
A minha nova atividade editorial, que se reflete neste blog, é escrever artigos sobre fotografia para revistas que não são sobre fotografia, o que me direciona naturalmente a falar de foto amadora para fotógrafos casuais. As pessoas adoram ler artigos com dicas de fotografia. Mas como é que você fica sabendo depois se a sua técnica evoluiu?
Sem chance no Flickr e Fotolog, pois eles são em essência redes sociais e não sites de portfólio. Assim, o comadrio é a norma natural. Nunca se vê alguém apontando falhas nas fotos dos outros. Mesmo quando pessoas pedem esse tipo de orientação, a crítica bem-intencionada parece inadequada, rude, fora do lugar. Aspirantes a artistas da luz perdem suas ambições e acabam viciados no elogio fácil e nas medalhinhas imaginárias.
Daí explica-se o meu prazer e fascinação ao ler o FotoGlobo, blog dos fotógrafos do jornal O Globo. Eles convidam os leitores a enviarem suas fotos para serem criticadas. E baixam a lenha sem nenhuma dó e sem receio de ofender ou humilhar. Está bem assim, porque todas as críticas deles são construtivas. Quem aspira a artista precisa às vezes ouvir o que não quer, senão não cresce.
O mais fascinante é que ao analisar as fotos junto com o blog, você detecta alguns erros recorrentes nas fotos amadoras. Esses erros podem até ser classificados num conjunto restrito de problemas fundamentais da fotografia, que eu chamei de 12 Pecados. Leia, reflita e depois conte-me o que achou.
Os 12 pecados, um por um
1. Enquadramento centralizado no assunto, esquecendo de compor a cena

É o que chamo de "visão de túnel": na excitação de capturar o momento, a pessoa só enxerga a área central do campo de imagem e esquece o resto, enquadrando cenas bonitas de forma desarmônica e desleixada. Todo mundo, inclusive eu e você, já fez alguma dessas fotos em que a namorada está parada como um poste no centro da foto, dividindo o quadro simetricamente em duas massas confusas de poluição visual que não comunicam nada. Solução: aprenda a compor de maneira descentralizada e a enquadrar na vertical.
2. Objetos estranhos interferindo com o assunto principal

Esse erro é uma extensão do primeiro. Fundos que distraem, fundos sem contraste, fundos com luz melhor que a do assunto da foto, objetos que poderiam perfeitamente ficar fora da composição, pedaços de dedos na frente da lente. Quase sempre dá para achar um novo ângulo que resulte num fundo mais limpo. Ou então, se a lente permitir, forçar o desfoque do fundo com uma abertura generosa.
3. Horizonte desnivelado

A maioria das pessoas que enviou suas fotos para o FotoGlobo não tem a mais rudimentar noção de prumo. A quantidade de imagens com a câmera torta é tão absurda que ficou clara para mim a necessidade de a indústria fotográfica dar um passo além das perfumarias do momento e incluir nas câmeras amadoras uma função verdadeiramente útil: autonivelamento do sensor. Ou isso, ou as pessoas passam a prestar atenção num problema óbvio.
4. Captura precipitada

A pessoa vê uma cena estática e tranquila, como uma paisagem, e clica afobadamente a partir de onde está, sem caminhar um pouquinho que seja para achar o melhor ângulo. Em fotos tiradas de ônibus turístico, ainda se compreende e perdoa. Num passeio a pé, não.
5. Luz do dia ruim

Se tiver ao alcance um programa de edição de imagem (e vamos admitir, todo mundo tem, mesmo que pirata), faça uma curva de contraste para ressuscitar os brilhos esmaecidos pelo céu nublado. Ou recuperar as sombras duras projetadas pelo sol forte. Mas o melhor jeito mesmo é escolher um horário de luz bonita para fazer a foto. Ou então, carregar um rebatedor e unidade de flash externo. Opa, aí já não sei se continua sendo fotografia amadora.
