2008-04-20

Volkswagen - É tão difícil fazer a coisa certa?

A Volkswagen finalmente acertou fazer o recall do Fox e colocou no ar este hotsite informativo.
Quem tem acompanhado o caso, ou quem sabe, os interessados que tiveram parentes e amigos mutilados pelo equipamento mal projetado, deve estar se perguntando como é que demorou tanto para que a atitude obviamente correta fosse tomada. Estava sendo o festival da evasão até agora, causando à marca um desgaste que ela pode não recuperar por completo.
Eu pessoalmente sempre gostei muito da história da Volkswagen, do seu marketing e publicidade criativos e de vários de seus produtos que fizeram história. Inclusive escrevi para este blog, há algum tempo, um artigo detalhado em homenagem ao Fusca. Com o caso do Fox, decidi em desgosto que o texto nunca será publicado, e não somente isso: quero distância de qualquer produto Volkswagen daqui em diante. O recall vem tarde demais para mudar meus sentimentos em relação à marca.

Update - A Volkswagen enviou a diversos blogs um anúncio oficial do recall, que eu postei aqui.

11 comentários:

  1. Pior é a propaganda da TV, óleo de peroba neles... Esse episódio do Fox foi a pá de cal na atual linha da Volks, que a bem da verdade, por si só já fazia qualquer um passar vergonha (o que são esses faróis ovalados? E aquele Golf-protótipo-do-europeu?).

    []'s!

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  2. Nunca gostei dos carros da Volks, mas do Fox estava começando a gostar... Aí, aconteceu essa confusão.

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  3. Sou um funcionário Volkswagen e também gosto muito da marca, do design único de alguns veículos (como o fusca sua evolução, o beetle) e como temos explorado o design circular - principalmente nas lanternas traseiras.

    Mas como nem só de design vive a marca, fiquei chateado quando vi nos muitos informativos internos da fábrica o posicionamento da Volks e do Procon referente ao caso - e dos muitos casos que me lembre este é o mais grave e que, sem dúvida, causará muitos gastos a empresa (vale lembrar que fazer o recall de todos os veículos produzidos durante alguns anos com uma média de 200 veículos diários é um gasto absurdo).

    Fico triste pela solução vir tarde, mas como sempre, o banho de propaganda lava a memória da maioria e creio que a Volks conseguirá levantar sua marca no conceito de muitos. Pois, alguém aí lembra do recall que a GM fez pelos cintos de segurança mal presos, que também causaram acidentes graves?

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  4. A sua resposta, Nuno, estava interessante... até que:

    1) Revelou que a grande preocupação da fábrica é o CUSTO de se resolver o problema tecnicamente. Eu acho que esse custo não é quantificável frente ao custo de consumidores fisicamente mutilados.

    2) Resolveu apelar tentando distrair o foco para os erros de um concorrente. Isso não é desculpa, não serve como defesa, não alivia a questão e não relativiza nada. E se você não está envolvido pessoalmente nisso, não se suje.

    Não deixei de admirar alguns (não todos) produtos VW, mas eu não desejo que a companhia "se recupere" se não faça por merecer. Tem que assumir o erro e tem que se comprometer a fazer uma mudança fundamental em sua política de qualidade, daqui em diante. Caso contrário, prefiro SIM que sofra a retribuição no mercado e nos fóruns de justiça.

    Erros de engenharia da projeto acontecem e são revisados todos os dias, em todas as empresas que lidam com tecnologia. Mas a VW transformou um erro de engenharia de projeto em um problema de relações públicas. Agora está tomando medidas por pressão externa. Não queria genuinamente ver o problema resolvido pela forma correta, que é com uma alteração fundamental no design. Por quê? Porque é CARO para a fábrica. Nuno, você acha honestamente que a sua posição é defensável?

    Dizer que os consumidores usam o carro de forma errada implica que merecem ser mutilados pela sua ignorância. Um projeto correto em primeiro lugar simplesmente não ofereceria perigo. Existem muitos carros concorrentes com o mesmo recurso e sem risco de segurança.

    Se a VW fosse uma empresa 100% comprometida com a necessidade do público em vez de seus lucros, teria feito o recall imediatamente após surgir o problema, sem questionamentos e evasivas, e muito menos empurrando torpemente a responsabilidade do próprio erro para os consumidores.

