2007-05-30

Multitoque é o futuro. Mesmo

Lembra quando aqui mesmo saiu um post sobre um experimento acadêmico de interface de multitoque para computadores? Uma coisa assim, tipo, Minority Report. Mas muito mais legal, sem necessidade de luvas especiais (nem de ser o Tom Cruise).

Há alguns meses esse experimento deu origem a uma empresa comercial, a Perceptive Pixel. Praticamente ao mesmo tempo, a Apple demonstrou as capacidades multitoque do iPhone, que está na bica para ser lançado e dar um chapéu na indústria de celulares como a conhecemos hoje.

Pois então, é neste momento significativo que nada menos que a Microsoft anuncia um produto multitoque para roubar um pouco do brilho dos demais: o Surface.
Vale a pena ver a apresentação, é uma lindeza. O que ela mostra é um PC com formato de mesa, dotado de uma interface completamente visual, sem menus nem botões (e, suponho, sem os alertas de segurança do Vista), capaz de ser usada por várias pessoas ao mesmo tempo. O espantoso é que ele apresenta os mesmos recursos multitoque do iPhone - incluindo o famoso gesto de zoom com as pontas dos dedos - e ainda inclui a interação direta com uma série de objetos, eletrônicos ou não, colocados sobre o tampo-display.
A Microsoft afirma que clientes comerciais já disporão do Surface em novembro. Então não é só um vapor para irritar a Apple? Impressionante. Mesmo.
A primeira coisa que você começa a querer saber é se haverá choque de propriedade intelectual com as implementações das mesmas idéias pelas duas outras empresas. Aparentemente, não. A MSFT diz que a idéia estava sendo desenvolvida em segredo nos seus laboratórios desde 2001, e que em 2003 o Tio Bill viu um protótipo funcionando.
Conforme você analisa os detalhes técnicos, vê que o Surface não tem nenhum grande mistério tecnológico; seu hardware poderia ter sido construído em casa por um hacker com boas habilidades mecânicas. O Surface é baseado num PC comum com Windows Vista. Sensoreia os dedos dos usuários usando câmeras e a imagem no tampo da mesa é produzida por um projetor; ambos os métodos são mais primitivos que os correspondentes da mesa da Perceptive Pixel. Os objetos que interagem com o Surface precisam ser dotados de um adesivo com um código de barras invisível, e no caso de celulares e laptops, devem ter software adequado para sincronização de dados sem fio. Senão, nada feito com eles. Assim, o mérito maior do Surface é ser um conceito bem apresentado, com aplicações de software razoavelmente bem pensados, ao menos nos vídeos de demonstração.

Venha como vier, a interface multitoque vai entrar na nossa vida por múltiplos canais. Via computadores de bolso - porque o iPhone não deixa de ser isso, além de telefone e gadget de mídia. E também via computadores-mesa - que inicialmente só serão vistos em hotéis e cassinos, mas a Lei de Moore promete um desses na nossa sala de estar em, quem sabe, menos tempo do que vai levar para todos nós termos TVs de alta definição suspensas da parede.

2007-05-27

Quer divulgar seu antiviral comigo?

Vou seguir o exemplo dos blogs que estão faturando um dinheiro limpo com "colocação de memes" em seus posts. Passo a oferecer o serviço de "merchanblogging". Mas de uma maneira invertida. Quer sujar o concorrente? Atrapalhar a estratégia de marketing dele? Espalhar rumores e incertezas? Afetar as cotações da Bolsa? É aqui mesmo! Fácil confecção para o blogueiro, fácil entretenimento e persuasão para o leitor. Mas você ainda leva, mediante um pagamento mais generoso, anti-jabás que extrapolam os limites do blog. Revolucionário: você viu aqui primeiro! Iniciarei com as seguintes taxas básicas - valores promocionais de lançamento!
  • 10 real pra dar o link rapidamente, comentando que é ridículo.
  • 30 para explicar elaboradamente do que se trata e então descer a lenha. Mais R$ 10 para incluir uma foto.
  • 50 para falar mal de uma maneira displicente ou arrogante. Mais R$ 30 para cada repetição maldosa do assunto em posts subseqüentes no período de um mês.
  • 100 para criar uma imagem JPEG de paródia com conotações sexuais de mau gosto e espalhar via email.
  • 300 para meter a boca e ainda assediar moralmente quem vier tentar defender nos comentários.
  • 600 para escrever um texto de sacanagem, assinar como Arnaldo Jabor e espalhar via spam.
  • 1000 para fazer um vídeo destruidor ridicularizando o assunto, colocar no YouTube e fazer buxixo espalhando o link pela minha rede de amigos que trabalham em agências de propaganda.
  • 2500 para iniciar uma campanha contrária no orkut; pagando à vista, ganha direito a spam nos recados dos usuários.
  • 5000 para montar um flash mob de protesto na esquina da Paulista com Augusta às 18h da próxima sexta-feira, com cobertura ao vivo via celular e notificação prévia nos meios de comunicação tradicionais.
  • 2007-05-25

