2009-04-24

Irá a Prefeitura de SP finalmente reconhecer as necessidades dos ciclistas?

Quem me lê está acompanhando o caso da remoção do acostamento de um trecho pedalável da Marginal Pinheiros pela CET e a resposta irada dos ciclistas e cicloativistas da cidade. Hoje, com um novo diálogo entre ciclistas e membros do governo municipal, surgiu um alento de esperança. Ou talvez, o preparativo de um confronto decisivo, já que o que está posto em questão não é apenas um pedaço de asfalto, mas a própria ideologia na qual ainda se persiste em São Paulo para favorecer os automóveis e prejudicar os transportes alternativos, pondo vidas humanas em risco a troco de mais vagas de engarrafamento para carros. Um pensamento obsoleto, egoísta, irresponsável e burro, que eu e vários outros outros insistem em denunciar continuamente em seus websites.

Tudo começou com uma carta aberta do ciclista André Pasqualini, enviada ontem com cópia para diversos jornalistas e membros dos governos municipal e estadual e simultaneamente endereçada ao secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge, filiado ao Partido Verde, e também ao multipresidente da CET, Secretaria de Transportes e SPTrans Alexandre de Moraes. Este último cidadão já foi tema deste blog, por estar de reputação suja entre os ciclistas devido à sua infeliz, absurda e execrável declaração pública de que prefere a fluidez do trânsito de carros à segurança das bicicletas e pedestres.

A carta explica exaustivamente o problema e pode ser lida na íntegra aqui. Seus pontos principais são:

Vamos mudar definitivamente as nossas políticas de mobilidade urbana; vamos, de uma vez por todas, orientar a CET para a partir de hoje, jamais considerar a fluidez motorizada mais importante que a segurança das pessoas. Se a CET está incomodada com as manifestações dos ciclistas, ao invés de ameaçar mandando multas ou criando mais situações de risco aos ciclistas, que eles passem a fazer como manda a lei em seu artigo 24 do CTB:

Art. 24. Compete aos órgãos e entidades executivos de trânsito dos Municípios, no âmbito de sua circunscrição:
II - planejar, projetar, regulamentar e operar o trânsito de veículos, de pedestres e de animais, e promover o desenvolvimento da circulação e da segurança de ciclistas;


Vamos fazer um pacto, unindo poder público, imprensa e sociedade para mudarmos a maneira de pensar em mobilidade na cidade. E como primeiro ato, devolva aos cidadãos o acostamento que lhes foi tirado, antes que uma tragédia ocorra naquele local.
Senhor Alexandre, numa conversa que tive com o senhor naquele evento em março, na Associação Paulista do Ministério Público, perguntei se há políticas para reduzir o número de carros das ruas. Além do senhor dizer que não há políticas (o que me deixou muito desesperançoso), disse que não podia tirar o direito das pessoas de andarem de carro. Quer dizer que tirar o direito das pessoas andarem a pé ou de bicicleta vocês podem?
Quero que os senhores usem seus poderes de secretários para influenciar essa empresa (CET) para exigir uma mudança radical de comportamento. Que eles busquem atingir o mesmo nível de excelência que possuem para gerir o deslocamento dos veículos motorizados, no gerenciamento do deslocamento dos não motorizados, ou seja, pedestres e ciclistas. Que eles usem toda sua excelência para fazer valer a lei, que no meu modo de pensar, é a principal vitória conquistada na criação do CTB, em seu artigo 29, parágrafo 2:

§ 2º Respeitadas as normas de circulação e conduta estabelecidas neste artigo, em ordem decrescente, os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres.

Vou passar uma informação ao senhor Alexandre que é de conhecimento do Dr. Eduardo Jorge. O senhor sabia que o Ibope, em parceria com o movimento Nossa São Paulo, realizou uma pesquisa onde apurou que há 1,7 milhões de pessoas que usam o carro diariamente ou quase todos os dias? Dessas, 1 milhão de pessoas disse que trocaria o seu carro para usar a bicicleta como meio de transporte.
Fica aqui a dica, caso alguém lhe repita minha pergunta, sobre o que a prefeitura está fazendo para tirar os carros das ruas; diga que vocês tem um projeto para tirar 1 MILHÃO de carros das ruas. Que vocês vão aumentar o número de técnicos especialistas em bicicleta na CET (atualmente são apenas 3) e que vão trabalhar arduamente para o fomento do uso da bicicleta como meio de transporte...

...volto a dizer, a situação do ciclista naquele ponto é extremamente crítica, a maioria não tem outra opção de deslocamento, vão continuar se arriscando naquela via e se nada for feito, em breve, teremos uma tragédia ali...

Convido os senhores a visitarem o local, de preferência entre as 17h00 e 18h00 para ver pessoalmente a situação dos ciclistas. Se estiverem de bicicleta, melhor ainda.

Num precedente notável, os dois secretários responderam à carta aberta.

Alexandre de Moraes prometeu soluções, mas no meio delas ainda está bem presente o velho preconceito sobre as ciclovias serem a panaceia para os problemas das bicicletas (tema que também já discuti aqui):

A Prefeitura de São Paulo, por seus órgãos responsáveis, entre eles a SMT e a CET, compartilha suas preocupações quanto a necessidade de implantação de ciclovias que possibilitem o tráfego seguro dos ciclistas.
Para tanto, determinei à Diretoria de Planejamento da CET a formatação de uma política de ciclovias, que permita a locomoção segura de todos os munícipes que pretendam utilizar bicicletas na Cidade de São Paulo.
Em estudo profundo e detalhado da última pesquisa OD (origem e destino), a CET já identificou os principais pontos de utilização de bicicletas em São Paulo, bem como o número de usuários e os trajetos mais adequados.
Em diversas reuniões, nesse último quadrimestre do ano, a CET apresentou-me várias rotas possíveis e as condições necessárias a serem implantadas.
Estamos em fase final de finalização do projeto, para que possamos apresentá-lo, discutí-lo e implantá-lo.
Tenha absoluta certeza de que a construção de ciclovias seguras é prioridade do Prefeito Municipal.

