2009-04-09

Ciclovia não é prioridade

Todo mundo que não pedala acha que a principal aspiração de quem usa a bike como transporte é ganhar ciclovias. É um preconceito tão recorrente que os cicloativistas locais começaram a encarar o termo como um palavrão.

As prioridades dos ciclistas urbanos são a convivência mais pacífica com outros veículos e mais respeito mútuo. Isso depende da conscientização dos motoristas, já que são eles que preenchem todos os espaços das ruas com veículos mais velozes e pesados, que podem ferir e matar em um simples instante de descuido ou de agressão. E também depende da conscientização dos ciclistas, que em todos os momentos devem tratar a bike como o veículo que é e guiá-la de acordo com as regras do trânsito.

Sempre tive vontade de explicar em mais detalhes o que é que não está certo na ideia fixa dos leigos em relação às ciclovias como panaceia ou solução mágica para problemas que, como acabei de observar, têm muito mais a ver com cultura e psicologia do que com infraestrutura.

Finalmente achei um excelente texto em um blog chileno, que só tive o trabalho de traduzir.

Não concordamos com ciclovias segregadas, pelas seguintes razões:
  • Apresentam novos conflitos a cada esquina, sendo mais arriscadas até para os ciclistas experientes.
  • Pretendem eliminar as bicicletas do local aonde pertencem todos os veículos, que é dentro da via.
  • São um sinal claro de falta de vontade política para tornar as ruas mais seguras, em favor da devoção exagerada ao automóvel particular.
  • Nas ciclovias chilenas, o ciclista é obrigado a percorrer vias estreitas, sinuosas, repletas de obstáculos como árvores, postes e travessias; as pistas quase não têm manutenção; acumulam sujeira e detritos perigosos como vidro e lixo. E ainda por cima, temos de parar para ceder passagem a cada nova esquina.


  • É exatamente isso o que vi acontecer na lendária ciclovia de faz-de-conta da Av. Faria Lima, que demonstra o nível de absurdo a que se chega quando uma obra é projetada por quem não pedala. A pista, isolada dentro do canteiro central, é interrompida a cada esquina por um retorno de carros movimentado, sem haver nem uma guia rebaixada para prover a mais rudimentar acessibilidade a quem não é versado em manobras de BMX e freeride. Exige uma perigosa travessia a pé para entrar e sair em qualquer ponto. A profusão de obstáculos impede até o ciclista mais paciente de atingir uma velocidade que justifique pedalar lá dentro. A pouca sinalização que foi instalada desapareceu, depredada ou roubada, e nunca foi cuidada nem reposta. Obras novas no curso da avenida, como pontos de ônibus e uma nova estação de Metrô, eliminaram completamente a pista de bikes. Finalmente, a pista foi adotada por pedestres praticantes de exercícios e jogging; se você entrar lá com uma bicicleta, será hostilizado.

    Cenário idêntico formou-se na Avenida Sumaré, a mesma onde mais recentemente tentou-se implantar uma faixa exclusiva para motos e o resultado foi o aumento imediato dos acidentes com motos.

    O governo local passou os últimos anos falando de outra ciclovia inútil, que nem ainda foi construída: a da Marginal Pinheiros. Além de ser paralela a uma linha de trem já existente, o projeto faz mais sentido para quem percorre distâncias maiores, pois os pontos de acesso a uma ciclovia na Marginal se resumiriam às pontes sobre o rio, que distam de 2 a 5 km uma da outra. Na própria Marginal não há muitos locais de interesse direto para as bikes, exceto no lado direito do rio, que é oposto ao trajeto da ciclovia e à linha de trem. Tudo isso reduz o seu atrativo integrador de transporte. Seria talvez uma obra para faraó ver, e nem foi iniciada, de qualquer maneira.

    Na Zona Leste está sendo implantada uma ciclovia real, que novamente é paralela a uma linha de trem em vez de estabelecer um caminho novo.

    O site chileno segue comentando que o instrutor norte-americano David Smith, do site A Better Bicyclist, assistiu a uma palestra de Brian Hansen, planejador de transportes de Copenhagen, a respeito da separação física das ciclovias. Estes foram alguns de seus pontos:


  • Antes de existir a separação física em ciclovias, as viagens de bicicleta eram o dobro de hoje.
  • Devido à facilidade de obter um carro, muita gente abandonou a bicicleta e o transporte público.
  • Devido a isso, surgiram congestionamentos.
  • Para reduzir os congestionamentos, o uso do carro está sendo desestimulado, inclusive com medidas restritivas. Para promover o uso da bicicleta, construiu-se para elas uma nova infraestrutura.
  • As ciclovias não são mais seguras do que compartilhar a rua. São falsamente percebidas como sendo mais seguras. Elas também não são mais seguras que as ciclofaixas (vias para ciclistas demarcadas na rua), pois elas concentram um número maior de colisões nos cruzamentos.
  • A falsa percepção de segurança é apoiada pelo aumento no número de ciclistas. A um número maior de ciclistas na rua corresponde uma quantidade constante de acidentes de trânsito envolvendo bicicletas. Ou seja, a taxa de ciclistas acidentados diminui. Isso acontece porque os motoristas ficam mais atentos à presença das bicicletas e tomam mais cuidado ao dirigir.


  • Essa tese novamente apoia a minha convicção, que se resume a isto: é preciso antes de tudo promover uma cultura de convivência pacífica. E isso não depende de obras. Se a intenção dos planejadores urbanos com as ciclovias é desincentivar a convivência entre as bicicletas e outros veículos para "não atrapalhar os carros", é melhor mesmo que não se construa ciclovia nenhuma.

