2008-07-31

Bastidores

A imagem:



Como foi produzida:

Aaaaaah, esqueci de checar antes!
A Lua já está sumindo atrás do prédio!
Eu queria pegar ela inteira... não vai dar mais!
Me empresta o tripé, depressa!
E a câmera também...
E a tele...
Obrigado!
Caraca... o ISO não é esse...
Abertura...
Não, não, tem que ser em RAW... Nada de JPG!
Mas o autofoco está me ferrando! Ele não vai pra onde quero nem a pau... Deixa botar no manual...
Ponho o foco no prédio ou na Lua? Não quero fazer montagem no Photoshop depois...
Está dando um flare enorme... Ignoro?
Quanto é que ponho de exposição pra Lua não estourar totalmente?
Assim a Lua vai sumir de vez e não vou fazer a foto! Não vai dar tempo!
Hm... essa tremeu... Apagar... Repetir...
Fechar um ponto...
PÔ, a Lua vai sumir de vez! Ela está muito rápida!
Não tem espaço pra deslocar o tripé...
Deixa eu inclinar de qualquer jeito...
Pegar os últimos instantes...
Puf! Puf! Já era!

2008-07-29

Câmeras - Parte 2

Fui dar uma olhada no meu arquivo de fotos pixelizadas (176 GB no momento) e vi que pouquíssimas foram escaneadas dos meus filmes. Em compensação, não faltam fotos podres e olvidáveis feitas com uma grande variedade de digitais compactas em diversas épocas.
Em julho de 2000, eu sairia de viagem de férias para Florianópolis e não queria ficar sem uma câmera para registrar o que visse (a palavra "registrar" foi usada aqui intencionalmente - conferir na próxima parte desta série de textos...).
Então, fui ao Promocenter da rua Augusta (aquele templo do contrabando que foi fechado e ironicamente transformado num escritório da Polícia Federal), e de lá saí feliz com uma Canon EOS 300.
Antes de continuar a saga, preciso explicar que EOS 300 é o nome europeu do modelo; ele é conhecido nos EUA como Rebel 2000, nome apropriado para transmitir uma personalidade de "consumo" ou "entry level". No Japão, é a EOS Kiss III, um típico caso do estúpido "pseudoinglês" que os caras lá adoram inventar para uso próprio e soa bizarro no resto do mundo. (Discorda? Então vá comer um chocolate Pocky, beba uma água mineral Calpis, brinque com seu velho Super Famicom - ah, é mesmo, você já tem um Wii - e depois voltemos a conversar. Quer outro exemplo? A Canon Sure Shot ACE do meu pai era chamada Autoboy no Japão. Caso encerrado...)
A minha EOS custou uma pechincha, mas como era o modelo europeu, veio com o manual em alemão. Para obter um legível, tive de pagar um pouco mais. E a tiazinha chinesa quase teria me enganado e ficado com o strap original se eu não estivesse atento na hora da compra. Fui a Floripa lendo durante toda a viagem do ônibus um xerox do manual em espanhol e inglês. Uma de minhas primeiras fotos com ela foi de pinguins mortos na praia dos Ingleses.
O design do corpo da EOS 300 é prateado com detalhes pretos. A Canon diz que é inspirado na série IXUS de compactas APS, que deu origem às atuais PowerShot, mas não lembra muito não. Cada detalhe é finamente esculpido, com bela atenção aos detalhes e sempre pensando na maneira como a máquina seria usada na vida real. A câmera até parece mais contemporânea a que sua sucessora imediata, a EOS 300X. A EOS 300D (Digital Rebel) acabou retomando alguns detalhes da EOS 300 original. Para mim, a SLR de filme mais bonita da era das autofocus de 35mm foi a Minolta 9xi, mas a EOS 300 até poderia competir pelo vice-campeonato. Ao menos na versão preta que só saiu no Japão.
Apesar de ter visual e materiais (como assim, baioneta de plástico?!) sugerindo uso amador e não profissional, a EOS 300 vinha com recursos avançados, graças à sofisticada eletrônica. Sete sensores de foco e 35 zonas de fotometria numa câmera para principiantes! O pensamento dos engenheiros da Canon foi correto: os neófitos precisam mais da ajuda do equipamento do que os tarimbados.
E de fato, consegui torrar uns 200 rolos de filme sem perder nenhuma foto por erro de fotometria ou foco. As perdidas sempre foram por cabecice minha de obrigar a câmera fazer o que ela não podia, como por exemplo uma foto nítida noturna, na mão, a 1/3 de segundo, zoom em 80mm, tampa da lente colocada... (OK, exagerei um pouco.)
