2007-10-24

Será que aconteceu assim?

Monólogo imaginário, meramente especulativo e totalmente fictício, porém, quem sabe, verossímil, de um hipotético envolvido no redesenho de uma marca famosa e milionária.

Abre aspas:

Então. A gente pegou esse trampo de redesenhar a marca. A estratégia de comunicação pede para mostrar visualmente que alguma coisa mudou para mais moderno e também mais acessível, tá entendendo? Os novos donos acham que a marca atual é barroca, muito metida a chique. Essa caligrafia, por exemplo, não tem nada a ver. Essa rosa-dos-ventos é rebuscada. Vamos mexer em tudo!



A nossa tarefa é redesenhar a marca e os materiais de comunicação básicos, para termos uma apresentação pronta da proposta final na segunda-feira pela manhã, tá entendendo? Hoje é sexta, então vamos tocar pau nesse projeto que é de responsa. O briefing tá prontinho aqui na mão. Fala a verdade, não tá tão difícil assim. É só limpar "a" logo. O Corel faz isso praticamente sozinho. Tá duvidando? Vou te ensinar como se faz isso em quinze minutos, sem enrolação. Abre um espaço aí que a gente vai sentar do teu lado e dar os toques. OK. É o seguinte. Primeiro de tudo: esquece a rosa-dos-ventos. Isso, deleta daí, mas deixa guardada em algum lugar, que a gente ainda vai fazer uma firula com ela mais tarde. Beleza? Pega essas letras e espreme, entendeu? Cola elas bem. Junta tudo. Mais perto. Mais um pouco. Mais. Vai. Com fé. Mais um tantinho. Aí. Separa de volta... abre aqui... Isso. As letras muito separadas davam uma cara de velho, tá entendendo? Temos que modernizar a comunicação. Passar um ar jovem pro consumidor. Mas não sofisticado demais.



Tá quase. Mas ainda não parece moderno p.. nenhuma! Experimenta vazar a letra A. Isso, deixa igual à V de cabeça pra baixo. Pode usar a estrutura da letra original, mesmo. Sem crise. Beleza! Agora faz o seguinte. Tá vendo o R? Vaza ele também. Vai nos contornos do original, não inventa moda agora, que a gente não tem prazo pra perfumaria, tá entendendo? Isso. Faz reto mesmo, não tem problema. Pronto! Fala aí que não ficou mais moderno. Fala sério, eu é que devia estar sentado aí fazendo esse trabalho! Agora, a letra G. Aumenta o branco dentro dela. Tem que ficar... aéreo, entendeu a referência? É uma empresa aérea. Espaço vazio. Respiro. Isso mesmo. Encurta ali... Beleza. Não, deixa um pouco. Tem que poder ler de longe. Chanfra do lado. Melhorou. O computador não é uma maravilha?



Agora é o seguinte. Presta atenção. É pra não usar mais a caligrafia, apaga ela sem dó. Mas a gente vai incluir um elemento substituto, tá entendendo? Uma bandeirinha bem pequenininha, ali do lado do G. Meia altura da "tipologia". Não, é sério! É pra colocar uma bandeirinha do Brasil ali, como se fosse uma sexta letra do lado do G. Só que tem duas coisas. Não precisa do "Ordem e Progresso" nem das estrelas. Simplifica essa bagaça. Sem remorso. Segunda coisa, o amarelo da bandeira tem que ser laranja, tá entendendo? A cor corporativa dos novos donos é laranja. Precisa harmonizar. Eu sei, eu sei que é a bandeira nacional, que existe uma lei e tal, mas você acha que alguém vai reparar numa caquinha dessa? E a gente economiza não tendo que pedir uma tinta a mais na gráfica só pra pintar a bandeirinha toda vez, tá entendendo? Pantone não sei das quantas, acha aí. Esse mesmo. Perfeito!



Maravilha! Agora, a aplicação da marca. Você tem à mão aí a rosa-dos-ventos, né? Abre o arquivo que mostra a aplicação atual dela no leme da aeronave. Isso. Esse mesmo. Beleza.



Então. A marca atual é muito parada. O negócio precisa decolar, tem que voar, tá entendendo? Falta dinamismo. Tem que burilar o símbolo, só um pouquinho. Esse azul tá triste também. Vamos mudar tudo isso. Primeira coisa: a rosa-dos-ventos precisa incluir a cor laranja. É a cor dos novos donos, sabe como é. Não pode chiar. Ah, não tá dando contraste nas pontas? Taca um degradê ali que tá beleza. Isso. Pode sumir com as risquinhas brancas, essa mosquinhas fazendo círculo, tá entendendo? Aí. Maravilha. Agora, vaza a rosa-dos-ventos pra fora do leme. Deixa só um pedaço dela visível. A gente sempre vai usar só uma parte dela em todos os materiais daqui pra frente. Não, tou falando sério. Como assim, não faz sentido? Eu tô mandando. Não me questiona. Faz esse troço. Vaza essa p... já que não tem tempo pra frescurite. Isso mesmo. Não, eu tô te falando, não vai ter grilo. Pára com isso. O povo vai reconhecer a marca, claro que sim. Agora, joga de fundo um padrão de azul sobre azul, saca? Um zebrado azul em curva. Um desses negócios prontos que você aperta um botão e faz em dois palito aí. Isso, exatamente, esse mesmo. Que nem o daquela porta do fogão Continental. Começa escuro e vai clareando. Aumenta a curva ali. Boa. Olha que lindo que fica!



