2009-07-26

Foto microstock: do mal ou do bem?

Esta história começou em 25 de julho (sábado) e ainda está em andamento, no fórum norte-americano Model Mayhem. Vale traduzir um pouco do início da discussão:

R Studios - Uma foto que botei no iStock...



...está na capa da revista Time:



Antonio Marcus - Sensacional. Pagaram ou pegaram? Ha ha!

R Studios - Apenas US$ 30,00 pela iStock.

Pypi Fashion - Você se fodeu.

MinisterC - Uau! Parabéns! É chato que eles não pagaram melhor, mas assim é a vida da fotografia stock. Muito legal. Milhares ou até milhões de pessoas verão o seu trabalho!

Lee K - Isso é incrivelmente deprimente.

Pypi Fashion - A culpa é dos fotógrafos. Você vai ficar realmente deprimido ao saber o valor de uma capa da Time.

R Studios - Conte-me.

Pypi Fashion - Quando é uma foto editorial na capa da Time e não uma stock photo, o valor alcança os US$ 10 mil fácil. Pode ser diferente agora que a economia está na sarjeta, mas a circulação da Time é de 3,4 milhões. Pô, me pagaram US$ 500 mais 10% por um thumbnail minúsculo na Web de uma tiragem única de um veículo local com distribuição de 70 mil exemplares. A taxa do meu thumbnail na Web valeu mais do que a tiragem inteira de 3.400.000 capas suas, o que não inclui as edições estrangeiras, reimpressões, cartões de assinatura e reproduções futuras. Alguma coisa nesse quadro não está certa.

R Studios - Obrigado, é bom saber.

Lee K - A culpa é dos fotógrafos, e é essa a parte deprimente.

Dark Life - Eu vi as opções de extensão da licença no seu arquivo e elas valem bem mais do que 30 dólares. Não muito, mas eu acho que o uso da imagem na capa da revista Time deveria requerer mais do que a licença "standard" da iStock, que qualquer um pode pagar para fazer um banner tosco.

-The Dave- - Se o trabalho será visto por milhões, como vão saber quem foi o autor da foto? Só os poucos que clicaram neste thread?

SusiB - Não sei se eu ficaria incrivelmente feliz ou incrivelmente puto.

Pypi Fashion - A licança standard para publicidade não requer pagamento adicional para mais de 500 mil cópias em revistas. Para uso editorial, é necessária uma licença ilimitada para 500 mil ou mais impressões. Pode vir mais dinheiro para você.

-The Dave- - A edição não dá crédito para o fotógrafo? Que lixo!

Living Canvas - A pergunta é: se eles tivessem que desembolsar os US$ 10 mil, teriam usado essa foto? Ou eles a usaram porque ela custava US$ 30 e era exatamente o que queriam?

Pypi Fashion - Como eu já disse, os fotógrafos são os culpados por haver a opção de US$ 30.

-The Dave- - Por coisas assim eu disse não à Getty!

Pypi Fashion - Talvez alguém que tenha experiência com fotografia microstock possa nos explicar onde foi a falha. Eu acho que foi na opção de licenciamento.

Dark Life - Você precisa baixar e estudar as várias licenças do iStock e ver se a Time abusou do uso previsto pela licença padrão pela qual pagaram os 30 dólares. Se tiver acontecido isso, no que acredito, espero que a iStock cobre deles a quantia correta sem você precisar mobilizar um advogado.

Pypi Fashion - Bem, a licença de impressão ilimitada vale US$ 125. Uau, hoje vai ter filé em vez de hambúrguer!

DA PHOTO - Fotos editoriais pagam nada ou quase nada mesmo. Trabalhe para publicidade, que é onde o dinheiro está. Use o crédito adquirido para se vender de acordo... Às vezes é preciso dar antes para depois receber.

Cherrystone - Estou feliz por você, de verdade. Se fosse uma foto minha na capa da Time, comprada por US$ 30... Eu não contaria a ninguém, porque alguém tentaria me internar num hospício.

Pypi Fashion - Eu tiraria convenientemente o ponto decimal do valor.

Cherrystone - Eu mentiria escancaradamente sobre isso e só contaria a verdade a um dos meus filhos, no meu leito de morte.

Greg Christensen - Se liguem, caiam na real. Acham mesmo que a Time gastaria 10 mil por semana em fotos de capa? Foto para uso editorial não faz dinheiro para fotógrafos de stock. Se um veículo de 70 mil exemplares pagou US$ 500 para usar uma só imagem, apenas uma vez, existe motivo para as revistas e jornais estarem falindo.

