2009-08-06

A China tem outras ideias

Nas listas e fóruns nerds, o povo adora discutir assuntos como as brigas em torno das recentes práticas da Apple para defender seus interesses, que nada devem à Microsoft dos anos 90; gadgets caros e hypados; rumores de produtos futuros, discutidos como se fossem escalações de times de futebol. Tudo homogeneamente tedioso.

Entro num site de comércio de eletrônicos chamado CompreDaChina. O que tem para vender lá é surpreendente, porque a maioria dos produtos não é de marca "famosa". Provavelmente, o berço dos produtos mais criativos deve ser um pesadelo para a propriedade intelectual - conceito desprezado abertamente por muitos chineses, entre empreendedores e governo. O negócio deles é produzir coisas, não interessa quem seja o pai da ideia. Logo na home page do site, você encontra dois tipos diferentes de imitações de iPhone e também um aparelho com a evocativa marca VAIC.

Mas correndo totalmente por fora dos cânones do mercado estão as geringonças que eles chamam de MP10 e MP11. Sim, a absurda contagem após a sigla "MP" continua evoluindo no submundo inventivo da tecnologia pessoal. MP3 e MPEG-4 não são nada mais do que nomes para especificações técnicas de áudio e vídeo digital. MP3 quer dizer "MPEG-1 Audio Layer 3". Por sua vez, MPEG quer dizer "Moving Picture Experts Group". Mas em algum crucial momento da história, alguém encasquetou que "MP" era o nome do tocador de mídia, o hardware, e não da mídia, o software. Afinal de contas, MP poderia também ser "Music Player" ou "Media Player". Partindo dessa semântica torta, o número após "MP" aumentou conforme foram entrando funções novas - rádio FM, telefone celular, tocador de vídeo, camcorder, game, pen drive, agenda, calculadora...

O resultado: monstrinhos anônimos que concentram muito mais funções do que os "grandes" do mercado teriam coragem de reunir. Por exemplo, o EYO T800. A marca não tem nem website, mas olhe só o produto, com toda a pinta de high-tech. Telefonia nem parece ser sua principal vocação: múltiplas funções lutam desesperadamente pela supremacia sobre o design geral do aparelho.



Ele traz tudo o que está listado acima, mais o seguinte: duas câmeras digitais de 5 Mpx (não me pergunte), uma delas com objetiva zoom e flash; slots para dois chips de celular (SIM cards) simultâneos; videogame emulador de NES; áudio 3D (novamente, não me pergunte); gravador de voz; Internet com navegação WAP e conexão GPRS; touchscreen (mesmo já sendo lotado de botões); receptor de TV digital. Tudo isso encapsulado num gadget que lembra mais ou menos um produto da Panasonic depois de fumar uma pedra. A face anterior com cara de telefone tem mais botões que uma cabine de avião. A face traseira com cara de câmera é quase atraente, apesar da aparência aleatória dos detalhes.

Preço: apenas R$ 299,90. Alguém vai comprar. Muita gente, de fato. Mas você não vai ver um review dele na revista Stuff. Afinal, ele não tem o logo da Samsung, Sony ou Panasonic. E quem lê a Stuff não compra o EYO T800. Existe uma divisão de classes real dentro do mundo digital.

O mundo está destinado ser a cada vez mais populado por aparelhos Frankesteins, em detrimento dos gadgets luxuosos e clean de grifes famosas, apoiados por campanhas de marketing pervasivas, feitos mais para ostentação do que para uso e que parecem comprados em joalherias. Nada contra tanta beleza, mas de vez em quando um dos Frankensteins humilhará, com sua funcionalidade algo inocente em sua vibrante esquizofrenia, as listas de recursos propositalmente restritas dos aparelhos de "primeira linha" com seus ciclos de obsolescência planejados. Está aí de exemplo o iPhone: levou três anos para suportar o simplório padrão de mensagens MMS.

Pode ser até que os atrevidos chineses obriguem os caras convencidos do "big business" a colocar um gás extra em seus produtos.

