2007-10-30

Elegância

Esta peça de propaganda me chamou a atenção em uma velha National Geographic. Não tenho mais a revista, mas essa página ficou guardada, esperando anos e anos por um scan restaurador. Pretendo recriá-la totalmente em vetor e imprimi-la como poster.



Chuta quando foi feita.
É de 1959. Auge da Guerra Fria.
O design está à frente de seu tempo. A tipografia, muito mais ainda - repare como as letras de Neville Brody dos anos 80 lembram os logos pequenos.
A ilustração limpa e rigorosa resume o espírito do conglomerado bélico. O conjunto cumpre seu papel de impressionar e até intimidar.
Você consegue imaginar uma peça nesse estilo sendo feita hoje?

2007-10-29

Traduzir envolve pensar

No embalo de uma campanha de curso de inglês que sacaneia as traduções chutadas, eis alguns exemplos reais da quixotesca missão de tentar corrigir o que já ficou tão corriqueiro que parece não ter mais solução.

Escolha sua linguagem
Está errado, porque "linguagem" não é tradução de "language". "Idioma" ou "língua", sim. Palavras de idiomas diferentes que têm a mesma raiz, parecem ser a mesma coisa, mas cujo significado diverge a ponto de não serem intercambiáveis, são conhecidas como "false friends". Em português: "falsos cognatos". Meu exemplo favorito é "Gift". Em inglês, é presente; em alemão, veneno.
A tragédia é que a frase acima aparece em cada vez mais websites e softwares. Pode ter vindo para ficar.

Amplitude modulada (AM) e Frequência modulada (FM)
Essas são antigas. O truque aqui é que a tradução mantém a sequência original das letras nas siglas. Não é um erro. Porém, se esses sistemas de rádio fossem invenção mais recente, os nomes usados no nosso jargão seriam mais ao pé da letra: "modulação de amplitude" e "modulação de frequência". Isso porque a tendência atual no Brasil é mexer cada vez menos nas palavras estrangeiras. Por exemplo, durante os primeiros 15 anos desde a descoberta do DNA, era mais comum ver escrito ADN, que é a versão em português. Depois, a sigla virou para a forma original.

Suas alterações foram salvas com sucesso
Nunca as vi serem salvas sem sucesso. E você? Ou foram salvas ou não foram salvas. Nada mais claro. O original "successfully" é uma redundância, um floreio, que dispensa tradução.

Nossa proeza tecnológica
Foi a inspiração deste post. Essa frase apareceu na revista Exame de outubro. O texto fala da Sony querendo recuperar a dianteira no mercado de TVs. O texto original, evidentemente, continha "...our technological prowess". Só que "prowess" denota habilidade, não conquista, que é o significado de "proeza".

Já deu para ver que este assunto poderia render um blog sozinho. Quando eu tinha 10 ou 11 anos, ganhei do meu pai um livro que explicava mais de mil falsos cognatos comuns em inglês. Pegadinhas como "actual", "fabric", "agenda", "compromise", "college", "lecture", "particular", "prejudice", "attend". Na mão de um bom redator com senso de humor, elas podem ser terríveis.

Bikes, Parte 34: ruas da cidade 2x0 pneus de bicicleta

A pergunta mais comum que me fazem depois de ler minhas divagações sobre bicicletas é a seguinte: qual seria a melhor bike para andar no trânsito da cidade grande?

Eu adoro as estradeiras (apelidadas de "speed" no Brasil). Aprecio sua leveza, agilidade e elegância. Até tenho uma delas. Mas uma mountain bike é mais adequada, pelos seguintes motivos: posição de pilotagem, pneus, suspensão, câmbio e freios. Tudo isso fica melhor no ambiente urbano, que é cheio de pára-arranca em semáforos, brecadas de emergência, buracos na pista, chuvas repentinas e subidas em inclinações monstruosas. É mais pesada? É, mas não vai sofrer tanto com as porradas que vai levar do asfalto indecente que forra nossas vias públicas. Observe as bikes que os couriers usam. Eles pedalam o dia todo na rua, sabem das coisas. Pois todos usam mountain bikes. A única adaptação que fazem é colocar pneus estreitos e lisos, que rolam melhor no asfalto.

A minha bike para andar na cidade é igual a esta, uma Specialized Hardrock Sport ano 2006. É o modelo importado mais barato com freios a disco. Esses freios mecânicos são da Tektro e, além de bonitos, freiam com firmeza, autoridade e boa modulação, tanto no seco como debaixo de chuva. Esse detalhe da chuva em particular é uma vantagem importante sobre os V-brakes (freios tradicionais de aro). Outra vantagem é permitir rodar com a roda descentrada - por exemplo, quando a roda traseira tem raios quebrados ou a dianteira fica empenada após levar um tombo. Eis uma coisa para o biker urbano cogitar. Na gringolândia, o V-brake só resiste em bikes levíssimas de cross-country; nas demais, o freio a disco virou item de série, original de fábrica. Até minha Hardrock já veio sem os pinos para instalar V-brakes. Estamos defasados aqui.

