2006-02-06

Tipografia digital, parte 2: a nova Arial

Em 1983, a typefoundry Monotype lançou Arial, uma fonte digital para impressão a laser. Naquele tempo, Helvetica era uma fonte padrão nas lasers e a Arial surgiu para ser um clone mais barato da Helvetica. Arial foi desenhada para se encaixar exatamente no mesmo espaço da Helvetica, letra por letra, a fim de permitir a substituição de impressoras sem alterar o fluxo de texto nas páginas. O desenho dos caracteres da Arial, bem mais rústico que o de Helvetica, foi minuciosamente "tunado" para compensar a baixa qualidade de reprodução das lasers de então.

A Microsoft incluiu Arial no conjunto de fontes básico do Windows 3.1, em 1993. Posteriormente, Arial foi promovida a Web Core Font, o que lhe deu status instantâneo de celebridade tipográfica na Internet. Nos anos seguintes, uma legião de pessoas de todos os ramos de atividade adotou Arial como fonte única para todo tipo de trabalho. A combinação da onipresença do Windows com a disponibilidade de ferramentas de design para leigos resultou na monopolização e supersaturação do espaço visual por trabalhos feitos em Arial. Certamente foi um destino que o criador da fonte, Robin Nicholas, não tinha como prever para ela. O desenho da Arial é adequado para impressoras laser de 300 dpi e monitores de 72 ppi, mas não para faixas, letreiros, anúncios, logos e textos em publicações. Arial tem sido constantemente condenada e ridicularizada por designers gráficos, tanto pelos seus atributos visuais como pela sua história controversa e pelos abusos na utilização.

Com o sucesso comercial da Arial, a Monotype (adquirida pela Agfa) lançou versões Unicode e versões adicionais suportando múltiplos idiomas, além de novas variações de pesos, tornando-a uma das fontes mais versáteis para uso em computação. Mas a Microsoft reconheceu um potencial não realizado da visualização e legibilidade de fontes em computadores, e encomendou ao designer Matthew Carter novos tipos que tivessem melhor leitura e maior qualidade estética. O resultado foi uma família de fontes da qual os membros mais proeminentes são Tahoma e Verdana. A segunda é uma versão mais recente e mais estreita da primeira; Verdana é usada em milhões de websites e Tahoma é a fonte padrão do Windows XP.

A Monotype ainda teve a audácia de clonar Palatino, a obra-prima do calígrafo e tipógrafo alemão Hermann Zapf. Ele protestou furiosamente contra o clone, chamado Book Antiqua; a Microsoft o apaziguou licenciando também a Palatino. Só que manteve, de forma um tanto bizarra, Book Antiqua no rol de fontes do Office, talvez a título de manter a compatibilidade com documentos criados nessa fonte.

Em tempo, cabe lembrar que existem fontes alternativas para uso com Software Livre. São similares, porém não cópias diretas, das que se encontram no Mac OS X e no Windows. Aqui está uma lista detalhada de quais fontes no LInux substituem quais aos se transpor materiais criados nos outros sistemas.

Abram alas para a nova Arial

Chegamos enfim à polêmica do momento. Segoe UI, a fonte oficial do Windows Vista, é uma adaptação para a tela do PC da atual fonte corporativa oficial da Microsoft, Segoe, licenciada da Monotype. (UI significa User Interface.) Pois a primeira coisa que chama a atenção sobre Segoe é que se trata da um clone idêntico, uma chupinhação descarada da fonte Frutiger, desenhada pelo artista gráfico suíço Adrian Frutiger e publicada pela Linotype em 1976.

Quando a Microsoft substituiu Franklin Gothic por Segoe em sua comunicação visual, há dois anos, ninguém comentou nada; afinal, parecia óbvio que a fonte usada era Frutiger, a favorita dos bancos e corporações que buscam parecer sérias e modernas. Mas quando apareceram os primeiros betas do Windows Vista (então chamado Longhorn) exibindo nas janelas e menus uma fonte chamada Segoe UI e creditada à Agfa Monotype, um punhado de designers gráficos se ergueu em indignado protesto.

