
Charge do cartunista Latuff oferecendo uma explicação chocantemente irônica para o absurdo cometido pelos editorialistas da Folha de S. Paulo em 17 de fevereiro. Nesse dia, dentro de uma coluna que falava de Chávez, chamaram "en passant" a ditadura brasileira de "ditabranda". Ao ter esse texto criticado na seção de cartas do leitor pelos professores Fábio Konder Comparato e Maria Benevides, o jornal respondeu à sua indignação com um insulto direto: "cínica e mentirosa". Por fim, a crítica do ombudsman foi sintomaticamente tímida e falou apenas sobre essas respostas de cartas.
Lembremos duas coisas que ajudam a compor o contexto do escândalo:
1) O autor de cada editorial não é pessoalmente identificado, mas ele faz parte de um grupo listado no expediente do jornal. Dessa forma, entre as pessoas implicadas no absurdo da "ditabranda" estão as seguintes (informação retirada diretamente do website da Folha): Presidente: Luís Frias - Diretor Editorial: Otavio Frias Filho - Superintendentes: Antonio Manuel Teixeira Mendes e Judith Brito - Editora-executiva: Eleonora de Lucena - Conselho Editorial: Rogério Cezar de Cerqueira Leite, Marcelo Coelho, Janio de Freitas, Gilberto Dimenstein, Clóvis Rossi, Carlos Heitor Cony, Celso Pinto, Antonio Manuel Teixeira Mendes, Luís Frias e Otavio Frias Filho (secretário). Tudo o que qualquer editorialista escreve é aprovado pelo diretor editorial, quando não parte da sua própria mão.
2) O ombudsman da Folha teve seus poderes severamente limitados no ano passado. O ocupante anterior do cargo, Mário Magalhães, deixou de renovar seu mandato em abril de 2008, quando a direção condicionou a sua permanência à não publicação na Web das críticas diárias que ele dirige internamente à redação. A ouvidoria do jornal foi deliberadamente castrada, e a sua razão de existir, enfraquecida. Qual a motivação de tomarem essa decisão àquela altura?
Há gente dizendo que o uso de "ditabranda" num editorial da Folha é o pior erro de opinião cometido pelo jornal em décadas. Não pode passar batido. Além das críticas pesadas vindas de todos os cantos da imprensa, muita gente aproveitou para relembrar que a Folha viveu confortável durante a ditadura. Vieram à tona denúncias de que a direção do jornal ajudou a entregar gente para o regime. Por qualquer ângulo que se olhe - informação, marketing, ética-, e independentemente da posição ideológica do leitor, o resultado dessa controvérsia para a Folha é desastroso.
No fundo, o que está em jogo aqui não é uma questão de ideologia, informação, poder ou justiça: é simplesmente hipocrisia. Toda a elaborada máscara do marketing moral da Folha caiu pelo peso de uma única palavra.
A organização Movimento dos Sem-Mídia, junto com a entidade representante dos ex-presos políticos e professores da USP e Unicamp, está convocando para este sábado (7 de março), às 10 horas, um protesto na frente da porta do jornal, que fica na Al. Barão de Limeira, no centro de São Paulo.
Update - Dentre todos os blogs que fizeram críticas e participaram da mobilização, o que gostei mais de ler foi este: O Biscoito Fino e a Massa, de Idelber Avelar.
O Luddista também escreveu algo que me chamou a atenção:
...[É] mais um alerta para a urgência da chamada “democratização das comunicações”, ou seja, da necessidade de se tirar das mãos de meia dúzia de famílias ou grupos o controle da agenda nacional.
Artigo selecionado pelo
É, mas parece que para alguns "perseguidos"pela ditadura, ela foi mesmo uma ditabranda. É só ver quanto do dinheiro público estão levando o sr. Ziraldo e companhia. O problema da ditadura é que ela é sempre menosprezada pela direita, e superestimada pela esquerda (que com isso consegue embolsar nosso querido dinheirinho suado de cada mês).
ResponderExcluirAcho interessante também essa esquerda que toma hoje o poder, criticar tanto a ditadura, e ter como referência maior um ditador, Sr. Fidel Castro, um inimigo da liberdade de expressão, capaz de fuzilar quem não concorde com ele.
Esse mundo é realmente um grande paradoxo!
Eu tenho uma dúvida. Agora vai ser Fria de S. Paulo ou Branda de S. Paulo?