Pypi Fashion - Sério que você acha que eles estão falindo por pagarem demais aos fotógrafos? Além disso, US$ 500 nem era metade do valor padrão de mercado, mas aceitei o negócio porque era uma imagem de 1 ano de idade que não teria sido comprada por mais ninguém. Se me oferecessem US$ 30, eu bateria o telefone na cara deles. Faturei acima de US$ 30 vendendo ampliações de fotos de formatura para uma vovó.

Bodyshots Photography - Ei, talvez não seja tanta grana, mas é uma bela conquista!

Dan Hood - Não, a verdadeira conquista é que uma corporação gigantesca com fins lucrativos pagou em amendoins uma imagem que vale milhares de dólares, e o fotógrafo está contente com isso. Quanto à Time gastar 10 mil numa capa, eles tinham esse costume, e com frequência. Já viu quanto custa uma página de anúncio lá? Se você compreendesse como funciona a publicidade e o valor de uma capa para vender uma revista, perceberia que 10 mil dólares são trocado para eles. Tá bom, venda mais 60 capas para revistas de circulação nacional e vai poder comprar uma Nikon D300 novinha.

Pypi Fashion - Para colocar o caso em perspectiva, a Time pagou mais do que isso para o bike courier levar a prova da capa da redação para a gráfica. Outro jeito de ver a questão: a Time pagou nove milionésimos de dólar para cada uso da imagem.

Ray Marquez - Onde diz que a revista deveria pagar 10 mil pela imagem? A outra opção deles era recriar a imagem, e nesse caso nem estaríamos discutindo aqui. Por que, então, não usar essa foto como ferramenta de marketing?

Antonio Marcus - Não estamos culpando o fotógrafo, mas não gosto dessa apatia de achar que "é assim mesmo". Quando alguns não cobram direito, isso ferra com todos os outros.

Paul Cameron - A fotografia stock é outra diluição do valor percebido na fotografia. As empresas ganham, o fotógrafo não. Eis um ótimo exemplo de por que não usar stock. Se não houvesse stock, as empresas teriam de pagar as taxas justas a alguém, o que manteria essa pessoa no emprego por mais uma semana.

MO Rotica - Esse é o papo que os fotógrafos usam com as modelos há anos... "Não paga nada, mas divulga". (Sou modelo)

Vincent Knaus - Bom trabalho. Mas o crédito da capa vai aparecer como seu ou da iStock? Para ter uma ideia: livro de capa dura com sobrecapa, até 10 mil cópias - US$ 800. Mais $400 para cada 10 mil cópias adicionais. Capa mole, US$ 400 até 10 mil cópias e US$ 400 para quantidades acima disso. Eu sei que uma capa da Time paga bem mais que uma capa de livro!

Pypi Fashion - Uma imagem similar na Getty vendeu-se por US$ 1995. Neste ponto não acho que o thread seja mais sobre o fotógrafo ou a imagem, mas um catalisador para uma discussão ampla do uso de imagens microstock em capas de revistas.

Robert Randall - Meu agente em New York representa alguns caras que fotografam para clientes editoriais, incluindo a Time. A taxa atual para uma capa é de US$ 1800 mais despesas. Não estão mais usando grandes nomes, como Gregory Heisler, porque não têm dinheiro. Já contou quantos anúncios saem na Time hoje em dia? Revistas que não sejam de moda estão morrendo rapidamente, quase não resta dinheiro a se ganhar com elas. Eu fotografava para a Business Week, mas quando as capas caíram abaixo de US$ 1 mil e as páginas internas para US$ 400, decidi que era a hora de parar.

Pypi Fashion - Não me surpreende. Por baixo que seja US$ 1800, ainda é uma taxa sustentável em tempos difíceis. Agora, US$ 30 é um tapa na cara.

Derick Hingle - Não estou bravo com o fotógrafo por conseguir uma capa da Time, mas porque as pessoas valorizam tão pouco as próprias imagens que as colocam em sites de microstock. E ainda por cima, são os sites que ficam com o crédito, não os autores.

Robert Randall - Lise Gagne faz mais de 1 milhão por ano vendendo imagens pela iStock. Tem uma foto de outro cara que foi baixada 13 mil vezes por um mínimo de US$ 2 cada. Quando foi a última vez que uma foto sua faturou US$ 26 mil? Peguei umas fotos velhas minhas e joguei no iStock, só para ver o que acontecia. Faturei mais de US$ 30 mil em dois anos, a partir de duas semanas escaneando fotos velhas. E isso ainda me abriu a porta para a Getty e a nova coleção Vetta, onde faço mais grana. Aposto que daqui a cinco anos você ainda vai estar reclamando de como é tudo injusto.