Um desenvolvedor da Microsoft se defendeu afirmando que o design de Segoe se diferencia e vai além de Frutiger, pois contém caracteres itálicos autênticos e não apenas as letras normais inclinadas no lugar de itálicas. Essa alegação é ignorante ou de má-fé, pois a versão atual da Frutiger - Linotype Frutiger Next - contém um conjunto de itálicas verdadeiras e foi lançada em 1997, oito anos antes de Segoe.

Temos aqui um caso lamentável de plágio reincidente: Segoe UI, Arial e Book Antiqua são todas cópias de criações alheias, sempre produzidas pela Agfa Monotype e sempre adotadas pela Microsoft, presumivelmente para não pagar royalties pelas versões originais. No caso da Arial, o criador de Helvetica (o suíço Max Miedinger) não estava mais vivo para se defender. Já Hermann Zapf teve a compensação de ver sua fonte original licenciada. E Adrian Frutiger, já octogenátio, porém ainda atuante no ramo da tipografia, como fica?

Curiosamente, todos os designers copiados são europeus, e tanto a Agfa quanto a Linotype têm sede na Alemanha. Outro detalhe intrigante: nos Estados Unidos o copyright sobre fontes só protege o nome da fonte, não estabelecendo nenhum direito sobre os desenhos das letras.

O design de Segoe, por ter uma referência de alto nível técnico e estético, é afortunadamente superior ao de Arial. Mas em termos de mérito moral, ela já está sendo linchada [link em alemão] no mundo do design.

De tanto fuçar, encontrei a informação que elucida o mistério de como a Microsoft conseguiu se meter nessa confusão. A nova identidade visual da Microsoft foi elaborada por uma agência chamada Ascender Corporation, que é o nome comercial de um ex-designer da Agfa Monotype chamado Steve Matteson. A página também informa que ele participou da conversão de Arial para o formato TrueType. Mais digna de nota no portfólio desse sujeito é a identidade visual da Agilent, uma spin-off da HP. Pois bem, a fonte corporativa da Agilent é um clone de... Univers, que também é de autoria de Adrian Frutiger! E também foi "desenvolvida" na Agfa Monotype!

A cara-de-pau é infinita. A fonte em questão, além de não ter nada de exclusiva, é uma das mais populares do planeta. Os diretores da Agilent precisam ter sido muito míopes para cair nessa. Mas como julgar então a Microsoft, que já "caiu" alegremente três vezes? Qual é a necessidade de uma corporação bilionária se arriscar à execração pública licenciando repetidamente fontes chupadas de outras, prática que não é mais do que um gênero bastante visível de pirataria? E com que moral a mesma corporação se lamenta pelos piratas de software, se no design do software utiliza outros pesos e outras medidas?

Como andam as coisas na Apple

Não é nada fora do comum imaginar que a Microsoft recorreu a um clone de Frutiger para sua nova imagem corporativa simplesmente porque, pouco antes, a Apple adotou uma fonte similar a Frutiger. E de fato, a Apple adotou em 2002 a Myriad, da Adobe, em substituição à datada Apple Garamond. Myriad tem influência óbvia de Frutiger, embora ainda se possa distinguir as duas sem muita dificuldade. Alguns designers pensam diferente e não vêem em Myriad nada além de mais uma cópia de Frutiger. A versão condensada de Myriad é a fonte oficial da Adobe há pelo menos 15 anos. Segoe tem em comum com Myriad os pingos redondos nas letras "i" e "j", que em Frutiger são retangulares.

As interfaces do Mac OS X e dos iPods com tela colorida utilizam uma variação de Lucida Sans (disponível também no Windows), não Myriad. Nos corpos diminutos em que aparecem na tela, as duas fontes são suficientemente parecidas entre si para que eu me pergunte porque não optaram logo por apenas uma delas para todos os usos.

14 comentários:

  1. Cara, este texto é fantástico. Mas puta papo de louco. Parece todo um submundo rolando por aí. Vai rolar Type Wars?

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  2. Digo mais, lendo todos os links que vc disponibilizou. É impressionante como um assunto de tanta relevância para um grupo é tão irrelevante para um grupo tão grande de pessoas. Embora tipos diferentes me agradam de diferentes formas, coisas como diferenças entre arial e helvetica nunca conseguiram ficar registradas de fato no meu cérebro. Acredito que realmente precisa de uma dedicação de uma vida para este tipo de coisa. Foda é ter esta dedicação roubada - mas isso é realmente inevitável devido à natureza da web. Cara, chamar uma agência criadora de tipos de fundição é demais. Desculpe as idéias desordenadas.

