível galeria do fotógrafo no Flickr, que mostra todos os ângulos da pintura.

    Eu realmente preciso aprender a aplicar minhas ideias numa escala diferente.

    2009-05-14

    Dito na cama

    Said In Bed é um site de um humor ácido, chocante e de partir o coração. Especialmente levando em conta que muitas das frases ali anotadas, se não quase todas, devem ter sido reais e não inventadas. É um verdadeiro compêndio da grosseria e indelicadeza íntimas. Dá uma boa noção do que não se deve dizer nunca entre os lençóis. A não ser que você tenha planos de despachar a vítima para sempre, logo após o embate amoroso. Eis uma tradução livre das minhas frases preferidas postadas de 8 de abril a 13 de maio:

    Por que você sempre tira a roupa? Você não é atraente.

    Ela: Vai logo, termina isso.

    Ela: Eu não acredito que acabei de fazer sexo com você.

    Ele: Você cheira melhor que a mamãe.

    Ele: Por que a respiração ofegante?
    Ela: Estou oxigenando o meu sangue.

    – Eu preferia estar fazendo sexo com qualquer outra pessoa agora.

    – É do mesmo tamanho que os de todos os meus ex-namorados.

    – Adivinha quem não está grávida?!

    Ele: Adoro esta posição.
    Ela: É porque nela você não tem trabalho nenhum.

    – Você sabia que os brontossauros nunca existiram?

    Ele: Você está ficando boa nisso.
    (Depois de quatro anos de namoro)

    – Você tem as omoplatas mais sexies que eu já vi.

    – Desculpe, eu sou melhor quando estou bêbado.

    – Não é um mosquito ali no teto?

    Ela: Eu gosto de você porque o seu cabelo longo faz você parecer uma garota.

    – Você gosta que lambam os seus dentes?

    Ele: Então... você toma a pílula?
    Ela: Não, foi por isso que te dei uma camisinha. Certo?
    Ele: ...
    (Ele estava totalmente bêbado e ainda por cima era um completo estranho)

    Ela: Estou menstruada.
    Ele: Bom, existem outros buracos...
    Ela: Eu não faço anal.
    Ele: Nunca? Nem por acidente?
    Ela: Não existe anal por acidente.
    Ele: Existe sim: acidente na posição cachorrinho.
    Ela: Você é gay?
    Ele: ...

    Ele: Espero que você tenha gostado tanto quanto eu.

    – Não, eu não quero ser sua namorada.

    – Eu não vou embora enquanto você não achar a minha roupa de baixo.

    – Acorde, querida, eu vou ter um orgasmo!

    Ele: Meus amigos dizem que eu só me sinto atraído por mulheres que se parecem com a minha mãe. Você não se parece com a minha mãe.

    – Eu sou o elo mais fraco!

    Ela: Aí não!
    Ele: É claro.

    – Sério que eu posso ficar grávida com isso?!

    Ela: Meus lábios estão inchados.
    Ele: Que coincidência! Outra parte minha também está.

    Ele: Você peidou no meu saco?

    – E se os seus pais aparecerem do nada?
    – Sem problema, é por isso mesmo que você está por cima.

    Ele (gozando e gritando): Meu Pequeno Pônei!

    – Nossa, eu sempre imaginei que você tivesse muito menos peso.

    Ele: A noite passada foi ótima. A melhor parte foi quando você foi embora.

    – Dá pra gente transar na cama do seu colega de quarto?

    Ele: Temos 15 minutos até o peru ficar pronto.
    Ela: Perfeito!

    – Aaaaah, é tão bonitinho!!

    – Obrigada pela proteína!

    – A propósito, eu não estou em busca de um relacionamento sério, nem nada desse tipo...

    Ela (rindo): Saiu pelo meu nariz!

    – Desculpe se fui ruim de cama ontem. Eu já não transava faz duas semanas.

    – Isso me lembrou que eu preciso ligar pra sua mãe.

    Ele: Espera só um instante, vou pôr pra tocar esta fita da minha banda.
    (E ele pôs mesmo!)

    – Que gracinha... parece um Shar Pei!

    – Nenhuma mulher nunca reclamou antes.

    – Você é a minha conquista sangrenta!

    – Quando eu te beijo, tento reunir toda a minha emoção e colocá-la no beijo.

    Ele: Eu te amo.
    Ela: Tá... eu preciso ir embora agora.

    – Eu poderia fazer um nó com os seus lábios.

    – Minha ex-namorada é bem mais flexível do que você.

    – O seu irmão não tem técnica.

    – Por que tanta hostilidade? Foi só uma ideia.

    – Como assim, você não estava usando camisinha?!

    Ela: Qual é o lugar onde você mais gosta de ser beijado?
    Ele: Meu p...

    Ele: Às vezes eu queria ser bi, porque sinto que estou perdendo muita coisa.

    Ele: Não estou acostumado a dormir junto com alguém.
    Ela: Não estou acostumada a dormir sozinha.

    – Eu queria poder andar por aí o tempo todo dentro de você.

    – Jesus, é uma enchente!

    – Você tem alguma doença?
    – Hmmm... isso não importa mais agora.

    Ela: Teria sido melhor se eu simplesmente sentasse no seu nariz.

    – Pra quem você está se exibindo? Só tem nós dois aqui. Não tem mais ninguém olhando.

    – Você não é gorda, você tem ossos largos.

    – Eu precisava botar essa primeira pra fora.

    Ela: Você quer de novo hoje? Eu não acho isso normal! Ninguém deveria querer fazer isso toda noite! Talvez seja o caso de você consultar um médico...

    Ela: Uau, isso é ótimo!
    Ele: Sim, eu sei, mas do que é esse cheiro?

    – É bom para a sua pele!

