2001-01-17

Upload

Upload 1 - Novidades em uma das minhas galerias de fotos, "Detalhes de São Paulo". Inclui uma foto da histórica "Tarde Amarelada" de novembro de 2000.

Upload 2 - Versões exclusivas para a Web de minha série de fotoilustrações para um futuro artigo da Macmania, "Guia do iMac". Bônus: duas ilustrações inéditas e a capa da edição extra do CD sem os textos e logos.

Ao tentar explicar qual é a emoção de fazer um blog, o Mauro Tojo (o cara do Kaneda :) disse o seguinte:

E tô achando um tesão ler posts meus de muito tempo atrás e, através da leitura deles, conseguir me recordar com uma precisão incrível como eu tava me sentindo na época em que escrevi aquilo.

Pra mim, o grande tesão do blog é vc poder ler um post de muito tempo atrás, constatar que bebeu muito naquele dia [tá, metaforicamente, que seja, eu não tomo porre de verdade] e escreveu uma barbaridade, e reeditar impunemente. Ou então, no caso de o texto ser sóbrio e relevante, interpretá-lo sob um ângulo novo - "conhece a ti mesmo pelo que escreves".
Sobre outra coisa que o Mauro dizia: sim, é claro que rola um lance forte de ego no blog. Senão, por que tem gente que anota a hora em que levantou, qual foi a comida estragada que deu dor de barriga ontem e outras coisas que só a mãe do distinto teria interesse em saber? Eu mesmo não escapo ao ridículo, transformo os paus dos meus computadores em sites...

As galerias de fotos mencionadas acima não existem desde 2007, foram substituídas pelo Flickr.

2001-01-15

Procure no Napster por esta música: Aphex Twin: Outside Kickass Violin Solo. É uma das misturas de sons mais doidas e interessantes da história. Inacreditável.

Update - Não é do Aphex Twin, mas de um grupo brasileiro, cujo nome não lembro.

Lista do Ódio

Incluir na lista: nomes em português que tentam parecer "importados", mas não fazem sentido em inglês: Fofy (biscoito), Scrity (papel), Softy's (lenço descartável), Pratice Line (comida congelada), Sanifill (fio dental), Fine Flock (bombom de chocolate).
Pura macaquice fonética trouxa.

2001-01-14

Rock In Rio, Rap In Sampa

Origem do Drum & Bass ou A Arte de Baixar MP3 em Banda Larga (Minha primeira nota sobre música!)
Graças ao Google (o incrível site de busca que acha até pêlo em ovo) e ao Napster, me tornei um qualificado DJ (download jockey). Uma das minhas diversões tem sido rastrear a origem e destino do Drum & Bass desde quando o estilo se chamava "jungle" e além, encaixando as peças de suas origens espalhadas pelo house, reggae, hip-hop, trance e jazz. Fascinante.
Um download leva a uma pesquisa na Net e a outro download e assim por diante, até que consigo montar não só a coleção que nunca pude juntar comprando CDs, como também uma retrospectiva detalhada por artista e ano, incluindo todos os singles importantes.
Para os DJs isso que estou dizendo é óbvio, é a própria essência do processo. Mas me surpreendo de ver quanta gente tem a oportunidade de ouro de descobrir exatamente as músicas de que gosta e nem desconfiava, e não está aproveitando enquanto é de graça.
Claro que não vou me desfazer dos meus CDs do Photek ou do LTJ Bukem quando a coleção estiver de bom tamanho. Pelo contrário; vou ir garimpar álbuns que já tenho inteiros em MP3, mas que gostaria de possuir na forma original (o segundo do Goldie, por exemplo).
Em breve vou publicar um set das melhores músicas que já encontrei no gênero. Muita coisa em Drum & Bass é, convenhamos, impossível de dançar; mas é excelente para ouvir com fones, como trilha sonora para o stress do trabalho diurno.

Disclaimer: Antes que comecem a vir os emails comentando o meu mau gosto, aviso que meu gosto é extremamente variado e muito provavelmente também gosto do que você gosta.

Constatação perturbadora - Todos esses artistas que admiro e que estão botando pra quebrar atualmente são da minha idade ou mais jovens. Sempre quis virar músico - mesmo que apenas como atividade paralela - e ainda não virei; é talvez a minha maior frustração.