    E caso tivesse acontecido o que acabou acontecendo, cabeças rolariam, inclusive no nível da direção executiva.

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  5. O que mais dói ler no hotsite é isso:
    "A Volkswagen manifesta ainda sua satisfação por ter chegado a entendimento com os órgãos de defesa do consumidor, com os quais manteve sempre diálogo produtivo na busca de soluções para melhor atender os consumidores."

    Sente-se SATISFEITA após ter MUTILADO pessoas e, depois de muito tempo apenas, chegar à uma solução?

    Uma reformulação SIMPLES na frase já deixaria o texto mais simpático:
    "A Volkswagen manifesta tristeza pelos incidentes ocorridos, mostra-se disponível para atender os afetados (ou qualquer coisa Jurídica que o valha) e chegou à entendimento com os órgãos de defesa do consumidor, com os quais manteve sempre diálogo produtivo na busca de soluções para melhor atender os consumidores."

    Tantos exemplos (infelizmente, porque torcemos para que acidentes nunca ocorram) de empresas que se demonstram mais solidárias, compreensivas e afins com acidentes...

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  6. Essa história me trouxe alguns pensamentos:

    1. Agora o descontrole por lucros e uma [in]consequente engenharia bunda chegou ao ponto de decepar dedinhos dos coitados consumidores. Se a Microsoft projetasse carros, cortar dedinhos seria bobagem. E eu que achava que esses absurdos só aconteciam em áreas intelectuais (como software ou publicidade) pois essas não lidavam com vidas humanas

    2. Agora a melhor prática é a seguinte: não compre carros novos. Assim como hardware de ultima geração, espere eles se estabilizarem no mercado e ver que não tem nenhum defeito nem pediram nenhum recall. O bom e velho fusca, sem air bag nem encostos nas cabeças, com paráchoques de ferro volta a ser seguro.

    3. Cuidado com o seu próximo liquidificador. A gente nunca sabe.

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  7. Prezado, o povo quer que vc comente isso: http://conjur.estadao.com.br/static/text/65678,1

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  8. Queria ver se esse problema tivesse ocorrido nos Estados Unidos. Os processos seriam milionários e a fábrica passaria uma vergonha pública muito maior.
    O pior é saber que no Fox europeu este defeito simplismente não existe. A tentativa de baratear o custo de produção a qualquer custo acaba resultando nisso. A segurança deixa de ser prioridade.

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  9. Logo do TSE? O conceito é bacana, o rendering de CG duro não.

    Voltando ao assunto VW. Eu achei que estava sendo um pouco inflexível e agressivo, mas nas conversas com pessoas esclarecidas vejo conclusões iguais. Está faltando no Brasil um grupo como o Adbusters, que seja capaz de comprar espaço publicitário na mídia para contrapor essas histórias.

    Um contrapeso publicitário se faria mais importante ainda porque a indústria automobilistica simplesmente domina o mercado no Brasil. Abra uma das revistas de grande circulação e é carro, carro e mais carro. Assista a meia hora de TV em horário nobre: metade dos anúncios são de carro.

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  10. Enquanto não se ouve uma voz mais clara e alta das pessoas que prestam atenção aos abusos e mentiras, o que nos resta é reclamar em sites e blogs da Internet. Mas o número de observadores críticos e independentes aumenta conforme o público conectado aumenta, e o poder de persuasão e imposição de consensos da velha mídia está encolhendo. Quem nos acompanhar se prepare, porque quando a voz crítica ficar suficientemente alta, as companhias reagirão de modos que nos desqualifiquem, acusando-nos de luddismo, enquanto a mídia mancomunada nos chama de excêntricos e freaks. E aí, topa essa briga?

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  11. Vi em comunidades pela Internet que alguns donos de Fox estão se solidarizando com a empresa, argumentando que os mutilados foram "burros" demais de não ler instruções. E mais: a única preocupação desses donos é com o valor do carro, pois temem que a notícia de Recall generalizado acabe por diminuir o valor de mercado do produto. Trata-se de uma conduta cínica, que os usuários compartilham com a empresa - e olha que são usuários com acesso a visões mais críticas. Por isso, a idéia de quebrar a propaganda abusiva é, de fato, atacar um mal pela raiz.

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