ResponderExcluirChamem o ombudsman eunuco para resolver.
obrigada por disponibilizar essa charge, ilustrou perfeitamente o que eu penso sobre. (utilizei-a num post no meu blog, com os devidos créditos).
ResponderExcluirabraço.
Então, sr. "Ministério de Louvor e Adoração PIB São Paulo" (nome real pelo qual está cadastrado no Blogger): este post não é sobre o velho assunto esquerda x direita. Para discutir isso existe o blog do Noblat, Pedro Doria, Reinaldo Azevedo, Alon Feuerwerker e vários outros.
ResponderExcluirEstou falando de ética jornalística. Somente isso. Foco! Neste momento, não me interessa política partidária, não me interessam parasitas do governo, não me interessa o que pensam os castristas.
Aliás, foi quase idêntico o falso argumento que a Folha de S. Paulo jogou para retrucar aos professores no Painel do Leitor. Levando em conta esse alinhamento retórico, o sr. admite publicamente que concorda com a denominação Ditabranda?
Esta resposta serve para qualquer outro que buscar desviar o debate com contra-ataques ideológicos. Não haverá outros, aliás, porque vetarei a sua publicação.
Para quem acha que isto é excesso de rigor, é só observar a resposta do público a dois posts recentes, aqui mesmo: o que fala de ciclismo e o que recicla uma letra de John Lennon. A diferença não poderia ser maior. O primeiro está cheio de ideias interessantes, o segundo foi sabotado por gente cínica.
ResponderExcluirPosts que tocam mesmo que de leve em temas políticos SEMPRE resultam em bate-bocas que, na minha arrogante opinião, não beneficiam ninguém. Não acho que sou dono de verdade nenhuma, mas não tenho paciência com a gente que acessa a Web para promover agendas ideológicas.
Esclarecido isso, vamos discutir os padrões e princípios do jornalismo da Folha. Não?
ResponderExcluirxi, falar da ditadura militar brasileira ainda é esse fla x flu ideológico?
ResponderExcluirAtendo apenas ao editorial da Folha: o que o texto faz é simplificar uma questão que - está na cara - desperta mais paixões que reflexões. Na minha modesta opinião, a Folha ateve-se ao que é (ou deveria ser considerado) fato.
Pode-se discutir o mau gosto e a má utilização do termo mas 'ditabranda' carrega mais verdades que mentiras.
O que eu achei pior não foi o "ditabranda" em si, mas a Folha responder de maneira tão surpreendentemente grosseira.
ResponderExcluirEles teriam saído por cima se falassem algo como "A Folha optou pelo termo 'ditabranda' por isso isso e aquilo, mas respeita e se solidariza com as pessoas que sofreram com ela, que pensam diferente, etc."
Eles não negariam o que escreveram (o que é um direito deles, afinal) mas o fariam de uma maneira muito mais elegante e simpática.
Do jeito que foi, pareceu gente birrenta que não quis dar o braço a torcer e ainda o fez da pior maneira possível.
Se juntar o pitaco do Person com o do Gabriel, temos um bom argumento. O problema da "ditabranda" é relativizar uma coisa que as vítimas do regime consideram, com razões muito mais do que suficientes, como absoluta. A violência política. Eu também acho que não existe meia violência ou violência branda. Violência política é sempre condenável, ponto. Uma vez institucionalizado o abuso, ele não tem limites.
ResponderExcluirTodavia, se a Folha simplesmente esclarecesse o significado que pretendeu dar à palavra, sem brutalidades contra os que divergem, creio que a sua atitude ainda seria chamada de muitas coisas desagradáveis - revisionismo histórico, guinada ideológica à direita, alinhamento à Veja - mas ficaria no plano da controvérsia intelectual, não degeneraria numa guerra aberta contra o jornal de uma parte enfurecida do público.
Não é tolerável, nem mesmo no jornalzinho do bairro que só serve para veicular propagandas de edifícios, defender uma colocação infeliz de críticos bem embasados e reputados xingando-os e então calando-se. A reação da Folha, mais do que o editorial em si, colocou em pauta as pendências morais acumuladas ao longo de 40 anos de história, algumas delas até agora adormecidas e incontestes. Por isso é que falei em suicídio moral.
Respeitar o interlocutor é um princípio delineado no Manual de Redação, mas ninguém é ingênuo: o discurso bonito que está no Manual não tem nenhuma garantia de resistir na vida real dos negócios.