29 comentários:

  1. O grande problema com esses aparelhos é que eles prometem muito e o pouco que cumprem, fazem porcamente.
    Já mexi em vários desses aparelhos e os problemas são vários.
    Desde cameras VGA que interpolam pra 2 ou 3MP, touchscreen pouco sensível que você precisa quase marretar a tela pra que ela reconheça o toque e principalmente, uma interface horrível.
    Usar um aparelho desses é um tormento. O que é uma pena, visto que o hardware dele não é tão ruim se for considerado o preço. Mas pelo conjunto, prefiro um celular básico "de marca" que custe o mesmo mas não cause tanta dor de cabeça.

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  2. O preço é o que atrai o povão pra esse tipo de aparelho, somado à estranha ignorância dos fabricantes grandes em criar celulares que aceitem dois sim cards. já falei de um 'hiphone' no zumo (com vídeo no youtube) e os defensores da porcaria surgiram em número maior que os críticos: é barato, se perder compro outro, tem 2 "chips"... não importa que seja low tech em comunicação (GPRS, me poupe...), o que vale é ser cheio de "MP"s ;)

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  3. O Heinar postou uma excelente resenha do HiPhone, o clone de iPhone mais popular, aqui:

    http://www.geek.com.br/blogs/832697634/posts/10087-o-iphone-de-300-pilas

    Eu tive oportunidade de usar o aparelho dele antes que quebrasse. Tudo nele é constrangedoramente tosco.

    Mas nos comentários tem MUITA gente defendendo. A questão virou uma verdadeira luta de classes, os "ricos" com o iPhone verdadeiro e os "pobres mas espertos" com as cópias vagabundas. Eu apoiaria os segundos se eles não achassem que tudo bem usar um clone idêntico do aparelho cujos proprietários eles abominam. O "pobre esperto" para mim é um frustrado se justificando, nem que tenha que apelar para uma hipocrisiazinha básica.

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  4. doicheman7/8/09 03:38

    Fantástico esse post vir logo após o post do maitani, isso sim.

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  5. Foi de caso pensado...

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  6. Aleshamder7/8/09 13:57

    o Felipe ja disse tudo no primeiro post,se todas as funcionalidades fossem reais, certeza que nao seria tao barato. esse tipo de produto nunca vai ameacar ninguem.

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  7. O que não contradiz minha conclusão inicial, de que iremos ter de nos acostumar com a concorrência crescente dos xinglings pouco confiáveis, sem possibilidade de controle das falsificações. O mercado para tranqueiras cresce depressa mais que o mercado para os produtos premium.

    Celular com múltiplos chips SIM, por exemplo, é prioridade na periferia da cidade, onde não existe conceito de fidelidade de cliente à operadora de telefonia. Muita gente da chamada classe C, a título de aproveitar as promoções, já usa pelo menos dois celulares baratos com linhas pré-pagas de operadoras diferentes. Agora, é só aparecer nos camelôs um telefone xing-ling com suporte a múltiplos chips que não quebre em uma semana e custe menos ainda que o Motorola pé-de-boi. Mera questão de tempo.

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  8. Eu já testei vários desses, e muitos colegas já compraram (e se desfizeram depois). Na teoria é uma beleza, tudo e mais um pouco por menos de R$300. Mas na prática não funciona direito e estraga rápido. A questão de quebrar se resolve facilmente com um controle de qualidade melhor, o que encareceria um pouco o produto. O principal problema é a parte do software, que é muito gambiarra. Quando aparecer um MPx com Android, ai o bicho pega.

    O recurso de dual-chip seria ótimo pra mim, mas da última vez que chequei, só havia um modelo disponível oficialmente, da Samsung. Infelizmente o consumidor não é o principal cliente dos fabricantes, e sim as operadoras, isso explica a resistência a essa funcionalidade.

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  9. Matou a charada. Os clientes das grandes marcas não são os consumidores, e sim as operadoras. Exceto a Apple, cujo único cliente verdadeiro é si mesma, causando choro e revolta entre consumidores E operadoras também.

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  10. Quando eu era criança, sempre que surgia uma discussão do tipo:

    - meu pai tem um carro
    - o meu tem dois
    - então o meu tem três...

    ad infinitum, sempre vencia quem terminava por dizer:

    - o meu tem todos os que o teu + 1

    é isso que me lembro quando vejo MP5, 6 ,7 ...11.

    além do que, todo mundo sabe. o maior atrativo desse celular aí é a foto da japinha peituda :-)

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  11. Esse post já está desatualizado. Meu colega da mesa ao lado apareceu hoje com um MP12 !!!!!