    Não há uma dose de arrogância aí nos "tipografistas"? Eu sei que o tipo (tô resistindo chamar a bagaça de fonts) é fundamental para manter a coesão e a força de um design, mas, francamente, fsck it.

    Mesmo assim dá pra ver a paixão e a excitação passando pelas defesas apresentadas pelo texto. Sei lá.

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  3. Deve ser tipo cerimônia do chá ou coisa parecida, é a única explicação que consigo encontrar.

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  4. Caio, se não compreende algo, em princípio respeite; é o que repetidamente aprendi ao entrar num ramo de conhecimento novo.
    Se suas colocações foram com interesse real nesse assunto, seja bem-vindo às explicações abaixo... Caso contrário, lamento...

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  5. Tipografia é uma ciência complexa, que exige especialização e dedicação incomuns; é um pouco como engenharia aeronáutica ou construção de edifícios, no sentido de que funciona bem quando as pessoas que tiram proveito dela não precisam pensar no assunto. Como naquela propaganda que falava em esquecer os pneus do carro.

    Agora, o fato de você não necessitar saber nada de tipografia para sobreviver não significa que é algo irrelevante. Pelo contrário, somos bombardeados de tipografia sem parar. Os designs, normas e tecnologias de que usufruímos não brotaram em árvores. Resultaram de uma extensa colaboração de indivíduos. Se nós hoje nos comunicamos por escrito com eficácia e conforto, é porque alguém quebrou a cabeça por nós. Sozinhos, estaríamos perdidos. Lembra como no começo a utilidade dos microcomputadores era questionada porque cada usuário teria de digitar seus programas, sendo que nem todo mundo tem o dom para programar? Os aplicativos prontos nos salvaram. A tipografia foi a mesma coisa, só que há 500 anos.

    Uma prova de que é preciso recorrer a um sujeito do ramo para que o trabalho fique bom é o aspecto medonho das fontes tipográficas usadas nos computadores mais velhos. Como é que as fontes atuais conseguem ter um visual muito melhor, se os pixels do monitor são os mesmos? Porque as fontes antigas foram criadas por engenheiros de software e as atuais por desenhistas tipográficos.

    Um estúdio tipográfico é chamado de fundição porque os tipos de metal eram a forma básica de reprodução de textos desde Gutenberg (1450) até a segunda metade do século 20, quando ela foi substituída rápida e sucessivamente por outras técnicas: litogravura offset, rotogravura, fotocomposição, digital. Linotype e Monotype são nomes de antigas máquinas de fundição de tipos do século 19. Elas continuam firmes porque atualizaram constantemente a tecnologia e aproveitaram o know-how acumulado.

    Tipografia é uma mistura de tradição artesanal com desenvolvimento científico. Um cara como Zapf ou Frutiger, ao longo de uma só vida, teve oportunidade de trabalhar com todas as novas tecnologias desde o metal fundido até a fonte digital. Cada técnica nova exige soluções e abordagens diferentes. A última geração de designers gastou mais tempo redesenhando tipos existentes para novas técnicas do que inventando designs originais.

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  6. Parabéns pelo texto esta muito bem escrito e explicativo.

    Mas, assim como o dom de programar, acho que tem que ter o dom pro design (ou tipográfia sei la) porque eu não consigo encontrar essas diferenças nas fontes ^^ a não ser que me mostrem o mesmo texto em fontes diferentes.

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  7. É um pouco pior ainda que programar, porque o tipógrafo tem que ser um artsta e também um programador. A fonte é um software contendo instruções especializadas para desenhar os caracteres numa variedade de tamanhos. E e o conjunto de caracteres numa única fonte OpenType para uso em Unicode pode chegar a milhares. Uma pessoa sozinha não dá mais conta.