Matou! Viu como foi rapidinho? Te falei, o Corel é milagreiro. Joga as coisas nele que ele faz tudo. Te-le-pa-tia! Agora, toca bola pra frente e monta a apresentação aí. Prepara o PowerPoint com as imagens em baixa "da" logo e do leme, mais os prints em alta. E também exemplos de aplicação em folders, faixas, panfletos, prospectos, bordados, serigrafias, alto-relevo, pins, website, campanha de TV, jornal, revista, envelope, papel timbrado, cartaz, fachada, mural, luminoso de aeroporto, painel de Metrô, outdoor, projeção de holofote, sacola e locução de rádio. Agora... que é... deixa eu ver aqui... agora é sexta-feira, 18:36. Esse material tem que estar pronto impreterivelmente na segunda-feira, às 7:30 da manhã. O vice-presidente precisa disso na mesa dele na segunda bem cedinho, porque depois segue direto de viagem pra Miami. Ou Paris, não lembro agora. Mas então, veja bem, ainda tem dois dias inteirinhos pra matar isso, tá entendendo? Não pode dar chabu. Mas tá sossegado de prazo agora. Qualquer coisa, me dá um grito no celular, vou estar na praia, beleza? Tchau. Bom fim de semana.

Disclaimer - Todas as imagens acima foram produzidas a partir de imagens de divulgação, não de fontes oficiais. E foram desenhadas no Adobe Illustrator, não no Corel. A caligrafia foi obtida de uma versão não-oficial do logo antigo em vetor, que estava disponível na Wikipedia. Se você for lá agora, porém, só achará a versão nova.

90 comentários:

adri disse...

sempre genial! e olha... uma coisa que o meu blog não faz é provocar gargalhadas que nem o df! :-D

Anônimo disse...

Hahahahahahahahahaha muito bom!!

henrique disse...

Outro dia, no metrô, presenciei dois garotos conversam sobre como Corel é um software sensacional pra "fazer tudo" e como eles fizeram cursos fantásticos pra decolar na carreira de 'dezáin'. e assim caminha a humanidade...

Arnoud disse...

HAHAHAHA....

Você quis meio que citar o Tropa de Elite ou é sério que o pessoal das agências fala desse jeito tb?

Muito bom! Parabéns!

Monica Fuchshuber disse...

Parabéns Mário!
Está muito bom!!!
E... parabéns também por usar Illustrator!...hehe

Abraços

Mônica

Anônimo disse...

Muito bom! Ninguém valoriza o design neste país mesmo, portanto só nos resta denunciar e ridicularizar esses absurdos. Parabéns!

Victor Vasques de Haro disse...

Só rindo para não chorar. O post descreve bem como "a" logo (huahahau) deve ter sido "feita".
Viva o design pasteleiro do Brasil - Seu logo em 5 mins ou seu dinheiro de volta!

abraços

Penachi disse...

Caros, boa tarde. Já almocei.
Tenho algum receio de brincar com coisa séria...

Meus respeitos à Varig, histórica e magnífica no trato com seus passageiros, e infelizmente pilhada por administradores irresponsáveis e muito pouco patrióticos.
Meus respeitos aos dedicados funcionários que entregaram uma vida de trabalho e foram largados a esmo...

Meus votos de uma renovação e reconquista moral e mercadológica.

Em nome da nossa falida aviação...

Mas que a ficção está ótima e divertida, está...

Mas o que achei mais instigante foi a implicação com o Corel!!

Belo texto!

Sergio disse...

Conheço péssimos ilustradores que usam o Ilustrator e ótimos que usam o Corel... não sei pq a discriminação.

enor disse...

Mario,
Tenho certeza que vc estavá lá porque é óbvio que foi assim mesmo.
Obs: é a 1a vez que faço post num blog em toda a minha vida...

Tarik disse...

Morte ao corel e ao leroc que eh o irmão do corel do planeta bizarro.

Muito legal.
Impressionante como nego piora uma coisa e mais impressionante como outro nego aprova a merda.

Daniel Goulart disse...

Por favor, Sr. Mario, crie pra mim "uma logomarca" mais ou menos assim: um globo com aquele traço tipo o da Nike em volta e com uma sombra por baixo. Ah, pode usar Arial na "tipologia". Obrigado!

Mario disse...

Respondendo a primeira leva de comentários:

A implicação com o Corel não é pelo programa em si mesmo. É apenas para ilustrar a mistificação em torno do software, exemplificada pelas frases "põe no computador que ele faz praticamente sozinho" e "aperta um desses botões aí que sai pronto em dois palito". Frases infelizes que já foram muitas e muitas vezes aturadas em silêncio pelos criativos no mundo real.

Ainda não trabalhei em agência de propaganda ou estúdio de design tradicional. Mas meus amigos publicitários e designers vieram me dizer que muitas vezes o clima é exatamente assim mesmo, o cliente manda fazer qualquer absurdo e a criação abaixa a cabeça, não importando a importância e responsabilidade do trabalho envolvido.

Fernando Panissi disse...

Olá.

Muito legal. Muito legal mesmo! Muitas coisas devem ser feitas assim mesmo, ainda mais em um mercado que funciona a mil por hora. Mas, não significa que o resultado tenha ficado Ruim. Pelo contrário, vi a foto de um boing já com a nova marca e até ficou interessante. :-)

parabéns! :-)

Hiel disse...

Muito bom mesmo!

bernardo disse...

.
Fantástico !