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  12. Mario, o povo do Baixaki fez um review justamente do aparelho da imagem que ilusta teu post. Eles encontraram o dito com o nome de "VAIC T800". Resumindo: não vale o peso em metal. http://bit.ly/76k0D

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  13. -
    Bão. Penso que a China está passando pelo mesmo estágio de desenvolvimento industrial que ocorreu no Japão, pós 2a guerra. Nos anos 50 e 60 os produtos made in JP eram motivos de piada, sinônimos de marca barbante. Hoje...

    É surpreendente a capacidade que a China possui para piratear/falsificar tudo que é produzido no ocidente. Tudo.
    O que vc imaginar, qualquer coisa, há um similar sendo fabricado na China a custos baixíssimos e em altíssima escala. Os superlativos procedem.

    Para nós, terceiro-mundanos (valeu, Zé Geraldo -> http://migre.me/4T6G ), é exportado apenas o pior do pior.
    Andei por NY, Londres e Paris e vi, no início da noite, camelôs nas ruas vendendo produtos muito bem acabados e funcionais. Clones idênticos dos produtos griffados e que não deixam nada a dever às matrizes.

    Eu, particularmente, apoio toda a forma de pirataria e/ou falsificação.

    Entendo como uma forma de democratizar o acesso, pelas massas, aos bens culturais, intelectuais, artísticos, industriais.

    Podería exemplificar com a pirataria governamental exercida sobre a indústria farmacêutica. Nesse caso o eufemismo usado seria o de "quebra de patente" e todo mundo concorda com essa atitude.
    Afinal os diabólicos conglomerados farmacêuticos tem mais é que se ferrarem, por venderem medicamentos tão caros e tão cheios de contra-indicações e de efeitos colaterais. Bléééh... Vejo um padrão hipócrita nisso tudo.

    O fato é que o comunismo chinês triunfou onde o comunismo soviético falhou. Consegue suprir as demandas de bens de consumo ao próprio povo e exporta o excedente ao ocidente sedento de gadgets inúteis, em função de nossa filosofia consumista irrefreável.


    Antes que digam que o consumidor está sendo prejudicado ao adquirir um produto de má qualidade, refuto afirmando que ninguém é inocente. Para que um conto do vigário dê certo, é necessário que hajam dois vigaristas, um em cada ponta.

    No mais, sou habituée da Pagé e do Promocenter desde sempre.
    Já comprei eletrônicos piratas aos montes. Dvds de filmes-shows-séries, nem se fala.

    Para quem não sabe, é praxe dos vendedores desses dois locais oferecerem garantia do que vendem. Em um simples cartão comercial é rascunhado no verso o nome do produto, a data de aquisição e a rubrica do vendedor.

    Nas poucas vezes em que os produtos que adquiri estavam danificados ou não cumpriam as funções prometidas bastou levar o equipto ou mesmo o dvd em questão mais o cartão que a peça era prontamente trocada sem questionamentos ou burocracias. Nada de mandar ao conserto.

    Uma agilidade e prontidão que nunca tive nas grandes lojas físicas ou online. Reclamar de um produto adquirido na submarino, por exemplo, é um aborrecimento imenso.

    Curioso é constatar que produtos adquiridos de vendedores chineses ou árabes são trocados prontamente com um sorriso no rosto do vendedor.
    Já aqueles que são comprados de nossos queridos e amáveis conterrâneos, são uma merda pra trocar. Há uma explícita má vontade.

    Conclusão: Viva a pirataria. (e só compre de árabes ou chineses)

    Alê
    -

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  14. -
    Ei, Mário! Vc acredita que a fidelidade às maravilhosas operadoras de telefonia deveria ser obrigatória, face à reciprocidade de tão bons serviços que elas se esforçam gentilmente em nos oferecer?

    E mais; vc crê que essa desalmada infidelidade dos ingratos usuários é coisa apenas de gente pobre?

    Alê
    -

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  15. Alguns pontos do seu raciocínio têm um simplismo que, se for aplicado a toda a sua extensão lógica, resulta perigoso. Não afirmo que seja o seu caso, mas um povo metido a moderno que circula pelos websites topa todo tipo de posição radical - desde que ela não afete a si mesmos.