André respondeu da mesma forma que fariam todos que realmente sabem o que é transitar pela cidade sobre duas rodas sem motor, independentemente de equipamento, estilo de vida ou propósito de deslocamento.

Mais importante do que ciclovias é usar a máquina pública para pensar e planejar a mobilidade não motorizada, estabelecendo políticas para a criação de melhoramentos cicloviários, algo muito mais amplo do que ciclovias...

...achar que ciclovias é a solução para a segurança dos ciclistas é um enorme erro e graças a essa cultura que temos esses pífios números de ciclovias na cidade...

Esse estudo detalhado que fizeram na OD, já havia sido realizado pelo Pró-Ciclista e com certeza ele deve apontar os locais onde seria necessário uma intervenção imediata. O que me surpreende é que esse estudo deve ter apontado um grande fluxo de ciclistas naquele trecho em questão, na Marginal Pinheiros entre as pontes Morumbi e João Dias. Se há um apontamento de que há fluxo de ciclistas ali, porque retiraram o acostamento? Porque tornaram a vida dos ciclistas que passam ali mais perigosa? Porque não tomar alguma atitude imediata para que os ciclistas voltem a ter segurança naquele ponto?

...Não escrevi aquilo tudo porque estou pedindo ciclovias. Isso porque eu sei que é impraticável termos ciclovias em todos os 17 mil quilômetros de vias da cidade e também porque, como citei acima, mais importante que ciclovias é termos um planejamento do deslocamento não motorizado. O que eu pedi foi uma mudança de política que priorize a fluidez motorizada em detrimento da segurança das pessoas que não andam de carro. A transformação do acostamento da marginal em pista para carros é um claro sintoma dessa política. Para criar uma maior vazão para os carros, coloca-se em risco ciclistas e pedestres. É isso que devemos mudar, não apenas naquele trecho em questão, mas em toda a cidade. A PREFERÊNCIA TEM QUE SER DAS PESSOAS E NÃO DOS CARROS.

Por isso quero reforçar: devolva o acostamento à pista, mande seus técnicos, assessores ou mesmo o senhor, vá até o local e veja o quão a situação está perigosa. Depois disso sinalize que há uma tendência de mudança de paradigmas. Eu como ciclista não quero apenas ciclovias seguras. Quero uma cidade segura, quero pontes seguras; quando estiver a pé quero que os carros deem preferência a mim quando tentar atravessar uma faixa de pedestre.

1º) Teremos a criação de um amplo plano cicloviário para a cidade, de preferência com a participação de ciclistas?
2º) O acostamento da marginal será refeito? Ou a prefeitura irá fazer algo para a travessia segura, tanto do ciclista quanto do pedestre naquele trecho de imediato, já que o fluxo de ciclistas ali é mais que considerável?
3º) Teremos uma mudança de política de mobilidade que garanta que a segurança das pessoas será considerada mais importante que a fluidez motorizada?
4º) Podemos marcar uma visita com os senhores ou com representantes das duas secretarias ao local para verificarem o quanto a situação esta perigosa?

A jornalista e cicloativista Renata Falzoni imediatamente reforçou:

Caros Eduardo Jorge e Alexandre de Moraes:

Muito importante essa inspecção in loco de autoridades da Prefeitura de São Paulo, diretamente relacionadas a mobilidade urbana de São Paulo, em nossas ruas, avenidas, pontes e viadutos.

Pretendo dar ampla cobertura a esse fato inédito.

É importante mostrar a real do que é atravessar qualquer ponte em São Paulo, onde inexistem faixas de pedestres, ou mesmo viadutos, onde pedestres e ciclistas estão condenados a atirarem-se em meio a carros, que não dão preferência aos cidadãoes a pé, até mesmo porque nem mesmo uma faixa de pedestres insinuando a preferência destes por lá existe.

Aquele trecho da marginal é imperativo para o acesso de pedestres e ciclistas aos bairros mais ao sul da cidade e a retirada sumária deste espaço urbano, do uso por não motorizados pela CET, demonstra claramente o que André Pasqualini tão bem explica: A preferência da SMT e da CET é pela fluidez de automóveis em detrimento da segurança de pedestres e ciclistas.

Se caminhar por esse trecho é perigoso, pois os carros invadem ilegalmente até o acostamento, o que deve ser feito é garantir a segurança dos cidadãos que por lá circulam e nunca proibi-los de por lá circular pura e simplesmente.

Ciclovias são apenas parte de uma solução. O que é URGENTE é uma ESTRUTURA CICLOVIARIA que engloba ciclovias, ciclofaixas, integração com outros modais, bicicletários, SINALIZAÇÃO, obediência a preferência de pedestres e ciclistas.

As rotas de bicicletas pela cidade podem e devem usar faixas onde carros hoje estacionados nada contribuem com a fluidez do trânsitotanto de carros quanto de cidadãos não motorizados.

O trânsito partilhado está previsto em lei (art. 58) e deve ser acolhido e protegido pelas autoridades de trânsito (art. 21 e 24) e isso URGE sair do papel.

Qualquer atitude tanto por parte da SMT, quanto da CET só acontecerá quando esses órgãos DE FATO ASSUMIREM A BICICLETA COMO MEIO DE TRANSPORTE.

Aguardo a data e horário da visita de autoridades ao trecho da marginal entre as pontes Morumbi e João Dias.

O secretário Eduardo Jorge confirmou por email que fará essa visita ao trecho embargado da Marginal. Pode ser que a visita conjunta com o sr. Moraes realmente ocorra. Torço por uma inédita alvorada do bom senso na mente dos planejadores municipais.

Porque a nossa paciência com promessas que não se cumprem e medidas discriminatórias na contramão da propaganda política já se esgotou completamente.

