2008-05-05

Usando o monitor de pé

Quando trabalhei na Revista Náutica em 1992, o xodó da redação era um Mac IIci com um monitor monocromático Radius Pivot, cuja tela podia ficar de pé ou deitada. Graças a um sensor interno e ao driver de vídeo dedicado, a orientação da imagem mudava automaticamente ao girar o monitor com a mão. A vantagem do sistema era poder editar páginas inteiras no PageMaker ou Word em uma vista só, sem scroll.

Hoje, depois de esquecido por anos, esse recurso voltou timidamente em um ou outro modelo de monitor. Aparentemente não há grande demanda por ele. Mas o Windows Vista e o Mac OS X Leopard vêm com a capacidade de mudar a orientação da imagem em um simples menu no painel de preferências de vídeo.

O monitor que tenho ligado ao Mac ainda é um CRT tradicional. Experimentei acionar a orientação vertical (90 graus) nas preferências do sistema, deitar o monitor e usar o Mac dessa forma durante duas semanas. Veja o que constatei.



A resolução de imagem foi mantida no valor habitual de 1152 x 864 pixels, apenas com a largura e a altura trocadas entre si.
Nenhum dos programas deu qualquer tipo de pau de interface no Mac OS X.

Note que a proporção aqui é a tradicional de 4:3, não widescreen. Em widescreen, o sentido vertical ficaria comprido demais para ser útil em programas que dependem de paletas arranjadas nas laterais da tela. Outra desvantagem evidente é na hora de tocar ou editar filmes e vídeos. Mas num monitor 4:3 suficientemente largo, isso fica bem menos problemático, já que o pior que pode acontecer é sobrar espaço embaixo.







Muitas páginas Web cabem na largura de 864 pixels. Mas a largura de monitor mais usada atualmente é de 1024 pixels, e cada vez mais sites contam com isso. CNET, Wired, YouTube, Ars Technica esperam que o monitor tenha ao menos 1024 pixels de largura e não foram adequadamente exibidos. Outros, como Amazon, UOL e AppleInsider, ficaram perfeitamente encaixados.

Sites de notícias, blogs, clientes de email e outras aplicações com bastante texto e que normalmente requerem muita rolagem de tela ficaram incrivemente confortáveis no monitor vertical.



O programa de dicionário e os editores de texto também ficaram excelentes, assim como a leitura de uma página isolada de texto em PDF, um chat longo, o seletor de fontes ou a lista de músicas do iTunes com Cover Flow aberto. Nesses programas, não é preciso dar zoom nem rolar continuamente.











Os programas da Adobe em geral ficaram menos práticos, inclusive o InDesign, aplicação diretamente equivalente ao PageMaker que justificava usar um monitor vertical em 1992. A razão é que, apesar de quase todos os documentos impressos ainda serem em páginas orientadas verticalmente, é muito mais usual criar os layouts como páginas duplas.
Felizmente, a suíte Adobe CS3 tem um sistema de paletas que saem da frente do seu trabalho e não atrapalham a visão como acontecia com as versões anteriores. Mesmo assim, quando a barra de paletas está acionada, a área de desenho do Illustrator vira uma tripa. O ideal seria que a área de desenho se aproximasse de um quadrado, que é o que acontece com o monitor na posição convencional.



Os piores programas para usar na vertical foram o Google Earth e o Dreamweaver, devido à sua dependência de barras laterais largas. Na captura abaixo do Google Earth, simplesmente desisti de manter aberta a barra lateral.



A conclusão do experimento é que a orientação vertical é muito conveniente para trabalhar com Web e pode ser adotada o tempo todo, exceto durante a exibição de filmes em formato wide. Mas a resolução total deve ser de, no mínimo, 1024 x 1280 pixels, em vez dos 864 x 1152 que usei no meu teste. Mas, se levar em conta a resolução enorme dos filmes HD e rips de Blu-Ray, o meu próximo monitor terá de ter muito mais pixels ainda. O ideal absoluto seria ter dois monitores simultâneos, um permanentemente de pé e outro permanentemente deitado.

Outro problema, relativo ao CRT em geral, é que os pixels são ligeiramente desfocados no sentido mais comprido da tela; quando o monitor fica de pé, o efeito fica muito mais evidente, porque nosso olho não está acostumado. No LCD tanto faz, pois os pixels apresentam a mesma nitidez nas duas direções.

9 comentários:

JC disse...

