2009-03-03
A estupidez
Quando você trabalha dentro do universo da comunicação de massa, que graças à tecnologia da Web deu voz pela primeira vez para vastas massas humanas no planeta, começa a perceber que o seu papel será lutar incessantemente contra o crescente tsunami de estupidez que parece invadir o mundo por todos os cantos. Se aqueles que contestam essa estupidez e batalham em prol do esclarecimento sabem que a sua posição é de brutal desvantagem e influência sempre declinante, qual é o seu imperativo de ação?
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Meu reino pela resposta.
ResponderExcluiresqueça os outros. pq a estupidez alheia te incomoda?
ResponderExcluirNa minha humilde opinião, o problema nesse mundo pós-tudo é que o "esclarecimento" (digamos que seja o lado positivo da comunicação humana) é dirigido, determinado e apropriado pela "ignorância" (digamos que seja a tendência manipuladora e destrutiva dos meios de comunicação). Para combater a ignorância, você precisa partir do princípio que ela é toda-poderosa e apenas uma ínfima parcela está dela imune. E, após reconhecer esse "poder", precisa participar dela como "elemento do contra" (a parcela adequada e para a qual é dada alguma tímida voz de protesto).
ResponderExcluirThoreau podia, lá na época dele, simplesmente não participar da sociedade que desprezava, vivendo isolado da humanidade e só ligando para ela quando os poderes estabelecidos exigiam a sua "desalienação" (ou seja: mandavam uns policiais prendê-lo sob o pretexto de não pagamento dos impostos). Quem, hoje, pode se dar a esse luxo?
a estupidez costuma gritar mais, mas a inteligência está presente por aí sustentando as coisas...serei otimista demais?
ResponderExcluirEu acho que a estupidez parece falsamente estar vencendo na Web; não porque a inteligência encolheu, acho até o contrário; mas porque os estúpidos até podem ser estúpidos, mas não são suficientemente estúpidos para nunca aprenderem a fazer barulho em websites.
ResponderExcluirEm parte, isso é um fator fundamental da decadência intelectual dos comentários, conforme comentei no post sobre a Ditabranda da Folha.
O primeiro local na Web onde vi que um sistema aberto e franco de mensagens públicas podia degringolar foi o Orkut. Depois, aconteceu também no YouTube. Lá é o verdadeiro agregador dos trolls desocupados. O problema é que a estupidez alastrou-se para todos os tipos de sites, até mesmo este.
Gentes queridas me dizem para ignorar isso tudo, mas é difícil resistir a tentar contribuir para melhorar algo, mesmo que seja combativamente e não construticamente. Porque a situação está muito feia.
Em tempo: Thoreau não viveu isolado de verdade. A cabana dele ficava quase na entrada da cidade, e ele ia visitar a mãe nos fins de semana. Muito sustentável, né?
ResponderExcluirBom, de fato, Thoreau não viveu isolado (nem ninguém conseguiria depois da Idade Média). Quando houve polêmicas em torno da escravatura nos EUA, ele tomou uma posição, aliás justa e solitária defendendo alguns cidadãos do Norte que ajudavam os negros fugidos do Sul. Mas essa nem é a questão principal ou o foco do meu comentário, mas sim a idéia de que a inteligência poderia, no passado, ser cultivada em estufas fossem elas o cenáculo de de alguém ou uma universidade. Hoje, ela foge de qualquer instituição e ainda mais dos tais "meios de comunicação" de massa, que descaradamente valorizam tudo, menos a inteligência.
ResponderExcluirDe qualquer forma, trata-se de um debate extenso, no qual convém nunca tomar as coisas como axiomas e sempre questionar a própria base da questão: será que a inteligência também não esconde muito de ignorância em sua formulação pelo truque de simular profundidade ou pela empáfia de se autoproclamar?