
Depois que vi que tem bastante
bastante mais gente com a mesma opinião que eu sobre o MacBook Air, resolvi expandir para cá os comentários do post anterior. Tinha dito lá o seguinte:
Mais invejinha detectada:
"é absurdo um notebook que não tem drive de CD/DVD"
Engraçado isso, porque no meu HP eu nunca uso o drive que vem nele. E acho a máquina desnecessariamente pesada. Me agrada mais algo que você apenas possa carregar por aí para acessar a Web com privacidade quando e onde quiser. Que seja simples e leve. Para Photoshop pesado, já tenho a torre em casa.
Então, pela lógica, devo ser público-alvo do Air, não? Mesmo não tendo a menor vontade de comprar um agora - minha prioridade seria mais uma máquina tradicional, grande e parruda.
Há que se observar duas coisas que estão abaixo da compreensão de alguns críticos:
- O Air é uma categoria à parte de produto, não pretende competir com aparelhos maiores como o Toshiba Satellite, HP Pavilion, Apple MacBook Pro etc.
- Essa categoria não é invenção da cabeça do maluco Jobs: há vários anos a Sony faz um mini-VAIO que é muito admirado por aí. A própria Apple tinha o PowerBook Duo há 13 anos. E muito antes de todo mundo, a Casio fazia uns micros ultraportáteis programados em BASIC.
- Alguém que não compreende esse fato simples e óbvio não tem cabeça aberta o suficiente para escrever críticas de hardware.
Pronto, falei.
Semelhanças de atitude com as reações iniciais ao iPhone NÃO são mera coincidência.
Quando saiu o iPhone foi a mesma coisa. Uma parte do público geek, incluindo analistas e colunistas influentes, despejou uma chuva de ácido no produto, simplesmente porque "não entendeu a proposta". Ficaram reclamando que falta isso, falta aquilo e tal.
Observei na ocasião que o produto não era feito para eles, e sim visando um novo público em formação, com necessidades diferentes. Isso deveria ser tão simples de entender, mas não é do ponto de vista de um certo tipo de geek fanático e arrogante, que deseja que todos os produtos hi-tech se encaixem na sua visão pessoal, caso contrário entra em campanha contra eles.
O mesmo fenômeno se repete com o MacBook Air. Não, espere... também foi a mesma coisa com o primeiro iPod, e também com o primeiro iMac e o primeiro iBook (lembra desse?). As críticas eram sempre iguais: "é inútil porque tiraram o recurso tal". Não; é inútil para VOCÊ, que sempre enxerga as coisas por um mesmo ângulo bitolado. Que previu que esses produtos fracassariam, mas foi desmentido pela história e saiu atrás de outra coisa para reclamar.
Esses produtos têm em comum também o fato de não serem 100% inovadores. Toda vez, a Apple - neste caso, porque também poderia ser a Sony, a Philips, a Samsung, uma startup desconhecida da China, por que não a Microsoft? - pegou um conceito existente e deu uma aperfeiçoada que lhe proporcionou uma personalidade atraente para um novo perfil de consumidor.
Essa aperfeiçoada tem seu fundamento em simplificar o conceito. Tirar fora o que não é essencial. Esse ponto é o que os ultrageeks insatisfeitos não sacam. O que me espanta é que pessoas perfeitamente inteligentes caem nessa vala conceitual e não saem dela. Para os mais esclarecidos, eis
um artigo que desenvolve a nova filosofia.
Comente, mas já aviso: manifestações fanboyescas e technospeak entediado serão limadas. O que está em discussão aqui é atitude do consumidor, não produto.