2006-01-26

Interface humana, parte 1: Mac versus Windows

Os geeks em geral - e em especial o tipo de geek que insiste em ler o meu blog - adora questões de interface de computador. Elas reaparecem todo dia nas eternas discussões sobre Mac, Linux, Windows, celulares, iPods, home theaters. Pessoalmente, já fiz bastante pesquisa sobre o assunto e tenho algumas opiniões teimosamente fechadas sobre ele. Resolvi botar o que aprendi numa série de textos, e então partir daqui para terreno novo.

Primeiro, o Windows. Todo dia ouço gente esbravejando, mas ele não é categoricamernte desagradável... depois que já estamos acostumados e sabemos o caminho para fazer a máquina funcionar a nosso favor e não a favor da Microsoft. Antes disso, é perfeitamente possível a um sujeito versado em máquinas sentir-se intimidado pela obscuridade do sistema. Os controles são confusos e sem hierarquia lógica. Há um excesso de meios diferentes para fazer cada coisa, e é preciso aprender todos para decidir por conta própria qual é o mais eficaz. Configurações básicas são ocultas, e as supérfluas evidenciadas. Faça uma coisa só um pouquinho diferente do roteiro previsto e o programa pifa. E talvez a coisa mais incômoda, pois é a mais recorrente: janelas de notificação óbvias (eu já sei que inseri o pen drive numa porta USB de baixa velocidade, não precisa me repetir isso toda vez!) e inesperadas caixas de diálogo modais (isto é, do tipo que obriga a clicar sim ou não para tirar a caixa da sua frente) que distraem e interrompem você mais do que os parênteses chatos que coloquei nesta frase por analogia.
A intenção em encher o sistema de avisos e interrupções é aparente: fazer o PC parecer "esperto". Assim, quase parece que ele consegue adivinhar o que o usuário está pensando, certo?
Não. Na real, ele fica apenas mais chato e mais inconveniente.

Agora é a vez do Mac. Durante muitos anos, o principal argumento dos fãs a favor do Macintosh foi a interface, a tal ponto que esse aspecto virou uma obsessão dos usuários, até o extremo de obliterar outras questões importantes, como estabilidade e compatibilidade, nas quais o Mac perdia feio para o PC antes do Mac OS X. (Hmmmm... será que não havia, afinal, uma dose de deliberação nesse viés?)
Interessantemente, há um consenso geral de que o Mac OS X atual é aproximadamente equivalente em quantidade de recursos ao futuro Windows Vista. Mas o XP atual passa uma impressão (falsa) de que trabalha mais que o Mac OS X. Como isso pode ser?
Tradicionalmente, o usuário do Mac não é bombardeado com perguntas do sistema sobre coisas que ele pode não saber (nem precisar) responder; os recursos da máquina são mais organizados e parecem mais simples, mesmo não sendo. Mudar de janela? Um simples gesto do mouse torna todas elas visíveis ao mesmo tempo. Configurações do sistema? O painel de preferências conta com área de busca embutida para achar qualquer coisa instantaneamente. Instalar programas? É só arrastar o ícone do programa para o disco. E assim por diante. Resta ainda muita coisa boa no Mac OS para o Windows copiar.

Falando assim, parece até que o Windows é um inferno e o Mac OS um paraíso. Porém, os dois sistemas demandam muita evolução. A interface de ambos ainda é baseada em menus que precisam ser vasculhados, janelas que precisamos redimensionar e ícones que precisam ser duplo-clicados. Ainda é preciso esperar abrir um programa para poder criar um documento. Ainda é preciso gastar tempo fazendo faxinas nas nossas pastas de arquivos e gravando backups. Se cai a eletricidade, a máquina perde as últimas coisas que você fez. E demora pelo menos meio minuto para dar partida. Isso tudo não mudou em 30 anos; em alguns casos (como no tempo de partida), até piorou.
Irei detalhar essas queixas e possíveis soluções na sequência deste artigo.

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