    A sua filosofia do quebrou-trocou contradiz a crítica ao consumismo feita apenas algumas linhas acima. Escolha uma das opiniões, não dá para ficar com as duas juntas. O nosso mundo poluído pelo desperdício precisa de mais gadgets quebrados ou preteridos por mero modismo? Está mesmo correto mudar de celular a cada seis meses? Está certo mandar para um monte de lixo um aparelho com defeito de fabricação, sem possibilidade de conserto?

    O produto deve funcionar bem e também durar o período previsto de vida útil. E ser reciclado no final. Quem respeita essa regra de bom senso?

    Sobre o problema da cópia indevida, esqueça por um momento o papo tangencial sobre corporações malvadas e coloque-se pessoalmente, como inventor de ideias audiovisuais, nas situações que descreve.

    Proteção à propriedade intelectual é um pepino, mas removê-la totalmente e não colocar nada no lugar também não dá. Resulta no tipo de fracasso de qualidade que tornou o HiPhone uma piada de mau gosto.

    Se eu escrever um livro ou pintar um quadro, quero que esse material se pague. Não posso sair do processo criativo materialmente mais pobre do que entrei, nem posso trabalhar movido a esperanças de ganhos futuros (a tática preferida dos recrutadores de agências). Se trabalhar por promessas, não terei recursos para encarar meu próximo projeto. Isso não vai mudar para meu sobrinho-bisneto daqui a 80 anos. Cadê a pessoa criativa que vive de sua criação e defenda até a última consequência que encampem e enriqueçam à custa do seu trabalho, enquanto ela emprega tempo e recursos preciosos tentando resolver seus problemas banais de financiamento?

    A maioria do que está postado neste site é na licença Creative Commons, que tem a seguinte condição: passe adiante, altere e remixe, desde que mantenha identificada a origem. Pois bem: esta semana, um remix de uma charge minha publicada no regime Creative Commons apareceu no blog do Reinaldo Azevedo. Ele mesmo não tinha ideia de onde a imagem veio, apenas que estava circulando como email. O autor do remix quebrou o termo da licença.

    Na economia digital futura, goste-se disso ou não, essa situação tenderá a deixar de existir entre pessoas leigas, porque o anonimato na rede ficará apenas para os hackers.

    Todas as dezenas de sites estrangeiros que reproduziram um outro trabalho meu (Mashup Logos) indicaram a autoria com toda a naturalidade. Sites turcos, alemães, espanhóis, indonésios, italianos, russos, japoneses, norte-americanos e, sim, chineses. Sem exceção. E os brasileiros? Alguns deles não.

    Manter o crédito é tecnicamente simples e algo óbvio de ser feito para todo mundo ao redor do mundo que já teve contato com um trabalho meu - mas não foi para dois ou três indivíduos no Brasil.

    Odeio o clichê pessimista de que "o pior do Brasil são os brasileiros", mas há SIM uma diferença visível de atitude na nossa Web, e ninguém interessado no progresso social deve ser tolerante com isso. A omissão deve ser sempre interpretada como sinal de má intenção e combatida nesses termos. Ignorância inocente também existe, mas expressa-se de outras maneiras. Reinaldo Azevedo reclamou, com razão, que não sabia de onde vinha aquele Lula sem barba (trabalho meu) e bigodudo (trabalho do ilustre anônimo).

    Resumindo: o que queremos é isso, viver o restante deste século como "a China que não deu certo"? Porque é isso que somos hoje. Cheios de jeitinho e malandragem e irreverência, tanto quanto os chineses, mas parasitando-nos uns aos outros.

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  16. -
    Ok, Mário. Vamos lá, então.

    Antes a minha defensiva:

    Sou novo em discussões por aqui e não quero ser rotulado como troll de imediato. Mas não resisto a lançar algumas provocações.

    Concordar com tudo o que é escrito por algum articulista é banal e chato. Mesmo que eu concorde ipsis literis com o que o blogueiro escreve, se eu não puder contra-argumentar, fazendo o advogado do diabo, meu interesse em participar do debate esmorece.

    Se me atrevo a fazer isso por aqui é por intuir que vc tb aprecia esse tipo de atitude. Sabemos ambos que o contrário ajuda a refletir e fortalecer a nossa posição. Caso eu esteja enganado a seu respeito, basta informar. Paro imediatamente de te aporrinhar.

