2009-04-03

Em defesa do Kraftwerk

É um sintoma de que algo não vai bem com um veículo grande quando, além de você nem se importar em lê-lo, todas as menções que chegam sobre ele são negativas. Aconteceu isso quando o Diogo Mainardi escreveu em sua coluna um texto magnificamente enviesado sobre o show de Kraftwerk e Radiohead.

Como um exercício de demonstrar como um insolente zé-quase-ninguém da subimprensa blogueira pode rebater o argumento de um privilegiado palpiteiro da velha mídia, me diverti em escrever uma defesa do Kraftwerk em dez minutos e jogá-la na lista de discussão onde o assunto emergiu. Pelo menos neste cantinho da Web alguma justiça se faz com os velhos alemães.

Acompanhei seus primeiros discos. Autobahn e Radio-Activity. Em 1977, quando saiu Trans-Europe Express, eu já desistira do grupo. Tinha 15 anos. Era velho demais. Quase a idade de Mozart em 1775. Naquele tempo, o Kraftwerk evocava o futuro. Mas era uma imagem do futuro de 30 anos atrás. Ridiculamente datada. Embolorada. Caduca. Com seus uniformes aderentes, com sua imobilidade no palco, com suas letras afásicas, com seus arranjos elementares, com sua batida narcótica, com sua tecnologia rudimentar, o futurismo caipira do Kraftwerk era igual ao do seriado de TV com marionetes "Os Thunderbirds".


Para começar, um esclarecimento: os primeiros discos da banda não são os citados. Autobahn já era o quarto creditado ao Kraftwerk. Memória ruim? Desleixo para checar fontes? Maus sinais.

Ele reclama que som do Kraftwerk é de um futurismo caipira de antigamente. Surpresa! É exatamente isso mesmo. Já soava estranhamente retrô em sua época original, mesmo usando instrumentos modernos. Por quê? Porque na estrutura as músicas são deliberadamente conservadoras. Mas o Diogo não tinha como pescar isso com 15 anos, e até hoje não conseguiu. Nunca entendeu que a afetação do Kraftwerk é uma elaborada ironia. Não bastaria ter mais cultura, o Diogo precisaria também de senso de humor.

O disco Autobahn, de 1974, que mostra na capa um Mercedes-Benz e um Fusca, foi composto exatamente durante a primeira grande crise do petróleo. Os europeus, que já preferiam carros menores e mais modestos que os norte-americanos, estavam com um tremendo bode de automóvel em geral. A letra da música, celebrando a viagem de carro, é uma provocação, um comentário cínico sobre o estilo de vida que a geração do pós-guerra se dedicara a construir e então parecia desmoronar. E eles ainda tiveram a cara de pau de parodiar um estilo de canção folclórica alemã (a segunda melodia) para dar à composição um tom provinciano, de uma alegria alienada.



Durante os shows, a projeção de vídeo mostra filmes antigos de algumas Autobahnen recém-construídas, durante nada menos que o governo Hitler. Ironia sobre ironia.



Radio-Activity/Radio-Aktivität é um álbum que mistura o conceito de radiodifusão com o de radiação. A música título é um alerta contra o mau uso da energia nuclear. A versão corrente tocada nos shows começa com um texto falado alertando contra a produção descontrolada de lixo radioativo e emenda com nomes funestos relacionados ao tema: Chernobyl, Harrisburgh, Sellafield, Hiroshima.



Trans-Europe Express era uma rede de ferrovias de transporte de passageiros que cobria toda a Europa ocidental, mas declinou e fracassou comercialmente. Já estava quase toda desmantelada quando o Kraftwerk compôs a canção. É outro tema posto em evidência deliberadamente fora de sua época para criar ironia. A própria capa do disco é uma foto dos músicos no estilo dos anos 50. Sabendo do background histórico, que de fato não é óbvio para um brasileiro, você pode compreender o toque elegíaco, por vezes soturno, nesse hino às glórias do transporte ferroviário. As projeções nos shows do Kraftwerk mostram o TEE no seu princípio, nos anos 50. Os próprios carros dos trens tinham um estilo futurista brega e feioso, que envelhecera muito mal e reforça esteticamente o tom da música.




