2007-02-25

Upgradeabilidade dos Macs

A restauração de um computador passa por quatro etapas:

1. Reconhecimento - levantar a ficha técnica completa, avaliar o hardware existente e planejar upgrades e trocas de peças;
2. Desmonte e limpeza completos, peça por peça;
3. Remontagem com os upgrades;
4. Faxina no software.

Macs são mais simples de mexer do que PCs, porque o hardware é mais padronizado e os upgrades são limitados. O software é ainda mais fácil: por ter reunido programas desde os tempos da Macmania, já tenho o básico para cada geração de máquinas. No caso de Macs doados com documentos pessoais dos donos ou ex-donos no HD, é trivial transferi-los para outro Mac mais moderno e gravá-los em CD ou DVD, depois de garantir que os documentos sejam abríveis no OS X ou no Windows.

Antes de embarcar numa restauração, é preciso saber o que se pode esperar da máquina. Se ela vai ser somente um enfeite chique para iniciar conversas com as visitas, ou se pode atuar como terminal de Internet ou até como computador de trabalho. Às vezes, a adaptação necessária é pequena. Outras vezes, uma limpeza no gabinete e no software basta para devolver a dignidade à velha máquina.

A utilidade cotidiana de um Mac antigo é vinculada à geração de software mais recente que ele suporta. Qualquer Mac com rede Ethernet serve como máquina de escrever, mas pode ser fútil manter um trambolho velho para essa tarefa em dias de vídeo digital, banda larga, monitores planos e CPUs baratas.
Na minha opinião, máquinas estacionadas no Mac OS clássico já ficaram irremediavelmente para trás, exceto em tarefas muito especializadas (como a da máquina de escrever) que não exijam a última tecnologia do momento.
A maioria dos usuários de computador não-especialistas gasta a maior parte do seu tempo usando a Internet. Por essa perspectiva, o critério de avaliação fundamental para definir a "reciclabilidade" de um computador velho é a capacidade de exibir páginas da Web modernas, ricas em mídias dinâmicas, como YouTube, Apontador e Gmail. Isso depende de browsers modernos, plug-ins em dia e uma agilidade mínima do hardware. No mundo PC, isso seria um Pentium III a partir de 500 MHz, com Windows XP SP2 e uns 512 MB de memória. Em geral, uma máquina de no máximo seis anos de idade.

No Mac OS 9.2.2, o último dos sistemas clássicos, a opção mais moderna de browser gratuito é o iCab, desenvolvido heroicamente por um programador alemão. Consegue abrir páginas modernas com CSS. A velocidade é péssima, mas não é por culpa do browser. A segunda opção de browser clássico é o horrível Netscape 7, que em vez de fazer o trabalho dele, obriga você a criar um login e passa o resto da vida insistindo para você se inscrever nos inúmeros e irrelevantes serviços Netscape. Não é de admirar que a companhia tenha caído no esquecimento. O plug-in Flash disponível para os clássicos já ficou obsoleto e vai abrir algumas coisas sim, outras não.
No Mac OS X 10.2.8 Jaguar, que é o sistema mais recente oficialmente suportado nos iMacs velhos e no G3 bege, vários aplicativos atuais já não podem rodar. Felizmente, o Firefox 2 e o Opera funcionam.
Assim, defini que o Mac mínimo aceitável deve rodar o Jaguar. Mas vai fazê-lo sofrendo, pois o Panther e o Tiger são mais eficientes. Existe um hack sofisticado para instalar sistemas mais recentes, mas no G3 bege você tromba com o chip de vídeo antigo demais, e os iMacs mais velhos (os que não trazem porta FireWire) simplesmente não comportam a RAM necessária.
Existem mais limitações chatas no G3 bege e nessess iMacs antigos. Eles exigem que o sistema operacional esteja contido na primeira partição do HD, que não pode ser maior que 8 GB. Assim, qualquer HD contemporâneo fica rachado em duas partições. Mais: o particionamento deve ser obrigatoriamente feito no OS 9, não no OS X, apesar de este oferecer o recurso. Ademais, o G3 bege não aceita dar partida de um disco IDE configurado como slave.
Quanto aos iMacs, há uma peça "bugada" na parte de alta tensão do monitor - o flyback - que em praticamente todos os exemplares construídos até 2000 acaba queimando em algum momento. Há oficinas com know-how específico para consertar esse problema, mas o custo pode não compensar. Especialmente quando se acrescenta o preço de um upgrade na memória SO-DIMM e no HD - tudo isso para rodar uma versão completamente ultrapassada do Mac OS X.
Já o G3 azul roda o OS X 10.4 Tiger sem engasgos nem bugs. Curiosamente, o Photoshop CS2 nunca dá no G3 o famoso problema dos G4, onde o programa ocasionalmente fecha na sua cara quando você abre as caixas de Levels e Curves. Por outro lado, com qualquer G3 você pode esquecer de USB 2, Bluetooth integrado, SATA, Wi-Fi, iSight, telefonia via IP, Front Row e playback de vídeo HD. Esses recursos só surgem a partir do G4 com vídeo AGP.