    No problem & No stress.

    O que vc propõem neste post (é a minha leitura) é um debate atual, interessante e imenso que já pegou fogo em outros sítios.
    Polêmica atual, porque ainda não há uma (re)solução definitiva, interessante porque afeta a todos nós e imensa pq as variáveis e desdobramentos são múltiplos.

    Sou prolixo e se eu não me policiar acabo me tornando (mais) chato. No meu comentário acima, tive que me espremer para não desenvolver todo o racíocinio por trás de cada parágrafo, daí o simplismo alegado.
    Parto do príncipio que a maioria de seus leitores são adultos bem (in)formados com capacidade de ler entrelinhas e refletir sobre elas.

    Reafirmo: cada um dos meus parágrafos postados acima são autônomos e comportam um desenvolvimento bem mais amplo do tema.

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  17. Agora, o ataque:

    Não sou radical nem muderrnu.
    Apenas vejo as coisas como elas são, sem peneirar a luz. Claro que estando na posição de comentarista não tenho compromissos e posso escrever o que bem entender.
    Vc enqto formador de opinião precisa se ater às suas responsabilidades e evitar escrever/defender algo que possa te prejudicar no futuro. É natural, compreensível e razoável.

    Em sua leitura, vc entendeu que sou adepto do quebrou-trocou e insinuou sutilmente que atiro pilhas e baterias usadas em represas. Não sou e não faço.

    Pelo contrário. Piloto equiptos obsoletos extraindo o máximo deles. Troco peças, atualizo firmwares. Chupo a laranja, como o bagaço e ainda faço doce com a casca. Isso vale para equiptos fotográficos (minha área), computadores (meu entretenimento) e qualquer outro eletro-eletrônico.
    Meus eletrodomésticos são bem velhinhos, diga-se. E, qdo necessito de algo ou me desfaço, sempre dou uma passada antes no Mercado Livre, onde compro/vendo desde 2002.

    ---

    Na prática a teoria é outra. As contradições entre crenças e atitudes acontecem a todo momento e com todos nós. Posso, inclusive, apontar algumas contradições que vc cometeu na tréplica acima.

    Sou crítico do consumismo porque acredito tratar-se de elemento importante, quase fundamental, na piora de nossa qualidade de vida.
    A maioria, senão a totalidade, dos problemas que os paulistanos sofrem (trânsito, violência, poluição, valores familiares, individualismo), advém desse way-of-life escroto que valoriza em demasia o hedonismo e que apregoa consumo=felicidade.

    Mas... o consumismo existe, está aí, como negá-lo?
    Vou proibir a ida de meus filhos adolescentes ao shopping, junto com os amigos?
    Bom, já fiz isso a alguns anos, qdo desisti de SP e mudei-me para uma pequena comunidade paradísiaca no Nordeste. Morei com minha família (pai-mãe-04 filhos) cinco anos nesse lugar que é belíssimo e tb paupérrimo. Acabei derrotado pela extrema carência local. Esperneei, mas não teve jeito. Tive que voltar a esse inferno.

    E vc, como se defenderia se eu o acusasse de apologista do consumismo após ler seu post mais recente, onde fica claro o endosso a um sonho de consumo (apple tablet)?
    Pois é. Por mais que detestemos a besta, temos que conviver com ela.

    Ah! Meu primeiro(!) celuca adquiri em nov/2006. Continuo com ele. E digito esse texto no meu lap, adquirido em jul/2005 e que deve durar um bom tempo ainda.

    Os eletrônicos piratas a que me referi no comentário anterior foram/são adquiridos para o uso de terceiros, uma vez que conheço bem as bocas de importabando e sempre me pedem algo pois vou com frequencia a estes lugares atrás de dvds. Dvds piratas que compro para o meu desfrute sem remorso algum.

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  18. ---

    Fiz o que vc recomendou. Imaginei-me na situação de um designer da Sony.
    Não me comoveu. O sujeito é pago pelo trabalho dele e entrega o produto concebido ao cliente que o distribui da maneira que quiser.
    Se o treco dá certo e é copiado mundo afora, ponto pra esse designer.
    Tornou-se um fornecedor conceituadíssimo. Vai dar palestras, escrever livros, aparecer em documentários e no who's who do ano e da década, abrir uma ong, o caraia4.

