Minha empresa fecha por uma semana (depois de todo mundo se matar durante muitas semanas para tirar uma de folga, mas assim é a humanidade) e, naturalmente, este blog entra em recesso.
Vou passar alguns dias feliz demais para pensar em Internet. Merecidamente, pois, se colocado em balanço, 2005 foi um ano do mal. Mas não me interessa elaborar sobre isso agora. Let's get happy.
Alguns dirão que o ritmo aqui está tão parado que não vai fazer muita diferença. E é verdade. A correria é inversamente proporcional à produção de textos nesta página. Mas essa é uma lei natural dos blogs. A única novidade é que o Blogger finalmente ficou lerdo novamente, e desestimula ainda mais a postaria.
Fique, então, com o Quadrado, que escreve coisas muitíssimo finas num estilo análogo ao que eu pretendia fazer em 2002.
Fique com o zone41 (primeiro blogueiro português a me fazer um link em todos esses anos), que demonstra faro notável para achar idéias verdadeiramente visionárias; nada dessa chatice trivial de comentar o último processo da Microsoft, os Macs com chip Intel e o crescimento da Red Hat.
Fique com o Tim Berners-Lee, inventor da Web. Por enquanto ele não disse nada de realmente importante, mas o fato de estar fazendo um blog e hospedando comentários é um endosso poderoso à sua idéia original, de que o estado natural da Internet é o de blog ou wiki, com todo mundo podendo escrever nos sites e não apenas ler.
Boas festas...
2005-12-23
2005-12-17
Decálogo do Blogueiro (versão condensada para leitores de RSS e outras pessoas com muita pressa)
10. Não me conteste.
9. Não seja prepotente. Não faça cobranças.
8. Mulheres escrevem ótimos blogs.
7. Todo emprego é honrado.
6. Venha em paz. Senão, link para fora é serventia da casa.
5. Não bata boca na calçada do vizinho.
4. Relembrar é viver. Copiar é elogiar.
3. Ganhar link não obriga a linkar.
2. Não me leve a sério demais.
1. Comente.
9. Não seja prepotente. Não faça cobranças.
8. Mulheres escrevem ótimos blogs.
7. Todo emprego é honrado.
6. Venha em paz. Senão, link para fora é serventia da casa.
5. Não bata boca na calçada do vizinho.
4. Relembrar é viver. Copiar é elogiar.
3. Ganhar link não obriga a linkar.
2. Não me leve a sério demais.
1. Comente.
Redação minha, baseada no decálogo do Idelber.
2005-12-14
Frases discordianas
O pior analfabeto é... aquele que cita o famoso texto "analfabeto político" de Bertolt Brecht e o credita a Bertold Brecht.
Barra de progresso é sinal de atraso.
O expert é um principiante teimoso.
A voz do povo não é a voz de Deus.
Não querer usar Quark eu entendo. Insistir em usar Corel eu não entendo.
São Paulo, a cidade onde se vive as quatro estações do ano num só dia.
Nove mulheres não darão à luz um bebê em um mês.
Glücklichkeit ist von hier eine kleine Reise. (A obrigatória frase estrangeira para dar um verniz culto)
-
Post inspirado na inclusão de uma frase minha nesta lista de citações.
O que não prova nada ;-)
Barra de progresso é sinal de atraso.
O expert é um principiante teimoso.
A voz do povo não é a voz de Deus.
Não querer usar Quark eu entendo. Insistir em usar Corel eu não entendo.
São Paulo, a cidade onde se vive as quatro estações do ano num só dia.
Nove mulheres não darão à luz um bebê em um mês.
Glücklichkeit ist von hier eine kleine Reise. (A obrigatória frase estrangeira para dar um verniz culto)
-
Post inspirado na inclusão de uma frase minha nesta lista de citações.
O que não prova nada ;-)
2005-12-12
Último post nerd da semana
Surpresa, surpresa: a Microsoft tem seu Copland!
