2009-05-04

Até agora, a resposta é um claro não

Os secretários da prefeitura de São Paulo comprovaram seu descaso com a situação descrita no post anterior.

Resumidamente, a Marginal Pinheiros, sentido Interlagos, entre as pontes Morumbi e João Dias, teve um trecho longo de acostamento, que era densamente usado por gente que se transporta de bicicleta, transformado em faixa de alta velocidade para carros. Não se criou uma alternativa de tráfego para as bicicletas (nem mesmo calçada existe ali), na intenção de desafogar os congestionamentos gerados pela recém-construída Ponte Estaiada (pretenso cartão postal paulistano que, nunca custa lembrar, infringe a legislação estadual ao não permitir o trânsito de nenhum outro veículo além de carros). Um grupo de ciclistas tentou repintar a faixa de acostamento e foi impedido pela Polícia Militar. A seguir, um dos ativistas enviou uma carta aos secretários municipais, governo estadual e imprensa, esclarecendo nos mínimos detalhes a situação. Dois secretários da Prefeitura, incluindo o responsável direto pela intervenção na Marginal, disseram que visitariam o local e estudariam o caso.

O multissecretário Alexandre de Moraes, depois de repetir que tinha na mão um plano cicloviário para a cidade, silenciou. A última notícia dele que tive foi da sua presença num encontro do governador com o prefeito para verificar as obras de um complexo de viadutos no Tatuapé, entre a Padre Adelino, a Radial Leste e a Salim Farah Maluf. Que pode ser interpretado como mais uma obra eleitoreira, que porta a falsa promessa de aliviar a situação dos automóveis individuais e que em vez disso será outro polo atrator de tráfego e gerador de congestionamento permanente. Exatamente como aconteceu com a Ponte Estaiada, origem do problema de trânsito na Marginal que causou a intervenção.

Eduardo Jorge esteve pessoalmente no trecho da Marginal, disse por escrito que a solução era construir a prometida ciclovia, deu-se por satisfeito e virou as costas ao caso.

Absolutamente nenhuma medida oficial foi anunciada ou tomada.

Os cicloativistas, convencidos de que a oferta de diálogo foi falsa e estão largados à própria sorte, planejam mobilizar-se para melhorar as condições de tráfego no local com as próprias mãos, recuperando uma trilha de terra preexistente que é paralela à Marginal.

Na condição de morador de São Paulo e usuário da bicicleta como meio de transporte, seguirei apoiando ações de contestação pública às políticas oficiais e também táticas de guerrilha não-violentas para reconquistar o espaço urbano da tirania motorizada oficial.

3 comentários:

Nefelibata disse...

Se você quiser conhecer esse Alexandre pessoalmente, ele dá aulas na minha faculdade. Como o prédio é público, você pode assistir a uma aula. É pela manhã, e precisaria confirmar em qual dia e horário ele dá mesmo aula, que é de Direito Constitucional.

Você veria um conceito interessante de picaretagem.

Mario disse...

Bacana o convite, mas se eu encontrasse o professor cara a cara numa sala de aula, seria para repetir os questionamentos que eu e outros temos feito sem haver uma resposta que revele genuína consideração ao tema, indo na contramão do pensamento dos modernos administradores em outras grandes cidades. Mas acho que o contexto para o debate seria inapropriado. Talvez fazer perguntas sobre trânsito a um jurista seja errado, mesmo ele trabalhando com trânsito.

Fiquei curioso quanto ao conceito interessante de picaretagem, de qualquer maneira...

Nefelibata disse...

Eu gostaria de ser mais sincero com relação ao multissecretário, mas é complicado; fale a verdade de um jurista e muito facilmente você será processado por ele e condenado por um juiz amigo dele...

Talvez assim funcione: ele é tão versátil que me lembra um acessório da Apple. Um iMoraes, entende? (ok, piada fraca... mas a ideia tá aí, hahaha).

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