Para destoar do oba-oba, não vou falar hoje do lançamento do iPhone.
Vou falar de um detalhe da conversa que Steve Jobs teve com os funcionários da Apple na quinta-feira.
Ele dizia que até agora a Apple, com o Mac e o iPod, era como uma instável cadeira de apenas duas pernas. O iPhone viria a ser a terceira perna e o tv a quarta.
Logo me liguei de uma malícia involuntária na alegoria. Terceira perna em inglês tem um significado pitoresco.
2007-06-30
2007-06-29
Boa notícia
A prefeitura de São Paulo vai reformar as calçadas de toda a Avenida Paulista no mês de julho.
Por mais que eu goste do familiar mosaico português de pedras brancas e pretas, ele já está tão cheio de remendos malfeitos, buracos, depressões, elevações e ondulações que caminhar pela avenida começou a ficar perigoso. Há três semanas, estava voltando da academia a pé, tropecei e estourei o joelho direito numa das pedrinhas mal encaixadas.
O calçamento novo das avenidas Rebouças e 9 de Julho não é a coisa mais linda, mas segue um estilo tradicional neutro e é muito bom para caminhar, inclusive em dias de chuva. Espero ver restaurada na Paulista a consistência de nivelamento, como ocorreu nas outras avenidas.
Por mais que eu goste do familiar mosaico português de pedras brancas e pretas, ele já está tão cheio de remendos malfeitos, buracos, depressões, elevações e ondulações que caminhar pela avenida começou a ficar perigoso. Há três semanas, estava voltando da academia a pé, tropecei e estourei o joelho direito numa das pedrinhas mal encaixadas.
O calçamento novo das avenidas Rebouças e 9 de Julho não é a coisa mais linda, mas segue um estilo tradicional neutro e é muito bom para caminhar, inclusive em dias de chuva. Espero ver restaurada na Paulista a consistência de nivelamento, como ocorreu nas outras avenidas.
2007-06-28
Snap Shots...
...instalado.
Caso não queira usar o recurso, desative-o clicando no ícone da engrenagem no topo da janelinha de preview.
Dê uma fuçada também no mecanismo de busca deles. É show.
Caso não queira usar o recurso, desative-o clicando no ícone da engrenagem no topo da janelinha de preview.
Dê uma fuçada também no mecanismo de busca deles. É show.
E já rola a campanha contra




(Ilustrações minhas com imagens do filme "2001")
É amanhã o lançamento do iPhone, talvez o produto de tecnologia pessoal mais aguardado desde o Windows 95.
No post anterior, linkei um blog que relata o desmesurado hype nos EUA. Agora percorro os sites nacionais para ver qual recepção o produto tem aqui, mesmo sem suporte de nenhuma operadora no Brasil, sabe-se lá até quando.
A maioria, como eu, acha graça no hype. Muitos estão simplesmente curiosos, munidos de um ceticismo saudável, ou apenas buscando saciar o gosto por novidade. Mas tem a turma que nunca está contente. E essa faz questão de se manifestar com mais força do que os meros interessados ou declarados apoiadores.
Normal a dúvida, em se tratando de assuntos geeks. O que não é normal é a campanha contra, sendo que o produto nem foi lançado. Este assunto já abordei várias vezes no passado em relação a Mac, e parece que a atitude passa de um produto a outro. Nem estou falando de produtos Apple em particular. Ponha aí o Windows Vista, Nintendo Wii e outras coisinhas importantes.
A gota d'água foi um post no blog da Cora Rónai, que fala muito sobre celulares e até é publicado a partir de um. O mesmo texto saiu em O Globo, jornal de grande circulação entre leigos carentes de qualquer informação mais técnica, o que pressupõe um certo rigor factual. Mas que nada; o texto é decepcionante, montado a partir de uma sucessão de negatividades genéricas sobre o iPhone.
As duas queixas fundamentais, opiniões pessoais entregues como fatos, são:
Uma coisa é dizer honestamente que o iPhone não lhe serve concretamente porque não tem MMS ou alguma outra coisa. Outra coisa muito diferente é vir com sarcasmos e ironiazinhas bobas e demais demonstrações de desdém, e ao primeiro sinal de discórdia dessa postura, recair na vala comum de invocar a mítica figura ideológica rarefeita do "macmaníaco". O argumento "ad hominem" usado para abafar o diálogo é este: se você gosta do iPhone, só pode ser um daqueles seguidores fanáticos do Jobs, portanto não vale discutir.
Se meu vizinho sair com uma tirada dessa nível, tanto faz, a ignorância explica. Mas é essa também a atitude que você espera de um profissional expert em comentar tecnologia e dar forma às decisões de consumo dos outros? Torcer a favor de um produto e contra o outro, por razões pessoais e não objetivas?
Talvez seja só eu, mas particularmente não teria motivação honesta para escrever um texto para me posicionar em relação a uma tendência. Corro o risco de me nivelar com gente que até pode ser bem-sucedida e com bom público leitor, mas não conta com confiabilidade na informação. Pessoas notoriamente queimadas como Mary Jo Foley ou John C. Dvorak.
Parafraseando um blogueiro gringo - que é um patético fanboy da Apple, mas escreve bem - certamente é interessante fazer a crítica das estratégias comerciais e de produto das empresas, mas o que estou vendo não é crítica sincera, apenas FUD. No Brasil, o FUD nem é intencional, não tem departamento de marketing de empresa bancando o engajamento, não visa gerar um movimento. Pode ser puro achismo transmitido de orelhada, ou mesmo sinais pessoais de dor de cotovelo.
É isso o que você espera de um site informativo?
Quem tem que melhorar seu produto urgentemente, afinal, são os cronistas de tecnologia.
Update - O Rafael Rigues da PC Magazine também disse algumas coisas interessantes sobre o assunto. Faz um tempinho já.
Update 2 - Minha opinião se soma à de dois comentaristas no Gizmodo: "This is one of those times that the disconnect between the professional techie and the average buyer is massive. Or maybe it isn't. I suspect that a lot of tech guys just find some virtue in slamming the iPhone as a point of pride. They haven't sold out to the man, man! Based on everything I've read so far, the iPhone seems to have delivered on its promises. It really does re-invent the mobile phone. So why do people need to waste everyone's time hating on a good product that will make lots of people happy and make mobile phones better all around?"
Update 3 - Mais uma: "Critics like to compare the iPhone against these premium priced phones in terms of features, but against simplistic phones when talking about price."
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2007-06-26
Buxixo do iPhone
Baixei um programinha, disponível somente para Mac, chamado iPhoney. É um web browser baseado no WebKit do Safari, que apresenta a Web dentro de uma janela simulando a aparência do iPhone em escala 1:1. Como o programete não dispõe do zoom mágico que o iPhone produz nas páginas, e ainda inclui barras de rolagem do Mac que inexistem totalmente no aparelho, ele é mais útil para desenvolvedores e curiosos. Mas ter uma réplica do iPhone na tela do meu computador não deixa de ser uma bela meta-experiência.

Por coincidência, na tela do iPhone (na vertical) cabe exatamente a porção da coluna lateral desta página que corresponde à foto e ao título do blog.