Volte à carta aberta do André Pasqualini para ler a continuação dos acontecimentos. Resumidamente, o secretário Eduardo Jorge esteve no local e recomendou como solução a construção da ciclovia na Marginal. Aquela obra que não começa nunca, nem sequer saiu do projeto ainda. Enquanto isso continua não acontecendo, parte dos ciclistas não desestimulada de trafegar na pista da Marginal expõe-se ao perigo de morte. Enquanto isso, os carros continuam exatamente tão engarrafados como antes, porque a imposição da faixa de rolamento onde era acostamento não resolveu absolutamente nada do problema de tráfego do local, que foi agravado pela nova ponte que foi construída contra a lei, sem espaço para nada além de carros. Persistindo a CET nesta decisão burra, ainda resta uma solução rápida possível. Construir a calçada no trecho da Marginal, sendo esse espaço compartilhado com as bicicletas, pois os pedestres são raros. Vão dar ouvidos à sugestão ou continuar a enrolar os cidadãos com a promessa da ciclovia que continua no papel para sempre?

Como eu previa e receava, situação parece encaminhada para uma derrota das pessoas de bem. Será mesmo preciso que inocentes morram naquela pista para furar a barreira de insensibilidade e ignorância dos administradores públicos?

O verdadeiro caráter do povo se revela pelas buscas

Este post era um apêndice de outro post recente, mas resolvi promovê-lo. É que finalmente me dei conta de uma coisa sobre o comportamento das pessoas que usam a Internet. Muita coisa pode ser deduzida do caráter dos visitantes de um site registrando e analisando a maneira como chegaram nele. O meu contador de visitantes informa de qual site vieram para cá. Acompanho essa informação porque ele detecta muitos trackbacks que a ferramenta do Blogger não enxerga. É assim que posso postar um agradecimento num site novo que acabou de citar um conteúdo daqui (e também ficar de olho nos plagiadores).

Mas as buscas no Google, Yahoo e outros serviços são particularmente reveladoras. Fico sabendo de coisas inconfessáveis que o buscador anônimo na Web pensa que nunca ninguém ficará sabendo. Apenas pensa. Mas como não reagir dando risadas solitárias, ou ocasionalmente com um esgar de desgosto, quando as buscas frequentemente contêm termos desonestos como...

tutorial roubar senha de orkut
como descobrir quem postou anônimo

ou tão textuais que parece que o usuário acredita que do outro lado existe um homenzinho lendo tudo e interpretando, como

o que significa a placa de trânsito que tem um carro, uma bicicleta e um risco no meio Wikipédia

ou mais ou menos controversos, como

foto flagrante mulher pelada
fotos de bombeiros pelados sem roupa
foto de mulher pelada com a vagina à mostra
fotos caseiras de negras peladas da periferia

Não sinto vergonha alheia por algumas das buscas mais escabrosas. O sentimento é outro. As buscas pela palavra "flagrante" são particularmente numerosas, o que é significativo. Basicamente, o que entendo disso é que um monte de marmanjos se excita profundamente com fotos amadoras toscas de situações nas quais jamais gostaria de ver sua própria namorada ou esposa como personagem, mas topa a degradação se nunca vier a conhecer a pessoa flagrada e não lembrar-se de que ela é outro ser humano e não um pedaço de carne. A busca por "vagina à mostra" me evoca a imagem de um solitário nerd jovem e espinhento procurando por sadia e edificante educação sexual, o que embute uma centelha de esperança. Quanto à busca que inclui "negra" e "periferia" na mesma frase, é melhor não comentar nada.

Inevitavelmente, a simples menção textual dessas buscas trará para cá mais alguns "cerumanos" do mesmo nível. Chegarão aqui para ler este singelo apelo à consciência. Portanto, podemos repetir impunemente: Roubar senhas de orkut... Fotos de bombeiros pelados sem roupa... Negras peladas da periferia...

Esse já foi abordado antes, mais de uma vez, e continuará sendo. Isto é um aviso.

2009-04-22

Vigilância na Internet Não

 



Em novembro de 2008, este website trabalhou para alertar sobre os furos no substitutivo do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) ao Projeto de Lei 84/99, que beneficia os bancos e os provedores de Internet e permite a agentes da lei ou juízes com más intenções criminalizar arbitrariamente os usuários. Daria para perseguir uma pessoa na rede por praticamente qualquer motivo, não necessariamente aqueles que são invocados como justificação à vigilância, em particular o de combater a pedofilia na rede. Esse, aliás, é um autêntico "red herring": uma causa indiscutível exibida publicamente para disfarçar e maquiar os interesses menos nobres embutidos na iniciativa.

O Ministério da Justiça propôs medidas de controle ainda mais restritivas, que competem com o projeto de Azeredo. Leia mais aqui.

A campanha na Internet contra o excesso de controle, censura e vigilância do estado avançou tímida, por descaso e desinteresse de pessoas relevantes na rede que se beneficiariam de defender mais os direitos individuais e coletivos, somados ao cinismo de algumas outras pessoas.

Pois a censura na Web, com ou sem lei, já é realidade.

Acompanhe o assunto neste site criado especialmente para isso: InternetLivre.org.
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2009-04-21

Monitores sexies

A melhor parte de testar hardware profissionalmente é conhecer de perto as coisas que você pode querer comprar para si mesmo. A pior parte é a hora de embalar e devolver um produto muito bom. Passei alguns dias com um EIZO especificamente desenvolvido para soft proofing de fotografias, com precisão de brilho e cor extremamente rigorosa.



Agora estou "quebrando o galho" com um Dell 2408WFP completíssimo, com painel S-PVA, Full HD, oito entradas de sinal, slot para cartões de memória, hub USB e rotação de tela.



Tirei as duas fotos em HDR para conseguir preservar as sombras sem estourar a luz nos monitores. Daí a saturação e cor meio esquisitas nas imagens.