2001-01-12

Aumentei o número de mensagens recentes visíveis nesta página e passei para o repositório dos textos as coisas mais longos para ela não ficar grande demais.
"Servir bem para servir sempre"!

O Felipe Bravo acabou o Unreal Tournament Single Player. Quando terminei, tive a mesma idéia de botar no site uma captura da sala de troféus provando o feito. Imagino o juiz e apresentador Doicheman pegando o microfone:
"Neste canto, com 256 de conexão e 400 de CPU, Bravoooo! No outro canto, com 192 de RAM e 36 de disco, Spaniaaaaard!"
Será o combate do milênio.

O que é o Ginger

O "Jornal Nacional" de ontem fez um hype monstro sem explicar absolutamente nada sobre uma suposta tecnologia revolucionária, codinome Ginger, que ninguém pode ou sabe dizer o que é. A notícia que a Globo chupou está aqui. Usuários de computador ficaram alvoroçados: por trás da idéia estão caras poderosos como Steve Jobs (Apple), Jeff Bezos (Amazon), John Doerr (principal investidor do Vale do Silício) e outros.
Então, como dizia, eu sei o que é esse produto ultra-secreto: é uma versão manufaturada do Gerador de Campo de Distorção da Realidade de Steve Jobs... Não! Brincadeirinha! Continue lendo...
Em julho do ano passado, a Wired publicou uma matéria extensa sobre o criador do Ginger, um certo Dean Kamen. Ele fez fortuna inventando e fabricando uma bomba de insulina para diabéticos. Mora em uma mansão no alto de uma montanha em New Hampshire, EUA, aonde só se chega em um dos dois helicópteros de sua propriedade. Tem muito tempo livre e muito dinheiro para pesquisar novas invenções.
O assunto central do artigo da Wired é uma cadeira de rodas incrivelmente sofisticada, que na época estava em fase de protótipo inicial. Ela tem dois pares de rodas motorizadas. A pessoa se senta nessa cadeira, dá um comando e ela se ergue sobre um dos pares de rodas, como um monociclo, e se mantém equilibrada graças a um sistema giroscópico. É quase impossível derrubá-la. Ela pode se delocar a velocidades comparáveis às de um scooter, e enfrenta todo tipo de terreno - pode até mesmo subir e descer escadas, sempre com o assento perfeitamente nivelado em todas as situações. Eis as fotos e outras informações sobre a cadeira.
Na matéria da CNN, Kamen diz que o Ginger é algo que "será uma alternativa a produtos poluentes, caros, perigosos e frustrantes, especialmente para quem vive nas cidades."
E aí, precisa de uma dica maior ainda? É algum novo meio de transporte individual - alguns dizem que usa antigravidade ou um turboélice miniatura para suspender a pessoa no ar. Não acredito na antigravidade, mas a idéia de voar é extremamente sedutora, exatamente como disse o inventor e seus investidores. Pessoas mais "pé no chão" (com trocadilho :) acham que é apenas a reinvenção da limitada, banal e (sobretudo) fracassada Walk Machine. Duvido totalmente.
Se for isso mesmo, significa que a CNN (e a Rede Globo) apenas se rendeu cegamente ao hype e não fez seu devido trabalho de pesquisa e especulação.
19:02 link

2001-01-11

"Eu leio"

Eu odeio! - Este blog é o mais engraçado que já vi! É uma enorme "lista do ódio" (eu tentei fazer uma, mas não parecia bem humorada :).

"Eu leio" - Valeu pela força, Ignácio Aronovich!

2001-01-10

Esta semana tá de estourar o saco

Não tenho dormido mais de 4 horas por noite. O repouso das férias de duas semanas já se dissipou. A dor nas costas e a gastrite querem participar da festa. Discussão interminável e estéril em lista de email. Trampo atrasado e apressado no limiar da paranóia. Downloads de MP3 interrompidos por falta de disco. Agora sim, sinto que o ano novo começou.

2001-01-08

Estupidez

O Felipe Bravo postou uma angustiante história sobre mal-entendido na faculdade. Neste sábado, eu estava justamente comentando de passagem com a Petra sobre aquelas situações mal-resolvidas do passado, situações de falha pessoal às vezes sem nenhuma importância concreta, mas que nos causaram um mal-estar marcante, e retornam à memória anos, décadas depois, espontaneamente, e nos atormentam periodicamente como fantasmas, sem esperança de apaziguamento... (será que análise resolve?)
O que vem a seguir é bem desagradável; se não tiver saco, não leia.