Quem me chamou a atenção para a controvérsia foi o Ig, do Lost Art.

14 comentários:

Edu Lima disse...

E vc o que pensa a respeito disso tudo?

Para mim de primeira é injusto, mas de qualquer maneira ele o R Studios, aceitou as regras do EULA, certo? Certamente pode haver um adendo de pagamento. Mas já foi. É hora de capitalizar em cima de outros usos, seja usar a foto como um belo cartão de visitas para abrir portas, seja apostando no que o Robert Randall, diz sobre vender muito por pouco, CaudaLonga?!

Observando os argumentos sempre citados de divulgação, de na próxima você ganha e tal. Não dá para não ficar puto. Minha fonte de renda é serviços de deploy e suporte em TI e certamente já ouvi esta conversinha, mais de uma vez. Não dá para pagar a conta de luz, do computador com estes argumentos. Isso vale para mim e ou para um fotografo, um ilustrador e por ai vai.

Espero poder continuar a conversa por aqui.

Para quem quiser ver os trabalhos de parte dos responsáveis pelos comentarios citados no post acima, aqui vão os links.

Robert Randall http://www.robert-randall.com/content/

Antonio Marcus http://www.antoniomarcus.com/splash

Pypi Fashion http://www.modelmayhem.com/234582

MinisterC http://www.modelmayhem.com/701949

SusiB http://portuguesbrasileiro.istockphoto.com/user_view.php?id=366503

Vicent Knaus http://www.modelmayhem.com/2626

Derik Hingle http://www.photoshelter.com/c/derickhingle

Mario disse...

Edu, valeu pelo comentário de tão alto nível.
Eu mesmo fui tentado a contribuir para algum site de stock ou microstock. A dinâmica dos dois é muito diferente. Quase todo o uso da sua imagem distribuída por esse sistema será em newsletters de igrejas e flyers de lojas, de cuja existência você nunca saberá, mas o dinheiro irá pingar fielmente na sua conta se você descobrir a sensibilidade certa com suas fotos. É o que o Randall tentou dizer. O único erro na história toda foi o contrato da imagem não ter uma cláusula especial para clientes diferenciados.
Mesmo assim, filosoficamente há algo sim de podre no sistema, especialmente com a popularização da tecnologia ajudando uma quantidade imensa de gente a ter acesso ao mundo da foto profissional, queimando etapas formativas que eram mais nítidas no tempo do filme.
É contra isso que se colocam os fotógrafo que trabalham sob encomenda de um cliente especifico e ganham por imagem produzida. O seu sistema de trabalho está ameaçado pelas fotos genéricas. A qualidade média do trabalho indiscutivamente cairá. Olhe a capa desta semana da IstoÉ, com o tema "Ansiedade". É uma composição de um retrato com um desenho, e ficou tosca. A resolução da foto é insuficiente e artfatos de compressão estão visíveis. Produzir uma foto com o mesmo tema em estúdio não sairia tão mais caro e daria resultados muito melhores.

MaGioZal disse...

O que é de se assustar nessa história toda é o desequilíbrio entre os pagamentos entre os “elos” da cadeia, com os “atravessadores” que não produzem nada ficando com a parte do leão.

Aí o fotógrafo é rebaixado automaticamente àquela condição do camponês analfabeto miserável e que, sem saber ao certo do potencial da sua lavoura, vende sua produção por qualquer coisa ao cara que vai levá-la ao entreposto e comercializá-la por um preço várias vezes mais caro.

Essa conversa toda me lembrou (não sei se tem exatamente a ver, mas enfim…) daquelas notícias todas na época pré-crise de CEOs que ganhavam cada vez mais absurdamente mais enquanto os funcionários em status inferiores ficavam na mesma, se não ganhavam menos…

Alê disse...

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Blábláblá...

A coisa me parece bastante simples: "Fotografou não leu, o pau te comeu"

Relendo o texto das licenças:


Rights Managed (RM)
Para as fografias de stock vendidas sob rights managed, é preciso a obtenção de uma licença para cada uso da imagem.
O valor final é calculado levando-se em conta o tamanho do publico alvo, o meio de divulgação, o tempo de uso da imagem, o pais ou região na qual a imagem será usada, o objetivo do uso, entre outros.

Royalty-free (RF)

As imagens royalty-free são imagens livres de direitos, ou seja, o comprador pode usa-la um numero ilimitado de vezes, sem a nescessidade de adquirir novas licenças como ocorre com as RM.

O comprador pode, se for disponibilizado pelo fotografo e pela agencia, requerer a compra da exclusividade da imagem, evitando que outros compradores possam usar a mesma imagem.