Por outro lado, os sons sampleados de metal chocando-se contra metal marcaram a gênese do estilo industrial. Que eu posso chutar com razoável chance de acerto que o Diogo desconhece completamente ou odeia.

Computerwelt/Computerworld, que o Mainardi não mencionou, é de 1981 e profetizou com impressionante precisão o atual estilo de vida baseado na Internet. O disco seguinte de 1983, que foi adiado para 1986 devido a um acidente de bicicleta de Hütter, chamaria-se "Techno Pop" e antecipava a estética de quase toda música pop que domina as rádios desde então, gostemos disso ou não. Outro disco não mencionado, The Man-Machine/Die Mensch-Maschine, especula sobre a relação cada vez mais complexa entre seres humanos e máquinas, o que só tem se confirmado desde então.



O ponto aqui é que você não precisa gostar do som para reconhecer que ele comenta temas relevantes da sociedade atual, e que o enfoque pseudo-retro-futurista põe em xeque a confiança que temos nos nossos planos e expõe o doloroso fato de que, na verdade, não temos a mínima ideia de para onde a civilização humana está indo.

Por fim, quatro caras que trocam a si mesmos por robôs durante a apresentação e voltam vestidos com roupas fluorescentes imitando wireframes de CG estão pedindo muito claramente para não serem levados a sério demais.




Mas a gente viu lá no começo que o Diogo não tem senso de humor, quer que tudo seja high art, não? Então OK.

O resto do texto lá é uma maneira patética e pobre de ostentar o relativo privilégio de ter visto o Radiohead do soundboard e ter conversado com alguns músicos, apesar de aparentemente ter detestado o show. O que previsivelmente se alinha à premissa da coluna: nada nunca pode ser bom, jamais algo merece elogios e a destruição inconsequente é a única atividade intelectual possível. Detestar tudo e falar mal sem limites dá prazer, não? Essa parece ser a derradeira conexão a um hausto definhante de vida artística de um melancólico fracassado (não o estou insultando, são as suas próprias palavras).

Diogo fecha o texto dizendo que a sua geração perdeu-se. Não vou entrar nesse debate, a esta hora alguém por aí já escreveu algumas boas provas do contrário. Seria bom agora que tivesse a dignidade de não gorar a geração atual, para a qual as suas lamúrias têm ainda menos valor que a cadeira que tanta falta fez para descansar seu cérebro fatigado.

30 comentários:

  1. Confesso que não conheço quase bulhafas sobre Kraftwerk, então para mim isso foi uma 1ª aula e procurarei conhecer mais. Valeu pelo texto.

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  2. Meus parabéns pelo ótimo texto, Mario. Mesmo sendo um fã do Kraftwerk nunca parei para analisar as músicas da banda com tanta profundidade e embasamento quanto você. O post já está nos estrelados do Google Reader para ler outras vezes.

    Quanto ao Diogo, também acho interessantes seus textos, desde que vistos com um certo afastamento, como diz o próprio em A Tapas e Pontapés: "Tenho uma opinião sobre tudo. Ao longo dos anos, notei que minhas melhores opiniões são aquelas em que desconheço completamente o assunto. Já me flagrei dando quatro ou cinco opiniões contraditórias sobre o mesmo tema. (...)"

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  3. Então, você gosta do meu texto porque o seu embasamento comprova que o do Diogo não tinha embasamento, e ao mesmo tempo gosta do texto do Diogo porque ele assumidamente escreve sem embasamento? Faz o favor.

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  4. Não entendo o problema de gostar de dois textos por motivos diferentes. O Diogo tem um estilo e você tem o seu e gosto de ambos. Do jeito que você falou até parece que os dois trabalhos se aniquilariam se colocados juntos. Claro que discordo de muita coisa que ele fala, mas isso não o torna irrelevante, na minha opinião.

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  5. Sobre o DM, esqueci de falar, mas o melhor é não falar, já li algumas colocações do mesmo, o santo não bateu então e prefiro não acompanhar nada vindo do mesmo. Fala sobre tudo e no fundo não fala nada. Objetivo de tudo afagar o próprio ego, vide o podcast que é umas das coisas mais ridículas que já ouvi.

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  6. eu estava lá, tinha 15 anos, comprei o disco, e adoro tudo de Kraftwerk; são absolutamente eruditos, isso quero crer.