    Artigo selecionado pelo

    21 de abril - Como um post mais recente menciona, os cicloativistas de São Paulo estão em pé de guerra novamente, por causa de mais uma decisão estúpida da CET. O trecho de acostamento da Marginal Pinheiros entre as pontes Morumbi e João Dias é usado por um grande número de ciclistas de longa distância que pedalam a trabalho. Eu mesmo percorri aquele trecho algumas vezes, porque ele não tem paralela próxima; somente os morros do Morumbi e Panamby, com ladeiras e ruas sinuosas e congestionadas.
    A decisão estúpida da CET, motivada pelos congestionamentos gerados pela nova Ponte Estaiada – em si mesma uma obra estúpida – foi tentar dar mais espaço aos carros, transformando o acostamento em via normal. E que se danem as bicicletas, naturalmente!
    O pessoal da Bicicletada esteve lá para repintar a faixa, num ato de desobediência civil plenamente justificável, mas confrontou a polícia e levou a pior. Estão planejando recomeçar a iniciativa com um efetivo maior de manifestantes, tentando vencer pela pressão. Mas a coisa toda pode acabar muito mal.
    Pessoalmente, digo pela terceira vez que acho estúpida a alteração na faixa, pois ela NÃO resolve o problema do congestionamento de carros, apenas empurra a demanda de espaço para mais adiante, e ainda prejudica centenas de pessoas de bem, desestimulando-as das bicicletas e obrigando-as a gastar dinheiro com trens lotados.
    Mas a situação não levaria a um impasse dramático se a tão prometida e jamais cumprida ciclovia da Marginal – que eu mesmo nem achava tão importante assim – estivesse construída e operando. Agora ela passou a ser importante e necessária. Porque o que o poder público está fazendo nesta cidade consistentemente ignora as bicicletas – e os pedestres junto –, ou as expulsa de propósito, a fim de forçar a abertura de espaço para o carro individual, que é o causador fundamental do caos no trânsito e deveria ser francamente desincentivado, não mais protegido.
    Eis algo para ser pensado pelas pessoas que querem consertar o grande problema desta cidade, que não é fundamentalmente de infraestrutura, e sim de atitude e de valores humanos.
    E por conta da minha raiva da cegueira teimosa de alguns administradores públicos e da hipocrisia de alguns outros, este post acabou de ter acrescentado o marcador Idiotas.

    Maio de 2010 - A prefeitura inaugurou a ciclovia da Marginal Pinheiros, ainda sem pontos de entrada e saída intermediários e destinada claramente ao puro lazer e não ao transporte. A ciclovia passa por baixo da Ponte Estaiada, vizinha à Rede Globo, que por sua vez usou a ponte como cenário para uma corrida de bicicletas na novela Passione, que pega embalo na modinha atual da bicicleta entre a classe média. A ponte, como já foi comentado, é de acesso proibido para qualquer coisa além de automóveis, num flagrante desrespeito à lei estadual. Enquanto isso, cansados de esperar, cicloativistas sinalizaram por conta própria a travessia da Ponte da USP.

    40 comentários:

    1. Mario, não sou ciclista e muito menos conhecedor de teorias e possibilidade de planejamento urbano que suportem bem as bicicletas.

      Mas posso dizer que minha experiência em Paris foi iluminadora. Quando implantaram o sistema do Vèlib (http://www.velib.paris.fr/), como o que o Sérgio Cabral quer pôr aqui no Rio, eles não pararam nas bicicletas. Fizeram, por toda a cidade, pistas exclusivas para ciclistas, dentro das vias comuns, mas separadas por um fiapo de 20cm de calçada.

      Estas pistas têm de respeitar a mesma sinalização dos carros (não são de mão dupla, têm de parar no sinal vermelho, etc), e com isso ganham o status que você aponta como sendo necessário para serem respeitadas.

      Me parece a melhor solução possível para os problemas que você vem levantando. E vale notar que Paris é uma cidade latina e velha, com um mapa de ruas tão complexo e irregular como cidades como Rio de São Paulo.

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    2. A melhor maneira de prevenir acidentes no trânsito e permitire que a bike seja intergrada ainda é respeito e educação. Todos os integrantes do sistema de transporte precisam estar cientes de suas responsabilidades: motoristas, ciclistas, reguladores.
      Eu nunca pedalei em uma ciclovia funcional, de transporte (as de lazer, sequer posso comentar). Gostaria de ter a experiência para poder colocar à prova minhas convicções sobre o assunto, que são muito parecidas com as suas. Algum motivo deve ter para as capitais européias que tem fluxo intenso de bicicletas terem centenas de quilôpmetros de ciclovia...

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    3. A melhor maneira de prevenir acidentes no trânsito e permitire que a bike seja intergrada ainda é respeito e educação. Todos os integrantes do sistema de transporte precisam estar cientes de suas responsabilidades: motoristas, ciclistas, reguladores.
      Eu nunca pedalei em uma ciclovia funcional, de transporte (as de lazer, sequer posso comentar). Gostaria de ter a experiência para poder colocar à prova minhas convicções sobre o assunto, que são muito parecidas com as suas. Algum motivo deve ter para as capitais européias que tem fluxo intenso de bicicletas terem centenas de quilôpmetros de ciclovia...

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    4. Sou um defensor da ciclofaixa e da faixa compartilhada. É uma solução que não custa caro e pode ser implantada em muito mais vias do que a elusiva ciclovia. Mas também sei que sem vontade política real, forte campanha de educação dos motoristas e fiscalização intensa e implacável da CET, ciclofaixa em São Paulo não adiantaria absolutamente nada, seria tão ignorada quanto as faixas de pedestres são quando não há marronzinhos vigiando. Todavia, de algum ponto temos de começar. A CET de São Paulo até agora ignora quase completamente os direitos e deveres dos ciclistas; só entende de proteger os carros particulares. Gente cansada dessa situação vem pintando símbolos de bike clandestinos em locais estratégicos das grandes avenidas da cidade. Some a isso um número muito maior de gente usando bicicleta como transporte. A cultura já começou a mudar. Pouquinho ainda, mas vai. Faltam administradores públicos comprometidos de verdade. Isso pode levar mais uns anos.

