2009-01-26

Apple: um cala-boca definitivo?

Por causa dessa crise idiota, empresas reais com empregos reais estão tombando como uma fileira de dominós. Chegaram simultaneamente na semana passada estas notícias:

Microsoft reportou um lucro líquido de US$ 4,7 bilhões no trimestre. O faturamento foi de US$16,6 bilhões. Isso é apenas 2% a mais que no mesmo trimestre do ano passado e US$900 milhões abaixo da expectativa. A empresa já enxugou US$ 600 milhões dos gastos operacionais, mas vai ter que demitir 5 mil pessoas. 1400 foram postos na rua no mesmo dia do anúncio. Além disso, eles estão cortando 20% das despesas de viagem. Teve até carta chorosa do Steve Ballmer para os funcionários.

Sony teve o seu primeiro prejuízo trimestral em 14 anos. A perda foi de incríveis US$ 2,9 bilhões. Estão com um plano de reestruturação de US$170 bilhões até 2010. Começou pelo fechamento imediato de seis fábricas e 16 mil demissões ao redor do mundo. Se eu tivesse um PlayStation 3 estaria muito, muito preocupado.

Apple teve um lucro de US$1,61 bilhão no trimestre sobre um faturamento de US$10,17 bilhões, batendo a estimativa de US$9,74 bilhões. Vendeu 2,5 milhões de Macs, 4,4 milhões de iPhones e 22,7 milhões de iPods, batendo a expectativa de 20 milhões. No mesmo trimestre do ano anterior, a companhia faturou US$9,6 bilhões.

Um website passou os últimos anos colecionando os relatos e declarações de figurões e analistas explicando porque a Apple estaria condenada a apodrecer e morrer. Esse tipo de previsão tornou-se popular durante a sua última grande crise, na metade da década passada, quando praticamente toda a imprensa de tecnologia juntou-se para bater na empresa em coro. Eu sei porque já estava na Web, lia os veículos e vivi a época. Declarar o uso de Mac chegava a causar escárnio em muitos círculos de discussão. "Matar a Apple" virou um esporte entre muitos que se apresentavam como connaisseurs da indústria de informática. Foram desmentidos repetidamente, seu número minguou, mas alguns deles persistiram na contramão dos fatos até virarem figurinhas marcadas, como Rob Enderle e Paul Thurrott. Esses caras praticamente montaram uma carreira em cima da tese anti-Apple. E se você é observador, sabe que alguns brasileiros seguiram os seus passos. O que as Cassandras falsificadas podem me dizer agora sobre essas novas notícias? Como explicam os resultados positivos dentro dessa conjuntura horrível, e ainda com o CEO-fundador afastado?

Update [5 de fevereiro] - Agora foi a Panasonic que rodou. 15 mil pessoas na rua, 27 fábricas fechadas.

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3 comentários:

  1. Fui dar uma lida em alguns dos artigos que estão linkados no site e fiquei surpreso como o tom de muitos é de muitas vezes de um ódio “pessoal” em relação à Apple (que não é uma pessoa, é uma empresa), meio que com raiva de uma empresa como essas existir.

    Assim como há em alguns casos a previsão constante de que a próxima versão do Windows será muito melhor, mais segura e mais estável que a anterior a ponto do pessoal abandonar o Mac OS para sempre…

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  2. Nao to querendo defender a Sony, mas o prejuizo da Sony nao eh exatamente problema de administracao ou problema de venda.

    O principal problema da Sony ( e tambem da Toyota, Honda etc) e a modeda japonesa supervalorizado. Com isso um produto vendido no por 1 dolares no exterior, antes da crise se recebia 110 a 120 yens, mas com a valorizacao do yen, pra cada dolar passou a se receber 80 yens. Como a maioria das empresas japonesas depende da exportacao, estao todos no negativo, tipo, quanto mais se vende mais prejuizo se tem.

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  3. @MaGioZal: o ódio triplo entre o pessoal da Apple, do PC/Windows e do Software Livre nos anos 90 era economicamente engajado e tinha tons políticos. Hoje o mercado é bem mais pragmático e só quem cria caso mesmo é o pessoal da "síndrome do pau pequeno" que busca afirmação pessoal pelas suas ferramentas e não pela sua capacidade.

    @Atsu: Há o agravante de a Sony ser um agregado multitentacular de empresas geograficamente esparramadas que não conversam direito umas com as outras para bolar estratégias conjuntas.

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