Minha habilidade neófita e baixa criatividade técnica na época não exigiam demais da EOS 300, e isso explica o alto índice de aproveitamento de fotos. Ou então, ela realmente tem alguma inexplicável mágica antierro. Seja por um ou por outro motivo, a câmera foi um sucesso ao redor do mundo e produziu descendentes ilustres que usam sensores digitais CMOS em vez de filme. E baioneta de metal em vez de plástico.
Um indício de que a EOS 300 teve uma vida tranquila comigo é o fato de não ter me interessado verdadeiramente em comprar objetivas adicionais para ela. A original do kit é a 28-80mm f/3.5-5.6, que tem uma aparência tosca de coisa barata, talvez para fazer o usuário se tocar de que essa lente é provisória e é preciso comprar logo qualquer outra coisa mais digna. A lente transmite uma sensação ruim, com uma desagradável folga no anel de foco e sem a sensação de inércia úmida que é típica dos mecanismos das boas lentes. Mas o kit EOS 300 foi um grande salto de qualidade óptica e liberdade criativa em relação à velha Olympus e não tive do que reclamar.
Curiosamente, este fotógrafo também fez o mesmo caminho de evolução de uma Olympus Stylus para uma EOS 300.
Na hora de pensar no upgrade, a cena sempre se repetia: eu ia fuçar as vitrines da Conselheiro Crispiniano, me horrorizava com os preços das lentes e voltava para casa pensando em outras compras, decidido a fazer a EOS 300 durar mais uns dez anos ou até que surgisse uma digital equivalente. Atualmente as coisas são bem melhores: graças ao dólar mais em conta, uma lente 50mm f/1.8 da Canon custa R$ 240. Infelizmente, a câmera digital equivalente atual ainda é muito mais cara.
Onde a EOS 300 mais me ajudou a progredir foi no uso do zoom. Ela me ensinou a enquadrar fechado. Achei a lente zoom tão conveniente para compor as fotos que desejava uma digital compacta cujo zoom também fosse acionado girando uma seção do barril da lente. Sei que esse tipo de câmera até foi feito, mas nunca mexi numa delas.
Eu teria feito fotos bem felizes na época com uma lente fixa luminosa como a 50mm f/1.7 que hoje uso na Pentax ME. Mas ainda precisaria compreender o conceito de abertura para entender a vantagem. Em vez disso, botava a EOS 300 no modo automático e vivia feliz. Somente dali a um ano comecei a fotografar com deliberação em prioridade de abertura e a carregar na bolsa Vanguard um polarizador, um parassol e um closeup +3. (O filtro Skylight para proteger a lente foi presente do Bruno Doicheman.)
E oh, sim, a EOS 300 tem o preview de profundidade de campo, recurso que incrivelmente falta em câmeras atuais muito mais sofisticadas.
A cena mais curiosa que vivi com a EOS 300 pendurada do pescoço foi ao comparecer a uma sessão de fotos de capa de revista com Clicio no comando do estúdio. Ele olhou para a máquina e fez uma careta. Estava de mal com a Canon devido à sua histórica mudança do sistema de lentes FD para EOS, que desvalorizara o investimento em equipamento de muitos fotógrafos no final dos anos 80. Aquilo já tinha acontecido há mais de uma década, mas Clicio ainda não perdoara a marca: só aceitava fotografar em 35mm com Nikon e em médio formato com Pentax. Só recentemente o mestre amoleceu o coração e retornou à Canon com as profissionais digitais.
A minha EOS 300 acabou sendo menos e menos usada, devido à crescente acessibilidade das digitais compactas, que não eram substitutas reais, mas tinham a versatilidade e a facilidade para tentativa-e-erro a seu favor. E sempre suspeitei que poderia chegar a comprar uma Rebel digital e voltar a usar aquela lente feia, porém honesta.

(Continua...)

2008-07-27

Câmeras - Parte 1

Meu álbum de infância contém várias fotos em preto e branco de formato quadrado, frequentemente copiadas num papel cortado em 12 por 9 centímetros, deixando uma margem branca e lembrando uma Polaroid tirada de lado. Nas fotos, há um bebê que sempre sorri e uma mãe de vestido comprido à moda hippie dos anos 70 numa casa revestida de cacos de ladrilho vermelho na periferia da Zona Norte de São Paulo.