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    5. O metrô de SP já permite que se leve bicicletas? Eu experimentei uma vez levar a bike aqui no Rio e foi tranquilo, só precisando fazer um esforcinho a mais para carregar a magrela no braço. Em certas estações como a Cantagalo é impraticável devido às numerosas escadas e longas passarelas, da entrada à plataforma. No site do Metrô Rio não consegui localizar qualquer informação sobre o serviço, acho que nem tem mais. Ah, e só é permitido ao domingos e feriados.

      Esse feriado eu vou pedalar da ciclovia da praia. Mas tem muita gente que não sabe se comportar nela, pessoas que vêm pela contra-mão com carrinhos de bebê, pais que não seguram seus filhos pequenos, linhas de pipa, detritos como latas e vidros jogados na via e aquele sujeito que acha que é malabarista profissional e vem sem as mãos no guidão. O jeito é andar em velocidade moderara, mãos nos freios e atenção.
      Boa Páscoa para todos.

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    6. André, a política para bicicletas do Metrô e da CPTM (que na prática são um mesmo sistema unificado) simplesmente não existia até 2007. Agora há bicicletários com empréstimo de bikes em várias estações, e as bikes podem viajar dentro dos trens em certos horários. Se você ler nas entrelinhas, verá que os bicicletários privilegiam o transporte e os horários permitidos nos trens privilegiam o lazer. Mas já é um bom começo.
      http://www.metro.sp.gov.br/servicos/bicicletario/bicicletario.asp

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    7. Não sei se o que vou escrever aqui é um tanto off-topic, mas enfim… uma outra coisa que me faz torcer o nariz no espaço urbano em São Paulo são as passarelas para pedestres.

      Claro que elas são melhores do que pessoas atravessando pistas expressas sem faixa, mas aí é que tá: a ética que está por trás delas (a de que pessoas devem abrir espaço para os carros) é questionável.

      Elas podem até ser boas para grandes vias expressas ou estradas, mas em muitos casos elas poderiam ser muito bem substituídas por faixas para pedestres com semáforos, que é uma opção bem mais barata para quem constrói e confortável para quem usa. Sem contar que a poluição visual torna-se bem menor.

      Falo isso porque aqui na região central há várias passarelas para pedestres que podiam muito bem ser substituídas por faixas para pedestres, por exemplo.

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    8. Apoio totalmente o ciclista.
      E esta na lei: o pedestre tem prioridade ao ciclista que tem prioridade sobre o motorista.
      Acho que deveram ter mais ciclovias e calçadas do que asfalto para carros.

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    9. E eu que possuo uma velha "bicicleta" o que devo fazer? trocar por uma "Bike"?

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    10. Eu não ando de bicicleta há anos, infelizmente. Mas apóio totalmente os protestos dos ciclistas, ainda mais depois que aquela moça foi atropelada na Paulista.
      Sou vegetariana há anos e percebo que tanto com ciclistas como com os vegetarianos as pessoas tem uma grande dificuldade de lidar, pq são estilos de vida que vão contra essa cultura do "filé mignon e carro do ano" como estandarte de status, buscam outras coisas e a massa morre de medo de conviver com o novo, de questionar suas certezas. Mas percebo um aumento no n° de pessoas envolvidas com essas causas de ambiente e qualidade de vida, e como outros disseram antes, considero um bom começo.

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    11. Pois é: bike é menor, bike não polui, bike faz bem ao coração, mas "bikers" praticamente não são respeitados. Eu moro em São Caetano do Sul, onde existe uma bela ciclovia. Entretanto, é uma cidade com muita gente pedalando em nível atlético. Todos estes pedalam nas vias, pelo menos aqui há uma boa dose de respeito. Civilização e respeito mútuo, somado ao bom senso resolveriam muitos problemas...Abs!

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    12. Adorei e concordo com muita coisa, mas aqui no Rio, o desrespeito se dá inclusive na próprioa ciclovia, onde transitam motos, carrinhos de bebe, carregadores e outros, fica dificil não desistir dela e ir pra rua...

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    13. Acho que antes de exigirem os direitos, os ciclistas devem respeitar os deveres. Eles devem ter os equipamentos de sinalização necessários, como as lanternas quando forem andar a noite, e também respeitar a mão da rua e, por incrível que pareça, o limite de velocidade em ruas com trânsito maior e mais lento. Uma vez quase bati em um ciclista porque fui entrar em uma rua que eu tinha que parar, então parei e olhei só que era noite e a luz da rua estava queimada, e quando vi uma bicicleta em alta velocidade, porque era uma descida, e sem iluminação nenhuma desviou por pouco. Uma outra vez que quase bati foi porque parei em uma rua e olhei de um lado, pois a rua era mão única, e não vi que havia uma bicicleta também em alta velocidade na contra-mão.
      Exigir direito é fácil, respeitar deveres nem tanto.

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    14. Acho que antes de exigirem os direitos, os ciclistas devem respeitar os deveres. Eles devem ter os equipamentos de sinalização necessários, como as lanternas quando forem andar a noite, e também respeitar a mão da rua e, por incrível que pareça, o limite de velocidade em ruas com trânsito maior e mais lento. Uma vez quase bati em um ciclista porque fui entrar em uma rua que eu tinha que parar, então parei e olhei só que era noite e a luz da rua estava queimada, e quando vi uma bicicleta em alta velocidade, porque era uma descida, e sem iluminação nenhuma desviou por pouco. Uma outra vez que quase bati foi porque parei em uma rua e olhei de um lado, pois a rua era mão única, e não vi que havia uma bicicleta também em alta velocidade na contra-mão.
      Exigir direito é fácil, respeitar deveres nem tanto.