Explicação 1 (embaraçosamente simplificada)
Copland = Tentativa de sistema operacional da Apple, desenvolvido durante a pior fase da empresa, nos anos 90. A intenção era prover o Mac de uma plataforma de software muito mais moderna, mas que teria de ser criada do zero e exigiria modificações nos aplicativos. O projeto inchou e ficou sem direção. A direção matou o Copland e comprou o Next, de Steve Jobs, que virou o Mac OS X. Algumas das idéias originais do Copland, como videoconferência integrada e sistema de busca baseado em metadados, só foram implementadas muitos anos depois no OS X.
Explicação 2 (porcamente resumida)
Singularity = Projeto paralelo da Microsoft para criar um sistema operacional totalmente seguro. Calma, não ria ainda. O conceito é bem legal. Cada processo rodando teria segurança própria, assim como todas as interações entre quaisquer processos e entre eles e o kernel. Um conceito de segurança que ultrapassa até o do Unix.
Se o Singularity não for o sucessor do Windows, pelo menos algumas das boas idéias podem ser aproveitadas num sistema intermediário entre o Windows e um futuro que seja verdadeiramente seguro. Aconteceu isso com o projeto Copland da Apple: o Mac OS clássico absorveu um grande número das inovações (embora não as que faziam mais falta) e ganhou uma sobrevida até a chegada do seu substituto, o Mac OS X. Mas, assim como o OS X roda os programas clássicos num "espaço" à parte do resto do sistema, o pós-Windows precisa prover compatibilidade com os aplicativos atuais. Deve ser possível... se a burocracia e marketing não se meterem no meio e puserem tudo a perder.
Explicação 1 (embaraçosamente simplificada)
Copland = Tentativa de sistema operacional da Apple, desenvolvido durante a pior fase da empresa, nos anos 90. A intenção era prover o Mac de uma plataforma de software muito mais moderna, mas que teria de ser criada do zero e exigiria modificações nos aplicativos. O projeto inchou e ficou sem direção. A direção matou o Copland e comprou o Next, de Steve Jobs, que virou o Mac OS X. Algumas das idéias originais do Copland, como videoconferência integrada e sistema de busca baseado em metadados, só foram implementadas muitos anos depois no OS X.
Explicação 2 (porcamente resumida)
Singularity = Projeto paralelo da Microsoft para criar um sistema operacional totalmente seguro. Calma, não ria ainda. O conceito é bem legal. Cada processo rodando teria segurança própria, assim como todas as interações entre quaisquer processos e entre eles e o kernel. Um conceito de segurança que ultrapassa até o do Unix.
Se o Singularity não for o sucessor do Windows, pelo menos algumas das boas idéias podem ser aproveitadas num sistema intermediário entre o Windows e um futuro que seja verdadeiramente seguro. Aconteceu isso com o projeto Copland da Apple: o Mac OS clássico absorveu um grande número das inovações (embora não as que faziam mais falta) e ganhou uma sobrevida até a chegada do seu substituto, o Mac OS X. Mas, assim como o OS X roda os programas clássicos num "espaço" à parte do resto do sistema, o pós-Windows precisa prover compatibilidade com os aplicativos atuais. Deve ser possível... se a burocracia e marketing não se meterem no meio e puserem tudo a perder.
2005-12-09
Chips everywhere
Trecho traduzido da entrevista da News.com com Michel Mayer, CEO da Freescale Semiconductor, ex-divisão de processadores da Motorola:
Mayer: ... Como as pessoas têm uma ligação pessoal com o PC, elas acham que processadores e PCs são equivalentes e não percebem que todo dia usam centenas ou até milhares de processadores. Que estão ficando cada vez mais potentes.
Tenho certeza que você vai ficar chocado, mas o chip PowerPC controla o motor em alguns carros. E no ano que vem, 50 por cento dos modelos de carros no mundo terão PowerPCs.
News.com: Isso é muito poder de processamento para a injeção de combustível de um carro. Precisa mesmo de um microprocessador como o PowerPC?
Sim.
Por quê?
Porque em alguns sistemas de carros atuais já temos centenas de milhares de linhas de código rodando. As pessoas não percebem como os carros ficaram complexos.
