
Logo do BOL por Tony de Marco, 1996
Em outros artigos, contei um pouco da aventura do BOL - Brasil Online, o ambicioso portal e provedor de Internet que o Grupo Abril inaugurou em abril de 1996 e, após apenas cinco meses no ar, foi fundido ao UOL, do Grupo Folha.
Para sermos brutalmente honestos, o UOL fagocitou o BOL. Absorveu a infraestrutura tecnológica do rival, tomou conta dos sites de revistas da Abril, converteu a página de notícias do BOL na versão online de fato da Folha de S. Paulo e por fim relançou a marca BOL como um serviço de webmail gratuito, quatro anos depois.
Leia a história oficial da Abril. O BOL por pouco não virou nota de rodapé. Diziam em 1996 que o BOL teria sido "sacrificado" ao UOL porque era um "projeto skunkworks" do núcleo Exame, não uma ideia da direção da empresa. Talvez estes pensassem que a Internet nunca chegaria a ser um meio crucial para a sobrevivência das empresas jornalísticas, como extensão a elas ou como ameaça. Algum tempo depois do fiasco do BOL, a Abril recomeçou sua participação na Internet quase do zero, criando um provedor de banda larga (Ajato) e, bem depois disso, trazendo de volta para casa os sites das suas revistas.
Pelo lado do UOL, BOL é um serviço de webmail gratuito, lançado em janeiro de 2001. O Brasil Online (que a Abril prefere chamar de Brasil On-Line) aparece nomeado por extenso para diferenciá-lo do BOL atual.
Um pouco do clima do BOL de 1996 transparece em emails internos das equipes de redação e tecnologia, que postei aqui.
Há algumas semanas, dez ex-membros do BOL original (relacionados na lista de biografias que publiquei aqui) reuniram-se para comemorar o 13º aniversário no Frangó, bar de São Paulo que é próximo ao edificio da Abril onde ficavam as redações. Lá acontecera a reunião de despedida da equipe antes da fusão com o UOL e também o reencontro dos 10 anos. Fiz fotos (medíocres) do novo encontro e logo elas serão postadas aqui também. Por ora, deixo outra lembrança.
Para este encontro, levei na mochila um Apple PowerBook de 1996, da minha coleção de Macs antigos. Em perfeito estado, exceto pela falta da bateria. Dentro dele, um Netscape da época e arquivos internos de desenvolvimento do design do BOL, entre home pages publicadas e protótipos. Pretendia mostrar o material aos companheiros, numa experiência sensorial tecno-retrô. Os GIFs descem lentamente, como cortininhas, mesmo sendo gravados no HD e não recebidos via modem.
Infelizmente, não havia tomada à mão para alimentar o laptop. Então, prometi publicar a galeria de antiguidades do webdesign aqui. Delicie-se com alguns pedacinhos da história da Web brasileira que certamente você nunca viu.
Todas as home pages a seguir são protótipos e propostas não usadas, com exceção da primeira e da última – o que explica a feiura de umas e os textos falsos em outras. Os designs passavam de mão em mão numa equipe de cinco pessoas, a fim de acumularem ideias novas. Minhas contribuições principais foram os ícones das seções, exatamente no mesmo estilo dos que desenhara na mesma época para a revista Macmania, e a divisão retangular da "barratopo" nas duas últimas versões. As imagens centrais com os destaques só eram trocadas semanalmente. O equivalente de um portal atual, com notícias atualizadas em tempo real, era uma página interna, chamada Linha Direta. Talvez a melhor coisa que o BOL tinha e o UOL não. O período aqui representado vai de junho a agosto de 1996.














Num post futuro, publicarei partes das páginas internas, incluindo alguns banners curiosos e seções internas, incluindo a afamada Linha Direta.

Releitura minha do logo do BOL, 2009
(criado durante a reunião do 13ª aniversário)
Também estive no UOL
O que aconteceu comigo depois da fusão BOL-UOL contém uma boa dose de ironia. Inicialmente, a equipe do BOL foi assimilada pelo UOL na fusão. A maioria do pessoal, porém, pulou fora. Havia ressentimento. Vários foram fazer carreira na concorrência. Os sites da Bookmakers (a editora da Macmania) ficavam todos no Terra (então chamado ZAZ). Definitivamente, nada de UOL para muitos dos ex-BOL.
Mas eu e o Douglas Okasaki permanecemos na arte do UOL. Era conveniente, mas parecia-me ridículo ter me demitido da Folha de S. Paulo para trabalhar na Macmania e na Abril, e dali a seis meses retornar ao mesmo prédio da Alameda Barão de Limeira (a redação original do UOL ficava no terceiro andar, um abaixo da Folha). Revia os ex-colegas de jornal na entrada, na saída e no lanche da tarde.
Eu e o Douglas fomos encarregados de contribuir com sugestões para uma nova página de entrada do portal que incorporasse os novos links. Deveria ter destaque para a Linha Direta, a página de notícias do BOL, renomeada simplesmente para BOL.
Esbocei com lápis e papel um conceito "planetário": colocar o símbolo circular do UOL no centro da página e distribuir as seções do site por uma órbita elíptica em torno do símbolo, como se fossem planetas. Douglas encarregou-se de executar na tela esse conceito, enquanto eu desenvolvia páginas de gastronomia e turismo (e fazia um bico numa capa da Folhateen). Fazíamos piadas sobre o que aconteceria se o usuário clicasse no símbolo do UOL.
Mas não cheguei a ver a nova home page pronta dentro da redação do UOL. Caio Túlio Costa demitiu-me alguns dias antes, por "excesso de contingente". Douglas permaneceu e virou diretor de arte. Nunca cobrei o dinheiro do mês que passei trabalhando na redação do UOL.
A home page "planetária" foi imortalizada na seção de história interna do UOL:

Quatro anos depois, fiz dois trabalhos para o novo BOL: ícones para um sistema de publicação interno e cartões virtuais ilustrados, na companhia de artistas como Laerte, Tom B e Orlando. Os cartões saíram do ar, mas o site ainda existe: virou o Cartões UOL.


4 comentários:
Os nossos e-mails viraram UOL e isso me deu uma raiva danada...
Que sessão nostalgia...afê!
e nossos e-mails viraram UOL. Me deu uma raiva danada...
Quanta nostalgia...esse planetário era muito simpático.
Nessa época eu trabalhava com a Astrolábio do Rio de Janeiro, via modem, eram noites conectada mandando arquivos, layouts, etc...
Viva a banda larga!
É muito importante preservar essa memória da internet brasileira. Principalmente quando isso é feito por quem participou diretamente dos fatos daquela época.
É muito importante criar essa memória das raízes da internet no Brasil. Principalmente quando o registro é feito por quem participou dos fatos daquela época.
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