2007-09-20

Arial Não - Parte 3

O Cava (autor do Coxa Creme) me perguntou como é esse tal de projeto Arial Não. Como muitos outros, ele já sabia que esse nome é um bordão bem-humorado lançado em 1999 pelo Gustavo Piqueira, da Rex Design. Muitos outros vêm me perguntar sobre o assunto já meio atravessados, como se esperassem ouvir que eu roubei a idéia ou que não sei de nada. Pelo contrário, logo no começo do projeto eu o apresentei ao Gustavo, e ele não só endossou a idéia como forneceu materiais que serão integrados aos que estou preparando. O Cava não veio me perguntar atravessado porque me conhece bem e também conhece o Gustavo bem.

É um estudo em múltiplos meios simultâneos sobre a banalização da tipografia.

Tudo começou com o protesto bem-humorado das canecas e camisetas Arial Não da Rex. Quando resolvi escrever a tese sobre o assunto, não lembrei de imediato da Rex, mas lembrei o bordão.

O meu trabalho vai além de um protesto ou crítica. Conta como a tecnologia tornou a tipografia acessível a milhões e pessoas sem nenhuma formação em artes gráficas, uma atividade que antes era restrita a especialistas. Comenta os prós e contras dessa democratização do processo de criação gráfica. Descreve o imenso impacto que isso teve na comunicação de massa. Contém uma análise crítica detalhada da fonte Arial, a mais popular de todas. Faz uma análise da forma como Arial é usada na comunicação de rua e especula sobre as razões sua ubiquidade muito próxima do monopólio. Traz um ensaio fotográfico extenso documentando o uso cotidiano da fonte no ambiente urbano. Comenta a assimilação progressiva da Arial por designers profissionais. Expõe a analogia da popularização da Arial no Brasil com a do software de ilustração CorelDraw.

O alvo da tese pode parecer bem restrito: designers e estudantes de design. Mas o escopo foi ampliado para que possa se atrever a tentar ampliar a consciência tipográfica do público leigo. Pergunta frequente dos designers: como demonstrar de forma simples para um leigo que a rejeição de Arial em trabalhos profissionais tem embasamento funcional e estético, e não um simples capricho do diretor de arte? E mais: nas situações em que usar Arial é inevitável, como compor a fonte de maneira que ela fique mais aceitável ou diferente do usual?

A novidade no projeto é a Arial Corrected, a versão modificada com "aperfeiçoamentos" no design dos caracteres. O resultado lembra mais as concorrentes, como Helvetica e Univers, mas sem perder a alma da fonte original, já que as curvas das letras e o espaçamento permanecem os mesmos.

Arial Corrected é só um nome provisório. É provocativo e bacana, mas envolve uma marca comercial, portanto não poderá ser usado na versão final. Então, pensei em pedir sugestões de nomes para a criatura. Só que tem algumas exigências mínimas:

  • Tem que começar com "Ari" para ficar junto à Arial na lista alfabética de fontes.
  • Precisa ser curto.
  • Não valem palhaçadas básicas como "AriToledo" etc. Não precisa ser engraçadinho.
  • O nome tem de ser internacional. Esse troço vai correr mundo e é bom que seja fácil de ler ao menos em inglês.
  • Não pode ser similar a outras marcas comerciais. "Arisco", por exemplo, não serve.

    Depois de um tempo pesquisando, pensando e debatendo no chat, pensei no nome Ariana, do impressionante poema de Vinícius de Moraes:

    Foi então que eu compreendi que só em mim havia morte e que tudo estava profundamente vivo


    Opine.

    Update - Não sei como fui esquecer. O Tony de Marco já criou uma fonte chamada Ariana, e isso há mais de 10 anos.


    Assim, o nome final provisório escolhido passa a ser Aerial, sugestão do Helvécio (que não deixa de ser um nome bem a propósito também).
  • 9 comentários:

    1. Nossa… eu estava pensando num nome parecido com este que você sugeriu! O que eu estava pensando é em “Ariane”, palavra que designa foguetes franceses e que segundo o Wikipedia me falou, é uma tradução do francês para o nome grego “Ariadne” (opa, será que essa seria uma outra opção também?).

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    2. Helvécio21/9/07 10:57

      Que tal Aerial? De acordo com a wikipedia pode ser:

      Half angel, half demon (celestial being)

      E a pronúncia, em inglês, seria praticamente a mesma ;)

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    3. Mario,

      Primeiro, parabéns pelo projeto.

      Sobre o nome: que tal Arise? Em inglês, quer dizer erguer-se, ressuscitar ou rebelar-se.


      Abraço.

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    4. Também poderia ser Ariane ou Ariela, mas já que existe um poema tão bonito com o nome de Ariana, tá aprovado!!! hehe

      Mas vamos pensar nas possibilidades!

      Ares? (E vem antes de I, então ele viria primeiro que o Arial)
      Aris? (bonitinho vai)
      Ari+al? (acho que ficou na cara)
      Arialsuperultraplus (Tá, tem que ser curto...)
      Ariel? (uma coisa meio que pequena Sereia... :-P)

      Acho que já tô viajando aqui, hehe.

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    5. Essas sugestões são todas de altíssima qualidade. O que eu queria mesmo era que cada um criasse uma nova fonte usando um desses nomes! Ia ser bárbaro!

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    6. Infelizmente não conseguiria criar uma fonte, mas tento, na medida do possível, ensinar aos meus alunos a diferença entre as fontes e, principalmente, para que servem. Como usuário Linux e do LaTeX, consigo escapar facilmente do monopólio estabelecido pela MS no tocante as fontes. Mas é uma batalha inútil. Se a arial tivesse o nome xarial talvez não fosse tão utilizada, mas como ela esta logo no começo, batata!
      E a falta de conhecimento de tipografia, então, nem se fala, mas aí, também, é abusar do usuário do MS-word.

      Boa sorte para você!

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    7. Sim, o nome da fonte começado por A ajuda muito a popularizá-la. Por isso, os desenvolvedores de sistemas operacionais fariam um bem à humanidade trocando o simples menu alfabético por uma janela de espécimes com amostras dos tipos, organizada por estilo de letra e não pelo nome. Os sites que vendem fontes já buscam ser assim.

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    8. ehrr.. aerial também já existe

      :P

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    9. Prezados e prezadas,

      Ressuscito a discussão e proponho Ariclenes em homenagem a Lima Duarte ou Ariando, já que vivemos na Era Gerúndio do Pleistoceno.

      Tenho dito!

      Marco Aurélio Gondim
      marcogondim@gmail.com
      www.quehistoriaeessa.webnode.com

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