Falei que os bike couriers colocam pneus de asfalto em suas bikes. Pois a única diferença da minha bike para a da foto é exatamente o jogo de pneus. O original é uma ignorância: monstros cravudos, largos e pesados, criados para uso em freeride e urban, muito ineficientes no asfalto liso em velocidade. Troquei por um par de Michelin XC Hard Terrain 2.0", que tecnicamente são pneus off-road, mas se dão perfeitamente bem na rua. E conforme vão ficando carecas, rodam ainda melhor. Como estão velhinhos, devo colocar em seu lugar outros mais estreitos, também semi-slicks.

Isso me traz ao verdadeiro assunto deste post. Na última pedalada que dei com a Hardrock, furei os dois pneus! O dianteiro arriou e tive que trocar a câmara no meio do caminho. Depois de chegar ao destino, foi a vez de o traseiro murchar. Assim, remendei duas câmaras de ar de uma vez. (O ciclista consciente sempre leva consigo uma bomba e as ferramentas necessárias!) Meu pneu traseiro estava crivado de fragmentos de vidro; fui retirando um a um com o canivete.

As ruas de São Paulo estão cada vez mais forradas de cacos de vidro, pois as batidas de carros aumentaram muito. Repare nos cruzamentos: sempre há vidro no chão. As batidas são constantes e o vidro fica acumulado. Também há restos de garrafas estouradas no meio-fio por bêbados. Os cacos que furam os pneus das bicicletas, como esses que extraí hoje, podem ser pequenos a ponto de ficarem totalmente invisíveis para um ciclista em movimento. Assim, mesmo tomando todo o cuidado, você pode se dar mal.

Por precaução, não se deve nunca pedalar dentro de sarjetas ou a menos de uns 60 cm de distância do meio-fio. Nessa zona os cacos se acumulam, além de ser necessária sempre uma área de manobra para o caso de ser espremido por um motorista bêbado, maldoso ou que esqueceu a lei de trânsito.

Quanto à calibração dos pneus, entendo que na speed uma pressão mais alta em relação à média recomendada para o pneu é melhor, porque elimina o risco de o pneu estourar ao pegar uma quina afiada de uma valeta, por exemplo, o que faz o aro morder a câmara de ar por dentro. Mas na mountain bike, as pressões mais altas facilitam que os cacos de vidro se incrustem dentro da borracha do pneu, especialmente se for um slick. A prova disso é que, antes de sair de casa, eu tinha recalibrado os pneus da Hardrock para a pressão máxima de 60 psi, porque gosto deles bem firmes. Isso facilitou os furos.

Enquanto meus novos pneus não chegam, vou colocar uma cinta protetora por dentro dos atuais. Vai deixar as rodas mais pesadas. Mas arrancar pedacinhos de vidro dos pneus dentro de casa é muito mais razoável do que fazer isso na rua.

2007-10-26

Mais um causo de cliente (ou: Frila-Roubada Reloaded)

Este aconteceu comigo mesmo e foi postado em outro site há muito tempo. O texto original se perdeu. Detalhes foram modificados para proteger identidades.

A história se passa em pleno estouro da bolha da Web. Final de 2000, começo de 2001, por aí. É aquele momento em que alguém precisava ser ingênuo ou mal informado para fazer mais um megainvestimento em site na Internet.

Recebo do nada uma ligação de um fulano que não vejo há cinco anos e jamais conheci de perto. O cara tinha trabalhado numa ex-empresa minha, parece que agora virou um empreendedor de Web. Arranjou meu contato com um amigo em comum e quer me convidar para reformular o projeto visual de um site que já está no ar. Diz que é um portal segmentado. Estou disponível para conversar. Ele me fala para ir a determinada cafeteria numa esquina da Av. Paulista.

Antes da reunião, eu peço a opinião de quanto devo cobrar ao Tom B, que está fazendo o design de um cassino online. Ele me dá uma fórmula de cálculo e alguns conselhos. O principal deles é: "Faz o design e some, não fica de bobeira por perto porque senão vira roubada, vão te pegar pra ficar dando manutenção de graça". Guardo a numeralha e o conselho na cabeça.

Chego à cafeteria na hora marcada e ninguém aparece durante mais de meia hora. Estou quase indo embora quando o cliente me liga no celular, avisando que alguém irá me buscar lá. Surge atravessando a rua um dos caras, que não é o propriamente dito, mas um dos sócios dele. Apresenta-se a mim e diz que a turma mudou de idéia e resolveu se encontrar em outro lugar ali perto, um restaurante caro. Eu penso: "Ainda bem que não comi nada aqui, vou degustar um rango de nível junto com esses caras".

A turma é composta de quatro pessoas: o empreendedor e os três sócios. O sócio que vai cuidar da programação de conteúdo é contido e polido, e o sócio da implementação técnica quase só ouve. O outro sócio, que fará o papel de atendimento é falastrão, claramente mentiroso e monopoliza a maior parte da conversa com sua voz alta e gestos amplos.