    – Esta já é a minha terceira infecção urinária. A gente vai ter que repensar essa relação.

    Ela: Eu quero muito você, quero as suas mãos sobre o meu corpo, mas você não pode me ver nua, eu não gosto do jeito como pareço quando fico nua como agora.

    Ele (sorrindo): Ahhh, olha que fofo... ele está pulsando por sua causa.

    Ela: Seu gozo tem um gosto horrível.
    Ele: Pode ir embora agora.

    Ela: Aaaah, você entrou tão fundo!
    Ele: É? Vamos conferir.
    (Ele abre a boca dela para olhar dentro)

    Ele: Mas o meu amigo falou que você gostava disso!

    Ele: Dá pra parar de borrifar o meu rosto?

    – Minha dor de cabeça finalmente foi embora. Até a hora em que gozei.

    – Hum. Oiê. Viu. Eu não sou um brinquedo de morder.

    – Hoje você vai dormir como um bebê.

    Ele: Eu não sabia que você era tão gostosa!
    Ela: Eu sei. O seu pai dizia isso o tempo todo.

    – Veio assim... do nada!

    – Se você me largar, eu te mato.

    – Você engravidou? Algo dentro de você está diferente!

    – Então... esse não é o seu único travesseiro, é?

    – Eu tenho uma cicatriz da última vez.

    2009-05-06

    Clique aqui para aumentar a sua dignidade

    Olhando os arquivos do meu blog, reparei que entre 2000 e 2003 o spam era um dos assuntos mais frequentes dos posts. Sempre considerei os spammers como legítimos criminosos da comunicação. A minha fúria era visível nos textos, pois nessa época parecia totalmente impossível conter o incômodo. Para complicar, por eu ser um usuário antigo da Internet, tinha caixas postais com nomes muito curtos, como mav@bol.com.br, lou@uol.com.br e marioav@mac.com. Emails com nomes curtos aumentam a quantidade de spams recebidos ao acaso. Mas então veio o Mail do Mac OS X com seu filtro antispam bayesiano, e depois o Gmail com um filtro similar e bastante eficiente, que me livraram do incômodo. Mas, por outro lado, o Gmail tem a mania de marcar como spam e deletar um email importante a cada tantos dias. Por isso, ainda inspeciono a minha lata de lixo virtual.

    E os assuntos dos spams mudam como mudam as marés. Certa época, vêm intermináveis ofertas de ajuda para rolar dívidas financeiras. Depois, ofertas de remédios genéricos com desconto. Coisas como "Find a Russian Wife" (bem educadinho na linguagem), "Goddammit, reply now!" (o contrário) e o ocasional phishing puramente criminoso, como "to mandando as fotos do motel. bjusss" com links de Trojans maldisfarçados por nomes como "na cama.jpg", "no banho.jpg", "na banheira.jpg", "no chao.jpg", "no espelho.jpg" e "calcinha.jpg".

    Agora estamos numa época chata, com dezenas diárias de "Confirm account activity", "Hello", "Replica watches for everyone", "Delivery note", "Invoice" e "Credit card expiration date". Um tédio. Mas, surpreendentemente, os spammers brasileiros são raros na minha caixa postal.

    O novo fenômeno do spam comercial vem - obviamente, para quem presta atenção - da China. E a maioria dos spams chineses não é escrita em inglês tosco, mas numa estranha linguagem poética, com alegorias e rimas. Particularmente os que vendem produtos para aumentar o pênis:

    Your meaty friend is a treasure and the bigger the treasure the luckier you are.

    When you think your little trunk is just a piece of drunk.

    You will want to undress because you know you'll get success.

    No problems will arise when you have no problems with the size.

    Women will be compliant when they see that it is giant.

    Outros apelam para a pressão psicológica, mas esses não são da China:

    It's just your choice - feel the danger of being limp in bed, or get full confidence in success

    Double the power, double the enlargement

    Double the size, triple the pleasure

    If she needs it longer

    Upsize your dignity

    E outros são ridículos em seu sexismo primário:

    Her mouth barely wraps around my monster now

    Shove your giant and give her real tension.

    Tap her hole and drill her

    "Wake up, rod" men's potion

    So long I hurt her

    Have a bone to pick her?

    Need more powers to make her satisfied? Take this love potion and drill her for 5 hours!

    Restam alguns em delicioso inglês truncado:

    Make your rod staying!

    Push a button on manhood machine an be a real man.

    With the ability to make out for days you'll be the best candidate for girls to spend night with

    Spams de remédios para disfunção sexual masculina (mas quase nunca feminina) já foram comentados neste site, em duas ocasiões distantes: aqui e aqui. A razão disso é que os produtos para a manutenção e cuidado do seu precioso, insubstituível e esteticamente portentoso pênis são consistentemente muito mais numerosos que os de quaisquer outros tipos de produtos. Em 2007, a desproporção era tão absurda que fui capaz de montar uma tela imensa só com títulos de spams desse gênero, cada um diferente do outro.

    Quem é que compra tais produtos pela Internet? Jamais soube de alguém que tivesse clicado num desses spams. Mas é sabido que a taxa de spams respondidos está em torno de um a cada dez milhões de enviados. Assim, não é preciso fazer contas para perceber que, se o spam fosse um sistema de marketing eficiente, a quantidade de produtos vendidos seria capaz de atender a várias vezes a população inteira do planeta por ano.

    Como a insatisfação que os produtos pretendem atender é assumidamente relativa somente àquilo que o homem imagina da cabeça dele que deva possuir como dote, e não ao que efetivamente agradaria ou completaria a mulher, temos na explosiva e infindável proliferação do negócio um indício de um triste abismo de compreensão entre os sexos. E de uma preocupação com o tema que chega a um nível socialmente doentio.

    Quer mais? Visite o interessante e divertido Museu do Spam.