Essas compras chegam ás centenas de dólares, primeiro porque a exposição que a imagem terá costuma ser grande, e segundo porque se a imagem continuasse a venda poderia ainda render um bom dinheiro, por isso o valor pago tem que compensar tira-la de venda. (via @dethchimo)

A Time usou a imagem por uma merreca? E daí?

Cá entre nós, essa imagem medíocre aí, por si só não vale grande coisa. Seja pelo aspecto técnico, informativo ou criativo.
Duvido que a tiragem da revista tenha aumentado (se bobear, diminuiu) e gerado os alegados milhões ao grupo Time/Warner. A lógica por trás de quem está esperneando pela esmola relativa que recebeu é a mesma lógica neoliberal de quem a comprou. Se fosse para pagar 10 mil doletas (ou 5 mil, ou 2 mil), é evidente que teriam eles mesmos produzidos sua foto e o R Studios, nem os 30 dinheiros teria ganho. É assim que funciona o sistema desde sempre (que eu saiba, o sistema de stock funciona desde 1920)

No fundo queria eu ter uma imagem minha, de arquivo, produzida sem grandes pretensões, nenhum risco, custo mínimo (de tempo e dinheiro), publicada na capa de uma revista como a Time... (e creio que todo mundo que participou dessa discussão queria a mesma coisa. Quem não quer estar numa vitrine como essa???)

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"...queimando etapas formativas que eram mais nítidas no tempo do filme."

Uai! Não sei entendi direito, mas vc vê algum problema nisso, Mário?

Eu, de minha parte acho ótimo. Sou profissa de fotografia há 29 anos e, olhando para trás, fico indignado com o tempo (anos) que levei para apreender finalmente alguns conceitos básicos. Hoje, graças a inexistência dos famigerados filmes e dos seus processos de revelação (caros, demorados, frustrantes e que dependiam de terceiros) quem se inicia pode rapidamente visualizar e corrigir seus erros técnicos e dedicar-se a aprimorar a única coisa que realmente interessa: O olhar.

Alê
PS. Se eu fosse mais cínico, acrescentaria que a única coisa que vende bem uma foto é, na verdade, uma boa legenda.

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Mario disse...

Didier, a questão de "queimar etapas formativas" não tem a ver com tempo, e sim com atitude. Sujeito pode entrar amanhã no seu mercado de 29 anos com uma Rebel numa mão, um mouse na outra e nada na cabeça. Você pode argumentar que o cliente dos paraquedistas é gente que também não tem nada na cabeça, mas a presença desses dois tipos no mercado é o que está arrastando os veteranos para uma situação difícil, expressa constantemente por desabafos revoltados nas listas de discussão. Falo, evidentemente, da fotografia comercial e não na artística. O cara que tem o maior estúdio específico para stock photos (Yuri Arcurs) faz todas as fotos com luz lavada e difusa, com cara de loja de óculos de shopping center, e o povo adora e consome.

Alê disse...

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[suspiro nostálgico] Aiai, Mário... [/suspiro nostálgico]

Meus 29 anos de experiência foram pro lixo quando eram 25 anos.
Explico; resisti às digitais até 2005 e quando foi inevitável as abracei.

Como fui idiota! Justo eu que sempre me orgulhei de ser inovador, cultuava um preconceito besta contra as digitais.
Deveria era ter aderido logo no início, na época das Mavicas com disquete.

O fato é que todo o meu conhecimento adquirido arduamente, através de tentativa-erro (no ramo sempre funcionou a máxima: "Quem sabe faz, quem não sabe ensina"), foi pro ralo.

Portanto, o que vale realmente são os últimos 04 anos, o que também não significa nada. A tecnologia (equiptos e softs) muda com uma rapidez impossível de acompanhar e os paraquedistas de hj serão soterrados pelos paraquedistas de amanhã.

Estamos todos - novatos, veteranos e paraquedistas - em pé de igualdade, e eu não acho isso ruim. De fato, é salutar.

Com relação à clientela que "formei" nesses 29 anos, informo que meus clientes não são as empresas que me contratam (doce ilusão...) mas, em sua maioria, profissionais de Marketing que não esquentam cadeira. É conhecida a alta rotatividade desses profissionais. Similar a técnicos de futebol.

Portanto, tenho que, a todo momento, me vender a filistinos recém-formados e ansiosos para mostrar uma competência equivocada à diretoria ou imbecis completos, que além de esfregar o sorvete na testa, sofrem de analfabetismo visual. Sei que vc sabe do que estou falando.