Tenho quase certeza que a descrição deste monologo não é real, na verdade foi descrita apenas com clausula contratual p/ se resguardar! (assim como fez com a logo da varig).

Uma coisa que me intriga na publicidade é a necessidade de pressa em todos os Jobs, parece que designer virou medico onde tudo é emergência e se lida contra o tempo para salvar uma vida ! Seria então a publicidade uma manobra de salvação das empresas, SEMPRE ? tenho quase certeza que não... e sim a velha e boa falta de planejamento ! Imagino o pq que as agencias tiveram essa tocada “velocista recordista de 100m” pois no passado muitos transitavam entre gráficas e agencias de publicidade, talvez venha daí tal conduta !
Mas há um porem... Ok, o Corel é um programa fácil e amador, mas uma coisa que vivenciei durante muito tempo na informática: pouco importa o programa que usa, pois afinal esta é apenas uma ferramenta para o uso do que tens dentro da cabeça. Sim, é profundo e viceral mas é verdade.

Voltando ao monologo real (mesmo adaptado) heheh esta fantástico estas de parabéns !!!


.

Gill Sans disse...

Puta falta de respeito com os profissionais que fizeram a nova comunicação. Só alguém que não conhece nada de design pra ser tão superficial numa avaliação. E achar o antigo melhor mostra o quanto algumas pessoas são medíocres visualmente.

Parabéns a quem fez o redesign da marca. Está óbvio que teve um estudo cuidadoso dela.

Podem me xingar agora, abs.

Paulo disse...

Pra quê exemplo de aplicação da nova logomarca para locução de rádio?

Teu negócio é ser designer mesmo.

Franklin Gothic disse...

Pois é, Gill Sans. Devem ter feito um estudo de marca tão profundo quanto fizeram para a marca da Intelig. O milagreiro Corel Draw mais uma vez salva a pele dos medíocres... E antes que eu me esqueça, vai tomar no c*!

Mario disse...

bernardo:
Cuidado com mal-entendidos. Não tenho conhecimento de que o redesign da marca tenha sido feito numa agência de propaganda em vez de num escritório de marcas. Nem que o designer tenha sido um marionete indefeso de executivos sem noção. Isso tudo é inventado e deve ser entendido como sátira.

gill sans:
Eu prefiro debater com gente que se identifica. O meu nome e o meu currículo estão bem à vista na Internet. Você eu não sei se é um designer ou apenas alguém dando palpite. Todavia, discorde à vontade, já que este espaço é para isso mesmo. Tudo o que eu acho errado na nova marca já está no meu texto, sob a forma de ironia, e nada mais tenho a acrescentar. Mas note bem, você não sabia que neste trabalho não houve o período de estudo da marca, nem que o prazo foi mesmo apertado. Todo o resto da história espero sinceramente que não tenha nenhuma relação com a realidade. Mas acontece todo santo dia com outras marcas e com outros designers.

paulo:
A cada dia que passa, entra na internet um milhão de usuários novos que não sabem identificar uma piada.

Joyce disse...

Adorei!!! Super criativo e divertido o texto...Parabéns!!!!

Até imagino que tenha rolado algo bem parecido na hora da criação, mas sinceramente fico feliz em ver que alguém pelo menos se interessou por essa empresa.

Não só pela história que ela carrega, mas principalmente pela garra, força e dedicação dos funcionários que não desistiram. Ufa! Agora dá até pra rir...rs..

Abraços

andre disse...

ih, pelo visto o redesign é do paulo!!!! hahahahahahaha!!!
sai que é suuuuua taffarel!!!

Gill Sans disse...

Para acabar com essa conversa, prefiro não me identificar porque não quero envolver meu trabalho numa discussão da web2.0.
Estive intimamente ligado a esse trabalho desde o começo, e sim, houve tempo de estudo dessa marca. E quem a fez sabia o que estava fazendo.

Entendo que há ironia no texto.

Mas acho uma ironia sem base sólida de design.

Abs

Gill Sans disse...

Franklin Gothic... gratuito seu comentário... diga então o que está ruim na marca... como você faria melhor...

Sabia que meu comentário causaria esse tipo de reação. Mas esperava acender uma discussão com argumentos, não isso.

Boca suja.

Anônimo disse...

A letra "G" ficou linda
Dá pra ver que foi feita por alguém que entende de tipografia

Lucas Ayres disse...

(...)A nova identidade visual da Varig traz, segundo definição da própria empresa, "linhas modernas, logotipo clean, um toque de laranja em meio a forte presença do azul e ondas que simulam a aerodinâmica de uma aeronave em vôo".(...)

(...) A empresa informou que o novo desenho vai estar presente na "pintura moderna das aeronaves e nos uniformes mais joviais, versáteis e elegantes". ?(...)

:)

IFD disse...

Parabens pelo texto dei muita risada, otima sadaca em TODAS as partes (a do fogão continetal nao aguentei a comparação ta hilaria)

Iris | IFDBlog
http://ifd.com.br/blog/

Anônimo disse...

Muito boa, principalmente para uma classe social que nadou na grana do papai , e se acha superior ou conhecedor o suficiente, para se achar melhor que outros que não puderam cursar faculdades fora do país ou algo pareciso, e que por talendo próprio tiveram que batalhar muito para bancar um cursinho de COREL, através deste mesmo hoje estão desbancando ou de certa forma encomodando os doutores...

