2005-09-26

My very own personal witticisms

Uma coisa que sempre gostei no Adobe Photoshop (além de todas as qualidades evidentes, sobre as quais eu poderia escrever um livro ;-) é o "ovo de Páscoa" chamado Adobe Transient Witticisms, algo que poderia ser traduzido para "Frases espirituosas de momento da Adobe". Frases engraçadas e absurdas ditas pelos engenheiros de software para descontrair momentos de exasperação. Há uma tradição de colocar uma coleção dessas frases em cada nova versão do programa.
Junte-se a isso a minha própria mania de colecionar frases e expressões. Ao cabo de anos, acabei criando um pequeno acervo pessoal de "witticisms". (Antes que alguém venha acusar que essa palavra em inglês é mais um neologismo nerd: ela foi inventada pelo poeta John Dryden no século 17!)
Quem acompanhava este blog em 2002 deve lembrar que no lugar do título aparecia uma frase maluca que mudava duas vezes por semana. Pois bem, a "frase do dia" voltou. Pode ser de sabedoria transcendental, ironia sarcástica, humor obscuro, burrice assumida ou pura e inexplicável loucura. Advirto aos afoitos que eu não penso de acordo com muitas delas (sou autor de apenas umas três ou quatro, e não creditado). Assim, não faz sentido começar uma discussão interminável no blog por causa de seu conteúdo - mesmo as mais politicamente incorretas.
Tenha um bom dia!

Update - As frases saíram do ar em 2007.

2005-09-24

Estamos no caminho certo

Já é notícia velha, mas vale o link:

A idéia era que qualquer um que usasse a Web teria um espaço onde pudesse escrever, e assim o primeiro browser era também um editor. Toda pessoa que usasse a web teria condição de escrever algo. Era muito fácil criar uma página nova e comentar nas que outros tinham escrito, o que é muito como blogar. Quando você escreve um blog, não escreve hipertexto complexo; você só escreve texto. Assim, estou muito, muito feliz de ver que agora a Web está direcionada a se tornar um meio criativo.

~Sir Tim Berners-Lee, inventor da Web

iPod nano

iPod nano
iPod nano

Como assim... um iPod nano na PC Magazine?
Sim... temos ele na mão... antes de todo mundo. Desculpa aí, Macmania.
E esse negocinho minúsculo que parece um pacote de Trident tem a mesma potência de som do modelo clássico. Fez berrar os meus fones grandes sem esforço. Quase tão incrivelmente, o plug é do tipo normal, instalado na parte de baixo para permitir o uso como pingente (mas alguns simplesmente não entenderam a idéia e já falam mal... a pressa de ter uma opinião para tudo faz dessas).
A Apple diz que a bateria dura 14 horas por carga, e alguém que testou por alguns dias afirma que dura ainda mais.
E tem a telinha colorida que mostra a arte dos discos e um slide show com suas fotos.
Que falta? Talvez um bolsinho pra ele dentro da carteira... tocar filmes... câmera embutida... celular... Opa, aí já estamos falando de outro tipo de gadget. A pureza do iPod é sua força. Aparelhos que fazem de tudo não conseguem ser tão bons tocadores de música; de maneira análoga, meu Pocket PC é um ótimo computador de mão, mas como câmera é medíocre.
O nano é irresistível. Quem não tem um tocador de música desses fica querendo desesperadamente. Quem já tem seu iPod quer ter ele mais o nano.
E chega de iPod por hoje. Meu bike-odômetro e o chaveiro laser estão ficando com ciúme.

2005-09-23

A Microsoft deu bolo!

Microbolo

Em comemoração aos 30 anos da empresa, 16 no Brasil. A versão carioca do bolinho, um pouco diferente, está no blog da Cora Rónai.

Gadgets Parte 2: os iPods dos Futuros

iPods dos Futuros

Faltam ainda nesta foto quatro Futuros que também têm iPod: Faure, Barbão, Petró e Forastieri.
Imagem reproduzida do blog do Henrique Martin. Foto André Faure, legendas Bruno Doiche.

