2006-02-15

Que preços são esses?

Semana passada o pessoal da PC Mag viu um punhado de lançamentos da Apple e teve acesso aos preços dos novos produtos. Não digitei nada errado, é isso mesmo:

Dólar norte-americano
Câmbio oficial de hoje: R$ 2,138

iMac Intel
USA: US$ 1400
Brasil: R$ 6.700
Sobrepreço: 224%

MacBook Pro
USA: US$ 2000
Brasil: R$ 12.700
Sobrepreço: 297%

Que eu me lembre, o imposto de importação é de 50 por cento, não algo entre 200 e 300 por cento. Mesmo tirando uma margem generosa para a revenda, resta uma diferença que se poderia chamar de escandalizante. E o fato de essa diferença ser tão discrepante entre os dois modelos só adiciona ao escândalo.

Quem me conhece há tempo sabe que fui um dos editores da Macmania e há anos testemunho uma atuação medíocre da filial brasileira da Apple, bem como a elitização colateral da plataforma Mac, a quebra gradual das revendas de Mac e, mais recentemente, a falta de controle sobre o comércio do iPod. Mas desta vez eu gostaria de ver algum tipo de esclarecimento público sobre o que é que está havendo. Quero especificamente que alguém apresente provas oficiais e convincentes de que: 1) os preços acima não são abusivos e expressam uma filosofia comercial coerente; 2) a Apple Brasil se mantém viável, mesmo alienando os compradores privados de Mac e iPod e na prática convidando-os ao contrabando; 3) busca ativamente maneiras de tornar os produtos mais competitivos, como redução de taxas e contratação de uma montadora no país.

Se não se comprovar nenhum dos três itens, é caso de discutir aberta e francamente até descobrir exatamente quem na Apple Brasil leva vantagem com essa situação bizarra. Porque não há justificativa para que continue assim. A sede da Apple pretende vender 10 milhões de Macs este ano, contra 4 milhões em 2005, e o iPod chega a 40 milhões de unidades vendidas no mundo. De que maneira ela irá crescer no Brasil? Há interesse sincero em vender mais pelo canal oficial? Há planos de competir em condições de igualdade com o mercado de PC de grife, em vez de permanecer apenas ordenhando os clientes corporativos e fazendo pose na FNAC?

Update - Eu tenho uma câmera Sony DSC-T7, aquele modelo ultrafino que tem sido bastante propagandeado, pois a Sony mandou montar uma porção delas em Manaus (exatamente o tipo de medida que, segundo os consumidores da Apple, abaixaria salutarmente o preço dos Macs).
O preço de rua da Sony DSC-T7 nos EUA é a partir de US$ 299 (R$ 632,68).
O preço nos chineses do PromoCenter é em torno de R$ 1400 (US$ 660). Sobrepreço: 221% - e ainda achamos barato.
O preço na FNAC e na Fast Shop é o mesmo: R$ 2499 (US$ 1181). Sobrepreço: inacreditáveis e inaceitáveis 395%.
Compare e pense.

10 comentários:

  1. Que tal chamar a Pol�cia Federal ? Fizeram um barulho na Daslu, podem muito bem fazer isso nesse lixo que a Apple nos oferece.

    NOJO

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  2. Infelizmente isso não é exclusividade da Apple Br.
    Veja isso:

    Câmera Digital Sont DSC P200
    FNAC - R$ 2.014,00 = U$ 941,00
    BHPhoto - U$ 280,00
    Sobrepreço: 336%

    Multifuncional HP PSC 2355
    FNAC - R$ 1.000,00 = U$ 467,00
    HP home (USA) - U$ 162,00
    Sobrepreço: 288%

    ...e por aí vai. É o tal do custo Brasil.

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  3. Leia o adendo no meu texto sobre câmeras digitais... mesmo problema na Sony que na Apple.

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  4. A pressão contra estes preços tem que vir de onde dói mais - do mercado corporativo. Não acredito que a Apple Brasil se preocupe com os consumidores privados. Agora é rídiculo o preço do PB ser o mesmo da época do dólar a 3.

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  5. Mario,
    e voce sabe como a gente pode fazer prá importar direto?
    Se soouber, me avise.

    Saudades,
    Tuta

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  6. Jônatas Gardin16/2/06 19:27

    A resposta é simples Mário: eles não querem vender aqui.

    Não existe nenhum esforço para vender aqui (e eu duvido que um dia as coisas melhores).

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  7. Isso me fez lembrar duma situação de preço da Daslu que vi recentemente numa reportagem: mocassims Gucci que a loja vendia por aqui a 2.000 reais ela comprava no exterior por 80 dólares — ou seja, por volta de 170 reais.

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  8. Em tese, a demanda estabelece o preço, mas não é isso que vejo com os Apples. Vejo simples vontade de ordenhar a vaca de clientes corporativos e institucionais que trocam os computadores por atacado e imagino que não discutem preço, senão já os teriam trocado por PCs. Editora Abril e Escola Panamericana de Arte me vêm à mente.

    O consumidor individual vem sendo desdenhado pela Apple Brasil desde 1999 ou 2000, quando o câmbio desfavorável aniquilou o pouco que os Macs tinham de competitividade de preços no país. Não demorou muito e deixaram de patrocinar a Macmania e enxugaram as revendas. Quando surgiu o iPod, ela estava completamente despreparada para cuidar de um produto de consumo de massa. Cinco anos depois, continua exatamente igual.

    E continuo esperando que alguém apareça para dizer ao público o que a empresa realmente pretende aqui. Porque do jeito que está não faz falta.

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  9. Mais discussão aqui:
    http://blog.jonatasgardin.com/arquivos/2006/02/16/a-apple-nao-me-quer-como-cliente-continuacao/

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  10. Que bom que você voltou a falar de Mac!

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