Duas frases que resumem a controvérsia:
...havia muita mídia e muitos curiosos. Sabia que também havia a parte podre que só quer saber de confusão, aqueles que quanto pior melhor, mas esse era um risco calculado.
- Ciclo BR
- Ciclo BR
Em São Paulo, prevaleceu o falso moralismo hipócrita. Bundas na televisão às 3 da tarde, erotização de crianças de manhã e churrascos de domingo regados à “danças do créu” pode. Usar o corpo para expressar liberdade, não pode.
- Apocalipse Motorizado
- Apocalipse Motorizado
A Naked Bike Ride terminou em confusão com a polícia, com a prisão temporária de um manifestante (o autor da primeira frase citada acima). O evento também sofreu com a previsível abordagem sensacionalistóide por parte da mídia, que confunde deliberadamente entretenimento com jornalismo. Graças a esses dois fatores, muita gente que nunca dirigiu um carro pela região da avenida Paulista foi informada do ocorrido.
Assim, ao voltar para casa na segunda-feira dentro de um ônibus, o assunto da passeata de ciclistas nus surge espontaneamente entre os passageiros. Estico a orelha para acompanhar; ouço exatamente o que eu receava e não queria ouvir. Resumindo a conversa que rolou dentro do coletivo lotado entre os pontos da Oscar Freire e Faria Lima, temos o seguinte raciocínio circular: 1) pessoas que andam na rua peladas são palhaças; 2) algumas pessoas são fanáticas por bicicletas; 3) as pessoas que gostam muito de bicicletas são malucas; 4) eu não sou maluco nem palhaço; não saio na rua pelado (nem ando de bicicleta).
No dia seguinte, outro não-ciclista típico me pergunta, sem dúvida para me chatear, mas revelando seus sentimentos honestos sobre o assunto: "Você foi um daqueles palhaços malucos que pedalaram pelados no sábado, não é?"
Usando apenas critérios e elementos de análise de comunicação de massas e marketing básico, o ato foi um fracasso para uma imensidão de pessoas. Em termos de exposição pura, de atingir globos oculares e orelhas, o evento foi um sucesso. Mas não se confunda e ache automaticamente o mesmo quanto à promoção da causa, que é a razão disso tudo. Uma coisa é o veículo, outra é a mensagem. O veículo - o protesto - teve alcance inédito. A mensagem - a promoção do transporte urbano sem carro - acredito honestamente que não, e acho até que foi um tiro no pé, queimando até o ciclista que não se engajou.
Não confunda esta minha conclusão com qualquer moralismo vagabundo. Pessoalmente, eu apoiaria protestos de natureza política muito mais chocantes do que desfilar pacificamente seminu pela rua. Às vezes, minha vontade é de participar de um confronto, porque está demonstrado historicamente que a insensibilidade institucional dos poderosos para anseios da massa só pode mesmo ser rompida na base da porrada. Uma tensão imediata, um desequilíbrio súbito; eis os fatores para uma mudança ampla, real e rápida. Não vivemos nada disso aqui. Tensão e desequilíbrio não bastam; veja a situação da segurança pública. As pessoas "levam" a situação "como podem" em lugar de se mobilizar.
A nudez no protesto para mim não é o ponto essencial. O ponto essencial é que a massa, o povão que deveria ser mais prontamente sensibilizado pela mensagem da passeata, não só não se identifica como a despreza, porque a vê simplesmente como algo vulgar e ridículo, um factóide humorístico do qual por vontade própria não faria parte, exceto como farsa carnavalesca. Não é isso o que penso, é o que leio nos pensamentos do pessoal de fora.
Claro que os ciclistas pelados têm uma opinião muito diferente sobre o movimento. Enxergam nele nobreza, por buscar o resgate da convivência humana e fraterna na cidade. Isso não está errado. Apenas não foi adequadamente comunicado a quem tem um ponto de vista e um modo de percepção muito diferentes.