    No próximo job ele vai cobrar os olhos da cara, mudar-se para o Caribe e ficar 10 anos de papo pro ar.

    Falando nisso e já que vc tocou no assunto dos logo mashups, não seria o caso de vc creditar a autoria de todos os logos originais?

    ---

    O termo (que considero detestável) Propriedade intelectual é uma contradição em termos. Parece até um koan.
    Se temos uma idéia e não a divulgamos ela é inútil e morre conosco sem ninguém saber da existência dela e se a divulgamos perdemos o controle (e a propriedade) sobre ela.

    Toda idéia que cai no mundo, sofre releituras e, quem sabe, se torna patrimônio da humanidade melhorando (ou piorando) de alguma maneira a vida de todos nós.

    Idéias originais não existem. Todas são derivadas. Todas.



    Que tal levarmos isso a sério e começarmos todos a pagar royalties à quem de direito?

    Os músicos, sempre tão afetados pelos downloads ilegais, teriam que recolher alguma coisa à Ordem de São Benedito, já que foram os beneditinos que inventaram a notação musical.

    Nós todos teríamos que pagar royalties à confederação dos países árabes pela invenção dos numerais e aos Libaneses pelo direito de uso ao alfabeto.

    Minha sugestão é boa? Viável? Claro que não.

    Cabe ao autor de uma idéia divulgá-la e colher o prestígio de tê-la concebido. E já tá de bom tamanho.

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  19. ---

    "Se eu escrever um livro ou pintar um quadro, quero que esse material se pague".
    É justo.
    Espero que vc consiga algum mecenas que te patrocine. Tb espero que após vc receber a paga pelo seu trabalho vc não queira continuar usufruindo benesses financeiras, até a sua morte, de uma obra pronta, acabada e entregue.
    Crie outra obra, cobre mais caro e bola pra frente.

    Discorda? Pois bem. Arquitetos se consideram artistas plásticos. Já pensou se eles (os arquitetos) recebessem, dos proprietários dos imóveis, pelo resto da vida pelos seus projetos?

    Vc pode me questionar: Ah! Mas e a Produção cultural? E a produção Intelectual? Hein? Hein?

    Bão. Que tal se implementassem uma lei que obrigasse ex-alunos a destinar uma parcela do seu salário a um fundo em benefício de todos os professores que o ex-aluno teve na vida?
    Todos, desde o primário.
    Se o ex-aluno prosperasse na carreira os professores (os verdadeiros responsáveis pelo sucesso do ex-aluno) receberiam uma bolada mensalmente (imagina a alegria dos ex-professores do Bill Gates). No que que um escritor bestseller é melhor intelectual e culturalmente que um professor famoso de cursinho?
    Se formos levar a questão a ferro-e-fogo, após cada texto redigido ou a cada cálculo feito deveríamos citar todos os nossos professores de
    português/matemática.

    Absurda estas propostas? Pra mim, é. Mas há quem ache que não.

    Times de futebol, por exemplo, acham válida essa linha de raciocínio. Até onde eu sei (e sei pouco) os times recebem royalties sobre o passe de seus jogadores até o fim da vida útil deles (os jogadores). Não sei os detalhes, mas sei que a cada vez que um jogador é revendido, os outros times que tiveram a posse do passe, recebem uma grana.

    Talvez vc não possa sair de um processo criativo mais pobre do que entrou. Isso é com vc. Mas há gente que banca essa aposta.
    Quem tem uma necessidade incontrolável de se expor ao mundo, não está, necessariamente, pensando em grana.
    Marx, Van Gogh, Camões, Rembrandt...a relação de músicos, escritores, atores, pintores talentosos e prestigiados que viveram e morreram na miséria é imensa.

    Não souberam ou não quiseram transformar seu prestígio em dinheiro. Esse assunto remete àquele sobre bancos de imagens, discutido em outra postagem sua.

    Mas aí, eu te pergunto: Vc acredita que a melhor forma de reconhecimento de um trabalho artístico/intectual/cultural bem feito se traduz apenas em dinheiro?