Fenasoft de 1985...

Eu estava no curso técnico de Eletrônica do Liceu de Artes e Ofícios, e era precoce de um ano, ou seja, estava fazendo o segundo ano do 2º grau com 15 anos, faltando quatro meses para 16. Toda a turma recebeu convites especiais para a feira; muitos se reuniram na escola, no bairro da Luz, e foram para o Anhembi em grupo.

Eu morava na Vila Galvão, em Guarulhos, quase um pulo até o Anhembi. Fui direto de casa. Lá chegando, um pouco atrasado, apresentei o convite e ia entrando quando o segurança me pediu algum documento. O papel autorizava somente a entrada "a partir de 16 anos".

"Fodeu", pensei. Ou talvez não, porque na época eu era um garoto meio anestesiado em relação ao mundo ao redor, sem o menor jogo de cintura, sem reflexo para o inesperado. Claro que o brutamontes me barrou. Expliquei que minha turma do Liceu já deveria estar toda lá dentro e que a visita não era por diversão, e sim por razões didáticas e profissionais; em breve, todos pegaríamos estágios como técnicos nas mesmas empresas que estavam apresentando produtos na feira. Pensando bem, acho que balbuciei incongruentemente tais explicações - posso bem imaginar a patética cara de criança atordoada que devo ter feito, justo quando precisava provar maturidade.

O cara nem mesmo ouviu, creio. Barrou e não houve como. Pensei em ligar para a escola, mas todo mundo, dos colegas ao coordenador, estava lá dentro. Ainda não existia celular. Eu não tinha uma ficha para o orelhão e, se tivesse, não sabia o número de cor. Quis falar com mais alguém ali mesmo. De jeito nenhum! Finalmente, eu disse com firmeza (ou, pelo menos, a que me teria restado) que era um absurdo ser prejudicado por algo que não tinha nada a ver com minha intenção concreta e absolutamente séria e responsável para estar ali. Nada.

Voltei a pé metade do caminho, só, o cérebro explodindo de um poderoso ódio que não suspeitava que poderia existir, um ódio com massa, consistência e textura, ímpeto de botar fogo naquela merda, explodir o idiota do promotor do evento, torturar e matar o primeiro filho da puta da portaria que voltasse a invocar "regras" intransigentes criadas para resolver uma situação que não era a minha. A absoluta impotência da situação, o imerecimento, a experiência tonitruante da injustiça golpeando meu crânio, tudo fazia o meu ódio refluir em vagas rebentando contra mim próprio, e eu me maldisse decididamente.

E talvez tenha sobrado também para minha mãe, que se orgulhava futilmente pela sua idéia nada genial de inscrever na escola seu filho "geniozinho" um ano antes do usual, causando-lhe todo tipo de dificuldade de relacionamento social na escola, pois um ano de idade faz uma diferença imensa em classe quando você tem entre 7 e 17. E agora, um absurdo destes na porta de um evento profissional.

Voltando ao meu usual caráter anestesiado, no dia seguinte não fui capaz de ir reclamar na diretoria, nem mendigar a solidariedade dos colegas; a explosão interna do ódio, auto-contido pela eloquência da minha insignificância no mundo, tinha aniquilado uma fração da minha vontade, de minhas convicções positivamente ingênuas, e alterou alguma coisa dentro de minha essência, para sempre.

A alteração não foi a esperável. Eventualmente, a auto-anestesia reverteu e me tornei o mais cru anticonformista, postura pela qual pago um preço ainda hoje, muitos anos depois. Mas isso já é outra história, que demanda um outro post.

Mas que droga!

