Te dou o benefício da dúvida na Guerra do Vietnã e na recente Guerra do Iraque e Afeganistão. Essa discussão é mais longa.
Mas dizer que a Guerra da Coréia e a Guerra do Golfo não foram batalhas travadas por motivos decentes?
Partindo para conflitos menores, acho que também tem mais conflitos foram travados pro motivos decentes - Malvinas, Os bombardeios pela OTAN nos conflitos do Kosovo e Bósnia... se procurar tem mais.
Pra não parecer uma discordância radical, eu diria que a invasão da Normandia foi a última batalha inequivocamente justa. A própria, aham, civilização ocidental estava em jogo ali. Uma guerra só um pouco maior que aquela traria a aniquilação da humanidade como a conhecemos, como os bombardeios atômicos dos EUA no Japão deram a vislumbrar. A bomba desequilibrou tanto o conceito de supremacia militar que tão logo EUA e URSS demonstraram que a tinham e sabiam usar, ficaram cozinhando uma rixa por 45 anos até desistirem. Se não houvesse a bomba como fator de equilíbrio perverso, teriam se engalfinhado diretamente num prolongamento catastrófico da 2ª Guerra, em vez de testar forças em conflitos periféricos - todos eles, aliás, sujos. Guerra da Coreia deu início à lamentável divisão permanente da península entre um país moderno e um país medieval portador de armas nucleares. Não deu certo, enfim. Guerra do Golfo serviu para tirar o poder que os próprios EUA deram a um déspota local e, não necessariamente nesta ordem, assegurar o controle sobre o petróleo. Classifico isso solidamente na categoria suja. Guerra do Vietnã foi como a atual Guerra do Iraque: chegaram lá sem saber no que estavam se enfiando, deu tudo errado, o arrependimento veio tarde. Malvinas foi ridículo. Valeu por apressar o fim da ditadura na Argentina. Kosovo e Bósnia foram puramente deprimentes. 15 anos antes daquilo, eu e um amigo de infância tínhamos bolado uma peça de ficção na qual a entidade equivalente à ONU funcionava como um poder militar paralelo, louca para bombardear insurgentes. A realidade superou a ficção.
Mario, a Coreia já estava dividida *antes* da Guerra da Coreia (devido aos acordos de Potsdam que definiram as zonas de ocupação militar dos aliados), que começou quando o Norte invadiu militarmente o Sul com o objetivo de unificar a Coreia toda sob um regime comunista atrelado à União Soviética.
Estado coreano independente e unificado, do início do século 20 até hoje, jamais existiu. Antes da divisão, a Coreia era uma colônia japonesa.
Nas Malvinas, mais uma vez, quem tomou a iniciativa da violência foi a ditadura argentina que sob o pretexto de que a Malvinas era “historicamente argentina” (nunca foi) invadiu as ilhas de surpresa, sem agressão anterior e sem querer saber de negociações.
Quanto à Guerra do Golfo em 1991, ela começou não por causa de George Bush I, mas por causa de Saddam Hussein que invadiu militarmente o Kuwait em 1990 sob o pretexto de que o território era “historicamente iraquiano” e que recebeu vários avisos de sair daquele país antes da guerra, avisos esses que foram ignorados.
Enfim, eu sou um true believer da Teoria da Paz Democrática: democracias não entram em guerra nem tem problemas graves com outras democracias. E entre regimes democráticos e autoritários, eu prefiro os democráticos, sob qualquer circunstância.
Último update: Posts de 2003: todo o mês de junho, que estava no Gardenal.org. Um post solitário de agosto: Contra burguês baixe MP3. E todo o mês de março.
Updates anteriores: Reconstituição de todos os posts perdidos dos anos de 2004 e 2005. Agora o blog está completo e ininterrupto a partir de 2004. "Remasterização" de fotos postadas em 2002, com o tamanho atualizado para o padrão atual do blog e cores melhores. Restaurados todos os posts de dezembro de 2002 e alguns favoritos do mesmo ano. Também voltaram alguns posts de ficção e poesia de 2003, que estavam num blog separado no Gardenal.org, chamado "Melhor que o Silêncio?".
