(Special Bulletin, 1983)
Produção feita para a TV que encena com perfeição alarmante um incidente de terrorismo nuclear , do ponto de vista da cobertura ao vivo por um telejornal. Escrito e dirigido por Edward Zwick e Marshall Herskovitz (os mesmos de "O Último Samurai"), o filme foi indicado a seis Emmys e ganhou quatro.

Começa sem créditos nem títulos, como se o espectador tivesse acabado de zapear para o fictício canal RBS (nada a ver com o homônimo brasileiro). Entram no ar os dois âncoras do jornal, trazendo a cobertura ao vivo de um incidente no porto de Charleston, South Carolina.

O porto está em greve e deserto. Um barco atraca com um grupo de extremistas (americanos, não estrangeiros) que diz carregar consigo uma bomba de fabricação caseira. O detalhe é que a bomba não é convencional, é atômica. Ela tem poder similar à bomba de Nagasaki, suficiente para vaporizar e empestiar com radiação durante décadas a maior parte da cidade.

O líder do grupo é um cientista nuclear, ex-colaborador do programa de armas atômicas dos EUA, que mudou de lado, virou um pacifista radical e pretende obrigar o governo a entregar na sua mão os detonadores de todo o seu arsenal nuclear, o que poria um fim à corrida armamentista com a União Soviética. A bomba tem um prazo de 24 horas para detonar; dispositivos eletrônicos de segurança garantem que ela não possa ser desarmada por ninguém exceto o próprio criador.

Um repórter e um cameraman da RBS são tomados de reféns logo no início da cobertura, o que permite ver cada lance da crise pela TV, e ao mesmo tempo transforma a mídia em protagonista dos fatos. A população acompanha tudo com tensão, medo, dúvida e muita especulação. O governo tenta negociar, e há indícios de que ao mesmo tempo está bolando um plano ousado para surpreender e prender os terroristas e obrigá-los a desarmar a bomba. Só que eles também estão assistindo à TV.

O filme avança para o clímax: será que os terroristas serão pacificados e a bomba desarmada? A tensão fica insuportável à medida que corre o cronômetro na tela.

Mesmo sendo datado pelo cenário da Guerra Fria, o filme não perdeu força, porque eventos reais recentes apenas demonstraram que o seu vislumbre foi muito bem acertado, até profético. A detalhadíssima ação é toda relatada em linguagem televisiva autêntica. Os atores são espontâneos e improvisam bastante. Existem até aquelas inevitáveis falhas técnicas e vacilos típicos de uma transmissão de emergência ao vivo. As reações dos jornalistas na tela profetizam o clima de confusão e estupefação do 11 de Setembro. O uso de vídeo em vez de película é outra boa decisão do diretor. De quebra, o filme apresenta uma discussão séria sobre o papel ético da imprensa durante uma situação de perigo extremo em que ela é um dos participantes decisivos.
De forma similar à radiodifusão de "A Guerra dos Mundos" por Orson Welles em 1938, "Boletim Especial" causou um pânico entre os telespectadores na estreia, mesmo com a precaução de apresentar a palavra "Dramatização" durante as cenas mais intensas, além de telas pretas com textos de desmentido a cada fim de corte comercial.
With such contemporary threats as nuclear briefcases and "dirty bombs," it's nothing short of a miracle that Americans have gone this long without facing a nuclear terror threat such as the one portrayed in Special Bulletin.
~ Jason Buchanan, All Movie Guide
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What the hell happened here? this is not too ugly, but ugly enough! haahaha!
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