Vício de debater em listas de email é igual a dependência de droga. Vc desintoxica e pode passar "limpo" um mês ou um ano, mas fatalmente volta a se drogar!
Tá rolando uma polêmica numa lista sobre Mac no eGroups. Assunto? Algo como "O Que Odeio na Macmania". De dez críticas/queixas que leio, três têm um ponto válido, três são choradeira sem sentido e quatro são "chutes" sem a menor noção do que é que envolve produzir uma revista no mundo real - e os autores dessas quatro são os que têm mais certeza e obstinação em seus argumentos. Perdão pela franqueza brutal, mas é por aí mesmo.
Mas eu sou o culpado por cair na tentação de entrar pra tentar esclarecer na boa qualquer bobagem que considero acusação injusta, e pronto, viro o Cristo; no caso, o Cristo-Editor, sendo que nem sou editor de fato... E, sem me conhecerem, criticam já se desculpando em seguida, pré-esquivando-se de supostos furiosos flames meus - não por eu ter má fama, mas simplesmente porque na incipiente comunidade Internet brasileira, debate de idéias é o mesmo que guerra de egos.
Não flameio. Respondo com consideração, e mesmo às vezes não tendo reciprocidade (não em termos de respeito, mas de atenção ao que disse), não agrido ninguém. Mas isso é só hoje em dia... Se me conhecessem há uns três anos... HA! Em caso de insistência na "malice", tomava porrada da mais brutal que se podia escrever sem insultar diretamente.
Depois que perdi a confiança no meu taco dialético, porém, não me atrevo mais a brigar. E também porque, depois da Macmania e do Blogger, virei uma figura pública (hahaha!) e brigar não fica bem :) Além disso, acha que dá pra levar isso tudo (ou a si próprio) muito a sério?

2004 - Parei completamente de responder os threads de reclamações sobre a Macmania. Eu não sou a revista; quero poder conversar sobre outra coisa, como um ser humano normal. É ridícula a desculpa de que vocês reclamam a mim por medo de mandar email para o editor porque ele é "malcriado na resposta". Se você tem firmeza no que diz, não há por que se incomodar! E os que chegam atacando furiosamente, sem respeito nem a noção da realidade de se publicar uma revista de nicho no Brasil, são os que mais se ofendem com qualquer explicação que eu ou o Heinar dermos; não suportam que alguém prove que estavam errados na atitude e na compreensão. Então tá! Cresçam!

2008 - A Macmania acabou. Surgiu em seu lugar a Mac+. Que é uma revista comercialmente bem-sucedida, de conteúdo mais amplo e isenta de polêmicas bestas envolvendo a orientação editorial, a linguagem ou a personalidade dos que a escrevem. O editor participa de listas sobre Mac em paz, sem ser bombardeado de reclamações sem noção e insultos gratuitos como antigamente. O principal aspecto que fica devendo ao leitor, depois de todos esses anos, não é editorial: é a distribuição, que sempre foi precária. Até quando?

2001-01-06

Açougue-churrascaria: update

Semana passada, respondendo a uma nota do Marcos RS, mencionei um lugar em SP, um açougue que improvisou um restaurante na frente para vender espetinho assado. Dei as coordenadas pra chegar lá e tudo. Eis que um conhecido Sérgio Faria me mandou a meiga mensagem:

Grande AV, não tem espetinho naquele açougue. E não fica do lado direito, fica do lado esquerdo de quem vai para a Vila Mariana. É o Vila's, certo? Espetinho lá era o seguinte: de vez em quando vinha o pessoal dos espetinhos que o cara vende, pra fazer degustação numa mesa e depois a freguesia comprar pra assar em casa. De vez em quando. E faz tempo que eles não pintam. Não se sabe se, de repente, aparecerão. Me deves a gasolina do percurso Lorena-Ana Rosa-Lorena, não quero nem saber...

Sinto muito se não soube seguir minha direção. O lugar que mencionei não só existe, como colocaram mais mesinhas na calçada. Chama-se Os Prazeres do Churrasco. Fica na José Queirós Aranha (continuação da Conselheiro Rodrigues Alves), número 60. É imediatamente após o largo Ana Rosa, descendo para a Aclimação, do lado direito (como eu tinha dito). Serve comida e bebida todo dia à tarde. Por R$ 1,80 vc compra dois espetos, que podem ser de uma variedade de carnes bovinas, suínas, de frango e até de queijo.

Junho de 2008 - O local descrito não existe mais. Além disso, no blog atual eu não ficaria falando de churrascos e carnes; é o tipo de trivialidade que não tem mais lugar aqui. E tampouco quero incomodar os amigos vegans e vegetarianos com esse tipo de conversa. O Marcos RS tornou-se sócio de uma casa de espetos, Assim Assado, em Moema.

Essa é boa: George W. Bush usa Macintosh!

Um artigo recente na Salon aponta para uma foto do novo presidente, ao telefone, com um PowerBook aberto na frente.
Al Gore, que teve a coragem de dizer que foi o "pai da Internet", já tinha dito que usava Mac e mudara para o PC por causa de um daqueles argumentos fajutos: "falta de software", "incompatibilidade" ou não sei qual outra baboseira.