Para quem estranhou o Dell estar vertical na foto: ano passado fiz uma experiência trabalhando com o monitor em modo retrato durante algumas semanas e o resultado foi positivo.

2009-04-18

Adianta entrar em choque?

Leia a matéria da Renata Falzoni sobre a intervenção dos ciclistas na Marginal Pinheiros, quando tentaram reverter a absurda e inútil transformação do acostamento entre as pontes Morumbi e João Dias em mais uma faixa de rolamento para os carros, prejudicando centenas de pessoas que pedalam por transporte lá.

Quando tiver mais tempo, vou colocar em pauta aqui neste post a discussão que se coloca sobre as estratégias de ativismo dos ciclistas. O título do post dá a dica: pelo caminho que está indo, não pode. Transformar o motorista individual em inimigo é o contrário do que se precisa para promover a convivência em paz no trânsito. Transformar a PM no inimigo é mais sério ainda. Além de um gasto de energia ineficaz, bater boca com a PM fomenta hostilidades futuras.
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2009-04-13

Desarmamento Mental




Preciso mesmo explicar o sentido desta campanha?
Digamos que ela é o contrário do Mimimitter.
Pegue o logo e faça o que quiser com ele, modifique, espalhe.
Opine e enriqueça o conceito aqui nos comentários.
Por uma Internet menos cheia de negatividade.

Monday Morning Mail

Esse título não dá um belo nome para um semanário britânico fictício?
Na verdade, este post é um papo furado para avisar que todos os posts dos primeiros três meses do blog a partir de 2000, e depois todos os outros desde agosto de 2005, estão finalmente revisados e reformatados. Muitos que tinham perdido suas fotos e ilustrações foram restaurados. Outros receberam ilustrações inéditas, como o que fala da antiga revista Magnet, ou o que menciona a pioneiríssima personagem de webcomics Aline Alien (sim, fiz webcomic em 1997; só a palavra webcomic ainda não existia).
Vários dos posts da série sobre bicicletas foram incrementados com ilustrações minhas sobre mountain bike feitas no começo dos anos 90: Parte 5, Parte 6, Parte 7, Parte 8, Parte 9, Parte 10, Parte 11, Parte 12, Parte 13.

Aos poucos, todos os posts perdidos serão restaurados e recolocados no ar em suas datas e horas originais. Como o resultado desse trabalho não é evidente, em 18 de abril passei a listar as restaurações mais recentes (na coluna à esquerda, embaixo do índice cronológico). O ano mais complicado é 2003, quando eu tentei migrar para o Gardenal.org escrevendo quatro blogs temáticos ao mesmo tempo. Uma série de problemas me demoveu do esforço. O pior foi a perda do servidor do Gardenal, destruindo muitos posts que não tinham backup. Mais informação se perdeu naquele tempo: o sistema de comentários era externo ao blog e sujeito a dar paus constantes. Os comentários não tinham backup, com exceção de alguns raros posts. O que sobreviveu dessa bagunça está reunido no meu HD, numa longa fila de upload.


Links amigos
Esta semana, o que mais engrossou o movimento do meu site foi o Scrap MTV, com a graciosa menção ao texto sobre avatares. E pensar que ele tinha cinco anos de idade, originalmente falava de avatares de chat, é anterior ao orkut e Facebook... mas na era do Twitter continua perfeitamente válido. Os avatares pessoais estão aqui para ficar, mais ou menos como o barbeador de lâminas paralelas e o celular com mensagens de texto.
Este artigo do prestigiado Brand New, que cita o meu trabalho de misturas de logos (posts aqui, aqui e aqui) é fonte de visitantes internacionais diários desde maio do ano passado, o que dá uma ideia do imenso poder agregador desse site.


Marcadores funcionando
As porteiras estão abertas. Mais de 600 posts estão marcados com tags de assunto. Ler tudo o que escrevi sobre cada assunto, em ordem coerente, está a um clique de distância. O que me deixa feliz pela possível redescoberta de posts que gosto e apreensão pelos que não gosto mas mantive por questão documental. E pular de um assunto a outro é possível, porque a imensa maioria dos posts tem pelo menos dois tags.
Um dos tags mais divertidos é o Idiotas, com muitos textos. Era para se chamar "Crítica", mas os artigos que são diretamente combativos não merecem uma retranca mais fraquinha do que sua própria linguagem. O Dr. House concordaria com essa opinião.
Ainda dá para melhorar, reduzindo os tags redundantes. Condensei "Trânsito" com Transporte num só, por exemplo. Aos poucos tudo se ajeita às necessidades.

2009-04-11

Miran

Dois trabalhos oportunos, em sintonia com nosso tempo, de um homem que é grande inspiração para os artistas gráficos, designers, ilustradores e cartunistas (sim, é um blog separado para cada assunto).





(Post inspirado por outro do Pedaleiro.)

Um Judas para malhar

Uma porção de pessoas está com muita raiva de Alexandre de Moraes, burocrata no comando da CET de São Paulo, comprometido com a indústria automobilística, que numa concentração de poder perigosa e que deveria ser considerada ilegítima, acumula mais três cargos públicos relacionados a transportes urbanos.

A raiva não é apenas por ele ser incompetente em cumprir a missão que se atribui, de auxiliar a "fluidez" do trânsito de carros particulares - 30% da população - em detrimento dos que usam transporte público - os 70% restantes. O engarrafamento em São Paulo chegou ao recorde de 240 quilômetros nesta quinta-feira. Com o reaquecimento das vendas de carros, certamente vai aumentar até envenenar mais ainda o ar e generalizar a atmosfera de guerra no trânsito.

Além de incompetente, o czar do trânsito paulistano é um ser desumano. Confira o que ele disse no evento “Circulação e Transporte”, na Associação Paulista do Ministério Público, no dia 31 de março de 2009:

Não podemos colocar uma faixa só para bicicletas [nas avenidas], pois em São Paulo temos ruas [transversais saindo] à esquerda e à direita, e os ciclistas atrapalhariam o trânsito, porque os carros iam querer virar. Além de arranjar um problemão, com um monte de ciclistas atropelados.