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  7. É importante prestar atenção no Mainardi – porque se ele diz alguma coisa, na melhor das hipóteses está errado; na pior, ele leva algum tipo de vantagem em dizer que algo não está certo. Leia-se: se o Mainardi diz algo contra, esse algo deve ser bom de alguma forma.

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  8. Fundamentação histórica precisamente perfeita. Nada como conteúdo de verdade para esclarecer melhor as mentes "doentias" que vem ganhando espaço para falar tantas asneiras. Parabéns.

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  9. Não há como escapar, texto bão mesmo. Antigamente passávamos satisfeitamente as horas ouvindo kraftwerk, Black Sabath, Os Mutantes, Jeff Beck, Quinteto Violado, Genesis, Led Zeppelin, Clube da Esquina, Pink Floyd, 14 Bis, Yes, Gentle Giant, Traffic, King Crimson, Caetano Veloso, America, Beatles, Tom Jobim, Emerson and Lake and Palmer, Gilberto Gil, Crosby and Stills and Nash, e ainda aguardando o que viria a seguir. Agora temos de nos contentar com o que um zé poluente tem a maldizer das coisas por dinheiro e a bater tecla com a sua freguesia que lê pelo estilo e não pelo conteúdo, enfim, lê por ler. Relpe!

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  10. O melhor comentário foi o do Lancaster: se o Mainardi fala mal de alguma coisa, essa alguma coisa deve ter algo de bom.

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  11. Peraí, será que preciso cheirar ovo podre pra saber que a rosa é perfumada?

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  12. Devo concordar plenamente com os méritos do Kraftwerk, bem como suas respectivas justificativas. Afinal, não há de ser um cucaracha que vai jogar no ralo um consenso tão unanimemente difundido em todos os meios de crítica musical.

    Quanto ao Diogo, todo mundo sabe, ele mesmo sabe, que o tema das coluninhas dele é a rabugice, o resmungo. Eu particularmente acho isso péssimo, o que também é um sintoma de rabugice. Na impossibilidade de determinar quem tem menos razão, sigo lendo e reclamando, quando tenho oportunidade. Ao menos é engraçado, "curioso", tipo: "que merda será que esse loco escreveu dessa vez?"

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  13. Desde quando o Diogo Mainardi é especialista em musica? O cara é uma tia palpiteira que ganha bem, soh isso.

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  14. Eu ouvia muito Kraftwerk quando moleque, no tempo de Pocket Calculator, depois meio que ficou pra trás. Até tinha pensado que a banda deixou de existir... Até hoje, ainda acho que é uma das poucas iniciativas de música eletrônica que deu em alguma coisa interessante.

    Mainardi, volte pra escola, meu filho.

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  15. Mario, EXCELENTE abordagem sobre a importância histórica da obra do Kraftwerk! É isso mesmo: o futurismo daqueles alemães era absolutamente retrô, se é que tal contradição seja possível. Eis a genialidade da banda. "Music Non Stop: Techno Pop!" Parabéns!

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  16. Sem falar que o Show do kraftwerk foi extremamente prejudicado. Sou fã desde criança e levei meu filho e minha mãe (isso mesmo, minha mãe!) pra verem o show.

    Fiquei triste em ver que pelo menos 4 músicas do show completo não entraram, como It´s more fun to compute, ou computer love, que seria inédita no Brasil. Elektro Kardiogramm foi outra falta sentida. A falta das cortinas destruiu a mágica da transformação em robôs e o início do show sem as sombras em man machine.

    Ainda assim, capado da genialidade simples de sua iluminação (geralmente usam iluminação de frente e de trás para suas silhuetas ficaram de uma cor, com a borda de outra), das cortinas que abrem e fecham criando um clima teatral (kraftwerk em local aberto não dá a dimensão real da complexidade de seus arranjos).

    Eu fico agradecido por terem trazido o kraftwerk, mas me senti muito mal em ver o que fizeram com o show deles. Presos entre os "incríveis" Los Hermanos e o Radiohead e sufocados pela apatia de um público que não fazia idéia do que estava presenciando.

    Espero que eles um dia voltem, em nome dos dois primeiros shows que fizeram por aqui e para um público mais adequado.