Gadgets

Gadgets

Pela ordem: tablet Wacom Intuos3, Sony Cyber-shot T7, Pocket PC Qtek 2020 com celular GSM, Bluetooth e câmera, HD LaCie Porsche 100GB, Apple iPod 40GB.

2005-09-19

O símbolo da Futuro



O logo original da Futuro, usado de 2005 a 2006, foi criado quase de repente ao longo de 10 dias de estudos frenéticos e intensos, espremidos entre um fechamento de revista e outro. O briefing foi dado pelo fundador André Forastieri e envolveu o cruzamento de centenas de referências até conseguirmos visualizar o símbolo graficamente, com muitas mudanças de conceito pelo camingo. Ao longo do processo, gerei um documento descrevendo todas as versões sucessivas do logo. No final, ele me disse: "depois podemos colocar esse documento no nosso site para baixar." Respondi: "de jeito nenhum; há várias idéias ali que ainda podem vir a ser úteis, e não quero que alguém se aproprie delas de graça..."

Ao criar um símbolo para uma marca nova, a melhor coisa que se pode fazer de início é estabelecer uma limitação para a forma básica. Senão, as opções se expandem ao infinito e o processo de criação emperra. Eis a minha limitação fundamental: teria de ser baseado num círculo, a forma mais versátil de todas. Limitação do Forasta: deve sugerir movimento veloz e progresso, mas com um toque de nostalgia, como se o símbolo viesse do passado. Referência fundamental: o logo do quadrinho Ministry of Space, de Warren Ellis, que é um símbolo da RAF acrescido de uma versão extremamente estilizada de uma cauda de foguete.
O nosso resultado final acabou sendo uma coisa que reflete a personalidade dos dois e contém algo do Ministry do Space sem ser uma cópia em nenhum de seus elementos. O raio ascendente nas cores azul e vermelha é Forasta; traços caligráficos angulosos baseados em parábolas e arcos de círculo são a minha cara. Previsível.

Mas durante a maior parte do período de criação experimentamos uma idéia diferente: um círculo na cor turquesa contendo um kanji (ideograma chinês ou japonês) branco, correspondente à palavra mútuo, que é muito geométrico, com uma simetria complementar: semelhante a dois "F" espelhados um no outro, com bases horizontais em cima e em baixo. O logo-kanji tinha embaixo a palavra Futuro na fonte Optima. Bem... embalagens de produtos de higiene pessoal e medicamentos adoram textos em Optima e logos na cor turquesa. Pensei: temos um problema... Mas o problema de verdade surgiu assim que foi feito o anúncio interno da fundação da empresa, em 12 de agosto de 2005.



Nesse momento histórico, o Forasta mostrou para a platéia de dezenas de futuros empregados da Futuro um papel impresso com aquela versão orientalizada do logo. Ninguém disse nada; nem sequer um sussurro. Apatia, indiferença, talvez apreensão? Nesse instante, percebi que a idéia do kanji nunca teria ressonância emocional com a idéia de "Futuro" e parti decididamente para o símbolo abstrato.

Um logo com aparência decididamente retrô para uma empresa de mídia futurista é uma ironia bem-vinda no mundo atual, saturado de logos baseados em letras quadradas ou Frutiger Bold (para não falar em Arial, mas aí não estaríamos sendo profissionais). Na marca completa, a tipografia adotada é - mais óbvio, impossível - Futura. Mas não é a Futura tradicional, cheia de pequenas deformações na geometria das letras: cada uma delas foi redesenhada para bons resultados em qualquer tamanho de ampliação.

As modulações no círculo exterior, que servem para o raio escapar para fora dele sem trombar no perímetro, adicionam uma sugestão de tridimensionalidade sem a necessidade de enfeitar o desenho com deploráveis sombrinhas e brilhinhos que, por serem freqüentemente usados como forma de consertar um logo essencialmente mal desenhado, são outra praga do design contemporâneo.