Acidentes com vítima causam muita lentidão. Quando a pessoa morre, demora para a pista ser liberada. Tem de esperar a perícia chegar, e às vezes isso para todo o trânsito. O impacto de um acidente com morte é o mesmo de um veículo quebrado.

Há medidas para ampliar a segurança, mas não implantamos, pois prejudicam o trânsito.

Mais detalhes e declarações aqui.

O resumo é o seguinte: esse indivíduo, numa sociedade sadia, jamais poderia arrumar um emprego relacionado a gestão de trânsito. Numa sociedade apenas parcialmente funcional como a nossa, deveria ser demitido. Essas declarações são ignorantes, irresponsáveis e preconceituosas. Faz-se necessária uma oposição clara e direta à sua filosofia operacional, que está literalmente matando cidadãos paulistanos.

Foi confirmada para hoje, sábado, ao redor das 14 horas, na Praça do Ciclista - o quarteirão da Av. Paulista que fica entre as ruas Bela Cintra e Consolação - uma Malhação do Judas, que a ele será apropriadamente dedicada.


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2009-04-09

Ciclovia não é prioridade

Todo mundo que não pedala acha que a principal aspiração de quem usa a bike como transporte é ganhar ciclovias. É um preconceito tão recorrente que os cicloativistas locais começaram a encarar o termo como um palavrão.

As prioridades dos ciclistas urbanos são a convivência mais pacífica com outros veículos e mais respeito mútuo. Isso depende da conscientização dos motoristas, já que são eles que preenchem todos os espaços das ruas com veículos mais velozes e pesados, que podem ferir e matar em um simples instante de descuido ou de agressão. E também depende da conscientização dos ciclistas, que em todos os momentos devem tratar a bike como o veículo que é e guiá-la de acordo com as regras do trânsito.

Sempre tive vontade de explicar em mais detalhes o que é que não está certo na ideia fixa dos leigos em relação às ciclovias como panaceia ou solução mágica para problemas que, como acabei de observar, têm muito mais a ver com cultura e psicologia do que com infraestrutura.

Finalmente achei um excelente texto em um blog chileno, que só tive o trabalho de traduzir.

Não concordamos com ciclovias segregadas, pelas seguintes razões:
  • Apresentam novos conflitos a cada esquina, sendo mais arriscadas até para os ciclistas experientes.
  • Pretendem eliminar as bicicletas do local aonde pertencem todos os veículos, que é dentro da via.
  • São um sinal claro de falta de vontade política para tornar as ruas mais seguras, em favor da devoção exagerada ao automóvel particular.
  • Nas ciclovias chilenas, o ciclista é obrigado a percorrer vias estreitas, sinuosas, repletas de obstáculos como árvores, postes e travessias; as pistas quase não têm manutenção; acumulam sujeira e detritos perigosos como vidro e lixo. E ainda por cima, temos de parar para ceder passagem a cada nova esquina.


  • É exatamente isso o que vi acontecer na lendária ciclovia de faz-de-conta da Av. Faria Lima, que demonstra o nível de absurdo a que se chega quando uma obra é projetada por quem não pedala. A pista, isolada dentro do canteiro central, é interrompida a cada esquina por um retorno de carros movimentado, sem haver nem uma guia rebaixada para prover a mais rudimentar acessibilidade a quem não é versado em manobras de BMX e freeride. Exige uma perigosa travessia a pé para entrar e sair em qualquer ponto. A profusão de obstáculos impede até o ciclista mais paciente de atingir uma velocidade que justifique pedalar lá dentro. A pouca sinalização que foi instalada desapareceu, depredada ou roubada, e nunca foi cuidada nem reposta. Obras novas no curso da avenida, como pontos de ônibus e uma nova estação de Metrô, eliminaram completamente a pista de bikes. Finalmente, a pista foi adotada por pedestres praticantes de exercícios e jogging; se você entrar lá com uma bicicleta, será hostilizado.

    Cenário idêntico formou-se na Avenida Sumaré, a mesma onde mais recentemente tentou-se implantar uma faixa exclusiva para motos e o resultado foi o aumento imediato dos acidentes com motos.

    O governo local passou os últimos anos falando de outra ciclovia inútil, que nem ainda foi construída: a da Marginal Pinheiros. Além de ser paralela a uma linha de trem já existente, o projeto faz mais sentido para quem percorre distâncias maiores, pois os pontos de acesso a uma ciclovia na Marginal se resumiriam às pontes sobre o rio, que distam de 2 a 5 km uma da outra. Na própria Marginal não há muitos locais de interesse direto para as bikes, exceto no lado direito do rio, que é oposto ao trajeto da ciclovia e à linha de trem. Tudo isso reduz o seu atrativo integrador de transporte. Seria talvez uma obra para faraó ver, e nem foi iniciada, de qualquer maneira.

    Na Zona Leste está sendo implantada uma ciclovia real, que novamente é paralela a uma linha de trem em vez de estabelecer um caminho novo.

    O site chileno segue comentando que o instrutor norte-americano David Smith, do site A Better Bicyclist, assistiu a uma palestra de Brian Hansen, planejador de transportes de Copenhagen, a respeito da separação física das ciclovias. Estes foram alguns de seus pontos:


  • Antes de existir a separação física em ciclovias, as viagens de bicicleta eram o dobro de hoje.
  • Devido à facilidade de obter um carro, muita gente abandonou a bicicleta e o transporte público.
  • Devido a isso, surgiram congestionamentos.
  • Para reduzir os congestionamentos, o uso do carro está sendo desestimulado, inclusive com medidas restritivas. Para promover o uso da bicicleta, construiu-se para elas uma nova infraestrutura.
  • As ciclovias não são mais seguras do que compartilhar a rua. São falsamente percebidas como sendo mais seguras. Elas também não são mais seguras que as ciclofaixas (vias para ciclistas demarcadas na rua), pois elas concentram um número maior de colisões nos cruzamentos.
  • A falsa percepção de segurança é apoiada pelo aumento no número de ciclistas. A um número maior de ciclistas na rua corresponde uma quantidade constante de acidentes de trânsito envolvendo bicicletas. Ou seja, a taxa de ciclistas acidentados diminui. Isso acontece porque os motoristas ficam mais atentos à presença das bicicletas e tomam mais cuidado ao dirigir.