Alguém no quarto andar do prédio pastilhado dos Campos Elíseos bem poderia ter um surto de clareza mental e concluir: Hipocrisia dá um trabalho danado para manter, talvez a honestidasse fosse bem mais fácil, não é?
Seguindo a argumentação do relativismo, minha maior crítica à FSP é justamente essa. Na Alemanha, é comum muita gente dizer que Stalin foi pior que Hitler; outros dizem que a Inquisição espanhola foi mais "humana" (no século XVI-XVII, orientada essencialmente contra os judeus convertidos por vontade própria ou à força) que o nazismo, por ter matado menos. Esse é o grande problema desse tipo de relativismo (os conservadores, que adoram categorias universais e ontológicas, usam com frequência a "arma do inimigo", o relativismo, nesses casos, com finalidade retórica): precisa se sustentar no insustentável, a saber, a medida do sofrimento humano das vítimas.
ResponderExcluirPor outro lado, é natural ao jornalista (mais ainda do historiador) o emprego de comparações que estruturem seu raciocínio, para não imaginar que as situações surjam do éter mágico e não das (duras) condições históricas e econômicas. Nesse sentido, de fato, a ditadura brasileira não teve a intensidade, por exemplo, do regime de terror extremo instituído por Pinochet no Chile (aquele general, mistura em partes iguais de Hitler e Pol Pot, fechou universidades e aboliu disciplinas das escolas; cenas apocalípticas de cadáveres fuzilados e/ou torturados jogados nas sarjetas eram comuns logo após o golpe). No Brasil, a ditadura teve etapas de radicalização: começou com o movimento de depor João Goulart, incrementando a censura e a perseguição política (mesmo assim, ainda havia espaço para Chico Buarque, o Teatro Oficina, Glauber Rocha, a UNE, etc.). Após o AI-5 ser impetrado, e já nos anos 1970 as coisas ficaram bem sinistras e a violência política cresceu no Brasil. Mas isso não quer dizer que a ditadura brasileira fosse "branda", apenas que foi... mais "eficiente", dentro dos padrões de treinamento dos "cursos" de West Point em táticas e políticas anti-guerrilha. Estávamos em plena Guerra Fria: tudo que o Ocidente não queria era o surgimento de pequenos Vietnãs pelo mundo afora. Um país que conseguia manter uma "aparência" democrática (havia 2 partidos, logo "democracia") e ainda por cima esmagar a guerrilha e a subversão com poucos mortos de ambos os lados era saudado por Henry Kissinger e outros mais.
A FSP deveria estar consciente da má-fé de seu relativismo e da necessidade de esclarecimento de sua linha de argumentação. A resposta violenta e injusta, se fosse elegante e justa (reconhecendo o erro da expressão, por exemplo) poderia tocar no cerne da questão: realmente, muitos intelectuais supostamente "progressistas" defendem regimes que escandalosamente nem sabem o que significa "direitos humanos", mas que usam alguma bandeirinha vermelha ou abraçam alguma causa "de esquerda". Mas, simplesmente atacando, perderam a chance de transformar um desastroso erro editorial em subsídio involuntário à discussão política séria.
pessoal, estou lendo os comentários de vcs e relendo o editorial e repercussão dentro da Folha e continuo achando que vcs estão levando longe demais um assunto que muito mais semântico que moral.
ResponderExcluirA resposta - que foi a dois opinadores em particular, frise-se - foi forte mas justa. São dois (dos discordantes) defensores de ditaduras mais sanguinárias que a brasileira. É outro fato. E aí entramos no campo da afirmação de valores, não é mesmo?
Alcebíades, seria relativismo e seria má-fé se a Folha tivesse usado a comparação que fez para defender os militares; ela nem de longe fez isso.
p.s.: pra n fazermos do post um fórum extenso demais, deixo meu e-mail a disposição: personaraujo @ gmail.com
Mario, a charge que você publicou é mais do que oportuna. A Folha está desesperada: assumir que uma ditadura é mais ou menor do que outra revela não só ignorância, mas sua postura diante de tudo. Agredir professores e acusá-los de forma tão covarde mostra apenas que realmente o grupo se suicidou. Com toda a equipe assinando embaixo. O editor de Brasil, Fernando Barros, publicou texto, criticando o editorial. Creio que não dá para relativizar ditaduras nem holocaustos. É pífio, pusilânime e deletéreo querer estabelecer comparações entre as ditaduras do Chile, Argentina e Brasil. Então o holocausto foi light perto do que Stalin fez? Se é para fazer uma comparação, então matar 20 milhões de pessoas é hard, e 6 milhões de pessoas é soft?