    Clube do G3: eMate, a revolução que não rolou



    Eis o membro mais raro e precioso do acervo do museu do Clube do G3: o Newton eMate 300 (o link leva a uma página com texto escrito na época em que ele estava sendo comercializado). Este exemplar pertenceu ao Sérgio Miranda e foi originalmente de um funcionário da Apple Brasil.

    O eMate foi tema de capa da Macmania número 35, de abril de 1997. Lembro o dia em que fui junto com mais alguém da editora e brinquei no único exemplar dele que existia no Brasil na época, num sofá da recepção do escritório da Apple na Av. República do Líbano (mesmo prédio onde hoje fica a agência F/Nazca S&S). O modelo era o eMate 200, com um teclado em cores diferentes - dois tons de cinza em vez de verdes como no eMate 300.

    Não lembro se havia uma intenção séria de vender o aparelho no Brasil. Isso jamais aconteceu. Mas se ele chegou a valer uma capa de revista, pode ser que sim. O eMate foi criado especificamente para uso por alunos primários em escolas. Não era um produto de consumo como o Newton MessagePad. Precisaria de um cuidado especial para ser introduzido aqui. Os poucos que vieram foram trazidos por entusiastas ou por gente ligada à Apple. O preço de US$ 800 era considerado uma pechincha para um aparelho tão sofisticado.

    Contemplar o eMate dez anos depois é como estar frente a frente com um objeto vindo de uma realidade alternativa, fora do nosso mundo tecnológico e fora do nosso tempo. Não dá para se decidir se é moderno ou retrô, pois suas linhas caprichosas podem ser interpretadas como futuristas e também como Art Nouveau revivido. O design do gabinete é o precursor e também o mais radical de todos os produtos da fase "colorida" da Apple. Algumas idéias visuais se repetem nos PowerBooks pretos, mas o primeiro iMac e o iBook já têm o visual bem mais despojado. Nenhum dos outros produtos se aproxima do detalhismo barroco do eMate. Inteiramente em plástico translúcido texturizado, num verde-esmeralda mais escuro que o do iMac original, nada nele é óbvio: até os botões e luzes têm um formato diferente e inusitado. Fotos do eMate são comumente feitas em contraluz para poder deixar a luz entrar e mostrar os contornos internos intrincados do gabinete. As dimensões do teclado e da alça de carregar integrada são reduzidas, sugerindo o uso por crianças, mas o tamanho total é próximo ao de um notebook comum de 13", devido ao contorno externo reforçado. Quando fechado, a aparência fica entre uma bolsa de couro e uma carapaça de um siri.



    A tela monocromática com backlight verde é maior que a do MessagePad, mas menor que a de um notebook normal. Não existe mouse, já que o aparelho é usado com o stylus direto na tela. O software é uma versão modificada do último Newton OS, com suporte a um "School Dock". Para conectividade, a máquina conta com porta serial, infravermelha e um slot PCMCIA que aceita placas de rede.

    Assim como o Windows Mobile lembra visualmente o Windows que todo mundo conhece, o Palm OS tem similaridades visuais com o Newton OS. Mas a sensação de usar o Newton OS é mais rica. De cara, a tela é bastante grande. Os menus ficam no pé da janela, o botão de fechar é no canto inferior direito - oposto ao do Mac OS - e embora cada programa ocupe a tela inteira por vez, as janelinhas e controles são similares aos de qualquer sistema desktop.

    Várias idéias originais da interface acabaram se espalhando mundo afora. Os aplicativos instalados aparecem numa espécie de gaveta deslizante, conceito similar às janelas-gavetas no pé da tela no Mac OS 8.5. As notificações surgem com uma animaçãozinha simpática de zoom, que agora vemos no Windows Vista. O gesto de apagar um texto ou objeto produz uma animação de fumacinha que foi reaproveitada no Dock do OS X. Finalmente, a bela tipografia Espy Sans foi reciclada nos iPods mini e nano.

    O reconhecimento de escrita não oferece nenhuma dificuldade se você desenhar cada letra sem ligar à seguinte (não-cursiva), mas o teclado tira um pouco o prazer de ver os seus garranchos virarem texto arrumadinho à medida que são traçados. Como curiosidade, o Mac OS X habilita automaticamente o mesmo recurso de escrita (chamado Ink) ao detectar a presença de um tablet. Houve quem tirasse daí a idéia de que isso seria preparação para ressuscitar o Newton na forma de um Tablet Mac. Em lugar disso, vem aí o iPhone...