O chefe é discreto e fala baixinho, como se ocultasse algum segredo vergonhoso que corre enorme risco de ser descoberto. Ele descreve o projeto. Evidentemente, é muito mais ambicioso do que aquilo que ele disse na ligação. Quer que eu ajude a bolar uma estrutura lógica e invente um sistema visual completo com código pronto, incluindo estilos, tipos, ilustrações e variações específicas para todas as sub-seções do site, além de espaço para expansões futuras. Seções que eles ainda não sabem exatamente quais serão, pois dependerão do que o patrocinador quiser vender através delas - ou outra explicação estapafúrdia mais ou menos nesse sentido.

Inocente e lerdo que sou, a essa altura é que começo a perceber que eles não têm um plano de conteúdo. O parceiro, isto é, o patrocinador, vai magicamente dar tudo pronto na mão deles. Tá bom.

Eu sugiro criar e cancelar algumas páginas do esquema em árvore e eles topam todas as sugestões.
Estranho.

Detestam o que está no ar e querem quebrar tudo para construir de novo. Todavia, não existe um sistema de publicação automática, é preciso criar dezenas de páginas estáticas e templates que o cara técnico se encarregará de atualizar na mão.
Ops.

O site que eles querem fazer é muito maior que o original. Tem público e receita para isso? Sim, dizem eles, assim que a entidade que está patrocinando o site atual for imitada pelas concorrentes dela, que certamente também se interessarão. Essa teoria eu nunca tinha ouvido na vida. Dizem que basta gerar tráfego e mostrar o sucesso para os outros possíveis clientes. Existe plano de marketing para gerar tráfego? Não, eles contam apenas com o boca-a-boca.

O sócio falastrão acrescenta: "Ampliaremos o site com o primeiro aporte de capital, que deverá chegar em alguns meses." A expressão "aporte de capital" já estava podre e carcomida em finais de 2000. Traduzi mentalmente para: "Esses caras provavelmente não têm um puto no bolso e vão me fazer trabalhar na fé, contando com uma fonte de grana da qual eles não têm nenhuma garantia."

A conversa segue e o falastrão conta fantásticas lorotas heróicas do seu ilustre passado. Minha paciência com ele está se esgotando. Imagino como será a paciência dos clientes.

O chefe tem uma idéia realmente estranha, de eu ir trabalhar de meio período no escritório dos três, pois eles têm pressa e querem um site apresentável aos clientes com cerca de 200 páginas funcionando em, vejamos, três semanas. Rebato dizendo que não é possível eu fazer nada quanto ao meu horário no emprego fixo, mas que é possível implementar o projeto em duas etapas, a básica e a completa, para obtermos os primeiros resultados mais rapidamente. Então, cai mais uma bomba: o tal aporte de capital depende de o cliente ver o novo site funcionando.
Epa!

Eles me perguntam o preço do trabalho. Pego a taxa do Tom B, multiplico mentalmente pelas páginas, dou um desconto pelo serviço repetido e ainda resta uma margem para pechinchar até uns 30 por cento. Declaro o valor total a eles. Eles fazem um brevíssimo silêncio e não discutem, não tentam pechinchar, nada. Retornam à conversa animada de antes.

Já vão quase duas horas de reunião e a noite avança do lado de fora do restaurante chique. Minha barriga reclama. E então, finalmente, percebo de súbito, com horror e espanto: eles não pediram nada para comer, nem sequer tomaram uma xícara de café! Eles REALMENTE não têm UM PUTO no bolso!!

Cada minuto que passar a partir dali será desperdício do meu tempo. Misericordiosamente, a reunião acaba minutos depois de eu dar meu preço. Eles trocam palavras amistosas comigo e se dispersam numa esquina próxima. Vão embora a pé.
O chefe fica de dar uma resposta pelo celular. Jamais liga, nem mesmo para dizer não, e nunca mais vejo nenhum dos três patetas. Nem o tal site reformulado.

Maio de 2009: Conforme comentado, a versão original do post foi reencontrada e restaurada no blog. É o link no primeiro parágrafo do texto.

O cliente ligou para a agência e...

Dois sites que falam da conturbada relação entre clientes e criativos...

Causos Reais
Vídeos hilários (ou trágicos, depende do seu ponto de vista) envolvendo casos bizarros ocorridos entre webdesigners e clientes. Extremamente recomendado.
Alguém tem que fazer a versão print, pois designer de peças em papel sofre do mesmo jeito, e isso há muito mais tempo que os de web!

Palabras Textuales
Dica sensacional da Fabiane. O site é em espanhol. No blog da Fabi tem traduções dos causos favoritos dela. Tome mais alguns:

#621- "A medida do banner deve ser 468 x 60,5 pixels"
(Agência de Motion Graphics a Agência Web, ignorando a impossibilidade de poder cortar ao meio um pixel)

#607- "Quanto sairia arrumar isso no flame?" - "$ XXXX" - "Não... Então, já sei o que vamos fazer: você mostra o comercial para a cliente, e no momento em que aparecer o erro, eu distraio ela"
(Produtora, Produtor a Operador de flame)

#602- "Me manda as fotos em alta" - "Em 300 dpi?" - "Não sei, em 1000... não, melhor 1200 dpi, porque quero elas bem bonitas no PowerPoint"
(Agência, autor desconhecido, ainda bem)