ResponderExcluirNão vou discutir mais porque a charge de Latuff fala por si.
Mario, abraços digitais, e obrigada por esse pertinente post.
Mari-Jô Zilveti
A resposta da folha pareceu de blog. A história toda é impressionante. Eu nunca nem tinha ouvido falar de um termo ditabranda nem em rodinhas de amigos. Queria saber quem foi o gênio ou gênia que inventou a palavra.
ResponderExcluir@Mari-Jô: Eu li o texto do Fernando Barros. Se alguém na FSP esperava que a bronca dele bastaria para dar fecho ao caso, perdeu. Ele termina batendo no Konder mais uma vez. Precisava disso? O problema é a postura do editorial, não a postura do Konder. Mandaram o Fernando dar uma no cravo e outra na ferradura, fazer uma média para apaziguar, foi isso? O leitor pode jamais ficar sabendo. Por isso, Person, é oportuna a discussão e válido o questionamento. Você está querendo que fique por isso mesmo?
ResponderExcluir@ Person
ResponderExcluirLi sua resposta e entendo sua linha de raciocínio, que considero bastante coerente. Contudo, levo em consideração o seguinte: um jornalista, com todo seu "status quo" de "formador de opinião", precisa pesar muito as palavras, porque as mensagens que seus textos e declarações emitem não ficam só naquele momento estanque da publicação do jornal, da revista, do post no blog ou do livro. A mensagem se expande, por assim dizer, e o que nela não é dito, mas sugerido, possui forte ressonância em um ou em milhares de leitores.
Exemplifico com um exemplo tirado da polêmica da "ditabranda": não é a primeira vez que um jornalista usa essa expressão. Na FSP mesmo, isso ocorreu antes. Mas todos que já leram algum dia os textos de um fanático razoavelmente articulado (embora brutal e antiético) como Olavo de Carvalho sabem que a tese de que a ditadura no Brasil foi o menor dos problemas que tivemos nos últimos 50 anos é difundida por muita gente, que se deliciou em ver um jornal de circulação nacional "defender" (veja bem, é uma interpretação ideológica e incorreta, mas ue "funciona", ainda mais se levar em conta a brutalidade da resposta dada pelo jornal aos professores que questionaram o texto) a tese que por anos divulgaram não é apenas um alívio e um prazer, mas uma vitória. E nada pequena. A FSP fugiu da polêmica com os professores da USP (por quê? É a pergunta que tenho a fazer) optando pelo "você também" ideológico – uma postura não muito diferente em si daquela do Olavo e seus discípulos.
Veja que não é preciso defender uma postura para abraçar uma posição, e seria irresponsabilidade não imaginar uma consequência como essa.
o que enche o saco é esse povo achar que quem é contra o uso desse termo é a favor do fidel castro e o escambau. tiliga!!!
ResponderExcluirnão adianta protesto, passeata, nem nada, esse povo só vai dar atenção qdo começar a doer no bolso. parem de comprar a folha, cancelem suas assinaturas do uol, quero ver um protesto de fato!
Não sei se vou sair da linha aqui com meu comentário, mas eu queria dizer que na verdade a tal “grande imprensa” em 1964 apoiou efusivamente o golpe que o militar Castelo Branco (até hoje nome de rodovia) deu no governo legítimo de João Goulart. E a classe média urbana apoiou junto, saindo nas ruas para comemorar o golpe de estado e o fim de uma “ameaça comunista” que, de fato, até onde eu saiba nunca existiu.
ResponderExcluirPouquíssimos se ergueram para falar alguma coisa quando o golpista, usurpador, que nunca foi eleito nem síndico de prédio ditador Castelo Branco fechou partidos, cassou políticos eleitos, impôs censura, suspendeu a constituição e cancelou eleições. Encarava-se isso como só mais um assunto corriqueiro de governo, afinal tudo parecia estar bem, afinal as multinacionais continuavam funcionando, e todo mundo podia comprar seu disco de Roberto Carlos para ouvir…
Os “esclarecidos” só foram se ligar do que rolava quando o AI-5 foi criado pelo ditador Costa e Silva (até hoje, nome de via elevada). Mas aí já era tarde demais para reverter a situação, porque a ditadura, com o apoio de milhões de dólares de ajuda norte-americana indireta e direta, já tinha consolidado seus tentáculos de poder.
