2006-02-13

Duplipensar

Transcrições das Vejas das últimas semanas.
Grifos meus.

Na elegia ao falecido diretor de redação da revista, Tales Alvarenga:

Tales deixou lições de humildade, coragem, honestidade e lealdade no exercício de uma profissão em que a manutenção desses valores sofre tentações cotidianas. Ele não apenas os manteve intactos, como os transmitiu pelo exemplo e pela incansável pregação aos jornalistas das redações que dirigiu. Sua contribuição a VEJA é inestimável. Tales destronou o texto acusador e humanizou o tratamento editorial da revista. ...


Traduzindo: práticas editoriais que visam interesses políticos e comerciais são, oficialmente, "tratamento editorial humanizado". Quando são praticados pelas revistas concorrentes, podem ser chamados pelos seus nomes mais conhecidos e mais feios. Exemplo: o que se falou durante as recentes brigas da Veja com a IstoÉ.

Na análise da polêmica das charges de Maomé:

Não há nenhuma razão insuperável pela qual muçulmanos e ocidentais não possam conviver pacificamente. Isso exigiria que cada parte examinasse suas idéias sobre a outra. Em especial, contudo, os muçulmanos precisariam encontrar um jeito de se ajustar á vida moderna.


Tradução: "Os ocidentais e os muçulmanos não se entendem, mas toda a culpa é toda dos muçulmanos. A nossa vida moderna é a correta. A dos muçulmanos está errada. Eles terão de aprender o nosso jeito." Ranço autoritário, servidos?

Pelo bem da concisão deste blog, não vasculhei as numerosas e constantes menções hostis ao Chávez.

2 comentários:

  1. E voltamos ao velho dilema: a Veja e tantas outras revistas de “informação” semanal têm um conteúdo jornalistico um tanto questionável, para não dizer outra coisa. Assim o melhor seria ignorá-las e procurar informação por outros meios. O problema é que elas têm um alcançe enorme e se não lemos as tais revistas acabamos ficando “desinformados”, pois elas acabam pautando uma boa parte da opinião pública.
    E então, ler ou não ler?
    Eu, na maior parte do tempo, prefiro não ler a Veja nem a Carta Capital (que é uma Veja barbuda), nem a Isto é (que fala mal da Veja, mas morre de inveja).

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  2. É verdade que as revistas semanais pautam as conversas das pessoas. É por isso mesmo, em boa parte, que elas compram: para terem assunto de conversa. Já a necessidade dos editores é comercial e política. Vai morrer de ingenuidade quem crê na declaração de intenção de que essas revistas buscam informar o leitor.

    Os objetivos são simples: fazer o leitor 1) adotar os parâmetros ideológicos promovidos pelos editores e donos; 2) consumir sem questionamento aquilo que é anunciado, incluindo propagandas pagas e publicidade indireta dentro das matérias; 3) permanecer em relação de dependência intelectual em relação à mídia.

    Esses objetivos não são gerais da mídia. Uma revista de pesca ou de eletrônica não tem essas metas. Falo especificamente da mídia que se atira diretamente dentro do jogo político e subsiste via promoção do consumismo.

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