2009-07-07

Sempre fui cyberpunk


Uso óculos escuros espelhados, até em lugares fechados. Visto um sobretudo Chesterfield de lã. Trabalho numa sala abarrotada de computadores vintage, com iluminação no chão. Não me amoldo aos padrões de consumo e de estilo de vida promovidos pela mídia de massa. Acredito na fantasia utópica de indivíduos digitalmente conectados subvertendo o sistema mediante aplicação criativa da tecnologia. Não adianta. Por datado e ingênuo que isso tudo possa soar... não tem jeito: lá no fundo, ainda sou um cyberpunk: High Tech + Low Life.

A coisa mais cyberpunk que o público leigo conhece é a série de filmes "Matrix". Especialmente o primeiro. Intrigado pela premissa no trailer, repeti-o até furar o HD. Vi a película no cinema, fiz vista grossa às falhas, adorei ilimitadamente o que vi e, mesmo gostando bem menos das continuações, comprei tudo em DVD, mais o Animatrix. Meu screensaver no Mac, o Red Pill, era uma simulação esplendorosa do efeito de caracteres caindo, naquele visual verde-sobre-preto que citava diretamente os monitores de DOS do meu tempo de fuçador.


Por fim, em 2003, escrevi para a revista Herói da Conrad um ensaio onde pescava todos os ganchos filosóficos de "Matrix" que consegui identificar com a filosofia Zen-Budista:


Alguém melhor equipado de audácia fez algo parecido na forma de livro e deve ter ganhado quase tanto dinheiro quanto os múltiplos charlatães que pegaram carona em "O Código Da Vinci", anos depois.

Mas cyberpunk não é "Matrix" especificamente, nem tampouco o magnífico precursor "Blade Runner", nem os outros filmes baseados em livros de Philip K. Dick (como "Minority Report" e "O Homem Duplo"). Este era um escritor à frente do seu tempo, que tocou em vários temas caros aos cyberpunks. Mas não pertencia à mesma turma de Bruce Sterling, William Gibson, Rudy Rucker; uma geração mais jovem, que criou para si mesma o rótulo cyberpunk para indicar que pretendia revolucionar a ficção, e teve a empáfia de declarar-se como Movimento literário, com M maiúsculo, na seminal coletânea de contos "Mirrorshades", compilada por Sterling em 1986-88.

Se o cyberpunk tinha o potencial para ser tão poderoso como literatura, por que ele só rendeu filmes medíocres, enquanto os reais pilares do gênero no cinema ("Blade Runner" e "Matrix") vieram de fora do Movimento?


Quando era garoto, vi "Blade Runner" em VHS, fiquei fascinado e me deprimi ao constatar a ausência de qualquer outra coisa similar no mainstream cultural. Parecia-me que "Blade Runner" era a única obra que tocava de forma até poética em vários assuntos centrais e assustadores da sociedade tecnológica, especialmente a inevitável dificuldade de qualificar existencialmente um ser humano total ou parcialmente artificial. Queria mergulhar no tema, mas não sabia por onde.


"Tron", que é da mesma época de "Blade Runner", poderia ser rotulado como cyberpunk? Lá estavam todos os ingredientes: ciberespaço, corporação do mal, inteligência artificial descontrolada, um hacker humano que salva o dia. A trilha sonora de Wendy Carlos, pioneira dos sintetizadores, era tão inovadora quanto o visual em CG. Mas a linguagem é a de uma "aventura para toda a família"; o filme servia como propaganda para videogames; e foi produzido pela Disney. Na trave!


"Hackers" é um filme cyberpunk? Novamente, todos os temas estão ali; há até mesmo o tal ciberespaço e adolescentes domando corporações do mal com modems e Macintoshes. Mas a única razão para rever esse filme após tanto tempo é conferir a beleza estalando de nova de Angelina, a filha de Marcheline. Todo o resto envelheceu muito mal.


"Matrix" poderia ser o filme cyberpunk perfeito, mas peca pelas concessões vagabundas à linguagem dos roteiros de quadrinhos de super-heróis. De fato, seus autores não eram escritores cyberpunks, mas roteiristas de quadrinhos de super-heróis.

O cyberpunk autêntico é um mundo distópico, onde a tecnologia criou novos problemas sociais em vez de resolvê-los. O herói solitário que se vira por entre as brechas do sistema não é um simples fora-da-lei. Ele tem o espírito dos detetives da ficção noir. Ele se guia pela ética dos hackers – de quando essa palavra, hacker, significava expert na subcultura da informática e não um bandido pirata de dados.