Sempre competi com novatos ou veteranos e nesse sentido não vi muita diferença. Não existe lealdade do cliente.
Leva aquele que oferece o melhor custo/benefício, na ótica de quem está contratando. Os anos de experiência ou a grana investida em bons equiptos, nunca foram levados em consideração (e nem cabe mencionar isso numa proposta de orçamento).
Continuamos falando de fotografia comercial, ok?

Por fim, meu desencanto com o "glamour" fotográfico começou no preciso momento em que vi uma badalada imagem de um fotógrafo que até então eu admirava. Refiro-me à foto de uma famosa apresentadora em intimidade com o seu prestobarba.
A partir daquele momento enxerguei a nudez do rei e a cegueira da massa.
E nunca mais me surpreendi com o (mau? simplório? repetitivo?) gosto público.

Ah! Fotógrafos sempre, sempre, sempre choram. Sempre. Mas com a barriguinha bem cheia. Basta abrir um tópico perguntando qual equipto foi adquirido recentemente...

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Fui um tanto malcriado no comentário anterior. Desculpe-me.
É a primeira vez que participo de alguma discussão nesse blog e entrei pela janela ao invés de bater na porta.

Olá?

Alê

Outro PS. Li em algum lugar algo sobre o fato de Sebastião Salgado se promover às custas de miseráveis. Achei interessante, porém raso. Basicamente discutiam sobre a gentalha que participa involutariamente das (belas?) fotos que ele - SS - produz sem ganhar um centavo (nem nome).
Que tal linkar as duas discussões?
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Mario disse...

Não acho que foi malcriado, apenas assertivo, e o assunto pede isso. :-)

Eu usei uma Mavica com disquete e deu para fazer fotos legais, apesar da precariedade. Meu erro foi de outro tipo, depender demais das digitais compactas enquanto tinha uma bela SLR de filme. Quando redescobri a SLR, ela já era digital e decente.

A foto do barbeador eu lembro bem. O ilustrador Osvaldo Pavanelli fez uma paródia escrachada na Macmania, desenhando um cortador de grama. Houve queixas de leitores.

É certo que o orçamento não precisa trazer o breakdown dos custos. Mas nas discussões entre os profissionais, sempre há queixas de que o cliente não entende porque o serviço vale o que custa. Eles têm que ficar relembrando as despesas aparentemente invisíveis, como tempo de tratamento, desgaste do equipo... E mesmo assim, podem perder o job para um paraquedistas disposto a fazer um dumping de preço para se firmar.

Isso vale em muitos mercados, não só o de design ou de imagem.

Um fotógrafo disse que nunca diz ao cliente que é um tipo de artista, porque senão o cliente interpretará que ele é um otário que trabalha pelo prazer e não sabe ganhar dinheiro.

A solução para não morrer angustiado é ter duas carreiras em paralelo, uma de artista e outra de técnico contratado. E nunca deixar de dedicar algumas horas por semana à de artista.

Claudia disse...

Tema polêmico que levantam grandes questões.
Acredito também que um dos problemas está nas mãos de quem compra. Infelizmente as supostas "artbuyers" não sabem diferenciar sequer dos tipos de comercialização existentes no mercado.

Alê disse...

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Olha, Mário, é o seguinte: uma das maiores alegrias de quem é funcionário, é poder se queixar do chefe.

Fotógrafos comerciais não tem chefe; tem cliente.
E na falta de um chefe a gente se vira com o que tem...

Mas basta qquer cliente, por mais chato, odioso ou "munheca" nos acenar com a possibilidade de um job, que largamos tudo e vamos correndo atrás dele, com a língua de fora e o rabo abanando.
Disse "vamos" pq me incluo e ainda dou cotoveladas no colega que estiver do lado. Aliás, saber cotovelar colegas, é uma das primeiras coisas que aprendemos, muito antes de aprimorar a técnica.

Negar isso, iniciando discursinho sobre integridade profissional, ética e outros blábláblás, é pura hipocrisia.
Os poucos profissionais que realmente se recusam a atender um cliente, alegando, de peito estufado, que não "trabalha pra caroço" estão praticando demagogia.
Se vc for pesquisar a fundo vai descobrir que, naquele momento, o sujeito está é com o boi na sombra.
Possivelmente pq herdou recentemente ou casou-se bem.

Duvideodó que o R.Studios tenha retirado suas fotos do IStock e aposto o que vc quiser que a imensa maioria dos fotógrafos que leram essa discussão, foram correndo se inscrever no IStock, na esperança de também venderem uma imagem pra Time, pela merreca que for. (Eu não fui. Ainda.)

Com relação ao dumping, isso não existe. Ou existe pra fotógrafo burro. E fotógrafo burro não "vinga". Darwin não tem pena.

