2005-08-29

Role models

Um campo de dados que falta no Orkut é uma lista de referências pessoais. Figuras públicas e históricas famosas que você considera como paradigmas do bem e do mal. Sugestão de nome: Heróis e Vilões.



Na minha lista de Heróis teria Einstein (óbvio), Steve Jobs (sim senhor! devo algo aos produtos dele), Philo Farnsworth (inventor da televisão totalmente eletrônica, cujo mérito foi usurpado durante décadas), Buckminster Fuller (visionário e otimista radical), Bodhidharma (criador do Zen e também das artes marciais), Aldus Manutius (impressor veneziano que estabeleceu o padrão do livro e da tipografia modernos), Nelson (o carismático almirante inglês que derrotou Napoleão no mar há 200 anos), Dante (por ter nos contado como é o inferno e o céu), Milton (por ter nos contado o que aconteceu antes do Gênesis), George Orwell (muito mais importante para minha consciência política do que Marx ou qualquer outro) e vários que não me ocorrem no momento.

Essas escolhas não são só porque essas pessoas são positivas e fascinantes, mas porque suas ações causaram uma série infinita de consequências que atingem a vida cotidiana de todos nós que temos esta página aberta na nossa frente. Opa, quase só tem escritores e cientistas. Cadê os atores de cinema e atletas? Tá bom, tá bom. Kevin Spacey. Eddy Merckx.

Na lista de vilões, me contento com apenas um nome: Hitler.

Bill Gates é mau, mas não o suficiente para merecer um suplício dantesco. Num nível de maldade pior há várias personalidades vivas, mas não tenho humor nem autoridade para discuti-las. Deixo essa batata quente para você.

Visitando a Adobe (nos EUA)

O pessoal do excelente site técnico PhotoshopNews fotografou os principais engenheiros de desenvolvimento do Photoshop na sede da empresa em San Jose, EUA.
Duas coisas me chamaram a atenção: a elegância do local e o fato de cada engenheiro ter vários computadores, TODOS eles com telas LCD.

Aproveitando a viagem, clique no logo do PhotoshopNews para ler algumas matérias de interesse sobre foto digital. Em particular, eles estão acompanhando de perto a polêmica do RAW.
Para resumir, a Adobe busca convencer a indústria a adotar o formato DNG em lugar do RAW. O RAW é a informação da imagem pura, não-processada, equivalente digital do negativo, que os fotógrafos profissionais importam e processam no computador, de uma forma análoga à revelação do filme. O problema do RAW é que praticamente cada marca e modelo de câmera produz um RAW com especificação técnica diferente. O DNG é uma variação não-proprietária e universal do RAW. Se adotado em massa, pode eliminar o problema da compatibilidade de arquivos agora e no futuro. Marcas de renome como Leica e Hasselblad já suportam DNG.
Outras fábricas de câmeras demonstram má vontade em adotar o DNG. Mas a coisa pegou fogo há alguns meses, quando a Nikon - que já tem um histórico de forçar a barra em decisões técnicas - lançou uma câmera digital com encriptação no seu formato RAW, obrigando a usar um programa proprietário da Nikon em lugar do Photoshop para importar as fotos. Atitude ridícula, já que o Photoshop é um software que todos os fotógrafos profissionais usam, enquanto a Nikon é apenas uma dentre muitas marcas de câmeras.
A reação indignada do público esclarecido foi brutal, mas a Nikon segue intransigente, tanto que o co-inventor do Photoshop foi ao Japão na semana passada para negociar, segundo um dos blogs da Adobe.
A aposta da Adobe é alta e a responsabilidade é grande. O público leigo, que se contenta com JPGs processados na máquina, não tem consciência do que está acontecendo. Mas os resultados da briga afetarão direta ou indiretamente a vida de todos os fotógrafos. Leia mais aqui.

Update - Parece que as conversas estão surtindo efeito. Leia.

2005-08-28

Mudar é legal!

Sou o Mario - sim, aquele Mario - que escreveu uma série de blogs entre novembro de de 2000 e julho de 2003, no Blogger e no Gardenal.

Parei de escrever os blogs pessoais porque eu tinha me esgotado com eles. Cansado de passar noites em claro debatendo assuntos cabeça nos comentários e redesenhando o site pela quinhentésima vez.

Desde então, vim recebendo incessantes pedidos de amigos para voltar com o site, e sempre respondia o mesmo: "Blog pessoal para mim é página virada. Hoje todo mundo pode ter blog fotográfico (Fotolog), blog falado (podcast)... e existe o orkut. Me dê o próximo grande hype!"

Ah! Blogs patrocinados pelas empresas onde os autores trabalham! Elas perceberam que isso deixa mais feliz todo mundo: elas mesmas, os funcionários e os consumidores. Voz humana no lugar do gelo corporativo. A mais recente das grandes a entrar nessa foi a Adobe.

Eis que a Conrad Editora, empresa onde estava trabalhando desde 2004, dividiu-se em duas metades. Coube-me ser o diretor de arte sênior da metade nova, chamada Futuro. Eu já vinha de um período de 14 meses trabalhando duro para estabelecer na Conrad um padrão visual sólido para as revistas de games e tecnologia. A ação inicial da Futuro foi o lançamento de um produto importante, a nova PC Magazine brasileira. E quase da noite para o dia recriamos totalmente a Nintendo World, a revista mais antiga do núcleo. Então, o fundador do novo empreendimento me persuadiu a refundar o meu blog de ensaios e críticas, focado em assuntos de arte e design que já existiam em dois dos meus extintos blogs, o "Mario AV" e o "Different Thinker" original.

O chefe exprimiu a idéia de uma maneira sedutora. Não fazer o blog para influenciar, doutrinar ou impressionar pessoas: apenas porque é legal. O blog é legal porque promove troca de idéias. Cada um chega com uma e sai com várias. Mas para não me esgotar de novo, ele tem que ter uma pauta definida e limitada. E ser feito durante o expediente normal de trabalho.

"Different Thinker", versão 2.0. Sem galeria de fotos, sem captura de tela, sem RSS, sem barra de links lotada, sem banners de propaganda em Flash. Algumas dessas coisas podem ser acrescentadas depois. Ou não. Sem pretensões.

Para encerrar com chavão de ouro: a casa é sua, contamos com sua compreensão, volte sempre, traga amigos e bebidas, servimos bem para servir sempre, a site carregado não se olha os bytes, eu recomendo, simplesmente um luxo!

Junho de 2008 - Depois de reiniciado o blog, o dono da Futuro nunca mais mencionou o assunto e a empresa não patrocinou coisa alguma minha. Não fiquei escrevendo posts pessoais durante o expediente. Simplesmente não houve integração com os materiais da editora nem qualquer transferência de prestígio.
A não-experiência me fez ver de que apoio, incentivo e patrocínio são coisas muito diferentes entre si.

2009 - Finalmente o dono da Futuro (que mudou de enfoque e passou a se chamar Tambor) criou o seu blog, onde dedica-se a resgatar a memória dos seus feitos do passado.
Provavelmente este post de reintrodução é o mais reeditado e reescrito de todo meu blog. Nunca fiquei satisfeito com ele e talvez nunca fique.