A classe média urbana brasileira só passou a ter noção da importância do Brasil voltar a ser uma democracia quando o tal “milagre brasileiro” começou a fazer água — graças à Guerra do Yom Kippur que estourou os preços do petróleo e ao governo do democrata Jimmy Carter, que mudou a política externa dos EUA na época.
Acho que não saiu da linha não, porque esse resumo do contexto histórico ajuda a entender o que se passou. Críticos da Folha estão lembrando agora que o jornal passou esse período em relativa tranquilidade enquanto o Estadão e o JT entravam num tremendo apuro, com censor dentro da redação e publicando calhaus ridículos no lugar dos textos cortados para que o leitor pudesse perceber. Mas sempre me disseram que o Estadão era um jornal conservador e a Folha liberal. A realidade é bem mais complexa.
ResponderExcluirAh, sim: o Estadão lançou recentemente um livro (no qual eu dei uma olhada lá na Livraria Cultura do Conjunto Nacional) que mostra justamente a época em que ele e seu irmão caçula, o JT, estiveram sob censura prévia durante o período do AI-5.
ResponderExcluirPassei aqui para convidar a fazer uma visita ao meu novo site:
ResponderExcluirhttp://www.eucritico.com.br/
Espero que goste!
Abraços,
Eurico
@Eurico: Belo site! Muito recomendado!
ResponderExcluirNão gostou?? Então não leia!
ResponderExcluirO que não falta nesse episódio são reacionários disfarçados de paladinos da liberdade. O jornal emitiu uma opinião. Ponto! O resto é choro de quem não sabe respeitar a opinião alheia.
@Hugo: A minha opinião é a de que você não sabe o significado da palavra reacionário. Ademais, eu não respeito a sua opinião.
ResponderExcluirExato e esse é o ponto. Você, Mario, é aquilo que você critica. Toda essa polêmica só existe na cabeça dos hipócritas.
ResponderExcluirA polêmica existe na cabeça de quem se importa com o assunto. "Hipócrita" é outra coisa, que acho tão desnecessário explicar aqui quanto "reacionário". Você se admite hipócrita, já que veio postar trollagens aqui unicamente por vontade própria?
ResponderExcluirPatético.
>Não acho que sou dono de verdade nenhuma, mas não tenho paciência com a gente que acessa a Web para promover agendas ideológicas.
ResponderExcluirNão acredito muito nisso ai não.
Você não promove as suas neste blog? E ainda "leva a bola embora" tipo "dono da bola" quando alguem escreve algo que você não gosta?
ou quem comenta tem que adequar-se ao que você espera? explica melhor isso ai porque soa contraditorio para quem visita este blog.
abracao! josebr
@josebr: Tenho a sutil impressão que você está se fazendo de desentendido, mas vou explicar em benefício de outros que vierem aqui.
ResponderExcluirEste post não é sobre "esquerda x direita". Esse assunto há tempos foi banido de qualquer parte deste blog, junto com alguns outros temas controversos com os quais as pessoas na Internet não conseguem lidar racionalmente, resultando invariavelmente em brigas inúteis.
Este post é especificamente sobre: o revisionismo histórico da Folha em relação à ditadura; a sua confirmação por destrato público a figuras intelectuais; a reação torta do diretor do jornal ao furor coletivo que se ergueu. Tem cara de briefing? Pois é. Outras pessoas que comentaram em websites o caso da "ditabranda" tiveram seus posts arruinados por comentaristas fanáticos por política partidária e ideologias radicais. Aqui não, simplesmente porque não devo nenhum respeito a fanáticos por política partidária e ideologias radicais.
Se alguém se interessa por questionar as atitudes da Folha em relação ao tema e a sua formulação de jornalismo ético, isso está em pauta. Mas se quiser falar do Chávez, do Serra, do Lula, o lugar não é aqui.
Outra coisa que convém lembrar: os comentaristas são coautores do conteúdo do blog, mas o mantenedor do blog responde sozinho pelas coisas que outros escrevem nele. Por isso, faz absolutamente todo sentido que se direcione o diálogo. Liberdade de expressão não é sinônimo de tomar liberdades.