Mesmo com o meu monitor Samsung trabalhando a respeitáveis 1152 por 864 pixels, o iPhone virtual parece enorme, pois a resolução de tela dele é de 160 ppi (pixels por polegada), muito superior aos 100 ppi do monitor. Capaz de gerar textos surpreendentemente nítidos em tamanhos bem pequenos. Só vi telas com tal grau de nitidez em alguns celulares - e não eram telas tão grandes assim, nem sensíveis a toque.
Para quem tem interesse na histeria em torno do iPhone, que está sendo lançado nos EUA na sexta-feira, recomendo este site, comandado por um dos editores da Wired: Cult of Mac.

Por coincidência, na tela do iPhone (na vertical) cabe exatamente a porção da coluna lateral desta página que corresponde à foto e ao título do blog.
Mesmo com o meu monitor Samsung trabalhando a respeitáveis 1152 por 864 pixels, o iPhone virtual parece enorme, pois a resolução de tela dele é de 160 ppi (pixels por polegada), muito superior aos 100 ppi do monitor. Capaz de gerar textos surpreendentemente nítidos em tamanhos bem pequenos. Só vi telas com tal grau de nitidez em alguns celulares - e não eram telas tão grandes assim, nem sensíveis a toque.
Para quem tem interesse na histeria em torno do iPhone, que está sendo lançado nos EUA na sexta-feira, recomendo este site, comandado por um dos editores da Wired: Cult of Mac.
Tudo que começa termina
Cumprindo o destino de "homem certo no lugar certo na hora certa", meu companheiro de Macmania e Tupigrafia Tony de Marco assumiu a missão de documentar fotograficamente o desmonte paulatino da publicidade externa na nossa cidade.
O sucesso veio meio que por acaso. Depois que seu set do Flickr sobre o assunto foi descoberto pelo Boing Boing, as fotos correram mundo, chegando à capa da bela revista inglesa Creative Review, entre outras.
A imagem que coloquei no topo da página durante alguns dias é minha, de um McDonald's desativado que ficava perto do Borba Gato, em Santo Amaro, em 2005. Não tem nada a ver com a iniciativa da prefeitura nem com as fotos do Tony, mas vale pela ressonância visual.
O sucesso veio meio que por acaso. Depois que seu set do Flickr sobre o assunto foi descoberto pelo Boing Boing, as fotos correram mundo, chegando à capa da bela revista inglesa Creative Review, entre outras.
A imagem que coloquei no topo da página durante alguns dias é minha, de um McDonald's desativado que ficava perto do Borba Gato, em Santo Amaro, em 2005. Não tem nada a ver com a iniciativa da prefeitura nem com as fotos do Tony, mas vale pela ressonância visual.
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Grandes bobagens... Parte 2
Que algum espertalhão da propaganda (opa, dois posts falando de propaganda no mesmo dia, cuidado, cuidado) crie uma peça que se mimetiza de notícia online sobre um meteoro que vai cair na Terra... engana os editores desatentos de alguns websites... é repetida nos sites como sendo notícia real, sem a devida checagem... em seguida, é estrategicamente tirada do ar e proclamada um "sucesso" pelo gênio criativo...
Daí, o que sucede?
Os sites que foram feitos de trouxas nomeiam um ombudsman para tentar barrar os vexames no nascedouro.
O que vai acontecer de fato?
O pobre ombudsman vai passar o dia atendendo a reclamações do público sobre problemas técnicos de acesso ao provedor, não sobre o conteúdo dos sites...
Daí, o que sucede?
Os sites que foram feitos de trouxas nomeiam um ombudsman para tentar barrar os vexames no nascedouro.
O que vai acontecer de fato?
O pobre ombudsman vai passar o dia atendendo a reclamações do público sobre problemas técnicos de acesso ao provedor, não sobre o conteúdo dos sites...
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Às vezes, parece que é só isso mesmo
Vejo a TV, leio jornais e revistas, acesso sites e imagino a criação de certas campanhas de propaganda...
Cliente poderoso, veículos na mão, verba milionária, liberdade criativa...
Ops! Aí é que está.
Liberdade criativa.
Inventar algo novo, para variar, é mesmo uma tarefa tão inatingível?
Porque parece que o diálogo dentro da agência é algo assim:
Cliente poderoso, veículos na mão, verba milionária, liberdade criativa...
Ops! Aí é que está.
Liberdade criativa.
Inventar algo novo, para variar, é mesmo uma tarefa tão inatingível?
Porque parece que o diálogo dentro da agência é algo assim:
- Então... vamos aproveitar aquela idéia do comercial de TV da Europa, que tem umas bolinhas coloridas voando, sabe de qual estou falando...
- Isso! E colocamos a mesma trilha sonora daquele comercial americano de carro...
- Genial! O cliente nem vai notar que é tudo chupado.
- Isso! E colocamos a mesma trilha sonora daquele comercial americano de carro...
- Genial! O cliente nem vai notar que é tudo chupado.
Update: Pode também ser que o cliente chegue com a "idéia" pronta. Nesse caso, em vez da palavra "chupado", usa-se um eufemismo elegante: "referência".
2007-06-19
Safari no Windows e tipografia na tela
No dia seguinte ao lançamento do beta do Safari para Windows, eu e o desenvolvedor Rainer Brockerhoff conversamos sobre a visualização de fontes dentro do programa, que é a mesma usada em todo o Mac OS X. A Apple teve o trabalho de fazer o browser funcionar no PC exatamente como no Mac, pelo motivo de também funcionar dessa forma no iPhone. Assim, o Safari no Mac ou no PC serve como plataforma de testes confiável para os aplicativos e sites da Web no iPhone.
Rainer acabou citando em seu blog um artigo do desenvolvedor de software Joel Spolsky, que resume a diferença conceitual envolvida na tipografia no PC e no Mac. Eis uma tradução resumida:
Nessa história contada pelo Spolsky, há alguns reparos a fazer.
Primeiramente, houve, sim, um momento em que Apple e Microsoft concordaram na tipografia. Foi em 1991, quando se aliaram para criar em parceria o sistema de fontes TrueType, que seria a alternativa ao PostScript da Adobe. Windows e Mac OS clássico compartilharam o sistema por longos anos.
Hoje em dia, é a Adobe que concorda com a Apple nas fontes, e pelo melhor motivo possível. O método de render tipográfico da Apple foi originalmente inventado pela Adobe e licenciado para uso no Mac OS X. A versão da Adobe, chamada CoolType, é usada no Acrobat e também em todos os programas CS, tanto no Mac como no PC.
Em seu post, Rainer estende a análise, observando que o rendering de fontes da Apple é mais adequado para a tela do iPhone, devido à flexibilidade no zoom e à independência das letras em relação aos pixels físicos da tela.
Quando se fala em render de fontes do Windows, pensa-se naquilo que o sistema chama de "padrão", pois é com esse nome que o TrueType aparece nas opções de "Efeitos" do painel de controle de Aparência. Mas agora existe um outro render, mais moderno, chamado ClearType. Ele foi desenvolvido para telas planas em geral e incorpora a tecnologia de render de subpixel, truque para arrancar uma nitidez extra do LCD nos contornos das letras (e que, aliás, os sistemas da Apple e Adobe também possuem).