#601- "Precisamos colocar legendas num anúncio de rádio"
(Agência, ordem de serviço, Executivo de Conta a Produtor)

#594- "Preciso de um banner de 100 pixels por 2 centímetros"
(Agência, Criação a Webdesigner)

#588- "Acho que essa porcentagem de magenta está alta demais. Que você colocou, 7? Ai! Não, não... melhor colocar 4"
(Agência, Chefe de estúdio a Designer)

#586- "Já vi fazerem isso em 30 segundos no Flash"
(Agência, Diretora de Conta a Diretor de Arte de Pós-Produtora)

#582- "E essa barrinha na tela?" - "O Photoshop está rasterizando a imagem" - "Ah, tá, meu computador também rasteriza os emails quando eu envio eles"
(Agência, Executivo de Contas, achando que toda barra de progresso significa rasterização)

#574- "Não gostei do corte da foto no anúncio" - "O que acontece é que o manual normativo que você nos deu proíbe a aplicação do logo numa superfície que não seja plana" - "E que me importa o que diz o manual? Isso é uma cagada" - "Mas esse manual é aquele que você mandou fazer!" - "Tá bom, pois agora mesmo te envio um documento dizendo pra não se orientar mais por manual nenhum"
(Anunciante, esclarecendo Diretora de Arte)

#571- "Onde você achou essa foto? É espetacular!" - "É só uma imagem ilustrativa pro boneco. É do ImageBank.com" - "Perfeita! Deixa essa" - "Mas tem que pagar por ela. Você vai comprar?" - "Não" - "E o cliente?" - "O cliente sim" - "Então você vai comprar, sim" - "Não, falei apenas que o cliente vai me pagar por ela, mas eu não penso em dar um puto pro ImageBank"
(Agência, conversa entre Chefe e Criação)

#566- "Pode me mandar o logo em ondas?"
(Anunciante, solicitando logo em curvas a Diretor de Arte)

#563- "Você reclama demais..."
(Agência, Diretora de departamento, mandando trocas às 21:30h da noite para uma publicação que entra em gráfica nesse mesmo dia)

#556- "Não temos Illustrator CS2 para abrir os arquivos, pode me mandar em Adobe?"
(Anunciante, solicitando materiais a Executiva de Conta)

#555- "Obrigado pelo spot de rádio em mp3, pode me enviar em alta?"
(Agência, Executiva de Conta a estúdio de gravação)

#554- "Precisamos de um anúncio gráfico com elementos natalinos, mas que não tenha fotos nem ilustração"
(Anunciante, brifando Executiva de Conta)

#553- "Acho que ele representa uma imagem masculina demais para a marca, devíamos propor alguém menos homem"
(Agência, Chefe a Criação e Contas, referindo-se a graus de virilidade de um homem para ser porta-voz da campanha)

#546- "Eu sei que pedi o logo menor, mas ele precisa ficar com o dobro do tamanho"
(Anunciante com problema dimensional)

#542- "Obrigado por nos apresentar as três opções. Estão aprovadas. O título da primeira com a imagem da segunda e o slogan da terceira. Podemos ver uma outra opção além dessa?"
(Anunciante a Diretor de Criação, depois que o Executivo de Conta o chamara entusiasmado, dizendo "Aprovaram a campanha")

#540- "Me passa uma foto de um balão, de frente"
(Agência, Diretor de Arte pedindo a um Designer Industrial que desafie as leis da física)

2007-10-24

Será que aconteceu assim?

Monólogo imaginário, meramente especulativo e totalmente fictício, porém, quem sabe, verossímil, de um hipotético envolvido no redesenho de uma marca famosa e milionária.

Abre aspas:

Então. A gente pegou esse trampo de redesenhar a marca. A estratégia de comunicação pede para mostrar visualmente que alguma coisa mudou para mais moderno e também mais acessível, tá entendendo? Os novos donos acham que a marca atual é barroca, muito metida a chique. Essa caligrafia, por exemplo, não tem nada a ver. Essa rosa-dos-ventos é rebuscada. Vamos mexer em tudo!



A nossa tarefa é redesenhar a marca e os materiais de comunicação básicos, para termos uma apresentação pronta da proposta final na segunda-feira pela manhã, tá entendendo? Hoje é sexta, então vamos tocar pau nesse projeto que é de responsa. O briefing tá prontinho aqui na mão. Fala a verdade, não tá tão difícil assim. É só limpar "a" logo. O Corel faz isso praticamente sozinho. Tá duvidando? Vou te ensinar como se faz isso em quinze minutos, sem enrolação. Abre um espaço aí que a gente vai sentar do teu lado e dar os toques. OK. É o seguinte. Primeiro de tudo: esquece a rosa-dos-ventos. Isso, deleta daí, mas deixa guardada em algum lugar, que a gente ainda vai fazer uma firula com ela mais tarde. Beleza? Pega essas letras e espreme, entendeu? Cola elas bem. Junta tudo. Mais perto. Mais um pouco. Mais. Vai. Com fé. Mais um tantinho. Aí. Separa de volta... abre aqui... Isso. As letras muito separadas davam uma cara de velho, tá entendendo? Temos que modernizar a comunicação. Passar um ar jovem pro consumidor. Mas não sofisticado demais.