Uma mania no mundo dos logos atuais é o "swoosh", o arco pontudo que a partir da Nike - já vão mais de 30 anos! - virou enfeite básico em marcas tão diversas como a de um banco, de uma fábrica de brinquedos ou de uma clínica médica. Tudo agora exibe arcos para todo lado. Virou um pesadelo. Minha idéia no símbolo da Futuro foi tentar subverter de forma um pouco cínica esse efeito hiperbanalizado. Se pegarmos só metade do raio da Futuro, ali está, inconfundível, uma seção do "swoosh". Mas ele não é prontamente reconhecível no logo completo. A razão disso é que o ângulo em forma de N "puxa" o olho. O centro da figura foi trazido para baixo a fim de quebrar a monotonia causada pelo excesso de simetria. A parte de cima do raio é mais longa para sugerir aceleração ou volume.

Claro que essas interpretações e explicações são completamente subjetivas e até dispensáveis. Não servem como "defesa da marca". O melhor é deixar que as pessoas interpretem a forma do jeito que quiserem, sem impor direcionamentos. O símbolo da Futuro é abstrato e simples o bastante para ser associado com uma quantidade sempre crescente de outros, mas sem confusão direta. Algumas interpretações podem nos surpreender.

Com várias semanas de uso, acho agora que o desenho é um pouco fino e fica rarefeito em grandes ampliações. E a letra light ameaça sumir em reduções pequenas como as usadas em capa de revista.

Abril de 2008 - Minha opinião sobre o logo mudou, como também mudou a do dono da empresa, que preferiu trocá-lo por outro depois de apenas um ano e meio de uso.
Meu problema foi justamente a incorporação da estética "swoosh", maldosamente apelidada de "aparas de unha" pelos designers safos. Na época, como dou a entender no meu post original, parecia uma grande idéia. Além do que as curvas usadas são bem mais complexas e sofisticadas do que as semielipses usadas em tantas outras marcas com esse tipo de curva.
Só que a mania das curvas aumentou tanto que eu me cansei completamente de ver o uso e abuso desse recurso visual. Tornei-me um opositor intransigente e radical. Não poupo as críticas. Hoje, considero toda nova marca baseada em elipse vetorial uma criação reprovável, trabalho de designers sem originalidade.

2005-09-17

Para web designers

Browsershots.
Você coloca uma URL e o site faz uma captura da aparência dele em todos os principais browsers e plataformas. Depois, é esperar alguns minutos para ver o resultado.
Foi útil para diagnosticar o pau de CSS que está fazendo meu texto pular para baixo da sidebar. Mais tarde conserto o vexame.

Update - Vexame consertado. Longa vida ao CSS. Graças a ele, posso fazer na Web quase exatamente o que faço nas revistas.

2005-09-13

Tazo. Não é o que você está pensando

Tazo Tea é uma marca de chá gelado engarrafado dos EUA. O visual do site - extremamente bem cuidado e bem-humorado - segue a mesma concepção estética dos rótulos, que se poderia chamar de "falso antigo que não tenta fingir que é realmente antigo".
A mesma descrição serve para os textos engraçados que ornam o verso de todos os rótulos. Eles à primeira vista são daquele mesmo tipo de texto que encontramos em todo produto que tenta passar um ar tradicional, contando uma história romântica e fantasiosa da companhia e do produto. Mas os textos de Tazo não esclarecem nada: servem unicamente para divertir. Eles são extraordinariamente, loucamente, delirantemente mentirosos... e não há problema nenhum com isso. Afinal, você, o consumidor de Tazo, obviamente possui um refinado senso de humor.
Copiei alguns dos mais engraçados para termos uma idéia do assunto que tratamos neste momento.

This bottle of Tazo is certified authentic by the current Tazo shaman himself. By placing the sacred Tazo Wheel [um símbolo variado no lado interno da tampa] on the cap, he signifies that he has personally slurped hundreds of tea samples each day, in pursuit of those precious few which possess the requisite qualities of Tazo. Only when he smacks his lips in satisfaction does the Tazo seal go on.

In ancient Babylon, TAZO was spelled HWAPATAZOOCGJKLW.
For ease of use it was later shortened to HWAPATAZOOCGJKL.
(the H is silent.)

TAZO. Tastes great.
Life after life after life.