6. Objetos desnecessariamente distantes

Chegue perto do assunto. Se não der, use o zoom. Hoje em dia todas as câmeras compactas têm um senhor zoom. Não tem mais desculpa continuar fazendo aquelas fotos que eram típicas das point & shoots antigas de lente fixa de 35mm, que consistiam em vastos campos salpicados de detalhinhos minúsculos.
7. Pessoas com mãos, pés ou cabeça cortados

Se é para ser retrato de corpo inteiro, que seja - literalmente. Se é para ser um plano parcial, isso tem que estar bem definido. Se tem braço inteiro, precisa ter mão. Ah, é que a pessoa está tão lindinha nessa foto que você torce para ninguém reparar na mancada? Refaça o corte mais fechado. Não rolou? Resigne-se, tire a foto do álbum e tenha mais cuidado na próxima oportunidade.
8. Flash disparado sem necessidade

Profundamente irritante, mais ainda se ele pegou numa superfície refletiva no fundo e carimbou um clarão totalmente gratuito na contraluz. Calculo que uns 80% das fotos amadoras feitas com flash ficariam muito melhores sem ele.
9. Foto de cartão postal com ângulo manjado

Não importa que a imagem é tecnicamente correta. Continua sendo banal e redundante. Como essa foto do local turístico já existe na forma de cartão postal, vá à lojinha de souvenirs e compre-o. A seguir, use a sua câmera para tentar algo diferente e personalizado.
10. Assinatura horrível num canto

Não adianta nada. Se algum maluco quiser roubar sua foto pela Internet, a assinatura não o impedirá: basta cropar o seu nominho fora. Além de o texto distrair o olho do assunto da foto, a imensa maioria das pessoas não tem bom gosto tipográfico. Pronto, falei.
11. Lusco-fusco e crepúsculo entulhados

Objetos silhuetados atrapalhando no primeiro plano: postes, fios elétricos, prédios etc. Esse descuido comum se deve a uma variante da "visão de túnel": o fotógrafo fascinado pela luz colorida do céu esquece de compor a cena. Inclua esses elementos no enquadramento de alguma maneira coerente ou deixe-os de fora.
12. Assunto de mau gosto

Aí não tem dica que ajude.
Abril de 2009 - O texto original deste post deu origem a um outro, com a parte inicial sobre o FotoGlobo separada em um box, na revista Mac+, onde tenho uma coluna mensal sobre foto digital. Acabou sendo um dos meus artigos mais populares na revista.
Mais recentemente, o texto andou sendo copiado para várias comunidades sobre fotografia do orkut, gerando discussões. É um pouco triste e por vezes constrangedor ver as reações hostis, defensivas e agressivas de uns poucos fotógrafos inseguros, que não toleram a mais vaga sugestão de que eles possam aprender algo novo a partir de uma fonte externa à própria experiência. Vestem a carapuça gratuitamente e revoltam-se contra o que julgam ser cagação de regra, quando é apenas bom senso prático para quem está iniciando ou se desenvolvendo na fotografia e precisa de toda a informação que puder até dominar os elementos técnicos.
Os grandes artistas sempre souberam que, para que o ato de quebrar as regras formais faça sentido, é preciso antes conhecê-las. A atitude de "vale tudo" é exatamente um dos fatores fundamentais da produção fotográfica banal de muita gente.
Por fim, humor e humildade têm algo mais em comum do que a letra H no começo.
Para deixar o artigo mais descontraído, estou ilustrando a versão Web com as mesmas fotos que foram usadas na revista. Todas com problemas, e todas minhas.
Mais recentemente, o texto andou sendo copiado para várias comunidades sobre fotografia do orkut, gerando discussões. É um pouco triste e por vezes constrangedor ver as reações hostis, defensivas e agressivas de uns poucos fotógrafos inseguros, que não toleram a mais vaga sugestão de que eles possam aprender algo novo a partir de uma fonte externa à própria experiência. Vestem a carapuça gratuitamente e revoltam-se contra o que julgam ser cagação de regra, quando é apenas bom senso prático para quem está iniciando ou se desenvolvendo na fotografia e precisa de toda a informação que puder até dominar os elementos técnicos.