  • Essa tese novamente apoia a minha convicção, que se resume a isto: é preciso antes de tudo promover uma cultura de convivência pacífica. E isso não depende de obras. Se a intenção dos planejadores urbanos com as ciclovias é desincentivar a convivência entre as bicicletas e outros veículos para "não atrapalhar os carros", é melhor mesmo que não se construa ciclovia nenhuma.

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    21 de abril - Como um post mais recente menciona, os cicloativistas de São Paulo estão em pé de guerra novamente, por causa de mais uma decisão estúpida da CET. O trecho de acostamento da Marginal Pinheiros entre as pontes Morumbi e João Dias é usado por um grande número de ciclistas de longa distância que pedalam a trabalho. Eu mesmo percorri aquele trecho algumas vezes, porque ele não tem paralela próxima; somente os morros do Morumbi e Panamby, com ladeiras e ruas sinuosas e congestionadas.
    A decisão estúpida da CET, motivada pelos congestionamentos gerados pela nova Ponte Estaiada – em si mesma uma obra estúpida – foi tentar dar mais espaço aos carros, transformando o acostamento em via normal. E que se danem as bicicletas, naturalmente!
    O pessoal da Bicicletada esteve lá para repintar a faixa, num ato de desobediência civil plenamente justificável, mas confrontou a polícia e levou a pior. Estão planejando recomeçar a iniciativa com um efetivo maior de manifestantes, tentando vencer pela pressão. Mas a coisa toda pode acabar muito mal.
    Pessoalmente, digo pela terceira vez que acho estúpida a alteração na faixa, pois ela NÃO resolve o problema do congestionamento de carros, apenas empurra a demanda de espaço para mais adiante, e ainda prejudica centenas de pessoas de bem, desestimulando-as das bicicletas e obrigando-as a gastar dinheiro com trens lotados.
    Mas a situação não levaria a um impasse dramático se a tão prometida e jamais cumprida ciclovia da Marginal – que eu mesmo nem achava tão importante assim – estivesse construída e operando. Agora ela passou a ser importante e necessária. Porque o que o poder público está fazendo nesta cidade consistentemente ignora as bicicletas – e os pedestres junto –, ou as expulsa de propósito, a fim de forçar a abertura de espaço para o carro individual, que é o causador fundamental do caos no trânsito e deveria ser francamente desincentivado, não mais protegido.
    Eis algo para ser pensado pelas pessoas que querem consertar o grande problema desta cidade, que não é fundamentalmente de infraestrutura, e sim de atitude e de valores humanos.
    E por conta da minha raiva da cegueira teimosa de alguns administradores públicos e da hipocrisia de alguns outros, este post acabou de ter acrescentado o marcador Idiotas.

    Maio de 2010 - A prefeitura inaugurou a ciclovia da Marginal Pinheiros, ainda sem pontos de entrada e saída intermediários e destinada claramente ao puro lazer e não ao transporte. A ciclovia passa por baixo da Ponte Estaiada, vizinha à Rede Globo, que por sua vez usou a ponte como cenário para uma corrida de bicicletas na novela Passione, que pega embalo na modinha atual da bicicleta entre a classe média. A ponte, como já foi comentado, é de acesso proibido para qualquer coisa além de automóveis, num flagrante desrespeito à lei estadual. Enquanto isso, cansados de esperar, cicloativistas sinalizaram por conta própria a travessia da Ponte da USP.

    2009-04-06

    2009-04-03

    Em defesa do Kraftwerk

    É um sintoma de que algo não vai bem com um veículo grande quando, além de você nem se importar em lê-lo, todas as menções que chegam sobre ele são negativas. Aconteceu isso quando o Diogo Mainardi escreveu em sua coluna um texto magnificamente enviesado sobre o show de Kraftwerk e Radiohead.

    Como um exercício de demonstrar como um insolente zé-quase-ninguém da subimprensa blogueira pode rebater o argumento de um privilegiado palpiteiro da velha mídia, me diverti em escrever uma defesa do Kraftwerk em dez minutos e jogá-la na lista de discussão onde o assunto emergiu. Pelo menos neste cantinho da Web alguma justiça se faz com os velhos alemães.

    Acompanhei seus primeiros discos. Autobahn e Radio-Activity. Em 1977, quando saiu Trans-Europe Express, eu já desistira do grupo. Tinha 15 anos. Era velho demais. Quase a idade de Mozart em 1775. Naquele tempo, o Kraftwerk evocava o futuro. Mas era uma imagem do futuro de 30 anos atrás. Ridiculamente datada. Embolorada. Caduca. Com seus uniformes aderentes, com sua imobilidade no palco, com suas letras afásicas, com seus arranjos elementares, com sua batida narcótica, com sua tecnologia rudimentar, o futurismo caipira do Kraftwerk era igual ao do seriado de TV com marionetes "Os Thunderbirds".


    Para começar, um esclarecimento: os primeiros discos da banda não são os citados. Autobahn já era o quarto creditado ao Kraftwerk. Memória ruim? Desleixo para checar fontes? Maus sinais.