O ClearType produz tipos na tela com sofisticação comparável à do sistema da Apple - a Microsoft até afirma veementemente que os resultados são superiores. Mas há uma pegadinha: a fonte deve ter sido previamente otimizada para o ClearType. Caso contrário, ela usa o render padrão e não apresenta vantagem visual nenhuma.
Em contraste com isso, qualquer sistema de fonte no Mac OS X - TrueType, OpenType, PostScript, arquivo de Mac ou de PC - é desenhado na tela da mesma maneira, com a mesma qualidade elevada, sem distinção.
A minha opinião de tipógrafo é claramente a favor do sistema da Apple.
Não é que o método do Windows seja ruim; de fato, produz legibilidade melhor em telas de resolução baixa - ainda que a qualidade visual dependa bastante da fonte escolhida, pois a maioria delas na tela fica com uma aparência mecânica e dura.
Por outro lado, no design gráfico é incomparavelmente mais vantajoso que não se deturpe o caráter formal das fontes quando visualizadas em corpos diversos.
Estou usando o Mac OS X ininterruptamente desde o beta público, há seis longos anos, e um dos meus recursos favoritos nele sempre foi o realismo tipográfico. No Mac OS X, não há nenhuma diferença de sofisticação visual entre um layout executado no InDesign, uma página da Web e um humilde processador de texto.
Essa consistência total e garantida no Mac me nutriu tal hábito que, ao usar um computador com Windows, meu impulso é aproximá-lo do Mac: ligar o ClearType, instalar as novas fontes do Vista para usar nos menus e colocar a tela numa resolução bem alta, a fim de libertar um pouco os pobres textos das deformações.
A nitidez das fontes na tela, que é a única crítica real feita ao sistema da Apple, é uma questão cada vez menor. Para dar uma idéia, o padrão originalmente estabelecido para o DTP no Mac com o Adobe PostScript era de 72 pixels por polegada (ppi), e o padrão adotado no Windows com a tecnologia TrueType era de 96 ppi. Nessas resoluções, ainda é fácil enxergar os pixels individuais na tela. Atualmente, a maioria das telas, inclusive dos LCDs para uso doméstico e até das telinhas de celulares, têm resoluções que excedem facilmente os 100 ppi, chegando freqüentemente aos 120, 150 e até 180 ppi. Os pixels ficam imperceptíveis em fotografias, e tendem a sumir em textos também.
Antecipando-se a esse refinamento físico das telas, a Apple lançou o Mac OS X com fontes e elementos de interface em tamanhos fixos bastante grandes, que parecem até grotescos num monitor comum daquele tempo, a 800x600 pixels. A escala visual do Mac OS X só parece natural lá pelos 1024x768 numa tela de 15", ou 1152x864 numa de 17".
O Windows traz um meio de determinar com exatidão a resolução da tela, reajustando os tamanhos de fontes, menus e botões do sistema de acordo com a medição feita. Mas essa opção fica escondida nas configurações avançadas do monitor. Pouca gente sequer ouviu falar. Como resultado, o mundo está cheio de usuários de PC que usam as fontes de menus e ícones em tamanhos default ridiculamente pequenos para os monitores atuais, causando desnecessária canseira na vista (sem trocadilho). E mesmo que se faça o ajuste correto, as paletas de programas populares como os da Adobe não acompanham o ajuste.
No lado Mac há a expectativa de que o sistema fique totalmente "independente de resolução", permitindo ao usuário ajustar livremente a escala do conteúdo ao espaço na tela. A base tecnológica para isso já está presente no Mac OS X, mas a implantação depende de uma mudança geral na forma de criar as interfaces dos aplicativos.
Rainer acabou citando em seu blog um artigo do desenvolvedor de software Joel Spolsky, que resume a diferença conceitual envolvida na tipografia no PC e no Mac. Eis uma tradução resumida:
Apple e Microsoft discordam sobre como exibir fontes em telas de computadores. A diferença entre as duas está na filosofia:
A Apple geralmente acredita que o objetivo do algoritmo é preservar tanto quanto possível o desenho tipográfico, mesmo que a letra fique um pouco borrada.
A Microsoft geralmente acredita que a forma de cada letra deve ser encaixada dentro dos pixels para evitar perda de nitidez e melhorar a legibilidade, mesmo que não obedeça o desenho tipográfico.
Agora que existe o Safari para Windows, utilizando os algoritmos de render de fontes da Apple, você pode comparar as filosofias lado a lado no mesmo monitor. As fontes da Apple aparecem menos nítidas, com alguns contornos borrados, mas nos corpos pequenos os caracteres preservam melhor a variedade dos tipos, porque respeitam a forma que teriam ao serem impressos em alta resolução.
A diferença se origina no legado da Apple em desktop publishing e design gráfico. A melhor coisa do sistema da Apple é que você pode criar uma página de texto para imprimir e ver na tela uma aproximação fiel do produto final. Isso é especialmente importante ao considerar o quão escuro parece ser um bloco de texto. O mecanismo da Microsoft de encaixar as letras nos pixels significa que ele não se importa de usar linhas mais finas para eliminar letras borradas, mesmo fazendo o parágrafo parecer mais claro do que seria no papel.
A vantagem do método da Microsoft é que funciona melhor para ler na tela. Ela decidiu pragmaticamente que o desenho do tipo não é sagrado e que um texto nítido na tela é mais importante do que o conceito do tipógrafo de quão claro ou escuro um bloco de texto deve ser. De fato, a Microsoft criou fontes específicas para leitura na tela, como Georgia e Verdana, estruturadas em torno das dimensões dos pixels. São bonitas na tela, mas têm pouca personalidade no papel.
Tipicamente, a Apple escolheu o caminho estiloso, colocando a arte acima da praticalidade, já que Steve Jobs tem bom gosto; a Microsoft escolheu o caminho confortável, um método mensuravelmente pragmático e sem nenhum pingo de charme.
Agora, vamos à questão do que as pessoas preferem... Usuários de Mac em geral preferem o sistema da Apple, enquanto usuários do Windows preferem o sistema da Microsoft. Isso não é simples atitude de fã: reflete o fato natural de que as pessoas não-treinadas num estilo ou design tendem a escolher aquilo que lhes é mais familiar, estranhando aquilo que não é.
É por isso que os engenheiros da Apple provavelmente se sentem como se prestassem um enorme favor à comunidade Windows, trazendo aos "infiéis" a sua tecnologia de fontes "superior"; e também explica porque muitos usuários do Windows acham o render de fontes do Safari esquisito e acabam não gostando dele.
Agora que existe o Safari para Windows, utilizando os algoritmos de render de fontes da Apple, você pode comparar as filosofias lado a lado no mesmo monitor. As fontes da Apple aparecem menos nítidas, com alguns contornos borrados, mas nos corpos pequenos os caracteres preservam melhor a variedade dos tipos, porque respeitam a forma que teriam ao serem impressos em alta resolução.