Os grandes artistas sempre souberam que, para que o ato de quebrar as regras formais faça sentido, é preciso antes conhecê-las. A atitude de "vale tudo" é exatamente um dos fatores fundamentais da produção fotográfica banal de muita gente.
Por fim, humor e humildade têm algo mais em comum do que a letra H no começo.
Para deixar o artigo mais descontraído, estou ilustrando a versão Web com as mesmas fotos que foram usadas na revista. Todas com problemas, e todas minhas.


45 comentários:
Gostei das suas recomendacoes, apesar de achar que ha excecoes para algumas delas. Enquadrar so a namorada e deixar um fundo sem foco pode ser bacana, por exemplo. Mas essa minha observacao eh meio obvia. No entanto, seria legal se voce pudesse tambem nos dar recomendacoes mais tecnicas em algum post futuro. Eu acho que estou num "nivel amador mais avancado", se eh que isso existe. Exemplificando: como se livrar de aberracoes cromaticas? As famigeradas "purple fringings" ao redor de galhos de arvore, por exemplo? Sei que da para evitar o tipo de luz que causa isso, tambem sei que da para consertar no photoshop, mas queria saber se ha algum truque que pode ser feito com a propria camera ou posicao do fotografo.
Então. Nada contra enquadrar a namorada deixando um fundo sem foco. É justamente o que sugiro fazer no item 2. O que eu comentei no item 1 é outra coisa: não preencher o campo de corte com o seu assunto. Você pode cortar o excedente no computador, mas perde definição de imagem. O ideal é resolver o enquadramento na hora do clique e não ter que cortar depois.
Aberrações cromáticas, assim como a distorção de convergência que é típica das lentes baratas, podem ser eliminadas com o filtro Distort > Lens Correction do Adobe Photoshop CS3. O negócio é milagroso.
Purple fringing é diferente, porque esse defeito é específico do sensor digital. Quando a câmera traz alguma função que tenha "Dynamic Range" no nome, isso sugere que ela faz alguma magia interna para reduzir o problema dos estouros de luz em áreas muito contrastadas. Dá para diminuir um pouco mais o problema criando uma correção de curvas mascarada por Color Range no Photoshop na áreas afetadas. Eliminar completamente não vale a pena.
Um terceiro defeito é a difusão de luz dentro da lente, que gera halos de luz residual em torno dos pontos de luz e diminui o contraste. O Clarity do Adobe Camera Raw tenta atacar esse problema, mas não dá muito controle. Novamente, eu uso seleção por tom seguida de curvas no Photoshop, mas só em fotos difíceis, tiradas com uma lente acidentalmente suja ou coisa do tipo.
Muito obrigada! Preciso, entao, comprar uma camera com "dynamic range", ja que nao tenho muita paciencia para explorar o photoshop.
Mais ou menos. Esse tipo de função é dirigida a control freaks como eu, que capturam a imagem em RAW para corrigir a exposição depois. Esse grau de cuidado ainda só se acha nas profissionais. Câmera amadora em geral tira fotos excessivamente contrastadas porque o povo gosta e exige. É mais ou menos como julgar um aparelho de som bom porque produz um volume alto, sem atentar para a distorção.
Meus parabéns. Até que enfim alguém falou das loucuras tipográficas dos fotógrafos.
Puxa!
Foram dicas para amadores mesmo!!!
Estou em Angola e li seu blog sobre fotos amadoras. Muito bom. Gostei.