There are those who swear that drinking Tazo every day improves your outlook on life and fills you with a sense of wonder and well-being. But then again, maybe that's just the tea talking.

The third great pyramid was built jut to hold the vast stockpiles of Tazo as a hedge against inflation.

Some teaologists believe that Tazo was valued even more than money by many civilizations and may have actually been used as a currency by the earliest explorers.

Tazo, naturally cool for centuries.

Most people believe that modern Tazo (as we know it) was created by a guy who stayed home in his bathrobe and puttered around in his kitchen, refusing to go to work until he invented something amazing. Certain people even claim to have met him, still wandering the brewing rooms of Tazo today.

Send for your Tazo sedan chair sticker: MY OTHER CAR IS AN ELEPHANT.

TAZO - For Babylonians who think young.

SHAKE BEFORE DRINKING. You might also want to do a little chant if you feel up to it.

PLEASE RECYCLE THIS BOTTLE. It deserves to be reincarnated too.


Não é legal? Muito mais legal do que aqueles textos corporativos que você sabe que são meras lendas, tanto quanto as frases acima, mas nos quais a empresa espera que você creia, como o consumidor bobo e sem critério que ela espera que todos sejamos?

Há três anos, uma marca brasileira de sucos engarrafados, chamada Whoops, teve uma geração de rótulos imitando os da análoga americana SoBe. A imitação incluía um desenho de lagarto, numa referência explícita. Mas o que realmente me chamou a atenção foi uma inscrição minúscula, acanhada:
Engrandece o espírito e ilumina a mente.

Na geração atual, a frase desapareceu e perdi a vontade de continuar bebendo Whoops.
A SoBe tem senso de humor desse tipo também, mas não tão desbragado quanto o da Tazo.

Prevejo uma onda montante de gracinhas desse tipo em produtos mainstream também. A razão de a inscrição da Whoops ser tão pequena e depois ter sumido pode ter sido medo de um advogado chato acionar a empresa baseado na falta de provas de que o suco realmente engrandece a mente, ilumina o espírito ou qualquer outra alegação que pessoas normais encarariam com um sorriso.
Nos EUA a perseguição judicial é muito pior. Os textos malucos nos rótulos de Tazo são uma exceção saudável, assim como a campanha da Diesel que sacaneava sem nenhuma sutileza o Ronald McDonald.
Para onde a tendência pode nos levar?
Slogans hiperbólicos, alegóricos e fora dos limites criativos convencionais, coisas como "Sony - o ponto final na evolução", "iPod - mais um órgão no corpo humano", "PC Magazine - não contamos antes, mas é você quem escreve".
Produtos com extrapolações de uso que ultrapassem profundamente a rasa dualidade forma/função que domina a indústria. Talvez uma cafeteira com a opção de fazer café gelado com gás; um ônibus que se desembarca por uma porta traseira universal, independentemente de a plataforma estar à esquerda ou à direita; carros que estacionam apoiando-se de pé sobre a parte frontal, economizando espaço; telefones de bolso que também são agendas, câmeras, tocam músicas e acessam email.
Se algo pode ser imaginado, existe. E é mais interessante inventar a próxima loucura que pode pegar do que gastar a vida tentando fazer o mesmo de sempre por um custo por unidade dois centavos menor, ou mudar a cor do produto todo ano. Muitas idéias realmente geniais surgiram por acaso ou como resultado de viagens maionésicas cósmicas.
É esse espírito que faz falta na indústria de consumo.

Finalmente, uma advertência. Sempre fui um fã de histórias evidentemente loucas e hipérboles impossíveis. Algumas até cheguei a escrever no meu antigo blog, mas não compensaria tentar recuperá-las. Não eram tão boas quanto as que ainda escreverei aqui. Eis, então, mais um ingrediente do novo e inovador Different Thinker: vez ou outra você poderá dar de mouse com uma mentira engraçada - ou aflitivamente difícil de reconhecer como mentira - fora do Primeiro de Abril. Mas é claro que você captará o espírito da graça. Afinal você, o visitante do Different Thinker, obviamente possui um refinado senso de humor.