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    15. Como vegetariana e ciclista posso confirmar as colocações da luvas de veludo e incluir que o preconceito que sofremos é altíssimo. Por não sabere conviver com o novo, a massa responde atacando, seja no trânsito (jogando o carro pra cima ou buzinando), seja no almoço em família. Cheguei ao ponto de ter que evitar lugares e pessoas para não ser agredida ou ouvir coisas desagradáveis. Acho tudo isso lamentável. Mas encontrar espaços como esse, mesmo que virtuais, ma fortalecem para, pelo menos, poder desabafar com pessoas que compreendem, apóiam ou vivem as mesmas experiências. Obrigada pelo post! E que possamos continuar a construir juntos umas sociedade mais igualitária e de respeito.

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    16. Como vegetariana e ciclista posso confirmar as colocações da luvas de veludo e incluir que o preconceito que sofremos é altíssimo. Por não sabere conviver com o novo, a massa responde atacando, seja no trânsito (jogando o carro pra cima ou buzinando), seja no almoço em família. Cheguei ao ponto de ter que evitar lugares e pessoas para não ser agredida ou ouvir coisas desagradáveis. Acho tudo isso lamentável. Mas encontrar espaços como esse, mesmo que virtuais, ma fortalecem para, pelo menos, poder desabafar com pessoas que compreendem, apóiam ou vivem as mesmas experiências. Obrigada pelo post! E que possamos continuar a construir juntos umas sociedade mais igualitária e de respeito.

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    17. Q lindo, Mario, de novo na capa do Yahoo.. parece que alguma está mundando na nova ordem. Até pouco tempo, a Bicicletada era chamada de Exército de Brancaleone. Em breve, desejo muito muito, seremos milhares.
      Bom pedal.

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    18. Por inumeras vezes, faco o percurso de Laranjeiras ate o Leblon. E sempre tenho o prazer de transitar com o maximo cuidado, porque si existe ciclovias proprias para o transito de bicicletas. Porque nao os pedestres, fazer suas corridas, ou melhor, suas caminhadas em calcadas apropriadas, deixando a linha de trafego dos ciclistas livremente desempedidas pra que nao ocorram inumeros acidentes. Por diversas vezes nos deparamos com maes empurrando seus carrinhos de bebes, pessoas fazendo cooper, como tambem muitas das vezes nos deparamos com casais de maos dadas dentro da maior tranquilidade, como se ali fosse uma calcada propria para o seu caminhar. Por tanto acho que se existe locais proprios para a circulacao das bicicletas, devem ser respeitadas. Ass. L.Roberto.

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    19. Eu discordo do que voce diz. Concordo que deva haver uma mudança cultural, mas ela passa por melhorar a infra-estrutura. Segregar bicicletas e carros é uma questao tecnica, de separar um transporte onde a pessoa nao esta protegida de qualquer batidinha, como os carros estao. Os motoristas devem respeitar mais, mas construir ciclovias tambem é util, relativamente barato, e nao sei de onde tirou a ideia de que isso nao é prioridade dos ciclistas.

      O carro é o pior meio de transporte, em todos criterios: saude pessoal, seguranca, meio-ambiente, gastos, transito, tudo.. Devemos investir em uma mudanca cultural, mas tambem em infra-estrutura dos transportes publicos, e em ciclovias..

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    20. Olha! Aqui em Sorocaba está sendo construída várias ciclovias, inclusive aos domingos, um parque e adjacências são fechadas por um período para que nós os ciclistas possamos pedalar em paz! Embora, ainda tenha muito o que ser feito para que nós ciclistas ganhemos o respeito no trânsito(coisa que é cultural), melhorou e muito a nossa vida!! Estou satisfeito com as ciclovias aqui!!

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    21. Eu ando muito de bicicleta na zona sul do Rio de Janeiro e um grande problema que encontro é a falta de respeito dos pedestres, que têm todo o calçadão para caminhar, mas mesmo assim, insistem em andar pela ciclovia, que já é estreita. Eles atravessam fora da faixa e andam pelo meio da ciclovia, como se fosse estensão da calçada.

      O mais absurdo ocorre em domingos e feriados, quando uma das pistas em copacabana é fechada para lazer. Mesmo tendo uma pista inteira, os pedestres ainda insistem em dividir espaço com os ciclistas na ciclovia, que muitas das vezes têm que fazer verdadeiros malabarismos para desviar e evitar acidentes.

      Quem anda na ciclovia aos domingos, sabe o estresse que é.

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    22. Estou morando no momento na Alemanha, e aqui ando todos os dias de bicicleta para ir e voltar do trabalho. Concordo com o protesto e acho que uma conscientização pelo uso da bicicleta no Brasil só traria bons resultados.

      Pela experiência que acumulo aqui, posso ver que o o autor tem mais do que razão em falar que antes de construir qualquer ciclovia, é preciso que os veículos motorizados tenham respeito pelo ciclista, assim como pelo pedestre, que são pessoas que não dispõem da mesma ferramenta (pesada e muito mais rápida) de transporte, e portanto estando assim muito mais sujeitos a acidentes maiores quando em conflito com um carro. O segundo aspecto que gostaria de comentar é, como já mencionado, o descaso dos próprio ciclistas, que também, como pessoas que estão usando um veículo para se locomover, devem respeitar as leis de transito, parando em semáforos, dando a preferência a pedestres e andando com responsabilidade.