Danilo Pace, Angola
Interessante a questão do flash. Eu não gosto de usar o flash, na maioria das vezes. Só uso quando é extremametne necessário. Mas a minha câmera tem umas opções que fazem as cores ficarem bem legais em situações diferentes. As novas point & shoot são muito boas mesmo. Se me derem uma câmera profissional eu não consigo tirar uma foto sequer! Sou total amadora! haha
Na verdade o "purple fringing" também é causado pela lente; esse tipo de aberração faz parte da física envolvida na refração das lentes, mas pode ser mais acentuada com lentes "entry-level". Existem algumas lentes mais caras (como a APO da Canon) com sistemas muito eficientes para correção de secondary cromatic aberrations, e também algumas câmeras (como as Nikon D300 e D700, e provavelmente a nova D90) que possuem funções automáticas para correção dessas aberrações (a câmera faz a correção no JPEG, e o software para o computador consegue fazer a mesma correção no RAW).
O que pode ser causado pelo sensor, especialmente pelos CCDs em câmeras com obturador eletrônico ou híbrido (não puramente mecânico) é o "bloom" quando a lente é apontada para alguma fonte de luz muito forte. Nesse caso algumas faixas verticais totalmente roxas podem aparecer. Mas isso não é "purple friging"
ótimas dicas... vou aplicar algumas já!
Gostei bastante das dicas, tem alguma para retirar brilho de alguns elementos da foto, no photoshop?
Até que enfim mesmo!
Toda vez que eu vejo uma assinatura com letras góticas ou manuscritas eu tenho vontade de gritar.
Pior do que isso só fotógrafo que assina e põe título na foto. Não sei se os piores são os que dizem o óbvio tipo "Rosa" ou os que querem ser líricos e colocam "Paixão" debaixo da pobre foto da rosa.
Muito Bom,
Adquiri uma câmera semi-pro recentemente e tenho tentado me policiar para não cometer esses erros...
O que reparei em fotos de câmeras amadoras é a falta de profundidade nas cenas. Todas me pareceram chapadas.
Gostei das recomendações. É bom sempre procurar melhorar, e dicas nunca são demais. Apesar de que, acho que tudo bem procurar melhorar, mas mexer com o photoshop em toda foto que se tira... baaah aí já é exagero!
Grandes dicas! simples e importantes e, na grande maioria da vezes, elas esquecidas.
Li uma frase uma vez, que levo até hoje, e acho que se encaixa bem aqui e que falava mais ou menos assim: "Não tire fotos de objetos e sim da luz. Se tiver uma luz mediocre não espere nada mais que uma foto mediocre."
[]s
Marcio
Nossa fiquei até com medo agora será que cometo todos esses erros.
OO!!!!
Vou tentar fazer o possível pra evitar essas coisas, também só apenas um amador, mais nada como ser um amador com qualidade.
http://www.flickr.com/photos/jhows/
Adorei o Post, dicas são sempre bem vindas.
Em tempos de inundação de fotos digitais, é preciso mesmo que alguém aponte os erros mais comuns que podem ser evitados mesmo por amadores. Parabéns pelas dicas.
Mas eu acrescentaria mais uma, o ARTIFICIALISMO desnecessário. Muita gente pensa que foto é "pessoas sorrindo no meio do quadro de olho fixo na câmera", e o mundo não passa de background acidental.
E notável o tanto de amadores que nunca sequer tentaram tirar fotos mais naturais, principalmente de crianças, achando que obrigatoriamente todos tem que olhar para o passarinho e dizer "Xis".
Pior, é ver álbuns onde visitou-se um lugar lindo, cheios de belezas naturais ou arquitetônicas, mas TODAS as fotas são de gente sorrindo no meio quadro, normalmente sem nenhuma interação com o cenário.
Parabéns novamente.
Marcus Valerio XR
http://www.xr.pro.br
Aloha!
Na realidade, só com prática mesmo a gente entende disso!
XD~~
Gostei muito das dicas, apesar... Vou anotar por aí e qm sabe eu não levo comigo na hora!
