São Paulo terá Coordenadoria De Bicicletas na Secretaria De Transportes do Município.
Este site, como o de muitas outras pessoas que lutam pela libertação da dependência cultural do automóvel e promovem meios de transporte mais limpos e humanos, sempre reservou palavras muito duras aos administradores públicos. Nunca gostei de escrever essas coisas, ao contrário do que pode pensar o eventual "fã do circo pegando fogo". Tampouco partilho da ideologia dos que reclamam de braços cruzados esperando favores do governo. Longe disso.
Acontece que os alvos das críticas nunca fizeram por merecer outro tipo de palavra. Uma coisa é que eles demonstrem descaso e desconhecimento do assunto. Outra diferente é fazer promessas sem intenção de cumpri-las. Outra coisa igualmente deplorável é tentar calar e reprimir os manifestantes enviando multas da CET. Essas coisas não são simples idiotices ridículas, são atos contra a moral. Por fim, uma coisa muito mais grave é atrapalhar iniciativas de boa fé dos ciclistas, pondo a vida de inocentes em perigo. Foi o que aconteceu no caso deo fechamento do acostamento da Marginal Pinheiros.
Agora, os mesmos caras que ignoraram os ciclistas, tentaram calá-los e os reprimiram, mudaram de ideia e anunciaram criar um grupo de diálogo para os interesses dos ciclistas dentro da CET. Havia já um grupo dentro da Secretaria do Verde, que tinha as mãos amarradas para lidar com os problemas do trânsito.
Uma coisa que proporciona uma fímbria de esperança é que essa promessa surgiu durante uma ação real, fruto de uma bela iniciativa do André Pasqualini (CicloBR), que ajudou a informar e educar os motoristas de ônibus e contou com a presença dos secretários municipais e do prefeito.
Uma mudança de cultura pode estar prestes a ocorrer. Mas como apontou a Renata Falzoni num comentário ao texto do André sobre a questão, só vou ter certeza de que é sério e aplaudir quando a CET tiver sinalizado a primeira ciclofaixa compartilhada na cidade de São Paulo.
Não se pode relaxar na cobrança
Você pode me perguntar se não está indo muito longe a minha insatisfação e a desconfiança em relação às intenções da prefeitura, se deveríamos lhe dar um voto de confiança mais amplo.
Sabe o que acontece? Enquanto acena verbalmente com a possibilidade de criar um grupo de ouvidoria para ciclistas, a mesma prefeitura se prepara para, em parceria com o governo estadual, destruir 50 quilömetros de canteiros arborizados na Marginal Tietê e substituí-los por uma estúpida faixa extra de rolamento para nela socar ainda mais veículos do que cabem hoje. Os dois governos se dispõem juntos a eliminar a área que resta com vegetação numa região de várzea industrializada e já completamente desprovida de áreas verdes; impermeabilizar o solo bem à margem do rio, potencializando novas enchentes; atrair novos veículos para a região e gerar de imediato congestionamentos ainda maiores que os atuais, não resolvendo coisa alguma; tudo isso visando promover o nome do governador como candidato a presidente, sob a pauta burra e retrógrada do rodoviarismo urbano obsoleto, e ao mesmo tempo encher os bolsos das empreiteiras (a obra é tão cara que pagaria 13 quilômetros de Metrô). Enfim, é uma ideia condenável em todo e cada um dos seus aspectos. E as obras começam na semana que vem.
Contra esse tipo de ação, que já é considerada inaceitável e obsoleta em qualquer país civilizado, os ciclistas não têm força de agir.
Por enquanto.
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Amaya, contra esse absurdo dá Marginal Tietê dá sim para agir. Porque essa obra deveria ter ao menos ciclovia como manda a lei e não há um km sequer no projeto.
ResponderExcluirNão vai ser fácil, mas dá, ao menos, para trazer boas dores de cabeça para esse povo.
Aproveitando, dia 18/06 haverá um encontro no Clube Espéria para debatermos essa questão.
http://ecourbana.wordpress.com/2009/06/07/repensar-sao-paulo/
Se a ação dos ciclistas terão algum resultado não sei. Mas que vamos fazer algo, isso tenho certeza.
Abraços
André Pasqualini
Olá Mario,
ResponderExcluirno site do IAB - Instituto de Arquitetos do Brasil, há um texto e um abaixo assinado contra a obra.
http://www.iabsp.org.br/noticias.asp?nota=1057
Só agora vi a postagem, mas quero deixar registrado que matou a pau ao colocar os dois temas em relação no mesmo post.
ResponderExcluirO Serra fez o mesmo com os ocupantes do Parque do Povo na outra campanha pra presidência. Expulsou todos pra mostrar à burguesia do Itaim que podiam votar nele. Depois voltou atrás, mas o trabalho de expulsão dos moradores do parque, do circo escola picadeiro e da quase expulsão do grupo ventoforte foi executado pelas prefeituras que seguiram Enquanto isso, faz-se virada cultural e são fechados albergues no centro.
É um absurdo total que quase ninguém comenta.
Aliás, fui longe do que queria comentar, mas vale o registro.
Olá.
ResponderExcluirComo vão?
Não sou ciclista mas apoio o a construção de ciclofaixas para que as pessoas possam trabalhar de bicicleta. No entanto, considero a crítica acima um pouco acima do real.
A construção das faixas é necessidade do momento, enquanto a mudança de cultura é algo que toma mais tempo. Não dá pra vida das pessoas que dependem de transito (eu pego a marginal apenas uma vez por semana) continuar um inferno.
Além disso a adição da faixa faz parte do projeto do parque de várzeas do governo estadual, que pelo que vi na maquete, criará um excelente parque, com ciclovias ao longo de toda a marginal, que poderão ser usadas para transporte profissional.
Infelizmente é um pouco difícil acreditar que essa obra continuará depois que o governo mudar, entretanto, creio que o que nos resta é acreditar.
Parabéns pela iniciativa de promovar as bicicletas. O brasil usa essa cultura norte-americana de transporte, mas nós não usamos o espaço do nosso país como eles usam o deles.
Mozartiano, você está fazendo confusão. Ciclofaixa não se constrói, apenas se delimita. É um espaço demarcado no chão, sem grandes necessidades em termos de obras - sinalize e eles virão, por assim dizer.
ResponderExcluirA mudança de cultura tem que ser desde agora para sempre. Discutir a mudança de cultura que ainda alguém vai planejar fazer não tem sentido. É para mudar a partir deste instante, e faço minha parte nisso.
Neste momento, o governo só promete e não faz nada pelas bicicletas. A prefeitura se mexe com uma má vontade notável, a despeito das manifestações positivas do prefeito. Você está satisfeito com a maquete da ciclovia da marginal? Eu olho pela janela e o que vejo é que na vida real, de verdade, não existe porcaria nenhuma ali além de uma estrada de serviço junto à linha de trem. Você sabia que os funcionários responsáveis pela estrada de serviçø fazem lobby interno para que ela nunca vire ciclovia, para que eles não percam a "mamata" de dirigir ao longo do rio sem trânsito?
Por fim, a cultura de bicicleta na rua tem muito mais de Europa do que EUA. Estude os exemplos de sistema cicloviáro em Copenhagen e Amsterdam e o projeto de bikes públicas de Paris.