O modesto Classic II

O Classic II (exemplar de julho de 1991) foi o primeiro modelo de Mac com o qual trabalhei, em 1992, na redação da Revista Náutica. Em nome da boa memória, quando surgiu um usado à venda no MacBBS (lembra?) em 1999, não vacilei e comprei. Ele veio de Brasília, despachado pelo ex-dono via transportadora. Conservado com evidente carinho, ele estava em perfeito estado e cheio de programas de Mac dos anos 80, principalmente jogos.
Além da máquina em si, veio a mala de Cordura para transporte. É semelhante à que aparece neste site. Era um acessório comum nos anos 80, antes de existirem os laptops. Todos os Macs clássicos têm uma alça disfarçada no topo para serem carregados, mas a malona permite colocar junto teclado, mouse e acessórios para viagem, além de proteger tudo das pancadas.
O Classic II foi o sucessor do famoso SE/30, mas é bastante mais lento, pois tem a mesma placa-mãe do Color Classic, que por sua vez é a mesma do LC II, com limitações de barramento e memória. Ninguém achava isso muito ruim porque, ao preço de US$ 1900, custava metade do modelo que substituiu. Como os programas de sua época são muito simples, ele não dá sensação de lerdeza ao rodar algum deles, e sim no redesenho da tela. Desde ser ligado até ter o sistema 7.1 completamente carregado, ele leva em torno de 15 segundos - tente isso em qualquer computador moderno!
Nem tudo nele é alegria, porém. Depois de tantos anos comigo sem problemas (e passando mais tempo dentro da mochila do que em exibição na sala de estar), o Classic simplesmente não ligou mais desde que o incorporei ao Clube do G3. Suspeito de algum componente velho na fonte que faz as voltagens internas ficarem irregulares. Estou com preguiça de abrir o gabinete e mexer dentro dele... mas é uma tarefa que ainda terei de fazer. Senão, onde vou rodar o Shufflepuck, o Tetris original e o Spectre com aquela sensação total de túnel do tempo?
Eis alguns links interessantes sobre o Classic II:
Exposição em museu na Suécia com obras de arte digital exibidas em telas de Classics II.
Bar montado com Classics II funcionando (apareceu em matéria numa revista MAC+).
Ficha técnica detalhada.
O lindo Color Classic

Este exemplar da primeira leva (fevereiro de 1993) do lendário Color Classic pertenceu ao Sérgio Miranda. Peguei a máquina dele durante minha participação no fechamento da MAC+ 11. A foto foi tirada pelo próprio Miranda.
O Color Classic tem o mérito histórico de ser o último de todos os Macs compactos, sendo o único colorido e único com facilidade para upgrade de placa-mãe. Não é, porém, um descendente puro da linhagem original do Mac (128, 512, Plus, SE, SE/30, Classic e Classic II). É uma recriação do formato compacto a partir dos componentes do popular LC II.
Em sua época, ele era pouco importante na linha de produtos da Apple, pois foi universalmente considerado "muito pouco, muito tarde". A crítica geral é que ele precisava ter surgido anos mais cedo, quando a Apple estava ocupada demais em arrancar grana do mercado corporativo com Macs poderosos e caríssimos, negligenciando o segmento popular. Em 1993, época da ascensão da multimídia e da Internet, a necessidade por um Mac compacto só se justificava pelo fetiche de ser pequeno e bonito. Para os padrões técnicos da época, era lento e limitado. O preço de um novo era de razoáveis US$ 1400.
O case é repleto de detalhes esculturais inspirados. Quem o criou investiu nele um talento estético fora do normal. Seu design faz vários Macs posteriores mais importantes passarem vergonha quando colocados lado a lado. De fato, ele é geralmente reconhecido como um dos produtos mais bonitos já criados pela Apple em todos os tempos. O Color Classic até me faz parar o que estou fazendo de vez em quando para admirá-lo.
Estão lá todos os elementos da sofisticada linguagem visual "Espresso", que os designers da Apple estavam adotando na época para se diferenciarem melhor da concorrência - a qual, naquela altura, já tinha se apropriado da linguagem "Snow White" que tanto distinguiu a Apple nos anos 80. O Color Classic tem superfícies curvas por todo lado, tomadas de ar laterais com aparência de guelras, furação caprichosa na borda inferior frontal e pezinhos bem-humorados que o fazem lembrar um cachorrinho sentado. Um detalhe curioso é o pequeno selo "QuickTime" num canto na frente, lembrando que o software de multimídia da Apple foi lançado junto com ele. O QuickTime até hoje é uma fundação da tecnologia Apple, formando a base para o sistema iPod+iTunes e para o novo Apple TV, por exemplo.
A propósito, o sistema que está instalado nele é o 7.6, e como está sem a placa de rede, qualquer transferência de arquivos é feita por um Zip Drive SCSI externo. O HD de 500 MB tem espaço de sobra para todos os abandonwares de Mac antigos que consegui coletar.
Quando se coloca o Color Classic lado a lado com um dos outros clássicos, nota-se que ele é mais profundo e mais alto, e tem uma área de tela ligeiramente menor. E pesa bem mais, também.
O monitor é um Sony Trinitron integrado de 9 polegadas a 512x384 pixels. É a mesma resolução dos Macs compactos anteriores desde o primeiro modelo de 1984. A profundidade de cor é de 256 cores.
Ele funciona gloriosamente, com a tela perfeita, nítida e brilhante, e capaz de rodar Photoshop 1.0 e FreeHand 2.0 com sossego. O som está um tanto fanho - problema idêntico ao do meu Classic II.
Na construção mecânica a máquina é show, pois a minúscula placa-mãe é facilmente removível e intercambiável, montada num trilho deslizante que também existe nos Macs posteriores das séries 500/5000 e 600/6000. O processador é um Motorola 68030 de 32 bits a 16 MHz - tornado lento pelo barramento de 16 bits. O limite de RAM de 10 MB também não ajuda. Mas este modelo aceita muitos upgrades, alguns envolvendo hacks com chips modernos como G3 e G4. Confira estes sites para ver a que absurdos os fãs chegam no tuning:
Transformando em aquário.
Processador G4 e tela LCD.
Diversas transformações.
Colocando a placa-mãe de um iMac dentro do Color Classic.
Ficha técnica com dezenas de links relevantes.