    Pelo menos ficou a alegria de ver a então inédita "Showroom dummies" ou "Os Manequins" cantada em português por herr Hütter

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  17. @Abel

    Mas é óbvio que sim.



    Muito bom texto.

    Evoca uma lei da natureza muito simples: se a Veja diz que é bom, é ruim.

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  18. Adoro quando fanáticos por alguma coisa se esforçam para achar cultura, crítica social e desafios à existência da humanidade em algo quando essa não é a intenção original do artista. Como disse o grande Mário Prata, "vi a análise de um livro meu no vestibular da UFRJ e fiquei surpreso que tivesse pensado isso tudo antes de escrever.". Nesse caso, você é a UFRJ.

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  19. talvez o mainardi também tenha uma postura irônica. haha

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  20. Olá, Mario. Brilhantes palavras.

    Uma coisa que chamou minha atenção no show do Radiohead foi um certo mimimi desdenhando a apresentação do Kraftwerk.

    Meus amigos me olhavam surpresos porque eu conhecia as músicas pelo nome...

    E é gente culta, que se interessa por música, tecnologia, comunicação, cultura de massa, e faz seus mestrados por aí.

    É gozado, não?

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  21. @Lancaster, @Fernanda, @Elland: Mainardi não está sempre errado, é claro, mas ultimamente, quando acerta, soa tão duvidável quanto ao errar. Não era assim no começo, acho que o fato de o seu veículo ser a Veja - com tudo o que tem de arrogante, hipócrita e intelectualmente desonesta - contaminou o seu pensamento. Até elogiei uma coluna dele em 2001 ou 2002. Eu disse que aquilo era a última coisa na Veja que ainda prestava ler. Ele me mandou email agradecendo (naquela época, a assim chamada blogosfera ainda era um ovo e todos liam os blogs de todos). Mas passou o tempo e acabei tendo de discordar. Este caso do Kraftwerk é um exemplo perfeito da compulsão de falar mal pelo puro prazer de falar mal, afetando um falso conhecimento do assunto, e arrematar tudo com autopromoção desnecessária. Abrir com uma frase espertinha não é suficiente para justificar o artigo.

    @Helton: eu tomo um cuidado danado para não resvalar para o resmungo puro nos meus textos críticos, com sucesso apenas relativo... Nos meios em voga entre os autoconsiderados afluentes e inteligentes - hoje em dia, blogs e Twitter - a concentração de resmungo tem ficado insuportável, o que me leva à minha próxima iniciativa: começar uma campanha pelo "desarmamento mental" das pessoas que escrevem na Web.

    @GVale: O lance do Kraftwerk era parodiar o presente confrontando-o com o fracasso do futurismo do passado, ou então denunciar a inutilidade das previsões do futuro. A banda só saiu desse enfoque temporal com "Tour de France", que é uma homenagem genuína ao esporte do ciclismo de estrada, do qual o Hütter é adepto. Mesmo assim, em Vitamin e Elektro Kardiogramm você tem um enfoque crítico, ao tratar os atletas como se fossem máquinas.

    @Daniel: O seu argumento não levou a lugar nenhum. Eu fecho o texto lembrando que o Kraftwerk não tem pretensões de ser levado a sério, assumindo em sua apresentação que embora faça arte, ela ainda é um produto industrializado de entretenimento visando o lucro. Aproveitando o ensejo, fanático de orifício excretor é órgão reprodutor masculino. Ser bem informado não é o mesmo que fanatismo. Tome mais cuidado com sua retórica abusadinha, pois está perigosamente próxima à do nosso amigo Diogo, com esse negócio de fazer citações e colar rótulos. Minha próxima resposta não será tão gentil.

    @Cind Canuto: Pela minha leitural, Mainardi falseia a postura irônica, porque o real ofício em pauta é falar mal, botar os outros para baixo a fim de montar em cima, como já foi comentado.

    @H Milen: Minha solidariedade... O mero fato de você saber os nomes das músicas qualifica você para seus amigos como "fanático". Oculte o seu conhecimento ou combata os moinhos de vento.

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  22. Já n era fã do Mainardi, mas depois q ele c prestou a fazer comentários sem relevância alguma sobre a Sabrina Sato e sua pinta (verruga) não consigo mais levar a sério nada do q ele diz ou escreve. É apenas um fanfarrão com um bom contrato.