    A origem fantasticamente tumultuada do Newton é contada aqui. Originalmente, ele seria uma plataforma de computador totalmente à parte, um tipo de Tablet PC com reconhecimento de escrita e outros recursos avançados e inéditos. No meio do desenvolvimento, talvez por receio de concorrência direta com o Macintosh, o Newton foi reduzido a um micro de mão que funcionaria como coadjuvante do Mac. O resultado final não era grande o suficiente para ser chamado de tablet, nem pequeno o suficiente para caber no bolso.

    A morte do Newton foi melancólica e frustrante, pois o eMate e os MessagePads 2000 e 2100 - modelos lançados mais de quatro anos após a estréia do Newton - eram bastante maduros e "debugados", já em condições de começar a retribuir o imenso esforço investido na sua criação. Quem ainda possui um Newton sente a dor de saber que ele traz conceitos e recursos técnicos tão à frente de seu tempo que ainda não chegaram aos micros de mão atuais. Todo o sucesso que o Newton merecia ter tido foi para o Palm, um produto de concepção muito mais modesta, e depois para o Windows Mobile e os celulares modernos em geral.

    Mas o fato real é que a plataforma Newton nunca chegou a render dinheiro para a Apple, após a absurda quantia de US$ 1 bilhão ter sido aplicada em seu desenvolvimento ao longo de dez anos. Em 1997, a companhia estava em sua pior crise, acumulando prejuízos desesperadores. Se não existisse o Newton para sugar dinheiro, quem sabe a situação seria outra. Foi esse o raciocínio de Steve Jobs, que acabara de voltar à companhia, não se demorando em trocar os membros do conselho e cancelar todos os projetos que não achava essenciais. O Newton nem mesmo era cria de Jobs, mas sim do ex-CEO John Sculley, o mesmo cara que pôs Jobs para fora da Apple em 1985. Jobs não teve dó: aboliu o Newton sumariamente em fevereiro de 1998, poucas semanas antes de ser anunciado o salvador iMac.

    2007-05-24

    O presente que a Microsoft me deu

    Aqui vão algumas impressões pessoais sobre o primeiro encontro da Microsoft com blogueiros, que rolou ontem no escritório da empresa numa das torres do WTC em São Paulo. Para descrições mais precisas e factuais do encontro, leia este texto do Fugita e este do Ghedin.

    Em primeiro lugar, é bom esclarecer que a decisão de não nos presentearem com nenhum brinde - exceto um exemplar da nova revista Windows Vista, produzida pela Digerati, e da qual por acaso participo :-) - foi correta, dada a discussão idiota que surgiria nos sites se ganhássemos mimos. (Lembra daquela história do Acer Ferrari?) Fizemos entre nós muitas piadinhas com isso, mas a motivação do encontro é séria.

    Como os produtos de consumo em pauta (Vista, Media Center e Xbox) não eram mais assim aquela novidade, o mais interessante foi, sem dúvida, papear com todos os outros blogueiros. Um grupo pequeno de geeks de diversas regiões geográficas, interesses e estilos, selecionados pela empresa. Já participei de encontros promovidos pela Adobe, Samsung e Apple, e tenho de enfatizar que o pessoal da MSFT foi de longe o mais gente fina e - importante! - sem nenhum vestígio da arrogância tão evidente em algumas das outras empresas.

    Aqui no Brasil não cola a guerra das plataformas, ao contrário da gringolândia, onde a briga está esquentando de volta. Essa briga é uma neurose específica de grupos de pessoas que promovem a mentalidade de confronto, talvez para ter mais assunto de discussão ou por simples auto-afirmação social e cultural. Escrevi esta opinião aqui em 1999, antes de meu site virar blog, e nunca mais mudei de idéia. O que não me tirou o interesse pela guerrinha nem de dar uns cutucões de tempos em tempos, mas sempre de uma maneira que fizesse a gente pensar que nossas opções de tecnologias não nos definem como pessoas e que computadores só têm alma até um certo ponto.

    Mas ontem deu para sentir que o povo high-tech está muito mais eclético e aberto do que em 1999. Brincando com isso, eu me apresentei no evento como "o cara que já trabalhou para a Macmania, mas hoje em dia trabalha para a revista oficial do Windows Vista".