A diferença se origina no legado da Apple em desktop publishing e design gráfico. A melhor coisa do sistema da Apple é que você pode criar uma página de texto para imprimir e ver na tela uma aproximação fiel do produto final. Isso é especialmente importante ao considerar o quão escuro parece ser um bloco de texto. O mecanismo da Microsoft de encaixar as letras nos pixels significa que ele não se importa de usar linhas mais finas para eliminar letras borradas, mesmo fazendo o parágrafo parecer mais claro do que seria no papel.
A vantagem do método da Microsoft é que funciona melhor para ler na tela. Ela decidiu pragmaticamente que o desenho do tipo não é sagrado e que um texto nítido na tela é mais importante do que o conceito do tipógrafo de quão claro ou escuro um bloco de texto deve ser. De fato, a Microsoft criou fontes específicas para leitura na tela, como Georgia e Verdana, estruturadas em torno das dimensões dos pixels. São bonitas na tela, mas têm pouca personalidade no papel.
Tipicamente, a Apple escolheu o caminho estiloso, colocando a arte acima da praticalidade, já que Steve Jobs tem bom gosto; a Microsoft escolheu o caminho confortável, um método mensuravelmente pragmático e sem nenhum pingo de charme.
Agora, vamos à questão do que as pessoas preferem... Usuários de Mac em geral preferem o sistema da Apple, enquanto usuários do Windows preferem o sistema da Microsoft. Isso não é simples atitude de fã: reflete o fato natural de que as pessoas não-treinadas num estilo ou design tendem a escolher aquilo que lhes é mais familiar, estranhando aquilo que não é.
É por isso que os engenheiros da Apple provavelmente se sentem como se prestassem um enorme favor à comunidade Windows, trazendo aos "infiéis" a sua tecnologia de fontes "superior"; e também explica porque muitos usuários do Windows acham o render de fontes do Safari esquisito e acabam não gostando dele.
Nessa história contada pelo Spolsky, há alguns reparos a fazer.
Primeiramente, houve, sim, um momento em que Apple e Microsoft concordaram na tipografia. Foi em 1991, quando se aliaram para criar em parceria o sistema de fontes TrueType, que seria a alternativa ao PostScript da Adobe. Windows e Mac OS clássico compartilharam o sistema por longos anos.
Hoje em dia, é a Adobe que concorda com a Apple nas fontes, e pelo melhor motivo possível. O método de render tipográfico da Apple foi originalmente inventado pela Adobe e licenciado para uso no Mac OS X. A versão da Adobe, chamada CoolType, é usada no Acrobat e também em todos os programas CS, tanto no Mac como no PC.
Em seu post, Rainer estende a análise, observando que o rendering de fontes da Apple é mais adequado para a tela do iPhone, devido à flexibilidade no zoom e à independência das letras em relação aos pixels físicos da tela.
Quando se fala em render de fontes do Windows, pensa-se naquilo que o sistema chama de "padrão", pois é com esse nome que o TrueType aparece nas opções de "Efeitos" do painel de controle de Aparência. Mas agora existe um outro render, mais moderno, chamado ClearType. Ele foi desenvolvido para telas planas em geral e incorpora a tecnologia de render de subpixel, truque para arrancar uma nitidez extra do LCD nos contornos das letras (e que, aliás, os sistemas da Apple e Adobe também possuem).
O ClearType produz tipos na tela com sofisticação comparável à do sistema da Apple - a Microsoft até afirma veementemente que os resultados são superiores. Mas há uma pegadinha: a fonte deve ter sido previamente otimizada para o ClearType. Caso contrário, ela usa o render padrão e não apresenta vantagem visual nenhuma.
Em contraste com isso, qualquer sistema de fonte no Mac OS X - TrueType, OpenType, PostScript, arquivo de Mac ou de PC - é desenhado na tela da mesma maneira, com a mesma qualidade elevada, sem distinção.
A minha opinião de tipógrafo é claramente a favor do sistema da Apple.
Não é que o método do Windows seja ruim; de fato, produz legibilidade melhor em telas de resolução baixa - ainda que a qualidade visual dependa bastante da fonte escolhida, pois a maioria delas na tela fica com uma aparência mecânica e dura.
Por outro lado, no design gráfico é incomparavelmente mais vantajoso que não se deturpe o caráter formal das fontes quando visualizadas em corpos diversos.
Estou usando o Mac OS X ininterruptamente desde o beta público, há seis longos anos, e um dos meus recursos favoritos nele sempre foi o realismo tipográfico. No Mac OS X, não há nenhuma diferença de sofisticação visual entre um layout executado no InDesign, uma página da Web e um humilde processador de texto.
Essa consistência total e garantida no Mac me nutriu tal hábito que, ao usar um computador com Windows, meu impulso é aproximá-lo do Mac: ligar o ClearType, instalar as novas fontes do Vista para usar nos menus e colocar a tela numa resolução bem alta, a fim de libertar um pouco os pobres textos das deformações.
A nitidez das fontes na tela, que é a única crítica real feita ao sistema da Apple, é uma questão cada vez menor. Para dar uma idéia, o padrão originalmente estabelecido para o DTP no Mac com o Adobe PostScript era de 72 pixels por polegada (ppi), e o padrão adotado no Windows com a tecnologia TrueType era de 96 ppi. Nessas resoluções, ainda é fácil enxergar os pixels individuais na tela. Atualmente, a maioria das telas, inclusive dos LCDs para uso doméstico e até das telinhas de celulares, têm resoluções que excedem facilmente os 100 ppi, chegando freqüentemente aos 120, 150 e até 180 ppi. Os pixels ficam imperceptíveis em fotografias, e tendem a sumir em textos também.
Antecipando-se a esse refinamento físico das telas, a Apple lançou o Mac OS X com fontes e elementos de interface em tamanhos fixos bastante grandes, que parecem até grotescos num monitor comum daquele tempo, a 800x600 pixels. A escala visual do Mac OS X só parece natural lá pelos 1024x768 numa tela de 15", ou 1152x864 numa de 17".
O Windows traz um meio de determinar com exatidão a resolução da tela, reajustando os tamanhos de fontes, menus e botões do sistema de acordo com a medição feita. Mas essa opção fica escondida nas configurações avançadas do monitor. Pouca gente sequer ouviu falar. Como resultado, o mundo está cheio de usuários de PC que usam as fontes de menus e ícones em tamanhos default ridiculamente pequenos para os monitores atuais, causando desnecessária canseira na vista (sem trocadilho). E mesmo que se faça o ajuste correto, as paletas de programas populares como os da Adobe não acompanham o ajuste.
No lado Mac há a expectativa de que o sistema fique totalmente "independente de resolução", permitindo ao usuário ajustar livremente a escala do conteúdo ao espaço na tela. A base tecnológica para isso já está presente no Mac OS X, mas a implantação depende de uma mudança geral na forma de criar as interfaces dos aplicativos.
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2007-06-12
Psicose macmaníaca-depressiva
Estes dias andei correndo com novos projetos e o blog sofreu com isso. E no campo tecnológico, houve duas novidades bem interessantes. Uma delas todo mundo viu: foi a histórica participação conjunta de Steve Jobs e Bill Gates num evento organizado pelo Wall Street Journal. E não é que pessoalmente eles se dão bem, afinal?