    Ele reclama que som do Kraftwerk é de um futurismo caipira de antigamente. Surpresa! É exatamente isso mesmo. Já soava estranhamente retrô em sua época original, mesmo usando instrumentos modernos. Por quê? Porque na estrutura as músicas são deliberadamente conservadoras. Mas o Diogo não tinha como pescar isso com 15 anos, e até hoje não conseguiu. Nunca entendeu que a afetação do Kraftwerk é uma elaborada ironia. Não bastaria ter mais cultura, o Diogo precisaria também de senso de humor.

    O disco Autobahn, de 1974, que mostra na capa um Mercedes-Benz e um Fusca, foi composto exatamente durante a primeira grande crise do petróleo. Os europeus, que já preferiam carros menores e mais modestos que os norte-americanos, estavam com um tremendo bode de automóvel em geral. A letra da música, celebrando a viagem de carro, é uma provocação, um comentário cínico sobre o estilo de vida que a geração do pós-guerra se dedicara a construir e então parecia desmoronar. E eles ainda tiveram a cara de pau de parodiar um estilo de canção folclórica alemã (a segunda melodia) para dar à composição um tom provinciano, de uma alegria alienada.



    Durante os shows, a projeção de vídeo mostra filmes antigos de algumas Autobahnen recém-construídas, durante nada menos que o governo Hitler. Ironia sobre ironia.



    Radio-Activity/Radio-Aktivität é um álbum que mistura o conceito de radiodifusão com o de radiação. A música título é um alerta contra o mau uso da energia nuclear. A versão corrente tocada nos shows começa com um texto falado alertando contra a produção descontrolada de lixo radioativo e emenda com nomes funestos relacionados ao tema: Chernobyl, Harrisburgh, Sellafield, Hiroshima.



    Trans-Europe Express era uma rede de ferrovias de transporte de passageiros que cobria toda a Europa ocidental, mas declinou e fracassou comercialmente. Já estava quase toda desmantelada quando o Kraftwerk compôs a canção. É outro tema posto em evidência deliberadamente fora de sua época para criar ironia. A própria capa do disco é uma foto dos músicos no estilo dos anos 50. Sabendo do background histórico, que de fato não é óbvio para um brasileiro, você pode compreender o toque elegíaco, por vezes soturno, nesse hino às glórias do transporte ferroviário. As projeções nos shows do Kraftwerk mostram o TEE no seu princípio, nos anos 50. Os próprios carros dos trens tinham um estilo futurista brega e feioso, que envelhecera muito mal e reforça esteticamente o tom da música.




    Por outro lado, os sons sampleados de metal chocando-se contra metal marcaram a gênese do estilo industrial. Que eu posso chutar com razoável chance de acerto que o Diogo desconhece completamente ou odeia.

    Computerwelt/Computerworld, que o Mainardi não mencionou, é de 1981 e profetizou com impressionante precisão o atual estilo de vida baseado na Internet. O disco seguinte de 1983, que foi adiado para 1986 devido a um acidente de bicicleta de Hütter, chamaria-se "Techno Pop" e antecipava a estética de quase toda música pop que domina as rádios desde então, gostemos disso ou não. Outro disco não mencionado, The Man-Machine/Die Mensch-Maschine, especula sobre a relação cada vez mais complexa entre seres humanos e máquinas, o que só tem se confirmado desde então.



    O ponto aqui é que você não precisa gostar do som para reconhecer que ele comenta temas relevantes da sociedade atual, e que o enfoque pseudo-retro-futurista põe em xeque a confiança que temos nos nossos planos e expõe o doloroso fato de que, na verdade, não temos a mínima ideia de para onde a civilização humana está indo.

    Por fim, quatro caras que trocam a si mesmos por robôs durante a apresentação e voltam vestidos com roupas fluorescentes imitando wireframes de CG estão pedindo muito claramente para não serem levados a sério demais.




    Mas a gente viu lá no começo que o Diogo não tem senso de humor, quer que tudo seja high art, não? Então OK.

    O resto do texto lá é uma maneira patética e pobre de ostentar o relativo privilégio de ter visto o Radiohead do soundboard e ter conversado com alguns músicos, apesar de aparentemente ter detestado o show. O que previsivelmente se alinha à premissa da coluna: nada nunca pode ser bom, jamais algo merece elogios e a destruição inconsequente é a única atividade intelectual possível. Detestar tudo e falar mal sem limites dá prazer, não? Essa parece ser a derradeira conexão a um hausto definhante de vida artística de um melancólico fracassado (não o estou insultando, são as suas próprias palavras).

    Diogo fecha o texto dizendo que a sua geração perdeu-se. Não vou entrar nesse debate, a esta hora alguém por aí já escreveu algumas boas provas do contrário. Seria bom agora que tivesse a dignidade de não gorar a geração atual, para a qual as suas lamúrias têm ainda menos valor que a cadeira que tanta falta fez para descansar seu cérebro fatigado.

    Reclame à vontade com o Mimimitter

    Com a consolidação do Twitter, a próxima grande onda são os clones temáticos do Twitter. Já existe um serviço específico para mães com bebês, outro para animais de estimação, um sobre carros tunados e assim por diante. Acompanhando de perto as tendências e interesses da twittosfera brasileira, uma empresa associada ao Twitter resolveu criar um serviço semelhante, mas dedicado somente a mensagens negativas: o Mimimitter.



    Está de saco cheio do seu emprego medíocre? O dinheiro acabou e o mês não? Sendo seguido por um mala que não para de mandar Directs retrucando um assunto de ontem? Encontrou sua grande rival online e não resiste ao impulso de falar mal dela? Está no meio de uma guerra de relações públicas com um concorrente na Web? É um ativista lutando pela conscientização sobre a necessidade de proteger o trevo lilás da neve? Dispensou o namorado depois de flagrá-lo com outro homem? Seu HD pifou e levou junto toda a sua vida digital porque você é um otário que nunca faz backup? Acesse o Mimimitter e fique quites com o mundo cruel! Nunca foi tão fácil reclamar de coisas irrelevantes para gente que você nem conhece. Cada chilique, piti, bronca ou diatribe requer apenas 140 caracteres! Muito mais fácil do que montar um blog! Venha vociferar você também!