Mario disse...

gill sans:
Peço sincero perdão por ferir suas sensibilidades. Mas é tão difícil assim perceber que a "falta de base de design", que você insiste em me atribuir num "ad hominem" primário, faz parte da minha crítica?

iris:
Que bom que gostou. O seu genial post de 2005 com a "tabela de preços" (http://www.ifd.com.br/blog/2005/09/23/dezaine-grphico-tabela-de-preos/) foi uma grande inspiração para mim. A frase "põe no computador que ele faz sozinho" é quase uma citação direta.

Anônimo disse...

Uma piada é uma piada. Ponto. Que nem sogras, portugueses e papagaios.

carlinhus disse...

Jovens, esta marca foi feita pela DM9, e assim como outras marcas como a da copa de 2014, feitas pela MPM (bizzaro) deveria ser feita por uma consultoria especializada em marcas e não por uma ag. de publicidade, q em troca dos 20 de bv, faz esse tipo de job como uma camaradagem para o cliente. Muito bom o post.

Marcelus Giovanni disse...

Foi um de longe um dos posts ficcionais mais realistas que eu já li até hoje!…;-P

Ricardo Alexaris disse...

A marca nova mostra claramente o que é a VARIG hoje: um pedaço do que já foi. : )

gill sans disse...

carlinhus, só para esclarecer, a marca não foi feita pela DM9, e sim por uma consultoria de marcas especializada, terceirizada pela DM9.

Mario, não disse que você não tem base de design. Disse que a critíca não tem base. Se foi intencional, ótimo.
Nem feriu minha sensibilidade, não fui eu quem fiz. e mesmo que fosse aceito critícas na boa.

Abs

Desce uma branquinha disse...

Dois pontos que julgo interessantes:
1 - Mario, o texto tá ótimo, já cansei de participar de jobs assim. Dá vontade de matar o papagaio de pirata que diz "põe aí que o computador faz em dois minutos". Genial!
2 - Que que é essa bandeirinha aí do lado do logo? Sinceramente? Puta coisa de mau gosto. Além disso, não se pode alterar a bandeira, certo?
quanto ao trabalho de tipografia, achei ok. nada de especial, mas tb não tá ruim não.

Eduardo Domingues disse...

Ainda bem que acabaram com aquela Rosa dos Ventos antiquada e a logotipia rebuscada e ilegível da palavra "Brasil". Soube que os dis-gestores anteriores da Varig pagaram US1 milhão por aquilo...

Acho que o pessoal da Agência conseguiu melhorar, sem perder a característica VARIG.

Quanto ao Corel Draw, o programa não pode ser culpado pelos horrores cometidos por quem não sabe usar e não sabe nada das artes gráficas. Costumo dizer que o Corel é arma na mão de macaco...

Mario disse...

A tipografia intrinsecamente não é ruim, mas carece de refinamento. Especialmente a letra G, que ficou estranhíssima com aquele meio gancho. Tudo pareceria indicar uma popularização da imagem da marca, mas o discurso oficial é de que a companhia visa um público A, mais sofisticado. Assim sendo, o que é que pega?

Quanto à bandeirinha do Brasil, por favor alguém me esclareça se a iniciativa de trocar o amarelo pelo laranja não seria até mesmo caso de denunciar ao Ministério Público Federal, como sugeriu meu amigo Bruno Doiche. Afinal, a lei é clara quanto a redesenhar a bandeira, e os aviões da Varig vão exibir a versão a(du)lterada mundo afora.

Mario disse...

eduardo:
Estou de acordo quanto ao Corel. Mas quanto à marca antiga, discordo frontalmente. A rosa-dos-ventos (que, ironicamente, era mais "moderna" na versão original azul, branca e preta) era um referencial clássico, uma referência nostágica aos anos de ouro da aviação comercial, que deixam cada vez mais saudades. Agora, o que sobrou dela são três pontas que, dependendo do ponto de vista, até lembram um avião cadente... Brrrrrr.
Também discordo da opinião sobre a caligrafia, incorretamente chamada aí de logotipia. A legibilidade não pode ser um critério absoluto na avaliação de uma letra ou tipo. Depende do contexto. Está me dizendo que é difícil demais ler o nome "Brasil" em cursiva? Faz-me o favor.

jayme disse...

Mário, antes de tudo, grande Blue Bus que me fez voltar ao seu blog. Depois, vá escrever bem assim lá no meu escritório. Delicioso texto. Menção especial ao momento em que você lista as aplicações futuras do logo e lá aparece o famigerado "folder", mais uma de nossas traduções tacanhas: lá na terra de Tio Sam, é "pasta", aqui se transformou em um jeitinho empolado de se chamar o bom e velho folheto. Vida longa, meu caro!

sussudio disse...

Pra variar, um texto genial. Com ironia, retrata o que poderia ter sido, e o que é nna maioria das situações. Estou "de férias" há uma semana justamente por combater este tipo de coisa no meu antigo trabalho. Um gerente de vendas era fã desta frase: "o computador faz tudo", "redesenha 'esta' logo e vira ela ao contrário", ou "monta este banner igual ao cartão do cliente, que ele está esperando pra agora a tarde, tem que ficar lindo". Abraços e parabéns!

Comic Sans disse...

O texto, ao conttrario da varig e de suas marcas é bom! Nunca fui um adorador de nunhuma marca da varig, até onde consigo lembrar.

O trabalho da marca atual é um lixo e o processo com toda a certeza do mundo foi outro lixo!

Primo Sans, se a DM9 contratou outro alguém pra fazer todo esse estudo, fala ai pra gente, quem foi?