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  8. É muito importante dizer que tudo que eu falo são opiniões sobre um assunto que eu tenho pouco domínio, mas que fazem parte do meu dia a dia. E, mesmo sob o ponto de vista de um leigo, eu tentei seguir este tema com certo interesse já faz algum tempo. Várias coisas eu tentei seguir e até dominei até um certo ponto, mas a tipografia não foi uma delas. Quero que saiba que o que expresso aqui são opiniões não especializadas. Talvez por isso sejam importantes pq são opiniões de quem está de fora. Não tenho intenções maldosas ou pejorativas.

    Talvez agora eu vá tocar em um assunto delicado. Eu sei que a tipografia é uma ciência delicada e extremamente complexa. Por isso eu comparei com a cerimônia do chá. Algo que à primeira vista é trivial mas tem uma delicadeza e complexidade tão profunda que somente depois de vários anos de dedicação total podemos ter uma arremedo de satisfação pessoal. Mas escrevendo estas palavras inúteis eu observo o que me deixa emputecido de verdade com toda esta treta tipográfica. É essa coisa de cópias mal-feitas e pobres que pipocam. Eu não vejo pq um tipografista não pode dedicar sua vida inteira a esta arte e ganhar MUITO bem por isso. Mas eu não vejo pq ele tem que se segurar mesquinhamente a um desenho que deveria ser benéfico para a humanidade (melhorar interação e paz espiritual no trato interpessoal) e cobrar milhares de dólares ou tomar medidas que impeçam o uso disseminado. Para mim isso é um convite á pirataria e cópias mal-feitas. Se a Adobe não diferenciasse ou limitasse o acesso ao Type 1 teria surgido TrueType (talvez eu tenha errado nos termos mas a idéia passa)? Se a helvetica não fosse uma fortuna teria surgido a Arial? A helvetica não ganhou dinheiro o bastante? A helvetica não passou à (quase) irrelevância? Valeu a pena a reserva de mercado? Um artista que compõe deve segurar sua obra para si? Ou deve tomar todas as medidas para disseminá-la da melhor forma possível. A pirataria ocorre devido a medidas do tipografista ou do estúdio que o contratou?

    Mário, no seu próprio histórico de blogs (me arrependo de não ter lido antes) vejo que vc criou tipos. Vc gostaria que se espalhassem por aí? Vc gostaria do seu quinhão de dinheiro por estarem usando coisas suas? Claro que gostaria. Mas vc continuaria sendo um artista de classe contratado a peso de ouro pra fazer trabalhos bons, enquanto seus produtos comporiam o inconsciente coletivo se tivessem a disseminação de tipos como vc mencionou no seu texto. Isso tem preço? Isso é quase ser deus. O preço de não fornecer seus produtos criativos para todos é observar outros lucrarem com cópias baratas não reconhecidas.

    Novamente peço perdão pelas idéias mal alinhadas, mas acho que é isso que pega pra mim em todas estas paixões nas disputas de tipografias. O rancor de ter algo fundamental, extremamente difícil, mas que é somente a ferramenta, a parte de algo maior. Algo que irá ser utilizado em composições, mas que não se segura por si mesmo a não ser para o próprio criador. A tipografia é fundamental, mas as palavras ainda tem peso. Estou escrevendo isso no Nisus (recomendado por vc) em um tipo que me enoja não sei pq, provavelmente não será o mesmo publicado nos comentários. Mas não vou mudar o tipo agora pq as palavras são mais urgentes. Acho incrível a dedicação dos tipografistas, mas estou mais interessado no objetivo final do seu uso. É fantástica a arte de apertar parafusos e deixá-los fixos de forma sucinta e bela, mas estou mais preocupado com o avião do qual eles fazem parte. E, francamente, se eu sei uma forma melhor de apertar parafusos, eu quero que todos usem e produzam melhor. Não quero ficar segurando este método e gritar “é meu” qdo ver algo parecido.

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  9. Ah, então você estava escondendo um pouco o jogo, mesmo, e minha provocação nutriu o debate ;-)

    Primeiro de tudo, sim, desenhei vários tipos. Nada tão complicado como as fontes OTF que são assunto do post. Fontes Tipo 1 com o conjunto de caracteres romano simples e só. A principal delas, batizada inicialmente de Zviezda, foi criada em 1996. É rigorosamente geométrica e modular, e ainda por cima unicase. A programação básica da família de quatro pesos levou só uma semana. Apesar de toda essa facilidade, o conceito é original e fácil de diferenciar de qualquer outro tipo do seu gênero. Tem potencial ainda não realizado, pois a distribuição foi deficiente. Disponibilizei essa família como freeware naquela época.

