2007-08-27

Falem mal, mas falem

Deixei passar semanas antes de falar alguma coisa sobre a campanha publicitária do Estadão que sacaneia a falta de garantia de confiabilidade dos sites pessoais na Internet...

Acompanhei silenciosamente a polêmica entre os blogueiros irados com a campanha. Dali a poucos dias, um conhecido que não escreve blog, mas lê, me menciona a campanha como exemplo da animosidade montante entre a velha mídia e a nova mídia.

Eu poderia encampar essa teoria, se não fosse pela simbiose que as duas mídias cultivam: blogs acham pautas para o jornal, articulistas de jornal escrevem blogs. Respondi: "você apenas caiu no golpe..."

Às vezes a maneira mais eficaz de criar buxixo é falar o oposto do que as pessoas estão esperando ouvir, pegando-as desavisadas. Primeiro o jornal cria um caderno de tecnologia ambicioso, e a seguir. supostamente "aliena" o público.

Ao criar as peças cruéis e sarcásticas, o pessoal da agência deve ter pensado, com um sorriso malvado: "Falem mal, mas falem de mim..."

Deu certo. Aqui estou falando do assunto. E nem me senti ofendido, ao contrário de uns blogueiros que até quiseram criar uma anticampanha: "não leio o Estadão".

A nova era da mídia é uma era de ironias, em que se diz exatamente o contrário do que se pretende. Os que correm mais risco de quebrar a cara são os afoitos que tomam as coisas ao pé da letra. Justamente aqueles a quem se dirige a campanha.

Este século vai sepultar a ingenuidade como virtude.

2007-08-23

Para pensar

worldclock.swf

Cortesia do Poodwaddle.com.

Como tudo que envolve estatística, este projeto pode não dar números muito exatos, dependendo da fonte escolhida. Mas o mais fascinante aqui é ver em tempo real a taxa de aumento dos valores, e comparar uns com outros. Ver coisas como o número de abortos crescer quase em paralelo com o de mortes e o número de bicicletas produzidas crescer bem à frente dos números de computadores e carros.

Clube do G3: novas aquisições

Chegaram recentemente mais CPUs de Macs antigos para o acervo, que agora está mais organizado no meu novo endereço provisório...

Os novos velhos Macs são:

  • G3 bege com case desktop, enviado via correio pelo Diogo Ropelato, membro da lista Maçãs Selecionadas. É o terceiro Mac com esse modelo de gabinete e o primeiro com acabamento bem conservado e sem peças quebradas. (Outro problema comum nas máquinas desta geração é a corrosão das partes de aço galvanizado.) Está decidido que não colocarei Mac OS X nele, apenas um sistema clássico. Preciso arranjar um HD para isso. Há três scanners SCSI esperando por um Mac que os suporte, e esse G3 é o melhor candidato.

  • IIci, cedido pelo Marcos Collet. Também precisa de um HD para voltar à ativa. Junto veio um drive SyQuest de 88 MB e alguns cartuchos. Santa nostalgia! Para mim o IIci tem um significado especial, porque foi o primeiro Mac que usei, juntamente com os Classic II e Plus, na redação da Revista Náutica em 1992. Este exemplar do IIci foi usado pelo Jampa quando trabalhou no Collet Studio, antes mesmo da fundação da Macmania (1991-93). Ou seja, um pedaço da história do Mac no Brasil está condensada nesse pequeno caixote com plástico queimado pelo sol. Para ficar perfeito, só faltaria o monitor Radius Pivot igual ao que eu usava...

    Quando o museu estiver mais estruturado, vou criar um nome e um logo para ele. (Quem sabe até passe a receber visitantes.) Sugestões de nome são bem-vindas! (O logo é por minha conta.) O nome provisório "Clube do G3" é uma brincadeira com o fato de o acervo ser quase todo composto de máquinas dos anos 90.

    Aos que querem dar um destino honroso a Macs aposentados e acessórios obscuros, eis uma lista do que ainda procuro:

  • Mac II com o gabinete largo da primeira geração, em particular o IIfx.
  • SE.
  • 7100.
  • Quadra 840AV ou Centris 650.
  • Qualquer Mac da série 6000 com a placa opcional de entrada e saída de vídeo. Ou somente essa placa.
  • PowerBook da série 100.
  • Placa de vídeo PCI para Mac, como a Rage 128.
  • Cabo de vídeo para a saída do 6100, que é do tipo antigo analógico com três fileiras de pinos.
  • 2007-08-06

    Assustador

    Um artista plástico com o mesmo nome e sobrenome que eu foi baleado juntamente com Andy Warhol no incidente de junho de 1968.

    Quem descobriu a coincidência foi o Hiro.

    E aí, mudo o nome mais uma vez?

    Oops!



    O redator nao sabia inicialmente qual era a lesão do jogador, colocou "casa do caralho" para marcar o lugar no texto, e quando foi trocar por "coxa esquerda" errou o local...

    Como a notícia está no ar desde quinta-feira, imagino que o pessoal do Yahoo! deu uma risada e preferiu deixar como estava. Mesmo porque, depois de corrigida, a falha poderia continuar a ser apontada pelo Google.

    Outro exemplo de acidente engraçado aconteceu hoje mesmo no OSviews, um agregador de notícias sobre sistemas operacionais. A sincronicidade de ver as duas falhas foi o que me deu o impulso de escrever este post. O erro no site já foi corrigido, mas deu tempo de fazer uma captura de tela...



    Nas minhas revistas, além da ocasional capa falsa bem-humorada, era comum preencher o espaço de matérias inacabadas com textos provisórios engraçados, absurdos e até palavrões fora de contexto. Mas nunca vazou nenhum acidentalmente para a gráfica. Tive, sim, um texto desses publicado, mas foi de propósito. Foi na Revista Náutica, em 1992. Era uma página com teste de barco completamente absurdo, sacaneando o jargão do ramo. O dono da editora gostou tanto que mandou publicar aquilo como matéria falsa de primeiro de abril, mesmo não sendo aquela a edição do mês de abril.

    O que me leva a outro assunto: as pegadinhas de abril. Anos atrás, num post que não está mais no ar, comentei sobre uma matéria da revista Nova Eletrônica que saiu em 1982. Essa revista era uma referência em tecnologia, mais do que as Info da vida dos dias atuais. Eles traduziam material licenciado da Audio, uma revista americana de ótimo nível, que sempre caprichou na matéria falsa do mês de abril. A Nova Eletrônica embarcou com gosto numa pegadinha elaborada, com direito a fotos e tabelas, apresentando um toca-discos "revolucionário" no qual o disco ficava parado no prato e o captador com a agulha ficava num carrinho que rodava em círculos sobre o disco e transmitia o som ao amplificador via rádio. Supermoderno! Leitores ficaram revoltados quando perceberam que os próprios editores da revista não se tocaram e levaram aquilo a sério...