*ajuda!*
Soh a história da assinatura q eu não gostei XP. Se a pessoa cortar, cortou, porééém qm tem respeito aé poe crédito!
Fora q é uma obra de arte, kkkkk!
Aloha!
Muito bom esses comentarios. Particularmente gostei do comentario sobre o Flash. Realmente, na maioria das fotos casuais nao precisa de flash, pois geralmente acaba estourando e algum ponto que reflete.
Poderia me dar uma dica de algum site bom pra postar as fotos, e que facam criticas construtivas? Sejam elas positivas ou negativas.
Obrigado!
Valeu pelas dicas.Estou aprendendo meio que na "raça"..rs pq gosto de fotografia. NÃO tenho um SUPER equipamento e é através de comentários assim que vou compondo meus humildes conhecimentos...rs
Ahh....o lance das loucuras tipográficas... confesso que fiquei meio sem graça...rsrs
Abç
@leo, mauthra, rayquaza, beti: sei que assinaturas nas foto são um ponto polêmico, mas digo e repito: elas são desnecessárias, redundantes. Transformam sua bela arte num folheto de propaganda vulgar. Pense se o Sebastião Salgado toparia enfiar qualquer texto, fosse ou não o nome dele, dentro de alguma imagem que ele criou. Nem a pau. Não faz sentido.
@liv: sim, os modos prontos das câmeras fazem coisas legais com as cores. Ou não. Por exemplo, uma Casio Exilim que usei tinha um "modo para neve", que efetivamente usei na neve e estragou a cor das fotos! Na Panasonic Lumix, o modo "tempo nublado" produz uma cor quente e saturada, muito bonita, parece até simulação de filme Velvia.
@ricardo: sim, eu simplifiquei demais. Na real, o "purple fringing" é devido a uma conjuminação infeliz de sensor com lente. Câmera amadora atualmente só sofre de "bloom" no preview da imagem em tempo real.
@boll'sblog: câmeras amadoras automáticas usualmente priorizam aperturas fechadas para produzir uma profundidade de campo extensa, o que diminui os erros de foco mas deixa as fotos com uma cara chapada.
@morrocoy: Como fotoxopista profissional, também sou contra depender do computador para salvar fotos mal capturadas.
@marcus valerio xr: o artificialismo nas fotos posadas de gente é coberto pelo item 1: a namorada plantada no meio da foto repartindo ao meio um fundo que não tem qualquer relação com ela. Não vale somente para pessoas: hoje vi o Flickr de uma pessoa que só tinha fotos de assuntos interessantes, com exposição perfeita e foco bem acertado, mas SEMPRE e invariavelmente com o objeto centralizado. É perturbador ver de uma só tacada dezenas de fotos feitas dessa mesma maneira.
@dudu: para postar as fotos, Flickr comanda. É o melhor porque tem muita gente bacana (a quantidade de usuários locais para trocar ideias é um atributo importante) e é muito fácil de usar. A versão gratuita suporta até 200 imagens.
Ah sim! Não se deve lkevar nenhum dos "12 pecados" a ferro e fogo. Toda "regra" pode ser contrariada de forma criativa, sempre.
Por exemplo, eu estava criticando as fotos com o horizonte torto, mas é o seguinte: isso incomoda quando a composição deixa evidente que deveria ser horizontal.
No Flickr desta pessoa tem exemplos de boas fotos que são inclinadas de propósito, além de cortes e enquadramentos criativos: http://www.flickr.com/photos/luci_2481/
"@boll'sblog: câmeras amadoras automáticas (...)"
Mario, lembre-se também que quanto menor o sensor, maior a profundidade de campo produzida.
Por isso também que as câmeras compactas produzem imagens mais 'chapadas'.
@neonights: Não só o sensor, mas o conjunto óptico inteiro, incluindo necessariamente a lente.
Por isso que eu falei "também o sensor" =p
Mas uma distância focal de 50mm com abertura 3.5 dá uma profundidade de campo num sensor padrão 1/2.5" e outra num APS-C.