Para ser algo mais do que uma curiosidade histórica que roda o Tetris original (ou Marathon...) mas não presta para o dia-a-dia, o seu Mac precisa ter no mínimo rede Ethernet. Automaticamente fica de fora por esse critério a maioria das máquinas fabricadas antes de 1994, mas essas têm opção de adicionar a placa - desde que exista uma disponível, já que estamos falando de interfaces proprietárias obscuras, como NuBus e PDS, não o familiar PCI. Sem falar naquele velhusco conector de rede que exige adaptador. Os Macs construídos a partir de 1996 em geral já trazem a rede onboard.
Modelos anteriores a 1993 não têm drive óptico interno e só aceitam um drive externo via SCSI - ou seja, uma mosca branca com um olho azul e outro verde. Sem rede e sem CD-ROM, convenhamos, não dá. Transportar arquivos em disquetes... tá brincando? Até tenho drives e cartuchos Zip, mas estritamente para usar na manutenção. Zip foi uma boa idéia que veio tarde demais. Gravadores de CD e DVD só existem em máquinas modernas.
É imbatível a conveniência de dispor de uma rede que dê acesso a uma máquina moderna contendo queimador de disco e HD espaçoso. Guardo todos os softwares que quiser nesse disco, sirvo através da rede e pronto.

Resumindo, ao reformar uma máquina para uso cotidiano por uma pessoa não-especialista, meu critério de corte é a capacidade de rodar o Mac OS X 10.2 (Jaguar) com o Firefox 2.0 e acessar o YouTube com os vídeos pulando. Por esse critério passam todos os iMacs e as máquinas de mesa a partir do G3 bege. Mas sempre exigindo upgrade na memória e no HD. O G3 e sucessores usam memórias comuns e baratas, pois são as mesmas dos PCs. Já os iMacs sem FireWire pisam na bola ao exigirem a memória de laptop SO-DIMM, que é quatro vezes mais cara. Felizmente, HDs IDE comuns servem em Macs.

Apesar das encheções todas, lembre que são equipamentos fabricados há 8 ou 9 anos. Pense no pouco que você faria com um PC da mesma idade.

4 comentários:

  1. A Web 2.0 fodeu os Macs velhos. Paciência.

    Sabe que não acho que o Zip Drive veio tarde demais. Ele teve seus anos de glória. O que fritou ele foram CDs e pen drives (que na minha opinião fritaram tb os CDs) e armazenagem quase ilimitada na Internet associada com banda larga. Zips eram show de bola. Eu lembro que eu pirava com o poder de transportar 100 disquetes no espaço de um cartucho só. Foi uma midia de transição e acho que cumpriu bem seu papel. Ficou obsoleto pq ficou obsoleto. Vai comparar com os SanDisk USB de 2 gigas do tamanho da unha do dedão do meu pé...

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  2. O Zip era uma versão revisada do Bernoulli Drive, que já estava disponível em 1988 ou 89. Era nessa época que ele deveria ter surgido pra valer. O preço do cartucho Zip-100, a baixa qualidade de engenharia e manufatura (abra um drive e fique pasmo) e o sinistro Clique da Morte foram fatores decisivos para o sistema nunca morar no meu coração.
    De resto, tem razão quanto às mídias substitutas.

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  3. Perguntas e mais perguntas...
    É muito difícil desmontar um iMac DV para lavar o gabinete? Outra coisa: o drive de CD/DVD geralmente “engasga” e não consegue trazer o Cd totalmente pra fora. Você já viu outros iMacs apresentando esse defeito? Será que é algo que pode ser solucionado com um ajuste do drive?
    Mais uma: os alto falantes podem ser substituídos com facilidade?
    Gostei do novo nome do blog mas o “diferent thinker” era muito bacana.
    []s

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  4. Não precisei desmontar um DV inteiro, mas me parece mais fácil. De cara, toda a parte inferior sai com facilidade. O problema do drive pode ser simplesmente de alinhamento. Não compensa mexer nos falantes.

    Different Thinker era um apelido pretensioso que eu usava com bastante ironia num blog separado de opinião sobre computação, em 2002-2003. Aquele blog acabou fundindo-se com este, que em tese é meu blog pessoal, mas onde nunca falo diretamente da vida pessoal, nem escrevo mais opinião sobre computação. Mas agora estou numa fase nova da vida ;-) Resolvi que Good Vibrations, embora seja menos original, tem mais a ver comigo hoje.

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