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  20. ---

    Sou plenamente favorável ao conceito Creative Commons. Não custa nada dar o crédito a quem dispendeu seu tempo gratuitamente para produzir uma obra. Na verdade, ao creditar o autor estamos pagando pelo uso que fazemos do material, afamando o autor e possibilitando a ele usar desse reconhecimento da maneira que lhe aprouver. O Reinaldo Azevedo falhou se ao usar uma imagem sem crédito não informou, no rodapé do texto (ou do site), que autores desconhecidos seriam creditados caso aparecessem e comprovassem a autoria (autoria é outro tema espinhoso).

    Não acompanhei essa estória, não sei se o Reinaldo A. respeita a CC ou se te creditou. Apenas vi a imagem rapidamente.

    Mas fico pensando como tudo é confuso. Vc usou (imagino que sem autorização do(s) fotógrafo(s) e dos personagens retratados), a imagem de duas pessoas públicas para fazer graça/expor seu ponto de vista. A paga foi a promoção de seu talento, o riso de seus leitores e o embandeiramento de sua opinião.

    Outra pessoa usou dessa imagem e acrescentou o bigode sarneyano, com o mesmo intuito seu (graça-opinião).


    Vamos lembrar aqui, que alguém (quem?) fotografou a cara de um, o focinho de outro e o bigode do terceiro. Esse(s) fotógrafo(s) não mereciam ser creditados, tb?
    Vc colocou algum tipo de apelo, ao divulgar sua montagem, solicitando que o(s) autor(es) das duas fotos se apresentassem para os devidos créditos? Ligou para o comitê de campanha e buscou a informação e tb a autorização?

    Afinal, de quem é a imagem que está no site do Reinaldo Azevedo? De quem é a autoria final? Eu digo que não tem dono. É da sociedade, na medida em que a imagem expressa a opinião de uma parcela social expressiva.

    Em outras palavras: Perdeu preibói!

    ---

    Anonimato apenas para hackers? Sou meio cético quanto a isso. A se ver...




    Alê

    PS. A discussão saiu da proposta original do post. Continuamos?

    PpS. Fui copiar um trecho do seu texto para colar e comentar aqui. Não copiou. Dei um jeito e consegui, mas não gostei do resultado e desisti de usar. Acha mesmo que vale a pena usar desse tipo de... hum... "proteção" ?
    -

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  21. Ale, há um monte de boas ideias aí, mas desculpe, essa forma não funciona comigo. Em fóruns e listas, é arriscado despejar 12 mil caracteres (sim, contei) de tese off-topic. Tempo e atenção são limitados. Eu mesmo pulei pedaços.

    Depois, é rígida demais essa interpretação do que escrevi. Não me levo tão a sério, isto não é uma arena de combate e não há reputações a defender. O ônus de desfazer mal-entendidos é seu, mas não preciso "provar" nada.

    Responsabilidade sobre o que se escreve, todo mundo a tem, mas é no mesmo nível. Não aceito divisões artificiais, pesos e medidas diferentes na Internet. Blogger, Twitter estão ao alcance de qualuer um que sabe digitar. Filtrar o que presta é nossa tarefa de leitor.

    O erro mais importante na sua teoria é o "vê as coisas como ela são". No mundo real isso não existe, apenas aproximações com variados graus de subjetividade.

    Aliás, em algum lugar do seu texto aparece a palavra "koan". Já tem o seu?

    Designer não é o mesmo que artista.

    Achar que estou endossando o sonho de consumo por um produto imaginário, somente por comentar possibilidades de design... Ridículo. É como confundir um carro com a estrada.

    Leia meu post original sobre o Lula sem Barba, onde explico que a foto do candidato é do comitê de campanha de 2002. A comunicação da campanha foi trabalho de Duda Mendonça (DM9), fato muito divulgado na época.

    Por fim, aqui não é realmente o lugar para discutir o sexo do bigode do Sarney. Voltemos aos gadgets chinas.

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  22. -
    Yeap! Sua casa, suas regras.

    ---

    Sabia que a horizontalização da indústria chinesa atinge inclusive os rótulos dos produtos distribuídos?

    Ou seja; um chinês empreendedor pode montar determinado equipto comprando de diversos fornecedores os componentes necessários, usando apenas critérios pessoais para selecionar a qualidade desses mesmos componentes. A coisa chega ao nível do envólucro e da "marca" que vai encapsular a tranqueira.