2008 - Al Gore é um membro do conselho executivo da Apple. Não lembro onde encontrei o estranho fragmento de informação acima. Em geral, não se fie demais nos fatos relatados neste blog nos primeiros dois anos, pois o meu rigor de checagem era, para ser bem franco, amadorístico.

A cultura da reclamação

A "cultura da reclamação" no Brasil é assim: considera-se a priori (e erradamente) que nenhuma reclamação pode estar equivocada. Como reclamar é a coisa mais fácil do mundo, todos reclamam de tudo e de todos, e talvez por um problema básico de educação, também querem ter a razão "no grito".

O brasileiro [generalizando porcamente, mas vá lá, é a maioria, sim] se leva a sério demais e, acima de tudo, vive desesperadamente atrás de sentir a sensação de estar sendo "servido". Isso é um resquício do colonialismo e do esgravagismo, é um ranço hereditário na nossa cultura. Ele também tem uma fortíssima manifestação na imposição pela intimidação pura em lugar de conversa. A comunicação deficiente leva a confrontos desnecessários que exaurem a energia das pessoas.

Em outras culturas, essa "carência" não é assim patente; as pessoas são menos intolerantes, assumem a princípio que o outro não errou de propósito, e abrem a boca basicamente para ajudá-lo a cumprir sua função melhor. Nos países de primeiro mundo, a reclamação é uma força poderosa. Muita coisa funciona impulsionada por ela. Há uma infra-estrutura institucional que estimula esse comportamento - a "reclamação socialmente interessada". "Olha que eu processo!" O brasileiro está entrando com o maior entusiasmo nessa onda, pois tem um talento único para reclamar. Só que a sua reclamação é quase sempre mal embasada. As críticas são pobres. Faltam compreensão, dados e raciocínio. E falta também a infra-estrutura institucional - um insignificante detalhe...

Resultado: a pessoa mergulha numa ilusão de impotência que a oprime e transforma sua reclamação em raiva, choradeira e gritaria. E é essa reclamação, não da reclamação consciente, que eu definia como uma patente deformação na mente do brasileiro em geral.

E não posso deixar de associar essa ilusão de desamparo, combinada à intimidação institucionalizada, com a transformação de posses materiais ("você é aquilo que tem"), cargos ("você é aquilo no que manda") e cultura ("você é a sua panela") em instrumentos de auto-afirmação e segregação no país que tem a mais perversa desigualdade social do mundo.

A cultura da reclamação do brasileiro forma uma dupla infernal com a cultura do palpite. A sua manifestação mais evidente está no sábio ditado "todo brasileiro é técnico de futebol". Bom, na verdade, não só de futebol, mas aparentemente de qualquer coisa. Somos uma nação de pseudo-especialistas.

O fato de todo brasileiro querer mandar em tudo (movido pelo tal anseio de "ser servido") resulta nele achando que sabe tudo o que os outros deveriam estar fazendo. O resultado é esse mar de opiniões exacerbadas e sem embasamento.

Ai daquele que apontar a falta de conhecimento do outro. Mesmo com as melhores intenções e apresentando as provas factuais, não somente não provará o ponto, como arderá nas chamas da indignação e da teimosia de quem não tolera a menor possibilidade de ser contrariado. Vira vítima imediata da cultura da reclamação. E as chamas infernais se realimentam.

Pelo menos no meu paradigma de cultura em um país civilizado, aprenderia-se na escola a não se falar do que se não conhece, e a admitir tranquilamente quando se está errado. Por que não somos capazes de algo tão simples?

Upgrade

Dei uma mexida na localização de várias páginas e aproveitei pra dar aquela garibada nelas. Se achar algum link quebrado, por favor me avise. [Anos depois, nenhum dos links mencionados vale mais; não se dê ao trabalho de me perguntar onde estão.]
O "Show de Bombas" mudou para o servidor do BOL. Tenho muita coisa nova recebida por email para pôr lá, assim que pintar uma folga. A seção "Restauração de Fotos", em "Portfólio", também terá upgrade em breve, pois acabei um trampo de restauração muito feliz, que vale um artigo a respeito.
A seção "Photo Pun" é a antiga "Piadas Visuais". Nome ruim por nome ruim, o novo é menos ruim (acho). Tem uma nova piada que originalmente fez parte do Macintóshico de novembro. Não tive a agilidade de publicá-la com o "timing" certo (durante a indecisão da eleição americana).
Se vc acha os últimos textos do blog muito longos e pentelhos, perdão; é que estou com preguiça de jogá-los no "Scratch Disk" [Texto], que é seu verdadeiro lugar.