Algumas das minhas primeiras fotos coloridas vieram do laboratório CURT ou Fotoptica com os cantos cortados numa acentuada curva arredondada, que sempre detestei profundamente, e a cor desbotou até sobrar quase só o vermelho e um pouco de azul. Todas têm o foco pouco nítido, como se fossem feitas por uma pinhole. E de fato, a câmera usada na nossa viagem de Fusca ao Uruguai, Argentina e Paraguai em maio de 1977 era uma elegante porém primitiva Kodak Pocket Instamatic 200, alimentada com filme 110 e unidades de flash MagiCube, que depois de queimadas viravam maravilhosos brinquedos. Foi a primeira câmera fotográfica da qual tive consciência, e até fiz uns cliques com ela. A sensação rude de mola metálica do tranco do botão de disparo no meu dedo me assombrava e assustava.

As fotos que o meu pai fazia nas nossas viagens de férias não me interessavam, porque até um guri como eu percebia que ele fotografava muito mal, insistindo em fazer apenas fotos estilo cartão postal com enquadramentos inimaginativos e frequentemente fora de prumo. A cabeça da minha mãe era enfiada como um elemento intruso no meio do enquadramento, fazendo caretas de protesto ou caras de não estou aí por ser fotografada contra a vontade.

Curiosamente, quando cheguei à adolescência as fotos de família melhoraram subitamente. Na época, a câmera usada era uma point-and-shoot de plástico preto e aspecto barato, cujo nome não consigo lembrar, possivelmente Yashica. O que lembro é que certo dia a máquina deu algum defeito bobo e meu pai, que já vinha na intenção declarada de comprar outra mais moderna, espatifou-a no chão sem cerimônia e depois ficou se divertindo em analisar os componentes eletrônicos. Se você se chocou com essa descrição de falta de reverência pela tecnologia, eu me choquei muito mais na época, pois sempre soube que meu pai era um fã de gadgets eletrônicos. Por exemplo, ele tinha gasto uma fortuna num pioneiro relógio digital com mostrador de LEDs da Fairchild, ou então uma TV Sharp que era o primeiro modelo com controle remoto sem fio e número do canal sintonizado mostrado na tela, ou um revolucionário fone de ouvido da Aiwa com rádio FM integrado, entre vários outros aparelhos avançados e exóticos que eram os iPhones de suas épocas. Um tanto do tecnologista que hoje tenho em mim brotou dessas autocontraditórias influências paternas.

A câmera paterna seguinte já foi uma moderna autofocus: a Canon Sure Shot ACE de 1988, primeiro modelo da história com controle remoto infavermelho (compatível com as SLRs EOS), além de ter um inteligente viewfinder duplo com visor por cima que permitia enquadrar com a câmera na altura da cintura, como se fosse uma Rolleiflex. O design era inspirado e ergonômico, cheio de toques inteligentes, como um pezinho embutido rotativo para posicionar a câmera para as fotos com o remoto sem necessidade de tripé. Até o botão de disparo emborrachado era agradável de usar. O ciúme do meu pai pela câmera, somado à minha trágica facilidade para mutilar equipamentos eletrônicos acidentalmente, impediu-me de mexer nela o quanto desejaria.

A liberdade veio quando comprei para uso pessoal uma Vivitar de 35mm numa loja do supermercado Paes Mendonça em 1992. Era ridiculamente barata, algo como 75 reais em dinheiro de hoje. Pesava menos do que um pãozinho de padaria e era completamente operada à mão. Sendo 100% feita de plástico, incluindo a pequenina lente fixa de 35mm que gerava psicodélicos efeitos de aberração cromática e coma, e por eu já vir mal acostumado pelos recursos modernos da Canon, eu não consegui amá-la da maneira como amaria uma Holga nos dias atuais. Usei essa câmera para registrar alguns locais que visitava em meus passeios de bicicleta. Mas vivia com medo de ser roubado na rua, mesmo que a câmera fosse praticamente descartável, e não a apreciei como poderia. Não fiz nenhuma foto das pioneiras e históricas saídas de grupos de mountain bikers em Mairiporã nos anos 90, e lamento isso profundamente.

Não sei o que aconteceu com a Canon nem com a Vivitar. Poucos anos depois, eu tive uma minúscula Mitsuca que usava o novo padrão de filme APS e permitia fazer interessantes fotos em corte panorâmico. Foi um presente de meu pai, que comprou outra câmera idêntica para ele. A simplicidade de uso do sistema o conquistou, e a mim também. Retribuí comprando um par de Palm Pilots e dando um a ele em 1997.