      Vamo conscientizar e parar de gastar dinheiro com tarifas de ônibus e/ou combustível pra carro (quando possível), e usar a bike como meio de locomoção, exigindo das autoridades punições para aqueles que nos desrespeitarem, e sempre respeitando o nosso caminho e lugar nas ruas do Brasil.

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    23. Sempre gostei de bicicleta, mas somente no meio do ano passado que comecei a arriscar percorrer um percurso consideravelmente grande pra quem não é um atleta profissional. Moro na região central e trabalho na zona leste, costumo ir, pelo menos uma vez por semana, de bicicleta pro serviço, o que dá uns 25km, já tentei vários caminhos e por incrível que pareça acho a Marginal Tietê a melhor opção, mas é muito perigoso, poucos motoristas respeitam, mesmo você pedalando com todas as sinalizações necessárias. Tem motorista, principalmente de ônibus, lotação caminhões, que fazem questão de jogarem o carro pra cima do ciclista, ou fechá-lo, alguns motoristas têm o hábito de passar raspando.
      Fazer o quê? O jeito é enfrentar os automóveis, a cidade não é só deles.
      Não tenho carro por opção, só uso transporte público e bike, sei muito bem como é ruim fazer parte de um grupo quase ignorado, tanto pelos governantes, quanto pelos motoristas.
      Sou vegetariano também como a colega luvasdeveludo e me sinto sempre na contramão justamente porque as pessoas não sabem respeitar as diferenças. Não sei como alimento esperanças no ser humano ainda...
      E além de tudo a mudança é urgente, essa cidade logo logo vai parar se alternativas inteligentes não forem tomadas. Parece que só temos amadores nos governando, parece que quase todo mundo está hipnotizado e se negam a pensar que vivemos numa sociedade e que pra haver equilíbrio todos tem que fazer sua parte.
      O mais irônico de tudo isso é que com a crise que vem afetando o mundo há pessoas comemorando o aumento nas vendas de carros, mas não foi o governo que possibilitou menos impostos pra que isso acontecesse? E viva a poluição, a ruína e a desordem generalizada! A única solução para o mundo moderno são os carros? Infelizmente é sensação que os noticiários me passam.

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    24. Pedalo todos os dias de casa pro trabalho. Moro no Rio de Janeiro, pedalo do bairro da Tijuca para o bairro Flamengo, são mais ou menos uns 7km. Já passei por várias situações perigosas, ja quase morri por inprudências de motorista de taxi e ônibus principalmente. Eles vêem uma bicicleta e simplemente jogam o veícolo deles pra cima. Por conta disso e dos perrengues que ja passei, adotei normas ousadas, mas que tem me dado mais segurança. Uma dessas normas, e que tem dado certo é que se eu estiver em uma pista, no canto desta e outro carro estiver na outra pista e entre nós não tiver espaço seguro para outro veícolo passar, eu tomo a pista toda pra mim, por que os carros e ônibus sempre vão jogar o seu veícolo entre eu e o outro carro, eu que me vire pra não ser atropelado, já quese morri por conta de situações assim, e aconteceu mais de uma vez. Aqui no Rio há um total desrespeito, se o ciclisat não estiver esperto e naum adotar atitudes como essa, ele pode simplesmente morrer.

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    25. Sou favorável às ciclovias. MUITO MAIS SOU A FAVOR DE BICICLETAS E CARROS NO MEIO DA RUA. Todos pagam impostos. A rua não é so do carro. Tirem-se os carros e deixe apenas as bicicletas. Ou ficam os dois nas ruas ou so a bicicleta.
      artigo 58 da lei de transito para os motoristas de carros: tem que obedecer. carro e bicicleta têm que conviver na mema pista. E ACABOU!

      VALCI BARRETO,
      editor do bikebook.com.br
      muraldebugarin.com

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    26. E parece que des o começo a intenção não era das melhores.

      A ciclovia teria sido criada para as bicicletas pararem de atrapalhar os automóveis:
      http://esquentadinho.blogspot.com/2009/03/historia-ciclovia-e-uma-ideia-nazista.html

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    27. Muito bom o artigo. Todas as pesquisas e estatísticas honestas sobre ciclovias em cidades já mostraram que a implantação de ciclovias multiplica o número de acidentes e mortes de ciclistas. O artigo do wikipedia sobre ciclovias ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Ciclovia ) tem muitas referências de estudos feitos nos EUA, Reino Unido, Alemanha, Suécia , Dinamarca, Canadá e na Finlândia.

      Segundo o artigo da wikipedia, o problema principal das ciclovias na cidade é estrutural (não tem como resolver a não ser desativando as próprias ciclovias):

      "Visto que, numa ciclovia, o ciclista está separado do fluxo de veículos, sua interação com outros motoristas e sua visibilidade são prejudicadas em cruzamentos. No meio urbano, a maioria dos acidentes com ciclistas ocorre justamente em cruzamentos (...) e isto é agravado quando se constrói ciclovias."

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    28. Voltei a pedalar há aproximadamente um ano. Desde minha adolescência não fazia isso e pude comprovar que realmente não se esquece como andar de bicicleta. Aliás, as bikes de hoje são MUITO melhores que as antigas. Foi a melhor coisa que fiz. Se outras pessoas fizerem o mesmo (aposto que não se arrependerão), haverá mais ciclistas nas ruas e os motoristas acabarão se acostumando conosco. Chega de dar murro em ponta de faca e vamos observar aquelas recomendações que já nos cansamos de ouvir: "faça atividade física, coma mais frutas, legumes e verduras, coma menos gordura, PRESERVE O MEIO AMBIENTE, respeite antes e terá o respeito como resposta, etc."