Qualquer serviço fotográfico paga, de um jeito ou de outro, as despesas e o tempo do fotógrafo.

Vou citar um exemplo (mas poderia citar vários):
Conheço um fotógrafo que fotografa casamento de graça!
É. De graça.

Qual a lógica dele? Ele fecha com a noiva um albúm gratuito com 40 fotos, com a condição dela (a noiva) permitir a montagem de um estúdio na recepção do casamento.

Durante a recepção, ele aproveita a ocasião, onde os diversos ramos familiares estão reunidos e onde todos estão trajando roupas de festa, alinhados, maquiados, penteados e perfumados.
E convida todos a posarem para fotos no estúdio montado. Fotografa todos os convidados em tradicionais poses familiares, faz book das adolescentes, etc.
Monta depois albúns, posteres, camisetas e vende (caro) tudo nas semanas posteriores aos interessados. Ou seja; ele toma de cada familia, uma média de 800,00 parcelado em parcelinhas.

Diz ele que um casamento típico agrupa em torno de 30 famílias... Faça as contas...

Os outros fotógrafos, concorrentes, que não entendem essa lógica de trabalho, odeiam esse sujeito, dizendo que ele avilta o trabalho, que fode com a categoria, blábláblá...

Besteira. Isso é um discurso de quem se aferrou a uma única forma de trabalho e não consegue olhar para os lados.

Ah! Esqueci-me; A noiva ao receber as provas para selecionar as 40tinha que tem direito, surpreende-se com a qtde (e excelência) das fotos tiradas. O que vc acha que acontece com as fotos excedentes?

Eu mesmo já fotografei de "graça".

É comum, para mim, oferecer permutas para hotéis (fotos para folders) localizados em uma região que me interessa visitar a passeio ou a trabalho. E não vejo nenhum problema que façam o mesmo.

A maravilha de ser autônomo é poder fazer o que bem quiser e dar uma banana aos eventuais patrulheiros.

---

Essa questão do fotógrafo-artista é outro assunto bom de discutir. Lamento, mas não acredito nisso. Nunca me convenceram.
Fotógrafo comercial é tão artista quanto um cameraman. Ambos obedecem às ordens e a visão de um diretor.

Há sim, artistas que usam a fotografia como suporte, reconheço.

Mas dizer que um sujeito, digamos, especializado em fotografar modelo pra book de agência é um artista, é demais, né?

Ele é um técnico ou, vá lá, um artesão.

Ou será que a minha conceituação sobre arte é que está equivocada?

Alê
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Mario disse...

A sua conceituação faz sentido, mas só para alguém que vê a fotografia de maneira puramente industrial. Acontece que boa parte do povo trabalha industrialmente mas quer se promover pela arte. Há uma dualidade aí.

Alê disse...

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Complexo de inferioridade. Técnica fotográfica básica é fácil de aprender. Mais fácil ainda na digital, como já comentamos.

Aí a pessoa se sente desprestigiada por dominar uma técnica que qquer adolescente descerebrado (redundância, eu sei) pode dominar tb.

Uma saída para o frustrado, é se convencer que é um artista pq sabe fazer a silhueta do perfil da esposa grávida ou, veja só, fotografar a mãozinha rosada e lisa de uma criancinha sobreposta sobre a mão áspera e enrugada do vovô, sob uma luz difusa. Ou, mais fácil, fotografar uma velha na janela

Aí a foto fica bonita (e parecida com milhares de outras) e o fotógrafo toca a proclamar que é um artista nato, sem nunca ter visto sequer uma exposição fixa de museu ou aberto um livro de arte. Nem falo de frequentar escola de arte, que isso não existe mesmo.

Os amigos acham bacana e apoiam, a família incentiva e assim nasce mais um "artista" que fica enchendo o saco dos outros fotógrafos que sabem que fotografia é um produto de consumo como qualquer outro.

Mas é bom que esses malucos existam e pentelhem os clientes.
Graças a eles que "nosostros trabajadores de la image" podemos nos oferecer como comparação.

Se fôssemos todos putas (que comparação injusta...hahaha...) o tal fotógrafo-artista seria a puta gostosona, ex-participante de reality-show, que só faz o básico, em motel de luxo, tem pressa, cobra caro e não beija na boca.

Já nós... ;)

Alê
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doisespressos disse...

Sobre o post, a questão da regulamentação da profissão de fotógrafo e os comentários acima, acho importante separar o trabalho do fotógrafo em duas categorias que exigem (a meu ver) habilidades distintas.

Partindo da premissa que todos que se dizem fotógrafo dominam as técnicas envolvidas no exercício de sua profissão, existem as fotos que apenas seguem uma fórmula e as que exigem sensibilidade.