Quando eu estava pegando gosto pela camerinha APS, novamente fiquei mimado, mas desta vez foi pelas digitais. Eu trabalhava com Photoshop e depois virei editor na revista Macmania, que cobria a vanguarda da tecnologia. Assim, tive acesso muito precoce e privilegiado a câmeras digitais de todo tipo, incluindo a pioneiríssima QuickTake da Apple/Kodak e a futurista Polaroid PDC-2000. Profissionais da fotografia que colaboravam com a revista, como Clicio e J.C. França, tiveram uma correta visão do futuro digital e recebiam a nova tecnologia com entusiasmo.
Mas os modelos de consumo, além de caríssimos, tinham uma qualidade de imagem lamacenta que eu julgava inaceitável, mesmo em comparação com as fotos analógicas da minha câmera APS. E as pilhas e baterias das digitais não duravam nada! Eu as considerava como brinquedos, divertidíssimos de usar, mas impossíveis de levar a sério. Assim, para fins pessoais fiquei firmemente preso ao filme por mais alguns anos.

Não cheguei a considerar uma SLR na época, embora visse os profissionais usando-as, especialmente Clicio com uma Asahi Pentax de médio formato que era empregada nas nossas capas de revistas e virou uma espécie de fetiche para mim, com todo aquele elaborado e fascinante ritual de conferir a fotometria em múltiplos pontos da cena, clicar apenas 10 vezes e gritar "filme!" para que um assistente trouxesse correndo um rolo novo diretamente da geladeira.

Minha câmera seguinte, de 1997, foi mais uma point-and-shoot, mas desta vez transbordando de estilo: a Olympus Stylus Epic. Não era exatamente a versão do link, mas uma de segunda geração que era dotada de uma lente zoom telescópica. Sua programação de exposição automática, privilegiando aberturas largas que produziam belos efeitos de desfoque de fundo e altas velocidades graças à lente luminosa, era simplesmente a minha cara.
(Esse estilo de foto foi abandonado nas câmeras atuais, projetadas para serem usadas por idiotas. As atuais buscam profundidade de campo a todo custo, usando aberturas fechadas para garantir o foco; preferem velocidades perigosamente lentas, empregam lentes zoom muito escuras e sensores digitais pouco sensíveis com excesso de megapixels, e compensam o ruído digital na imagem com algoritmos matemáticos que borram completamente os detalhes. Eu não sabia disso tudo na época, só fui saber ao estudar as SLRsm alguns anos depois. Mas estou me adiantando na história.)
A Stylus Epic era consistente em produzir imagens sensacionais quase sem esforço; nunca uma foto era perdida por erro de fotometria. Além disso, havia o design lindo, com aquele painel de correr na frente que foi muitas vezes repetido pela Olympus em suas digitais e mais recentemente inspirou a Sony em sua série T de ultracompactas.
Infelizmente a minha querida Olympus, usada de forma extremamente intensa ao longo de três anos, estava fadada a morrer por desgaste. Mas isso ocorreu em duas etapas. Primeiro, numa viagem de férias em Iguape, uma mola minúscula saltou da porta de correr e desapareceu no ar, na saída da travessia de balsa. Ainda deu para continuar usando a máquina, com a porta meio bamba e mole. Por fim, no dia 31 de dezembro de 1999 ela deu um pau elétrico e nunca mais voltou a ligar. Sua última imagem foi um bonito pôr do sol na praia de Maresias.
Em memória a seus bons serviços, em vez de jogá-la fora guardei respeitosamente seu corpo inerte entre os meus apetrechos eletrônicos.

Finalmente, fiquei pronto para evoluir em habilidades e exigências fotográficas. Minha próxima câmera seria inevitavelmente uma SLR...

(Continua...)

A onda de merda no design gráfico é mundial

Uma prova eloquente de que a destruição do design gráfico é um fenômeno globalizado é este vídeo, pois ele foi feito na Gringolândia e não na Granja Julieta.



É o retrato acabado, definitivo e irretocável de tudo o que há de errado com a profissão.

Embora seja uma sátira, o que ele mostra é tão real, palpável e genuíno que eu só consigo sentir raiva, não dou risada... Acredite: tenho um senso de humor bem desenvolvido. É que este vídeo ficou entalado... Trago-o aqui no contexto de reforçar meu recente protesto contra o estado das coisas, não de simplesmente fazer graça.

2008-07-22

Para quem nem vive sem o orkut

Chat

2008-07-16

Caffeine Test

É uma versão moderna do Decathlon para Atari 2600.
Faça o teste e arrisque-se a destruir seu mouse.

The Caffeine Click Test - How Caffeinated Are You?
OnePlusYou Quizzes and Widgets

Usando a caneta do tablet Wacom, fiz bonito: cliquei 470 vezes em 30 segundos!