Enfim, tecnicidades à parte, as dicas são mesmo boas, bem como o blog.
Apesar das críticas serem um tanto duras, ao menos eles mostram onde a pessoa errou e o que deveria melhorar, oferecendo dicas concretas como "podia ter se abaixado um pouco mais".
Abraço!
Claro, pois nada é mais abundante e chato do que artigos críticos que detonam as outras pessoas e como elas levam a vida sem oferecerem nada de positivo. Crítica é para ajudar e não para atacar.
A intenção deste artigo foi compelir quem lê a refletir sobre sua prática. Se isso rolar com ao menos um dos 12 itens, já valeu a pena.
Sobre fotos "chapadas"... não tente apenas usar o "zoom" da câmera para enquadrar um objeto distante, tente se aproximar um pouco mais dele sempre que for possível.
O cérebro humano faz automáticamente correções na perspectiva dos objetos de acordo com a distância (é por isso que a Lua parece ser maior quando está próxima do horizonte, quando na verdade não é). A câmera não faz isso porque ela não é feita para entender o que está acontecendo no cenario, mas sim para fotografar ele.
Por exemplo, o melhor ângulo de visão do rosto de uma pessoa é a cerca de 2 metros de distância dela. Se ficar mais perto, o rosto vai ficar deformado, e se ficar mais longe, vai ficar uma foto "chapada". Não tem como mudar isso; a distância do objeto define a perspectiva, e o zoom define o ângulo de visão (o enquadramento).
Outra dica mais fácil para tirar fotos de pessoas: a perspectiva de visão do olho humano é muito semelhante a de uma lente de 50mm numa câmera com sensor de 35mm. Procure configurar o zoom em algo equivalente a 50mm e tente enquadrar a pessoa inteira. Daí, ajuste o zoom para obter a composição desejada (menos "zoom" para abranger um cenário maior, ou mais "zoom" para fotografar apenas uma parte da pessoa). Dessa forma, a perspectiva sempre vai estar igual à do olho humano.
Outro ponto que deixa as fotos chapadas é o uso do flash. Se a maior fonte de luz for o flash imbutido da câmera, então todas as sombras dos rostos serão removidas e as faces vão parecer "chapadas". O ideal é tentar usar outras fontes de iluminação em ângulos diferentes, ou direcionar o flash para uma parede ou um teto não muito alto. Isso até reduz a probabilidade de aperecer olhos vermelhos nas fotos. Mas a maioria das câmeras que as pessoas têm não dá muita alternativa nesse sentido (esse é o meu caso). É por isso que as fotos de profissionais sempre parecem melhores e mais "3D" do que as que tiramos com nossas câmeras mais simples nos eventos sociais.
Olá Mário, nunca mais tinha andado por aqui... meu último comentário foi em um dos seus posts sobre "duas rodas"... gostei da guinada, não que eu não gostasse dos anteriores, mas esses novos estão bem divertidos. Me identifiquei com vários desses erros em vários momentos do meu aprendizado.... caminhando e aprendendo. Parabéns e boa sorte.
Oi Mário!
Adorei as dicas e até fiquei meio com medinho de me encaixar em todas já que trabalho com fotografia já há algum tempo mas não fiz nenhum curso específico e fui na raça mesmo.
Tbm ODEIO usar flash. Acho, como vc, que a maioria das fotos poderia ser feita sem a utilização deste.
Pensei há algum tempo colocar meu "logo" nas fotos que posto no meu Flickr, mas desisti. Se quiserem pegar, vão pegar de qualquer jeito...
Enfim, só passei mesmo pra dizer que adorei seu blog e que continuarei passando por aqui pra conversarmos mais sobre pics.
Beijocas!
@ricardo: excelente aula, merecia um post só com ela. Concordo em tudo. Só uma coisa: a normal equivalente à visão humana na verdade é um pouco mais curta que 50mm.