A segunda novidade foi a abertura da WWDC ontem, na qual Steve Jobs mostrou alguns recursos do Mac OS X Leopard. Esse evento foi notável pela reação de contrariedade, decepção e por vezes, até fúria explícita, vinda de fãs mais ávidos que esperavam algum milagre e não acharam nada fora do ordinário. A apresentação, de fato, acabou sendo uma demonstração de coisas como as novas visualizações de arquivos - recursos que faziam falta no sistema e muita gente já apostava que seriam implementados agora. Mas Jobs quase não falou dos aspectos técnicos do futuro sistema, nem das atualizações dos aplicativos da Apple; preferiu ficar no "eye candy". Pessoalmente, achei que algumas dessas coisas vão melhorar bastante minha relação com o computador. Ao mesmo tempo, me impressionou a gritaria dos que não concordam, incluindo usuários calejados que talvez estejam gastando tempo demais divagando nas interfaces dos softwares em vez de usando-os. A reclamação se resume a dois exageros simples: "sem novidade nenhuma" e "tudo já disponível como software de terceiros".
Aqui se aplica a expressão propagada pelo veterano companheiro Tony de Marco na época dos Macs movidos a lenha: "psicose macmaníaca-depressiva". É a alternância de euforia e mau-humor relacionada às novidades da Apple. Dependendo do conteúdo da apresentação de Steve Jobs, a pessoa passa do primeiro estado para o segundo ou do segundo para o primeiro, de acordo com seu grau de expectativa.
O típico macmaníaco-depressivo não é acionista da Apple e nem pode se apresentar como consumidor legítimo, pois (sejamos francos) se abastece primariamente de softwares pirateados. Mas esse sujeito ainda desenvolve a atitude arrogante que era padrão nos tempos elitistas de outrora. Exige que Steve Jobs apresente, a cada nova aparição pública, o equivalente informático da cura do câncer. Qualquer coisa menos do que a perfeição absoluta é recebida com revolta.
Quando rolou a polêmica sobre a matéria "10 coisas que odiamos na Apple" da PC World, um leitor inteligente apontou que o editor causador da crise era egresso da Macworld, uma publicação especialista que, na opinião do leitor, faz mais mal do que bem à plataforma Mac, devido à postura exageradamente crítica, pondo a Apple para baixo em vez de apoiar.
Mas então, dá para ser crítico "demais"? Sim, quando se é tão admirador da tecnologia que as expectativas pessoais sobre ela não são mais as expectativas de um usuário, mas de um fã. Ou seja, expectativas emocionais e não racionais.
Uma coisa meio assim, digamos, tipo, Mark Chapman.
A segunda novidade foi a abertura da WWDC ontem, na qual Steve Jobs mostrou alguns recursos do Mac OS X Leopard. Esse evento foi notável pela reação de contrariedade, decepção e por vezes, até fúria explícita, vinda de fãs mais ávidos que esperavam algum milagre e não acharam nada fora do ordinário. A apresentação, de fato, acabou sendo uma demonstração de coisas como as novas visualizações de arquivos - recursos que faziam falta no sistema e muita gente já apostava que seriam implementados agora. Mas Jobs quase não falou dos aspectos técnicos do futuro sistema, nem das atualizações dos aplicativos da Apple; preferiu ficar no "eye candy". Pessoalmente, achei que algumas dessas coisas vão melhorar bastante minha relação com o computador. Ao mesmo tempo, me impressionou a gritaria dos que não concordam, incluindo usuários calejados que talvez estejam gastando tempo demais divagando nas interfaces dos softwares em vez de usando-os. A reclamação se resume a dois exageros simples: "sem novidade nenhuma" e "tudo já disponível como software de terceiros".
Aqui se aplica a expressão propagada pelo veterano companheiro Tony de Marco na época dos Macs movidos a lenha: "psicose macmaníaca-depressiva". É a alternância de euforia e mau-humor relacionada às novidades da Apple. Dependendo do conteúdo da apresentação de Steve Jobs, a pessoa passa do primeiro estado para o segundo ou do segundo para o primeiro, de acordo com seu grau de expectativa.
O típico macmaníaco-depressivo não é acionista da Apple e nem pode se apresentar como consumidor legítimo, pois (sejamos francos) se abastece primariamente de softwares pirateados. Mas esse sujeito ainda desenvolve a atitude arrogante que era padrão nos tempos elitistas de outrora. Exige que Steve Jobs apresente, a cada nova aparição pública, o equivalente informático da cura do câncer. Qualquer coisa menos do que a perfeição absoluta é recebida com revolta.
Quando rolou a polêmica sobre a matéria "10 coisas que odiamos na Apple" da PC World, um leitor inteligente apontou que o editor causador da crise era egresso da Macworld, uma publicação especialista que, na opinião do leitor, faz mais mal do que bem à plataforma Mac, devido à postura exageradamente crítica, pondo a Apple para baixo em vez de apoiar.
Mas então, dá para ser crítico "demais"? Sim, quando se é tão admirador da tecnologia que as expectativas pessoais sobre ela não são mais as expectativas de um usuário, mas de um fã. Ou seja, expectativas emocionais e não racionais.
Uma coisa meio assim, digamos, tipo, Mark Chapman.
Update - Em tempo: NÃO baixe o beta público do Safari para Windows. Está completamente inusável de tantos bugs.
Mais um update sobre o Safari - é um texto que coloquei como comentário em alguns blogs de tecnologia.
"A Apple se precipitou e errou feio como eu não via há anos. O maior erro foi lançar um beta praticamente inusável como beta público, e não com um nome do tipo Limited Preview, Public Alpha ou qualquer outra coisa que soasse menos ambiciosa e menos final.
Também não esclareceram que o motivo do lançamento não é competir com os outros browsers de inicio, mas facilitar a vida dos desenvolvedores de aplicativos para o iPhone, que rodarão tudo dentro do Safari. Com o Safari no PC, o desenvolvedor não precisa ter um Mac para fazer os testes.
Mas antes de se decepcionar com o Safari, experimente ele no Mac, onde obviamente funciona muito bem, e espere mais uns três releases com as correções nos bugs."
Mais um update sobre o Safari - é um texto que coloquei como comentário em alguns blogs de tecnologia.
"A Apple se precipitou e errou feio como eu não via há anos. O maior erro foi lançar um beta praticamente inusável como beta público, e não com um nome do tipo Limited Preview, Public Alpha ou qualquer outra coisa que soasse menos ambiciosa e menos final.
Também não esclareceram que o motivo do lançamento não é competir com os outros browsers de inicio, mas facilitar a vida dos desenvolvedores de aplicativos para o iPhone, que rodarão tudo dentro do Safari. Com o Safari no PC, o desenvolvedor não precisa ter um Mac para fazer os testes.
Mas antes de se decepcionar com o Safari, experimente ele no Mac, onde obviamente funciona muito bem, e espere mais uns três releases com as correções nos bugs."
2007-06-03
SMiLE
O pessoal fala muito do aniversário de 40 anos de "Sgt. Pepper's", o disco revolucionário dos Beatles que fez isso e aquilo para a história da música. Enquanto isso, já faz mais de ano e meio que eu tentava e não conseguia concluir um texto sobre "Smile", a lendária obra-prima de Brian Wilson dos Beach Boys, que seria o equivalente americano de "Sgt. Pepper's".