    Um dos projetos meus que nunca chegam a ficar prontos é a expansão dessa mesma família, com outro nome (ainda não definido), formato OTF, 16 pesos (!) que podem ser intercombinados livremente à la Zapfino Extra, mais outros 16 pesos com outro acabamento. Desta vez vai ser fonte comercial, porque o enorme investimento de tempo e equipamento implica compensação, mesmo que no pinga-pinga.

    Questionar a profissão com base num suposto purismo dos tipógrafos não leva a nada. Além de um amplo espectro de opiniões sobre o assunto, eles têm pouquíssimo controle sobre os rumos das suas idéias. As empresas definem os rumos da indústria.

    Achar que se pode descuidar da própria sobrevivência em nome de uma duvidosa glória pessoal de ver sua obra divulgada é inocência. Um dos dilemas básicos de toda profissão criativa é balancear o comercial e o artístico. Quando desenhei a Zviezda, há 10 anos, eu era um idealista ingênuo que acreditava candidamente em compartilhar tudo. E, ao mesmo tempo, alimentava a perigosa vaidade de querer ver a própria obra espalhada pelo mundo. Bem, as duas coisas são antagônicas. Essas ilusões se desfizeram com o tempo. Hoje tenho um baú de idéias inéditas aguardando o momento de serem utilizadas da maneira mais efetiva que aparecer. Vou mudar de idéia quando virar monge Zen e passar a viver de caridade.

    Este blog contém textos disponibilizados pela licença Creative Commons, alguns dos quais poderiam ser vendidos a alguma publicação especializada. Isso deve responder à sua última questão.

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  10. Nenhum problema em virar monge zen e viver de caridade. O que o material te trouxe até hoje?

    Falando nisso acho que estava em uma espécie de transe ao escrever o texto acima. Não lembro de quase nada em retrospecto. Escrevi após o passeio sequencial pelo seu texto e pelos links culminando naquelas fontes iguais (helvetica e arial) se batendo em flash. Mas sua resposta foi convincente. Acho que o meio-termo deve ser alcançado, mas não é o que ocorre. Falta muita seleção até chegar o equilíbrio. Acredito que chegaremos lá mas não seremos testemunhas. Talvez nossos netos.

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  11. O que o material me trouxe foi uma tecnosfera insidiosa e uma bela coleção de CDs. Falando mais sério, Arial e Helvetica não são iguais, comparar elas é como comparar notas de reais com notas de francos suíços.

    O equilíbrio jamais é obtido, porque não é um processo de evolução histórica para uma meta definida, mas apenas um movimento lateral dentro de um universo. Há somente épocas específicas de um quase-equilíbrio momentaneamente satisfatório, e que olhado em retrospecto é reconhecido como ilusão.

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  12. Não é bem assim. Arial e helvetica são diferenciáveis por quem tem o olho treinado. Já o franco suisso e o real, embora ambos sejam coloridos e bem gay, podem ser distinguidos por qualquer mendigo. Saber diferenciar bichos de humanos é diferente de saber que a inclinação X da perninha Y tem ângulo tal em vez de reto e isso fica uma merda num outdoor de 10m , etc. etc. Independente disso, claro que são diferentes, e não tenho nada contra isso.

    Quanto ao equilíbrio, fui um pouco ingênuo ao deixar isso pros nossos netos. Não dá pra falar de uma década de equilíbrio e sim de milênios, portanto ainda estamos na infância. Se não ocorrer isso será erradicação total.

    Beleza, de qquer jeito desculpe a encheção mas estas discussões são animadas e é meio estranho levar isso num comments.

    Saudações.

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  13. Anônimo3/5/06 20:26

    teorias da conspiração ou não?

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  14. Impressionante como pessoas como este Caio, mesmo após assumir desconhecimento sobre determinado assunto, insistem em falar sobre o assunto, discorrendo frases sem muita preocupação com a coerência. Mas essa é uma das carcterísticas da internet. As pessoas saem emitindo opiniões sem maior embasamento e tudo fica registrado pra que a posteridade leia o comentário irrelevante do infeliz.

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