Tá quase. Mas ainda não parece moderno p.. nenhuma! Experimenta vazar a letra A. Isso, deixa igual à V de cabeça pra baixo. Pode usar a estrutura da letra original, mesmo. Sem crise. Beleza! Agora faz o seguinte. Tá vendo o R? Vaza ele também. Vai nos contornos do original, não inventa moda agora, que a gente não tem prazo pra perfumaria, tá entendendo? Isso. Faz reto mesmo, não tem problema. Pronto! Fala aí que não ficou mais moderno. Fala sério, eu é que devia estar sentado aí fazendo esse trabalho! Agora, a letra G. Aumenta o branco dentro dela. Tem que ficar... aéreo, entendeu a referência? É uma empresa aérea. Espaço vazio. Respiro. Isso mesmo. Encurta ali... Beleza. Não, deixa um pouco. Tem que poder ler de longe. Chanfra do lado. Melhorou. O computador não é uma maravilha?



Agora é o seguinte. Presta atenção. É pra não usar mais a caligrafia, apaga ela sem dó. Mas a gente vai incluir um elemento substituto, tá entendendo? Uma bandeirinha bem pequenininha, ali do lado do G. Meia altura da "tipologia". Não, é sério! É pra colocar uma bandeirinha do Brasil ali, como se fosse uma sexta letra do lado do G. Só que tem duas coisas. Não precisa do "Ordem e Progresso" nem das estrelas. Simplifica essa bagaça. Sem remorso. Segunda coisa, o amarelo da bandeira tem que ser laranja, tá entendendo? A cor corporativa dos novos donos é laranja. Precisa harmonizar. Eu sei, eu sei que é a bandeira nacional, que existe uma lei e tal, mas você acha que alguém vai reparar numa caquinha dessa? E a gente economiza não tendo que pedir uma tinta a mais na gráfica só pra pintar a bandeirinha toda vez, tá entendendo? Pantone não sei das quantas, acha aí. Esse mesmo. Perfeito!



Maravilha! Agora, a aplicação da marca. Você tem à mão aí a rosa-dos-ventos, né? Abre o arquivo que mostra a aplicação atual dela no leme da aeronave. Isso. Esse mesmo. Beleza.



Então. A marca atual é muito parada. O negócio precisa decolar, tem que voar, tá entendendo? Falta dinamismo. Tem que burilar o símbolo, só um pouquinho. Esse azul tá triste também. Vamos mudar tudo isso. Primeira coisa: a rosa-dos-ventos precisa incluir a cor laranja. É a cor dos novos donos, sabe como é. Não pode chiar. Ah, não tá dando contraste nas pontas? Taca um degradê ali que tá beleza. Isso. Pode sumir com as risquinhas brancas, essa mosquinhas fazendo círculo, tá entendendo? Aí. Maravilha. Agora, vaza a rosa-dos-ventos pra fora do leme. Deixa só um pedaço dela visível. A gente sempre vai usar só uma parte dela em todos os materiais daqui pra frente. Não, tou falando sério. Como assim, não faz sentido? Eu tô mandando. Não me questiona. Faz esse troço. Vaza essa p... já que não tem tempo pra frescurite. Isso mesmo. Não, eu tô te falando, não vai ter grilo. Pára com isso. O povo vai reconhecer a marca, claro que sim. Agora, joga de fundo um padrão de azul sobre azul, saca? Um zebrado azul em curva. Um desses negócios prontos que você aperta um botão e faz em dois palito aí. Isso, exatamente, esse mesmo. Que nem o daquela porta do fogão Continental. Começa escuro e vai clareando. Aumenta a curva ali. Boa. Olha que lindo que fica!



Matou! Viu como foi rapidinho? Te falei, o Corel é milagreiro. Joga as coisas nele que ele faz tudo. Te-le-pa-tia! Agora, toca bola pra frente e monta a apresentação aí. Prepara o PowerPoint com as imagens em baixa "da" logo e do leme, mais os prints em alta. E também exemplos de aplicação em folders, faixas, panfletos, prospectos, bordados, serigrafias, alto-relevo, pins, website, campanha de TV, jornal, revista, envelope, papel timbrado, cartaz, fachada, mural, luminoso de aeroporto, painel de Metrô, outdoor, projeção de holofote, sacola e locução de rádio. Agora... que é... deixa eu ver aqui... agora é sexta-feira, 18:36. Esse material tem que estar pronto impreterivelmente na segunda-feira, às 7:30 da manhã. O vice-presidente precisa disso na mesa dele na segunda bem cedinho, porque depois segue direto de viagem pra Miami. Ou Paris, não lembro agora. Mas então, veja bem, ainda tem dois dias inteirinhos pra matar isso, tá entendendo? Não pode dar chabu. Mas tá sossegado de prazo agora. Qualquer coisa, me dá um grito no celular, vou estar na praia, beleza? Tchau. Bom fim de semana.