A maior razão da dificuldade de escrever é a complexidade do assunto. História, impressões pessoais ou resenha? Tentei umas seis redações diferentes; a cada nova tentativa, não olhei para as anteriores. Esta mesma ainda considero provisória e vou revisar a qualquer momento.
A segunda razão da dificuldade de escrever é que Brian me produz uma ressonância emocional pessoal. A história dele reúne extremos de sucesso e dificuldade, abusos e confortos, pressões e alívios, equilíbrio e desvario; combina um poder criativo fantástico com uma perigosa insegurança; viveu mais de duas décadas perdido na esquizofrenia, drogas e depressão, e retornou triunfalmente, não apenas amarrando as pontas soltas de sua carreira prévia, mas também voltando a trabalhar regularmente para criar coisas belas. Todo novo dia é uma luta para ele viver normalmente e não recair nos braços de seus demônios interiores; todo dia é uma superação e uma vitória. Brian disse, certa vez: "Todo dia eu sento ao piano, tentando sair dele com uma canção nova". Mas também disse: "Tenho tanto medo do fracasso que me obrigo ao sucesso." São temas importantes para quem quer viver criativamente. E também para quem tem uma relação não tão fácil com a própria cabeça.
Agora senta que lá vem história.
Brian Wilson ficava compondo músicas em casa e no estúdio, enquanto os demais Beach Boys saíam em turnê. Assim, ele não tinha de lidar com sua timidez no palco e podia se dedicar totalmente à composição. A sua evolução musical foi tão rápida que pode ser notada de uma composição nova para a seguinte. A crítica não parava de encher o rapaz de elogios por conta de seus seguidos e freqüentes triunfos musicais e comerciais. Os Beach Boys eram a resposta americana à invasão inglesa...
Quando, porém, no final de 1966, os Beach Boys se reuniram para ouvir o que Brian tinha composto para o próximo álbum, "Smile", levaram um susto.
A rejeição do projeto por alguns membros da banda tinha a ver com a ruptura estética que se anunciava. O conceito de "Smile" distanciava-se muito do som estabelecido dos Beach Boys, que já tinha sofrido uma mutação em "Pet Sounds" . (Hoje muita gente considera "Pet Sounds" uma obra de arte fundamental, mas em sua época o disco não vendeu bem nem entusiasmou muito os fãs.) O single "Good Vibrations", que saiu logo após "Pet Sounds", é predecessor direto de "Smile" com a sua técnica de composição por colagem sonora, e foi o maior sucesso comercial da história da banda. Mas os outros rapazes não botaram fé em um disco inteiro feito dessa maneira. Achavam as músicas impalatáveis devido à temática remota, à fragmentação das melodias, à sonoridade ds arranjos e às letras viajantes de Van Dyke Parks. Resumindo tudo, tiveram medo do fracasso comercial. Isso numa época de grande experimentação na música popular...
Brian competia criativamente com os Beatles; a amizade com Paul McCartney vem daquela época. Por ser então o único compositor da banda, Brian carregava uma responsabilidade absurda. Imagine o cara sozinho fazendo um trabalho de composição, arranjo e produção equivalente aos quatro Beatles mais Sir George Martin. Mais ainda, Brian era perfeccionista, experimentava idéias o tempo todo e não respeitava limites para nada. Em particular, "Pet Sounds" causou uma profunda impressão nos Beatles - especialmente em Paul, que tem em "God Only Knows" sua música favorita de todos os tempos. Por sua vez, Brian diz que "Pet Sounds" foi uma tentativa de responder a "Rubber Soul", e Paul diz que "Revolver" foi uma resposta a "Pet Sounds". Pareceria lógico pensar em "Smile" como a resposta a "Sgt. Pepper's". Mas Brian ficou desolado ao saber que "Sgt. Pepper's" fora lançado primeiro. Não importava que a competição das bandas fosse apenas uma fantasia que só existia na cabeça de Brian. Para ele, não terminar "Smile" antes de "Sgt. Pepper's" foi uma derrota, à qual somou-se a pressão da gravadora por novos hits, a má vontade da banda, a dificuldade técnica de terminar as gravações e - acima de tudo - o pavor crescente de rejeição de Brian, o terror de ver a sua obra-prima incompreendida pelo público.
Então, Brian não agüentou mais e cancelou abruptamente o projeto "Smile", com uns 85% do material sonoro finalizado e as capas dos LPs já impressas.
As fitas com as sessões originais foram engavetadas. Meses depois, a banda lançou no lugar de "Smile" um outro LP, chamado "Smiley Smile", contendo regravações simplificadas de algumas faixas de "Smile" e outras músicas muito esquisitas, de autoria dos outros membros da banda. Brian, esgotado pelo esforço e abatido pelo fracasso em concluí-lo, já vinha abandonando o dia-a-dia com a banda, mergulhado numa depressão profunda pontuada por isolamento social crescente, comilanças e drogas. Da qual só emergiu 20 anos depois, à base de psicoterapia radical e remédios tarja preta. O cancelamento de "Smile" foi o trauma decisivo da vida do músico, a ponto de ele recusar-se a falar dele ou tocar alguma das suas composições até recentemente, quando finalmente venceu a fobia de palco e voltou a fazer shows com uma banda própria.
Em 2004, após uma extensa saga de recuperação psicológica, e encorajado pela segunda esposa, Brian enfrentou os seus fantasmas interiores e venceu o desafio. Empregou sua nova banda para apresentar "Smile" completo num show ao vivo em Londres. A seguir, gravou e lançou o álbum, para euforia e aclamação da crítica musical. Para esse lançamento definitivo, o material que já estava concluído em 1967 foi analisado e recriado praticamente sem alteração, e o co-autor Van Dyke Parks completou as poucas letras que faltavam. Na maioria das músicas, a única diferença para o "Smile" de 1967 é a voz severamente envelhecida de Brian.
A maior parte de "Smile" já tinha saído como faixas picadas em três discos dos Beach Boys entre 1967 e 1970. O último desses LPs até chama-se "Surf's Up" e traz a canção de mesmo nome, que é (na minha opinião) a melhor parte de "Smile". Isso dá a entender que a banda não detestava tanto assim as canções e ficou mais corajosa na experimentação. Além disso, as sessões de gravação originais emergiram na forma de bootlegs. Assim, o conteúdo de "Smile" não era nenhum mistério: já sabíamos bastante sobre como ele deveria soar completo. Mas somente ao ouvir o álbum definitivo, e na seqüência de faixas correta, percebemos a integração entre as canções, que citam umas às outras em alusões ora disfarçadas, ora diretas, ora reconhecíveis somente por um ouvido musicalmente bem treinado. A concepção geral está mais para uma sinfonia clássica, ou um álbum conceitual (idéia ainda desconhecida na época), dividido em três temas: 1) a colonização dos Estados Unidos e a história da cultura popular americana; 2) a pureza da infância contrastada com a melancolia da idade adulta; 3) os quatro elementos - terra, ar, fogo, água. O álbum conclui com uma nova versão de "Good Vibrations", que originalmente não deveria fazer parte de "Smile", mas é bem-vinda por ser o sucesso máximo dos Beach Boys e um resumo do espírito do álbum.