Pensar e agir diferente do comum, do normal, do medíocre, da massa, do gado - eis algo que em todas as épocas foi coisa de maluco, de palhaço. Nenhuma novidade aqui. Mas andar de bicicleta na cidade, em si, nada tem de "maluco". Embora as nossas ruas sejam efetivamente despreparadas para a bike, o maior problema é cultural. E o preconceito contra a bicicleta não é uniforme, varia conforme o local. Enquanto os livre-pensantes nos grandes centros tentam resgatar a bike como expressão de cidadania, nas ricas cidades do interior ela é trocada em massa pela motocicleta e pelo carro, pois nesses lugares quem pedala é "pobre". Enquanto fazemos a Bicicletada nas capiteis, o que está sendo feito para reparar o status social da bicicleta em milhares de pequenas e médias cidades?
Quanto a criar identidade entre o tipo de público que mais atrapalha a vida dos ciclistas, que são os motoristas de SUVs que ocultam sua face humana por trás de vidros escurecidos - será que a bici-passeata pelada consegue de fato mudar a rotina de apenas um desses que seja? Tenho minhas dúvidas. Hostilidade vaga, ódio generalizado, brutalidade fácil - essa é a efetiva língua franca das ruas. Uma bicicleta na sua frente causa stress, mesmo que ela tenha absolutamente todo o direito de estar ali. Um dos principais slogans do cicloativismo é "também somos trânsito". E o Código de Trânsito vigente neste país assegura a preferência na via aos não-motorizados, por mais que o anônimo prepotente atrás do volante faça questão de ignorar sua memória da auto-escola. Pegue a bike, entre numa movimentada avenida paulistana e saia da sua linha instável de tênue segurança por um centímetro apenas; veja como reage contra você o prepotente condutor do importado blindado, o motociclista impaciente, o taxista cansado, o caminhoneiro embrutecido e o motorista de ônibus que não enxerga bem ao redor do veículo. Gentileza existe, mas se destaca por ser a exceção.
Falando em leis, é muito claro pela lei vigente que não se pode passear pela rua pelado. Andar só de fio dental, até pode. Mas exibir a genitália, não. Por mais que pessoalmente se ache isso normal e inofensivo, a lei manda que não e ponto. E quem ignorar a lei está sujeito a ser preso e multado. Quer desobedecer a lei, vá em frente, mas assumindo completamente as possíveis consequências.
O caminho é longo para o resgate das ruas do pesadelo motorizado. Os primeiros passos foram dados. Só não estou certo quanto a cada um deles.
Para quem ainda não entendeu...
São Paulo e várias outras cidades brasileiras possuem ativistas pró-bike e anticarro, reunidos numa organização chamada Bicicletada. Ela foi criada por inspiração de outras entidades similares em várias localidades do mundo, chamadas "Critical Mass" - nome alusivo à esperança de que um dia as bicicletas formem uma "massa crítica" capaz de obliterar a cultura do carro particular.
Uma Naked Bike Ride é uma passeata de bicicleta feita na região central da cidade do mundo por pessoas em diversos níveis de desnudamento, visando contestar a cultura do carro individual e promover os meios de transporte coletivos e alternativos.
Sou totalmente a favor de chamar a atenção contra o fenômeno de motorização sem limite que está transformando a cidade num caos permanente de engarrafamentos, poluição, desumanização e stress. Mas sei que a situação deve custar muito a mudar, já que o setor automobilístico é - para gastar algumas metáforas gratuitas e de mau gosto - o principal "motor" do mercado publicitário e "peça" central da indústria nacional, além de enorme geradora de impostos e justificadora de obras viárias faraônicas de grande visibilidade, como viadutos e túneis, que atraem o voto fácil dos politicamente analfabetos e propiciam a corrupção ilimitada e impune dos governantes e empresas associadas.
Além disso, a monomania coletiva do carro gera um inferno autoalimentado: quanto maiores os congestionamentos e mais lento o trânsito em geral, mais os motoristas exigem viadutos e túneis, na vã ilusão de escapar. É uma situação perversamente conveniente para todos os que lucram com o negócio.
Para assegurar a perpetuidade do sistema, basta que a população jamais perceba que uma revolução no transporte coletivo, além de ser possível, até sairia mais barata para os governos. A população não percebe nem tem iniciativa de exigir isso porque, condicionada pela propaganda maciça desde criancinha e acostumada a submeter-se a um transporte coletivo péssimo, sonha em ter carro próprio acima de tudo.
São Paulo e várias outras cidades brasileiras possuem ativistas pró-bike e anticarro, reunidos numa organização chamada Bicicletada. Ela foi criada por inspiração de outras entidades similares em várias localidades do mundo, chamadas "Critical Mass" - nome alusivo à esperança de que um dia as bicicletas formem uma "massa crítica" capaz de obliterar a cultura do carro particular.
