Se o anonimato for concedido aos blogueiros e a quem posta nos fóruns, eles precisam baixar a bola. Eu raramente os leio devido à linguagem desagradável, agressiva e rude. Nenhum artigo é discutido em boa fé. Além dos inevitáveis "Este comentário foi removido pelo moderador", leio coisas do tipo "como você fala merda", "você é um idiota completo" etc.
Temos de reconhecer: a anonimidade traz à tona o pior das pessoas. Supõe-se que alguém com algo a dizer deve ter o preparo para fazê-lo de forma polida, assumir a autoria do que disse e providenciar um endereço para resposta. Isso ainda é um requisito da seção de cartas.
É triste ver que cada avanço na informática parece nos reduzir ao mínimo denominador comum. Quando surgiram os computadores, eles prometiam enormes avanços na educação. Em vez disso, vieram os videogames violentos. Então surgiu a Internet, que nos encheu de pornografia. Agora temos os fóruns online, que tinham o potencial de revolucionar o debate público e quem sabe também a tomada de decisões, mas estão tomados de ciberpixações.
Talvez a solução seja criar dois fóruns paralelos: um bem-educado com os nomes e endereços das pessoas, e um de vale-tudo para os demais.
Temos de reconhecer: a anonimidade traz à tona o pior das pessoas. Supõe-se que alguém com algo a dizer deve ter o preparo para fazê-lo de forma polida, assumir a autoria do que disse e providenciar um endereço para resposta. Isso ainda é um requisito da seção de cartas.
É triste ver que cada avanço na informática parece nos reduzir ao mínimo denominador comum. Quando surgiram os computadores, eles prometiam enormes avanços na educação. Em vez disso, vieram os videogames violentos. Então surgiu a Internet, que nos encheu de pornografia. Agora temos os fóruns online, que tinham o potencial de revolucionar o debate público e quem sabe também a tomada de decisões, mas estão tomados de ciberpixações.
Talvez a solução seja criar dois fóruns paralelos: um bem-educado com os nomes e endereços das pessoas, e um de vale-tudo para os demais.
(Não me incomodo com os jogos violentos nem com a pornografia. Podem ser livres, bastando que as pessoas que não curtem essas coisas não sejam expostas a elas :-)
A carta do leitor acusa a anonimidade como fonte do mal, mas o buraco é mais embaixo. A falta de responsabilidade pessoal pelo que se diz na Internet é a verdadeira raiz do problema. O clima de guerra e a desonestidade intelectual permeiam também muitos websites onde todo mundo está devida e perfeitamente identificado.
A cultura fracassou. Facetas desse fracasso são a incapacidade de comunicar-se civilizadamente, porque o próprio conceito de um comportamento civilizado desmoronou. Também caracterizam nossa época a vontade exacerbada de falar e nenhuma de ouvir. A intimidação como ferramenta de prestígio social. O recurso fácil ao rótulo para classificar tudo sem precisar explicar. O desinteresse por ideias que não sejam as suas próprias. Falta de compreensão das motivações pessoais alheias. Tendência a desconsiderar a possibilidade de uma declaração conter senso de humor e ironia. Ausência de empatia com os sentimentos de quem não se conhece em pessoa. A opção primária pela ameaça para "marcar território". A crítica que não visa comentar visando o melhoramento de algo, somente destruí-lo.
Chegamos ao ponto lamentável em que crítica e ataque, comentário e provocação, sempre são tomados como uma e mesma coisa. E a única defesa conhecida por quem assim pensa é outro ataque pior. Em apenas duas ou três respostas, já temos um flamewar.
A questão de os websites serem campos de batalha virtuais me ocupa desde o tempo em que os comentários neste blog eram novidade, por volta de 2002-2003. Havia quantidades muito grandes de comentários em qualquer assunto. Hoje há mais visitantes, mas a multiplicação dos sites pulverizou as atenções; no geral, a informação postada perdeu a relevância relativa. As práticas dos visitantes mudaram de acordo. Além de escreverem muito menos, é raro que alguma participação seja maldosa, porque o clima tácito aqui é de "pode brincar mas seja sério". Que outros autores de sites também conseguem manter com sucesso. Mas nós somos uma minoria remanescente de tempos mais civilizados na rede.
Antes de ter blog, administrei um fórum. Sem a moderação, a cacofonia domina tudo. Vi que a brutalidade tende a explodir se o administrador afrouxar apenas um pouquinho a tolerância à animosidade alheia. Sem supervisão, o abuso da ferramenta de comunicação por seus usuários é certo, garantido e inevitável.
Dizia-se nos anos 90 que "por trás do modem todo mundo é valentão". Só mudaram as moscas. O ambiente ruim de muitos newsgroups e fóruns – especialmente os de assuntos polêmicos e fanatizantes, como futebol, política e sistemas operacionais – transferiu-se para os sites sociais. Notavelmente no orkut, com suas comunidades de ódio; também no YouTube, onde todo e qualquer vídeo é acompanhado de um flamewar irrefreado; mas agora também no Twitter, onde existe gente interessada em parasitar a audiência de outras pessoas gritando com elas. Até entendo a sua lógica. É mais fácil fazer isso do que escrever ensaios. Os insultos cabem em frases curtas. Dão menos trabalho.
