Yoshihisa Maitani, designer e inventor que criou as câmeras fotográficas mais famosas da Olympus, faleceu em 30 de julho, aos 76 anos de idade. Designer da empresa entre 1956 e 1996, ele criou em 1959 a clássica Olympus Pen, o sistema OM de câmeras reflex e a compacta modular XA. Todas revolucionárias. Eu mesmo possuí duas câmeras da série Stylus, que incorporavam alguns dos conceitos de Maitani para compactas que influenciaram todas as demais marcas.
Há quase exatamente um ano, escrevi um artigo que comentava Maitani e sua filosofia de design:
Yoshihisa Maitani, ídolo do mundo fotográfico, sempre falou de suas criações em termos filosoficamente destacados do seu tempo e local. Seus pensamentos eram surpreendentemente pouco ligados às questões concretas da mecânica e da eletrônica.
Ele sempre concebeu a câmera como um "aparelho de memória", o que é uma definição muito flexível. Um aparelho de memória, em vez de ser um conjunto de lente e sensor, pode ser um implante cerebral que grave as imagens exatas que o olho enxerga. Talvez o futuro nos reserve algum produto assim. Entre as digitais dos dias de hoje, temos uma combinação cada vez mais integrada entre still e vídeo, e os modos automáticos são desenvolvidos para deixar o usuário desincumbido de ajustar quaisquer parâmetros de captura.
O que o sensor gera é apenas uma informação numérica da cena, um banco de dados sem substância própria. Esses dados podem ser recalculados, reformatados, massageados e maquiados de muitas maneiras... Dentro da câmera, através dos ajustes e modos criativos, ou na pós-produção, em softwares como o Photoshop. Aí se concentram hoje os maiores avanços no campo da imagem. Objetivas ou sensores inovadores só aparecem de tantos em tantos anos. Inovações no software são constantes.
A meta definitiva dos projetistas japoneses é uma câmera que faça tudo sozinha... A crença sincera dos fabricantes, concordemos ou não, é de que a câmera chegará a pensar pelo fotógrafo em todas as situações. Ao ser humano restará compor a cena e apertar o disparador.
É como se fosse uma caneta esferográfica: a gente aperta um botão para expor a ponta, apoia a caneta sobre o papel e escreve, e só.
Essa filosofia tipicamente nipônica de "complexidade interna = simplicidade externa" é tão aparente que a primeira grande criação de Maitani chamava-se, apropriadamente, Olympus Pen. Referindo-se à caneta, mesmo. Há 50 anos ele já tinha na cabeça o conceito de uma câmera tão simples de usar assim.
E o contexto de "aparelho de memória" também reaparece por trás desse nome.
Ele sempre concebeu a câmera como um "aparelho de memória", o que é uma definição muito flexível. Um aparelho de memória, em vez de ser um conjunto de lente e sensor, pode ser um implante cerebral que grave as imagens exatas que o olho enxerga. Talvez o futuro nos reserve algum produto assim. Entre as digitais dos dias de hoje, temos uma combinação cada vez mais integrada entre still e vídeo, e os modos automáticos são desenvolvidos para deixar o usuário desincumbido de ajustar quaisquer parâmetros de captura.
O que o sensor gera é apenas uma informação numérica da cena, um banco de dados sem substância própria. Esses dados podem ser recalculados, reformatados, massageados e maquiados de muitas maneiras... Dentro da câmera, através dos ajustes e modos criativos, ou na pós-produção, em softwares como o Photoshop. Aí se concentram hoje os maiores avanços no campo da imagem. Objetivas ou sensores inovadores só aparecem de tantos em tantos anos. Inovações no software são constantes.
A meta definitiva dos projetistas japoneses é uma câmera que faça tudo sozinha... A crença sincera dos fabricantes, concordemos ou não, é de que a câmera chegará a pensar pelo fotógrafo em todas as situações. Ao ser humano restará compor a cena e apertar o disparador.