Sim, a lei é clara, os 4 símbolos do estado são protegidos por lei. Mas em uma agência de propaganda, poucos sabem disso, menos ainda sabem que um estado tem 4 símbolos.

MarioAv, parabens pelo texto!

Anônimo disse...

Sinceramente, nada contra o Corel, mas o problema são as pessoas que utilizam p/ esse tipo de coisa. A falta de criatividade impera hoje em dia...Na minha opinião, destruiram o logo e com ele a seriedade que a Varig levou anos p/ construir. Uma pena...

Anônimo disse...

adorei! exatamente isso! Fora que, me desculpa, se a DM9 diz que nao foi ela que fez e contratou gente específica de design.....gostaria de saber quem é. Pois pra mim que trabalho ha 10 anos com isso, ficou mta coisa, um redesenho de tipografia feio demais, a rosa dos ventos afundada que remete ao que a empresa passou e parece marca fraca que precisa de mil coisas de apoio (bandeira, listras, rosa cortada...)
valeu!

Anônimo disse...

adorei! exatamente isso! Fora que, me desculpa, se a DM9 diz que nao foi ela que fez e contratou gente específica de design.....gostaria de saber quem é. Pois pra mim que trabalho ha 10 anos com isso, ficou mta coisa, um redesenho de tipografia feio demais, a rosa dos ventos afundada que remete ao que a empresa passou e parece marca fraca que precisa de mil coisas de apoio (bandeira, listras, rosa cortada...)
valeu!

Garcia Junior disse...

Com muito prazer descobri este ácido blog sobre design por meio da mensagem da Mônica Fuchs no Grupo Design Gráfico. Sobre o texto do "redesign" da Varig: hilário e triste. Hilário pelo estilo da escrita que reproduz ficcionalmente uma situação de "pra ontem" muito comum entre meus clientes (e acho que nos demais também). Triste porque se a realidade foi próximo desse texto mostra no mínimo uma falta de preocupação dos administradores da empresa com a qualidade e processo de criação. Uma coisa é um serviço desse pra um cliente de pequeno porte, uma loja de roupas por exemplo, feito em cima da hora. Outra bem diferente é pra um cliente do porte da Varig. Mas o que achei mais engraçado do texto foi: "Mas então, veja bem, ainda tem dois dias inteirinhos pra matar isso, tá entendendo? Não pode dar chabu. Mas tá sossegado de prazo agora. Qualquer coisa, me dá um grito no celular, vou estar na praia, beleza? Tchau. Bom fim de semana." ahahahah.

OBS: Sempre usei o corel draw nas minhas criações. Não desvalorizo o Illustrator. Mas um bom designer sabe aproveitar as ferramentas que dispõe. Lá no meu blog -- www.imagetica.net/blog -- tem um vídeo de um cara que faz a MonaLisa usando o Paint, o PAINT!

Mario disse...

garcia jr.:
Não é apenas o porte da empresa que demanda um tratamento cuidadoso, mas também a importância dela na mente e no coração dos brasileiros.
Quanto ao Corel e ao Paint, foram respectivamente meus primeiros programas de vetor e pixel, na época do PC a lenha.

Fabio disse...

Parabéns pela sátira, Mario. Por acaso você já leu "São Paulo, Cidade Limpa", do Gustavo Piqueira? Vai na mesma onda, mas como você mexeu com a Varig, os ânimos se inflamaram um pouco, o que é positivo.
Agora, já deu em alguns sites que a campanha e identidade visual é da DM9. Se eles terceirizaram uma consultoria de marcas, só fico me perguntando qual o interesse dessa consultoria em se manter camuflada.

Elesbão disse...

O pior não é o resultado – ainda que tente gloriosamente.

É a brutal necessidade que as empresas têm, sob nova direção, de "reformularem" a própria marca. Acham que se se reforma a casa com uma pintura. E porca.

Priscila disse...

Também concordo que o corte na rosa dos ventos é equivalente ao que essa ex-grande empresa e sua marca sofreram, tanto com os "dis-gestores", como citado acima, quanto com a atual (des)organização...=P

Agora, teu texto é nota 10, como alguns outros que já tive a oportunidade de ler! :o)

Anônimo disse...

Como designer, você está se saindo um ótimo redator!

About BLOG DO OZ disse...

Galera, pra que tanto rancor e controvérsia. Tanto texto disperdiçado. Essa MERDA vai falir de novo na mão desses caras.... imagina se TAM, GOL, BRA e OCEAN AIR são referência de alguma coisa fora do Brasil. A VARIG estava entre as 5 maiores do mundo!!!

Fodam-se eles!!!
Abs,
Oz

Aproveitando, acessem o BLOG DO OZ = http://mrozblog.blogspot.com/

Mario disse...

Que bom, porque este post não tem absolutamente nada de design meu.

About BLOG DO OZ disse...

Tô ligado, é verdade!!! Me esqueci de comentar... rs
Quer minha opinião sobre a marca: o MESMO de sempre!!!
Não tem força, não é viva!!! Pra mim nnao vai funcionar e eles mudam daqui há pouco!!!
A antiga é careta demais desde que criaram, mas tinha ALMA... pois é, mudar pra que? Só se muda pra melhor, senão... rs

Abs,
Oz

Armando Fontes : : ) disse...

A marca nova mostra claramente o que é a VARIG hoje: um pedaço do que já foi.

: : ) (2)

About BLOG DO OZ disse...