Fotos de potinhos de vidro cheios de moedas são 100% técnica + fórmula. Entregue esse pote na mão de 10 fotógrafos profissionais e você terá 10 fotos que, se não forem iguais, serão muito parecidas.

Já os eventos sociais (casamentos, por exemplo), por seu caráter único, exigem um olhar sensível, que registre o que realmente há de singular naquela celebração. Dominar a técnica é fundamental, mas é a sensibilidade, o olhar do fotógrafo, que faz a diferença entre um álbum igual a milhares de outros e um álbum que conte a história daquele evento.

Com base nisso, ficam as dúvidas:

Pode se considerar fotógrafo um sujeito com uma técnica perfeita mas que se limita a repetir fórmulas? O olhar sensível e diferenciado atribui o caráter de arte a um trabalho comercial

E, finalmente...

A regulamentação da profissão de fotógrafo tem foco/beneficia qual tipo de profissional?

Anônimo disse...

OOOpa, que bom poder tomar café aqui no Brasil, lendo este post e poder dar um pitaco.

Para mim, infelizmente não é mais possível negar que microstock veio para ficar, junto com as cameras digitais e a internet e milhares de pentelhos que se intitulam fotógrafos profissionais ao invés de um cara com uma camera mão,e de outros tantos que se intitulam agencias e veículos sérios porque conseguiram ter um site medíocre para um publico igualmente medíocre.

Diversas agências tradicionais quebraram e outras ainda vão quebrar. Os buyers tradicionais cada vez mais compram microstock.

Moro em Berlin/Frankfurt, onde um dos meus passatempos prediletos (hábito que mantenho a quatro anos) é passar dias de folga, tomando café com colegas em boas livrarias e juntos passamos os olhos nos créditos das imagens de quase uma centena de veículos. Sempre os mesmos. Sim, na verdade mais que uma centena. Cada um de nós folheia pouco mais de uma dúzia. Escolhemos dentro de nossos nichos. Assim fica mais fácil e prazeiroso.

Gosto de ver com meus próprios olhos o que é anunciado nas estatísticas dos serviços que pago para me informarem sobre este mercado.

O que constatamos é que num mesmo veículo e por vezes na mesma matéria,exitem cada vez mais créditos de agencias tradicionais e de micro. Porém cada vez mais e cada vez mais rápido, cresce o número de créditos para agencias de micro e médio a cada vez menos,muito menos,para fotos de agencias tradicionais.

Incrivelmente, vejo edições inteiras de veículos (revistas) usando apenas microstock ou médio e pior, algumas edições usam quase que tudo de uma mesma agencia!


Por todos os aeroportos da Europa, agencias de banco, grande magazines, estações de metro, vejo enormes outdoors de conhecidos colegas que trabalham exclusivamente para stock.

Hoje fazem dois meses que estou no Brasil (infelizmente esta visita acaba em breve) e vi as fotos do Yuri Arcus em placares no Unibanco, Rio Sul, Shopping Leblon, Aeroporto, Galeão, e em diversos outros suportes..

Inúmeras grandes agencias tradicionais estão desesperadamente anunciando novas coleções com novos valores (muito mais baixos) na tentativa de manterem uma fatia do mercado.

Mas a realidade a tendencia é que se o buyer puder comprar a preço de micro, não vai mais me pagar 600 ou 6.000 euros por uma foto adquirida em agências de stock tradicional (de onde vem o grosso de meu incoming) Nem sequer míseros 80 euros.

Hoje são profissionais e empresas os responsáveis pelo sucesso da microstock. Amadores não apitam mais quase nada e hoje respondem por talvez 20% do faturamento das grandes agencias de microstock.Os outro 80% ficam por conta de nem +/- 250 fotografos e empresas dedicadas quase que full time à microstock.

Ou você se especializa em nichos ainda não cobertos pelos microstockers ou perde para eles. Atualmente aumenta na velocidade de um cometa a quantidade de novos compradores no mercado de imagens: centenas de milhares de microempresas, firmas individuais e pessoas físicas estão começando a descobrir e desfrutar deste produto. As grande agencias até já vendem imagens para serem enviadas por SMS, ou servirem com proteção de tela de celulares!
Estes mesmo novos buyers tb compram imagens por diversos outros motivos. As redes de relacionamento agora oferecem add-ons para os usuários comprarem fotos diretamente em agencias parceiras de microstock.

O mercado está uma loucura, sofrendo revoluções constantes.

A questão é lutar bravamente para permanecer com o que conquistamos nas das décadas de experiencia blá blá blá ou abraçar esta nova realidade.

