Há alguns meses esse experimento deu origem a uma empresa comercial, a Perceptive Pixel. Praticamente ao mesmo tempo, a Apple demonstrou as capacidades multitoque do iPhone, que está na bica para ser lançado e dar um chapéu na indústria de celulares como a conhecemos hoje.
Pois então, é neste momento significativo que nada menos que a Microsoft anuncia um produto multitoque para roubar um pouco do brilho dos demais: o Surface.
Vale a pena ver a apresentação, é uma lindeza. O que ela mostra é um PC com formato de mesa, dotado de uma interface completamente visual, sem menus nem botões (e, suponho, sem os alertas de segurança do Vista), capaz de ser usada por várias pessoas ao mesmo tempo. O espantoso é que ele apresenta os mesmos recursos multitoque do iPhone - incluindo o famoso gesto de zoom com as pontas dos dedos - e ainda inclui a interação direta com uma série de objetos, eletrônicos ou não, colocados sobre o tampo-display.
A Microsoft afirma que clientes comerciais já disporão do Surface em novembro. Então não é só um vapor para irritar a Apple? Impressionante. Mesmo.
A primeira coisa que você começa a querer saber é se haverá choque de propriedade intelectual com as implementações das mesmas idéias pelas duas outras empresas. Aparentemente, não. A MSFT diz que a idéia estava sendo desenvolvida em segredo nos seus laboratórios desde 2001, e que em 2003 o Tio Bill viu um protótipo funcionando.
Conforme você analisa os detalhes técnicos, vê que o Surface não tem nenhum grande mistério tecnológico; seu hardware poderia ter sido construído em casa por um hacker com boas habilidades mecânicas. O Surface é baseado num PC comum com Windows Vista. Sensoreia os dedos dos usuários usando câmeras e a imagem no tampo da mesa é produzida por um projetor; ambos os métodos são mais primitivos que os correspondentes da mesa da Perceptive Pixel. Os objetos que interagem com o Surface precisam ser dotados de um adesivo com um código de barras invisível, e no caso de celulares e laptops, devem ter software adequado para sincronização de dados sem fio. Senão, nada feito com eles. Assim, o mérito maior do Surface é ser um conceito bem apresentado, com aplicações de software razoavelmente bem pensados, ao menos nos vídeos de demonstração.
Venha como vier, a interface multitoque vai entrar na nossa vida por múltiplos canais. Via computadores de bolso - porque o iPhone não deixa de ser isso, além de telefone e gadget de mídia. E também via computadores-mesa - que inicialmente só serão vistos em hotéis e cassinos, mas a Lei de Moore promete um desses na nossa sala de estar em, quem sabe, menos tempo do que vai levar para todos nós termos TVs de alta definição suspensas da parede.
Update - Eis mais alguns projetos relevantes de mesas de toque:
Easel, por Daniel Rozin, 1998.
Sensetable, do MIT, 2001.
Mesa de toque do Conservation Lab do museu Bishop em Honolulu, Hawaii, 2005.
Beco das Palavras, 32 Bits/Uberdesigns, Museu da Língua Portuguesa, São Paulo, 2005.
Khronos Projector, Japão, 2006.
ReacTable, da Universitat Pompeu Fabra, Barcelona, 2007.
Easel, por Daniel Rozin, 1998.
Sensetable, do MIT, 2001.
Mesa de toque do Conservation Lab do museu Bishop em Honolulu, Hawaii, 2005.
Beco das Palavras, 32 Bits/Uberdesigns, Museu da Língua Portuguesa, São Paulo, 2005.
Khronos Projector, Japão, 2006.
ReacTable, da Universitat Pompeu Fabra, Barcelona, 2007.


3 comentários:
Uso PC (Intel & Intel) e desconfio muito da Microsoft, mas essa apresentação deles é realmente MUITO Boa. Notável como o conceito de interação permeia os filmetes, em detrimento ao cocooning.
O futuro? Bem, pelo menos para mim (fotógrafo) é um ScreenTablet de 19' ou 21', mix de notebook e Intous.
O futuro, assim o é.
Demorô! =)
Espera-se que, até o lançamento, eles resolvam aquele pequeno delay evidente nas aplicações de desenho.
E que marca fálica, não?
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