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  23. Dizer que o KRAFTWERK eh ultrapassado so pode mesmo sair da cabeca de quem parou no tempo. O proprio Radiohead adora o KRAFTWERK, assim como dezenas e dezenas de musicos internacionais. Morei Por mais de uma decada na Inglaterra e por todos paises que passei era a mesma coisa, o KRAFTWERK eh considerado o pai da musica eletronica, mais vivo do que nunca influencando todos os musicos de qualidade da atualidade. O que falar de Tour De France, maravilha!

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  24. Muito bom seu texto, eu já desisti do Mainardi faz tempo, é um pedante e seus textos são de uma pobreza incrivel, o pior é que ele gosta de ser criticado para ficar com pecha de polemico.
    Quanto ao Kraftwerk, eu estava com uma certa má vontade com o show pois conhecia pouco e estava louco pelo Radiohead, mas achei incrivel a apresentação deles.

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  25. Não sei quem tem razão nesses textos, mas uma coisa é fato, o show do Kraftwerk foi um dos shows mais chatos que eu já vi na vida. Opinião compartilhada pelos desconhecidos dentro de um raio de 2m ao meu redor no show em SP.

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  26. O que mais me desagradou no comentário do Mainardi – mesmo levando-se em conta a cota de ironia dele – é o raso achatamento que ele faz do som produzido nos anos 1970-80: usando o Kraftwerk como sinal apocaliptico, Mainardi cria lá sua teoria da falência da cultura. É até legal, mas inverídica. Joy Division filho de Kraftwerk? Pode até ser, mas também de Roxy Music, de David Bowie, de Velvet Underground, etc. Aliás é mais provável que os caras do Joy Division ouvissem com mais frequência os compatriotas do Kraftwerk, o Can, que os próprios (outra grande banda da virada dos anos 1970-80, Buzzcocks, com certeza fazia isso como lição de casa). O mesmo vale para New Order, Primal Scream (essa o Mainardi nem cita, por desconhecimento) e qualquer outra banda posterior que tenha usado sintetizador, bateria eletrônica ou o que seja: se ocupam a posição de epígonos do Kraftwerk ou de qualquer outra banda anteior, claro carregarão o estigam da mediocridade...

    A crítica da cultura conservadora (desde Ortega y Gasset) sofre desse demérito distorcedor: precisam forçar os fatos para provar seu modeo particular de declínio do universo. E isso está além (ou melhor, aquém) da qualidade musical do Kraftwerk, pego por Mainardi como protótipo ideal, no sentido mais platônico possível.

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  27. Além do Mainardi não saber que o Minimoog não faz acordes.

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  28. quem é kraftwerk, quem é diogo mainardi...
    que ele tenha seus motivos pra achar chato, ok. tive amigos que viram los hermanos, sairam no kraftwerk e voltaram no radiohead.
    que ele se canse por ficar horas em pé (isso dentro da cabine de som), tudo bem. talvez um concerto tambem seja enfadonho a ele, mesmo de um lugar confortável.
    que ele simplesmente ignore quase meio século de arte, certo. qualquer produtor musical respeitável dirá que os quatro alemães de dusseldorf - e o eletricista, sim!, e os outros que seguiram seu legado, trouxeram a música produzida por meios eletrônicos para o gosto popular; os anos oitenta padeceram de criatividade, e no entanto as gerações atual e vindoura ainda bebem da fonte; radiohead cansa com seu "free tibet" e com seu espírito antiamericano, e chama mais a atenção com a distribuição do in rainbows que muito artista consagrado pelo último formador de opinião - sem falar do que eles foram para a década de noventa, e outros comentários que renderiam um outro bom artigo, e um pouco menos do meu tempo.
    que ele prefira a cadeira, eu discordo. melhor para ele, pela sabedoria popular, é um tanque.

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  29. olha, seu texto ja ta velho(porque estou em 2012), mas levantou muitos argumentos bom! olha, to em 2012,amo bastantes bandas Alemãs, inclusive o Kraftwerk, o cara deveria pensar que se ele não gosta, guarde a opinião só pra ele, ou só fala que não curte e que não precisa sair por ai na internet falando mal das seguintes, poxa! a sei la! essa historia aqui esta velha!

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