Confesso que hoje me praparo para batalhar por esta fatia de mercado que surge. É realmente estimulante a possibilidade de retorno ($$$) para quem tem muito gaz e competência e algum capital para investir.

Acho mesmo saudável olhar assim. Encaro como um desafio a ser curtido e sinto voltando no tempo, começando tudo novamente porém com as vantagens da maturidade. Sendo otimista (praca) estou adorando pooder vivenciar esta revolução conscientemente e não ser pego por ela.

Anônimo disse...

OOOpa, que bom poder tomar café aqui no Brasil, lendo este post e poder dar um pitaco.

Para mim, infelizmente não é mais possível negar que microstock veio para ficar, junto com as cameras digitais e a internet e milhares de pentelhos que se intitulam fotógrafos profissionais ao invés de um cara com uma camera mão,e de outros tantos que se intitulam agencias e veículos sérios porque conseguiram ter um site medíocre para um publico igualmente medíocre.

Diversas agências tradicionais quebraram e outras ainda vão quebrar. Os buyers tradicionais cada vez mais compram microstock.

Moro em Berlin/Frankfurt, onde um dos meus passatempos prediletos (hábito que mantenho a quatro anos) é passar dias de folga, tomando café com colegas em boas livrarias e juntos passamos os olhos nos créditos das imagens de quase uma centena de veículos. Sempre os mesmos. Sim, na verdade mais que uma centena. Cada um de nós folheia pouco mais de uma dúzia. Escolhemos dentro de nossos nichos. Assim fica mais fácil e prazeiroso.

Gosto de ver com meus próprios olhos o que é anunciado nas estatísticas dos serviços que pago para me informarem sobre este mercado.

O que constatamos é que num mesmo veículo e por vezes na mesma matéria,exitem cada vez mais créditos de agencias tradicionais e de micro. Porém cada vez mais e cada vez mais rápido, cresce o número de créditos para agencias de micro e médio a cada vez menos,muito menos,para fotos de agencias tradicionais.

Incrivelmente, vejo edições inteiras de veículos (revistas) usando apenas microstock ou médio e pior, algumas edições usam quase que tudo de uma mesma agencia!


Por todos os aeroportos da Europa, agencias de banco, grande magazines, estações de metro, vejo enormes outdoors de conhecidos colegas que trabalham exclusivamente para stock.

Hoje fazem dois meses que estou no Brasil (infelizmente esta visita acaba em breve) e vi as fotos do Yuri Arcus em placares no Unibanco, Rio Sul, Shopping Leblon, Aeroporto, Galeão, e em diversos outros suportes..

Inúmeras grandes agencias tradicionais estão desesperadamente anunciando novas coleções com novos valores (muito mais baixos) na tentativa de manterem uma fatia do mercado.

Mas a realidade a tendencia é que se o buyer puder comprar a preço de micro, não vai mais me pagar 600 ou 6.000 euros por uma foto adquirida em agências de stock tradicional (de onde vem o grosso de meu incoming) Nem sequer míseros 80 euros.

Hoje são profissionais e empresas os responsáveis pelo sucesso da microstock. Amadores não apitam mais quase nada e hoje respondem por talvez 20% do faturamento das grandes agencias de microstock.Os outro 80% ficam por conta de nem +/- 250 fotografos e empresas dedicadas quase que full time à microstock.

Ou você se especializa em nichos ainda não cobertos pelos microstockers ou perde para eles. Atualmente aumenta na velocidade de um cometa a quantidade de novos compradores no mercado de imagens: centenas de milhares de microempresas, firmas individuais e pessoas físicas estão começando a descobrir e desfrutar deste produto. As grande agencias até já vendem imagens para serem enviadas por SMS, ou servirem com proteção de tela de celulares!
Estes mesmo novos buyers tb compram imagens por diversos outros motivos. As redes de relacionamento agora oferecem add-ons para os usuários comprarem fotos diretamente em agencias parceiras de microstock.

O mercado está uma loucura, sofrendo revoluções constantes.

A questão é lutar bravamente para permanecer com o que conquistamos nas das décadas de experiencia blá blá blá ou abraçar esta nova realidade.

Confesso que hoje me praparo para batalhar por esta fatia de mercado que surge. É realmente estimulante a possibilidade de retorno ($$$) para quem tem muito gaz e competência e algum capital para investir.

Acho mesmo saudável olhar assim. Encaro como um desafio a ser curtido e sinto voltando no tempo, começando tudo novamente porém com as vantagens da maturidade. Sendo otimista (praca) estou adorando pooder vivenciar esta revolução conscientemente e não ser pego por ela.

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