Disclaimer - Todas as imagens acima foram produzidas a partir de imagens de divulgação, não de fontes oficiais. E foram desenhadas no Adobe Illustrator, não no Corel. A caligrafia foi obtida de uma versão não-oficial do logo antigo em vetor, que estava disponível na Wikipedia. Se você for lá agora, porém, só achará a versão nova.

2007-10-23

Bikes, Parte 33: Uma proposta realista para integrar as bicicletas à rua

O paulistano já deve ter reparado - e, um breve instante depois, passado a ignorar - as marcações de bicicleta que andaram sendo feitas clandestinamente pelos ativistas da Bicicletada nas principais avenidas da cidade. É um protesto contra a falta de política oficial da prefeitura para acomodar o crescente número de ciclistas na rua, e ao mesmo tempo de encorajar o gado irracional motorista individual a pensar em transporte alternativo.
A cidade fala, fala e não faz nada, porque construção de ciclovias é uma obra complexa, que exige reformar a infraestrutura da rua e envolve enorme gasto de dinheiro, rendendo proporcionalmente poucos votos.
O pouco de ciclovias que foi implantado fora dos parques foi um fracasso total, basicamente porque foi projetado por gente que aparentemente jamais pedalou para saber o que um ciclista realmente precisa. Nós não precisamos de um pedacinho estreito de concreto ondulado e sinuoso, no meio de um canteiro central de avenida, interrompido constantemente por acessos de retorno de carros, sem rebaixamento nem sinalização nas travessias. Aquilo é um insulto à nossa inteligência e mais lento e perigoso do que pedalar solto no asfalto. Ademais, a população pedestre se apossou desses patéticos trechos de pavimento para praticar cooper; as bikes não são bem-vindas dentro deles.
O que se faz realmente necessário para ajudar os ciclistas da cidade é algo muitíssimo mais barato de implementar e mais simples de administrar: ciclofaixas.
Exemplos de ciclofaixas demarcadas podem ser vistos aqui, uma coleção de fotos que mostra como a integração entre bikes e carros é feita em vários lugares do mundo. A solução básica é pintar uma faixa especial, que serve como guia para a bicicleta - e nada além disso.
Pela minha experiência, estou convencido de que segregar as bikes do fluxo de veículos motorizados é uma péssima ideia. Além de implicar uma obra cara, que rouba espaço e não dá para implementar em qualquer tipo de rua, não resolve o problema básico das bicicletas em qualquer cidade, que é a segurança nos cruzamentos. Um estudo feito na Califórnia apontou que mais de 85% dos acidentes entre bicicletas e veículos a motor ocorre em cruzamentos, resultado de inépcia ao manobrar combinada com má visibilidade. Uma bike integrada ao fluxo, dentro da ciclofaixa, é mais visível para o motorista em todos os momentos, especialmente nos cruzamentos.
Outra vantagem da ciclofaixa: por ser compatilhada com os automóveis, não toma espaço útil deles quando não há ciclistas presentes.
O segundo problema básico é que, devido à grande agilidade de movimento, os ciclistas e também os pedestres tendem a invadir o espaço uns dos outros e também dos carros, tornando fúteis quaisquer medidas de segregação ou fiscalização. O certo é que a própria via estimule o uso correto. Na atual situação, é costume vilanizar os ciclistas que invadem a calçada, o que de fato é contra a lei, mas atire a primeira pedra quem não teve de fazer isso porque simplesmente não sobrava mais um centímetro quadrado de espaço na rua congestionada.
Além disso, o sistema precisa premiar a agilidade do ciclista. Eu não uso de forma alguma a pseudo-ciclovia da Faria Lima, por exemplo, pelas razões que já dei acima e também porque, estando livre no fluxo, posso desenvolver com tranquilidade uma velocidade de cruzeiro de 35 km/h. A velocidade é uma consideração importante ao contemplar o ciclista que usa a bike como transporte e não lazer, pois ele pedala mais rápido.
Ciclovias segregadas só fariam sentido em vias expressas como as marginais, e mesmo assim, com o sério problema a resolver dos cruzamentos em alta velocidade.
Se o prefeito quer fazer alguma coisa contra o caos do trânsito, eis uma medida que dá para tomar a custo beixo e com resultados rápidos. Aposto que os folhetos de educação no trânsito vão custar mais do que as faixas coloridas.

Hoje é o dia do Apple Fanboy!

Apple tem o melhor trimestre da história e não para de crescer.
Vou me colocar de lado aqui e abrir passagem para os afoitos que correrão a discutir nos fóruns.
Prepare-se para o acirramento das hostilidades entre fanboys e detratores nos sites sobre computadores.
Desconfie duplamente de cada palavra escrita por qualquer um.

Disclaimer: Este post foi escrito no Windows XP.