"Smile" tem realmente o problema que a banda temia, que é a possibilidade de não ser bem entendido. Embora esteja repleto das harmonias vocais e melodias que consagraram os Beach Boys e o trabalho solo de Brian, há pouco em comum com o estilo pop mais conhecido da banda. Isso pode levar alguns ouvintes à frustração. Além disso, várias das faixas são brevíssimas citações ou paródias de canções populares perdidas no passado remoto. Se algumas dessas referências já eram obscuras há 40 anos, imagine para a geração atual. Fora essas referências explícitas, há sutilezas que passam completamente batidas. Quantos ouvintes nascidos depois de 1967 (ou mesmo 1977 ou 1987) são capazes de perceber que a "seqüência da cantina" em "Heroes & Villains" é uma alusão à melodia final de "Rhapsody in Blue", de Gershwin? Ou que o começo de "Surf's Up" compartilha a estrutura do começo de "Vega-Tables", como se representasem a versão "triste" e "alegre" de uma mesma canção arquetípica? Esses detalhes que enriquecem a obra se perdem numa audição mais superficial. Não dá para perceber através dos fones do iPod na academia de ginástica. É preciso primeiro ouvir a obra como se fazia antigamente - sentado na poltrona da sala, à frente de dois alto-falantes - e é necessário conhecer previamente Gershwin, Doo Wop etc. A única coisa totalmente evidente é que, em vez de apontar para o futuro, a música de "Smile" aponta para o passado; é mais retrô do que psicodélica. O clima de nostalgia e reflexão é reforçado pelo design gráfico do álbum, baseado no estilo vitoriano.
O disco poderia não ser sucesso de vendas em 1967, exatamente como não foi em 2004 - mas teria sido profundamente influente entre os músicos, como foi "Sgt. Pepper's". Hoje acho difícil até que gere influência entre os músicos, porque nos 40 anos seguintes já surgiram muitas aplicações dos conceitos revolucionários de "Smile", como a colagem de sons, o álbum conceito e os arranjos semi-sinfônicos. A música não apenas soa menos original para nossos ouvidos de hoje, como também soa muito à parte do mundo atual, quase uma curiosidade histórica, ambiciosa porém datada. Todos os músicos de rock adoram Brian Wilson, mas tirando os Barenaked Ladies, Belle & Sebastian e R.E.M., quantas bandas bebem diretamente em sua influência? Em contraste, a cada dia surgem novas bandas que pretendem soar como os Beatles de 1967.
Já os Beach Boys saíram de moda logo após o fracasso em lançar "Smile". A banda persistiu na carreira, preenchendo os anos 70 com discos de repercussão menor, sem poder contar com Brian para guiá-los musicalmente. Por um lado o retiro prolongado de Brian foi uma lástima, mas por outro, liberou o gênio criativo dos demais membros - particularmente o irmão Dennis, que anos depois gravaria uma obra-prima solo - "Pacific Ocean Blue" - e morreria de maneira esquisita antes de completar seu segundo álbum. O outro irmão de Brian, Carl, morreu em 1998. Os demais Beach Boys sobreviveram fazendo shows em feiras e eventos, tocando seus hits de quatro décadas atrás, meras sombras do que foram no passado. Qual foi a reação deles quando Brian lançou "Smile" em seu próprio nome? Mike Love abriu processo contra Brian. Incrível.
Em tempo: meu álbum favorito dos Beatles não é "Sgt. Peppers", é "Abbey Road".
A maior razão da dificuldade de escrever é a complexidade do assunto. História, impressões pessoais ou resenha? Tentei umas seis redações diferentes; a cada nova tentativa, não olhei para as anteriores. Esta mesma ainda considero provisória e vou revisar a qualquer momento.
A segunda razão da dificuldade de escrever é que Brian me produz uma ressonância emocional pessoal. A história dele reúne extremos de sucesso e dificuldade, abusos e confortos, pressões e alívios, equilíbrio e desvario; combina um poder criativo fantástico com uma perigosa insegurança; viveu mais de duas décadas perdido na esquizofrenia, drogas e depressão, e retornou triunfalmente, não apenas amarrando as pontas soltas de sua carreira prévia, mas também voltando a trabalhar regularmente para criar coisas belas. Todo novo dia é uma luta para ele viver normalmente e não recair nos braços de seus demônios interiores; todo dia é uma superação e uma vitória. Brian disse, certa vez: "Todo dia eu sento ao piano, tentando sair dele com uma canção nova". Mas também disse: "Tenho tanto medo do fracasso que me obrigo ao sucesso." São temas importantes para quem quer viver criativamente. E também para quem tem uma relação não tão fácil com a própria cabeça.
Agora senta que lá vem história.
Brian Wilson ficava compondo músicas em casa e no estúdio, enquanto os demais Beach Boys saíam em turnê. Assim, ele não tinha de lidar com sua timidez no palco e podia se dedicar totalmente à composição. A sua evolução musical foi tão rápida que pode ser notada de uma composição nova para a seguinte. A crítica não parava de encher o rapaz de elogios por conta de seus seguidos e freqüentes triunfos musicais e comerciais. Os Beach Boys eram a resposta americana à invasão inglesa...
Quando, porém, no final de 1966, os Beach Boys se reuniram para ouvir o que Brian tinha composto para o próximo álbum, "Smile", levaram um susto.
A rejeição do projeto por alguns membros da banda tinha a ver com a ruptura estética que se anunciava. O conceito de "Smile" distanciava-se muito do som estabelecido dos Beach Boys, que já tinha sofrido uma mutação em "Pet Sounds" . (Hoje muita gente considera "Pet Sounds" uma obra de arte fundamental, mas em sua época o disco não vendeu bem nem entusiasmou muito os fãs.) O single "Good Vibrations", que saiu logo após "Pet Sounds", é predecessor direto de "Smile" com a sua técnica de composição por colagem sonora, e foi o maior sucesso comercial da história da banda. Mas os outros rapazes não botaram fé em um disco inteiro feito dessa maneira. Achavam as músicas impalatáveis devido à temática remota, à fragmentação das melodias, à sonoridade ds arranjos e às letras viajantes de Van Dyke Parks. Resumindo tudo, tiveram medo do fracasso comercial. Isso numa época de grande experimentação na música popular...
Brian competia criativamente com os Beatles; a amizade com Paul McCartney vem daquela época. Por ser então o único compositor da banda, Brian carregava uma responsabilidade absurda. Imagine o cara sozinho fazendo um trabalho de composição, arranjo e produção equivalente aos quatro Beatles mais Sir George Martin. Mais ainda, Brian era perfeccionista, experimentava idéias o tempo todo e não respeitava limites para nada. Em particular, "Pet Sounds" causou uma profunda impressão nos Beatles - especialmente em Paul, que tem em "God Only Knows" sua música favorita de todos os tempos. Por sua vez, Brian diz que "Pet Sounds" foi uma tentativa de responder a "Rubber Soul", e Paul diz que "Revolver" foi uma resposta a "Pet Sounds". Pareceria lógico pensar em "Smile" como a resposta a "Sgt. Pepper's". Mas Brian ficou desolado ao saber que "Sgt. Pepper's" fora lançado primeiro. Não importava que a competição das bandas fosse apenas uma fantasia que só existia na cabeça de Brian. Para ele, não terminar "Smile" antes de "Sgt. Pepper's" foi uma derrota, à qual somou-se a pressão da gravadora por novos hits, a má vontade da banda, a dificuldade técnica de terminar as gravações e - acima de tudo - o pavor crescente de rejeição de Brian, o terror de ver a sua obra-prima incompreendida pelo público.