É como se fosse uma caneta esferográfica: a gente aperta um botão para expor a ponta, apoia a caneta sobre o papel e escreve, e só.
Essa filosofia tipicamente nipônica de "complexidade interna = simplicidade externa" é tão aparente que a primeira grande criação de Maitani chamava-se, apropriadamente, Olympus Pen. Referindo-se à caneta, mesmo. Há 50 anos ele já tinha na cabeça o conceito de uma câmera tão simples de usar assim.
E o contexto de "aparelho de memória" também reaparece por trás desse nome.
Há apenas umas poucas semanas, a Olympus fez a comemoração dos 50 anos da Pen e pôs à venda a muito hypada e esperada E-P1, sua primeira câmera digital com o nome Pen. Também é a primeira do sistema Micro Four Thirds de lentes intercambiáveis. (Para um review detalhado da E-P1, leia aqui.)
O acabamento estético da máquina é claramente derivado da Pen F, de 1963. Compare:


Assombrosamente, a E-P1 combina com meu estilo mais pessoal de fotografia em várias coisas, particularmente na curiosa ausência de flash integrado. Eu adoraria se na PhotoImageBrazil, que rola daqui a duas semanas, o pessoal da Olympus tivesse uma delas e algumas lentes para fazer um test drive.
Para encerrar, o espetacular e digno comercial da Olympus Pen de 2009:
Lindo, não? Só que o vídeo foi denunciado como plágio pelos frequentadores do YouTube. Se foi isso mesmo que houve talvez nunca saibamos, mas o crédito foi dado pela agência - depois das reclamações. Eis a animação original que inspirou o comercial:
Fotos: Olympus


6 comentários:
"Eu adoraria se na PhotoImageBrazil (...) tivesse uma delas (...) para fazer um test drive."
Eu também, Mario, eu também.
Aliás, se/quando alguma boa alma de hong-kong lançar um adaptador para as lentes da Minolta/Sony, essa camerazinha entra, definitivamente, na minha lista de compras.
Eu sei que o pessoal que usa as lentes M da Leica já tão fazendo a festa.
Mas eu sou daqueles que acha que devia ter um flashzinho embutido.
Eu só uso flash embutido de compacta em trabalhos de fotojornalismo em emergências. Isso é muito raro. Em trabalho pessoal, não uso. Faço de tudo para aproveitar a luz ambiente. Para still de objetos, tenho iluminação contínua bem controlada.
Mas se o público em geral não entender a proposta da E-P1, logo surge uma versão revisada com o tal flash.
Sabe para que eu costumo usar o flash embutido? Para disparar o flash externo.
Acho divertido trabalhar com flash externo, de vez em quando.
Mas, como eu disse, para mim, o 'selling point' seria/será se/quando sair um adaptador pra baioneta A.
E semana que vem a gente mata a curiosidade se haverá ou não uma EP1 para brincarmos :)
Sem EP1 na PhotoImageBrazil. Aliás, sem Olympus completamente.
Fiquei desapontado.
(sem mencionar a decepção com outros stands, mas aí é outra história)
Heinar foi na abertura (terça-feira), eu vou na quinta-feira.
Olympus estava no ano passado. Estranho.
Imagino que a Canon continue com o stand mais legal.
E a Panasonic com as melhores booth babes (nerds, nerds...).
Agora que passou a PIB, diga-me:
Também se desapontou com os stands da Sony, Panasonic e total ausência da Olympus?
Fiquei muito frustrado que a Sony só tinha umas A230 para brincar e nada mais. Não tinha nem uma A900 para exposição, como pôde?!
(ela que esteve presente nos dois últimos anos em mock-up, agora que existe de verdade E é vendida oficialmente no BR, não tava lá)
E a Panasonic que ainda tinha uma FZ28 para demonstração?
Ponto negativo para essas empresas.
Gostei da Fuji mostrando aquela câmera que faz fotos em 3D e a Canon, como sempre, maior estande, com produtos para todos os gostos e interesses.
Abraço!
Postar um comentário