Em tempo: coloquei um link do seu BLOG no meu BLOG DO OZ... dê uma olhada!!!
É sobre vagas, currículos, portfólios, etc e tal.
(Não precisa publicar esse, né? rsrsrs)

Bruno Castello disse...

Mario, além da boa qualidade do texto, parabéns pela pertinência. Não sei quanto ao processo de criação mas, a julgar pelo que se apresenta, dá mesmo a impressão de um trabalho feito às pressas, sem um mínimo aceitável de reflexão e apuro. Vi a foto de um avião com a nova identidade visual e achei extremamente vulgar. Parece agora uma empresa de fundo de quintal. Muito triste.

Anderson disse...

sacanagem real então?

Eu gostei do logo novo?

Como é que deveria ser criado um logo novo?

Eu acho que este lance de "estudo" etc é um monte de merda inventada. Pra mim depende do gosto e da experiência do grupo de design. Eles vão sentando e palpitando até sair a bagaça. Depois inventam uma teoria pra justificar tudo.

Qual logo NÃO foi feito assim?

Marcelus Giovanni disse...

O Elesbão levantou um ponto importante: por que, afinal de contas, precisava-se mudar o logo da VARIG, e ainda por cima dessa forma?

O logo anterior poderia ser “antigo”, “esnobe”, isso e aquilo, mas como o Mario falou aqui, tinha história, tinha aura, um quê de tradição dos anos 50/60/70 em que viajar de avião era um conforto privilegiado de poucos (foi justamente nessa época que surgiu o termo jet set…). Tempos de Pan Am, Pan Air, VARIG e VASP…

Esse negócio de mudar radicalmente essa marca por causa da “nova direção” me faz lembrar a doença que (desculpem se eu já falei isso aqui) acomete os pontos de ônibus da cidade de São Paulo: a cada 4 anos, eles mudam de cor.

anderson disse...

Eu acho que logo tem que mudar mesmo. Enfia pela goela abaixo que o pessoal acostuma e já começa a estranhar o velho. Quanto a anos 50/60/70 pode enfiar onde o sol não chega pq pra mim estas décadas podem receber o título de "Shit Genesis".

Este pessoal de dizain se acha tanto. Fica todo mundo conversando com o polegar entalado que esquecem que as melhores coisas vieram completamente por acaso. Vi um dizainer inglês mexendo num projeto mega no illustrator do mesmo jeito que vi adolescente mexendo no corel. A diferença é experiência e bom gosto. Como a maioria não tem (inclusive este inglês, que só tinha experiência) as merdas saem do mesmo jeito. Mas ninguém não tá nem aí mesmo. MESMO.

A maior frustração dos dizainers é não ter um Nobel de Dizain. Puff, imagina como iam ser as coisas então.

Marvin disse...

HAHAHAHAHAHAHHAHA

Genial!!!!

Muito bom blog, parabéns!!!

Mario disse...

anderson:
Marcas precisam mudar periodicamente, sim.
Não sou incondicionalmente a favor do clássico nem do moderno, pois o contexto dita a aplicação. Um toque nostálgico funciona bem com esta marca em particular. O redesign busca a modernização mas não rompe suficientemente com o passado. Ficou em cima do muro demais. Redesenhar as letras sobre a estrutura das originais? Era o caso de reinventá-las completamente. Ocultar parte da rosa-dos-ventos? Muita gente já disse que ficou parecendo uma expressão visual dos recentes problemas sa empresa.
Quanto à sua crítica aos designers, ela é autocontraditória. O exemplo do inglês comprova que não se pode generalizar. Conheço designers furrebas e conheço designers geniais. Conheço primadonas e conheço humildes. Coincidentemente, o mais genial que conheço é também o mais humilde.

Sam disse...

Mario,
Não conhecia seu blog, mas depois deste texto virei leitora assídua.

É de chorar de rir.
Só lamento pela Varig, agora não sobrou nada mesmo do que a empresa foi um dia.
Pelo menos a nova identidade visual passa ao público que deve utilizar os serviços empresa atual a correta idéia de uma genérica da aviação.
Eles deveriam mudar logo o nome, ou colocar um complemento com o nome dos compradores, varig-alguma coisa, coisa muito em voga nestes tempos de compras e fusões.
Que a varig descanse em paz. Desde a falência, eu é que não vôo mais com nenhuma empresa nacional.

Só complementando o que o Elesbão falou sobre a necessidade constante de reformulação das marcas:
E por quê toda reformulação de marca tem ser para uma que seja mais "dinâmica", mais "moderna", mais "leve", mesmo que, às vezes, a área de atuação da empresa não tenha nada a ver com estes valores?

Lucas disse...

Fazendo uma análise fria e não querendo alfinetar ninguém:

Creio que o que fizeram com a bandeira e a rosa-dos-ventos tenha sido com o intuito de descartar tais formas em um futuro próximo, mantendo apenas o logotipo VARIG.

Aquela coisa que falam de mudar mas não ser impactante sabe?

Outra coisa, pra mim o pior feito foi o redesenho do R.

Ps.: não participei do redesenho hehe

bic disse...

A caligrafia “Brasil” tinha que dançar mesmo. Agora, mexer no logotipo VARIG foi de uma boçalidade imperdoável, especialmente para criar uma marca que vai envelhecer rápido. A original nunca ia envelhecer, e era linda. No fim, fica a impressão que a marca da rosa dos ventos está “afundando”, assim como aconteceu com a própria empresa.