Na literatura cyberpunk, o futuro não é distante, não há aliens invasores, não acontecem guerras entre mundos, inexistem buracos no espaço-tempo nem a matéria-prima da ficção científica mainstream que muita gente mais nova acha circense e caricata, cafona, às vezes inconscientemente retrô, até um pouco repulsiva. A ficção científica tradicional dá espaço (sem trocadilho) à discussão dos problemas humanos usando ambientes alegóricos de civilizações seguramente afastadas e em outras épocas, frequentemente em tons épicos. Para o mesmo fim, a frenética e fragmentada narrativa cyberpunk tem um ponto de vista oposto: é individualista e autorreferente, com personagens inquietos em permanente busca da redefinição da sua identidade pessoal. Traços marcantes também na cultura internética que surgiu no seu rastro.

Em "Snow Crash" de Neal Stephenson, e também nos livros de Gibson e Sterling – dois autores sortudos, que ironicamente nunca entenderam nada sobre computação, mas falam extensamente sobre o assunto, na maior cara de pau – há um conceito de "rede de dados global" fascinante, assim como um "ciberespaço" convincente. Algo como um Second Life que presta. A nossa Internet atual ainda está longe de envolver outros sentidos além da visão e audição e escapar dos limites do monitor do PC para viver em interfaces neuronais e enlouquecer todo mundo. Mas com o pouco que oferece, a rede global de informação já emergiu como a nova droga central do século.

Com a perspectiva de estender o envolvimento da ciberesfera para algo mais integrado à nossa biologia, toca-se em outro tema básico do cyberpunk: as modificações corporais e mentais. O hype do momento é realidade aumentada, certo? Pois se não envolver um implantezinho neurológico que seja, não é emocionante, meu caro. Um dos primeiros contos do gênero, de Tom Maddox, fala de um aviador militar que tem a mente sequestrada pela interface de controle da aeronave, meses depois de dispensado do serviço. Em "Snow Crash", pessoas consomem drogas dentro do ciberespaço e sentem efeitos físicos no mundo real. Aí sim.

Num livro que Gibson e Sterling escreveram juntos, "The Difference Engine", a revolução da informática acontece um século adiantada, em plena Era Vitoriana. Não é apenas cyberpunk: é steampunk. A premissa tem implicações interessantes, mas o romance é contaminado por um estilo narrativo rebuscado e cansativo, praga geral da ficção científica pós-moderna.


Anime, quadrinhos e zines


No Japão as coisas sempre são mais extremas. Katsuhiro Otomo (do monumental "Akira", além de "Metropolis" e "Steamboy") e Masamune Shirow ("Ghost In The Shell" e "Appleseed") são dois desenhistas-roteiristas que exploraram o cyberpunk até a última consequência lógica. Especialmente o segundo, cujos quadrinhos são muito mais bonitos que os filmes animados neles baseados (e influenciaram diretamente "Matrix"). Na melhor tradição nerd otaku, Shirow explica e reexplica incansavelmente as tecnologias que inventa e desenha até o mais insignificante detalhe – sempre que possível, em quase obscena simbiose corpórea e mental com heroínas voluptuosas.

Na verdade, a ficção cyberpunk japonesa, entre mangá, anime e videogames, é tão vibrante e vasta que, se fosse para comentar nomes e obras, eu teria que dobrar o tamanho deste ensaio. Gibson acha que o Japão é o próprio cyberpunk vivendo à luz do dia, na forma de cultura de massa cotidiana, e não há como discordar. Nenhum outro povo adotou a cibernética com tanta naturalidade.

Quando eu ainda era um pirralho sem suficiente noção de que as coisas no mundo da arte são difíceis de realizar, tentei desenhar uma série de quadrinhos. E embora não tivesse ainda ouvido falar em cyberpunk, a minha história encaixava-se solidamente dentro do gênero. O trabalho tinha o nome provisório, mas jamais substituído, de "New Agers" – mesmo sabendo eu que um nome desses evocaria baladas instrumentais da Enya e fabricantes de velas artesanais com suaves propriedades curativas, em vez de um grupo de rebeldes dotados de capacidades especiais via próteses nucleares, mutações provocadas e outras invenções supertecnológicas, lutando contra uma corporação do Mal que tentara criar uma neo-raça humana artificial via manipulação biológica, com efeitos inesperadamente catastróficos sobre si mesma ao perder o controle sobre o experimento eugenético.