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    29. Sou ciclista e também sei que o problema não é a falta de ciclovias, e sim o estúpido egoismo dos motoristas que insistem em desrespeitar o CTB. Com multas elevadas e bem cobradas em pouco tempo já haveriam melhoras, até a educação ser 'absorvida'.
      Me desculpe o tópico acima, mas fostes infeliz em comparar cultura do filé mignon e carro, o primeiro não tem nada a ver com status, como animais onívoros que somos, eu como carne sim, adoro pedalar 40 até 100 km para ir comer um belo churrasco!

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    30. A bicicleta é uma ótima opção de transporte mas necessita de segurança alheia. Infelizmente o ciclista está totalmente vulnerável no trânsito, sendo que as colisões provocadas por automóveis são geralmente graves ou fatais.
      Eu concordo que é melhor não ter uma ciclovia do que tê-la mal planejada. Contudo, a ciclovia não pode ser descartada nem adiada, principalmente em cidades grandes como a nossa São Paulo, cujo fluxo de veículos automotores é intenso. Espero que um dia, não muito distante, esta cidade tenha uma malha cicloviária de qualidade, interligando todas as suas regiões. Embora tenha esperança, ainda que remota, de que "todos" os condutores de automóveis e motocicletas respeitem a legislação e o ciclista, eu não considero confiável compartilhar a faixa de trânsito na Marginal Tietê, no corredor de ônibus da Avenida Celso Garcia ou mesmo na Radial Leste (no trecho sem ciclovia), partindo da Zona Leste para o Centro. Sei que há ciclistas que arriscam a vida (eu também já fiz isso) por falta de vias alternativas. Muitos deles vão trabalhar, por isso considero-os verdadeiros heróis anônimos.
      Eu já fui para o trabalho de bicicleta. Economizei tempo e dinheiro, contribuí para melhorar o meu condicionamento físico, não poluí, não provoquei acidentes ou congestionamento no trânsito e evitei viajar em pé nos superlotados ônibus e metrô.
      Penso que a população precisa ser consciente, participativa e exercer a cidadania cobrando atitudes de seus eleitos que salvaguardem a vida daqueles que utilizam a bicicleta como meio de transporte. As escolas devem ensinar esses conceitos de responsabilidade aos alunos. Os pais e outros condutores devem dar exemplo de respeito aos ciclistas. Os órgãos controladores da legislação de trânsito devem enfatizar o alerta aos motoristas. Os meios de comunicação podem e devem expandir essa consciência. As autoridades públicas precisam ser mais urgentes, eficazes e eficientes na tomada de medidas concretas que protejam os ciclistas na amplitude que esta metrópole requer.

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    31. @Lucas: preste atenção no que lê antes de sair digitando desabafos. Em lugar nenhum neste website alguém deixou de levar em conta que os ciclistas, sendo pela lei tão condutores de veículos quanto os motorizados, têm seus direitos e deveres. Reclamar dos ciclistas como categoria, por causa de um indivíduo que "quase bateu", é tão grosseiro quanto eu dizer que os motoristas são estúpidos por causa de apenas uma camioneta que ontem à noite na Avenida Sumaré arrancou de uma esquina no sinal vermelho, comigo passando na frente e quase colidindo comigo (fato real). Quer generalizar mesmo? Em quantos ciclistas inocentes você já não terá dado fechadas e buzinadas pensando com raiva naquele outro em que "quase bateu"? Já que exige que os deveres sejam mais respeitados, comece dando o exemplo: desarme o espírito.

      @Gu: Segregar as bikes com atual estado primário da convivência nas ruas na minha cidade não seria uma boa ideia. Não está suficientemente claro que uma ciclovia mal utilizada é mais perigosa que a rua? Aproveite a visita e leia o post acima deste, com as barbaridades ditas pelo chefe da CET. No campo do respeito humano há muito o que evoluir. Ademais, falaremos de obras quando os planejadores urbanos souberem como elas realmente devem ser construídas.

      @Lorena: A invasão de pedestres nas ciclovias só se resolve com guardas atentos educando e fiscalizando. Vi isso no Parque Villa-Lobos em São Paulo, na tarde da sexta-feira. Os guardas indicavam onde cada um podia transitar. No geral, estava dando certo. No Parque Ibirapuera, quem não respeita o espaço alheio é quase sempre alguém que não tem o hábito de frequentar o local. Os frequentadores são visivelmente mais cuidadosos. Isso prova mais uma vez que a educação está na base de tudo.

      Leiam e releiam: Valci, João e nil. Tudo o que esqueci de falar, ou que não falei com suficiente clareza, está nos comentários deles.

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    32. Eu já utilizei bicicleta para me locomover por determinados trajetos, como da minha casa ao curso, passando por quatro bairros do Rio de Janeiro. Desisti dessa prática ao ver um ciclista atropelado por um ônibus no mesmo trajeto que eu fazia. Hoje, tenho um carro, que uso bastante.

      Tenho a opinião de que misturar ciclistas e motoristas na mesma via, sem separação alguma, é perigoso e não deve ser feito. Mesmo que ciclistas e motoristas respeitem as regras de trânsito, há muitas ruas estreitas e de mão dupla. Nesses casos, não há como manter a distância de 1,5m entre carro e bicicleta, e o risco de acidentes é enorme.

      Pode ser que a melhor opção seja algo parecido com o sistema criado em Paris, como citado por um internauta logo abaixo.

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    33. I want to ride my bicycle....