Saiu a revista do CD da Macmania! Coloquei no CD a coleção integral de todos os Macintóshicos já publicados, em formato PDF. Have fun!

2001-01-03

Eficiência é uma virtude moral

A escrita é uma atividade. Ela consome energia do escritor e também do leitor. Quanto mais ela transmitir por unidade de energia dispendida, mais eficiente será - e também mais ética. Sim, há uma questão moral aqui.
Eu não tenho nenhum direito de desperdiçar o seu tempo, a não ser que você me peça para desperdiçá-lo para você. Eu não tenho direito de consumir a sua energia, a não ser que você o exija. Seu tempo e sua energia são a sua vida. Tão logo ambas estejam exauridas, você também estará. (Morto, dizem alguns.)
Homicídio é um crime. Mas, infelizmente, homicídio parcial não é. Qualquer chato pode matar você por meia hora e escapar da justiça. Uma garrafa de rum pode matá-lo durante um dia, mas é tolerada pelo governo. Todo dia, de toda forma possível, milhões de pessoas matam outras de forma parcial. Algumas o fazem conversando, outras com livros, outras com processos judiciais, outras com álcool, outras com ópio, outras com ideais vagos. Todos nós resmungamos, mas não fazemos nada contra isso. E assim, a maioria de nós subsiste neste mundo por uns sessenta anos, mas vive efetivamente apenas dez ou onze deles. Em meio à vida, estamos mortos.
Quem, então, será o herói moral? É o homem que descobrir uma maneira de permitir às pessoas usufruir mais da vida, segundo após segundo. Ele poderá inventar um aparelho que economize esforço, ou um aparelho que economize tempo. Pode ser uma máquina de lavar ou um telefone. Pode também ser algo mais sutil: uma nova linguagem, ou um estilo mais econômico dentro de uma dada linguagem. No longo prazo, eu acredito que o homem que aperfeiçoar a telefonia contribuirá tanto para o progresso humano quanto o homem que inventou o telefone.

- Traduzido de "The Art of Useful Writing", por Walter B. Pitkin, 1940

2001-01-02

Como é que é?

O Blogger passou o chapéu para arrecadar uns poucos milhares de dólares para comprar servidores, porque depois do "estouro da bolha da Web" ninguém do mercado quer investir mais... Isso explica os paus dos últimos dias. Agora, um treco deste tamanho, de tal nível de sofisticação tecnológica e implicações sociais, ter que mendigar desse jeito é muito triste. Eu devia ter raiva da inépcia financeira deles, mas me compadeço e fico ainda mais fã deles. Força Blogger!
Em 1996, quando o Macintosh parecia nas últimas, um grupo de usuários iniciou uma corrente para juntar US$ 10 de cada um para cobrir o rombo financeiro da Apple. O CEO Gil Amelio veio publicamente, de orgulho ferido, dizer que os consumidores têm é que comprar os produtos e não fazer doações. Olhe o absurdo a que a situação chegou, o incrível mico que a Apple pagou. Os problemas atuais do Jobs parecem passatempo perto disso.

2008 - Tempos depois, o Google comprou o Blogger e nunca mais houve problema. Passados alguns anos, o criador do Blogger inventou um novo serviço revolucionário, o Twitter, e toda a saga dos problemas técnicos repetiu-se.
Script timed out
/blog_form-action.pyra
The maximum amount of time for a script to execute was exceeded. You can change this limit by specifying a new value for the property Server.ScriptTimeout or by changing the value in the IIS administration tools.

Car...! Este blog tá superLENTO e superBUGADO! Espero que seja só porque todo mundo resolveu postar ao mesmo tempo suas primeiras impressões do novo milênio...
Active Server Pages error 'ASP 0113'

Ah, meu saco!

Em construção

Quero incluir nesta página um formulário de resposta que torne desnecessário enviar email para mim. O retorno deste site por email tem sido bastante forte, e acho que acrescentar um campo de "talkback" para digitar a sua resposta direto na página tornaria a coisa toda mais parecida com uma conversa do que com um - ugh! - monólogo. Chega de weblogs autistas!