2007-10-22

Bikes, Parte 32: mais veloz do que 240 ônibus

Vou para o trabalho pedalando pelo menos quatro dias por semana. Uso bikes diferentes, vou por caminhos variados e anoto os números de distância e tempo num diário de controle. Viu aquele cara que passa veloz pela faixa central da Paulista entre 8:40 e 9:30 da manhã, com a camisa da Fox e mochila azul? É este que vos escreve. Chegando à Paulista, já estou aquecido por ter subido a Rebouças, e a avenida está livre nesse sentido, então soco a bota. É um prazer atravessar a esquina da Pamplona a 45 km/h - trecho de descida - e a da Brigadeiro a 38 km/h - trecho de subida.

Houve uma manhã quente e seca em que eu avançava com minha Hardrock pela Av. Corifeu e o trânsito estava especialmente travado desde a esquina com Politécnica, perto de onde estou morando, até a ponte da Eusébio Matoso no Butantã. A Corifeu é um longo teste de paciência para quem pega ônibus na ida. Excesso ridículo de pontos de parada no caminho; um a cada 100 metros no trecho de subida. A Vital Brasil vive atulhada. Mesmo com tráfego razoável, o ônibus leva 35 minutos para percorrer uma distância de menos de 6 quilômetros. Na bike eu faço o mesmo percurso em 14 minutos, na média. E tem subida e semáforos no caminho! Naquela manhã, me diverti contando os ônibus que ultrapassei até chegar à ponte: 29.

Quinta-feira, 19:30, retornando da agência com minha Caloi Strada, resolvi fazer a conta de novo. Vi que o caos seria fora do normal porque o congestionamento começava já na saída da Av. Lins de Vasconcelos. Como é de costume em São Paulo, não havia nenhum motivo aparente para aquela lambança; nada de acidentes, chuvas, incêndios, quedas de árvores nem de aviões. A origem do engarrafamento é sempre um mistério: um caminhão de lixo anda um pouco mais lento na avenida e tudo simplesmente pára ao longo de 15 quilômetros atrás dele.

Avancei como se estivesse de moto, entre as fileiras de carros parados, e fui contando os ônibus entalados. Para meu espanto, o centésimo me esperava já na porta do Metrô Paraíso. Na esquina da Brigadeiro, chegavam a 140. Entrei na Rebouças com a conta em 186. Cheguei à Faria Lima, virei e passei pelo Largo da Batata. Ali atingi os 240, naturalmente contando somente os ônibus em circulação e não os parados nos pontos. Dali até o Parque Villa-Lobos e Av. Jaguaré, como se trata de um bairro rico que aparentemente prescinde do transporte coletivo de massa, não vi mais ônibus nenhum e encerrei a contagem.

240 ônibus ultrapassados em 40 minutos de pedal. Dá o que pensar.

Não é que eu seja algum tipo de super-herói sobre rodas. Apenas um ciclista com bom hábito. O trânsito na cidade está mesmo cada vez mais impossível. O próprio jeito de andar de um ônibus atrapalha mais ainda. Ocupa espaço demais; por ser montado sobre uma carroceria de caminhão, vem de fábrica com as medidas erradas para trafegar numa rua urbana. Acelera muito lentamente, atrapalhando os que vêm atrás dele. Tem de parar muitas vezes, porque os pontos são burramente intercalados com semáforos. E, principalmente na Avenida Paulista, cartão-postal da cidade, tentam usar todas as faixas de tráfego indiscriminadamente e se atravessam em cruzamentos com o sinal fechado, tornando um inferno a vida de todos, coletivos e privados.

Os não-coletivos não vão escapar da crítica, tampouco. O motorista paulistano na hora do rush é a própria prepotência neurótica encarnada atrás de um volante. Goza de uma ilusória sensação de impunidade, superioridade ou sei lá o quê, por estar oculto do olhar alheio sob vidros escurecidos. Provavelmente, sofreu a lavagem cerebral das propagandas de TV que mostram lindos carros novos deslizando suavemente por ruas e estradas completamente desertas. Ao enfrentar a realidade das ruas, em vez de se revoltar contra os publicitários e as montadoras, descontam nos motoristas vizinhos. Como um não consegue ver o rosto do outro, ficaa mais fácil considerar o próximo como um inimigo desumanizado.

Como eu pedalo numa velocidade compatível com o fluxo, tenho um mínimo de inconvenientes relacionados com a mania dos motoristas e motociclistas em forçar manobras arriscadas para ganhar um ou dois segundos de vantagem, somente para ficarem pateticamente parados no próximo semáforo. Mas não estou cem por cento seguro, e tenho que pilotar defensivamente. Até agora deu certo. Mas conforme aumenta o número de carros, aumenta também o risco.

Conforme aumenta o número de carros, também aumenta o de batidas idiotas - porque qual batida de carros, no fundo, não é uma coisa idiota? - e as sarjetas e cruzamentos ficam permanentemente salpicadas de cacos de vidro. Meus pneus têm furado muito mais frequentemente do que a média histórica, talvez o dobro ou triplo de furos, sempre causados por vidro, mesmo tomando todo cuidado por onde ando.

Quanto aos pedestres e seu costume de atravessarem fora da faixa ou com o sinal fechado bem na minha cara, deixei de ignorá-los como antes fazia. Agora aponto vigorosamente para o sinaleiro ou dou um berro: "Na faixa!". Se conseguir conscientizar um dentre cada dúzia de pessoas, meu dia de budista já estará ganho. Podem se incomodar comigo, mas estou tentando ajudá-los a salvar as próprias precárias vidas de um atropelamento.