Por fim, José, se alguém escreve algo de que não gosto, por que se preocupar, se você jamais fica sabendo? Os comentários tornados visíveis são só os que acho que compete publicar e responder. Até acho que está ótimo, porque em mais de um ano não precisei derrubar nada além de spam.
Isto tudo são observações gerais, não pessoais. São esclarecedoras e não agressivas. Trocando algumas palavras, aplicam-se a qualquer outro post deste site. Certo, carapuceiros valentes? Se alguém não gosta, criar mais um blog para fazer o contraponto está a poucos cliques de distância e não custa nada. Dou o maior apoio e troco links.
Mario, o que eu quis dizer era sobre a sua recente intolerância com quem não concorda-vide o post do imagine-e posts com titulos que chamam outros de idiotas. cadê o Mario "zen" que habitava este blog no passado? Agradeco a resposta ao meu comment mas o que escrevi-possivelmente no lugar errado-não era sobre a ditabranda ou politica e sim sobre a sua agressividade recente. Algo mudou-e muito-de um tempo para cá neste blog. abracao! josebr sem blog
ResponderExcluirMudei mais o formato do que o conteúdo. Em termos de crítica, este blog é exatamente igual a quando comecei em 2000. Meu primeiro texto pessoal na Web, escrito antes do blog entrar no ar, era uma reclamação contra a revista Veja.
ResponderExcluirA maior diferença são os microposts, que antes vinham para o blog mas hoje vão para o Twitter.
A adição de comentários em 2002 transformou os posts em salas de debates. Havia muito menos gente na rede, mas havia proporcionalmente mais gente de conteúdo. A relação sinal/ruído era boa. As discussões eram extensas e animadas. Sempre considerava os comentadores no blog como coautores e agregadores de popularidade e conhecimento.
Parei o blog entre 2003 e 2005. Ouando voltei, o cenário da Web intelectual tinha mudado muito. Virou um campo de batalha. Hoje, é terra arrasada. Muito menos gente comenta blogs, mas é muito maior o viés destrutivo da maior parcela dos que comentam. Parece que estão descontando sua frustração no mundo. De preferência, sob o covarde disfarce da anonimidade.
Serei franco: os sistemas de comentários inadvertidamente atraíram e concentraram um certo tipo específico de gente com tempo e motivação para criar barracos na Web berrando opiniões bem distantes do consenso. É a chamada minoria barulhenta.
Anos de abusos encurtaram seriamente o meu pavio. Mas não tem nada de "fora" do Zen nisso. Informe-se, leia sobre um mestre chinês chamado Rinzai e seus métodos. Às vezes, nada é melhor para acordar uma mente entorpecida do que um berro na orelha.
Como já falei, passei também a barrar alguns assuntos no blog, mesmo que apenas mencionados de raspão. Nada sobre bizarrices sexistas, lavagem cerebral ideológica, dogmas religiosos.
Meu amigo Doicheman disse até que o melhor seria parar de me preocupar, fechar todos os comentários e colocar apenas o meu email para comunicação direta. Não é que ele tem uma boa razão? Se eu fizesse isso, poderia escrever o que quisesse sobre sexismo, política e religião sem transformar o website em mais um Asilo Arkham virtual.
Os tempos mudam; temos que mudar com os tempos.
Mais uma vez fico na dúvida se o comentário que vou fazer aqui agora é dentro do escopo, mas enfim… Mario, lendo seu update aí no final do post, tenho que dizer que andei acompanhando e lendo várias páginas sobre as tais propostas de “democratização das comunicações”, e, pelo o que entendi, elas pretendem querer colocar os meios de comunicação de massa privados debaixo de uma canga regulatória parecida com o natimorto “Conselho Federal de Jornalismo”, e aumentar a participação do controle e da presença direta e indireta estatal sobre estes mercados de comunicação de massa também.
ResponderExcluirNa minha visão, isto não me parece nada legal… em termos de conteúdo gerado pelas pessoas, já temos a internet e a web que se espalham cada vez mais, e quanto aos meios de comunicação “tradicionais”, prefiro os tropeços da imprensa privada do que intervenções estatais para controlar o fluxo de opiniões.
Aliás, o que acontece é que a imprensa privada brasileira está no controle de “famílias” porque as leis aqui no Brasil estabelecem de que o chefe responsável por empresas de comunicação como jornais seja sempre pessoa física, além do que a propriedade das empresas de comunicação tem que ser sempre majoritariamente nacional.
