2005-10-19

Origem do iTunes

A revista Time mais uma vez deu Steve Jobs na capa, comentando a contínua onda de boas notícias da Apple. O texto da matéria pode ser lido na edição canadense, já que é preciso ser assinante para ler a edição original online.
Naturalmente, agora quando se fala em Apple fala-se muito mais em iPod e iTunes do que no Mac. E, acima de tudo, de como a personalidade controversa de Steve é responsável direta por tudo o que acontece e como acontece. Mas me chamou a atenção deste pedaço da reportagem:

When he generously introduces you to the guy who runs Apple’s iTunes development team, Jobs makes it clear that you’re welcome to meet him but you can’t print his name. Jobs doesn’t want competitors poaching his talent. “You can mention his first name but not his last name,” Jobs says. “How’s that?” It’ll have to do. The guy’s name, by the way, is Jeff.

Mas olhe o que temos aqui:

Created by Bill Kincaid and well-known Mac dev Jeff Robbin, SoundJam was released mere weeks before Audion...

Portanto temos, sim, o nome do cara, simplesmente porque ele tem uma carreira anterior à Apple e não dá para sumir com as evidências. O modesto shareware de MP3 chamado SoundJam era concorrente de um outro shareware chamado Audion, cujo autor escreveu o texto acima. O texto também conta como a Apple contratou os autores do SoundJam para transformá-lo no que hoje é o iTunes. Eles não sabiam inicialmente da enorme extensão da visão de Jobs - transformar o programa de MP3 numa loja online e numa interface para um eletrônico de consumo. A combinação dos três é irresistível, mas não podemos experimentá-la por inteiro devido ao descaso com o Brasil, onde não existe a loja de música online. Tendo apenas dois terços da "experiência iPod", é natural não se empolgar tanto quanto os americanos e europeus.
O argumento de a Apple não querer ter seus gênios roubados por outras empresas é verdadeiro. Há vários anos os produtos Apple são creditados à equipe que os desenvolveu, mas sem citar nomes. O que não impediu o êxodo de talentos.

Update - Timing perfeito para reinaugurar o tópico Apple no blog. Hoje saíram mais novidades, várias de hardware, algumas impressionantes, mas a que me interessa intensamente é esta.

9 comentários:

  1. Ai, ai, as amarras remanescentes da época escravista...
    ...persiste em tempos de Google

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  2. Pior mesmo é que até concordo com a Apple. O mercado deles é um milhão de vezes e meia mais competitivo que o nosso, mal dá pra termos noção. Se a pessoa quer ser empregada da Apple, assina um contrato onde ela garante que não vai se expor nem entregar os segredos industriais, sob pena de justa causa seguida de processo escorchante. Não concorda com os termos? Vai trabalhar na Microsoft.

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  3. Então o únicos da Apple que podem aparecer são o Steve Jobs e o Johnatan Ive?…:-P

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  4. Mario, comprei a revista no aeroporto e vim lendo no caminho de volta. Te levo amanhã :)
    Sobre o Aperture, ninguem notou seu lançamento ou é impressão minha? Isso é Photoshop-Killer, não?

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  5. Vim aqui justamente para perguntar sua opinião sobre o Aperture. Os boatos de que a Apple vinha preparando um Photoshop-killer acontecem há meses, mas isso não me parece um concorrente do Photoshop. Layers, cadê os layers?

    Em todo caso, a Apple não é boba e quem sabe essa versão 1.0 seja só pra amaciar a coisa e "pegar o jeito" (alguém aí falou em Mac OS X 10.1?) antes de meter o ferro na Adobe. US$ 499,00 contra US$ 599,00 do Photoshop. Hum.

    Agora quando ouvir outro boato de que vem aí um Office-killer, vou ser menos cético.

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  6. magiozal, você esqueceu o Phil Schiller e o Avi Tevanian.

    Não, Henrique e Marquinhos, o Aperture não é Photoshop-killer. Por não possuir funções de composição ou pintura, ele é estritamente uma ferramenta de fluxo de trabalho para fotógrafos profissionais. E como só roda em G5, profissionais com grana.

    Ele é, porém, o primeiro vislumbre de como poderia ser o Photoshop se se livrasse completamente das amarras ao passado e se permitisse reinventar completamente, aproveitando tudo o que a máquina pode dar atualmente que não dava há 15 anos. E tem conceitos em comum com o velho KPT: manipulação em tempo real, ferramentas realistas...

    A Apple não precisa nem deve ferrar a Adobe, porque o mercado da Adobe é importante demais para a Apple e vice-versa. A exceção, é claro, existe e se chama Final Cut Pro.

    Sobre aquela história de que a Apple iria fazer algo melhor que o MS Office e despachar a Microsoft de vez da plataforma Mac: depois desses anos todos, cadê? Numa gaveta, esperando o momento certo?

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  7. Falando em tantos killers, acho que o único possivel Windows-killer seria se a apple liberasse o Mac OS pra qualquer PC.

    Ai sim teriamos uma concorrencia entre sistemas de desktop.

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  8. eu bem notei que o Aperture nasceu. ;-) Aliás, parece que ele vai ser 100 dolares mais barato que um Photoshop. To louco para ver um review do Aperture.

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  9. O próprio site da Apple tem vários movies que explicam o funcionamento do Aperture.
    Resumindo, é tudo o que a maioria dos fotógrafos precisa: importa, trata e dá saída em fotos, com grande ênfase na seleção e organização para quem produz enormes quantidades de imagens. Ele tem todos os recursos de organização do Bridge, iView Pro, ADCSee, e vários outros completamente novos.
    Vai roubar um pouco de mercado de todos esses programas, mas por ser exclusivo para Mac o impacto inicial não será tão grande. Mas a partir dali a Apple pode, sim, construir um novo Photoshop...
    Já os artistas gráficos não podem usar apenas o Aperture, ainda precisarão do Photoshop e outros softwares. Sem razão para sustos.
    Torço para que a interface do Aperture influencie a do Photoshop, que está parada em idéias do começo dos anos 90, especialmente nos controles de imagem que obrigam a abrir caixas de diálogo, como Image Size, Curves etc. Nem o fato de o Photoshop ser igual para Mac e Windows justifica o anacronismo atroz dessas ferramentas. O Aperture reúne todos os controles numa paleta dinâmica flutuante, que eles chamam "HUD" em analogia aos displays de informação de vôo em aviões.
    Aliás, algum outro fotoxopista também achou que a Adobe estragou o sistema de seleção de layers no CS2? Poder ficar sem nenhum layer selecionado por acidente é uma imbecilidade.

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