Dia desses, estava de visita na loja Wilmor Bike Star, quando entraram ao mesmo tempo um ciclista uniformizado e um outro cliente que estava preparando uma bike para a esposa usar em pedaladas no parque. Naquele dia eu já tinha pedalado 19 km pela manhã, mas estava de roupa trocada por jeans e camiseta normais. Com minha barriguinha, não tinha pinta de ciclista habitual. Vendo o ciclista, o cliente já disparou para mim: "Andar na rua é suicídio! Sabe por quê? Ninguém respeita ninguém! É suicídio!" Depois que o homem foi embora, comentei com o ciclista uniformizado: "Imagine como esse cidadão se porta atrás do volante do carro dele. Para ter uma opinião tão categórica, ele mesmo não deve fazer melhor do que aqueles que acusa. Com essa mentalidade de confronto e agressão, se ele saísse à rua de bike, arrumaria encrenca logo no primeiro passeio. Bom mesmo que se restrinja a voltinhas no parque."

No Dia Mundial Sem Carro, pedalei 55 km dentro de São Paulo e o trânsito estava realmente melhor que o normal para um sábado.

2007-10-08

Pegadinha do InDesign CS2

Texto falso gerado pelo programa:

Ex nique converei culvirionsus addum num, P. Orurarius vatari patiquius, et; etri pritu imiu viris Cata convehe batum, cus audet condam dienaturo hos cuperim ad am etistil icepons cierum adducid defescioris, quo condic me cerfestraet; nonveri condiis, crei tam inum nor aus aciem dem quo auderesta, diuspero, des coenim que ficio, vagina, vivesen iquiditrae cus iptiam dum ad cauctusquam caperionum sessendac red mus hoctude rfirium, popubli, te cut vessena, signon dessent? Nos mo viribus fecissolicae clegilicatu ma, convo, silicup icatque que cone mena, Catiaes ex me pat. Maionsuppl. Sat, ca tem, dionsus sul consuli cibutus Ad deesit. Verfex sid C. Voccit viverur nihilia ves At praedit abentere cre diumei suspime condes consupi emquem pereo, publii pratiliae is eliem fue te, Catum tea quo haberteme firior ubliciem forumus piente tario, criciem invenih ilnemolii paridit. Erehebenti, pature, ut perecon sultordient, deat.

Pegou?

2007-10-05

Nasce um idiota a cada novo spam

Clique para aumentar (sem trocadilho):



Claro que não recebo spams só disso: essa tela é uma montagem com uma seleção. Mas veja pelas datas quantos desse tipo chegam a cada dia, em apenas uma das minhas contas de email. Cada um é diferente do outro, mesmo quando o título está repetido.

A coisa ficou descontrolada.

A pergunta é: existe tanta gente assim com problema nessa área? Existem mesmo tantos vendedores de "soluções" para o tamanho do pênis? Há tantos compradores?

Muitos dos spams insistem que a felicidade e o sucesso dependem totalmente do "tamanho" do homem. Na publicidade comum existem muitas peças que exploram deslavadamente a insegurança das pessoas. Mas estes títulos de spams são cruéis, mesmo quando bem-humorados. Tadinho de quem acredita neles.

2007-10-01

Uns entendem. Outros discutem

Deu no Radinho:

Quebra-cabeças infantil bem original

Sem dúvida, o autor é alguém com um senso de humor crítico afiadíssimo.

O texto junto à foto amplia a fogueira: "Parece que nunca é cedo demais para aprender as coisas importantes da vida."

Aí o povo leva a sério e fica puto discutindo na lista.

A Apple errou

E errou feio!

Ao entrar na ridícula guerra do desbloqueio do iPhone, deu fantástica munição para a Nokia. Saca só.

Primeiro houve o deslumbramento, na época do anúncio. Depois, a súbita e até suspeita guinada anti-iPhone de boa parte da mídia bem às vésperas do lançamento. Isso tudo já comentei aqui. Foram meus últimos posts sobre o assunto, e nem pretendia voltar tão cedo.

Desde então, vejo em listas e fóruns nerds uma crescente horda de fãs brasileiros importando os telefones e desbloqueando com hacks. Claro que isso ocorre também no resto do planeta. Claro também que a Apple não deixaria barato.

Agora está claro que o mundo está ficando de saco totalmente cheio de soluções fechadas, negócios atrelados e outras estratégias comerciais visando colocar o consumidor num cabresto. Ringtones só de músicas baixadas e por US$ 0.99 cada? É sério isso?

Em que pese o sucesso monstro de vendas do iPhone, essa ligação siamesa da Apple com a AT&T pode ser o pior erro de marketing da Apple desde... (complete a frase nos comentários).

A não ser que na semana que vem Steve Jobs venha anunciar que todos os iPhones passam a ser liberados, repetindo a virada surpresa que fez com a queda brusca no preço do iPhone, ou com a migração dos Macs para chips Intel.