    Vejo o pessoal da MSFT daqui como despreocupado com polêmicas e opiniões e mais interessados em abrir um canal de comunicação humano, a exemplo de várias companhias que já fizeram isso, incluindo eles mesmos nos EUA. Sabem que os blogs temáticos são um canal de comunicação cada vez mais importante e querem cultivá-los. É uma iniciativa que deveria ser seguida por toda empresa consciente.

    Por fim, o título deste post fica explicado: foi graças a ela que entrei em contato com essa turma de blogueiros, todos dedicados e excepcionais. E ganhei um novo incentivo para escrever sobre tecnologia, depois de uma longa fase de pouco entusiasmo. Afinal, estamos vivendo uma das épocas mais interessantes da história da informática e das comunicações.

    Alguns dos blogueiros que a Microsoft convidou para o encontro carregavam tecnologia suficiente para postar ao vivo textos e fotos sobre o encontro, mas acho que todo mundo preferiu ficar conversando e só postar no dia seguinte. Incluindo eu... Achei que pareceria nerd demais se fosse com um laptop, mas pelo menos dois deles levaram. Detalhe: eram Macs.

    2007-05-23

    Clube do G3: chegam os portáteis

     
    PowerBook Duo 210

    Correm rumores cada vez mais insistentes de que a Apple está prestes a lançar um subnotebook ultraleve. Vai ser interessante compará-lo com o PowerBook Duo 210 - foto aqui - que foi adicionado ao meu museu.
    Lançado em outubro de 1992, o Duo era o mínimo notebook possível na época para servir de "escritório itinerante". Provido de uma bateria e uma fonte portátil, mas sem nenhum drive - nem disquete nem CD - ele trazia somente um conector traseiro para ser plugado a uma estação fixa. Essa estação, chamada Duo Dock - foto dela aqui -, exibia o formato aproximado de um Mac de mesa comum, como os da série 6000, e tinha um mecanismo motorizado para puxar o PowerBook para dentro dele, como se fosse um videocassete! O Duo Dock poderia receber tudo o que o usuário precisasse conectar: drives, impressora, modem, rede, monitor externo, mouse, teclado em escala normal, HD externo SCSI etc. Além do Duo Dock, existia também o Minidock, uma peça muito mais simples com a mesma finalidade.
    O Duo 210 do museu pertenceu ao Sérgio Miranda e funciona normalmente, mas não tem o Dock, que precisarei garimpar à parte. Conta com processador 68030 de 25 MHz, uma porta serial oculta atrás de um dos pezinhos traseiros e modestos 4 MB de memória RAM onboard, duplicada artificialmente pelo milagroso software RAM Doubler (lembra dele?). Roda System 7.5, Word 5.1 e alguns aplicativos do ano em que foi feito, 1992. A tela é o componente mais fraco: um LCD passivo de 640x400 em tons de cinza. Como está configurado, o Duo é pouco mais do que uma maquininha de escrever portátil.
    O formato dele foi revolucionário em seu tempo, por ser muito mais fino e leve (menos de 2 quilos!) que os outros notebooks da época. Os modelos atuais trazem uma tela muito maior, que ocupa quase toda a superfície da tampa, e são ainda mais finos. Mas o trackball centralizado e o apoio para as mãos na frente do teclado formam o mesmo layout que a Apple inaugurou com o primeiro PowerBook e foi seguido por todos os laptops a partir dali, Macs e PCs.
    O visual do Duo é bem mais moderno que o da primeira geração tijoluda de PowerBooks, ensaiando as tendências de estilo mais curvilíneas e graciosas que desabrochariam no Newton, no Color Classic e no escultural PowerBook da série 500. Por falar nele...