Quanto a turma que acha que logotipos e marcas devem ser mudados frequentemente, eu só posso discordar. Uma marca é construída com o tempo. Imaginem mudar a marca da BMW? Ou da Mercedes-Benz (usa só um pedacinho da estrela...), ou da Volkswagen, Coca-Cola, e tantas outras. Marcas podem ser melhoradas como a da Apple, que tinha ficado claramente antiquada, mas mudaram apenas as cores. Até aquele horror da Ford não pode ser mudado. E boas marcas voltam, assim como aconteceu com a do Unibanco.

Mario, o seu comentário foi brilhante. Deve ter sido assim mesmo. Faz tempo que eu não me divertia tanto na internet.

Parabéns;

Chico Bicalho

Mario disse...

Só uma coisa, Chico. Você está falando de duas coisas diferentes. Reforma de marca e evolução de marca. O redesign em questão ficou a meio caminho entre uma coisa e a outra.
A estrela da Mercedes e a maçã da Apple tiveram o acabamento modificado de tempos em tempos, sem nunca perderem a forma básica. O equivalente no caso da Varig, por exemplo, seria mexer no acabamento da rosa-dos-ventos sem mutilar a sua forma.
Quanto à hostilidade contra a caligrafia, que já vi expressa por aí várias vezes, acho que é relacionada à cultura visual da época. Até os anos 50, toda a propaganda e infindáveis marcas eram letreirados à mão, muitas vezes com cursivas. Hoje existe o pessoal neomoderno que abomina essas letras. E outros as desconhecem tão completamente que não conseguem nem enxergar a diferença entre manuscritas verdadeiras e fontes tipográficas imitando manuscritas. Mas logo as caligrafias poderão estar na moda novamente. Até as góticas estão voltando.

Fabiane disse...

"Que nem o daquela porta do fogão Continental."

Me rachei de rir!

Redesign de marca: chega o designer, chega o chefe. O designer senta na frente com computador, abre o Corel, e o chefe lasca: "senta o dedo nessaporra!"

Anônimo disse...

Mario, mto bom comentário. A primeira vista o q parece e o que seria bacana no meu modo de ver é posicionar a varig como marca "premium" e a gol como marca mais econômica, e, este posicionamento deveria se refletir é lógico na marca e no tom da comunicação. Não parece estar tão claro.

existem consultorias dentro do grupo de comunicação da dm9, e, com certeza não foram feitos por eles, se fosse feito por alguma consultoria de marca, q aliás, existem poucas efetivamente que se pode contar nos dedos, seria amplamente divulgado e não seria tão bizarro, pois este trabalho está fora dos padrões. (esse "redesenho" da tipologia é vergonha alheia)

abs

High disse...

Antes de concluir, gostaria de ver o avião por completo bem como os uniformes dos funcionários. Logo de cara voce percebe que a letra R foi estupidamente redesenhada porque a reta descendente nao é acompanhada do lado externo, e também a bandeira que não pode ser "personalizada".

Esses dois pontos fazem o trabalho cair em descrédito ao menos momentaneamente (se é que ainda podem consertar isso rsrsrs).

Não sou fã da identidade anterior, pra mim a Landor exagerou no "Brasil" mas isso é um julgamento de valor pessoal, de quem odeia carnavais.

Não costumo também analisar aviões somente pelo rabo, gostaria de saber se o resto do avião será maravilhosamente preenchido com o "economico, preguiçoso e eficiente branco neve massa-corrida".

A rosa dos ventos sempre fracionada, tímida, me incomoda, sugere que a empresa não é transparente ou fica em cima do muro igual aquele adesivo de carinha que colam na traseira dos carros.

A senoidal é default, agradável até para matemáticos.

A estrela compete com a da LAN ou LanChile http://www.berlin-spotter.de/airlines/fotos/lan319.jpg
a brasileira perde no quesito "cresça e apareça".

Para um "trabalho de ponta", coisa que honestamente não realizei ainda como formando em design principalmente porque ainda engatinho no Illustrator, e a minha faculdade ensinou só o Corel que trata perspectiva como quem usa o MS-Word, posso dizer humildemente que ela decepciona.

Resta conferir as aeromoças nos novos modelitos, ah e os aviões tbm rsrsrs

vanessa disse...

Sinceramente? Essa aplicação no leme me lembra uma explosão ou chamas... mas rosa dos ventos, nem pensar.

Uma pena. Por mais que eu não fosse grande fã da marca antiga, realmente não entendo o porquê de "modernizar" e "popularizar' a imagem da Varig, me parece um total contrasenso...

Anônimo disse...

Percebe-se que, tem quem goste e quem não goste, até aí, natural, porém, percebe-se que uns estão morrendo de inveja por não terem feito, outros por não terem sido convidados e nem sabiam que a empresa trocaria de logo. Fato é, as bichonas ou melhor designers, estão amarrotadas...coitadas!!!huahuahua!

anderson disse...

Será que não dá pra configurar os comentários de baixo pra cima? Enche o saco ficar dando scroll.

Mario disse...

Não dá, a solução é a tecla End do teclado.

Marcelo disse...

Olha só, se não é o firefox.

Japa (vulgo Marcelo) disse...

Olá Mário!!
Nunca havia entrado aki no seu blog. Achei pelo da Fabiane.
Mto bom o post! me matei de rir! É incrível que, não tendo muita experiência (me formei ano passado), tenha identificado tantas coisas nos estágios q fiz, haha.
abraço!

Marcos RS disse...

Uma de minhas perguntas favoritas:

QUEM APROVOU?

Marcos RS disse...

