2008-02-27

O pior produto da Apple

Colecionando computadores, inadvertidamente cheguei a umas elucubrações sobre a evolução de alguns de seus componentes. Este artigo na ZDNet me ajudou a concatenar idéias que já trazia na cabeça há algum tempo. O tema é o seguinte: por que a Apple não consegue mais acertar no mouse?

Um mouse está em relação a um PC moderno como um par de meias para o sapato. Você não repara nele enquanto está usando, mas sem ele, a vida ficaria mais complicada.
A Apple foi pioneira na implementação do mouse em computadores de massa. Os seus mouses dos anos 80 eram quadradões, mas cômodos. Usei em 1988 o primeiro modelo da Logitech para PCs, que vinha com três botões e o desenho copiado do mouse da Apple da mesma época.
O modelo que vinha com os Macs ao longo dos anos 90, de formato oval, é unanimemente apontado pelos usuários veteranos como um dos mais confortáveis de todos os tempos, com as formas certas e o peso certo. Mas ainda era restrito ao botão único, enquanto toda a indústria de PC formava um consenso em torno de dois botões mais roda de rolagem.
Outro mérito da Apple foi a introdução do trackpad nos laptops. O PowerBook 520c, de 1994, foi o primeiro portátil da história - Mac ou PC - equipado com esse dispositivo simples, limpo e sem partes móveis. Nos trackpads atuais, nem é preciso usar botões: o trackpad sabe quando você vai clicar, arrastar ou rolar. E os novos MacBooks agregam os truques multitoque do iPhone. Nem todo mundo gosta do trackpad, mas ele ainda é favorito nos portáteis.
Ou seja, até aqui daria para dizer que a Apple entende muito de dispositivos de entrada para computadores, certo?
Mas em 1998, o mouse da Apple mudou do vinho Beaujolais para o rio Pinheiros. O iMac e o Power Mac G3 vinham com um estúpido mouse minúsculo e arredondado que não tinha a orientação definida pela forma, obrigando o usuário a uma operação bizarra de alinhamento às pontas dos dedos toda vez que fosse usá-lo.
Para mim, o mouse redondinho foi a maior burrice da Apple de todos os tempos. Sim: maior que o timing do lançamento do Newton, maior que o Pippin, maior que o Apple III, maior que o travamento do iPhone, maior que o encalhe de Performas, maior que o preço do G4 Cube. O mouse redondinho foi o Microsoft Bob da Apple.
A geração seguinte do mouse Apple retornou ao formato alongado e apaziguou as queixas de milhões de usuários. Mas a Apple não resistiu a introduzir uma frescurinha, ao eliminar o contorno do botão único. Toda a superfície superior do mouse era o botão.
Depois de duas revisões estéticas, sem mudança na forma, a Apple encerrou sua teimosia histórica de não colocar o segundo botão e um sensor de rolamento. O atual Mighty Mouse tem uma bolinha para rolar em todas as direções e permite quatro cliques diferentes: clique esquerdo, clique direito, clique lateral e clique na bolinha.
A tragédia é que essa capacidade de cliques múltiplos não é evidente a partir da aparência do mouse, e até o dia de hoje há uma enorme quantidade de pessoas que antipatiza com o Mac por causa do que entendem ser um simplório mouse de apenas um botão.
É um caso clássico de "excesso de design". Enfrescaram tanto no design que a função do dispositivo ficou oculta, e a cada novo dia a Apple deve perder de vender alguns Macs por conta disso.
E para quem sabe usar o Mighty Mouse, mais uma surpresa desagradável. A bolinha se enche de sujeira e trava. É preciso limpá-la esfregando solvente. A roda do meu mouse "de PC", em contrapartida, jamais travou nem exigiu qualquer limpeza. Uma bolinha de maior diâmetro no Mighty Mouse já faria toda a diferença.

Disclaimer - Uso o Microsoft Intellimouse Explorer desde sua primeira versão em 1999, e sucessivos modelos de tablets Wacom desde 1996.

2008-02-22

Museu de Macs tomando corpo

Minha exótica (sou o primeiro a reconhecer) coleção de Macs antigos nem bem está organizada e já foi objeto de uma nota no Meio Bit, um dos sites de tecnologia mais legais na língua brazuca. O motivo disso foi a divulgação no meu Flickr de fotos de algumas ultra-raridades, como o Mac Portable de 1989 e um incrível Lisa original, que ainda irão render artigos detalhados aqui.