O que falta: Quase tudo do blog pessoal entre março de 2001 e novembro de 2002 e quase todo o ano de 2003. Integrar os posts que estavam no extinto blog separado de tecnologia e no blog Zen.
5 comentários:
Te dou o benefício da dúvida na Guerra do Vietnã e na recente Guerra do Iraque e Afeganistão. Essa discussão é mais longa.
Mas dizer que a Guerra da Coréia e a Guerra do Golfo não foram batalhas travadas por motivos decentes?
Partindo para conflitos menores, acho que também tem mais conflitos foram travados pro motivos decentes - Malvinas, Os bombardeios pela OTAN nos conflitos do Kosovo e Bósnia... se procurar tem mais.
Pra não parecer uma discordância radical, eu diria que a invasão da Normandia foi a última batalha inequivocamente justa. A própria, aham, civilização ocidental estava em jogo ali.
Uma guerra só um pouco maior que aquela traria a aniquilação da humanidade como a conhecemos, como os bombardeios atômicos dos EUA no Japão deram a vislumbrar.
A bomba desequilibrou tanto o conceito de supremacia militar que tão logo EUA e URSS demonstraram que a tinham e sabiam usar, ficaram cozinhando uma rixa por 45 anos até desistirem. Se não houvesse a bomba como fator de equilíbrio perverso, teriam se engalfinhado diretamente num prolongamento catastrófico da 2ª Guerra, em vez de testar forças em conflitos periféricos - todos eles, aliás, sujos.
Guerra da Coreia deu início à lamentável divisão permanente da península entre um país moderno e um país medieval portador de armas nucleares. Não deu certo, enfim.
Guerra do Golfo serviu para tirar o poder que os próprios EUA deram a um déspota local e, não necessariamente nesta ordem, assegurar o controle sobre o petróleo. Classifico isso solidamente na categoria suja.
Guerra do Vietnã foi como a atual Guerra do Iraque: chegaram lá sem saber no que estavam se enfiando, deu tudo errado, o arrependimento veio tarde.
Malvinas foi ridículo. Valeu por apressar o fim da ditadura na Argentina.
Kosovo e Bósnia foram puramente deprimentes. 15 anos antes daquilo, eu e um amigo de infância tínhamos bolado uma peça de ficção na qual a entidade equivalente à ONU funcionava como um poder militar paralelo, louca para bombardear insurgentes. A realidade superou a ficção.
Essas coisas flutuando na primeira foto são balões dirigíveis?
Cada um dos balões é preso a uma embarcação e a sua função aparentemente é ajudar a estabelecer a mira para a artilharia.
Mario, a Coreia já estava dividida *antes* da Guerra da Coreia (devido aos acordos de Potsdam que definiram as zonas de ocupação militar dos aliados), que começou quando o Norte invadiu militarmente o Sul com o objetivo de unificar a Coreia toda sob um regime comunista atrelado à União Soviética.
Estado coreano independente e unificado, do início do século 20 até hoje, jamais existiu. Antes da divisão, a Coreia era uma colônia japonesa.
Nas Malvinas, mais uma vez, quem tomou a iniciativa da violência foi a ditadura argentina que sob o pretexto de que a Malvinas era “historicamente argentina” (nunca foi) invadiu as ilhas de surpresa, sem agressão anterior e sem querer saber de negociações.
Quanto à Guerra do Golfo em 1991, ela começou não por causa de George Bush I, mas por causa de Saddam Hussein que invadiu militarmente o Kuwait em 1990 sob o pretexto de que o território era “historicamente iraquiano” e que recebeu vários avisos de sair daquele país antes da guerra, avisos esses que foram ignorados.
Enfim, eu sou um true believer da Teoria da Paz Democrática: democracias não entram em guerra nem tem problemas graves com outras democracias. E entre regimes democráticos e autoritários, eu prefiro os democráticos, sob qualquer circunstância.
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