Dê um exemplo de carro.
O BMW 7 Série v6... [o chip] fica la lateral do [motor de] seis cilindros. É um PowerPC de 16 bits.
E no ano que vem vai ser um de 32 bits?
32 bits.
Então, neste momento, se eu desmontasse um BMW e separasse todo o silício, quantos chips Freescale eu encontraria?
52 chips Freescale, nos modelos da Série 7 e da Série 5.
E eles controlam...?
Acionamento do airbag, ajuste dos bancos, motor, telemática, OnStar, sistema de entretenimento, transmissão...
Então, em vez de sentar na frente do PC, você dirige o PC?
Isso.
Tenho certeza que você vai ficar chocado, mas o chip PowerPC controla o motor em alguns carros. E no ano que vem, 50 por cento dos modelos de carros no mundo terão PowerPCs.
News.com: Isso é muito poder de processamento para a injeção de combustível de um carro. Precisa mesmo de um microprocessador como o PowerPC?
Sim.
Por quê?
Porque em alguns sistemas de carros atuais já temos centenas de milhares de linhas de código rodando. As pessoas não percebem como os carros ficaram complexos.
Dê um exemplo de carro.
O BMW 7 Série v6... [o chip] fica la lateral do [motor de] seis cilindros. É um PowerPC de 16 bits.
E no ano que vem vai ser um de 32 bits?
32 bits.
Então, neste momento, se eu desmontasse um BMW e separasse todo o silício, quantos chips Freescale eu encontraria?
52 chips Freescale, nos modelos da Série 7 e da Série 5.
E eles controlam...?
Acionamento do airbag, ajuste dos bancos, motor, telemática, OnStar, sistema de entretenimento, transmissão...
Então, em vez de sentar na frente do PC, você dirige o PC?
Isso.
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2005-12-07
Viés não se combate com mais viés
O Edu Lima me chamou a atenção para este artigo na CartaCapital sobre o processo de pauta do Jornal Nacional. O texto conta que William Bonner chama o espectador típico do JN de "Homer Simpson".
Ser chamado de Homer nunca poderia ser confundido com elogio intelectual... O autor da crônica se escandalizou com esse cinismo e também com a arbitrariedade da seleção de pautas, todas escolhidas e redigidas de forma a impor uma "tese" com viés político... Como se isso não fosse totalmente evidente há muitos anos para qualquer não-Homer que assista ao jornal.
Mas os não-Homer como eu e (espero) você nunca assistimos ao JN, certo?
O artigo peca exatamente por fazer a mesma coisa que pretende criticar. O odioso viés político.
De acordo com o texto, o maior pecado editorial do Bonner no dia da visita foi vetar uma matéria que faria o Hugo Chávez parecer um cara legal. A Globo poderia ter duas motivações: 1) Melhor nem tocar no assunto... o Homer não entenderia mesmo. 2) O Chávez não é um cara legal e não merece tempo de mídia. As duas alternativas são baseadas em viés e não em mérito relativo do assunto.
Sugestão para os sobreviventes da lavagem cerebral midiática: NÃO ADIANTA denunciar o viés da Globo se a crítica é embasada num outro viés. O parcialismo dos dois se anula. Esse é exatamente o motivo que erodiu a confiança que cheguei a ter no pouco que restou de imprensa esquerdista ou alternativa no país. Pretendem viver para sempre em 1964. Ou 1959. O chato é que a imprensa direitista, como Veja e Globo, é incrivelmente mal-intencionada, ms tem muito mais oportunidade de fazer o relato da história corresponder ao seu interesse e ser aceito pelos Homers do país.
Mas não creio que seria diferente se uma concorrente do outro lado ideológico viesse a ter o mesmo poder. Só mudariam alguns nomes. Como aconteceu com os políticos corruptos. (A quem ainda cultiva ilusões sobre a virtude moral intrinsecamente superior de um ou outro grupo, sugiro ler algumas vezes seguidas o clássico "A Revolução dos Bichos" de George Orwell até entender que as falhas do sistema refletem falhas da natureza humana, independente de época e cultura.)