@cuca: Como tantas outras pessoas que já se manifestaram aqui, evito o flash totalmente; especializei-me em luz ambiente. Mas vou mudar de ideia quando tiver um equipamento mais capaz na mão.
Oi. Amei as dicas e os posts depois, mas para lê-los é meio complicado pq ficam todas as palavras em fila indiana. Abraços.
Muito boas as dicas. Sempre que possível, procuro tirar fotos sem o flash e, devo concordar, elas ficam melhores. Mas, não sei se é só comigo, o que eu tenho observado é que, nas câmeras digitais, tirar foto sem o flash aumenta muito o número de fotos que saem tremidas ou fora de foco. Será que isso tem alguma relação com o tempo do obturador? Como posso melhorar/evitar isso?
Em alguns casos, as fotos até parecem ficar com menor resolução.
Abraços
A relação entre o tremor e a velocidade do obturador é direta! Numa câmera compacta sem estabilização, não dá para garantir sucesso a uma foto com velocidade menor que 1/8 na mão. Ou a cena inteira fica borrada, ou a pessoa retratada (no caso mais comum) se mexe e também borra. Com estabilização, lente aberta na menor distância focal e e a mão muito firme, faço foto nítida em 1/2 segundo. Mas o certo mesmo é aumentar o ISO e trocar um pouco qualidade de imagem pela paz de espírito de não perder o instante decisivo. Numa reflex os tempos envolvidos são mais curtos, mas você tem muitas outras opções de captura para compensar.
Olá,
Achei muito pertinente sua matéria dos 12 pecados de um fotógrafo amador. Permita-de não concordar com alguns tópicos, ou então peço para fazer um pequeno "upgrade".
Tópico nº 6. ... "Chegue perto do assunto. Se não der, use o zoom. " Não é "se der", é USE O ZOOM. É terrível a distorção que as wide angle criam. Acho que nesse tópico deveria ser, "Chegue perto, e use o zoom." Amadores (na verdade amador é quem ama, e esse estuda. Eu acho que nesse caso seria melhor "fotógrafos casuais") não usam a óptica, por menor que seja...
Tópico nº 10... hm.... as vezes a assinatura pode servir como uma forma de publicidade... é meu caso.. Pronto, falei também!
Alguns outros pontos podem ser adicionados, como a ânsia de fotografar demais sem tema, não esperar o auto focus completar a ação... Ih... tem mais um monte...
Gostei de sua resenha.
Abs,
Angelo Avila
-A-
A sua objeção ao item 6 tem sentido mas não posso abraçá-la totalmente porque é uma generalização. Não são todas as lentes que distorcem demais a imagem em wide.
Sempre aconselho a fazer retratos com o zoom em posição de média tele (equivalente a 50-75mm) para não distorcer gratuitamente as feições da pobre pessoa. O diabo é lembrar da dica e segui-la no calor da confraternização no bar, ainda por cima com uma luz horrível que não permite fazer fotos aproveitáveis com o zoom.
Fotógrafos "casuais" vem mais a propósito, mas hoje em dia todo mundo tira fotos. Conheço muitos amadores que estudam, estudam e não conseguem fazer as fotos que querem, nem com máquinas caras. Tudo é relativo.
Grande matéria Mario .
Eu sou culpado por usar sempre o item 10 mas nao e por medo de roubarem minhas fotos .Pois isso nao se tem como evitar .
Eu uso a assinatura por um motivo completamente contrario ! Para caso a pessoa queira me contactar para usar a foto e so buscar pelo nome e com certeza vai me encontrar .
Abracos
Elvis
Olá Mario, obrigado por responder meu comentário.
Realmente o Item 1 cobre parte do que eu disse, mas eu queria enfatizar mais o artificialismo não no enquadramento, mas na exigência do fotógrafo amador de que o fotografado pose para a fotografia.