Então, Brian não agüentou mais e cancelou abruptamente o projeto "Smile", com uns 85% do material sonoro finalizado e as capas dos LPs já impressas.
As fitas com as sessões originais foram engavetadas. Meses depois, a banda lançou no lugar de "Smile" um outro LP, chamado "Smiley Smile", contendo regravações simplificadas de algumas faixas de "Smile" e outras músicas muito esquisitas, de autoria dos outros membros da banda. Brian, esgotado pelo esforço e abatido pelo fracasso em concluí-lo, já vinha abandonando o dia-a-dia com a banda, mergulhado numa depressão profunda pontuada por isolamento social crescente, comilanças e drogas. Da qual só emergiu 20 anos depois, à base de psicoterapia radical e remédios tarja preta. O cancelamento de "Smile" foi o trauma decisivo da vida do músico, a ponto de ele recusar-se a falar dele ou tocar alguma das suas composições até recentemente, quando finalmente venceu a fobia de palco e voltou a fazer shows com uma banda própria.
Em 2004, após uma extensa saga de recuperação psicológica, e encorajado pela segunda esposa, Brian enfrentou os seus fantasmas interiores e venceu o desafio. Empregou sua nova banda para apresentar "Smile" completo num show ao vivo em Londres. A seguir, gravou e lançou o álbum, para euforia e aclamação da crítica musical. Para esse lançamento definitivo, o material que já estava concluído em 1967 foi analisado e recriado praticamente sem alteração, e o co-autor Van Dyke Parks completou as poucas letras que faltavam. Na maioria das músicas, a única diferença para o "Smile" de 1967 é a voz severamente envelhecida de Brian.
A maior parte de "Smile" já tinha saído como faixas picadas em três discos dos Beach Boys entre 1967 e 1970. O último desses LPs até chama-se "Surf's Up" e traz a canção de mesmo nome, que é (na minha opinião) a melhor parte de "Smile". Isso dá a entender que a banda não detestava tanto assim as canções e ficou mais corajosa na experimentação. Além disso, as sessões de gravação originais emergiram na forma de bootlegs. Assim, o conteúdo de "Smile" não era nenhum mistério: já sabíamos bastante sobre como ele deveria soar completo. Mas somente ao ouvir o álbum definitivo, e na seqüência de faixas correta, percebemos a integração entre as canções, que citam umas às outras em alusões ora disfarçadas, ora diretas, ora reconhecíveis somente por um ouvido musicalmente bem treinado. A concepção geral está mais para uma sinfonia clássica, ou um álbum conceitual (idéia ainda desconhecida na época), dividido em três temas: 1) a colonização dos Estados Unidos e a história da cultura popular americana; 2) a pureza da infância contrastada com a melancolia da idade adulta; 3) os quatro elementos - terra, ar, fogo, água. O álbum conclui com uma nova versão de "Good Vibrations", que originalmente não deveria fazer parte de "Smile", mas é bem-vinda por ser o sucesso máximo dos Beach Boys e um resumo do espírito do álbum.
"Smile" tem realmente o problema que a banda temia, que é a possibilidade de não ser bem entendido. Embora esteja repleto das harmonias vocais e melodias que consagraram os Beach Boys e o trabalho solo de Brian, há pouco em comum com o estilo pop mais conhecido da banda. Isso pode levar alguns ouvintes à frustração. Além disso, várias das faixas são brevíssimas citações ou paródias de canções populares perdidas no passado remoto. Se algumas dessas referências já eram obscuras há 40 anos, imagine para a geração atual. Fora essas referências explícitas, há sutilezas que passam completamente batidas. Quantos ouvintes nascidos depois de 1967 (ou mesmo 1977 ou 1987) são capazes de perceber que a "seqüência da cantina" em "Heroes & Villains" é uma alusão à melodia final de "Rhapsody in Blue", de Gershwin? Ou que o começo de "Surf's Up" compartilha a estrutura do começo de "Vega-Tables", como se representasem a versão "triste" e "alegre" de uma mesma canção arquetípica? Esses detalhes que enriquecem a obra se perdem numa audição mais superficial. Não dá para perceber através dos fones do iPod na academia de ginástica. É preciso primeiro ouvir a obra como se fazia antigamente - sentado na poltrona da sala, à frente de dois alto-falantes - e é necessário conhecer previamente Gershwin, Doo Wop etc. A única coisa totalmente evidente é que, em vez de apontar para o futuro, a música de "Smile" aponta para o passado; é mais retrô do que psicodélica. O clima de nostalgia e reflexão é reforçado pelo design gráfico do álbum, baseado no estilo vitoriano.
O disco poderia não ser sucesso de vendas em 1967, exatamente como não foi em 2004 - mas teria sido profundamente influente entre os músicos, como foi "Sgt. Pepper's". Hoje acho difícil até que gere influência entre os músicos, porque nos 40 anos seguintes já surgiram muitas aplicações dos conceitos revolucionários de "Smile", como a colagem de sons, o álbum conceito e os arranjos semi-sinfônicos. A música não apenas soa menos original para nossos ouvidos de hoje, como também soa muito à parte do mundo atual, quase uma curiosidade histórica, ambiciosa porém datada. Todos os músicos de rock adoram Brian Wilson, mas tirando os Barenaked Ladies, Belle & Sebastian e R.E.M., quantas bandas bebem diretamente em sua influência? Em contraste, a cada dia surgem novas bandas que pretendem soar como os Beatles de 1967.
Já os Beach Boys saíram de moda logo após o fracasso em lançar "Smile". A banda persistiu na carreira, preenchendo os anos 70 com discos de repercussão menor, sem poder contar com Brian para guiá-los musicalmente. Por um lado o retiro prolongado de Brian foi uma lástima, mas por outro, liberou o gênio criativo dos demais membros - particularmente o irmão Dennis, que anos depois gravaria uma obra-prima solo - "Pacific Ocean Blue" - e morreria de maneira esquisita antes de completar seu segundo álbum. O outro irmão de Brian, Carl, morreu em 1998. Os demais Beach Boys sobreviveram fazendo shows em feiras e eventos, tocando seus hits de quatro décadas atrás, meras sombras do que foram no passado. Qual foi a reação deles quando Brian lançou "Smile" em seu próprio nome? Mike Love abriu processo contra Brian. Incrível.
Em tempo: meu álbum favorito dos Beatles não é "Sgt. Peppers", é "Abbey Road".
Update - Pode-se somar à lista de artistas influenciados por Brian Wilson mais um. É a banda americana The Polyphonic Spree.
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