Fui fã da CartaCapital durante anos, sempre superior às outras em qualidade de redação. Mas a recente cobertura da crise de corrupção não foi de contrabalançar a Veja, mas de tentar puxar a sardinha para outro prato. Decepcionante.
Em termos editoriais, o que acontece se você contrapuser a CartaCapital com a Veja? Uma defende o Lula e combate a gestão econômica, a outra faz o exato oposto. A verdade factual passa longe.
Quem é mesmo o Homer...?
Ser chamado de Homer nunca poderia ser confundido com elogio intelectual... O autor da crônica se escandalizou com esse cinismo e também com a arbitrariedade da seleção de pautas, todas escolhidas e redigidas de forma a impor uma "tese" com viés político... Como se isso não fosse totalmente evidente há muitos anos para qualquer não-Homer que assista ao jornal.
Mas os não-Homer como eu e (espero) você nunca assistimos ao JN, certo?
O artigo peca exatamente por fazer a mesma coisa que pretende criticar. O odioso viés político.
De acordo com o texto, o maior pecado editorial do Bonner no dia da visita foi vetar uma matéria que faria o Hugo Chávez parecer um cara legal. A Globo poderia ter duas motivações: 1) Melhor nem tocar no assunto... o Homer não entenderia mesmo. 2) O Chávez não é um cara legal e não merece tempo de mídia. As duas alternativas são baseadas em viés e não em mérito relativo do assunto.
Sugestão para os sobreviventes da lavagem cerebral midiática: NÃO ADIANTA denunciar o viés da Globo se a crítica é embasada num outro viés. O parcialismo dos dois se anula. Esse é exatamente o motivo que erodiu a confiança que cheguei a ter no pouco que restou de imprensa esquerdista ou alternativa no país. Pretendem viver para sempre em 1964. Ou 1959. O chato é que a imprensa direitista, como Veja e Globo, é incrivelmente mal-intencionada, ms tem muito mais oportunidade de fazer o relato da história corresponder ao seu interesse e ser aceito pelos Homers do país.
Mas não creio que seria diferente se uma concorrente do outro lado ideológico viesse a ter o mesmo poder. Só mudariam alguns nomes. Como aconteceu com os políticos corruptos. (A quem ainda cultiva ilusões sobre a virtude moral intrinsecamente superior de um ou outro grupo, sugiro ler algumas vezes seguidas o clássico "A Revolução dos Bichos" de George Orwell até entender que as falhas do sistema refletem falhas da natureza humana, independente de época e cultura.)
Fui fã da CartaCapital durante anos, sempre superior às outras em qualidade de redação. Mas a recente cobertura da crise de corrupção não foi de contrabalançar a Veja, mas de tentar puxar a sardinha para outro prato. Decepcionante.
Em termos editoriais, o que acontece se você contrapuser a CartaCapital com a Veja? Uma defende o Lula e combate a gestão econômica, a outra faz o exato oposto. A verdade factual passa longe.
Quem é mesmo o Homer...?
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2005-12-06
Presente cabeça

Há algum tempo apareceu aqui um post sobre o cubo de Rubik. Pois bem, eu pedi e ganhei como presente de aniversário o Rubik's Professor Cube, que em vez das três facetas por aresta tem cinco.
Em vez das triviais 43 252 003 274 489 856 000 combinações possíveis num cubo normal, esse apresenta 282 870 942 277 741 856 536 180 333 107 150 328 293 127 731 985 672 134 721 536 000 000 000 000 000 possibilidades diferentes. Um pouco mais difícil. Por isso ainda não desmanchei o meu. Só vou fazer isso quando estiver muito bem "treinado" no cubo normal...
2005-12-04
Vista Beta 2 vai atrasar...
...e a coisa mais concreta que alguém da MS disse sobre isso foi:
Frase inspirada.
The internal schedule is still taking shape as we accelerate the feature complete timetable.
Frase inspirada.
2005-12-03
2005-12-02
2005-12-01
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