Os dois artigos reproduzidos nos posts abaixo, ambos traduzidos de colunas de tecnologia gringas, mostram uma nova atitude crítica na imprensa especializada em relação à outrora intocável Microsoft. O povo está metendo a boca, cobrando produtos à altura do marketing. A cobrança é uma coisa chata, mas só ajuda todo mundo. Consumidores e também as empresas envolvidas. A Microsoft tem faltado com várias das suas promessas e merece cada uma das críticas duras que são feitas nos artigos.
Em contraste com isso, a postura demasiado complacente de parte da nossa mídia em relação à Microsoft faz lembrar o que se dizia nos departamentos de processamento de dados das empresas nos anos 60: "Nunca alguém foi mandado embora por comprar algo da IBM." Uma cultura análoga se formou no Brasil em relação à Microsoft, tão forte que até hoje, em certos círculos, pega mal simplesmente criticar a empresa. Isso não apenas é irrealístico: é ridículo.
Para emitir uma crítica, você tem que usar o produto e conhecê-lo bem, não se basear em achismos ou crenças religiosas. O viés contrário vem de pessoas que não usam o produto e nem sabem do que estão falando em primeiro lugar. Quando tropeçam no desconhecimento técnico, passam a atacar os usuários.
Você vê esse tipo de coisa no mundo dos videogames, também. Há uma vontade de se afirmar pela opção que não foi feita, em vez da opção feita. Existem nintendistas e existem sonystas. Que perdem seu tempo brigando na Internet, defendendo seu console e atacando o do outro. E jamais chegam a nenhuma conclusão conjunta.
A atitude de ceticismo e vigilância com a empresa hegemônica no mercado não é novidade entre usuários de sistemas alternativos - Apple e Linux. Mas na imprensa de tecnologia dirigida a pessoas comuns, leigas, ainda temos um número exagerado de palhaços-querendo-aparecer que sobresimplificam ou inventam fatos, fazem campanhas de dissuasão e cumprem agendas ideológicas ou comerciais.
Mas, desde que os blogs abriram uma larga fronteira no jornalismo online, são cada vez mais difundidos os textos portadores de uma análise leal e franca, bem como embasamento factual mais profundo e inteligente, escritos por insiders que conseguem se expressar claramente. Isso "pode" acabar espirrando na mídia leiga de massa, que historicamente aceita toda a bobajada de marketing das empresas de tecnologia sem qualquer raciocínio ou questionamento.
Eu disse "pode" entre aspas e não "vai" porque, a despeito das reafirmações constantes e veementes de independência editorial dos nossos veículos jornalísticos, as pautas raramente são isentas. Mas isso é assunto para outro post...
1996 é muito diferente de 2007. Hoje não se apresenta nenhuma razão incontestável para impedir alguém de usar Mac ou PC, nem para obrigá-lo a adotar um dos dois. O elitismo em torno da escolha do computador também perdeu o sentido.
O Windows Vista, apesar de algumas questões (bloatware, DRM), não pode ser chamado de ruim em si mesmo. Usei e gostei. O Linux continua evoluindo rapidamente. E o Mac está melhor do que nunca, sendo altamente recomendável para todos os níveis de usuários de informática.
Isso é muito diferente da de 1996, quando ser usuário Apple no Brasil era alienar-se num nicho ameaçado de extinção. A postura da revista Macmania, para a qual colaborei na época, era defensiva. Utilizar Macintosh significava sofrer preconceito, desprezo, pressão, censura, injustiça e até perseguição por "experts em tecnologia", nerds de informática que nem conheciam o Mac para poder falar alguma coisa em primeiro lugar. Eram os ubíquos expoentes de uma religião-ideologia que batizamos de "pecezismo".
O dogma sagrado dos "pecezistas" era a infalibilidade da Microsoft. Tudo que não fosse o padrão PC/Windows era considerado lixo. Seus usuários, trouxas ou analfabetos digitais. A meta final seria a plataforma única.
Eventualmente, os proponentes do Linux sofreram o mesmo tipo de tratamento da maioria conformista; por isso o movimento do software livre tem até hoje defensores radicais, raivosos mesmo.
Update - O que acontece quando um colunista gringo diz um disparate para um público bem informado e com senso crítico? Eis um exemplo.
O autor escreveu uma típica coluna de FUD, com uma tese já proferida por alguns jornalistas no Brasil: "O iTunes é um monopólio, mas está surgindo um novo serviço de assinatura de música por celular que vai acabar com ele".
Eis por que a tese está errada: o iTunes não é um monopólio, os consumidores detestam serviços de assinatura de música e o celular não é o aparelho preferido dos consumidores para ouvir música, e sim um tocador de MP3 dedicado.
Não deu outra: a tese foi massacrada nos comentários.
Note ainda que todo mundo contrapôs idéias com idéias, ninguém descambou para os ataques pessoais que sempre estão na moda pelos lados de cá da rede. Um exemplo a considerar.
O autor escreveu uma típica coluna de FUD, com uma tese já proferida por alguns jornalistas no Brasil: "O iTunes é um monopólio, mas está surgindo um novo serviço de assinatura de música por celular que vai acabar com ele".
Eis por que a tese está errada: o iTunes não é um monopólio, os consumidores detestam serviços de assinatura de música e o celular não é o aparelho preferido dos consumidores para ouvir música, e sim um tocador de MP3 dedicado.
Não deu outra: a tese foi massacrada nos comentários.
Note ainda que todo mundo contrapôs idéias com idéias, ninguém descambou para os ataques pessoais que sempre estão na moda pelos lados de cá da rede. Um exemplo a considerar.