Ora, podemos capturar momentos espontâneos dos mais diversos: Pessoas olhando para o horizonte, crianças brincando, alguém se concentrando em seu trabalho. Mas a quase totalidade dos amadores as mandam parar, olhar para a câmera e sorrir, destruindo a potencialidade de registrar o momento como ele é, espontâneo.
Já vi inúmeras pessoas, também, criticarem qualquer foto que não tenha alguém posando, como se fotografias fossem sinônimos de "retratos".
Obrigado novamente.
Marcus Valerio XR
www.xr.pro.br
Em relação a forçar fotos posadas, quem me ensinou muito sobre isso foi meu pai. Até contei no primeiro post "Câmeras". Ele fazia muitas fotos do tipo "pessoa enfiada como plano intruso no meio de foto tipo cartão postal de paisagem turística". Mudou o conceito espontaneamente conforme foi ficando mais velho e viajado. Esse tipo de foto hoje é menos comum. Estão ganhando preponderância os auto-retratos de braço estendido e as fotos de grupo. Incrivelmente, no Flickr tem muita gente que não se toca, tira 10 fotos idênticas de cada tipo e posta todas.
Algum amigo seu mandou uma foto sua para ser postada lá no blog fotográfico d'O Globo. Chegou a ver?
=p
É um retrato inédito do meu amigão Edu Lima.
Apareço usando o adaptador fisheye Opteka na Minolta 700si.
Mano no Flickr tem uns grupos onde a pessoa posta a foto e ela é analisada pls demais. Tudo bem que nao é nada assim "nossa que analise maravilhosa" mas ajuda. Vou dar uma bibilhotada no Globo.
show, belas dicas pra quem quer tirar fotos "fashionistas", mas lembrem, pensem fora da cazinha tbm!! Afinal, "A BELEZA ESTA NA SUA CABECA"...
Valeu Bruno, você ajudou a desenterrar um post de que gosto muito, que fez sucesso no orkut (dentre todos os sites da Web!) e recentemente enriqueci colocando as mesmas fotos de exemplo que tinha usado no artigo da revista. Divirta-se muito com sua câmera.
Aproveitando que a discussão foi desenterrada, eu queria fazer uma pergunta sobre a assinatura nas fotos. E você, como um ilustrador, acho que pode me responder bem:
Aparte do PÉSSIMO gosto tipográfico dos fotógrafos e "fotógrafos" (o qual eu concordo em gênero, número e 'degrau' com você), qual o problema de se colocar uma marca d'água nas fotos, da MESMA FORMA que um desenhista/pintor/ilustrador assina suas obras?
Por que um pode e o outro não?
Se os fotógrafos aprendessem a fazer uma marca d'água mais decente será que resolveria o problema? Talvez fazendo 'frames' num programa de edição para que a assinatura fique fora da foto?
Enfim, essa é uma dúvida que eu tenho há muito tempo.
E o post que já era magnífico, ficou ainda mais com as fotos de exemplo!
Ah! No erro #5, podia usar o flash da própria câmera compacta, como luz de preenchimento. Faz maravilhas quando bem usado. Pode adicionar essa dica lá.
Abraço!
Matou a charada, Gabriel. SE (note as maiúsculas) todos os talentosos fotógrafos tivessem proficiência e cultura similares no design gráfico e na tipografia ao que têm em sua especialidade, provavelmente fariam assinaturas lindas que compõem elegantemente com a imagem. Mas isso simplesmente não acontece na prática. Então temos que nivelar pela "regra" e só conceder a exceção aos poucos que têm real noção do que fazem. E quem pode julgar isso inequivocamente? Voltamos ao início da questão, num círculo.
Quanto à dica 5, se a pessoa está presa nos quatro erros anteriores, é seguro assumir que ela ainda está longe de entender o que é a luz de preenchimento. Mas tem razão, é bom mesmo divulgar que o flash da compacta pode servir para preenchimento em fotos diurnas.
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