A trollagem sempre existiu, mas está mudando para um perfil mais generalizado e mais instantâneo. O cara que perturba no Twitter é uma otimização eficiente daquele chato clássico de lista de discussão, que responde a toda questão com uma tese pedante de milhares de caracteres e faz questão de responder aos outros frase por frase, até matar o thread por exaustão.
A voz do povo não é a voz de Deus
Este blog está no ar há oito anos e meio. A população online no Brasil multiplicou-se várias vezes desde então. Subjetivamente, acho que os abusos verbais públicos aumentaram numa proporção maior. Você pode montar a sua roda de discussão para encontrar os culpados pela nossa péssima "netiqueta". Algumas explicações que vejo por aí frequentemente:
Eu não acho que nenhum desses fatores responda à questão sozinho. Mas o terceiro é o meu favorito. É óbvio que a rede propicia um clima de liberdade artificial, facilitando a escalada da violência verbal de um jeito que a vida real não permite. É o sonho realizado de todo agressor covarde.
Isso é especialmente preocupante ao sabermos que a sociedade brasileira em geral, ao contrário da de outros países, enxerga o espaço público como local de confronto e disputa, não como local de convivência. Para comprovar, basta sair à rua e olhar ao redor. É um ambiente falsamente civilizado, governado por uma hierarquia de forças, onde cada um só busca levar vantagem sobre o próximo. Vale isso também para websites dinâmicos como o Twitter, fóruns, blogs etc. Some-se a isso a identidade camuflada ou anonimidade e temos uma alarmante concentração de sociopatas azedando o clima.
A maneira clássica de lidar com um troll é ignorando-o. Nada o frustra mais que o desprezo de quem ele considera digno de briga. Porém, em alguns casos, é preciso ir além e retaliar exemplarmente. Na rua, a forma definitiva de coerção para inibir impulsos antissociais é autuação. Institua-se uma multa, organize-se os meios de fiscalização e cobrança e todo mundo passa a obedecer a lei como por mágica. Na Internet, por não existir esse instrumento – o banimento de um usuário é apenas um quebra-galho pontual, não uma solução geral –, o recurso que resta é causar a humilhação do troll frente aos seus pares. Não vencer com argumentos, mas vencer pela desqualificação do oponente. Retribuir sua desonestidade em apenas um golpe. Você gosta de fazer isso? Eu também não.
Você não deve dedicar tempo demais a capinar trolls. Na maioria dos casos, basta avisar que a conversação está encerrada e bloqueá-lo. Vale para email, blog, fórum, chat, rede social e Twitter. Gente mal informada reclama do bloqueio chamando-o de "antidemocrático", "fascista" e outros termos cujo significado desconhecem. Vi isso no Twitter ao anunciar que estava bloqueando um mala persistente. Só que:
O desarmamento mental requer necessariamente a filtragem e alguma dose de bloqueio.
Trolling leva a cyberbullying
A definição de troll pede por uma revisão. Na primeira geração da Web e antes dela, um troll era alguém que postava um comentário provocativo, inadequado ou capcioso para causar respostas inflamadas de outros participantes da conversa.
A palavra troll vem de "trolling", que significa "pescaria de currico" – modalidade de mar aberto na qual uma isca artificial é arrastada na água, parecendo uma isca viva. O contexto inicial pré-Web era de "pescar" a gente mais novata e ingênua; fazer uma pegadinha.
Na era da Web, o significado ficou mais carregado. Atualmente, vejo o trolling degenerando em flamewar tão prontamente que os dois fazem parte de um contexto único de confronto agressivo. E ele pode continuar degenerando até virar cyberbullying – cuja versão menos maligna é a humilhação pública de que já falei, mas pode facilmente virar uma rixa real entre pessoas reais, com ameaças de ações judiciais, patrulhas e perseguições, tentativas de retribuição física no mundo real, e outras consequências que não me enchem exatamente de orgulho pela humanidade.


O tema é recorrente, mas a profundidade desta análise não.
ResponderExcluirMimimi, precisam baixar a bola, mimimi, não gosto disso, mimimi...
ResponderExcluirIsso é trolling. Gaste seu tempo escrevendo algo produtivo, ou então cale a boca.
ResponderExcluirSincronicidades... Lendo sobre isso esta semana. Bom artigo.
ResponderExcluirAh, e nada ver: belíssimas imagens à esquerda, hoje.
Off-topic 2: Topas me ajudar com o Cicloativismo da Coolmeia?
PS: não foi bajulação com segundas intenções acima, viste?
Realmente esse falta de "policiamento com causa e conseqüências reais" na web faz muita falta. Ainda me espanto por não ter tido nenhum troll no meu blog.
ResponderExcluirMas como você descreveu bem: esse é um fenômeno real antes mesmo da construção de qualquer modem. Na rua vivemos sob um verniz de educação, torcendo para nenhum desconhecido sentar ao nosso lado ou mesmo armando as garras quando alguém esbarra, sem querer, em nós.
C'est la vie meu querido... c'est la vie...
Abraços,
.faso