Sim, já fizeram dezenas de mangás que exploram essa premissa, a começar pelo grandioso "Akira" de Otomo. Mas perdoe-me por não saber na época que eles já existiam. Descobrir qualquer coisa fora do mainstream era bem mais difícil que hoje. Desenhei character sheets, digitei roteiros, fiz storyboards de páginas; enfim, cheguei muito perto de efetivamente criar o quadrinho. Mas nunca fiquei satisfeito. Não mostrei o resultado a ninguém além dos amigos mais chegados. Tudo isso está guardado até hoje numa pasta de projetos congelados.


Revistas


Alimento para nossas mentes metidas a visionárias era fornecido pela revista Wired, antes de ser comprada pela Condé Nast e ser transformada numa espécie de Bravo gringa. Talvez pareça impossível de crer agora, mas a Wired dos primeiros 7 anos trazia temas revolucionários e contestadores, mês após mês. Antes dela houve a Mondo 2000, uma revista ainda mais assumidamente cyber. Esta falava insistentemente de conceitos que julgava fundamentais para a nova era, mas até hoje não avançaram muito, como tecnomisticismo e wetware.

E antes de ambas, havia a venerável Omni, publicada pela mesma editora da Penthouse e da qual ainda preservo uma coleção. Omni adorava falar de astronáutica e futurismo especulativo em geral, quase não se importava com a informática. Mas foi nela que estreou o conto "Neuromancer" de Gibson. A nacional Galileu, com seu novo enfoque mais próximo da Wired, incidentalmente lembra um pouco a Omni.

Na primeira fase da revista Macmania vinha encartado um suplemento de humor, um zine de quatro páginas chamado Macintóshico. Na verdade, o zine precedera a revista. Ele tinha pauta livre e era coletivo; mas com o tempo cada edição ficou por conta de apenas um artista. (Um dos meus Macintóshicos foi convertido em HTML e publicado aqui.) Olhando em retrospecto, vários Macintóshicos tinham temas assumidamente cyberpunks, especialmente os do Tom B e do MZK. São meus favoritos desde sempre. Naquela altura da informática, no tempo dos BBS, newsgroups e IRCs, dos modems de 14400 baud e dos GIFs animados de 32 cores, mexer com todas essas coisas era inconcebivelmente radical e intelectualmente estimulante. Nada a ver com o oceano de banalidade humana que caracteriza a Web-convertida-em-televisão-interativa dos dias atuais.

Baixe daqui os Macintóshicos com temática cyberpunk e associada em PDF:



14 - O. S. Wars (abril de 1995) - Heinar, MZK, Tony


15 - Zinderkitsch (maio de 1995) - MZK


16 - 2026 (junho de 1995) - Tom B


18 - Exu Tranca Rede (agosto de 1995) - Tom B


20 - Explode Conexão (novembro de 1995) - Heinar, Tony


21 - Uaired (dezembro de 1995) - Heinar, Tony


22 - Mystery Action (janeiro de 1996) - MZK


31 - A Entrevista (novembro de 1996) - Tony



Música

Na música, é lugar-comum chamar de cyberpunk o trabalho de bandas como Kraftwerk e Yellow Magic Orchestra. Também houve o incompreendido disco do Billy Idol. Mas nos anos 90 também ouvi muito protoindustrial e electropop europeus, sons obscuros que me soavam muito mais "corretos". Particularmente impressionante é um álbum do grupo sueco Twice A Man, de 1993, "Fungus and Sponge", onde além do clima pesado, há letras que evocam diretamente o mundo gibsoniano. Era um mundo perturbador, mas eu sonhava com ele.

A estreia de "Matrix", o filme mais cyberpunk de todos, ironicamente marcou o ocaso do gênero cultural que incitou as mentes de tantos pioneiros da grande rede.

26 comentários:

  1. fantástico post.
    três mil referências pra procurar no submundo da rede.

    me faz pensar que o cyberpunk nao sumiu. continua escondido, enterrado, como sempre esteve. porém, como hoje a informacao está praticamente toda disponivel, sobre qualquer coisa, dá a sensacao q desapareceu.

    ao resgate, pois.

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  2. O cyberpunk virou um substrato da cultura internética de hoje. É o que penso dizer naquele trecho sobre a narrativa ser fragmentada, individualista e obcecada com o conceito de identidade. A gente vê isso todo dia no Twitter, nos blogs, no MSN. Mas como a atual geração já cresceu nesse ambiente, não percebe até onde vai o "cyber".

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  3. Quando li Neuromancer não imaginava que estava ali na porta, na urge de viver um livro de ficção científica na vida real.