Uma Naked Bike Ride é uma passeata de bicicleta feita na região central da cidade do mundo por pessoas em diversos níveis de desnudamento, visando contestar a cultura do carro individual e promover os meios de transporte coletivos e alternativos.
Sou totalmente a favor de chamar a atenção contra o fenômeno de motorização sem limite que está transformando a cidade num caos permanente de engarrafamentos, poluição, desumanização e stress. Mas sei que a situação deve custar muito a mudar, já que o setor automobilístico é - para gastar algumas metáforas gratuitas e de mau gosto - o principal "motor" do mercado publicitário e "peça" central da indústria nacional, além de enorme geradora de impostos e justificadora de obras viárias faraônicas de grande visibilidade, como viadutos e túneis, que atraem o voto fácil dos politicamente analfabetos e propiciam a corrupção ilimitada e impune dos governantes e empresas associadas.
Além disso, a monomania coletiva do carro gera um inferno autoalimentado: quanto maiores os congestionamentos e mais lento o trânsito em geral, mais os motoristas exigem viadutos e túneis, na vã ilusão de escapar. É uma situação perversamente conveniente para todos os que lucram com o negócio.
Para assegurar a perpetuidade do sistema, basta que a população jamais perceba que uma revolução no transporte coletivo, além de ser possível, até sairia mais barata para os governos. A população não percebe nem tem iniciativa de exigir isso porque, condicionada pela propaganda maciça desde criancinha e acostumada a submeter-se a um transporte coletivo péssimo, sonha em ter carro próprio acima de tudo.
Update - Postei uma versão resumida desta opinião no fórum do Pedal.com.br, onde a discussão continua.
Março de 2009 - Depois de testemunhar e participar de alguns acontecimentos decisivos, eu mudei de ideia e resolvi participar da segunda WNBR, arriscando-me à incompreensão de uns poucos para conquistar a compreensão de muitos. Deu certo. Nem a exploração da mídia nem a repressão policial foram os obstáculos que foram na primeira versão do evento. Há, sim, uma mudança de cultura em curso. Vale a pena trabalhar por ela.Confira aqui.


Mario, teu texto está mais que bom, teu ponto de vista é mais que cristalino.
ResponderExcluirTomara que ajude a abrir os olhos de outros motorizados, gente como os que aqui também me perguntam se eu fui um 'dos palhaços', em ao menos mostrar que há outra possibilidade, outra maneira.
[]s e bom pedal
Ainda bem que acha que a opinião está clara, porque não tive essa certeza. Lá no Pedal acho que escrevi melhor em uma fração do espaço.
ResponderExcluirBasicamente, a mensagem e o meio não são a mesma coisa, não vale qualquer coisa para se comunicar.
É preciso procurar entender muito bem o que se passa na cabeça da pessoa a quem a mensagem é dirigida.
É uma lei básica do marketing, que funciona e deve ser entendida, respeitada e utilizada, independentemente da sua ideologia. Mesmo os profissionais às vezes esquecem, como no recente caso da campanha de TV "Papai e Mamãe Não" da C&A.
Essa edição da Bicicletada com nudismo e confronto gratuito com a PM foi o nosso "Papai e Mamãe Não".
Mario, vejo um monte de gente nua no Carnaval e ninguem vai presa. Vejo um monte de gente nua no Parque do Ibirapuera para tirar uma foto e ninguém foi preso. Lógico que são duas situações extrema, enquanto num lugar a nudez é totalmente erotizada, no outro foi uma maneira totalmente artística para passar uma mensagem. Mas em ambas as situações, a lei é a mesma, e porque não foi cumprida?
ResponderExcluirEu fui um dos "palhaços", que estavam na Paulista, aliás o Palhaço que mais se deu mal, mas não me arrependo de nada. Fizemos sim uma desobediência civil e não um crime, não colocamos a vida de ninguém em risco, diferente de quando uma empresa colocou um carro de Fórmula um andando a 200 km/h nas ruas de São Paulo. Se olhar o vídeo, o cara quase atropela um pedestre que estava atravessando a Pedro Alvarez Cabral (lógico que o local nem faixa de pedestre tem, algo que não faz muita diferença nessa cidade).