    2009-04-01

    Mostra-me teu avatar e direi-te quem és

    Bicho de estimação
    O que a pessoa quer que pensem dela: Ama os animais
    O que significa realmente: Tem problemas de relacionamento com seres humanos

    Personagem de anime ou mangá
    O que a pessoa quer que pensem dela: Exótico, alternativo, interessado em outras culturas
    O que significa realmente: Nerd

    Logo da empresa
    O que a pessoa quer que pensem dela: Veste a camisa da companhia
    O que significa realmente: Precisa logo mudar de emprego

    Fofinho
    O que a pessoa quer que pensem dela: Sensível, brincalhona
    O que significa realmente: Se for mulher, imatura e alienada; se for homem, pedófilo

    Ícone genérico
    O que a pessoa quer que pensem dela: Não tem tempo a perder procurando ícones, a palavra é o que importa
    O que significa realmente: Mala

    Foto em close fechado
    O que a pessoa quer que pensem dela: Os olhos são a janela da alma
    O que significa realmente: Gordo, possivelmente careca

    Instrumento musical
    O que a pessoa quer que pensem dela: Tem uma banda muito cool
    O que significa realmente: Desempregado

    Foto nostálgica da própria infância ou adolescência
    O que a pessoa quer que pensem dela: Bons tempos aqueles
    O que significa realmente: Não realizou nada decente desde então

    Figura popular de filme ou TV
    O que a pessoa quer que pensem dela: Identidade com as qualidades admiráveis do personagem
    O que significa realmente: Sem personalidade própria; feio demais para mostrar a cara

    Casal
    O que a pessoa quer que pensem dela: Apaixonados e inseparáveis
    O que significa realmente: Não pode nunca mais mudar esse avatar, senão o/a namorado/a surta

    Imagem referente à Apple
    O que a pessoa quer que pensem dela: Usa Mac e tem orgulho disso
    O que significa realmente: Consultor desesperado atrás de novos clientes

    Imagem incompreensível, precisa ficar explicando
    O que a pessoa quer que pensem dela: Artista, sofisticado, criativo
    O que significa realmente: Maconheiro

    Foto borrada de perfil em atitude blasé
    O que a pessoa quer que pensem dela: Original, não leva a aparência a sério
    O que significa realmente: Antipática, metida e a câmera do celular é horrível

    Bebê
    O que a pessoa quer que pensem dela: Sou bom pai/mãe
    O que significa realmente: Tem sentimento de culpa por passar menos tempo junto com os filhos do que deveria

    Auto-retrato incluindo a câmera
    O que a pessoa quer que pensem dela: Fotógrafo profissional
    O que significa realmente: Comprou uma máquina cara demais e para pagá-la precisa pegar algum frila urgente

    Toy art
    O que a pessoa quer que pensem dela: Descolex
    O que significa realmente: Consumista fútil e seguidor de hype

    Imagem pornô ou chocante
    O que a pessoa quer que pensem dela: Ousado, franco e direto
    O que significa realmente: Não saiu da infância

    Personalidade controversa do momento
    O que a pessoa quer que pensem dela: Bem informado
    O que significa realmente: Coça o saco o dia inteiro navegando pela Internet no computador do trabalho

    Muda de avatar todo dia
    O que a pessoa quer que pensem dela: "Prefiro ser essa metamorfose ambulante..."
    O que significa realmente: Esquizofrênico


    Livremente baseado num texto originalmente publicado na revista Macmania 115, de janeiro de 2004.

    Artigo selecionado pelo

    Template do Blogger

     
    1º de abril
    Os poucos que vieram aqui pela manhã não se enganaram. Tentei mesmo adaptar o design deste blog (que data de 2001 e é tecnicamente obsoleto), usando o sistema de código modular do Blogger. Peguei o layout que me interessava, mudei algumas propriedades de estilo, publiquei do jeito que estava e fui dormir. Ao voltar à edição, espanto: os principais itens da sidebar deram conflito com a interface de publicação. O Blogger reclama que o código desses adendos está com problemas de sintaxe e não permite a publicação. Voltei temporariamente ao layout velho, fazer o quê? (Se tentar de novo e não rolar, alguma boa alma me informe como migrar tudo para o Wordpress.)

    9 de abril
    Ao customizar o visual do novo blog da Verônica, Gata de Rodas, finalmente entendi o que estava fazendo de errado no meu próprio. O novo sistema do Blogger é modular, totalmente em XML, com uma sintaxe ultraprecisa. Para os códigos externos funcionarem, é preciso incluí-los como módulos de layout. Isso à primeira vista parece burocracia, mas é o contrário: facilita muito a montagem da página.

    Entendendo como funciona, finalmente migrei o meu site para o novo sistema. E não é que ficou mais rápido para carregar? Além disso, passou a ter o importantíssimo recurso dos marcadores de assunto (tags), vastas melhorias tipográficas (afinal, precisei redefinir todos os estilos de CSS do zero), comentários na mesma página do post e permalink no título.

    A redefinição da tipografia segue meus gostos pessoais, refletidos nas páginas do meu portfólio. Quem acessa do Mac OS X agora vê os textos em Optima. No Windows Vista, em Segoe UI. No Windows XP, em Tahoma. Falta definir o tipo para o Linux; sugestões são bem-vindas.

    Estrategicamente guardadas na manga estão benesses técnicas futuras que finalmente trarão o blog para o atual século. Que venham os comentários.

    11 de abril
    Mais umas mexidas no código, com o estabelecimento de um estilo para citações e a colocação de marcadores (tags) em todos os posts publicados. Agora dá para acessar de uma vez só todos os posts sobre bicicletas ou Apple, por exemplo. Falta agora migrar algumas imagens de servidor e recolocar no ar todos os meus posts "perdidos" entre 2001 e 2003. Tarefa de longo prazo.