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    34. Bom, moro em uma cidade de 80mil hab, e aqui não há ciclovias, até porque não há dificuldade nenhuma em dividir as ruas com os carros, já que a cidade é de interior (no RS). O problema particular da nossa cidade, e que eu vejo como ciclista, são os "fininhos" que os carros tiram das bikes, como se não existíssemos. Em contrapartida, os ciclistas aqui não respeitam sinal, assim como as motos (as quais aliás estão proporcionando uma epidemia de acidentes; ultrapassar numa rótula - exato, vocês não leram errado - e outras manobras de risco não são nada, perto do que muitos alucinados fazem). Já morei numa cidade de 160mil hab (que é uma migalha se comparado a uma capital ou grande centro), sem ciclovia, com um movimento de veículos razoável, e como experiência pessoal achei horrível, arriscado mesmo pedalar nas áreas mais centrais. Os carros não nos respeitavam, e não podíamos andar nas faixas de coletivo, ou seja: não havia espaço para nós. Nunca morei onde existisse ciclovia para poder opinar, mas sinceramente, acho que numa cidade um pouco maior que a minha(como essa que acabei de mencionar), é pelo menos algo desejável. Agora, se iria funcionar ou não, são outros quinhentos......

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    35. Estive há 4 anos em Cuba e fiquei impressionada em duas situações envolvendo bikes, sendo que lá melhor chamá-las de bicicletas mesmo...

      Na estrada, sim na estradaaaa, vi o onibus em que estava diminuir a velocidade, pois tinha uma bicicleta na sua frente. Ele não a ultrapassou velozmente, nem a jogou para fora da estrada. A bicicleta ficou na pista da direita e ele a ultrapassou como se fosse um carro, tranquilamente. Acostamento é para o carro parar, apenas um refúgio.

      E na cidade de Trindad (uma mistura de Tiradentes e Paraty) tbm estava num onibus e apareceu na rua uma outra bicicleta. O motorista ficou na velocidade do ciclista, sem buzinar, sem ficar acelerando. E nem o ciclista ficou agitado em sair da frente do onibus. Ele explicou que lá quem dita a velocidade é o veiculo mais fraco.

      Tudo bem que foi em Cuba... mas isso deveria ser em qq país. Pista da direita para ciclistas e carros, mas com prioridade para os ciclistas...

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    36. AnneBC, segundo o Código Brasileiro de Trânsito os motoristas brasileiros deveriam fazer o mesmo que os cubanos. Está tudo lá, inclusive a predominância do veículo mais fraco sobre os demais. Na situação que o Vinícius citou acima (rua estreita) um carro teria que esperar pacientemente atrás do ciclista até que fosse seguro passá-lo. Tenho certeza que esse motorista esperaria se fosse um caminhão carregado.

      Há uma exceção com relação a seu comentário, AnneBC: aqui o acostamento é (pelo menos deveria ser) passagem livre e segura para bicicletas e pedestres.

      Falta educação. Dos dois lados, ciclistas e motoristas. A diferença é que um motorista mal educado pode matar.

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    37. Então, Nil, eu também acho muito perigoso pedalar pelas vias que eu citei e você reforçou que são desaconselháveis, porém não tem outras opções pra eu chegar na zona leste.
      Embora o fluxo de carros e caminhões seja grande na Marginal, ando sempre bem sinalizado, sempre atento, sempre sinalizando para os carros minhas intenções, eu nunca passei apuros como na Radial Leste, uma vez tive que fazer uma manobra arriscada e pular pra calçada, pois um ônibus colou em mim, começo a buzinar e acelerar e o cara queria passar por cima de mim se eu não saísse da sua frente. Além do mais a pista da radial é horrível na direita, repleta de ocilações e buracos. Quando vejo aquela ciclovia que estão fazendo parece que antevejo o que vai acontecer: em Caraguatatuba tem ciclovias que durante épocas de temporada são ocupadas por pedestres e fica impraticável tentar trafegar por elas, aqui vai ocorrer o mesmo, pois na própria placa da ciclovia da Radial Leste está descrito que é para uso de bicicletas ou pedestres, ou seja, é um mal planejamento que gera despesas para o Estado e não soluciona o problema como se deveria.

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    38. Olá amigos do pedal. Acho que uma vez ciclista sempre ciclista, costumava andar muito de bike já fiz até viagem com ela, fui de São Matheus-SP até a praia grande tenho ótimas recordações, pois vc só consegue na real tirar proveito da paisagem e da natureza estando de bike. Hoje tenho 25 anos ha mais ou menos 10 anos atraz tinha uma speed pra quem não conhece é uma bicicleta de corrida similar a uma caloi-10, estava eu e meu primo indo comprar pneu para a mesma em Santo André, quando na volta vindo pela avenida do Estado um carro em alta velocidade cortou todas as faixas da esquerda para a direita e me atropelou colidindo ao mesmo tempo com um caminhão que estava a minha frente, resultado, o carro deu PT e eu tive poli traumatismo, queimaduras na barriga, fraturei o joelho e o cotovelo alem de ter aberto um buraco no meu pescoço. O que tem a ver podem estar perguntando, é que ainda continuo andando de bike e que a justiça tarda mas não falha e se Deus quizer conseguiremos nosso espaço ao Sol ou melhor na rua.

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    39. @Lucas: já respeito meus deveres, então mesmo se considerarmos sua lógica distorcida como correta, eu já posso exigir meus direitos. O Mario também.

      @MaGioZal: concordo com o que você comenta sobre as passarelas de pedestres. A pessoa não vai andar 500 metros para chegar na passarela, para depois voltar esses 500 metros e chegar na rua que queria ir. Para um carro, 1km não é nada, mas para um pedestre cansa bastante. O resultado é que a pessoa acaba atravessando onde dá e está coberta pelo Código de Trânsito nisso, que diz que se não houver travessia a uma distância de até 50 metros a pessoa pode atravessar ali mesmo - e os carros têm que dar prioridade, pista expressa ou não. Mas a lei aqui não é a do CTB, é a da CET.