    Agora espero só os Street Samurais e os chips de personalidade virem pro mercado.

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  4. Adoro o tema. Li Neuromancer em 1995, me identifiquei com aquilo e de repente, em 1999... MATRIX. Quando saí do cinema, saí ao mesmo tempo maravilhado e puto porque ninguém sabia das referências ao livro que eu tinha lido e ninguém mais que eu conhecia havia lido. De alguma forma era "uma versão de Neuromancer", pois até agora o filme não sai da pré-produção há anos.
    Depois consumi IDORU, Reconhecimento de Padrões, Jhonny Mnemonic (que saiu traduzido em português num livreto da extinta revista GENERAL). Estou tentanto reler Neuromancer numa edição muito bacana (capa preta com rosto cinza muito maneira e tradução de Alex Antunes). E já comprado Count Zero.

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  5. Eu tenho uma coleção completa da General, incluindo esse livrinho. Quando Idoru saiu, encomendei a edição gringa de capa dura na Livraria Cultura. Tentei ler três vezes, desisti nas três. Vou tentar dar uma chance nova a Burning Chrome. A prosa de Gibson não me prende. A da maioria dos outros autores reside no limite do suportável, cheia de gordura e pomposas firulas estéticas. Se eles tivessem estudado um pouco de Unix, também ajudaria. Uma das cenas que salvam Matrix Reloaded é a Trinity usando um hack legítimo em linha de comando para assumir o controle das luzes da cidade virtual e apagá-las. Deveria ser tudo tratado com esse nível de cuidado. Não é.

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  6. Recentemente doei meus Macs (5500 e 6400), e foram com eles seus HDs chamados Wintermute e Mnemonic (vide foto:http://picasaweb.google.com/imbuzeiro/Computadores#5163882063504798722)

    Eu também ainda tenho o livrinho:
    http://picasaweb.google.com/imbuzeiro/Computadores#5355826423117859298

    Eita fanatismo! =)

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  7. Vale também ler o artigo da Stella Dauer no site Geek sobre os 25 anos de Neuromancer, aqui.

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  8. Três mil referências? Dez mil referências para divertimento pelos undergrounds da net..Como imaginar alguém citar o "Cyberpunk" de Billy Idol na altura atual do estado das coisas?? Que alegria perceber que no fundo do poço tem uma mola e no fim do túnel uma luz (de led)!

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  9. O texto que estava aqui em resposta aos comentários saía um pouco do tema, por isso foi removido para virar um post autônomo no blog.

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  10. ô Isabel...

    eu sou péssimo com números, perdoa vai. :D

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  11. Acabei de descobrir que também sou um cyberpunk.

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  12. Alguns temas de "Matrix" foram explorados um ano antes pelo intrigante filme italiano "Nirvana", com Christophe Lambert: http://en.wikipedia.org/wiki/Nirvana_(film)

    E logo depois saiu outro filme cult, "Dark City", de Alex Proyas, que acusaram na época de ser o verdadeiro originador do estilo visual de "Matrix". Se bem que pessoalmente acho que "Ghost In The Shell" tem mais a ver, mais ainda sabendo que os Wachowski já eram fãs do anime.

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  13. Ok,Alex. Perdoadíssimo, mas que não se repita! ;D

    Por falar em Alex, já querendo causar outro embate (vide o anterior "vinheta do JN") na minha humilde opinião, Matrix é Dark City amanhã ao inverso...Quero dizer que o mesmo Alex que fez o derradeiro filme do filho de Bruce Lee, diga-se de passagem, foi muito mais fundo em Dark City. Matrix é o primo rico de Dark City, mas o enredo deste é mais carnal e sangra no cerne. Incompreendido, esteticamente inferior, visionário, pós moderno, whatever... Veio ao que veio. É claro que o bom é poder pegar ambos os DVDs, junk food e tirar uma prova própria já que a polêmica vai ser eterna.

    P.S.O led no fim do túnel continua aceso e agora tomando uma diet pepsi...

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  14. Ahhhh Dark City. Cyberpunk, a mulher mais linda deste mundo, aquele clima noir, personagens bacanas. Há videos no youtube que comparam detalhes dos dois filmes.

    Só acho que a Stella Dauer escorregou dizendo que Neuromancer se passa nos EUA.

    Num forum sobre o livro discutia-se quem Case realmente amava, se era Molly, Linda Lee, ele mesmo ou ninguém. Eu acredito que ele ama mesmo é a matrix, é o que o faz se sentir poderoso ou importante de alguma maneira.