No momento, porém, eles vão ter que esperar. Agora estou preparando um artigo para a Mac+ sobre o iMac, que está prestes a fazer 10 anos. Na coleção há um iMac da primeira leva (Rev. A), que já passou pela operação de restauração do monitor, e um outro aguardando o mesmo conserto. Restauração do monitor, como assim? É que todos os iMacs com CRT desenvolvem (ou ainda desenvolverão) um problema no flyback, transformador de alta tensão diretamente responsável pela geração das imagens na tela. Existe uma oficina em São Paulo que faz o conserto com perfeição, a Compumática, que fica no Alto do Ipiranga.

Que mais? Escrevi uma mensagem no Gmail em um 8500 e brinquei com o Word 5.1 no IIsi. Como o boot era rápido!

Em breve, vou postar scans de folhetos raros e revistas antigas. Que tal, por exemplo, a matéria da Macworld contando sobre o lançamento do Illustrator em 1987?

2008-02-15

Campus Party

Podia ter C++ Party versus C# Party, não?

Gracinhas à parte, tudo o que eu gostaria de ler ou falar sobre o grande evento se cristaliza aqui:

Acredito muito que a blogosfera brasileira , mesmo com seus proclamados 10 anos de idade, ainda está na sua tenra infância. Vai crescer, amadurecer, aprender com os erros. E é um erro se achar melhor que os outros - talvez um excesso de carinho inédito dado aos blogueiros na Campus Party tenha inflado alguns egos por aí. Humildade, galera, humildade. Com o tempo, isso passa e some - espero.<

Ah, sim, tem mais aqui:

Algo que também me chamou a atenção esta semana é que eu estava ao lado do Marcelo Branco, diretor do Campus Party, que reclamava sobre o viés negativo que uma mídia específica estava dando ao evento. Infelizmente não ouvi qual era a mídia, mas enquanto eu ouvia a conversa sem precisar esticar o ouvido, uma terceira pessoa pediu para ele falar com a Folha de São Paulo, pois bem, ele disse que com a Folha ele não falaria mais. Talvez sejam fatos como esse, em que o entrevistado se sinta lesado pela imprensa ao se considerar sempre mal-entendido, que faça os blogs ganhar tamanha força. Mas, por outro lado, esse comportamento de ’se está contra mim não falo mais com você’ dá argumentos a quem diz que blogs não têm seriedade e isenção para tratar de determinados assuntos.


Mais uma, de uma conversa minha com o Henrique Martin, do Zumo:



Os blogueiros mais influentes, vistos por outros como modelos, já disseram o que tinham a dizer. Por exemplo:

Do fundo do meu coração, parem de reclamar, levantem suas bundas das cadeiras e vão fazer algo ao invés de apenas discutir algo.


Todos desaprovam a distinção forçada entre categorias e mídias. Mas existe mais um aspecto a considerar. A "minoria barulhenta" cristaliza um estereótipo que acaba sendo aplicado em massa à maioria que nada tem com a controvérsia. Mais de um já deve ter pensado: Será que o alcance do embate é suficiente para me atingir? Por conta da provocação de dúzia de engraçadinhos, a gente menos informada começará a ser intolerante comigo?

Ah, em tempo: chequem suas fontes! Depois a gente conversa sobre opinião, isenção, credibilidade etc.

2008-02-14

Não fale apenas. Faça

Pão de Açúcar tenta mudar imagem
Pão de Açúcar investe R$ 80 milhões para se diferenciar da concorrência e minimizar imagem de supermercado caro

É, sim, um supermercado caro. Eu, a minha vizinha e o taxista do ponto ao lado podemos confirmar. Mais caro ainda, só o Extra - que por acaso é do mesmo grupo empresarial.
Não seria mais legal dar os mesmos R$ 80 milhões de descontos nos preços dos produtos?
Qual é o lucro(sem ironia) de divulgar em propaganda que é mais barato, mas não mexer realmente nos preços, coisa que o consumidor perceberá fatalmente?
A não ser que a ação inclua promoções especiais...
Respostas a esta questão palpitante nos comentários abaixo...

2008-02-13

Corrosivo - 1

O que se pode pensar acerca de um email em lista que começa com

PessoALL,

e termina com

Um forte abraço!

?