Ótimo post!

Coincidência ou não, passei o feriado pesquisando a possibilidade de comprar mais um monitor de LCD para colocar na vertical. Mas as especificações na internet são muito resumidas e não consegui encontrar um bom monitor com a função pivô. Alguma recomendação de modelo/marca? Já tenho um Samsung 931BW e quero outro com a mesma qualidade (ou semelhante) para diagramar/internet.

No lin tem mais informações para usuários de PCs:
http://www.efetividade.net/2007/04/06/2-monitores-no-seu-pc-ganhe-produtividade-e-reduza-o-stress/

Não sei se o estudo está correto, mas o post diz que dois monitores aumenta em até 50% a produtividade. É bem provável, dependendo da atividade de cada um.

Fernanda disse...

Interessante. No iMac abajur, a tela fica na vertical?

Mario disse...

Fernanda, não entendi sua pergunta. O monitor do iMac G4 não é pivotante, é fixo na posição horizontal.

JC, eu não vejo problema com o Samsung, mas o ideal é pegar um exemplar funcionando no showroom e conferir se ele tem o "efeito degradê" muito forte na posição vertical. A maioria dos LCDs ativos tem esse efeito, em maior ou menor grau: a mesma cor parece diferente em alturas diferentes da tela. Se o efeito for muito forte, os dois olhos verão cores diferentes no mesmo pixel na vertical, causando um incômodo.

Hackbarth disse...

Não consegui usar essa opção no meu macbook. Tinha esperança de poder usa-lo orientado como uma revista/livro, para ler quadrinhos online (que teimam em usar o formato das revistas de papel...)

kuntz disse...

Só faltou o teste com o CDisplay para ler histórias em quadrinhos e revistas em geral formatadas em PDF. Já adianto que fica bem melhor. Com a ressalva de que a leitura fica mais agradável somente em monitores de 17" ou mais.

Galfurion disse...

Porra James, os icones do teu dock tem o que... 16 pixels quadrados? O barato do dock sao justamente os icones lindoes e grandes! Tem como dar um autohide nele como tem em aplicativos copiões pra PC?

Mario disse...

Certa vez alguém divulgou uma pesquisa que dizia que os usuários de Mac na média usam mais programas que os de Windows, e talvez isso seja uma lenda, mas no meu caso é verdade. Uso muitos programas ao mesmo tempo, inclusive no Windows.
Daí que meu Dock é sempre pequenino. Mas e daí? O que importa é a funcionalidade. O Dock tem, sim, auto-hide igual à Taskbar, mas não uso esse recurso porque quero clicar nos ícones muito depressa.
Ah, quanto ao visual bonitinho dos ícones, eu não poderia me importar menos com isso. Quem tem que se importar são vendedores no showroom...

Lex Blagus disse...

Quando trabalhava na IBM eu era QA de web e meu trabalho era basicamente olhar páginas web. Um dia resolvi deixar o monitor em pé. Para a situação, ficou excelente. Como eu também programava, ficou excelente o editor de código (EditPlus) em pé, dava para ver muito mais código do que o tradicional. Em tempo, acrescento algumas observações:

- Em monitores CRT, assim você vira, ele tem as cores completamente distoridas. É porque o fósforo do monitor preisa "assentar" e depois de algumas horas ou dias ele volta ao normal. E quando você desvira o monitor o mesmo acontece

- Ainda não tenho notebook, mas assim que tiver, tenho certeza que ler PDF com o monitor em pé numa rede deve ser um conforto só

- Páginas web, documentos, programação ficam execelentes e muito confortáveis. Filme, Photoshop (só se muito bem customizado) e Dreamweaver sem condições

- Bom para finalmente poder usar suas fotos em pé (aka portrait) como papel de parede

- Você percebe que algumas aplicações mais fuleiras se perdem com essa proporção estranha

Mario disse...

Estou capturando uma série de sites em 1024x1280 na vertical. Para Web, essa resolução é praticamente perfeita. São raros os sites que não se acomodam, e a grande maioria fica perfeitamente alinhada.
Quanto à distorção das cores, não é um problema do fósforo, e sim da orientação dos campos magnéticos do monitor em relação aos terrestres. Não é preciso esperar para que as cores voltem ao normal. O monitor se realinha imediatamente após uma Degaussificação - aquela "sacudida" que a imagem sofre toda vez que você desliga e religa o monitor.

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