    Por isso que ninguém se dispõem a fazer um review sério desses equiptos. Pois uma mesma "marca" e "modelo" pode conter componentes totalmente diferentes. Basear-se na qualidade geral dos made in china, apenas por conta de alguns produtos é um grande equívoco.

    Na Pagé e correlatas a coisa funciona assim; vc esquece da "marca" e pergunta ao vendedor se o troço é de 1a, de 2a ou de 3a linha.

    Se for um vendedor gringo, ele vai te indicar o melhor produto com uma boa dose de sinceridade. Se for vendedor brasileiro, ele vai te empurrar a coisa mais tôsca que ele tiver, pelo preço mais alto que ele conseguir.

    Alê
    -

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  23. Não são minhas regras, são regras gerais de bons sites.

    Quanto ao negócio com os gringos, é isso mesmo. Os chinas tendem a pedir de cara o mínimo valor possível para pular a etapa da pechincha e fisgar o cliente instaneamente, pois já estão cercados de outras lojas com o mesmo produto e não podem perder um instante em negociação.

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  24. Mais por curiosidade...
    Na loucura adquirí um destes, um Hiphone V800i (rs), é considerada a versão mais parruda dentre tais gadgets "xing lings".
    Possui TV, 2 Chips, Wifi e o escambau. O mais fantástico é que ele tem o mesmo tamanho, peso de um Iphone (possuo um) e até o logotipo da maçã atrás.
    Assustei com a velocidade, possui até cover flow, a única coisa que é estranha é o sistema de aumentar fotos, já que ele não reconhece multitouch e você faz apenas com 1 dedo (rs). A navegação em páginas segue o touch, até que é bem rápida.
    A tela, sim, é vagabunda, acho que uma queda e já era.

    Agora o que assusta...consegui instalar o Android da Google nele, funciona, capado (sem tv e shake control devido as deficiências do SO) de maneira estupidamente lisa.

    Não sei, mas estes celulares "multi-tudo" tem a cara do povo mesmo. Um dia destes ví uns office boys na fila do banco vendo TV naqueles Fostons de 199...enquanto o aparelho de primeira que tem TV é o Scarlett (acho eu) da LG que custa R$600,00.

    Seriam estes celulares fazem tudo, a cada do povão brasileiro? Tanto na vontade de ter tudo em um, e também no preço camarada?

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  25. Infelizmente tenho que discordar da maioria, pois comprei esse "infeliz" e não posso reclamar, tem me atendido bem (porcamente é exagero da concorrência).
    A camera não é 5mpx é 2mpx, o 9.0m estampado nele é na verdade a distância que o zoom alcança.
    O som deixa qualquer mpx no chinelo;
    As fotos têm qualidade compatível com os 2mpx, a filmagem não deixa muito a desejar. Mas o que conta mesmo é o fato de usar 2 chips (diferentes ou da mesma operadora, tanto faz) e a TV (pelo menos na minha cidade) pega EXCELENTE.
    Comprei pelo player de mp3 e pelos 2 chips, não espera muita coisa porque sempre acreditei em pontos de vistas como esses, mas me enganei, fui feliz na escolha. Aquela velha estória de que o povo tem razão, é estória mesmo.
    O site cumpre o que promete - propaganda de graça.

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  26. Já nos falamos sobre MP(n+1) no Twitter, mas essa foi do caralho! Belíssimo texto. Review dos Reviews, Mário. Abs

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  27. Valeu pelos elogios! O melhor de tudo é que no final eu dizia que os Frankensteins eletrônicos obrigariam as marcas famosas a se mexerem. Nem me lembrava mais disso quando profecia começou a se cumprir: temos agora uma geração do iPod Nano com rádio FM e câmera de vídeo. E a inclusão desses recursos foi exatamente porque todo concorrente chinês vagabundo sem marca já os tinha.

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  28. A beleza do mundo é que cada um tem uma opinião, ninguém é idêntico, somos parecidos, graças a Deus!!! Mas o mal começa quando queremos impor aos outros aquilo que acreditamos, aí entra o tal do poder, e vivemos até hoje na tal da escravidão. Por isso sou a favor da pirataria, é uma forma de burlar esse poder.

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