      @Gu: Ciclovias feitas para proteger o ciclista do fluxo dos carros são úteis sim, o problema é fazer ciclovias para que os ciclistas não atrapalhem os carros, que acabam sendo ciclovias sem planejamento, prejudicando o trânsito do ciclista em vez de ajudar e até colocando-o em risco em pontos onde ele precisa dar a preferência ao motorista. O maior exemplo disso é a pseudo-ciclovia da Av. Faria Lima aqui em São Paulo. Sem contar que a idéia de que "lugar de bicicleta é na ciclovia" só traz preconceito e segregação, porque dela deriva-se a falsa idéia de que a rua não é lugar para o ciclista, só a ciclovia. E nunca teremos a mesma malha de ciclovias que temos de ruas. Bicicleta não é trem, que precisa seguir um trilho. Bicicleta é livre e tem o direito de usar as ruas. Só por isso, já fica claro que ciclovia não é do que precisamos.

      @Mario, apesar da ciclovia da Radial acompanhar a linha do trem, acredito que o local tenha sido bem escolhido, porque quem frequenta aqueles lados sabe que a melhor rota para a bicicleta é por lá mesmo, porque é plano e reto (menos cansativo e mais curto). E do jeito que ficou, sem interrupções para dar passagem aos carros (como na ciclovia ridícula da Sumaré), ficou melhor ainda. Eu a considero um modelo de ciclovia, para os poucos casos em que ela seja uma solução, exceto por um ponto: ela é de uso compartilhado com pedestres.

      Entendo que os pedestres também não tinham por onde circular ali e que estava fazendo falta uma calçada para eles, que veio apenas com a construção da ciclovia. Para fazer a ciclovia ser de uso compartilhado com pedestres, ela precisaria ser pelo menos meio metro mais larga. Mas tudo bem, melhor um na mão do que dois voando: é melhor ter essa ciclovia do que os ciclistas terem que se arriscar na pista da Radial, ou desistir de usar a bicicleta por falta de um caminho viável.

      Não sei se você já viu o que eu escrevi sobre as ciclovias da Sumaré e da Radial Leste, dê uma olhada: http://tinyurl.com/cfk6uv

      Na Marginal, uma ciclovia ao lado da linha do trem também seria ótimo, porque tem MUITO ciclista utilizando diariamente a Marginal - como o Ricardo Campanille, que comentou mais acima. É que não é meu caminho diário, nem o seu, então não percebemos isso, mas se você parar na Marginal no horário de pico e fizer uma contagem de ciclistas, verá que estou falando a verdade. Muita gente usaria essa ciclovia, porque precisa usar a marginal como caminho.

      Só para dar um exemplo, uma alternativa para a Marginal Pinheiros, em um ponto onde a CET resolveu tirar o acostamento (para caber mais carros, mas ferrando a vida de quem usa a bicicleta ali todo dia), seria a Av. Santo Amaro (muito mais perigosa) ou o Morumbi (com uma volta enorme e subidas que desanimam até os mais atléticos).

      Para viabilizar a ciclovia da Marginal é preciso construir acessos em todas as pontes e tornar a saída delas segura para as bicicletas. Hoje em dia, elas são um risco para quem precisa cruzá-las, é preciso coragem, experiência e - por que não - sorte.

      E a ciclovia da Faria Lima não é oficialmente ua ciclovia. A parte "oficial" é só a que ficou na Pedroso de Morais. O resto é um caminho de pedestres, com tijolinhos vermelhos, usado também por alguns ciclistas apesar de não ser adequada a eles (a avenida é muito menos). Se fosse chamada oficialmente de ciclovia, não poderiam fazer tantas interrupções, com correntes, árvores, canteiros, etc.

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    40. Prezados colegas, todos os depoimentos dados aqui são importantes porque levam em conta uma causa nobre: a preservação da vida das pessoas que utilizam a bicicleta. Todas as formas de manifestação em prol de maior segurança no trânsito são louváveis. Como enfatizou o Ricardo, a maioria de nós ciclista toma as devidas precauções para evitar acidentes, porém todos estamos sujeitos a ações que fogem ao nosso controle, provocadas por veículos motorizados, condições da via etc.

      Seja qual for a alternativa mais adequada (ciclovia, ciclofaixa ou nenhuma segregação) para cada caso ou situação exigida no trânsito, é imprescindível a nossa PARTICIPAÇÃO nas decisões que nos afetam diretamente. Assim como devemos respeitar o direito dos outros, nós também queremos ser respeitados. Devemos ser solidários e, ao mesmo tempo, exigir dos nossos governantes e representantes atitudes corretas que protejam as nossas vidas. Não devemos ficar apenas comentando que as coisas estão erradas.

      Muitas questões que discutimos aqui têm soluções previstas na lei. Portanto, para o efetivo cumprimento da legislação é necessária a nossa UNIÃO com perseverança, criatividade, conhecimento e estratégia com o objetivo de encontrar meios legais de exercer a CIDADANIA em nosso favor. Por que não nos reunimos para tratar disso?

      A título de informação, aqui em São Paulo, de acordo com o Programa de Metas denominado Agenda 2012, o prefeito se compromete a fazer até o final do seu mandato, 100 Km de ciclovias e ciclofaixas na cidade, contemplando as regiões de Butantã, Campo Limpo, Capela do Socorro, Casa Verde / Cachoeirinha, Ermelino Matarazzo, Itaim Paulista, Jabaquara, Mooca, Parelheiros, Perus e Santo Amaro (Fonte: http://ww2.prefeitura.sp.gov.br/agenda2012/cidade-sustentavel.pdf ). Haverá audiências públicas em várias subprefeituras sobre esse programa, a maioria no dia 22/04/09 (Fonte: http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/2835 ).

      Repito, sejamos participativos!

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