Sei também que tem muita gente hipócrita e ignorante que não consegue entender a mensagem, mas você é que se engana que não tem muitas pessoas que se solidarizaram. Não temos realmente uma cultura, mas toda cultura pode ser mudada, quando a lei da escravidão caiu nos EUA, a maioria da população era contra. Mas tudo tem que começar, a gente começou colocando mais de 500 ciclistas na Paulista e quem estava lá entendeu muito bem a mensagem. Tenho certeza que no ano que vem, a mensagem será bem melhor assimilada.
Enquanto isso, em Portland, 1500 ciclistas nus desfilaram pela cidade sem nenhum problema com a polícia e muito menos com a população. (http://apocalipsemotorizado.net/2008/06/17/para-servir-e-proteger/)Podemos chegar nesse nível? Acredito que sim, é por isso que eu continuarei nessa luta e se nenhum Busão (ou camburão) passar por cima da minha cabeça, ano que vem estarei lá na Paulista, novamente pelado e novamente preso se necessário.
Abraços
André Pasqualini
Não tem como ser claro e ao mesmo tempo coerente nesse assunto em especial.
ResponderExcluiradmito que minha opinião inicial sobre esse assunto mudou um pouco depois de alguns comentários. No final chego a conclusão que não chegarei a conclusão nenhuma no dia de hoje...
fato é que não houve organização... fato que não foi a melhor idéia e faltou pensar... fato que é proibido por lei mostrar as genitalias, mas fato ainda maior é que houve abuso da policia, complo convarde e essa é a questão pra mim desde o início.
André, aqui a sua opinião é respeitada, não combatida. No entanto, vejo aí umas comparações meio desporporcionais.
ResponderExcluirDe cara, eu não faria a sério uma comparação entre a abertura das ruas para os ciclistas à abolição da escravidão.
E ao iniciar o comentário comparado a Naked Bike Ride ao Carnaval, inadvertidamente você entregou exatamente onde é que reside todo o problema. Estamos lidando com um tema sério ou um tema de humor? É uma passeata com tons políticos, ou corso carnavalesco fora da época? Vamos decidir.
Em Portland há soluções que não existem em São Paulo, e da mesma forma há problemas que não rolam por cá. Acho uma comparação entre as culturas urbanas de lá e cá uma coisa meio, assim, tipo retórica fácil, por não conduzir a nenhuma conclusão sólida. Senão, pelos mesmos termos dá pra indagar por que é que não teve ainda uma bicicletada pelada em Brig, Suíça? Diferenças culturais, contexto social? Tanto faz.
Quanto ao que está publicado no seu texto original, acho também que vale entrar com uma ação e comprar a briga com a PM por inteiro. Afinal, sua versão completa do incidente já está na Internet.
Ainda não achei o tom pra este comentário, mas resumindo muito é o seguinte: quando o movimento fica realmente grande é preciso um plano básico de comunicação integrada, ou então assuma-se a fragmentação em várias facções rivais. É inescapável que alguns membros assumam posturas de liderança de tempos em tempos ou numa base mais permanente. Por isso mesmo que a Bicicletada tem crescido tanto. E por isso a PM escolheu enquadrar, dentre os vários ciclistas de sábado, o que chegou antes e falou com todo mundo, assumindo inadvertidamente ou não uma posição de proa. Organização perfeitamente horizontal não existe.
ResponderExcluirMario, a comparação que eu fiz sobre o Carnaval e os 1500 pelados que tiraram foto para um fotógrafo no Ibirapuera foi no que diz respeito a lei. A lei que vale para mim, tem que valer no Carnaval ou mesmo no Parque do Ibirapuera, além de ter que valer para todos os pelados (mais de 50) que estavam na Paulista no último sábado.
ResponderExcluirA comparação da abolição não tem que ser feita com a "abertura das ruas para os ciclistas" e sim para a cultura "pró automóvel" que atualmente tem o apoio da maioria da população. Até mesmo quem não tem carro é a favor dessa porcaria do Estilingão, pois culturalmente, o carro é um objeto de desejo e um dia ele sonha em ter para poder utiliza-lo. Mesmo que essa pessoa more a 50 km da obra. Hoje estamos dando murro em ponta de faca, a grande maioria da população, estimuladas pela mídia sustentada pela Anfavea, considera o carro um simbolo de poder ou no máximo um "mal necessário". Já nós queremos passar a mensagem que o carro é um mal totalmente desnecessário que só serve para incentivar o individualismo, transformando o espaço público da cidade em grandes túneis ligando um ponto fechado a outro.