Ops, não podemos nos esquecer de valorizar uma gente que torna tudo isso possível: o profissional de atendimento. São esses heróis que têm por vezes a árdua tarefa de convenver o cliente a aceitar o job.

luctimm disse...

Nossa, vi umas 5 pessoas fazendo esse designer... :P

High disse...

acessem a página da Varig.
http://portal.varig.com.br/br/varig/index_html

percebam que o logo do nosso amigo aqui está melhor que o original.

reparem na letra R (como comentei aqui no meu primeiro post) o original manteve a curvatura, diferente do logo que foi criado aqui e que teoricamente seria correto, ela precisa acompanhar a reta interna.

Mario disse...

É verdade! A curva externa do R oficial permaneceu a mesma da letra antiga. A minha acompanha a reta interna, porque parecia o mais óbvio. (A imagem que usei como gabarito era de baixa resolução e não dava para ver claramente os detalhes.)
Tem outra discrepância na minha reconstituição. No leme da aeronave, o bordo de ataque é prateado. A rosa-dos-ventos, agora convertida em meia-estrela, pode estar a várias alturas diferentes da base.
Vi o anúncio de revista neste fim de semana. As fotos de aviões são fakes: foram pintadas no Photoshop com a nova identidade visual, não produzidas com a pintura real. Por quê? Pressa? Economia?

Jan disse...

Pontual, Mário, pontual.
Nesse momento tão pós-moderno, vale ressaltar que não é o programa, não é o profissional, não é quem pagou ou quem aprovou que conta, mas sim... o mau-gosto.
A estrela perdeu o sentido, a bandeira não faz o menor sentido, e a tipografia, aberta, só fez "firula".
Na minha modesta opinião, que bate com a sua.
Em alguns casos redesenho de marca pode mesmo ser um tiro no pé.
Seja lá quem for, quem fez, pra mim, fez feio.

mariana disse...

MUITO BOM!
Imagina qto q os caras ganharam pra destruir o logo antingo em 2 dias?

Quem fez esse redesign?

high disse...

Mario, humildemente porque ainda estudo, posso dizer que somos treinados cotidianamente a ter uma visão clínica. Onde tem uma reta torta, tem uma equipe desleixada.

onde tem fumaça, tem fogo.

onde tem logomarca, tem muita coisa errada que pouca gente enxerga.


Assim sendo, vejam o proprietário da Gol, no momento em que cria a NOVISSIMA identidade visual para a sua empresa:

http://img88.imageshack.us/img88/7343/071026f044ww4.jpg

Imagens do dia
26.out.2007
Empresário Nenê Constantino, dono da Gol, ameaça o fotógrafo Alan Marques, da Folha de S.Paulo, com uma pedra ao chegar à delegacia, em Brasília, para depor no inquérito sobre fraudes no BRB (Banco de Brasília)

Anônimo disse...

Eu gostei da nova marca. Acho que se trata de uma atualização da antiga e não de um redesenho. Acho também que muito louvável a iniciativa de uma empresa desse porte contratar um escritório brasileiro para desenvolver o trabalho.
O resultado sem dúvida é mais limpo, simples e moderno. Não é porque é simples que é ruim.
A marca antiga sim, acho um absurdo. Feita por gringos para brasileiros. O que era esse brasil "carnavalesco"? Eles sim acho que levaram um dia e cobraram provavelmente mil vezes o preço pago a um escritório nacional.
Parabém VARIG pela iniciativa e coragem de acreditar nos profissionais do Brasil. Que muitas empresas desse porte se espelhem nessa atitute.

Mario disse...

Concordo totalmente que não precisamos depender dos gringos nesse campo. Mas ainda existe muito preconceito contra o próprio talento. Muitos e muitos clientes adoram (ou sonham) encher a boca para proclamar que contrataram um estrangeiro badalado. É nossa síndrome de vira-lata.
Está aí o Bradesco que não me deixa mentir. (Descrição oficial aqui.) Usa um símbolo feio, perigosamente parecido com outros já feitos (Saturn Motor Company, pra começar?), tipografia banal e idêntica à de 9 entre 10 bancos... mas foi cria da gringa Landor, não é? Ei, é a mesma turma que criou a marca anterior da Varig. Ooopaaaa! Juro que foi coincidência eu ter pensado no Bradesco. Top of Mind, sabe como é. :-)
O problema é que casos como o em pauta, de uma marca requentada sem o cuidado que merecia, ajudam a alimentar o preconceito.

BJoTTa! disse...

Nossa realmente fabuloso, eu que trabalhei apenas em uma agência e ainda no interior, achava que era só por aqui que as coisas ocorriam desse modo, mas to vendo que não sou o único a passar por isso!

xD

A e claro, não que a marca tenho sido desenvolvida de tal modo, mas adorei esta versão!

^^

Andre disse...

Cara, seu trabalho eh bem amador tambem.

Mario disse...

Mostre o seu para servir de parâmetro de comparação.

Mario disse...

Hmmm. Este post serviu de referência para uma nota em um blog alemão sobre design. Leia: http://www.designtagebuch.de/varig-mit-neuem-corporate-design/

simoni disse...

não costumo visitar blogs, achei por acaso na procura da antiga logo da varig, parabenizo o texto, é ótimo, e sei que muitas vezes as criações correm nesse ritmo... quanto ao corel, acho que o importante é a vocação e a dedicação do artista...

igor disse...

Eu queria saber exatamente quais são os erros do novo logo. E não estou sendo irônico, quero saber mesmo.

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