Update - Demorou muito, mas a instalação de um sistema de comentários revolucionou a comunicação com os visitantes do site, tornando-os coautores do conteúdo. Isso ocorreu em 2002.

Blog*Spot salva o dia

Quando estava ficando cheio de publicar meu blog pelo Terra, finalmente vi a luz e mudei-o para o Blog*Spot, que pertence ao próprio Blogger. Acabou aquela incômoda janelinha de propaganda do Terra, que o provedor obtinha inserindo automaticamente um JavaScript no meu código, zoando o upload do Blogger.


Inventei um sistema de redirecionamento da home page (clique nas figuras para vê-las maiores):

1. No começo, era somente o UOL. Desde o início, usei a página inicial (index.htm) como uma simples "meta-home" de boas-vindas, apontando para a verdadeira página índice de todo o site (que chamei de index_intro.htm). No começo, a meta-home continha somente uma figura com link que deveria ser clicada. Depois, adicionei um tag META HTTP-EQUIV="Refresh" para a meta-home mandar carregar automaticamente a home após alguns segundos.


2. Mais recentemente, registrei meu nome de domínio (marioav.com) de graça no Namezero. Esse serviço não inclui hosting; o que ele faz é associar o seu domínio a uma página de sua escolha. Mudei a página-índice para o VilaBOL, um host gratuito brasileiro. O conteúdo da página-índice no UOL foi substituído por um simples comando META HTTP-EQUIV="Refresh" para carregar a nova página-índice instantaneamente. Assim, mudei a home de servidor sem ter que alterar ou derrubar um único link interno. Ganhei mais alguns MB para upload e um segundo contador de visitantes, podendo se quisesse observar quantos entravam pelo endereço velho e quantos pelo novo (o que acabou ficando inútil graças aos paus do servidor do UOL, que periodicamente zeram o contador).

3. Para o Blogger funcionar, ele precisa fazer FTP. Por isso, mudei a home para um host gratuito com FTP, o Planeta Terra [retirado do ar algum tempo depois]. A minha home no VilaBOL foi trocada por uma meta-home igual à do UOL, e todo o resto continuou como antes - mas agora com o blog na página principal.

4. Agora o Blog*Spot passou a ser o novo lar da home, e também ficou possível publicar lá o arquivo do blog. Agora foi a home no Terra que virou uma meta-home apontando para o novo endereço. Todas as imagens (banners, botões etc.) são carregadas do VilaBOL, pois o Blog*Spot não aceita imagens.

5. Quando o BOL e o UOL passaram (sem aviso nenhum aos usuários, como convém a empresas desse tipo) a impedir o carregamento de imagens por páginas fora de seus servidores, passei a depositar temporariamente as imagens num servidor gratuito no exterior e manter uma cópia delas no UOL para fins de arquivo. Depois de inúmeros paus de publicação de arquivo pelo Blogger, passei a gerar as páginas de arquivo mensais à mão e publicá-las no UOL junto com os demais textos arquivados. Para quem entra no site pelo blog, aparentemente nada mudou.

O método de "linkar" páginas indiretamente pode parecer à primeira vista algo como fixar as asas de um avião com chiclete, mas provou ser totalmente funcional, com as vantagens de dar pouco trabalho, garantir a minha presença em mais diretórios de sites e permitir a migração do conteúdo sem quebra de links. E sem ter que aprender a criar páginas dinâmicas, ao menos por enquanto...

Junho de 2008 - Em 2003, mudei o blog para o Gardenal.org durante alguns meses. Depois, desativei-o completamente, tanto no Blogger quanto no Gardenal. Ao retornar em 2005, preferi usar o Blogger como antes. O Blog*Spot não é mais um site separado; o seu link corresponde ao do painel de controle do Blogger. As imagens linkadas permanecem num servidor externo, pois a edição fica mais fácil para mim. Não necessito mais uma home page secundária no Terra ou UOL para ser encontrável na Web. Hoje, o Flickr e o Twitter são tão importantes quanto o Blogger; os conteúdos dos três serviços estão fundidos aqui.

2001-01-01

Bug engraçado no Terra



É possível abrir quantas barras de navegação você quiser (por que alguém iria querer isso está fora de questão), bastando clicar repetidamente no topo da seção do portal (aonde estou com o cursor na imagem). Cada clique abre uma barra a mais. Hehehehe...