Eu não prefiro os tropeços da imprensa privada a coisa nenhuma. Eles devem ser combatidos vigorosamente. Nos últimos anos, devido à industrialização extrema dos procedimentos, o enxugamento de talentos e o descaso com a precisão ajudaram a derrubar o nível dos textos. Se não houvesse vieses nos veículos, já seria suficientemente ruim. Mas além disso, os veículos corriqueiramente traem os leitores ao manipular fatos para validar os interesses dos seus donos. Com a exposição dessas ações, não só os interesses dos donos deixam de ser validados, como eles perdem prestígio e dinheiro.
ResponderExcluirO tropeço da Folha é a exposição da falsidade do seu marketing, historicamente fundamentado em proclamar-se isenta, plural e democrática - coisas que não era, não é e continuará a não ser, enquanto se mantiver a estrutura de poder interno familiar.
O que nos traz ao tema do seu comentário. Intervenção estatal é papo de maluco golpista. Não precisamos disso. Eu prego outra coisa diferente, que é cada cidadão engajar-se conscientemente e virar uma parte da mídia, acolhendo a Internet. Nada a ver com controle estatal da informação, que é receita garantida para o desastre.
A voz individual inédita que a Web proprociona está escancarando as falhas da imprensa como nunca antes. Em 1991 eu li uma matéria estúpida na Veja. Não havia websites como conhecemos hoje. Escrevi uma cartinha à redação reclamando. Isso jamais teve qualquer significado, a não ser para mim mesmo. Não contribuí em nada para melhorar o jornalismo da Veja. Hoje é bem diferente: escrevo uma crítica na Web e, se ela for coerente, no mesmo dia centenas de pessoas validam essa opinião e acrescentam a sua própria interpretação para completá-la e enriquecê-la. E em casos de relevância bem estabelecida, cria-se um movimento crescente de contestação. Quando o contraponto finalmente chega às redações, as orelhas dos editores ardem.
Nós fiscalizamos a mídia sendo a mídia.
Se os jornais quiserem manter uma fração da sua declinante relevância, devem ter a coragem de desistir da sua hipocrisia engajada. Assumam: Editor não serve o leitor. Ombudsman também não serve o leitor. Cada um serve a si mesmo e a seu grupo de interesse. Essa é a única realidade concreta e constante.
O que está escrito no manual de redação deve ser apagado e reescrito para este novo mundo em que mais nenhum passo em falso de um jornalista deixará de ser notado.
Mario, sei que não tem nada a ver com o post, mas como o blog também trata de fotografia... Viu a foto de 1.500 megapixel da posse de Barack Obama do site gigapan? Da pra ver a cara de todo mundo nela. Abs
ResponderExcluirhttp://gigapan.org/viewGigapanFullscreen.php?auth=033ef14483ee899496648c2b4b06233c
Ieda Alkimim
ResponderExcluirFico me perguntando se todos aqueles que viveram regalias dutante a ditadura militar esta com tanta saudade daquele periodo (Folha de sP, Rede Globo etc....) Expressões infelizes como esta "ditabranda" é um tapa na cara dos que sentiram de perto a fúria do regime militar. Durante 21 longos anos o direito do cidadão foi esquecido, mas nós, sociedade, jamais devemos esquecer.
Alguém poderia me responder algumas duvidas aqui ? e que tenho que fazer um trabalho e teria que descrever sobre a repressão militar utilizada entre 1964 e 1985 e não to conseguindo escrever algo objetivo e claro .
ResponderExcluire tambem tem outra questão assim ..
O que é a ditabranda ? relacione o contexto historico atual brasileiro aos anos de governos militares e as ''diretas já'' .
se puderem me ajudar ! grata .
Por isso que se chama trabalho... você vai correr atrás da informação, analisar, relacionar e então decidir o que é relevante para a história. Não espere que venham com as soluções aqui...
ResponderExcluirSobre a repressão e o movimento da redemocratização, há um monte de fontes novas, incluindo os arquivos da Veja, que nos anos 80 não tinha o perfil panfletário direitista dos dias de hoje.
Sobre a luta armada e os desaparecidos, o governo federal acaba de fazer uma campanha publicitária a respeito.
Sobre a censura, você vai achar um material bom no site do Estadão.
Ditabranda, como o post deveria ter deixado claro, foi palavra inventada para ilustrar uma opinião editorial na Folha e não deve ser usada fora desse contexto.