    PowerBook 520c
    Este é o meu segundo exemplar do inspirado PowerBook 520c - imagens dele aqui e aqui -, o mais bonito de todos os PowerBooks cinzas que a Apple fez nos anos 90. O modelo, vendido entre 1994 e 1995, tem parentesco estético com o Newton MessagePad. É cheio de superfícies curvas complexas que se encaixam umas ao redor das outras, além de empregar painéis em dois tons diferentes de cinza, com o propósito muito bem cumprido de disfarçar duas deficiências: a espessura do gabinete e o espaço generoso ao redor da tela pequenina. Quase não há superfícies planas simples nem arestas retas: é tudo caprichosamente curvo e esculpido. Os modelos imediatamente posteriores não são tão cheios de graça, voltando parcialmente ao visual tijolo. Os PowerBooks pretos (1998-2000) também são cheios de curvas, mas usando uma concepção formal muito diferente.
    O PowerBook 520c tem considerável importância histórica: foi o primeiro laptop (Mac ou PC) com trackpad, o primeiro com duas baterias "inteligentes" de NiMH, o primeiro Mac com slot PCMCIA e o primeiro a entrar em sleep (modo de espera) simplesmente fechando a tampa. Tudo isso no mesmo modelo. E ainda aceitava upgrade de processador para PowerPC.
    O primeiro exemplar do PowerBook 520c chegou funcionando mas com as baterias pifadas, portanto só poderia ser usado na tomada. Comecei a levá-lo em viagens e missões fora da editora para projetar e escrever as primeiras páginas deste meu website, em 1999. Graças ao seu design futurista, chegou também a servir para impressionar clientes meus, já no ano de 2001, quando tecnicamente ele já era bem obsoleto. Atualmente, se não me engano, esse PowerBook está casa da Julia.
    Com processador 68LC040 (similar ao do Quadra 605), 12 MB de RAM e Ethernet onboard, até me atrevi a rodar um browser simples e Dreamweaver para fazer os sites, se bem que o meu HTML era quase todo escrito à mão naquele tempo.
    O exemplar atual do PowerBook 520c foi trazido do Japão e conta com o teclado em japonês, feito para digitar em kana. Infelizmente falta a fonte de energia para fazê-lo funcionar. Uma das baterias vazou e a outra não deve estar muito melhor, com 13 anos de idade. Bateria de laptop em geral é essa praga.

    Em outra nota relacionada a laptops, há algum tempo tento localizar sem sucesso a pessoa que ficou com o PowerBook antigo (modelo 145 ou 170? Esqueci) que era da Tuta, não funcionava mais e passei adiante no bota-fora que fiz em 2003. Quem se lembra?

    Haverá mais um post sobre o assunto portáteis, falando de outras duas máquinas muito empolgantes do museu. Nenhuma delas, porém, é um Mac. Não perca...

    2007-05-09

    Resume-se tudo a:

    Não se preocupe em entender.
    Viver ultrapassa todo entendimento.
    Renda-se, como eu me rendi.
    Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei.
    Eu sou uma pergunta.

    ~Clarice Lispector


    O correr da vida embrulha tudo,
    a vida é assim: esquenta e esfria,
    aperta e daí afrouxa,
    sossega, depois desorienta,
    o que ela quer da gente é coragem.

    ~Guimarães Rosa

    Tudo é questão de
    manter a mente aberta
    a espinha ereta
    e o coração tranqüilo

    ~Torquato Neto > Walter Franco > Arnaldo Antunes

    2007-05-08

    É!

    Snakes & Arrows

    Chegou o novo disco do Rush.
    O novo trabalho é perturbador - para quem souber ouvir.
    Amostras de letras:

    It's a far cry from the world we thought we'd inherit
    It's a far cry from the way we thought we'd share it

    Why such different fortunes and fates?
    some live behind iron gates
    while others only see the worst
    some are blessed and some are cursed
    the golden one or scarred from birth
    such a lot of pain on the earth
    somethings can never be changed
    It's somehow so badly arranged

    One day I feel I'm on top of the world
    And the next it's falling in on me
    One day I feel I'm ahead of the wheel,
    And the next it's rolling over me
    I can get back on

    Sometimes the fortress is too strong
    Or the love is too weak
    What should have been our armor
    Becomes a sharp and angry sword
    Sometimes the damage is too great
    Or the will is too weak
    What should have been our armor
    Becomes a sharp and burning sword

    In the sweetest child there's a vicious streak
    In the strongest man there's a child so weak
    In the whole wide world there's no magic place
    So you might as well rise, put on your bravest face

    I don't have faith in faith
    I don't believe in belief
    You can call me faithless
    I still cling to hope
    And I believe in love
    And that's faith enough for me

    What am I supposed to say?
    Where are the words to answer you
    When you talk that way?
    Where is the wave that will carry me
    A little closer to you?
    What am I suppose to do?
    Where are the words that will make you see
    What I believe is true?

    The worst thing about it all
    Is that you've never been right
    And I'm still not really sure
    What started that fight
    But I still get this feeling
    There's more trouble ahead
    So never mind the bad news
    Let's have the good news instead

    We can only go the way the wind blows
    We can only bow to the here and now
    Or be broken down blow by blow

    In the sweetest child there's a vicious streak
    In the strongest man there's a child so weak
    In the whole wide world there's no magic place
    So you might as well rise, put on your bravest face


    Acabei colocando nos fones o "Reveal" do R.E.M. para contrabalançar o clima...

    Já tive vontade de escrever um ensaio sobre o letrista/baterista Neil Peart, as lutas pessoais dele, os infortúnios. Mas não é preciso escrever nada novo, o que ele diz nessas letras fecha o assunto.