Grifos meus.
Na elegia ao falecido diretor de redação da revista, Tales Alvarenga:
Tales deixou lições de humildade, coragem, honestidade e lealdade no exercício de uma profissão em que a manutenção desses valores sofre tentações cotidianas. Ele não apenas os manteve intactos, como os transmitiu pelo exemplo e pela incansável pregação aos jornalistas das redações que dirigiu. Sua contribuição a VEJA é inestimável. Tales destronou o texto acusador e humanizou o tratamento editorial da revista. ...
Traduzindo: práticas editoriais que visam interesses políticos e comerciais são, oficialmente, "tratamento editorial humanizado". Quando são praticados pelas revistas concorrentes, podem ser chamados pelos seus nomes mais conhecidos e mais feios. Exemplo: o que se falou durante as recentes brigas da Veja com a IstoÉ.
Na análise da polêmica das charges de Maomé:
Não há nenhuma razão insuperável pela qual muçulmanos e ocidentais não possam conviver pacificamente. Isso exigiria que cada parte examinasse suas idéias sobre a outra. Em especial, contudo, os muçulmanos precisariam encontrar um jeito de se ajustar á vida moderna.
Tradução: "Os ocidentais e os muçulmanos não se entendem, mas toda a culpa é toda dos muçulmanos. A nossa vida moderna é a correta. A dos muçulmanos está errada. Eles terão de aprender o nosso jeito." Ranço autoritário, servidos?
Pelo bem da concisão deste blog, não vasculhei as numerosas e constantes menções hostis ao Chávez.
E voltamos ao velho dilema: a Veja e tantas outras revistas de “informação” semanal têm um conteúdo jornalistico um tanto questionável, para não dizer outra coisa. Assim o melhor seria ignorá-las e procurar informação por outros meios. O problema é que elas têm um alcançe enorme e se não lemos as tais revistas acabamos ficando “desinformados”, pois elas acabam pautando uma boa parte da opinião pública.
ResponderExcluirE então, ler ou não ler?
Eu, na maior parte do tempo, prefiro não ler a Veja nem a Carta Capital (que é uma Veja barbuda), nem a Isto é (que fala mal da Veja, mas morre de inveja).
É verdade que as revistas semanais pautam as conversas das pessoas. É por isso mesmo, em boa parte, que elas compram: para terem assunto de conversa. Já a necessidade dos editores é comercial e política. Vai morrer de ingenuidade quem crê na declaração de intenção de que essas revistas buscam informar o leitor.
ResponderExcluirOs objetivos são simples: fazer o leitor 1) adotar os parâmetros ideológicos promovidos pelos editores e donos; 2) consumir sem questionamento aquilo que é anunciado, incluindo propagandas pagas e publicidade indireta dentro das matérias; 3) permanecer em relação de dependência intelectual em relação à mídia.
Esses objetivos não são gerais da mídia. Uma revista de pesca ou de eletrônica não tem essas metas. Falo especificamente da mídia que se atira diretamente dentro do jogo político e subsiste via promoção do consumismo.