    Vale lembrar da mini-série Wild Palm (produzida por Oliver Stone) que se inclui no tema. Gibson faz uma ponta como ele mesmo, introduzido na cena como "O homem que cunhou o termo cyberspace".

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  15. Grande post, Mario. Duas coisas: Johnny Mnemonic virou um dos piores filmes já feitos, pobrezinho. E eu sou co-autor do Exu Tranca-Rede.

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  16. Me lembrei de um conto muito bom, chamado Urano Distante, que saiu na última página da primeira edição da revista Play. E não, eu não lembrava do nome, da página e da edição de cabeça, tive que achar a revista aqui nos arquivos.

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  17. Caramba ... faltou lembrar do mangá Blame!, dos livros; Laranja Mecânica, 1984 e Admirável Mundo Novo. Mas está de parabéns. ;D

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  18. Esses livros, assim como os do Dick, não são cyberpunks, são precursores. Particularmente 1984, que transcende totalmente o rótulo de ficção científica.

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  19. O que une e diferenciam o Cyberpunk, o Hacker, o Nerd e o Geek? É possível ser os 4 ao mesmo tempo ou não?

    Desculpem a minha ignorância, mas o fato é que nunca consegui definir exatamente as fronteiras que separam essas 4 definições de pessoas que se relacionam com tecnologia e pessoas que se relacionam com outras pessoas através da tecnologia… e pessoas que se relacionam conisgo próprias através da tecnologia.

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  20. Cyberpunk é o que eu falei, um estilo diferenciado de ficção científica.

    Hacker eu já tinha postado lá em cima o link para a definição clássica da subcultura que valeu até a época do começo da Web. Depois, o sentido popularmente aceito passou a ser de bandido digital, devido a uma confusão infeliz promovida na mídia leiga (mais ou menos como o costume de chamar motosserra de serra elétrica).

    Nerd e Geek são palavras que precedem a Internet e os computadores domésticos e conotam originalmente um especialista ou alguém muito obcecado com um nicho de conhecimento. Sempre vi uma diferença de nuance, sendo nerd alguém socialmente inepto, que pode ou não sofrer com sua condição de deslocamento, e geek alguém que transformou seu talento numa forma de se destacar, que sublimou sua esquisitice. A mídia leiga considera os termos intercambiáveis.

    Cabe notar que os autores da melhor ficção cyberpunk não eram hackers, nem nerds, nem geeks, no contexto de vida digital. Um hacker pode muito bem não ser nerd, e os hackers heróicos de alguns filmes decididamente não são. E a partir dos anos 90 fez-se muita pressão para inverter a percepção usual e glorificar o nerd. Truque que a mim pelo menos não enrolou. Nerd não é chique, ponto.

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  21. Concordo ipsis literis, só faço uma observação: nos EUA, os leigos as vezes usavam geek no sentido pejorativo, quase como freak. Mas no mundo pós-PC isso foi caindo, e hoje, em tempos de geek pride, é mais comum o sentido "nerd descolado".

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  22. Belo texto. Citei ele no Blogoleone. Não que o Blogoleone tenha muito a ver com este. Por exemplo, o assunto quente lá ainda é o golpe civil-militar em Honduras (o Blogoleone é contra), mas hoje é final de semana, e dá para variar mais. :)
    []

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  23. Flavio Donadio16/8/09 10:22

    Mario, me desculpe por comentar em post antigo, mas tenho que discordar de você. Na minha concepção, a questão não é ser "chique" ou não: é ser o que é.

    E nisso, "nerd" e "geek" são quase o mesmo. A diferença é que o geek percebe que há um mundo real, onde ele pode pedir consultoria de moda à "cheerleader" e aprender a se portar socialmente. O nerd prefere continuar recluso e se dedicar 100% à sua paixão. De resto, ambos são idênticos.

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  24. Mario!!!! Parabens! Saude e Sucesso!!!!! Jr

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  25. ótimo post, parabens!

    Desde que conheci, me apaixonei pelo gênero cyberpunk. Pretendo ler neuromancer em breve, pois o que eu conheço é apenas o que vi em filmes e textos como esse.

    Não acho que a cultura tenha morrido, pois como já disseram aqui, a facilidade de informação que temos da a sensação de que a cultura não existe mais. Mas ela está lá, underground como sempre foi.

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  26. faltou falar dos RPG'S, gurps ciberpunk e ciberpunk 2020 sao bem interessantes e tem pontos de vista variados, um universo interesante q aliado a certas leituras gera aventuras bem interessantes....

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