Quanto ao protesto, o nosso esta mais para a foto no Ibirapuera do que para o carnaval. Aliás, nosso protesto só estava mais para o Carnaval na mente da maioria dos fotógrafos e cinegrafistas que ficavam incomodando as garotas que lá estavam, pedindo para elas tirarem a roupa.
Foi uma pena você não ter ido até a Paulista. Pois mesmo não concordando com o protesto, tenho certeza que você teria uma visão bem diferente e teria entendido perfeitamente a mensagem.
Quanto as diferenças de Portland e São Paulo, por mais que sejamos diferentes, eu acho que a polícia daqui deveria agir da mesma maneira que ocorre em Portland. Isso é totalmente factivel. Dá uma lida nessa matéria.
http://apocalipsemotorizado.net/2008/06/17/para-servir-e-proteger/
Quanto a organização de um movimento horizontal, já não concordo, acho que a bicicletada esta dando um exemplo muito bom de que é possível todos serem responsáveis por todos. Os problemas que ocorreram nessa Bicicletada Pelada não foi por uma falta de organização, pode ter ocorrido por falta de experiência, pois por mais que imaginássemos como seria a reação das pessoas, só agora sabemos realmente como é o comportamento da polícia, da imprensa e principalmente do público numa situação como essa.
E o que me dá mais motivação é que a polícia e a imprensa foram podres como era esperado, já o público foi fantástico, dando uma enorme motivação para continuarmos nessa luta onde somos uma minoria. Barulhenta mas ainda uma minoria.
Abraços
André Pasqualini
PS: Ainda não finalizei a minha matéria, hoje vou colocar mais fotos e vídeos, mesmo participando "in loco" foi um evento tão grandioso que é impossível resumir tudo em 30 linhas.
Já vi muito ciclista, e ciclista de verdade, que usa a bike todo dia, falar mal da bicicletada.
ResponderExcluirnao sei.. essa coisa de bakunin, não entra nem na cabeça dos ciclistas.. quanto mais na dos totalmente-alienados.
Não sei o que dizer a esses ciclistas, só que devem participar de alguma maneira.
E desisi há tempos de dar pérolas aos porcos. A maioria não quer ser salva. Então, dá-lhe sofá, carro, televisão. Vou curtir cidadania com o tiozinho da periferia, com a copeira do escritório. São muito mais educados e gentis que qq paulista de shopping.
Bom pedal a todos.
p.s. André, vc não foi palhaço, nem agiu errado, na minha opinião; vc é necessário e uma referência no ciclo-ativismo.
Penso que a forma que se optou por transmitir a mensagem não foi nada feliz e acredito que tenha sido bem contra-producente.
ResponderExcluirAo mesmo tempo não deixa de ser arrogante escolher uma maneira de protesto tão controversa à nossa sociedade e depois, quando não dá certo, reclamar que o "povo não pensa", "é estúpido" etc... O povo é o povo, e não vai mudar com abordagens desse tipo, ele é o que é agora e um ato de protesto, ou qualquer ato que queira comunicar alguma coisa efetivamente precisa levar o elemento cultural em consideração ou correr o risco de ser rejeitado.
Pelo que entendi, esse movimento é "importado" e talvez ai more o problema, não se pode garantir que o que funcione lá fora funcione aqui, e todos sabemos disso. Um movimento local ou com uma abordagem cultural compatível deve ser pensado.
Mas, sim, o povo brasileiro é incrivelmente apático para a maioria das coisas importantes e reage mal à todos aqueles que almejam mobiliza-lo para o que quer que seja.
Por maior respeito que tenha pelo trabalho sincero do André no ativismo ciclista urbano, eume alinho totalmente à opinião tão clara e concisa do Sudo. Ele enxerga aqui coisas que muito cicloativista empolgado se recusa a enxergar, simplesmente porque está olhando a situação de um ponto de vista muito mais amplo. Posturas apaixonadas levam a erros de julgamento.
ResponderExcluirsempre com otimos posts - meus parabens
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